HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: DA FICÇÃO CIENTÍFICA PARA AS AULAS DE FÍSICA
Francisco De Assis Nascimento Jr, Luis Paulo Piassi
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Ciência, Cultura E Arte
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: DA FICÇÃO CIENTÍFICA PARA AS AULAS DE FÍSICA
## Francisco de Assis Nascimento Jr 1 , Luis Paulo Piassi 2
1 Instituto de Física da USP/Programa de Pós Graduação Interunidades, francisco.assis@usp.br
2 Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH)/Universidade de São Paulo, lppiassi@usp.br
## Resumo
Neste trabalho propomos uma discussão a respeito de como a veiculação de elementos da Física nas publicações de Histórias em Quadrinhos de ficção científica pode viabilizar sua leitura como ferramenta didática, contribuindo para uma melhor compreensão dos conceitos físicos em ambiente escolar. A percepção de que os alunos oriundos do Ensino Fundamental 2, ao ingressarem no Ensino Médio, apresentam ainda grandes dificuldades na leitura e interpretação adequadas de textos de qualquer gênero é hoje uma das maiores preocupações quando se trata de buscar perspectivas capazes de melhorar a educação básica no país. Em contrapartida, o exercício da leitura dos Quadrinhos pode permitir a jovens em idade de formação escolar um desenvolvimento informal de suas visões de mundo. Como resultado desta análise, ressaltamos a importância de serem desenvolvidas atividades em sala de aula que dialoguem com as informações adquiridas pelo aluno em ambiente extra-classe, resgatando-as e complementando-as da forma conceitualmente correta.
Palavras-chave : Ensino de Física, Histórias em Quadrinhos, Ficção Científica, Leitura em Sala de Aula
## Introdução
Entre as exigências para a formação de um cidadão pleno e consciente está a instrução do aluno com o que a cultura humana produz, para que se torne capaz de realizar projetos e vencer desafios. Neste sentido, a prática da leitura de revistas em Quadrinhos de ficção científica desempenha hoje um papel de relevância na educação não-formal de seus leitores, sendo parcialmente responsável pelo desenvolvimento de uma cultura particular, capaz de promover a popularização da Física e a construção da cidadania. Um dos caminhos possíveis para a formação de um aluno participativo em sala de aula, fator crítico para o desenvolvimento de um cidadão ativo em sociedade, é o aumento de sua satisfação pessoal perante a disciplina (SILVA, 2004). A construção de um ensino de Física capaz de se mostrar significativo ao aluno, tornando-o capaz de estabelecer vínculos entre os fenômenos estudados em classe e sua realidade cotidiana extra-escolar depende de uma participação ativa do estudante em uma aula que lhe desperte a curiosidade, a reflexão e o senso crítico.
'Note-se que mesmo a simplicidade aparente da escolha de um conteúdo, da forma de apresentação ou de avaliação, pode ter efeitos significativos na motivação ou na desmotivação dos alunos, implicando que parte da motivação do aluno decorre da escolha do assunto que o professor apresenta (conteúdo) e da utilidade que parece ter para ele (aplicação)'(SILVA, 2004, p. 185)
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20 a 25 de janeiro de 2013
Durante as aulas de Física, há a tendência do (estereótipo de) aluno em não estabelecer fortes relações entre o que é trabalhado em sala de aula e o mundo que o cerca, vendo o conteúdo das aulas como relacionadas apenas ao ambiente escolar e, portanto, desprovido de sentido prático aparente (PIASSI, 2007).
Literatura recente, entre os quais os trabalhos de Zanetic (1989) e Piassi (2007), tem ressaltado a importância da relação entre o processo de ensinoaprendizagem e o desenvolvimento do aluno como leitor de textos estruturados por gêneros de discurso, como forma de estabelecer ligações semânticas entre eventos, fenômenos e pessoas. Apresentar o valor cultural da Física ao aluno significa convidá-lo a compartilhar das muitas formas didáticas discutidas sobre o olhar do artista para a representação dessa Ciência, possibilitando a transformação de conceitos tidos como puramente técnicos ou operacionais em obras acessíveis, de cunho até mesmo poético, influenciado de forma decisiva pelo momento político, ideológico e tecnológico de seu tempo (ZANETIC, 1989). A escola atua como espaço formativo, o que significa entendê-la como espaço de socialização da cultura humana apta a levar em conta aspectos da aprendizagem que se demonstrem capazes de influenciar na formação do aluno. Neste sentido, desconsiderar o papel desempenhado pelos veículos de comunicação em massa em suas estratégias didáticas, leva o professor ao risco de ver seu papel como agente formador da cultura científica diminuído (NASCIMENTO JR e PIASSI, 2011).
Não se poderia admitir, por exemplo, que um aluno ingressante no ensino médio nunca tenha tido acesso a uma discussão a respeito da corrida espacial ou mesmo possua alguma dúvida quanto a realidade da chegada do homem à Lua uma conquista obtida décadas antes do desenvolvimento dos microcomputadores domésticos (PIASSI, 2007). Porém, assim como outros tópicos de destacada importância científica e alta relevância cultural ligados a Física, principalmente aqueles ligados à Física Moderna e Contemporânea, o período histórico-social conhecido como 'corrida espacial' é pouco abordada em sala de aula. Associar a imaginação com a curiosidade, colocando esta como a origem daquela, resgata proposição de Paulo Freire de que a educação deve estimular a curiosidade epistemológica do aluno.
A curiosidade de que falo não é, obviamente, a curiosidade 'desarmada' com que olho as nuvens que se movem rápidas, alongando-se umas nas outras, no fundo azul do céu. É a curiosidade metódica, exigente, que, tomando distância do seu objeto, dele se aproxima para conhecê-lo e dele falar profundamente. (FREIRE, 1993, p. 116).
No entanto, o professor de Física é hoje levado a preparar suas aulas e atividades de acordo com um currículo estruturado em jargões, fórmulas e definições desvinculadas das descobertas científicas atuais, gastando a maior parte do tempo de suas aulas ao expor definições, fórmulas e exercícios desprovidos de significado para si mesmo e para os alunos, levando-os a memorizar definições e fórmulas como se isso apenas fosse 'aprender Ciência' (PIASSI, 2007).
Para o professor, não se trata de expor o formalismo da Física, mas da prática de seu formulismo que leva o aluno a crer na memorização de fórmulas e definições como sendo o aprendizado da disciplina. O treino no algoritmo da Física, prática indispensável ao desenvolvimento do aluno, se dá em meio a um vazio intelectual e vivencial.
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- 'A física é apresentada como um ramo do conhecimento neutro, apolítico e desligado do cotidiano. A extrema obstrução dos exemplos resolvidos, a ahistoricidade e a não influência do contexto social acima indicado, levam a uma concepção de autonomia da física face à vida social que dificulta sobremaneira a transferência do conhecimento para outras situações distintas do contexto escolar, sejam elas simplesmente de aplicação a situações novas, seja a compreensão das implicações sócio-econômicas de determinados acontecimentos em que a Física poderia vir em auxílio' (ZANETIC, 1989, p. 18)
Despertamos para a necessidade de uma escola capaz de formar indivíduos com uma forte habilidade de adaptação, que sejam capazes de ler e interpretar as diversas manifestações de conhecimento humano presentes em sociedade. Esse processo de leitura e compreensão é vital para a construção de um cidadão crítico e pleno, como defendido por Paulo Freire em 'a importância do ato de ler'
- '[…] precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto' (FREIRE, 2001b, p.11-12)
## A prática da leitura e as aulas de Física
Se uma das funções da escola é propiciar condições para que seus alunos aprendam a ler adequadamente diferentes tipos de textos que existam em sociedade, cabe ao professor o papel de ator responsável pela estruturação desse caminho de leitura por fruição.
Por que as famílias enviam seus filhos para a escola? Para muitos propósitos, diríamos, entre os quais o "aprender a ler" e, em função desse trabalho, o "ler para aprender". Quer dizer, conseguir uma capacitação para compreender os diferentes tipos de texto que existem em sociedade e, assim, poder participar da dinâmica que é própria do mundo da escrita. Essa expectativa social deve ser assumida e cumprida pela escola através das ações docentes e das práticas curriculares, tendo os professores de observar criticamente o que ocorre em Sociedade. (SILVA, 1998, p.64)
É preciso que a escola forme cidadãos capazes de ler e entender as informações presentes na Sociedade. Nesta direção, as Orientações Curriculares Nacionais de Física, Matemática e suas Tecnologias (BRASIL, 2006) ainda recomendam:
[...] a escola teria de repensar seu ensino não para funcionar somente dentro de seus muros, mas para ultrapassá-los e possibilitar aos seus alunos a continuidade de sua aprendizagem sem a presença do professor. Uma relação didática terá sucesso se modificar as relações com os saberes que o aluno tenha antes dela. (p. 48)
- O desenvolvimento de atividades de leitura em aulas de Física é uma estratégia didática capaz de fornecer ao aluno um poderoso instrumento de apropriação conceitual do mundo natural. Esse processo não se dá de forma direta, sendo socialmente mediado por palavras, conceitos e representações culturais
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construidas pelos autores a respeito do mundo, expressas não apenas nos artigos acadêmicos de revistas especializadas mas em todo e qualquer texto em que a Física se faça presente, de forma explícita ou não. Incluem-se aqui obras de divulgação científica (veículos de conceituação com finalidades educacionais óbvias) em conjunto a outros produtos culturais menos evidentes, como é o caso de revistas de Histórias em Quadrinhos que trabalhem a ficção científica e a fantasia.
- A prática dessa leitura é capaz de fornecer um pano de fundo a partir do qual a Física pode ser compreendida como atividade cultural humana, com influências políticas e econômicas em relação a outros âmbitos da vida social. A construção de uma jornada de leitura que trabalhe os temas relacionados a Física é possível, desde que seja proporcionado ao aluno um ambiente capaz de gerar seu envolvimento real com o tema. Esse envolvimento não deve ser condicionado, apenas estimulado através de fatores como o planejamento prévio e a atenção do professor, levando em conta as necessidades do estudante e a maneira como os desafios da leitura lhes serão apresentados.
Tenho afirmado que as questões práticas de leitura escolar, não nascem do acaso nem do autoritarismo ao nível da tarefa, mas sim de uma outra programação envolvendo e devidamente planejada, que incorpore, no projeto de execução, as necessidades, as inquietações e os desejos de alunos-leitores. Simplesmente "mandar o aluno ler" é bem diferente do que envolvê-lo significativamente e democraticamente nas situações de leitura, a partir de temas culminantes (SILVA, 1998, p.66)
## Por que Histórias em Quadrinhos de ficção científica?
A linguagem das Histórias em Quadrinhos é uma ferramenta privilegiada para a condução de informações (NASCIMENTO JR e PIASSI, 2011) dada sua particularidade em unir texto e imagem para narrar uma história. Entretanto, nas publicações de cunho comercial, a possibilidade de apresentar um conceito de forma deturpada pode proporcionar a apropriação pelo leitor de uma visão equivocada do fenômeno, dificultando o entendimento correto de conceitos científicos inerentes às sua narrativas. Para que isso não ocorra, é necessário investigar a forma com que a linguagem dos Quadrinhos (em especial nas narrativas que exploram o gênero da ficção científica) incorpora os temas relacionados à Física no desenvolvimento de suas narrativas, para que se analise a melhor forma de explorá-las para contribuir na melhoria da compreensão desses conceitos pelo seu público leitor, comumente formado por jovens em idade de formação escolar.
A relação entre o exercício de leitura de textos de divulgação científica e os Quadrinhos de ficção científica, que poderia parecer obscura em um primeiro momento, se torna clara e consistente sob a análise de estudos já realizados sobre o parentesco entre a ficção científica e o conhecimento científico em si, como os de Piassi (2007; 2011): de forma corajosa e desbravadora, a ficção científica é capaz de afirmar e levar o leitor a crer naquilo que a ciência ainda não ousa afirmar ou sugerir ou, ainda, considera absurdo, desenvolvendo suas consequências sociais e éticas. Sua forma diferenciada de pensar e ver o mundo, construída a partir da cultura científica, constrói um gênero de discurso próprio, diferente do cotidiano.
Prática discursiva em expansão na sociedade atual, a divulgação científica compreende a utilização de recursos, técnicas e processos para a veiculação de informações científicas e tecnológicas ao público em geral (BUENO, 1985, p. 1421) e se caracteriza pela recodificação da linguagem especializada em uma linguagem
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não-especializada, que seja acessível ao grande público. Este conceito engloba os discursos produzidos nos campos de informação transmitidas pelas diversas mídias, sejam de cunho educacional ou científico, que produzem práticas discursivas voltadas à comunicação com o grande público.
'A história em Quadrinhos, ao falar diretamente ao imaginário da criança, preenche suas expectativas e as prepara para a leitura de outras obras. A experiência de folhear as páginas de uma revista em Quadrinhos pode gerar e perpetuar o gosto pelo livro impresso, independente de seu conteúdo. Além disso, o aprendizado pelo mio do uso de Quadrinhos é mais proveitoso' (SANTOS, 2001, p. 47)
Iniciativas para o uso de Histórias em Quadrinhos na educação remetem à década de 1940 (EISNER, 1989) e não se limitam à esfera de influência ocidental (RAMOS, 2009). Na esfera Federal, órgãos oficiais de educação tem reconhecido a importância de inserção das Histórias em Quadrinhos no currículo escolar, ao desenvolver orientações específicas para este fim e admitir seu emprego através da Lei de Diretrizes e Bases (BRASIL, 1996).
Como veículo midiático, a popularidade das revistas de Histórias em Quadrinhos é comprovada pelo número de publicações do gênero comercializado mensalmente em bancas de jornais e livrarias, que já passam a disponibilizar uma seção exclusiva ao produto. De forma regular, novas revistas são lançadas para concorrer com as já existentes, explorando um processo de fidelização de seus leitores, o que faz com que os leitores mais antigos influenciem na chegada de novos. A leitura de revistas de Histórias em Quadrinhos, embora aparentemente descompromissada, é capaz de suscitar a reflexão, a pesquisa e a criação em seu público leitor. Seu poder de alcance como meio de comunicação em massa capaz de informar e educar seus leitores (RAMA, 2009) tem levantado discussões no meio acadêmico a respeito da possibilidade de sua inserção no processo de ensinoaprendizagem (RAMOS, 2009) em várias disciplinas do currículo escolar, incluindo a Física (CARUSO e SILVEIRA, 2003; TESTONI, 2004).
As publicações de Histórias em Quadrinhos de ficção científica vivem atualmente sua terceira fase de representação das Física (NASCIMENTO JR e PIASSI, 2011), com autores se dedicando a divulgar teorias e antecipar seu avanço, buscando a reflexão sobre uma visão mais ética e complexa da ciência. Este debate posiciona as revistas em Quadrinhos no centro de uma grande discussão epistemológica atual, capaz de influenciar as futuras gerações de cientistas (atualmente, em idade de formação escolar) a novos pontos de vista. Este terceiro momento demonstra o amadurecimento das Histórias em Quadrinhos como veículo de comunicação em massa, dirigido a um leitor crítico capaz de enxergar nos meambros da linguagem gráfica sequencial, aspectos que passariam despercebidos em uma leitura superficial (NASCIMENTO JR e PIASSI, 2011). É necessário uma análise da relação entre as Histórias em Quadrinhos como fenômeno midiático, a divulgação científica e a necessidade do desenvolvimento de atividades de leitura em sala de aula, traçando pontos de contato ao estudar as possibilidades de sublimação de suas limitações, apresentando as questões sociais e tecnológicas sem ensinar tecnologia, sem desviar o enfoque do curso mas focando em uma reflexão sobre o presente para um pensar/agir no futuro.
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## Um caminho para gostar de aprender Física?
Histórias em Quadrinhos de ficção científica possuem uma forte relação com a Física, impossível de ser excluída do corpus de cada história sem que essa perca sua coesão. Este fato não passa despercebido ao seu público leitor, em uma derivação da produção de imagens e representações, ainda que de forma nãoproposital, pelo conhecimento científico. As denominadas eikons e eidons por Klein (2001p. 46) se fazem necessárias à construção dos contrafactuais exigidos pela estruturação de um roteiro de Histórias em Quadrinhos pertencentes ao gênero em foco. Exemplificando, podemos tomar a descoberta dos satélites de Júpiter pela luneta de Galileu como exemplo perfeito de eikon (uma imagem científica) que deu origem à representação, eidon , de um massivo corpo central orbitado por satélites, uma imagem representativa que se tornou de domínio público e continua a enriquecer a imaginação humana, embora de forma bastante abstrata do original: a descoberta do modelo atômico de Rutherford-Bohr causou grande impacto nas Histórias em Quadrinhos de ficção científica da época, ainda que naquele tempo não fosse possível constatar o eikon do átomo, em 1933 as tiras dominicais de jornais apresentaram as aventuras de Brick Bradford ao interior de uma moeda de cobre, em uma aventura sequenciada em que um cientista, Dr. Kopak, orientava o herói ao desbravar os átomos da moeda, dispostos como sistemas solares em miniatura .
As consequências desta concepção imaginária pode ter se tornado distante de sua observação científica inicial, além de contaminada por outras imagens e representações ideológicas e filosóficas. Porém, através delas é possível se retornar ao eikon científico original, sem a qual as idéias e a ficção não poderiam ter sido construídas. Ainda que o eikon esteja diretamente conectado à teoria, possui um forte valor emocional e estético, que pode se tornar bastante abstrato quando incorporado ao eidon.
- O que classifica uma História em Quadrinhos como pertencente ao gênero de Ficção Científica é a presença, em algum grau, de eikons e eidons sem os quais não funcionariam como ficção. Não é suficiente que a história apresente uma imagem originada pela ciência para que seja considerada ficção científica: se o eidon representa papel acessório que pode ser excluído sem que o fio narrativo da história se decomponha, ela não pode ser considerada ficção científica.
É preciso que, ao contrário, o argumento, roteiro e a própria ação dependam dessa imagem para que a história em Quadrinhos possa ser considerada ficção científica: um buraco negro é uma abstração físico-matemática difícil de ser propriamente representada, mas isso não o impediu de dar origem a representações populares e ter suas propriedades lógicas supostas ou extrapoladas em diversas Histórias em Quadrinhos de ficção científica
## CONCLUSÕES
A interação entre aluno e professor é essencial para que se possa criar condições necessárias à compreensão de um texto. Entretanto, as poucas atividades relacionadas à leitura em aulas de Física tendem a se nortear pela confecção de resumos, relatórios, fichamentos ou resolução de exercícios denominados nos livros didáticos como sendo de 'interpretação de textos', sem que seja fornecido estímulo suficiente ao aluno para que o texto se torne compreensível. Esse questionamento, que inclui temas de Física em textos de divulgação científica
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no geral, faz pensar no quanto a Ciência em geral e a Física no particular podem parecer apavorantes ao aluno, quando vistos em um contexto fora da sala de aula.
É perfeitamente possível a aplicação do gênero história em Quadrinhos como ferramenta de ensino para trabalhar temas de Física em sala de aula. Por se tratar de obras de ficção, não significa que os Quadrinhos não apresentem conteúdo humano, científico ou social, pois ao tempo em que refletem a realidade vivida por seus autores, os Quadrinhos representam ideais e pensamentos por meio de palavras e imagens, características básicas de sua linguagem. São publicações de leitura ativa e variada de sentido, com temas, elementos e expressões que podem ser exploradas durante leitura em sala de aula: o aluno encontrará nas Histórias em Quadrinhos de ficção científica motivos para melhor observar a sociedade e a natureza do universo ao seu redor, levando-o a avaliá-los e a se tornar capaz de melhor compreendê-los.
Histórias em Quadrinhos de Ficção Científica representam assim mais uma possibilidade de exploração da língua para uma diversidade de fins e propósitos das palavras, o que as torna capaz de desempenhar o papel de ferramenta auxiliar ao desenvolvimento da leitura necessária ao aprendizado da Física como elemento sócio-cultural.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação (MEC), Secretaria de Educação Básica (SEB). Orientações curriculares para o ensino médio (Física da Natureza, Matemática e suas Tecnologias) , v.2, 135p. 2006.
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CARUSO, F.; SILVEIRA, M. C. Quadrinhos para a Cidadania. História, Física, Saúde . Manguinhos, v. 16, p. 217-236, 2003.
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RAMOS, Paulo. A leitura dos Quadrinhos . 1ª edição, São Paulo, Contexto, 2009.
RAMA, Waldomiro Vergueiro (org). Como usar as Histórias em Quadrinhos na sala de aula. 3ª edição, São Paulo, Contexto, 2009.
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SILVA, Elias Levi da. Aspectos motivacionais em operação nas aulas de Física do ensino médio, nas escolas estaduais de SP . Dissertação (mestrado). Universidade de São Paulo, Instituto de Física. 2004.
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