GRUPOS E LINHAS DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL
Helena Battazza, Leandro Londero
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Pesquisa Em Educação Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## GRUPOS E LINHAS DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL
## Helena Battazza , Leandro Londero 1 2
1 Universidade Federal de Alfenas, lebattazza@hotmail.com
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Universidade Federal de Alfenas, llondero@bol.com.br
## Resumo
A quantidade de estudos desenvolvidos em Programas de Pós-graduação e publicados na forma de livros, dissertações, teses, artigos e trabalhos apresentados em congressos permite afirmar a consolidação da pesquisa em Ensino de Física no Brasil. Vários trabalhos contribuíram para resgatar e preservar a memória do Ensino de Física em nosso país. No entanto, estes estudos limitaram-se a descrever os fatores que contribuíram para a constituição dessa área e, portanto, não apresentam o atual panorama da pesquisa em Ensino de Física no cenário nacional. Tendo em vista a importância que a pesquisa de interpretação de registros sobre o Ensino de Física seja intensificada e sistematizada, para que se tenha um panorama cada vez mais abrangente do desenvolvimento da área, realizamos uma investigação que identificou os grupos de pesquisa em Ensino de Física atuantes no Brasil, os atores, cenários e linhas de pesquisa. Procurou-se responder a seguinte questão: Quais são os grupos e as linhas de pesquisa em Ensino de Física no Brasil? Para tanto, recorremos ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil. Utilizamos como palavras-chave 'Ensino de Física' e 'Educação em Física'. Os grupos e atores foram separados por região geográfica, unidade da federação e instituição de ensino. Mapeamos as linhas de pesquisa descritas no diretório e o ano de criação de cada grupo para analisarmos a evolução temporal. Identificamos 76 grupos atuantes no ensino de física. A maior concentração de grupos encontra-se na região sudeste (38,1%), seguida pela região sul (25%). Os grupos estão distribuídos em 53 instituições de ensino. Contabilizamos 1058 componentes entre pesquisadores, estudantes, e técnicos. Já no caso das linhas de pesquisa, os pesquisadores têm trabalhado numa pluralidade de temáticas, enfoques e referenciais teórico-metodológicos. Um aumento expressivo do número de grupos é percebido a partir de 2002.
Palavras-chave : Ensino de Física, Grupos e Linhas de Investigação, Brasil.
## 1 - A pesquisa em Ensino de Física
Trabalhos como os de Nardi e Almeida (2007, 2004, 2003), Nardi (2005), Moreira (2000) e Gaspar (1997) contribuíram para resgatar e preservar a memória do Ensino de Física no Brasil.
Moreira (2000), por exemplo, faz uma retrospectiva do ensino de física desde os anos sessenta do século passado até a data da publicação de seu trabalho. Esse autor considera que o curso de Física do Physical Science Study Committee é um bom referencial para início de conversa sobre Ensino de Física no Brasil. Moreira explicita que a pesquisa em ensino de física começou a emergir com mais clareza nos anos setenta, com o estudo das concepções alternativas, consolidou-se na década de 80, com as pesquisas sobre mudança conceitual, e encontra-se em plena ' ciência normal ', com investigações bastante diversificadas, incluindo, por exemplo, resolução de problemas, representações mentais dos alunos, concepções epistemológicas dos professores e formação inicial e permanente de professores.
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20 a 25 de janeiro de 2013
Por outro lado, Gaspar (1997), em artigo intitulado 'Cinquenta anos de Ensino de Física: muitos equívocos, alguns acertos e a necessidade do resgate do papel do professor', relata que
O ensino de física é certamente uma atividade tão antiga como a própria física, mas o Ensino de Física, grafado assim, com iniciais maiúsculas, é uma área de pesquisa em educação relativamente recente. Talvez pudéssemos situar seu início em meado do século XIX quando surgiram os primeiros livros didáticos de física.
Por sua vez, Nardi e Almeida (2007, 2004, 2003) contribuíram para a preservação da memória da Educação em Ciências no Brasil. Esses autores investigaram quem poderia responder sobre a existência de uma área de Educação em Ciências em nosso país. Mais especificamente, a que se deve o início da pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil? Que fatores foram determinantes para a constituição dessa área? Quais são suas características? Como os pesquisadores da área caracterizam a pesquisa em ensino de ciências? Que fatores os levaram a escolher essa área como atividade de pesquisa acadêmica? Como veem a contribuição dos resultados da pesquisa na formação de professores de ciências? E na sala de aula?
Particularmente, no artigo intitulado ' Memórias da Educação em Ciências no Brasil: a pesquisa em Ensino de Física ', Nardi (2005) relatou as interpretações atribuídas por pesquisadores, atuantes na área de Ensino de Física, no que diz respeito aos fatores que contribuíram para a constituição da área de Educação em Ciências. O autor parte do argumento que os fatores que contribuíram para a constituição dessa área ainda não estão esclarecidos nos registros existentes.
A partir da análise de entrevistas, o autor apontou as diferentes interpretações para quais teriam sido os fatores determinantes da constituição área. Os principais fatores, em ordem de importância, são: a) a tradução e a utilização de projetos estrangeiros; b) as políticas públicas nacionais de fomento à pósgraduação, à pesquisa e a projetos de ensino de Ciências e Matemática; c) a instituição do Subprograma de Educação para a Ciência dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da CAPES, o qual apoiou projetos na área de ensino de Ciências e Matemática e favoreceu a capacitação de docentes das universidades brasileiras, que cursaram mestrado e doutorado no exterior; d) a criação de Programas de Pós-graduação em Ensino de Ciências no Brasil e na área de ensino de Física, junto aos institutos de Física da USP e da UFRGS; e) o papel das Faculdades de Educação na formação dos primeiros doutores na área; f) a abertura de secretarias ou seções de ensino nas sociedades científicas, que oportunizou os primeiros encontros, simpósios e demais eventos; g) o início dos eventos específicos da área, como o Simpósio Nacional de Ensino de Física; h) o surgimento de publicações periódicas da área, como a revista Cultus, a Revista de Ensino de Ciências (da FUNBEC), a Revista de Ensino de Física e o Caderno Catarinense de Ensino de Física.
Ao final do artigo, Nardi (2005) ressalta a importância que a pesquisa de recuperação e interpretação de registros sobre o ensino de Física no país seja intensificada e sistematizada, para que se tenha um panorama cada vez mais abrangente do desenvolvimento da área. Uma forma de começar a fazer isso é identificar e analisar os grupos de pesquisa atuantes no Ensino de Física, os atores, cenários e linhas de investigação.
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## 2- Objetivo, Problema e Questões Norteadoras
Dadas as considerações acima, objetivamos identificar os grupos de pesquisa em Ensino de Física atuantes no Brasil, mais especificamente, procuramos conhecer os sujeitos que realizam pesquisa em Ensino de Física no cenário nacional. Além disso, procuramos analisar as linhas de investigação destes grupos. Procuramos encontrar resposta para a seguinte questão: Quais são os grupos de pesquisa e as linhas de investigação em Ensino de Física no Brasil?
Várias questões que parecem relevantes permearam este estudo, são elas: a) Qual a frequência de grupo de pesquisa em Ensino de Física no Brasil por região geográfica, unidade da federação e instituição de ensino?; b) Qual a frequência de recursos humanos?; c) Quais as linhas de investigação dos grupos identificados?; d) Qual a evolução temporal de criação desses grupos?
Para respondermos as questões norteadoras, realizamos algumas ações investigativas explicitadas na próxima seção.
## 3 - Desenvolvimento do Estudo
Inicialmente, realizamos um levantamento para identificarmos os Grupos de Pesquisa que atuam no Ensino de Física. Para tanto, recorremos ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Utilizamos como palavras-chave 'Ensino de Física' e 'Educação em Física' e pesquisamos nos seguintes campos do Diretório: Consulta grupos de pesquisa > consulta por > todas as palavras . Este procedimento foi realizado em maio de 2012.
- O Diretório foi lançado em 1992 pelo CNPq e é uma base de dados que contém informações sobre os grupos de pesquisas em atividade nas principais instituições de ensino e pesquisa do Brasil. No diretório é possível encontrar dados referentes aos recursos humanos dos grupos, às linhas de pesquisa em andamento, às especialidades do conhecimento e à produção científica, tecnológica e artística. Além disso, é indicada a região, unidade da federação e instituição a qual o grupo está vinculado.
Em síntese, o Diretório informa o perfil geral das atividades científicotecnológicas desenvolvidas no Brasil. Para este estudo, o Diretório consiste na principal fonte de informação sobre os grupos de pesquisa.
Em continuidade, os grupos de pesquisa foram separados por região geográfica, unidade da federação e instituição de ensino. Após, identificamos a quantidade de pesquisadores, estudantes e técnicos pertencentes a cada grupo. Na sequência, mapeamos as 'Linhas de pesquisa' que cada grupo registrou no Diretório. A seguir, registramos o ano de criação de cada grupo para analisar a evolução temporal dos mesmos.
Ao longo do desenvolvimento do trabalho, tabelas e gráficos foram elaborados para registro das informações coletadas. Ao final, analisamos os dados registrados a fim de obtermos um panorama da pesquisa em Ensino de Física no cenário nacional.
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## 4 - Respondendo as questões de pesquisa
## 4.1 - Frequência de grupos de pesquisa por região geográfica e unidade da federação e instituição de ensino
Tendo em vista as extensões territoriais do nosso país, vale a pena verificar primeiramente a distribuição demográfica dos grupos de pesquisa nas 05 regiões geográficas e nas unidades da federação que compõem o território brasileiro. A verificação permite visualizar possíveis diferenças, entre regiões e estados, em relação ao número de grupos. Os mapas 1 e 2 apresentam as frequências identificadas.
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Mapa 1: Frequência de grupos por Região Geográfica
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Mapa 2: Frequência de grupos por Unidade da Federação
Mapeamos 76 grupos de pesquisa, distribuídos nas cinco regiões e em 17 estados. A quantidade mais expressiva encontra-se na região Sudeste (29 grupos, 48,1%), seguida pelas região Sul (19 grupos, 25%) e Nordeste (18 grupos, 23,7%). As regiões Centro-Oeste e Norte contam com 6 (7,9%) e 4 (5,3%) grupos, respectivamente.
Na distribuição por unidade da federação, percebemos que o estado de São Paulo possui a maior concentração de grupos (13, 17,1%), seguindo a ordem temos: Rio de Janeiro (11, 14,5%), Rio Grande do Sul (8, 10,5%) e Paraná (6, 7,9%). Santa Catarina e Bahia contam cada um com 5 grupos (6,7%). Rio Grande do Norte e Pará, cada um desses com 4 grupos (5,3%). Os estados de Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba e Mato Grosso com 3 grupos (3,9%). Espírito Santo, Maranhão e Goiás possuem 2 grupos (2,6%), Ceará e Mato Grosso do Sul contam com apenas 1 grupo (1,3%). Não identificamos nenhum grupo no estado do Piauí, Alagoas, Sergipe, Acre, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Roraima e Amapá. Isto pode indicar que há um espaço produtivo para o desenvolvimento de pesquisas no campo de Ensino de Física nestes estados.
## 4.2 - Frequência de grupos de pesquisa por instituição de ensino
Neste item, os grupos foram ordenados de acordo com a instituição em que estão vinculados. O quadro 1 apresenta os índices obtidos. Na segunda coluna são listadas, por sigla, as instituições de ensino que possuem grupos cadastrados. A terceira coluna indica o somatório de instituições em cada célula da segunda coluna.
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Por sua vez, a quarta coluna mostra o total de grupos de cada uma das instituições registradas na segunda coluna.
Quadro 01: Frequência de grupos de pesquisa por instituição de ensino
Identificamos que os grupos estão distribuídos em 53 instituições de ensino, 30 grupos (56,6%) em universidades, centros de pesquisa ou institutos federais, 13 (24,5%) em instituições estaduais, 09 (17%) em instituições privadas e 1 em instituição municipal (1,9%). As universidades estaduais paulistas em conjunto possuem 08 grupos (15,1%).
Nota-se que, a USP e a UNESP são as instituições que possuem o maior número de grupos (4, 7,5%). Uma justificativa pode ser, no caso da UNESP, o fato dela possuir vários campus universitários (23) e um Programa de Pós-graduação com expressão destacável no cenário nacional. No caso da USP por ser uma das instituições pioneiras no campo do ensino de física, bem como possui um tradicional Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências. Em seguida, UERJ e IFRN apresentam maior quantidade de grupos com 3 grupos cada (5,7%).
## 4.3 - Frequência de recursos humanos
Mapeamos um total 467 pesquisadores, 566 estudantes e 25 técnicos, ou seja, um total de 1058 pessoas. O quadro 2 apresenta a frequência de recursos humanos por região geográfica e por unidade da federação.
Quadro 02: Frequência de recursos humanos por região geográfica e unidade da federação
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Vale a pena destacar que os índices de recursos humanos podem ser menos expressivos, uma vez que ocorre a participação de pesquisadores e/ou estudantes em mais de um grupo.
## 4.4 - Linhas de investigação mencionadas
A Resolução do Conselho Federal de Educação, nº. 05, de 10 de março de 1983, que fixa normas de funcionamento e credenciamento dos cursos de Pósgraduação stricto sensu, estabelece em seu Artigo 4º que ' a implantação de um curso de pós-graduação deve ser precedida da existência de condições propícias à atividade criadora e de pesquisa, aliando-se disponibilidade de recursos materiais e financeiros às condições adequadas de qualificação e dedicação do corpo docente nas áreas ou linhas de pesquisa envolvidas no curso ' (grifo nosso).
Ainda, no Artigo 6º, esta mesma resolução determina que o pedido de credenciamento de curso de Pós-graduação será acompanhado de relatório sucinto do curso, do qual constará, entre outros, a ' ...relação dos docentes responsáveis pela orientação de dissertações, teses ou trabalhos equivalentes, cuja qualificação será comprovada pela formação acadêmica, com a titulação correspondente, e pela produção científica ou atividade criadora, devendo ser explicitadas as linhas de pesquisa em que atua cada orientador ' (grifo nosso).
Lembramos que cada líder tem total liberdade de mencionar as linhas de pesquisa de seu grupo, pois não existe uma lista prévia de linhas em relação a qual deve se situar, como também não existe vinculação entre as linhas do Diretório de Grupos e as do Programa de Pós-Graduação que o grupo pertence.
As 10 linhas de pesquisa mais citadas nos grupos foram: a) Formação Inicial e Continuada de Professores; b) Ensino e Aprendizagem de Ciências, tanto em espaços formais como em não-formais; c) Tecnologias da Informação e Comunicação; d) Alfabetização Científica e Tecnológica; e) Epistemologia e História
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da Ciência; f) Linguagem e Cognição; g) Educação à Distância; h) Modelos e Modelização no Ensino de Física; i) Produção e Avaliação de Materiais Didáticos e/ou Livros; j) Currículo. Em relação à quantidade expressiva de linhas de pesquisa mencionadas pelos pesquisadores, encontram-se posições como a de Moreira (2003). Para ele
Nossos estudos, em geral, são pontuais. Há uma grande pulverização na nossa pesquisa. Cada pesquisador conduz ou orienta vários projetos de pesquisa desarticulados. Quase não temos programas de pesquisa. É certo que temos bons exemplos de pesquisadores que podem ser identificados com, pelo menos, uma linha de pesquisa bem definida [...] com formação de professores dentro de um referencial psicanalítico, [...] estudos sistemáticos na área de analogias, [...] pesquisadores de linha da microetnografia ou etnografia da comunicação. Mas precisamos muito mais do que isso, é importante que nossos pesquisadores tenham linhas de pesquisa ao invés de dispersar esforços em investigações isoladas, pontuais e pouco significativas.
Pesquisadores constantemente listam suas linhas de pesquisa, sem qualquer preocupação ou critério. Na verdade, eles estão listando seus interesses pessoais de investigação. Perante isso, observa-se falta de precisão na definição, ou mesmo ausência de definição, do conceito de linha de pesquisa. Em muitos casos, o termo linha de pesquisa se torna quase sinônimo de área de interesse ou área de concentração. Isso poderia nos levar a refletir sobre a seguinte questão: O que é linha de pesquisa? Recordamos que, segundo informações presentes no Diretório de Grupos de Pesquisa, ' linhas de pesquisa representam temas aglutinadores de estudos científicos que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam projetos cujos resultados guardam afinidade entre si '.
Em resumo, os pesquisadores da área de Ensino de Física têm trabalhado numa pluralidade de temáticas, enfoques e, certamente, referenciais teóricometodológicos.
## 4.5 - Evolução temporal de criação desses grupos
Tendo em vistas que a pesquisa em ensino de física data da década 60, consideramos importante analisar a evolução temporal de criação dos grupos. O gráfico 01 apresenta a evolução temporal.
Gráfico 1: Evolução temporal de criação dos grupos
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A partir de 2002 observamos um aumento significativo do número de grupos de pesquisa. Esse fato talvez possa ser justificado pela criação da área de Ensino de Ciências e Matemática na CAPES (antiga área 46).
## 5 - Considerações Finais
O trabalho apresentou uma proposta metodológica de exploração da base de dados do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, contribuindo principalmente, para dar maior visibilidade à produção de pesquisas na área do Ensino de Física. As frequências encontradas neste estudo respondem as questões propostas e permitem concluir o alcance do seu objetivo, um panorama geral dos grupos e linhas de investigação em Ensino de Física do Brasil.
No que tange a desproporção de grupos entre regiões, notamos a concentração no Sudeste e Sul. É necessário promover a desconcentração regional dos grupos com o objetivo de se alcançar o desenvolvimento equânime e, perante isso, a melhoria do Ensino de Física nas diferentes regiões.
Os dados que possuímos permitem afirmar que, a área de pesquisa em Ensino de Física possui um conjunto expressivo de investigadores e estudantes para o desenvolvimento de pesquisas nesse campo. Finalmente, vale a pena destacar que, o panorama traçado acima corresponde ao perfil geral dos grupos. Consideramos que os resultados obtidos aqui relatados podem ser analisados sob outras perspectivas.
## 6 - Referências
BRASIL, Ministério da Educação, Conselho Federal de Educação. Resolução no 05, de 10 de março. Fixa normas de funcionamento e credenciamento dos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu . Brasília/BRA. 1983.
GASPAR, A. Cinquenta anos de ensino de física: muitos equívocos, alguns acertos e a necessidade do resgate do papel do professor. XV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste , 1997.
MOREIRA, M. A. Pós-Graduação e Pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil. Anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências , 4., 2003, Bauru: ABRAPEC, 2003. CD-ROM.
MOREIRA, M. A. Ensino de Física no Brasil: retrospectiva e perspectivas. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 22, n. 1, p. 94-99, 2000.
NARDI, R. Memórias da Educação em Ciências no Brasil: a pesquisa em Ensino de Física. Investigações em Ensino de Ciências , v.10, n.1, p. 63-101, 2005.
NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M. Critérios para definição de entrevistas na pesquisa 'Formação da área de ensino de Ciências no Brasil: memórias de pesquisadores no Brasil'. MOREIRA, M. A. Atas do IV Encontro Nacional de Pesquisadores em Ensino de Ciências , Bauru, São Paulo, 2003. (CD ROM).
NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M. Organization of the Science Education area: memories of researchers in Brazil. Congreso de Historia de las Ciencias y la Tecnología , Resúmenes .... 2004. Sociedad Latinoamericana de Historia de las Ciencias y la Tecnología. Buenos Aires, Argentina, 17 al 20 de marzo de 2004.
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NARDI, R.; ALMEIDA, M. J. P. M. Investigação em Ensino de Ciências no Brasil segundo pesquisadores da área: alguns fatores que lhe deram origem. ProPosições , v. 18, n. 1, p. 213- 226, 2007.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.