CTS NO ENSINO MÉDIO: CONTRIBUIÇÕES DE UMA DISCIPLINA PARA UMA PERCEPÇÃO MAIS HUMANA DA CIÊNCIA
Rodrigo Trevisano De Barros, Álvaro Chrispino
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Tecnológica E Abordagem Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CTS NO ENSINO MÉDIO: CONTRIBUIÇÕES DE UMA DISCIPLINA PARA UMA PERCEPÇÃO MAIS HUMANA DA CIÊNCIA
## Rodrigo Trevisano 1 , Álvaro Chrispino 2
1 CEFET-RJ/PPCTE/rodrigotrevisano@gmail.com
2 CEFET-RJ/PPCTE/alvaro.chrispino@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho é parte integrante de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento que tem por objetivo apresentar conteúdos a partir de situações problema com um enfoque em ciência, tecnologia e sociedade. A discussão é entorno do papel do Ensino de Ciências na formação de uma sociedade crítica e participativa capaz de ter um cidadão ativo nas decisões sociais que envolvem Ciência e tecnologia. A pesquisa de mestrado pretende investigar se uma disciplina com temas e ferramentas CTS contribui para que os alunos construam uma visão mais humana da Ciência e se as discussões auxiliam em uma mudança na concepção do papel do cidadão no que diz respeito às decisões sociocientíficas fundamentadas. A disciplina curricular é dividida em módulos que se constroem em três estágios seguindo a metodologia do projeto PARSEL desenvolvido por membros da Universidade de Lisboa, onde, no desenvolvimento do mesmo, os alunos são levados a construir uma problemática inicial, desenvolver uma atividade investigativa e a tomar decisões sociocientíficas fundamentadas. Este artigo insere-se como um estudo de caso específico, apresentando não só o cenário em torno da 'alfabetização científica' mas apontando possibilidades de conceber estas discussões em sala de aula expondo as dificuldades já enfrentadas e os desafios iniciais superados. Incluem-se previamente alguns dados já levantados que consolidam a necessidade de se iniciar a discussão. Apresentar quais são os impactos produzidos e quais são os caminhos possíveis em sala de aula são aspectos fundamentais do estudo assim como o papel multiplicador do professor. Ressaltase a relevância de um enfoque CTS numa Educação de vanguarda e sua contribuição para a construção de um ensino contextualizado.
Palavras-chave : ensino de ciências, CTS, alfabetização científica.
## O Ensino de Ciências e a Alfabetização Científica
Faz-se necessário iniciar a discussão em como concebemos o papel da Escola básica e a quem e ou quais interesses ela se propõe a atender. O nosso posicionamento é ao lado de uma Escola voltada para sociedade, que tente atender as necessidades de sua comunidade escolar e dos membros envolvidos nesse cotidiano. A Escola não deve caminhar na direção a se submeter a valores políticopartidários, econômicos ou de mercado como corrobora LOPES (2004). Cabe ressaltar que a instituição escolar não deve aceitar o cargo de salvadora da pátria ou a solução para todas as mazelas sociais, contudo é importante que fique claro a sua responsabilidade e sua contribuição para uma sociedade crítica, questionadora e transformadora.
Nessa busca por uma sociedade crítica onde todos os membros entendam o seu papel e assumam suas responsabilidades trazemos uma análise sobre o que o ensino de Física pode fazer para contribuir com os objetivos mais amplos da comunidade escolar. Quais são os interesses e finalidades desse ensino de Física são as perguntas iniciais que precisamos tentar esclarecer. A abordagem
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de DÍAZ (2002) é esclarecedora, ficando claro que esse é o primeiro passo para que possamos apresentar respostas a todas as outras questões que essa reflexão pode produzir.
Nos sensibilizamos com a ideia de um ensino que contribua para uma população capaz de identificar seu papel social, e entender que o mundo está desta forma e não precisa necessariamente permanecer assim. Sendo assim se faz necessário construir um cidadão critico capaz de atuar e se posicionar como um ator social interessado em participar das decisões que envolvem ciência e tecnologia. Cabe destacar que hoje participar das decisões que envolvem ciência e tecnologia cria a necessidade de fazer mais que formar alunos com ampla bagagem de conteúdos, códigos e simbologias particulares de uma determinada 'área', é preciso quebrar paradigmas sociais e como evidencia CACHAPUZ et al. (2002), tentar aprofundar o diálogo entre as várias ciências, principalmente, entre as ciências da natureza e as ciências sociais e humanas.
Já há algum tempo existem grupos que pesquisam o Ensino de Ciências e se dedicam a discutir este processo de autonomia que o Ensino de Ciências pode produzir na sociedade. A esta tentativa de construir autonomia atribuímos algumas expressões como 'Alfabetização Científica' (CACHAPUZ, 2011) ou 'Letramento Científico' (SANTOS, MORTIMER; 2001). Contudo é preciso ter cautela, pois, a expressão Alfabetização Científica traduz um amplo movimento educativo, o que produz um risco grande de se produzir ambiguidade, visto que permite a cada um atribuir-lhe significados diferentes (BYBEE apud CACHAPUZ et al., 2011). Discussões mais recentes aprofundam o debate e direcionam o objetivo de modo que a busca é principalmente pela capacidade dos cidadãos em tomar decisões que interfiram na sociedade baseadas nos conhecimentos científicos construídos principalmente na fase escolar, sendo assim, projetos de pesquisa são desenvolvidos e direcionados para este momento onde se defende que o cidadão deve aprender a contextualizar e não 'cotidianizar' os conhecimentos aprendidos (SANTOS, 2007a, 2007b).
O trabalho em questão se enquadra em uma abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) onde acreditamos e defendemos ser uma abordagem capaz de contribuir para uma visão mais crítica e menos superficial de como a instituição Ciência se constrói e se sustenta. É nesse contexto que iremos discutir o papel do Ensino de Ciências e sua capacidade de produzir e/ou qualificar a participação do cidadão nas decisões sociocientíficas (SANTOS, 2007 b; AULER, 2007; ACEVEDO et al., 2005). Formar cidadãos que atendam a essa nova demanda se torna muito mais que prepará-los com uma extensa lista de conteúdos. Hoje, precisamos de um ensino de ciências que desmistifique o trabalho científico, que colabore para uma percepção mais humana, que a aparente neutralidade dos cientistas seja desconstruída.
Além disso, para percebermos quais são os interesses e interessados que geram essa nova demanda que mencionamos acima precisamos construir uma visão de ciência diferente, precisamos identificar quais são as questões que precedem o trabalho dos cientistas, quais são as condições sociopolíticas que as atividades de pesquisa estão inseridas e quais são os riscos de desenvolvê-las, outrossim precisamos desenvolver uma percepção social da ciência e dos que a desenvolvem. O que defendemos é que a ciência não pode ser vista como um corpo acabado de conhecimento que traduz a realidade e se torna inquestionável. A
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Ciência se posiciona como uma instituição capaz de creditar verdades. A citação de Hodson (1994) é esclarecedora onde o autor afirma que os alunos devem: aprender ciência, aprender a fazer ciência e aprender sobre a ciência. A necessidade de uma nova imagem da ciência esbarra muitas vezes em concepções distorcidas dos próprios professores que deveriam ser formados para intermediar uma construção mais social da ciência e do trabalho cientifico como percebemos na citação de Santos e Mortimer (2001):
'Isso exige uma mudança de postura dos professores de ciências, no sentido de incorporar às suas aulas, discussões sobre temas sociais, envolvendo os aspectos ambientais, culturais, econômicos, políticos e éticos relativos à C&T; atividades de engajamento social dos alunos, por meio de ações concretas; e a discussão dos valores envolvidos. Uma educação científica que se pretende neutra é ideologicamente tendenciosa. Ela, ao invés de preparar o cidadão para participar da sociedade, pode reforçar valores contrários ao ideal de democracia e de cidadania, ao não questioná-los.'
Nós defendemos um ensino de Física capaz de discutir as questões referentes à sociologia interna da ciência e tecnologia, por acreditar que isso colabora com uma percepção mais humana do trabalho científico. Discussões em relação às reformulações necessárias ao Ensino de Ciências (CACHAPUZ et al., 2011), o acesso à informação, como os alunos lidam com isso e qual é a contribuição do professor, ocupam boa parte das discussões travadas pelos que se dedicam a pesquisar o tema. A pesquisa se desenvolve com o objetivo de investigar não só as concepções epistemológicas que envolvem a prática docente mas também propor uma contribuição didática-metodológica. Acolhemos a ideia de que precisamos não só de uma renovação epistemológica dos professores, mas que essa venha acompanhada por uma renovação didática-metodológica, que pode ter como eixo a Alfabetização Científica (CACHAPUZ et al., 2011).
Já há algum tempo existem grupos que pesquisam o Ensino de Ciências e se dedicam a discutir este processo de autonomia que o Ensino de Ciências pode produzir na sociedade. Contudo é preciso ter cautela, pois, a expressão Alfabetização Científica traduz um amplo movimento educativo, o que produz um risco grande de se produzir ambiguidade, visto que permite a cada um atribuir-lhe significados diferentes (BYBEE apud CACHAPUZ et al., 2011). Discussões mais recentes aprofundam o debate e direcionam o objetivo de modo que a busca é principalmente pela capacidade dos cidadãos em tomar decisões que interfiram na sociedade baseadas nos conhecimentos científicos construídos principalmente na fase escolar, sendo assim, projetos de pesquisa são desenvolvidos e direcionados para este momento onde se defende que o cidadão deve aprender a contextualizar os conhecimentos aprendidos (SANTOS, 2007a, 2007b).
Apesar de muitos autores discutirem e apontarem a Alfabetização Científica como ponto fundamental na construção de uma Ciência que contribua efetivamente nas decisões sociais (CACHAPUZ et al., 2011; GIL-PEREZ E VILCHES, 2005a, 2005b, 2004; ACEVEDO ET al., 2005) alguns defendem exatamente o contrário, apontando de maneira bem fundamentada possíveis incoerências, dificuldades e outros trajetos metodológicos (SHAMOS, 1995; FENSHAM, 2002a, 2002b).
Para Fensham (2002a, 2002b) o processo de tomada de decisão precisa de uma profundidade de conhecimentos que só cabe aos especialistas, seria uma
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ilusão considerar possível preparar toda a sociedade para esta participação nas decisões relacionadas à Ciência.
A pesquisa em questão se posiciona junto ao primeiro grupo, defendendo uma educação em Ciências voltada para cidadania (PRAIA; GIL-PÉREZ; VILCHES, 2007) mantendo os princípios da democracia, onde todos podem e devem participar de modo racional e consciente nas decisões que direcionam o trabalho científico.
A Conferência Mundial sobre a Ciência para o Século XXI afirma que com a democratização da Ciência três objetivos se tornam principais: 1) aumentar o número de seres humanos que se beneficiam de forma direta do progresso das pesquisas de Ciência e Tecnologia as quais devem dar prioridade às populações afetadas pela pobreza; 2) expandir o acesso à ciência, entendida como um componente central da cultura; 3) exercer controle social sobre a Ciência e Tecnologia e sobre a orientação dada a ela, através da adoção de opções morais e políticas, consensuais e explícitas. (Declaração de Budapeste, 1999). Seguindo esta nova demanda criada pela sociedade em geral grupos de pesquisa iniciam projetos de investigação com o objetivo de entender melhor estas necessidades e apontar possibilidades para encurtar as distâncias entre necessidade e realidade.
- O projeto PARSEL (Popularity and Relevance of Science Education for Scientific Literacy - Popularidade e relevância da educação científica para a Literacia Científica ) (GALVÃO et al., 2011) e o PIEARCTS (Projeto Ibero-americano de Avaliação de Atitudes Relacionadas com a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade) (BENNÁSSAR, LIVRO DO PIEARCTS) são exemplos de mobilizações colaborativas de grupos e países que tentam apresentar possíveis saídas para uma formação para cidadania. Estes projetos contam com a ajuda de pesquisadores, mas também de professores que atuam na educação básica e enfrentam as dificuldades da sala de aula e é nessa conjuntura que a pesquisa se desenvolve.
## Metodologia de pesquisa
O trabalho se desenvolve segundo a metodologia de estudo de caso que segundo GIL (2009) preserva o caráter unitário da pesquisa. O cenário é uma escola particular da zona oeste do estado do Rio de Janeiro com alunos entre 15 (quinze) e 17 (dezessete) anos que se dividem em 3 (três) turmas de primeira série do Ensino Médio e 2 (duas) turmas de segunda série do Ensino Médio. Nesta escola foi criada uma disciplina de 1 (um) tempo semanal de 50 (cinquenta) minutos onde os alunos são apresentados a temas e 'ferramentas' CTS.
O objetivo é investigar se uma disciplina, com temas e ferramentas de CTS, contribui para: uma visão mais humana da construção da ciência. Avaliar se os alunos no término da disciplina conseguem demonstrar nos questionários aplicados uma concepção de ciência longe da neutralidade e imparcialidade que lhe é característica. Queremos através das abordagens de uma Educação CTS promover o interesse dos estudantes em relacionar a ciência com aspectos tecnológicos e sociais, discutir as implicações sociais e éticas (AULER; 2007).
A disciplina é construída em módulos onde os mesmos se organizam em duas temáticas iniciais: energia e lixo. Os módulos que serão apresentados tem como base metodológica o projeto PARSEL (REIS et al., 2011) onde o mesmo é dividido em três estágios de implementação: 1) construção do cenário - neste momento o professor estabelece uma ligação entre o conteúdo discutido e suas
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implicações sociais, criando um cenário de contextualização do aprendizado e uma problemática inicial. 2) atividade investigativa baseada numa aprendizagem por resolução de problemas científicos - neste estágio os alunos são levados a desenvolver uma atividade de investigação para responder as indagações levantadas no item anterior. Nesse estágio faremos uma adaptação e aplicaremos uma controvérsia sociocientífica. Os especialistas entram frequentemente em conflito pois as controvérsias sócio-científicas não podem ser resolvidas simplesmente numa base técnica , uma vez que envolvem hierarquização de valores , conveniências pessoais , pressões de grupos sociais e econômicos, etc. (Reis; Galvão, 2005). 3) tomada de decisão sociocientífica - com base nos dados levantados e nos atores sociais identificados os alunos são levados a decidir sobre o dilema criado no estágio 1.
O principal objetivo do projeto PARSEL foi a criação de materiais (módulos), com características que permitissem ou facilitassem a adoção de novas formas de organizar o processo de ensino-aprendizagem e promovessem a alfabetização científica. O projeto envolveu 08 (oito) países (Alemanha, Dinamarca, Estônia, Grécia, Israel, Portugal, Reino Unido e Suécia) que se materializavam através de 08 (oito) universidades. Pretendia-se com o projeto desenvolver módulos com a capacidade de contribuir para o aluno encontrar um propósito no estudo das ciências e compreender a importância da ciência nas suas vidas e logo a importância de se estudar ciências.
Numa segunda etapa o projeto contou também, tentando envolver a pratica do professor, com a participação de 06 (seis) professores da educação básica que integraram a equipe junto a 02 (dois) professores que participaram da produção dos módulos. O grupo de 08 (oito) professores implementou 01 (um) módulo de sua escolha em sua escola de origem. Dados de investigação foram recolhidos assim como a percepção do professor que implementou o módulo. Na nossa pesquisa só utilizamos como base a primeira etapa, contamos com uma implementação e uma coleta particular de dados.
Preferimos por uma abordagem hermenêutica e qualitativa onde, segundo Gondim (2003), o homem é capaz de refletir sobre si mesmo e, através das interações sociais, construir-se como pessoa. Com a abordagem hermenêutica pretendemos construir a pesquisa mais perto da ciência social não importando o modelo da ciência natural, e sim criar outro que se apoia na descrição, no entendimento, na busca de significado, na interpretação, na linguagem e no discurso, gerando um tipo de conhecimento válido a partir da compreensão do significado do contexto particular, como esclarece Gondim (2003).
As duas questões apresentadas na tabela 1 compõem o questionário de captação de dados que será usado no início e no fim do curso construído com os alunos. Apesar das questões originalmente serem objetivas, as mesmas foram adaptadas do questionário desenvolvido e aplicado pelo PIEARCTS e utilizadas na forma aberta como apresenta a tabela 1.
Tabela 01: questões usadas no questionário de coleta de dados.
Questão 1 (a partir da questão 20411 do PIEARCTS)
Algumas culturas têm uma visão particular sobre a natureza e os seres humanos. Os cientistas e a investigação científica são afetados por crenças
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- O objetivo desta coleta é poder perceber como os alunos concebem o trabalho científico e como eles percebem as influências sociais nesta produção.
Para análise das questões utilizadas na coleta de dados será realizada a análise de conteúdo que segundo Bardin (1977) e Ramos (2009) permite categorizar e avaliar problemas para apontar soluções. Apresentamos a análise de conteúdos como uma alternativa a descrever e interpretar o conteúdo das questões da coleta de dados. Essa análise ajuda a reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum como ressalta MORAES (1999). Ressaltamos que essa metodologia de pesquisa faz parte de uma busca teórica e prática, com um significado especial no campo das investigações sociais.
- As respostas serão categorizadas na tentativa de agrupar dados considerando a parte comum existente entre eles. Pelo fato da pesquisa ainda se apresentar na fase inicial, ainda não temos este processo terminado. Pretendemos com essa etapa classificar por semelhança ou analogia, segundo critérios previamente estabelecidos ou definidos após a leitura e análise das respostas. Estes critérios, segundo MORAES (1999) podem ser semânticos, originando categorias temáticas. Tentaremos apresentar os dados de modo exaustivo, permitindo a inclusão de todo conteúdo significativo.
## Resultados prévios
A pesquisa se inicia enfrentando algumas dificuldades. A principal delas é o fato do professor e o pesquisador serem a mesma pessoa. Sendo assim se faz necessário um olhar mais crítico sobre os resultados, pois a análise tende a ser ainda mais parcial podendo mascarar resultados e ampliar problemas. Para minimizar este efeito o pesquisador conta com o crivo de um professor alheio à pesquisa para auxilio na categorização e enquadramento das respostas.
- O questionário já foi aplicado no primeiro momento com o objetivo de levantar as concepções sobre o papel social da ciência e do trabalho científico. Pelo fato da análise e categorização de dados ainda se encontrar em fase inicial percebemos dois posicionamentos referentes ao modo como os alunos percebem a Ciência. Os alunos colocam a investigação científica como algo superior a influências e valores sociais. É possível categorizar, inicialmente e superficialmente, as respostas em dois grandes grupos onde o primeiro afirma que a produção
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científica não está submetida à valores sociais e o segundo onde mesmo identificando estas influências eles defendem que o cientista deve estar alheio a estas interferências. Percebemos com certa facilidade que a concepção de que Ciência se constrói sem influencias sociais ou deveria ser construída assim são muito fortes nas respostas dos alunos.
Análises mais profundas estão em curso e as respostas estão em processo de categorização. Np final do ano letivo de 2012 os alunos voltarão a responder as mesmas questões com o objetivo de construir uma segunda etapa de coleta de dados com o objetivo de permitir uma investigação de uma mudança ou não de como a ciência e sua produção é vista por este grupo específico de alunos. Esperase com isso contribuir para uma investigação reflexiva sobre o papel do Ensino de Ciências se posicionando ao lado de uma perspectiva humana e participativa (CACHAPUZ et al., 2011).
Percebe-se com o inicio da pesquisa que a educação CTS apresenta uma necessidade de discussão entorno de outros aspectos que não só os objetivos do Ensino de Ciências ou o papel da Natureza da Ciência nesse universo.
- A educação CTS enfrenta visões confrontadas em assuntos tais como: o propósito das escolas, as políticas de currículo, a natureza do currículo de ciências , o papel do Professor... (AIKENHEAD; 2005).
- O estudo proposto é por acreditarmos no papel multiplicador do professor. Que os alunos chegam à escola com saberes adquiridos com suas relações sociais (FREIRE, 1996) é algo que já sabemos. O que precisamos, agora, é auxiliar este professor, que está cotidianamente construindo saberes (QUEIROZ, 2000) a relaciona-los com a capacidade de se edificar uma cultura de cidadania.
## Referências
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