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A INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE LITERATURA E FÍSICA: MACHADO DE ASSIS E ALBERT EINSTEIN JUNTOS EM LIVRO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E LITERÁRIA E SUA UTILIZAÇÃO EM SALA DE AULA

Felipe Damasio, Olivier Allain

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
23/01/2013
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE LITERATURA E FÍSICA: MACHADO DE ASSIS E ALBERT EINSTEIN JUNTOS EM LIVRO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E LITERÁRIA E SUA UTILIZAÇÃO EM SALA DE AULA

## Felipe Damasio 1 , Olivier Allain , 2

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, felipedamasio@ifsc.edu.br 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, olivier@ifsc.edu.br

## Resumo

O senso comum considera que ciência e arte constituem uma dicotomia que pode ser explicada pelos seus diferentes objetivos e discursos. Talvez por isto, elas quase nunca são apresentadas de maneira articulada em sala de aula. A troca entre estas duas culturas, a priori distintas, é útil para entender e transformar o mundo em que vivemos. Assim, atividades interdisciplinares que envolvam as áreas são uma necessidade. Este trabalho tenta contribuir para que esta interdisciplinaridade chegue à sala de aula ao apresentar um livro de divulgação científica e literária que envolve duas das maiores personalidades de cada uma das duas culturas: Albert Einstein e Machado de Assis. O livro 'Memórias Póstumas de Albert Einstein - uma homenagem a Machado de Assis', publicado pela WS Editor em 2012, é uma releitura da obra clássica de Machado de Assis 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'. O livro sobre Einstein tem os mesmos cento e sessenta capítulos, quase todos homônimos e aborda os mesmos temas do original de Machado. Apesar do formato ficcional, todo o conteúdo é fundamentado em biografias do cientista e as opiniões que ele emite na obra são oriundas de dois livros de sua autoria. Além de apresentar a obra, este trabalho relata experiência em sala de aula oriunda de sua publicação que já ocorrem e ainda vislumbra outras interdisciplinaridades possíveis em decorrência do livro.

Palavras-chave : Albert Einstein, Machado de Assis, interdisciplinaridade, divulgação científica, literatura.

## Introdução

O senso comum considera que arte e Ciência constituem uma dicotomia. Esta oposição pode ser explicada, em parte, pela existência das diferenças entre os objetivos e a natureza dos discursos. Para Daflon (2008), a prática escolar tem contribuído para que se entenda que onde há Ciência não pode haver arte e viceversa. Porém, a polarização entre Ciência e Literatura não está restrita ao senso comum, mas também está presente na forma como intelectuais se posicionam.

A criação humana passa por Ciência, cultura e arte. Porém, muito dificilmente elas são apresentadas de maneira integradas em sala de aula. De acordo com Moreira (2002), Ciência e poesia pertencem a domínios diferentes de conhecimento e valor. A primeira gira em torno do fazer concreto, com o objetivo de representar adequadamente o comportamento material, já a poesia cresce com a experiência do poeta, sua relação com a linguagem e qualquer dimensão do mundo que venha a explorar, sentir, interpretar, traduzir. Para Moreira, a aproximação entre elas é muito rica, mesmo que, em tempos de Ciência e a tecnologia profundamente impregnadas em nossa cultura, a poesia possa parecer um anacronismo. A poesia e a arte são necessidades de releitura e afirmação da experiência humana,

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suplementar aos saberes positivos ou verificáveis. Por isto, Ciência e poesia não podem ficar de fora das atividades interdisciplinares.

Zanetic (2006) crê que a contaminação mútua entre duas culturas tão distintas como Literatura e Física não é útil apenas para entender o mundo, mas também para transformá-lo. Dado o profundo impacto das ciências exatas no mundo em que vivemos, há uma valorização do pensamento científico em detrimento de outras formas de cultura. Para Zanetic, devemos evitar esta visão de supervalorização do conhecimento científico, sob o risco de mitificar figuras como Albert Einstein, que se tornou 'gênio' em áreas tão distintas como: eletrodinâmica, política e estratégia militar. A aproximação entre Ciência e Literatura pode ser defendida, apesar de seguirem caminhos que lhe são peculiares, por ambas nos fornecerem conhecimento universal.

Neste artigo, relatamos uma experiência de relacionar duas áreas aparentemente distintas: Literatura e Física. Para tanto, um livro foi publicado envolvendo as, talvez, duas mais conhecidas figuras de cada um destas áreas no Brasil: Machado de Assis e Albert Einstein. Trata-se de uma releitura da obra clássica de Machado de Assis 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', agora reescrita por um Einstein defunto. Além da apresentação da obra, este artigo relata como ela é usada em sala de aula para promover a interdisciplinaridade entre as duas áreas de conhecimento, e ainda vislumbra outras práticas que podem ser decorrentes do livro.

- O trabalho tenta avançar no sentido de tentar romper com a prática escolar que tem contribuído para que se entenda que onde há Ciência não pode haver arte e vice-versa, conforme chama a atenção Daflon (2008). Além de tentar superar também, o que Moreira (2002) nos alerta, de que Ciência, cultura e arte são apresentadas de maneira não integradas em sala de aula. O grande objetivo deste trabalho é o que sugere Zanetic (2006), que a contaminação mútua entre Literatura e Física pode transformar o mundo.

## Divulgação científica

Divulgação, de acordo com Germano e Kulesza (2007), é o ato de tornar conhecido, propagar, difundir, publicar, ou ainda, fazer-se popular. Eles defendem que é possível estabelecer um diálogo com pessoas não especializadas em Ciência em torno de questões simples de seu cotidiano até avançar a questões mais complexas dos temas científicos. É possível ensinar Ciências através deste diálogo, por meio da abordagem de questões relevantes para as pessoas.

- A grande parte dos alunos de Ensino Básico não vai estudar Física mais tarde. Com isto em vista, não faz sentido ensinar Ciências como se estes alunos fossem cientistas em potencial, deve-se ensinar Física para que eles sejam capazes de exercer sua cidadania, possibilitando sua melhor compreensão do mundo e da tecnologia que marca cada vez mais presença em nossa sociedade. Trata-se então de ensinar Física para a cidadania, a Física significativa e não a Física para futuros cientistas (MOREIRA, 2000). É neste sentido que se enquadra a divulgação científica defendida neste artigo: ela não deve visar a formação de peritos, mas sim sujeitos críticos e capazes de entender o mundo científico e tecnológico em que vivem. Além do mundo cultural, em que se enquadra a Literatura.

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Uma sugestão de como deve ser a divulgação científica é feita por Jacobucci et al (2008). De acordo com estes autores, a divulgação científica deve conter aspectos históricos, culturais e principalmente questões do cotidiano das pessoas. Acreditamos, então, que nada mais de acordo que ensinar Física do nosso cotidiano usando os aspectos culturais e históricos que estão presentes na Literatura.

Não existem fórmulas prontas que indiquem como escrever divulgação científica. Uma obra que fornece orientações básicas de como fazê-lo é a de Vieira (2006). Entre suas sugestões estão muitas seguidas no livro que é tema deste artigo. Tais como: (i) um texto de divulgação científica deve começar com um fato de impacto; (ii) a analogia é o elemento essencial da linguagem de divulgação científica; (iii) escrever de forma simples e inteligível, explorar analogias, explicar conceitos complicados não significa vulgarizar a ciência, a popularização não é conflitante com a precisão científica; (iv) evitar ao máximo fórmulas matemáticas; (v) o autor deve evitar ao máximo escrever em primeira pessoa; (vi) textos de divulgação científica devem proporcionar momentos de descontração, e; (vii) o humor fino, usado com bom senso, ajuda a diminuir a aridez comum aos temas científicos.

## Memórias Póstumas de Albert Einstein - uma homenagem a Machado de Assis

Quando se pretende fazer um trabalho interdisciplinar abrangente que envolva Física, a escolha da figura de Albert Einstein parece natural. Trata-se de um ícone da Física, muitas vezes tratado de maneira caricatural. Tem o nome como sinônimo de genialidade e a maioria dos alunos conhecem a sua imagem e nome. Sua vida e obra é tema de interesse dos alunos de Ensino Médio (ROCHA et al, 2009).

A escolha de Machado de Assis também parece natural, pois se trata de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, para muitos, o maior. Além disto, a ironia e o sarcasmo que caracterizam sua literatura correspondiam com a imagem de um Einstein humano que a obra queria formar.

O objetivo do livro é mostrar que mesmo o mais famoso cientista de todos os tempos tinha uma vida com problemas semelhantes a pessoas anônimas do grande público. Queria mostrar suas angústias, incertezas, erros e acertos. Como diz a contracapa do livro, 'Mais do que nos apresentar a vida de um cientista, o autor nos releva um homem, seus dramas e suas decisões frente às circunstâncias em que viveu'.

Como diz Carlos Alberto dos Santos (autor de 'O plágio de Einstein'), na orelha do livro, é um engano pensar que mais uma obra sobre Einstein venha a conter apenas informações interessantes para leitores neófitos e obviedades para conhecedores da vida do cientista. Que tipo de novidade poderia ter mais uma obra sobre Einstein, visto que no Brasil já são mais de cinquenta livros publicados tendo Einstein como autor ou tema central? Este foi o desafio do livro: escrever uma obra que seja uma novidade, mesmo tendo informações já publicadas muitas vezes.

Para tanto usou o formato consagrado por Machado de Assis em 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' (ASSIS, 2012). Nesta obra, Machado utiliza como narrador o personagem Brás Cubas, que, depois de falecer, escreve sua autobiografia. Este livro introduziu o que, apesar da situação fantástica do narrador

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defunto, muitos chamaram de 'realismo' na literatura brasileira. Em todo caso um elemento fundamental, em termos literários e estruturais, é a fragmentação e a não linearidade da narrativa. Ao reler a crítica das leituras da obra de Machado, João Cezar de Castro Rocha chega a afirmar que Machado de Assis promoveu uma renovação sem precedentes na literatura brasileira na história da narrativa com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas e de Papéis avulsos (ROCHA, 2012). Tal renovação, sem dúvida, explica-se pela ambivalência de uma escrita ao mesmo tempo fantasiosa e realista, cômica e séria, atravessada por um tom sarcástico e irônico tão claro quanto desafiador para o leitor. Rocha coloca, de forma certeira, que, se Machado de Assis é um dos autores mais instigantes da tradição ocidental, é devido a gigantesca intertextualidade do livro (KOCH, 2004). É como se Machado escrevesse pensando a literatura, propondo 'problemas narrativos', com a vocação de engendrar perguntas cujas respostas sejam modos novos de propor questões (ROCHA, 2012). Donde, talvez, o interesse ainda hoje inesgotável por este livro e a sua vocação em formar leitores críticos.

- O livro tem cento e sessenta capítulos, além de uma dedicatória e um prólogo intitulado 'Ao leitor'. O capítulo, talvez, mais famoso é o último intitulado 'Das negativas' onde o personagem fala de tudo que ele não fez durante a vida e passa a expor o personagem e, com ele, o ideal romântico (com seu projeto de constituição de uma identidade nacional) ainda legível, por exemplo, no próprio autor de 'Crisálidas' (ASSIS, 1994), a uma corrosão sem precedentes na narrativa brasileira.

Para fazer a releitura da obra de Machado de Assis contando a vida e obra de Albert Einstein, um imaginário encontro no além-túmulo entre as duas personalidades é o ponto inicial da obra intitulado 'Memórias Póstumas de Albert Einstein - uma homenagem a Machado de Assis' (DAMASIO, 2012) publicada pela WS Editor. A capa do livro está reproduzida na Figura 1. Neste encontro, descrito no prólogo que também é intitulado de 'Ao leitor', o Einstein narrador-defunto escrever que Machado:

[...] se ofereceu de bom grado para dar-me umas dicas de como eu poderia escrever minhas memórias para amenizar o tédio. Segui suas sugestões e o resultado é o que leitor tem em mãos. Machado pareceu agradar-se' (p.7).

Figura 01: Capa do livro

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O livro sobre Einstein tem os mesmos cento e sessenta capítulos do original de Machado, além da dedicatória e o prólogo. As únicas partes do livro sobre Einstein que não estão presentes no original são as duas partes finais. Uma intitulada 'Nota do autor' chama atenção para o fato de que a obra é ficcional somente no formato e não conteúdo, porque todos os episódios e eventos descritos são fundamentados em biografias do cientista, além de que todas as opiniões que ele emite ao longo da narrativa são oriundas de dois livros de sua autoria. Todas estas obras estão listadas na outra parte original do livro de Einstein que é 'Bibliografia', onde as dezoito obras utilizadas como fonte de informações são descritas.

Além do mesmo número de capítulos, a grande maioria dos nomes é mantida e os assuntos tratados são os mesmos. Por exemplo, o capítulo primeiro do livro original de Machado de Assis se chama 'Óbito do autor', em que Brás Cubas descreve a sua morte. No livro sobre Einstein o primeiro capítulo também se chama 'Óbito do autor' e também o Einstein escritor-defunto descreve como foi a sua morte. E assim segue em todos os capítulos, como no vinte de cada obra, em que ambos se chamam 'Bacharelo-me' e onde os seus escritores-defuntos relatam como foi o seu curso universitário.

Em alguns capítulos não foi possível manter o mesmo nome devido à demasiada especificidade do nome no livro original de Machado de Assis. Um exemplo disto é o capítulo quinze, que no original de Machado se chama 'Marcela' e conta como foi o primeiro romance de Brás Cubas. No livro sobre Einstein, não fazia sentido este capítulo se chamar igual, então a opção foi por batizá-lo de 'Marie', que foi a primeira paixão de Einstein. Assim sendo, mesmo quando não era possível manter o nome original, o conteúdo abordado por Machado no livro original era mantido no livro sobre Einstein.

Outro ponto que se destaca na obra é que os capítulos são embebidos de frases machadianas retiradas do mesmo trecho do livro original. Um exemplo disto é no capítulo dez, intitulado 'Naquele dia' onde é narrado em ambos os livros o nascimento dos escritores-defuntos. Este trecho do livro sobre Einstein que contém frase machadiana é o seguinte (p.17):

O dia do meu nascimento foi 14 de março, do ano de 1879, ás 11h30min, na Rua da Estação, 135. Digo estas coisas por alto, segundo ouvi narrar anos depois; ignoro a mor parte dos pormenores daquele famoso dia.

O trecho em itálico é retirado do original de Machado de Assis, mas a narrativa foi construída de modo a tais trechos serem parte do texto e não adendos. E assim ocorrem em todos os capítulos, sempre frisadas em itálico as frases machadianas.

## A obra em sala de aula: explorando a interdisciplinaridade

A obra em si é um livro de divulgação científica, mas também literária. Isto porque os leitores têm informações sobre a vida de Einstein e lêem sobre temas que estão no imaginário popular, como seu pacifismo ou seu mau desempenho acadêmico. Além de desconstruir estes e outros mitos presente no senso comum sobre o cientista, os leitores têm contato com a literatura de Machado de Assis, muitas vezes pela primeira vez. Não são raros os leitores que nunca leram Machado

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de Assis que se interessarem pela obra do grande escritor brasileiro ao lerem o livro sobre Albert Einstein. Este dado pode ser comprovado, a partir da participação do autor no projeto da WS Editor chamado de 'O Autor na sala de aula'. Neste projeto, as escolas que adotaram o livro são visitadas pelo autor para que haja troca de informações entre ele, os alunos e professores. Um relato recorrente de alunos e professores é que os leitores se interessam pela obra de Machado de Assis pela primeira vez a partir do livro de Einstein.

Algo comum é que leitores do livro sobre o cientista acompanham a leitura junto com o livro original de Machado para poderem traçar um paralelo entre as obras. Isto é o que chamamos aqui de divulgação científica e literária, pois além de discutir ciência de modo a mostrar a figura do cientista como uma pessoa comum como todos nós, com dilemas, erros e acertos, a obra sobre Einstein possibilita despertar interesse pela literatura machadiana. A simples recomendação da leitura do livro pelos professores de literatura e Ciências já seria um avanço para a interdisciplinaridade entre estas duas áreas.

No entanto, algumas outras ações mais efusivas podem ser realizadas. Uma delas já foi implementada no campus Araranguá do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), campus Araranguá, por meio de Projeto de Extensão chamado 'Reescrevendo a história da ciência' que conta com a participação de vinte e dois alunos oriundos do Ensino Médio e Superior durante o segundo semestre de 2012. Ele é ministrado conjuntamente por dois professores do IFSC, um o autor do livro que tem formação científica e outro com doutorado em Literatura. Apesar de esta abordagem em sala de aula contar com um público mais amplo na forma de projeto de extensão, acreditamos que a mesma metodologia pode ser usada com alunos da Educação Básica nas aulas regulares de Literatura e Ciências. A seguir são descritas as seis etapas do projeto já implementado que, acreditamos, podem ser reproduzidas em qualquer escola da Educação Básica:

Primeira etapa : o professor da área de literatura escolhe quinze contos clássicos da literatura brasileira. Entre os quinze contos escolhidos para a aplicação em sala de aula que já ocorre estão: 'O homem que sabia javanês' de Lima Barreto, 'Um homem célebre' de Machado de Assis, 'Os desastres de Sofia' de Clarice Lispector e 'O vampiro de Curitiba' de Dalton Trevisan. Porém, outros professores de Literatura podem ter opções diferentes ao reproduzir o projeto sem nenhum prejuízo;

Segunda etapa: o professor da área científica escolhe quinze episódios da história da ciência. Entre os quinze episódios para a aplicação em sala de aula que já ocorre estão a afirmação de Lord Kelvin de que a Física estava quase pronta faltando apenas dissipar as duas nuvens que eram a questão do éter e da radiação de corpo negro, e a famosa disputa pela invenção do Cálculo Diferencial entre Newton e Leibniz. Mais uma vez, outros professores podem ter opções diferentes ao reproduzir o projeto sem nenhum prejuízo;

Terceira etapa: aulas conjuntas com os dois professores, onde o professor de literatura discute pelo menos um dos contos e o professor de ciências discute pelo menos um dos episódios da história da ciência em cada encontro presencial com os alunos. No projeto que já aplicado, os professores optaram por trabalhar três contos e histórias da Ciência a cada encontro;

Quarta etapa: cada aluno reescreve contos que leu e discutiu. Mas para tanto ele deverá contar um dos episódios da ciência que lhe foram apresentados.

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Em cada conto reescrito, deverá contar com frases do conto original que deverão fazer parte do texto, e não serem adendos. No projeto já aplicado, cada aluno reescreveu cinco dos quinze contos que trabalhou, um por encontro presencial;

Quinta etapa: revisão dos contos pelos dois professores e as sugestões de modificações. Nesta etapa, os professores escolhem um conto que atendeu melhor às expectativas, sendo que o mesmo aluno não pode ter seus contos escolhidos duas vezes. A cada escolha, o aluno lê seu conto para o grupo que pode ou não sugerir modificações;

Sexta etapa: os quinze contos escolhidos e discutidos no grupo são reunidos. Para a apresentação desta produção para o público geral, um sarau é organizado ao fim das atividades, quando cada aluno-escritor lê o conto original e o que ele escreveu. Ao final, a seleção pode é publicada na internet e pode ser impressa e distribuída aos colegas e interessados.

Outras possibilidades de exploração didática da obra podem ser vislumbradas. Como a de professor de teatro transformar o livro em um roteiro em forma de monólogo. Esta peça poderia ser encenada em escolas e eventos. Também a produção de programas de rádio e documentários para publicação na internet . Ou mesmo, assim como já existe com a obra original de Machado de Assis (ASSIS e SEABRA, 2009), adaptar o livro em forma de história em quadrinhos.

As possibilidades didáticas de promover a interdisciplinaridade entre artes e Ciência tendo o livro 'Memórias Póstumas de Albert Einstein - uma homenagem a Machado de Assis' como catalisador são muitas. Como mostra o projeto já aplicado em sala de aula e os outros vislumbrados.

## Considerações finais

A intenção deste artigo é levantar a possibilidade de que a interdisciplinaridade entre áreas que o senso comum julga como dicotômicas, arte e ciência, seja implementada. A viabilidade do projeto em sala de aula descrito mostra que ensinar Literatura e Ciência juntas é possível e ainda possibilita a construção de conhecimento pelos próprios alunos, como os textos escritos por eles. O livro apresentado aqui é apenas uma das inúmeras formas de gerar atividades interdisciplinares.

As possíveis estratégias colocadas para promover a interdisciplinaridade, uma já implementada e outras vislumbradas, são apenas algumas possibilidades que podem ser complementadas ou adaptadas pelos professores em suas instituições. Não são estratégias únicas, muitas estratégias e metodologias são possíveis, as aqui relatadas são apenas sugestões.

Por fim, cabe ainda ressaltar que, para haver interdisciplinaridade, deve haver antes disciplinas. Assim, mesmo que se procure ensinar áreas culturais distintas de maneira integradas, acreditamos que discutir as especificidades de cada área é uma condição importante para que o seu domínio conceitual seja alcançado pelos alunos. Isto justifica a etapa três da metodologia apresentada.

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## Referências

ASSIS, Machado de. Crisálidas. Obra Completa , vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

ASSIS, Machado de; SEABRA, Sebastião. Memórias Póstumas de Brás Literatura Brasileira em Quadrinhos . São Paulo: Editora Escala Educacional, 2009.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Disponível em &lt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf&gt;. Acesso em 30 de maio de 2012.

DAFLON, Claudete. Literatos e cientistas . 2008. Trabalho apresentado ao XI Congresso Internacional da ABRALIC, São Paulo, 2008.

DAMASIO, Felipe. Memórias Póstumas de Albert Einstein - uma homenagem a Machado de Assis . Porto Alegre: WS Editor, 2012, 148 p.

GERMANO, Marcelo G.; KULESZA, Wojciech A. Popularização da ciência: uma revisão conceitual. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , vol.24, n. 7, p.725, 2007.

JACOBOCCI, Daniela, F.C. et al. A DICA chegou! Centro de Ciências da Universidade Federal de Uberlândia: propostas, percepções dos docentes e preceptivas. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , vol. 25, n.2, p.354-367, 2008.

KOCH, Ana Maria. Intertextualidade em Memórias póstumas de Brás Cubas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004. 555 p. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004.

MOREIRA, Ildeu. Poesia na sala de aula de ciências? A literatura poética e possíveis usos didáticos. A física na escola , São Paulo, v. 3, n. 1, p. 17-23, maio 2002.

MOREIRA, Marco Antonio. Ensino de Física no Brasil. Retrospectivas e perspectivas. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol.22, n.1, p.94-99, 2000.

ROCHA, Ingrid Ribeiro da et al. Einstein como mito: a visão dos aluno de Ensino Médio . 2009. Trabalho apresentado ao XVIII Simpósio Brasileiro de Ensino de Física, Vitória, 2009.

ROCHA, João Cezar de Castro. Um livro ponte. Novos estud. - CEBRAP , São Paulo, n. 73, Nov. 2005. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&amp;pid=S010133002005000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em 20 de maio de 2012.

VIEIRA, Cássio Leite. Pequeno manual de divulgação científica: dicas para cientistas e divulgadores da Ciência . Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, 2006, 48p.

ZANETIC, João. Física e literatura: construindo uma ponte entre as duas culturas. História, Ciência e Saúde , Manguinhos - Rio de Janeiro, v. 13 (suplemento), p. 55-70, outubro 2006.

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