PRÁTICAS DE ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS SURDOS EM ESCOLA COM PROPOSTA BILÍNGUE
Jucivagno Francisco Cambuy Silva, , Maria Regina Dobeux Kawamura
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Linguagem E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PRÁTICAS DE ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS SURDOS EM ESCOLA COM PROPOSTA BILÍNGUE
Jucivagno Francisco Cambuy Silva 1 , Maria Regina Dobeux Kawamura 2
1 Instituto de Física da USP, jucivagno.silva@usp.br
2 Instituto de Física da USP, kawamura@if.usp.br
## Resumo
O desafio do ensino de física para alunos surdos envolve diversos estudos e tem provocado discussões entre professores e pesquisadores ao longo dos últimos anos. Este trabalho é parte de uma pesquisa qualitativa que foi desenvolvida em uma escola inclusiva para estudantes surdos. A principal proposta é acessibilizar os estudantes, mediante o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras), as práticas de ensino de física para o ensino médio. O pesquisador-participante aproveita-se de tecnologias acessíveis para ampliar a exploração dos aspectos visuais e dos recursos multissensoriais, favorecendo os processos de significação dos conceitos em física. Nesta escola, com aproximadamente 80 alunos surdos, situado no centro de São Paulo, os alunos têm Libras como a primeira língua e o português escrito como o segundo idioma. Os resultados indicam uma forte relação professor-aluno. Os alunos mostraram-se interessados, criando sinais e explicando por meio de demonstrações de linguagem não-verbal, conceitos como inércia, gravidade, corrente elétrica e óptica. No entanto, poucos concluem o terceiro ano do ensino médio com proficiência em português na modalidade escrita, o que implica no não registro do discurso escrito dos estudantes acerca dos conceitos em física.
Palavras-chave : Bilinguismo, Ensino de Física, Libras, Surdos.
## Introdução
Entre o período de 1980 e 2011, a educação dos surdos tem passado por diversas transformações, com uma intensa produção científica e muitos trabalhos na área de linguística, alfabetização e letramento de surdos, história, sociologia e cultura surda e, nos últimos anos, a questão do bilinguismo para surdos. O tema tem se tornado ainda mais latente a partir das questões das políticas de inclusão, que têm aparecido no cenário nacional de forma muito forte a partir da lei 10.436 de 24 de abril de 2002 e do decreto 5.626/05 que imputa aos sistemas de ensino a obrigatoriedade do ensino de Língua Brasileira de Sinais (Libras) nos cursos superiores de pedagogia, fonoaudiologia e todas as licenciaturas até o final de 2015.
Neste sentido, estudos na área de matemática (JUNIOR; RAMOS, 2008; OLIVEIRA, 2005), pesquisas na área de ensino de ciências voltadas para o ensino fundamental (LORENZINI, 2004) e ensino de física (CAMBYHY; BAUMEL, 2011; SOUZA, LEBEDEFF; BARLETTE, 2007; CONDE, 2011; BOTAN; CARDOSO, 2009; ALVES, 2012) vêm mostrando a relevância e os desafios que é ensinar para alunos surdos.
Segundo os dados do Ministério da Educação (BRASIL, 2009) existem aproximadamente 56.536 alunos surdos e deficientes auditivos matriculados no ensino fundamental, 8.934 alunos no ensino médio e 8.824 na Educação de Jovens e Adultos. Dentro deste complexo sistema, estes alunos estão dentro de três modelos básicos de ensino: escolas especiais, escolas inclusivas e escolas
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20 a 25 de janeiro de 2013
bilíngues para surdos. Neste sentido, não existe um método de ensino que garanta o sucesso efetivo deste individuo em um destes modelos de ensino, mas práticas que respeitem as características linguísticas e as individualidades de cada aluno (FERNANDES, 1990).
Para promoção da aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1982) em física para estes educandos, precisa-se desenvolver articulações entre os tipos de métodos que serão implementados em sala de aula e o estímulo para o professor da educação básica a entender a problemática da surdez. Consideramos importante a formação, tanto inicial quanto continuada, de professores inclusos nestas problemáticas, para que se possam incluir tais grupos estigmatizados pela sociedade contemporânea, assim como, acessibilizar ao conhecimento científico.
Frente a esta problemática, diferentes estratégias de ensino de física têm aparecido nos textos e pesquisas em ensino de física para alunos surdos. Eles sempre relatam a exploração dos aspectos visuais, mas poucos mostram as estratégias e o processo de ensino de física para alunos surdos dentro de escolas bilíngues. Salvo alguns trabalhos como o de Arnoldo Junior (2005) que constatou a falta de sinais específicos para as áreas de física e matemática, verificando-se que a ausência dos mesmos pode comprometer a explicação do conteúdo dessas disciplinas. Igualmente, a pesquisa de Botam e Cardoso (2009) que apresentam um banco de sinais na área de ensino de física com o projeto 'sinalizando a física', que promoveria, a partir da disposição autônoma do professor, a possibilitar entender os conceitos em física Todavia, a simples construção destes sinais não implica, . necessariamente, numa maior aprendizagem para os alunos surdos.
As dúvidas e angústias que muitas vezes assolam os professores do ensino médio que trabalham com surdos, foram o estopim para a produção de uma pesquisa ainda sendo desenvolvida no Instituto de Física da USP. Temos em vista que os poucos portadores da surdez que chegam ao ensino médio não terão outra oportunidade para aprender os conceitos formais da física, e que os professores se sentem desesperados pela falta de formação para lidar com esta clientela (SILVA; BAUMEL, 2011). Tal fato nos levou a apresentar algumas estratégias para o ensino de física para estes alunos em uma escola com proposta bilíngue localizada no centro de São Paulo, no bairro do Tatuapé.
## Língua Brasileira de Sinais e a Física
- O Ensino de Física para alunos surdos requer outra modalidade de comunicação. Caso o discente esteja dentro de uma sala inclusiva, conforme direciona a legislação, haverá um interprete em Libras para realizar e facilitar a comunicação entre o professor e o aluno surdo. Contudo, se estiver dentro de uma escola bilíngue, o professor deverá utilizar a Libras para se comunicar com este estudante. Em qualquer um dos casos, a língua de sinais terá um importante papel na comunicação e no ensino.
Embora tenha uma série de questões a serem tratadas, nosso trabalho se restringirá a tratar das práticas de ensino de física utilizadas por um professor pesquisador dentro de uma escola que busca aplicar a concepção bilíngue de ensino para alunos surdos.
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## Bilinguismo
O Bilinguismo, de acordo com Skliar (1999), de forma tradicional é entendido como oferecer acesso educacional a duas línguas por um indivíduo. Por outro lado, alguns pesquisadores só acreditam que existirá um bilinguismo puro quando um indivíduo tiver acesso às duas línguas desde o nascimento, caso contrário, não será bilíngue. O bilinguismo para surdos, tal como entendemos, é ir além das concepções linguísticas, é tornar acessível para o aluno surdo o contato com seu grupo social minoritário e a interação com a Libras e com a Língua Portuguesa na modalidade escrita em seus processos educacionais em uma concepção socioantropológica.
Neste sentido, o surdo tem acesso ao processo educacional em duas línguas ao mesmo tempo, sendo a língua de sinais a sua língua materna (L1), e o português, na modalidade escrita, a segunda (L2) (LACERDA; MANTELATTO, 2000). O ideal é que ele se comunique em sua língua materna e na língua oficial de seu país. Segundo Kyle (1999), somente uma educação bilíngue promoverá uma educação efetiva para os surdos, algo que vem dando certo em muitos países que iniciaram o processo educacional de surdos em escolas bilíngues.
No Brasil, essa perspectiva ainda é muito recente e está em processo de construção. Por exemplo, na cidade de São Paulo transformou as suas seis escolas especiais para surdos em escolas bilíngües. Entretanto, o fato de ter mudado a nomenclatura ainda não significa que as práticas sejam bilíngues. Mais recentemente, a prefeitura de São Carlos, localizada no Estado de SP seguiu a mesma tendência quanto à modificação da designação ideológica destas escolas. Infelizmente, não há registros, para estes dois casos ainda, de trabalhos que analisem ou legitimem a significância de suas atividades para os surdos.
## Ensino para surdos
Ensinar física para alunos ouvintes é algo extremamente desafiador. E para alunos surdos, o ensino de física é acrescido de outras questões como as relações entre o pensamento e a linguagem na modalidade visual-gestual ou visual-espacial. Este processo requer sérias considerações sobre os estudantes e sobre as interações deles com o conhecimento e a linguagem física. Uma delas é pensar sobre quais interações e quais experiências serão utilizadas para facilitar as leituras e demonstrações em física (LANG, 1973).
Um interessante problema semelhante a este apareceu na década de 70, nos Estados Unidos, quando um professor tentou utilizar um barco a vela para ensinar conceitos de vetores para alunos com surdez, (FRANCKLIN, apud LANG, op. cit .). A inapropriação da escolha do barco a vela se deu principalmente pelo fato dos alunos nunca terem visto ou conhecido um barco. Os péssimos resultados de aprendizagem apresentados pelos alunos, mostrou que os professores precisam utilizar experiências multissensoriais para criar uma dimensão metodológica e mais acessível para o entendimento de física.
Em outro trabalho, Souza, Lebedeff e Barlette (2007) apresentaram as estratégias de ensino de física utilizadas em oficinas, especificamente para tratar de conceitos de hidrostática para alunos surdos adultos, mostrando que há possibilidade de ensino, desde que este seja pautado na experiência visual. No entanto, os grupos apresentam dificuldades em escrever as relações entre os fenômenos observados e os conceitos físicos, houve dificuldade por parte das
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pesquisadoras em entender os relatos de dois grupos de alunos, observaram também que as experiências precisam ser repetidas constantemente e '... para o entendimento e tratando de alunos surdos podemos entender que a falta de linguagem pode estar prejudicando (sic) a representação do pensamento na forma escrita' (SOUZA; LEBEDEFF; BARLETTE, 2007, opcit .).
Além disso, muitos professores que possuem alunos surdos não conseguem ver possibilidades de ensino para os mesmos, delegando muitas vezes, essa responsabilidade para o intérprete/interlocutor em Libras, ou acreditam que não é possível o ensino de alguns conceitos devido à falta de sinais específicos da área de física (JUNIOR; RAMOS, 2008). Isso se dá, principalmente, pela falta de conhecimento em Libras pelos profissionais que trabalham na educação dos surdos e, no atual contexto de inclusão, chegarem somente agora nos bancos escolares do ensino médio do país, haja vista a maioria estarem fora da escola.
## A pesquisa
Esta pesquisa de cunho qualitativo foi realizada no segundo semestre de 2011, em uma escola situada no bairro do Tatuapé, na capital paulista. A escola particular conta com aproximadamente 80 alunos surdos, desde a educação infantil até o ensino médio. Esta escola busca seguir uma proposta bilíngue para surdos, na qual a Libras possui o papel de língua principal, sendo considerada a L1 e o português, na modalidade escrita, tem a função de segunda língua, portanto, é considerada a L2.
A Escola foi fundada em 1992 e busca preparar os egressos para ingressarem no mercado de trabalho e em universidades. Ela possui, em seu quadro, professores com, no mínimo, nível intermediário de Libras e todos os funcionários têm curso de Libras. A participação do pesquisador nesta escola foi como pesquisador professor em sala de aula, e as informações ao longo do semestre foram anotadas em um caderno de pesquisa. Entrevistas e questionários semiestruturados (BOGDAN; BIKLEN, 1994), foram realizados ao longo do segundo semestre de 2011.
## Resultados
Dentro desta escola para surdos podemos perceber, à primeira vista, a autonomia dos alunos em relação ao trabalho e a vida. Dentro das salas de aula, todos os professores utilizam a Libras para ensinar os surdos, o que pode ser também compartilhado com professores ouvintes, ainda inexperientes, assim como, professores surdos que atuam na educação dos discentes. Além disso, há um ótimo relacionamento entre professores e alunos onde os docentes adaptam todas as atividades e as avaliações para ensinar os surdos.
Nas aulas de física o professor busca fazer com que os alunos sentem em uma configuração em 'U' para que todos tenham contato visual uns com os outros e com o professor. Os professores entregam com antecedência as atividades a serem realizadas em sala de aula, sempre levando em consideração as dificuldades em português dos mesmos. Há situações em que alguns alunos sentem certa dificuldade, e o professor permite a interlocução entre o discente com dificuldade e o estudante 'mais esperto' para explicar para este quais esquemas ou conceitos não compreendidos. Essa aproximação pode ser corroborada pelos ideais de Vygotsky (1989), defensor de um ambiente sociointeracionista e cultural, que permite que um
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individuo aproprie-se de um maior grau de complexidade do conhecimento a partir de seu deslocamento de um nível de gradação por uma via, a chamada Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).
São utilizadas imagens para explorar aspectos da ciência em geral e projetos para apresentar vídeos e imagens, perguntando sempre para os alunos o que eles entenderam a partir daquela imagem. Quando os textos são muito complexos, o professor coloca em letra maiúscula um sinal/palavra correspondente em Libras. Em algumas situações, o professor se torna escriba, ou seja, os alunos sinalizam e ele escreve as hipóteses deles na lousa em português.
Ao final, os alunos registram no caderno, a partir do ditado de sinais promovido pelo professor, os conceitos de física em língua portuguesa. No exemplo abaixo, podemos ver a escrita de um aluno do primeiro ano do ensino médio de dez sinais feitos pelo professor.
Figura 1 : Exemplo de ditado de sinais da física feito por um aluno.
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Os sinais aqui escritos foram combinados pelos alunos surdos ao longo das aulas para facilitar a comunicação.
Há atividades em que todos os alunos são desafiados a resolver um problema pautado em uma imagem. O professor inicia a aula apresentando-lhes uma proposta de trabalho que envolve ações figuradas nestas imagens, que representam fenômenos do dia-a-dia que estão relacionadas com a física. Por exemplo, a imagem de um garoto caindo ou de um rapaz tomando choque elétrico. O professor também utiliza muito a estratégia de fazer os alunos irem à lousa escrever as palavras e outro colega fazer a correção da escrita.
No final da aula, um aluno faz o resumo da mesma e anota os sinais que foram aprendidos. É importante notar que, nas aulas de física, e, em quaisquer outras aulas, o professor busca manter o máximo possível o contato visual com seus alunos, olhar sempre nos olhos deles implica um forte fator de confiança no aluno, aumentando a interação com o professor.
Marschark, Lang e Albertini (2002) destacam que essa seja uma das qualidades fundamentais que os professores precisam ter para trabalhar com alunos surdos. É interessante notar que para conceitos mais complexos de física, o professor sempre pede para os alunos surdos desenharem o que entenderam. Conceitos como corrente elétrica, potência e tensão elétrica sempre apresentam confusões conceituais que, muitas vezes, os alunos conseguem desenhar, mas não conseguem explicar em Libras nem em português.
Nas avaliações, os professores levam em consideração o tempo e os problemas de entendimento em português para não prejudicar no entendimento das
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questões conceituais de física. Antes de iniciar a prova, o professor pergunta se tem alguma palavra nas questões que eles não conhecem o significado, em caso de resposta positiva, o professor faz um sinal equivalente à palavra. Nas questões que envolvem a aplicação conceitual o professor pede para eles lerem-nas sem ajuda e depois, caso alguma questão tenha uma grande quantidade de perguntas, o professor pede para algum aluno da sala explicar em Libras o que está sendo perguntado. Em casos mais extremos, o professor coloca em caixa alta as palavras mais complexas dos enunciados.
Os vídeos de física são apresentados pela primeira vez para os alunos sem interrupção, na segunda vez, o professor interrompe para chamar atenção para algum aspecto ou perguntar o que eles não entenderam da história, na terceira vez, apresenta em Libras e vai explicando trecho por trecho. Como os alunos curiosos são os que mais perguntam eles se destacam, mas o professor sempre procura criar uma relação de confiança para que todos possam perguntar sem ter medo de errar. Nas aulas que envolvem algum experimento, os roteiros são entregues com antecedência para que eles pesquisem sobre o tema antes da aula e durante a mesma eles são questionados pelo professor.
Para a realização de atividades experimentais o professor destaca que é de extrema importância a entrega dos roteiros e adaptação das questões conforme a fluência da turma em Libras. Após uma leitura conjunta, o professor explica em Libras a proposta da atividade, lembrando que sempre deve ser considerado o dobro de tempo utilizado em relação ao ouvinte. Por exemplo, seria comparável a você realizando um experimento de física seguindo um roteiro em chinês com respostas em chinês. Segundo o educador '... eles sabem responder, mas não sabem como colocar isso na outra língua' . Neste sentido os alunos irão perguntar a cada vírgula que colocarem no papel.
Nas atividades demonstrativas em física, o professor precisa explicar com clareza o objetivo do experimento. Se o experimento envolver a criação de uma dúvida ou problema a ser resolvido o professor precisa criar um momento crucial para que todos possam estar prestando atenção. O mesmo realiza o experimento várias vezes até que os alunos entendam o que é para ser feito. Quando envolve a explicação de algum conceito novo o professor incentiva os alunos a combinarem um sinal para não precisar fazer a datilologia da palavra de forma frequente e facilitar a comunicação entre eles.
Em relação à avaliação, todos os professores avaliam os alunos de forma diferenciada e buscam melhorar a fluência deles em português em todo o processo educacional.
Figura 2: Exemplo de produção escrita por um aluno do 1° ano.
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Neste trecho, podemos perceber a produção e a estrutura gramatical de Libras presente na escrita em português pelo aluno surdo. Pode-se perceber ainda a associação que o aluno faz entre a óptica e a luz e a óptica e o arco-íris e a relação com as gotas de água. Entretanto, percebe-se que o aluno não apresenta proficiência em português por estar no primeiro ano do ensino médio. Poucos saem proficientes em Libras/Português, saem mais preparados para trabalharem e se integrarem a comunidade surda.
Os alunos têm aulas com professores que conhecem Libras. Eles realizam simulados para o vestibular e muitos são encaminhados para o mercado de trabalho pela própria escola. Muitos vão para as universidades particulares em São Paulo, cursos no Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI, mas a falta de intérpretes dentro dessas instituições ainda se constitui uma grande barreira a ser vencida na sociedade.
## Conclusões
Apresentamos, aqui, as práticas de ensino utilizadas para o ensino de física em uma escola bilíngue. O conhecimento dessas estratégias são importantes para apontarmos caminhos e sugestões para professores que já estão trabalhando em escolas com alunos surdos. Elas não são receitas, nem metodologias infalíveis, mas é importante o conhecimento das mesmas tendo em vista o crescente debate sobre a construção de uma escola bilíngue para surdos (SCKLIAR, opc it).
As estratégias corroboram com outros trabalhos na área de matemática para alunos surdos em escolas bilíngues (ARNOLDO JUNIOR, 2008). Essas práticas não constituem algo unívoco e homogêneo para cada escola haja vista que já mencionado acima elas não servem como receita, mas um conjunto de referencias para construir uma práxis bilíngue para incluir os alunos surdos dentro das aulas de física e ciências de forma geral. Muitos docentes e intérpretes têm utilizado o fato de ainda não ter os sinais específicos para algumas áreas para alegarem a baixa aprendizagem de física e ciências. Pudemos constatar que embora haja um grande esforço para os alunos saírem bilíngues desta escola, poucos conseguem escrever em português com muita fluência, isso se dá principalmente com os alunos que iniciaram muito cedo neste modelo com proposta bilíngue, alguns alunos que chegam de outras escolas, e, muitas vezes com gestos caseiros não conseguem se quer ter uma língua, quanto mais o português na modalidade escrita. Isto ainda se constitui um grande desafio para construção de um modelo educacional bilíngue para surdos.
Acreditamos que essa pesquisa pode contribuir para outros trabalhos desta natureza e propor alternativas que realize outras reflexões sobre a formação de professores para trabalhar em escolas bilíngues e pesquisas para construirmos escolas com práticas educacionais significativas para esses alunos que aprendem ciências (física, química e biologia) através da Libras.
## Referências
ALVES. F. S. Ensino de fúsica para Pessoas Surdas: O processo Educacional do Surdo no Ensino Médio e Suas Relações no Ambiente Escolar . 2012. 175 f. Dissertação. Mestrado em Ensino de Ciências. UNESP
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AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.
BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação Qualitativa em Educação. Uma Introdução à Teoria e aos Métodos. Lisboa - Portugal: Porto Editora (Coleção Ciências da Educação), 1994.
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CAMBUHY, J.F.C, BAUMEL, R.C.R.C. O Ensino de física para surdos barreiras, perspectivas e desafios. In : XIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. In Anais do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. XIII EPEF, 20112011, Foz do Iguaçu..
FERNANDES, E. Problemas lingüísticos e cognitivos do surdo . Rio de Janeiro: Agir, 1990.
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QUADROS, Ronice Muller de. Diversidade e Unidade nas Línguas de Sinais: LIBRAS e ASL. In SKLIAR, Carlos. (Org.). Atualidade da educação Bilíngue para Surdos. Porto Alegre, 1999, v. 2, p.195-197.
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