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AUTOEFICÁCIA E INTERESSES PELA PROFISSÃO DE PROFESSOR DE FÍSICA

Bruno Dos Santos Simões, José Francisco Custódio, Elizabeth Cristine Adam Trindade, Mikael Frank Rezende Junior

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
23/01/2013
Linha de pesquisa
Pesquisa Em Educação Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AUTOEFICÁCIA E INTERESSES PELA PROFISSÃO DE PROFESSOR DE FÍSICA

## Bruno dos Santos Simões 1 , José Francisco Custódio , 2 Mikael Frank Rezende Junior Elizabeth Cristine Adam Trindade 3 4

1 Universidade Federal de Santa Catarina/PPGECT, simoes89@uol.com.br

- 2 Universidade Federal de Santa Catarina/Departamento de Física/PPGECT, custodio@fsc.ufsc.br
- 3 Universidade Federal de Itajubá/ICE/PPGECT, mikael@unifei.edu.br
- 4 Universidade Federal de Santa Catarina/PPGECT, elizabeth.fisica@gmail.com

## Resumo

Neste trabalho apresentamos um estudo exploratório em que discutimos a relação entre as crenças de autoeficácia e o interesse pela profissão de professor de Física. Partimos da premissa, defendida por vários autores, de que uma autoeficácia elevada gera interesse por determinado objeto. Investigamos se essa crença elevada com relação às atividades em Física do Ensino Médio foi responsável por potencializar ou gerar interesse pela carreira de um grupo de graduandos em licenciatura em Física de quatro universidades brasileiras. Para tanto, utilizamos um questionário em que buscamos averiguar os pontos aqui levantados discutindo a paridade ou não entre autoeficácia e interesse. Pode-se constatar que os licenciandos que evidenciaram ter uma crença de eficácia elevada nas atividades da disciplina de Física durante seu Ensino Médio desenvolveram interesse pela área e consequentemente optaram pelo curso. Com isso vemos a importância da autoeficácia na escolha profissional desses estudantes, nessa direção defendemos que os professores trabalhem no contexto da autoeficácia de seus alunos, não com o intuito de que todos sejam futuros profissionais da área de Física, mas que os estudantes se sintam motivados e interessados a no mínimo conhecer melhor as potencialidades da área.

Palavras-chave : Autoeficácia, Interesse, Escolha da carreira.

## Introdução

O conceito de autoeficácia foi definido por Albert Bandura em 1977 como as crenças de alguém sobre sua capacidade frente a um evento, mais especificamente sobre uma tarefa pontual ou conjunto de tarefas que necessitem de um conjunto característico de atividades (BANDURA, 1997). Este conceito entrou nas discussões da Psicologia por volta dos anos de 1980, e os trabalhos decorrentes dessa linha relacionaram a autoeficácia com os mais diversos assuntos, como: saúde, educação, esporte, questões com relação ao desenvolvimento profissional e com o interesse vocacional, situações de sala de aula, motivação para aprender, entre outros (AZZY e POLYDORO, 2010).

As crenças de eficácia fornecem a base para a motivação humana, bemestar e realização pessoal. Isto porque se as pessoas não acreditam que suas ações podem produzir resultados que anseiam, terão pouco incentivo para agir ou para perseverar estando em dificuldade. Bandura (1997) afirma que fundamentalmente

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no que diz respeito ao papel da autoeficácia no funcionamento humano é que o nível de motivação das pessoas, estados afetivos, e as ações, são baseadas mais no que elas acreditam do que no que de fato é verdadeiro. Por esta razão, Pajares (2002) comenta que a forma com que as pessoas se comportam muitas vezes pode ser melhor predita pelas crenças que possuem sobre suas capacidades, do que pelo que realmente são capazes de realizar. Essas percepções de autoeficácia ajudam a determinar o que os indivíduos fazem com o conhecimento e as habilidades que eles têm. Cabe salientar que não importa quanta autoconfiança se possa ter, não se pode produzir sucesso quando as habilidades e conhecimentos necessários estão ausentes.

Em resumo, a autoeficácia é uma crença e refere-se às convicções do indivíduo sobre suas habilidades de mobilizar suas facilidades cognitivas, motivacionais e comportamentais para a execução de uma tarefa específica em determinado momento e em dado contexto. A autoeficácia percebida é uma crença que sofre mudanças em razão da própria dinâmica de interações do indivíduo com o ambiente (AZZY e POLYDORO, 2010), em outras palavras, é um processo de constante mudança que depende das variáveis envolvidas no dia-a-dia dos sujeitos. A autoeficácia não julga o número de habilidades que se têm, mas sim o que se faz com elas (BANDURA, 1997).

Dentre as diversas perspectivas sobre as crenças de eficácia, neste trabalho, de caráter exploratório, propomos levantar a seguinte questão: crenças de autoeficácia elevadas podem gerar interesse pela carreira de professor de Física? No âmbito das pesquisas em interesse vocacional a relação entre autoeficácia e escolhas profissionais vem sendo largamente investigada, teórica e empiricamente nos últimos anos, porém, ainda é preciso discutir mais sobre está influência na decisão de seguir a carreira de professor de Física.

## Autoeficácia e interesses profissionais

Há uma crescente motivação nas pesquisas educacionais sobre a relação entre interesses profissionais e as crenças de autoeficácia (SILVIA, 2001; SILVIA, 2006; AZZY e POLYDORO, 2010). As pesquisas com essa abordagem focam principalmente em dois aspectos, o primeiro referente às relações entre a autoeficácia e os interesses vocacionais, desenvolvendo inventários para mensurar a autoeficácia com relação a esses interesses relacionados ao trabalho (ABELE e SPURK, 2009; JIN; WATKINS; YUEN, 2009; TRACEY, 2010); e um segundo que prioriza discussões de aspectos teóricos entre a relação de autoeficácia e interesses vocacionais (LENT; BROUWN; HACKETT, 1994; SILVIA, 2001).

Nessa perspectiva, Restubog et al. (2010) trazem uma discussão acerca da autoeficácia, escolha de carreira e permanência no curso de graduação de estudantes estadunidenses e canadenses. Os autores chamam a atenção ao fato que dentre todos os fatores envolvidos em uma escolha de carreira, é a autoeficácia que faz a ponte entre os motivos da escolha e a carreira em si.

Crumb, Moore e Wada (2010) afirmam que os adolescentes começam a escolher conscientemente e algumas vezes inconscientemente cursos de graduação a seguir, nessa escolha a variável da autoeficácia é fundamental, pois é a autoeficácia que fará a ligação entre os motivos da escolha e a opção por um curso ou por uma carreira. Com isso, esses indivíduos passam a tomar outras decisões sobre o tempo gasto em atividades extracurriculares que são consistentes com uma

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trajetória em direção a certos campos. Assim, as atitudes no ensino médio são o diferencial para os jovens escolherem seus cursos de graduação e suas carreiras.

Tracey (2010) comenta que aumentando a autoeficácia, pode-se aumentar o interesse do indivíduo. Azzy e Polydoro (2010), também discutem esse aspecto, para elas a autoeficácia influencia as escolhas dos indivíduos e o tempo que estes despendem para certas atividades. Em outras palavras, um estudante que possui uma autoeficácia elevada com relação à Física, por exemplo, desenvolve um interesse maior por esta área.

Outro aspecto é referente à realização de tarefas, segundo Bandura (1997), as tarefas muito difíceis ou fáceis em demasia, diminuem o interesse das pessoas por elas. Bandura sugere que as dificuldades sejam moderadas, o que faz aumentar a autoconfiança do indivíduo para resolver essas situações e por consequência aumenta sua autoeficácia. Ainda nessa perspectiva, Silva (2006) argumentou que atividades com dificuldade moderada proporcionavam aos indivíduos um maior interesse, e mostrou também que além do interesse ser maior, em média, o desempenho em atividades moderadas também é maior.

Restubog et al. (2010) trazem uma discussão acerca da autoeficácia, escolha de carreira e permanência no curso de graduandos americanos e canadenses. Os autores chamam a atenção ao fato que dentre todos os fatores envolvidos em uma escolha de carreira, é a autoeficácia que faz a ponte entre os motivos da escolha e a carreira em si.

Figura 1 - Relação entre motivos para a escolha da carreira e a autoeficácia

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Com isso podemos concluir que as pessoas desenvolvem interesses em atividades nas quais sua autoeficácia é elevada, e esta interfere no interesse destes sujeitos, assim afetando também suas escolhas, até as profissionais, e expectativas de resultados futuros (SILVIA, 2001; 2006).

Como já discutido, a autoeficácia está diretamente ligada ao desenvolvimento de interesses e atitudes positivas, contudo Silvia (2006) afirma que uma autoeficácia elevada gera interesse do mesmo modo que um interesse prévio faz aumentar a autoeficácia. Tracey (2002) investigou os interesses e as percepções de educandos do ensino fundamental, sua principal conclusão é de que o efeito da autoeficácia sobre o interesse e do interesse sobre a autoeficácia é recíproco, ou seja, não é possível dissociá-los. Entretanto, Silvia (2006) coloca que ainda faltam informações para confirmar essa reciprocidade entre interesse e autoeficácia. Assim, a discussão entre o interesse em tornar-se professor de física e a crença de autoeficácia será cerne deste trabalho.

## A pesquisa e seus aspectos metodológicos

Nossa opção foi trabalhar com uma abordagem qualitativa tomando por base o trabalho de Raved e Assaraf (2011), que investigou as atitudes e interesses de

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jovens alunos em relação à ciência. Entretanto, as autoras trabalharam utilizando entrevistas como instrumento de coleta de dados, em nosso caso a opção é pela utilização de um questionário que busca identificar relações entre as crenças de autoeficácia e o interesse pela carreira de professor de Física de licenciandos de várias universidades brasileiras. Aplicamos o questionário a sete licenciandos em Física, e utilizamos a ferramenta Formulário do Google Docs 1 para fazer sua aplicação.

Desses graduandos, quatro eram da modalidade presencial e três da modalidade à distância. Os graduandos do presencial pertenciam a quatro universidades distintas, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ). Os universitários da modalidade à distância eram todos da UFSC.

Durante a elaboração das perguntas de um instrumento de coleta, é importante que se tenha um levantamento adequado sobre o assunto que se deseja questionar aos respondentes da pesquisa, buscando elaborar tópicos de assuntos e a partir desses as questões do instrumento (MARCONI e LAKATOS, 1996). Nessas condições, elaboramos três questões que buscavam dar luz a questão da crença de autoeficácia desses alunos e posteriormente relacionar essas crenças com seu interesse pela carreira de professor de Física. As questões que os estudantes responderam foram as seguintes:

- · Você se considerava capaz de ser um bom professor? Por quê?
- · Você se considerava um bom aluno em Física? Você acredita que as suas capacidades em Física influenciaram sua decisão? Justifique sua resposta.
- · Você se considerava capaz de realizar com êxito as atividades nas aulas de Física (resolução de problemas, atividades, provas e outros)? Qual a influencia em sua decisão? Justifique sua resposta.

## Resultados

Inicialmente foi inquerido aos acadêmicos, se eles consideravam que poderiam vir a ser bons professores. Essa questão busca compreender se o julgamento da capacidade desses indivíduos quanto a seu desempenho como docente pode de algum modo ter influenciado na decisão pela carreira.

Os discentes E1, E2 e E3 afirmaram que já se consideravam capazes de serem bons professores de Física. E3 afirma que acreditava que pudesse ser uma boa professora de Física, pois sempre ajudava seus colegas de classe, observa-se esse extrato na fala abaixo:

Sim, pois sempre consegui explicar bem as coisas que queria explicar, quando meus amigos tiravam dúvidas comigo, eu conseguia entender os problemas que tinham e na maioria das vezes, conseguíamos solucioná-los (E3, licencianda em Física da UDESC) .

A aluna E6 trouxe outro aspecto como diferencial para seu julgamento quanto à capacidade de ser boa professora, ela comenta que por ser comunicativa

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poderia lidar bem com os alunos o que a tornaria uma boa professora, na fala abaixo podemos verificar esse aspecto:

[...] acreditava que poderia ser uma boa professora, pois sempre fui muito comunicativa. Na minha concepção um dos fatores que pode contribuir no "ser um bom professor" é ter uma boa comunicação e disposição para interagir com os sujeitos tão diferentes (E6, licencianda em Física da UNIJUÍ) .

E5 quando iniciou o curso acreditava que poderia ser um bom professor, entretanto, com o decorrer do curso mudou sua perspectiva, pois passou a vislumbrar outros aspectos da carreira que antes não levava em conta, na fala a seguir o acadêmico mostra essa preocupação com a profissão:

[...] eu me considerava capaz de ser um bom professor. Neste último semestre, com a disciplina de estágio, percebi que não adianta apenas ter conhecimento e vontade de ensinar, tem que ter o gosto para ser professor [...] (E5, licenciando em Física da UFSC) .

Vemos aqui que o julgamento de autoeficácia de E5 se modificou, para ingressar no curso sua crença era elevada, o que o fez optar pela carreira, porém, com o decorrer dos semestres o estudante se viu em dúvida sobre suas capacidades enquanto professor de Física.

Outra pergunta foi direcionada ao julgamento na capacidade de resolução de problemas em Física, levando em conta todas as atividades que desenvolveram durante seu período escolar e se estas de alguma forma foram decisivas em sua escolha pelo curso de licenciatura em Física.

Podemos aqui traçar dois perfis. O estudante E1 comenta que não se considerava apto a resolver exercícios conceituais, mas achava fáceis os de aplicação de equações, e afirma ainda que isso não influenciou em nada na sua escolha. Com relação à parte teórica da Física E1 demonstra uma autoeficácia baixa, o que segundo Silvia (2006) faria com que seu interesse pela Física diminuísse, veja a fala a seguir:

Os professores davam muitos exercícios de aplicação de fórmulas, mas nunca me senti apta quando o assunto era os conceitos ou o significado do que estava calculando (E1, licencianda em Física da UFSC/EaD) .

Já com relação aos exercícios voltados à Matemática, declarou autoeficácia elevada, podendo assim potencializar seu interesse pela área. E1 já possuía a graduação em Matemática, o que justifica seu apego ao formalismo da Física. Ao que parece sua autoeficácia elevada em realizar cálculos aumentou seu interesse, mas a princípio não pela Física e sim pela Matemática, que foi sua primeira graduação.

Um segundo perfil é da estudante E3, ela afirma que se considerava capaz de resolver problemas em Física e acrescenta ainda:

[...] sempre tirei boas notas [...]. Acho que para sermos bons profissionais, devemos gostar do que fazemos e para isso, acredito que devamos ser bons no que fazemos também. Então, o fato de eu sempre ir bem nas atividades das aulas de Física no ensino médio (e de gostar de Física), me influenciou a escolher esse caminho (E3, licencianda em Física da UDESC) .

A estudante demonstra nitidamente uma autoeficácia elevada em relação à resolução de problemas em Física, e afirma que esse fato foi decisivo em sua escolha. A autoeficácia elevada de E3 fez seu interesse pela Física aumentar, esse

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interesse foi duradouro e fez com que optasse por essa área de atuação profissional.

Na mesma perspectiva, os demais graduandos também disseram que se consideravam capazes de resolver as atividades em Física com êxito. O estudante E5 afirma inclusive que isso foi fator crucial em sua escolha:

Nunca tive problemas com a matéria de física. [...] este meu bom desempenho foi um fator que influenciou a minha opção pela Física (E5, licenciando em Física da UFSC) .

- O licenciando atribui ao seu bom desempenho em Física no Ensino Médio a escolha pelo curso. Nota-se na fala uma autoeficácia elevada, o que provavelmente despertou e manteve o interesse pela área.

A estudante E7 chama atenção com a seguinte afirmação:

Sim, realizava as atividades com muita facilidade e êxito. Por realizar tão bem essas atividades, acreditava ser "boa" em Física (E7, licencianda em Física da UFMS) .

Sua autoeficácia elevada com relação às atividades fez com que E7 se considerasse 'boa' naquela atividade, a ponto de optar por uma carreira que pudesse vivenciar novamente tais experiências emocionais positivas com a Física.

- A última questão com relação à autoeficácia foi bem direta com os estudantes, questionamos se eles se consideravam bons alunos em Física, buscando olhar suas crenças de autoeficácia de forma mais geral com relação à disciplina.

Em geral os sujeitos afirmaram que se consideravam bons alunos em Física, na fala de E2 é possível fazer essa identificação:

[...] eu me considerava um bom aluno sim, uma vez que tinha facilidade na operacionalização. Como naquela época (e ainda hoje em muitos lugares) o ensino de Física era voltado a resolução de problemas acredito que este fato possa ter compreendido por optar por esta área (E2, licenciando em Física da UFSC/EaD) .

A exceção foram os acadêmicos E1 e E6, eles colocaram que não se consideravam bons alunos, E6 afirma que é devido ao fato dele considerar a Física como extensão da Matemática e por não entender o que a Física realmente era. Este é um caso interessante que diverge da nossa hipótese e dos outros estudantes aqui discutidos. Cabe aqui ressaltar que o processo de escolha de carreira passa por diversos fatores, as crenças de autoeficácia representam apenas um destes. E não podemos restringir a escolha por uma área de atuação apenas considerando esse aspecto da eficácia.

## Considerações

Nesse estudo exploratório acreditamos ter levantado evidências que a escolha pelo curso de licenciatura em Física por parte destes acadêmicos demonstrou alguns aspectos da ligação entre uma crença de autoeficácia, em geral elevada, sobre uma atividade (atividades em Física) e o aumento do interesse, gerando motivos para escolha de uma carreira (licenciatura em Física) relacionada a esta atividade. Destacamos os estudantes E1 e E6 que mesmo com uma crença de eficácia baixa em relação às atividades de Física durante seu Ensino Médio, optaram por ingressar no curso. Cabe frisar que autoeficácia elevada não é pré-

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requisito para escolha de uma carreira, mas tem-se mostrado importante na hora da decisão.

Quanto à questão levantada inicialmente, se autoeficácia gera interesse, Tracey (2002) e Silva (2006) apontam que um modelo recíproco seria mais adequado com relação à discussão, pois não podemos dissociar os dois conceitos já que ambos têm efeitos igualmente fortes. O que desafia a sugestão de Bandura. (1997), que defende que o efeito da autoeficácia sobre o interesse é superior ao efeito do interesse sobre a autoeficácia.

De todo modo, esse estudo aponta um caminho vasto e ainda com pouca exploração no cenário nacional, mostrando assim sua validade e utilidade. Nosso objetivo aqui era demonstrar como a variável da autoeficácia influencia no interesse dos estudantes em relação à escolha da Física como área de atuação. Em um panorama em que esse interesse, pela carreira de professor de Física, vem se tornando cada vez mais raro (RUIZ; RAMOS; HINGEL, 2007; SIMÕES; CUSTÓDIO; FERREIRA, 2011), é importante que tomemos nota dessas questões para que enquanto educadores possamos tomar medidas para tentar mudar esse panorama em que vivemos.

Silva (2006) argumenta que o professor pode trabalhar no contexto das crenças de autoeficácia de seus alunos, pois como essas estão diretamente relacionadas ao interesse, entendemos que uma das melhores formas de potencializar o interesse dos alunos pela Física seria ajudá-los a desenvolverem crenças de autoeficácia elevadas para com esse objeto. A literatura (BANDURA, 1997, SILVIA, 2006) oferece alguns indicativos de como trabalhar no contexto da eficácia do estudante, mas entendemos que essa discussão não cabe nesta investigação. Uma vez que essa é uma característica particular de cada aluno, o professor é quem vai decidir qual a melhor estratégia para que isso seja feito.

Afinal, como afirma Janeiro (2010), dimensões tais como as crenças de atribuição, aquelas em que o sujeito atribui uma causa/significado a um evento vivido por ele e as crenças de autoestima, acrescentamos ainda a autoeficácia, são consideradas determinantes e essenciais para lidar com o sucesso em situações sociais e, consequentemente, para o desenvolvimento de atitudes em relação ao planejamento e exploração de carreira. De todo modo, apontamos a necessidade de mais estudos empíricos acerca dos questionamentos aqui levantados, o que futuramente poderá dar melhores esclarecimentos entre a relação tênue entre autoeficácia e interesse visto que esta pode ser bastante significativa.

## Referências

ABELE, A. E.; SPURK, D. The longitudinal impact of self-efficacy and career goals on objective and subjective career success. Journal of Vocational Behavior . n. 74, 53-62, 2009.

AZZY, R. G.; POLYDORO, S. A. J. O papel da autoeficácia e autorregulação no processo motivacional. In: BORUCHOVITCH, E., BZUNECK, J. A.; GUIMARAES, S. E. R. (Org), Motivação para aprender: aplicações no contexto educativo. Petrópolis: Vozes, 2010.

BANDURA, A. Self-efficacy in changing societies. Cambridge : Cambridge University Press, 1997. (Reimpressão, 1999).

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CRUMB, C. R.; MOORE, C.; WADA, A. R. Who Wants to Have a Career in Science or Math? Exploring Adolescents' Future Aspirations by Gender and Race/Ethnicity. Science Education , v. 95, n. 3, p. 458-476, 2011.

JANEIRO, I. N. Motivational dynamics in the development of career attitudes among adolescents. Journal of Vocational Behavior , n. 76, p. 170-177, 2010.

JIN, L.; WATKINS, D.; YUEN, M. Personality, career decision self-efficacy and commitment to the career choices process among Chinese graduate students. Journal of Vocational Behavio r. n. 74, 47-52, 2009.

LENT, R. W. BROUWN, S. D.; HACKETT, G. Toward a unifying social cognitive theory of career and academic interest, choice, and performance. Journal of Vocational Behavior, 45, 79-122, 1994.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 231p, 1996.

PAJARES, F. Overview of social cognitive theory and of self-efficacy, 2002. Disponível em: &lt;http://www.emory.edu/EDUCATION/mfp/eff.html&gt; Acesso em: 24/06/2012.

RAVED, L.; ASSARAF, O. B. Z. Attitudes towards Science Learning among 10thGrade Students:A qualitative look. International Journal of Science Education, v. 33,n. 9,p. 1219-1243, 2011.

RESTUBOG, S. L. D.; FLORENTINO, A. R.; GARCIA, P. R. J. M. The mediating roles of career self-efficacy and career decidedness in the relationship between contextual support and persistence. Journal of Vocational Behavior. n. 77, 186195, 2010.

RUIZ, A. I.; RAMOS, M. N.; HINGEL, M. Escassez de professores no ensino médio : propostas estruturais e emergenciais . Relatório produzido pela Comissão Especial instituída para estudar medidas que visem a superar o déficit docente no Ensino Médio (CNE/CEB). Brasília: MEC, maio 2007. Disponível em: &lt;http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/escassez1.pdf&gt;. Acesso em 21 out. 2010.

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SIMOES, B. S.; CUSTODIO, J. F.; FERREIRA, G. K. A escolha da carreira: aspectos que influenciaram estudantes da licenciatura em Física da UFMS , I Seminário Internacional de Educação em Ciências. Rio Grande, 2011. In: Atas do evento, disponível em &lt;http://www.nuepec.furg.br&gt;, p.39 - 52. Acesso em 17 jul. 2011.

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