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ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: UMA PROPOSTA DE INSERÇÃO DE UM ESPAÇO DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL EM UM AMBIENTE FORMAL.

Alexandre Medson, Marco Braga

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
23/01/2013
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: UMA PROPOSTA DE INSERÇÃO DE UM ESPAÇO DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL EM UM AMBIENTE FORMAL.

## Alexandre Medson 1 Marco Braga 2

1 CEFET-RJ/ Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática a.medson@hotmail.com

2

CEFET/RJ braga@tekne.pro.br

## Resumo

Este trabalho tem o objetivo de discutir como vem sendo praticadas as ações de Divulgação Científica (DC) no Brasil, tendo como foco principal o Estado do Rio de Janeiro. Destaca, ainda, a abrangência das ações de DC sobre o público leigo e sua penetração nas áreas longe dos grandes centros. Com isso apresenta uma proposta de inserção de um espaço de divulgação não formal dentro de um ambiente formal, a escola. Está proposta visa tornar a ciência algo familiar no cotidiano da comunidade que é pouco servida de meios que propiciem informação e alfabetização científica. Assim o ambiente escolar pode servir como abrigo para atividades que despertem primeiramente o interesse dos estudantes pela ciência e, por conseguinte atinja seu entorno. A ação central deste projeto é a elaboração de um espaço permanente de exposição de experimentos dentro do espaço escolar que servirá de ponto de partida para novas ações tais como palestras, exibição de filmes, exposições não permanentes e outras atividades que visem à popularização da ciência.

Palavras-chave: Divulgação Científica, Divulgação não Formal.

## INTRODUÇÃO

Este trabalho foi idealizado por um professor de Ensino Médio, das redes pública e particular, que devido ao incômodo com a escassez de ações de Divulgação Científica (DC) em uma região do Estado do Rio de Janeiro, resolveu estabelecer a proximidade do público desta área com museus e centros de ciência.

A Divulgação Científica torna-se uma necessidade quase que indispensável em uma sociedade pautada no desenvolvimento científico e tecnológico. Será aqui tratada a situação do Estado do Rio de Janeiro, em particular na região da Baixada Fluminense, que é carente de ações de DC o que leva a população a estar alheia a fatos importantes tanto de cunho histórico quanto de descobertas recentes da comunidade científica. Nesta região tem-se observado um avanço nas práticas de disseminação do conhecimento científico que vem sendo trabalhado por algumas instituições, porém ainda parece algo muito discreto quando comparado com outras regiões do Estado. Nesta área a presença de museus e centros de ciências é praticamente inexistente contando com poucas opções e outros veículos como jornais e revistas parecem não atingir o público em questão.

A diversidade de informações não contempla, por muito, as necessidades de uma informação científica que leve ao público comum a compreensão do papel da ciência em suas vidas e na sociedade como um todo. A divulgação da ciência limita-

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20 a 25 de janeiro de 2013

se aos pares dos que as produzem e quando são veiculadas em massa aparecem de forma não muito clara ou com informações truncadas, que levam ao desinteresse e a sensação de inacessibilidade por parecer que é necessário um vasto conhecimento de ciência para compreendê-las.

Considerando esse quadro é plausível pensar em tornar as ações de DC corriqueiras como as informações dadas sobre esportes, política entre outros e assim torná-las também menos inóspitas. Para popularizar o acesso ao conhecimento científico deve ocorrer primordialmente um incentivo, mostrando-o de forma agradável. E por que não iniciar este processo na escola? Não com fins de um aprendizado formal, onde se busque um acúmulo de conhecimento, mas de forma que se tenha um público que desenvolva o prazer em buscar tais informações e também incentive seus pares a buscá-las.

Após alguns anos de atuação nas escolas da Baixada foi possível perceber que os alunos, sobretudo os da rede pública, não têm acesso aos meios de DC e muito menos têm incentivo para que isso ocorra. Neste caso pode-se tomar como referência às visitas a museus e centros de ciências que são realizadas com pouca frequência, seja por intermédio da escola ou dos pais dos alunos. Na maioria das vezes os argumentos utilizados para justificar a ausência de tal prática é o difícil acesso, devido às distâncias ou o custo. Este último caracteriza uma falta de informação, pois, os ingressos cobrados pelos espaços de DC em sua maioria são de baixo custo ou até mesmo gratuitos.

Outro aspecto que será aqui relevante será a DC como um motivador que poderá despertar o interesse das pessoas para o estudo de ciências, usá-la como um norteador das escolhas futuras dos estudantes, haja vista que muitas pessoas escolhem suas profissões espelhadas em exemplos próximos, que admiram ou admiraram em um passado recente. Tornar, então, um centro de ciências próximo dos alunos, de seus pais e da população que vive no seu entorno será o foco das ações apresentadas neste trabalho, que visará à inserção de um espaço de divulgação científica não formal dentro de um espaço de educação formal, a escola.

## O CONTEXTO HISTÓRICO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Segundo Bazzo e Valério (2006), vivemos dias de intensa interferência de inovações científicas/ tecnológicas no contexto social. As relações humanas são fortemente ressignificadas pela influência desses aparatos e nosso cotidiano é totalmente permeado por eles. Com isso a sociedade anseia participar de forma ativa nas questões relacionadas à Ciência e Tecnologia (C&T), fazendo-se necessário difundir a situação das pesquisas científicas não só para o público especializado (Cientistas e Pesquisadores), mas também para o público leigo em geral.

Historicamente a ciência toma uma relevância social com a revolução científica nos séculos XVI e XVII na Europa, ficando evidente sua influência na sociedade durante a primeira Revolução industrial (século XVIII) e consolidando-se na segunda Revolução Industrial (século XIX). A importância da Ciência e Tecnologia passa a ser, então, para a vida cotidiana um fator fundamental.

A sociedade de forma geral passa a ter um papel fundamental nas decisões tomadas no âmbito da C&T após a Segunda Guerra Mundial, onde, fica claro que o desenvolvimento tecnológico passa a nortear as relações sociais. O uso de armas

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nucleares faz com que a sociedade queira informações sobre o desenvolvimento da C&T buscando saber quais serão as consequências futuras destas ações.

Nos anos 60 e 70 houve por parte da sociedade uma crescente descrença nas questões relativas à ciência, fato que foi primeiramente atribuído pelos cientistas à desinformação da população leiga (Einsiedel, 2003). Para Wynne (1992), o que faltava era a comunicação por parte dos cientistas, onde as informações perante a sociedade deveriam, não somente, ocorrer por intermédio de uma linguagem leiga, mas também tratar questões relacionadas à ética além de informar a sociedade sobre os mecanismos institucionais relacionados com o controle, o financiamento e a organização da ciência.

No Brasil as ações de DC iniciaram-se, de maneira tímida, com a chegada da Família Real Portuguesa, marcadas pela abertura dos Portos às Nações amigas e a liberação das impressões. Com a criação da Imprensa Régia, em 1810, textos e manuais voltados para a educação científica, embora em número reduzido, começaram a ser publicados no país. Neste período havia um direcionamento dos trabalhos para a recém-criada Academia Real Militar (1810) e futuramente para Museu Nacional (1818).

Nos anos 80 houve no país um crescente desenvolvimento nas ações de DC, com a inserção de notícias científicas nas páginas de jornais diários e também com a criação de programas de TV cujos temas são direcionados a popularização da ciência. Um marco importante, para DC, foi a criação, no Rio de Janeiro, da revista Ciência Hoje (1982), da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, fundada em 1948 , com o objetivo de divulgar a ciência, com ênfase ) especial na ciência produzida no Brasil e com a intenção de aproximar a comunidade científica brasileira do público.

Atualmente observa-se um crescente aumento nos trabalhos em prol das ações de DC no Brasil com a inauguração de centros e museus de ciências, utilização em larga escala da internet, exposições itinerantes entre outros, porém ainda está longe de ser satisfatória sua abrangência sobre a população. Segundo Moreira (2006) apenas 1% da população tem acesso a cetros e museus de ciências por ano enquanto em alguns países da Europa a frequência chega a 25% da população. Em relação à mídia a uma deficiência nas ações de DC:

Do lado da mídia, a cobertura sobre CT nos meios de comunicação é no geral deficiente e frequentemente de qualidade inferior. Na mídia impressa e televisiva, a ciência é apresentada usualmente como um empreendimento espetacular, no qual as descobertas científicas são episódicas e realizadas por indivíduos particularmente dotados. As aplicações reais ou imaginadas da ciência recebem grande ênfase, mas o processo de sua produção, seu contexto, suas limitações e incertezas são usualmente ignorados e predominam modelos conceituais simplificados sobre a relação ciência e público, como o 'modelo de déficit' (Moreira, 2006).

## A introdução de um espaço não formal de divulgação científica em um espaço formal.

O espaço formal é o espaço escolar, que está relacionado às Instituições Escolares da Educação Básica e do Ensino Superior, definidas na Lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o espaço não formal é aquele que ocorre

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em ambientes fora do espaço formal, mas de maneira sistematizada e organizada, sem obedecer a currículos e metodologias (JACOBUCCI, 2008).

Considerando estas definições fica praticamente vetada qualquer ação de DC não formal dentro do espaço escolar, mas, se este espaço for pensado como um abrigo para um espaço não formal pode-se obter algumas vantagens de fatos como a proximidade da comunidade escolar evitando grandes deslocamentos para vivenciar as ações de DC. Esta prática faz com que os alunos tenham um contato prévio com a Ciência visando a busca de novas experiências fora da escola.

- O Local escolhido para as práticas deste trabalho é a região do Estado do Rio de Janeiro conhecida como Baixada Fluminense, que se destaca pela falta de recursos financeiros e pela distância do centro administrativo do Estado. Quanto aos municípios que a compõem, há unanimidade com relação a Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Queimados e Mesquita, todos ao norte da cidade do Rio de Janeiro. Alguns estudiosos também incluem Magé e Guapimirim (a leste), Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí (a oeste e noroeste).

A iniciativa de inserir um espaço de DC não formal na escola teve início pela percepção de que os alunos da Baixada Fluminense, precisamente em Nilópolis, não tem contato com divulgação científica . Um questionário aplicado a 120 alunos 1 do Ensino Médio em março de 2012 teve como foco aferir a relação destes com centros e museus de ciências. A análise dos dados obtidos constata que o contato dos alunos com estes espaços não é nada animador, no qual 63% responderam nunca terem visitado e 33% fizeram apenas de uma a cinco visitas em toda sua vida.

Os fatores apontados como maiores obstáculos são: grande distância do lugar onde moram até os centros e museus de ciências, com 50% de frequência, e falta de interesse, 33%, por não saberem o que vão encontrar nestes espaços. Ora, contando com esses dados é necessário aproximar a DC deste público e por que não levá-la ao local de concentração diária, a escola.

- O questionário ainda afere o interesse dos alunos em ter na escola um espaço de DC, o que corrobora com a ideia central do projeto, que é inicialmente, montar uma sala permanente de exposição de experimentos, o resultado das respostas foi satisfatório, com uma frequência de 80%, que consideram que o espaço será interessante e de grande serventia. Os gráficos a seguir ilustram os resultados obtidos na pesquisa.

Gráfico 01: Número de Visitas a Centros e Museus de Ciências

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Grafico 02 : Fatores que dificultam o acesso aos espaços de DC

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Grafico 03: Opinião sobre um espaço de DC na escola

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## A montagem da sala de exposição.

A sala foi cedida pela direção da escola e será composta por experimentos montados basicamente com material de baixo custo. Os alunos foram divididos em grupos em suas respectivas turmas e cada grupo teve a oportunidade de escolher o experimento que gostaria de montar. Alguns grupos tiveram dificuldades em se adequar ao tema e à proposta do trabalho, e então, tiveram a intervenção do professor, que os orientou na escolha do experimento. As turmas são de Ensino Médio e nas modalidades Regular e Educação de Jovens e Adultos (EJA) e todas frequentam a escola no turno da noite. O tempo médio para que cada grupo conclua e apresente seu trabalho é de 60 dias.

O objetivo de fazer com que os alunos montem seus experimentos faz parte da estratégia que tem o intuito de aproximá-los da ciência. No início, quando lhes foram apresentadas as propostas, houve uma resistência por parte de alguns alunos, que alegaram inúmeros motivos que os impossibilitariam de realizar o trabalho, sendo o principal deles a falta de tempo. Novamente foi necessária a intervenção do professor que propôs que os experimentos fossem montados em sala de aula, sobretudo para sanar o problema daquelas que não dispunham de horários livres para se reunir com o grupo.

Durante o tempo de preparo dos trabalhos alguns alunos relataram a satisfação de verem seus experimentos tomando forma e se sentiam mais à vontade em expor suas dúvidas. Outra declaração muito frequente foi que no início eles se

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sentiam incapazes de executar o trabalho e que foi de grande proveito o esforço que resultou em orgulho do resultado final. Isso talvez tenha reforçado a busca da autoestima de alguns alunos, grifo nosso.

Os experimentos foram previamente divididos em grupos, ficando a cargo da 1ª Série (Óptica e Ondulatória), 2ª Série (Mecânica e Hidrostática) e 3ª Série (Eletricidade e Magnetismo). Cada experimento será acompanhado de uma pequena exposição teórica que contenha suas aplicações práticas e seu referencial histórico, este quando couber.

## Estrutura da escola

A escola funciona em três turnos nos quais os turnos da manhã e tarde abrigam o Curso Normal (Formação de Professores) e o Nível Fundamental, o turno da Noite abriga a Formação Geral nas Modalidades Regular e EJA. Conta com 22 salas de aula, auditório, quadra poliesportiva, refeitório, sala de informática, biblioteca e tele posto, que servem um total de 1646 alunos. O grande número de alunos é um aspecto positivo do projeto, pois o espaço de DC terá abrangência sobre todos.

Sua localização é de fácil acesso contando com linhas de ônibus e proximidade da estação de trem, além de não estar em área de risco, o que possibilitará uma futura abertura das portas para as ações de DC às áreas vizinhas. Outro ponto positivo tem sido a receptividade da direção que prontamente tem atendido as solicitações inerentes ao projeto, como a liberação do espaço que abrigará a sala de experimentos, o que possibilita vislumbrar seu crescimento.

## Conclusão

A elaboração de um espaço de divulgação científica de caráter não formal dentro da escola pode ser um começo para a disseminação da C&amp;T nas regiões pouco abastadas de recursos neste campo. A proposta apresentada no trabalho vai muito além da montagem da sala de exposições, trata também do resgate da autoconfiança, do orgulho e do direito de estar a par dos acontecimentos por muito negados a alguma classes sociais.

Uma sala de exposição de experimento deve, neste caso, ser apenas o inicio de ações de DC que contemplem a comunidade com o intuito de abrir seus horizontes para buscar outros meios de se informar cientificamente. Será bem vindo a partir deste projeto o início de ciclos de palestras, feiras e outras atividades que possibilitem a democratização da divulgação científica.

Divulgar a ciência é um ato importante, que apesar de difícil, tem o caráter norteador na tomada de decisões e na mudança da maneira de pensar.

## Referências

Bazzo, Walter Antônio; Valério, Marcelo. Papel da divulgação científica em nossa sociedade de risco: Em prol de uma nova ordem de relações entre ciência, tecnologia e sociedade. CTS+I Revista Ibero-americana de Ciencia, Tecnologia, Sociedad e Innovacion, n.7 set/dez 2006.

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Einsiedel, Edna (2003). Vozes dos Cidadãos; Participação Pública na Área de Biotecnologia. Ciência e Ambiente. v.26, p.115-128. Apud VALÉRIO, Marcelo; BAZZO, Walter A. O papel da divulgação cientifica em nossa sociedade de risco em prol de uma nova ordem de relações entre ciência, tecnologia e sociedade . Revista Iberoamericana de Ciência, Tecnologia Sociedad e Innovacion , nr. 7, setembro-dezembro/2006

JACOBUCCI, D.F.C. Contribuições dos espaços não formais de educação para a formação da cultura científica. Revista Em Extensão , vol.7, n.1, 2008.

MOREIRA, I.C . A inclusão social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil . &lt;http://www.revista.ibict.br/inclusao/index.php/inclusao/index&gt; Vol. 1, Nº 2 (2006) Acesso em: 22 mai. 2012.

Wynne, B. (1992). 'Public Understanding of Science: New Horizons or Hall of Mirrors?' Public Understand of Science, vol.1, isue1, pp.37-43. Apud Marta Ferreira Abdala Mendes. José Reis e o papel dos cientistas na divulgação científica . Ciência e Comunicação,

&lt;http://www.jornalismocientifico.com.br/revista/01/artigos/artigo6.asp&gt; Vol.1, Nº1 (2004) Acesso em: 22 mai. 2012

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.