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ENSINO DE CIÊNCIAS NAS SÉRIES INICIAIS: UMA INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS - BAHIA

Viviane Briccia Do Nascimento, Cândida Maria Santos Daltro Alves, Emanuela Cintia Batista, Zeneide Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
23/10/2008
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENSINO DE CIÊNCIAS NAS SÉRIES INICIAIS: UMA INVESTIGAÇÃO ÓÍÉ DIAGNÓSTICA NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS -BAHIA

## SCIENCE TEACHING IN ELEMENTARY SCHOOL: A A PRELIMINARY DIAGNOSIS IN SCHOOLS OF ILHÉUS -BAHIA

## Viviane Briccia do Nascimento 1 , Cândida Maria Santos Daltro Alves 2 , Emanuela Cintia Batista 3 , Z Zeneide Silva4 a4

1 Universidade Estadual de Santa Cruz/DCIE/Professora Assistente , viviane@uesc.br

## Resumo

O trabalho aqui apresentado refere-s-se a uma pesquisa realizada no Município de Ilhéus, Bahia, área de atuação da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), com financiamento da Universidade , e que teve por objetivo principal realizar um diagnóstico inicial sobre o Ensino de Ciências em algumas escolas da região, com a intenção de se criar mais adiante, cursos de educação continuada envolvendo as escolas pesquisadas e outras neste município e em municípios próximos. Esta pesquisa surgiu de observações que realizamos em cursos de Formação Inicial e cursos de Formação em Serviço de professores de Ciências das séries iniciais onde os mesmos relatavam informalmente não trabalhar sistematicamente com os conteúdos de Ciências em suas salas de aulas, por uma série de motivos. Assim, resolvemos investigar diretamente nos professores que atuavam em sala de aula e que estavam ligados a a escolas de educação básica do Munic ípio alguns aspectos de suas práticas, tais como: as dificuldades encontradas em relação às Ciências, práticas utilizadas, relação com a disciplina e, motivos reais que os levavam, ou não, a trabalharem Ciências em suas salas. Entrevistamos 24 professoras e percebemos com seus relatos que as mesmas apresentam ter dificuldades em relação a questões básicas do conhecimento, como o próprio conteúdo específico da área, principalmente relacionado à Física, e também desconhecem metodologias significativas de trabalho . Com a realização deste projeto, pudemos iniciar r uma integração entre as as escolas e a Universidade e a partir do mesmo, estamos planejando trabalhos de Formação em Serviço para estas professoras, buscando, acima de tudo, com que elas construam significados e práticas importantes para o o Ensino de Ciências.

Palavras -chave: Educação Básica em Ciências; Formação de professores; Pesquisa Diagnóstica; Ensino Fundamental.

## Abstract

The present paper results of a research carried out in the municipality of Ilhéus, Bahia, a region of influence of Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). The aim of this research is the accomplishment of a preliminary diagnosis on the teaching of natural sciences in schools of Ilhéus region, in order to, by following a rigorous planning, design courses for teachers in service in this context. This researched resulted of observations carried out in courses of initial education and courses for teachers in service, in which contexts teachers reported that they were not used to work with the content of natural sciences due to dififferent factors. Based on this context, we have decided to investigate teaching practices in Elementary School in Ilhéus. We have interviewed 24 teachers and noted that they presented difficulties concerning basic concepts of the discipline and little information concerning mayor teaching methodologies. The accomplishment of the investigation made possible integration between schools and the University, what contributed for the planning of courses for teachers in service, through the constant dialog and construction of significant experiences to the teaching of sciences in Elementary School.

Keywords: : teaching of science, teacher education, teachers in service; elementary school.

## Introdução e Justificativa

Como professoras de Cursos de Licenciatura (Pedagogia, Física e Biologia) da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, Bahia e atuando na formação inicial e em serviço de professores, começamos a perceber através de conversas informais alunos/professores de cursos de pedagogia (formação Inicial e formação em Serviço), que muitas vezes estes não trabalhavam a disciplina de Ciências em suas salas de aula, ou trabalhavam pouco . A partir de então, pensamos em um projeto que viesse a investigar em algumas escolas da região de maneira formal e sistematizada, alguns aspectos como: quais as práticas destes professores nestas escolas? Eles realmente não trabalham Ciências, como descrito nos relatos informais? Quais as dificuldades e problemas enfrentados por estes professores? Que aspectos seriam essenciais na formrmação inicial e/ou em serviço destes professores?

A reunião deste grupo o de pesquisa se deu pelo fato de atuarmos na Universidade com as disciplinas: Fundamentos e Metodologia do Ensino das Ciências Físicas e Biológicas; Metodologia do Ensino de Física; Educação Infantil; Estágio Supervisionado; Biologia aplicada à Educação e também Educação Ambiental. Desta forma, nos sentíamos responsáveis pela Formação destes professores, uma vez que, no caso do curso de Pedagogia, em todo o currículo , estas eram as únicas disciplinas que apresentavam um direcionamento mais direto ao Ensino de Ciências. . Sendo assim, as questões apresentadas no parágrafo anterior, nos levavam também a uma necessidade de conhecimento da realidade local a qual estávamos atuando. Críamos que não poderíamos formar professores sem saber quais os problemas e dificuldades enfrentadas por eles em relação ao ensino, quais as situações reais vivenciadas por eles em seus locais de trabalho , entre outros aspectos.

Realizando uma busca na literatura disponível sobre a formação de professores, percebemos que estes problemas são inerentes à formação do professor de Ciências e não à à região a qual estávamos inseridas. . Em um documento elaborado por educadores em Ciências em uma reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC, 2003) está relatado que nos dias atuais há ainda pouco tempo para Ciências em sala de aula e que ainda se atribui pouca relevância ao Ensino de Ciências baseado na compreensão e experimentação.

O fato é que a disciplina de ciências é é nova no contexto escolar r e com isso, a formação de professores nesta área, ainda é muito carente. Como coloca Krasilchick (1987), Ciências, como disciplina só passou a ser obrigatória no Brasil após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (L(LDB) nº 4.061/61 inicialmente nas últimas séries do Ensino Fundamental, e, apenas a partir de 1971, com a Lei n. 5.692, Ciência passou a ter caráter obrigatório nas oito séries do primeiro grau. (PCN: BRASIL, MEC, 1997). No entanto, a formação de profissionais para esse nível de ensino só passou a ser discutida e realizada posteriormente. Os conteúdos de Física estão inseridos neste contexto, porém, a formação de professores da educação básica nestes conteúdos passa também por uma série de dificuldades.

Nas últimas décadas, os currículos das disciplinas científicas sofreram intensas modificações nos vários níveis de ensino . Todo este processo de mudanças envolve até hoje diversas analises, tanto teóricas como o práticas sobre o papel das Ciências na educação. Pesquisas sobre ensino de conceitos científicos, produção de materiais didáticos , desenvolvimento de metodologias , estudos do papel da linguagem , da história e fifilosofia das Ciências no ensino, do uso de novas tecnologias , saberes essenciais aos docentes em prática e em formação , desenvolvimento de habilidades a partir de conteúdos científicos, entre outras, estão sendo realizadas em centros, porém, não podemos garantir que estas pesquisas estãtão chegando aos professores na base do processo educacional.

Outro aspecto importante a se ressaltar nesta problemática é que o professor das séries iniciais do Ensino Fundamental tem que ser especialista nas diversas áreas do conhecimento e não apenas em Ciências, e dentro das Ciências se encontra diversos conteúdos e também o conteúdo de Física, a, que geralmente é um conteúdo "mal visto" por estes professores . Isso o trás uma necessidade maior de cuidado em sua formação. Porém, não podemos pensar que todos os professores que atuam na formação básica são formados em pedagogia, como veremos no relato desta pesquisa, menos da metade das professoras entrevistadas possuíam formação de nível superior.

## Sobre a pesquisa realizada

A metodologia empregada para a realização desta pesquisa foi de uma pesquisa qualitativa. Tivemos um contato direto e prolongado com o ambiente e a situação que estaremos investigando. Tal contato e também o fato de termos estudado os problemas no ambiente em eu eles ocorrem, segundo Ludke e André, (1996), caracterizam a a pesquisa d do tipo qualitativa.

Além de ser uma pesquisa qualitativa, trata-s-se também de um estudo de caso, por amostragem, uma vez que investigamos uma determinada realidade. Também para Ludke e André, uma característica do estudo de caso é que ele visa à descoberta, uma vez que o investigador deve manter-r-se atento a novos elementos que possam imergir como importantes durante o estudo. Tal característica coloca o

conhecimento como algo não acabado, mas sim como uma construção que se faz e refaz constantemente.

Investigamos um total de 05 (cinco) escolas do Município de Ilhéus . A seleção das escolas foi feita de maneira aleatória. Na secretaria de Educação de Ilhéus, fomos guiados por uma pessoa do quadro de qualificação docente, em escolas de diferentes realidades, sendo elas:

- . Uma escola de pequeno porte no centro da cidade;
- . Uma escola periférica na zona Sul, que é assistenciada por uma ONG;
- . Uma escola de grande porte na zona a Sul, porém, não muito afastada;
- . Uma escola na zona oeste da cidade, de pequeno porte;
- . Uma escola na Zona na região rural, que é sede de mais 10 escolas.

A primeira ação do trabalho foi a de estabelecer um contato inicial com o estas escolas, ou seja, direção, coordenação e professores das séries iniciais para a verificação de uma disponibilidade em relação à participação em nosso processo investigativo. Entregamos em cada uma delas, uma cópia do projeto, para que fosse lido e analisado e também os termos de consentimento em participação da pesquisa, de acordo com os modelos do Comitê de Ética de pesquisa com sereres humanos, da Universidade. Deixamos claro nestes termos que a intenção do projeto de pesquisa era de construir um corpo de conhecimentos que seria importante para os professores da Universidade , pois o objetivo principal do mesmo não era de realizar um julgamento, mas, criar uma reflexão na Universidade como deve ser a formação do professor que atua em escolas da região, e também nos fornecer elementos que seriam importantes para o desenvolvimento de ações de extensão par estes professores. T Todo o custo d desse projeto, foi financiado pela Universidade.

No retorno às escolas, realizávamos as entrevistas. Eram entrevistas semiestruturadas, onde tínhamos algumas questões, mas que tinham um caráter aberto. Tais entrevistas foram registradas com um gravador de voz, com os professores que estavam disponíveis no momento. Em algumas escolas, tivemos que retornar diversas vezes, até conseguirmos sucesso. A maior parte das entrevistas foi realizada em horário de Trabalho pedagógico no grupo.

A intenção de tais entrevistas semi-estruturadas era de que o professor pudesse se colocar livremente sobre alguns pontos, para Ludke e André, 1986:

"Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica."

Os professores também responderam a questionários escritos, onde informavam sobre sua formação, tempo de serviço, entre outros.

Abordamos nas entrevistas e também nos questionários os seguintes aspectos:

- · Formação do professor/coordenador;
- · Tempo de atuação;

- · Cursos de capacitação que este professor/coordenador realizou;
- · Freqüência com que realiza cursos de capacitação;
- · Eventos que ele tenha participado na área de ciências;
- · Qual a importância do Ensino de Ciências para ele;
- · Freqüência com que ele trabalha Ciências;
- · Quais os conteúdos de Ciências que ele mais trabalha;
- · Aspectos da sua metodologia;
- · Dificuldades encontradas por ele em relação às ciências;
- · Problemas para realização de seu trabalho diário;

Em relação às observações, enfatizamos os seguintes aspectos:

- · Espaço na escola n no geral e para aulas de ciências;
- · Possibilidade de saída de estudo;
- · Ações na escola em relação ao Ensino de Ciências.

Os dados recolhidos nos questionários foram tabulados e analisados de maneira mais quantitativa, como colocaremos mais adiante, pois, eles apresentavam caráter mais prático e de conhecimento de quem eram esses professores.

Todas as entrevistas foram transcritas e analisadas, a partir de cada uma das categorias de perguntas que foram realizadas. Após reuniões do grupo, vimos que não era possível fazer uma classificação das respostas dos professores, pois, poderíamos nos aproximar de um julgamento. Então, resolvemos analisar as respostas dos professores com o olhar voltado para suas impressões sobre a questão feita a ela, observando quais as respostas mais freqüentes como ficará mais c claro mais adiante.

## Resultados da pesquisa

Entrevistamos um total de 24 (vinte e quatro) professoras e 03 (três) coordenadoras da rerede pública de Ilhéus através dos questionários escritos e das entrevistas semi -estruturadas. Através destes questionários, percebemos que todas as professoras trabalham com todas as disciplinas em suas salas de aula, apenas a professora de Educação Física é contratada especificamente para esta especialidade.

Quanto à formação das professoras entrevistadas (Figura 1), apenas 05 professoras (21%) possuíam formação de nível superior em pedagogia e 10 (42%) em magistério. Outras 9 (38%) não especificaram sua área de formação, porém, como foram questionadas se possuíam curso de magistério ou pedagogia, concluímos que as mesmas não tiveram formação nestas áreas, por isso, criamos uma categoria "Outras áreas ou não responderam".

Figura 1 - Formação das professoras de nossa amostra, em 2006/07 .

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Fonte: dados da pesquisa.

Em relação ão ao tempo de atuação no magistério (Figura 2), verificou-se que metade das professoras (50%) possuíaíam mais de 6 anos. Também s se percebeu que apenas uma das professoras entrevistadas trabalha durante um único período, portanto são professoras que se dedicavam exclusivamente ao magistério e por um período de tempo considerável.

Figura 2 - Tempo de atuação das professoras de nossa amostra, em 2006/07.

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Fonte: dados da pesquisa.

Quanto às escolas em que eles trabalhavavam. É interessante notar que na mesma escola, alguns professores declaravam ter biblioteca e outros não, outros declaravam ter mobiliário adequado e outros não. Entendemos que isso ia da percepção do professor sobre o que e era para ele, adequado, seja em relação à mobília ou até mesmo em relação aos os espaços.

Com isso, obtivemos os seguintes resultados:

- · 71% declararam ter biblioteca em suas escolas.
- · 71% declararam ter cantina em suas escolas.
- · 58% declararam possuir revistas para consultas dos alunos e professores.
- · 92% dos professores declararam utilizar livro didático de Ciências.
- · Apenas 1 escola visitada p possuía sala de informática.
- · Apenas 1 escola (a mesma) possuía laboratório de Ciências, mas, desativado.

- · 4 dessas escolas p possuíam hortas, onde, através de parcerias com empresas privadas, trabalhavava-se alguns conceitos como crescimento de plantas e também alimentação.

Este foi um momento relevante e de grande aprendizagem, pois, percebemos que no município não existiam apenas escolas centrais tradicionais , mas muitas escolas na região rural, que possuíam características específicas. Por exemplo, a quinta escola visitada f foi i uma escola nucleada, que possuia uma sede e outras 10 (dez) escolas ligadas a ela e afastadas uma das outras . Estas escolas possuem uma ou duas salas de aula, que abrigam alunos de diversas idades e de diversos níveis de escolaridade, e funcionam em horários especiais, pelo fato do deslocamento do professor para aquela localidade ser complicado e pelo horário em que as pessoas dormem e acordam nesta região (rural) .

É uma realidade diferenciada dentro de um país de muitos contrastes que é o Brasil. Nós, professores que normalmente somos formados em em grandes centros, não conhecíamos tal realidade e até então o formávamos professores para trabalhar num padrão conhecido por nós. Este conhecimento nos fez refletir sobre nossa atuação na formação inicial e em serviço de professores: Como trabalhar em nossas aulas com estas questões? Como criar atividades interessantes que possam abranger toda esta diversidade? É algo em que estamos trabalhando o ainda, mas que gera uma grande discussão a ser realizada em grupos na Universidade, dentro das áreas de conhecimento, assim como em grupos de pesquisa.

## As entrevistas

Conforme colocado anteriormente, procuramos destacar nas entrevistas, questões como a formação do professor e também suas práticas, com a intenção de criarmos um corpo de conhecimentos que seria importantes para nossa prática como professoras na Universidade que é direcionada para a formação de professores.

A seseguir, elencaremos os aspectos trtrabalhados nas entrevistas, colocando de forma resumida as respostas mais freqüentes às questões colocadas. É importante ressaltar que entrevistamos 24 professoras, e, desta forma, fazemos uma analise geral, procurando padrões de respostas e não analisar reresposta a resposta.

Tabela 1: Análise das respostas encontradas nas entrevistas semi-estruturadas

1 Projeto Caminhão COMCIÊNCIA, um projeto de Extensão da PROEX/UESC com apoio do MCT, que apresenta diversos experimentos de Ciências, incluindo vários sobre energia.

## Discussão dos resultados e conclusões

Em primeiro lugar, é interessante ressaltar que se tratou de uma pesquisa diagnóstica e que teve por objetivos, conhecer a realidade vivenciada por alguns professores na rede municipal de Ilhéus, em relação ao Ensino de Ciências. Não é nossa intetenção generalizar os resultados, nem de julgar as práticas dos professores ou suas respostas, , mas a de verificar tendências apontadas pelas professoras entrevistadas, assim como as necessidades e e a problemática existente na formação destes professores, no caso desta região.

Nas entrevistas , não conseguimos observar nenhum tipo de participação efetiva em cursos onde fosse discutido de maneira focada o ensino de Ciências e nem onde aspectos das didáticas das ciências fossem ressaltados, não houve nenhum relato de formação continuada especificamente nesta área. Sentimos assim que, no momento em que a pesquisa foi realizada (anos de 2006 e 2007), havia um distanciamento das as escolas que investigamos com a Universidade e outros centros de pesquisa .

Segundo os trabalhos de Gil-Pérez (1996) e Terrazan (2001), a formação continuada se apresenta como um aspecto essencial para qualquer tipo de inovação didática, ou ainda de qualquer r "reestruturação curricular mais ampla". Para Terrazan, tal formação seria uma forma de se "realizar um estudo/trabalho conjunto visando a elaboração crítica de planejamentos escolares que sustentem a implementação de inovações didático-p-pedagógicas e curriculares." " e deve ser realizada com o apoio da Universidade. Gil Pérez ainda ressalta a necessidade de se implementar r ações formativas que possibilitem que os professores se apropriarem do corpo de conhecimentos que a didátic a das ciências está construindo.

O próprio fato das professoras não participarem de formação continuada ou ainda a eventos ou congressos que trabalhem especificamente com o Ensino de Ciências, nos mostra que as mesmas não possuíam até o momento da pesquisa espaços formais para a discussão de aspectos importantes para este ensino.

Em relação aos conteúdos que estatas professoras trabalham, estão mais ligados a a higiene, alimentação, saúde, pois , segundo seus relatos são problemas vivenciados pelas professoras em suas localidades. Porém, a partir dos relatos das mesmas, adicionado ao fato que as mesmas apontam dar maior importância ia a língua materna e matemática, percebemos que o ensino de ciências não é trabalhado de maneira que venha desenvolver habilidades maiores, como por exemplo, o próprio desenvolvimento da linguagem, do desenvolvimento de habilidades presentes na investigação científica, como levantamento de hipóteses, analise de resultados, resolução de problemas, entre outros aspectos que aparecem nas pesquisas atuais sobre o Ensino de Ciências. Não significa que as professoras não trabalhem implicitamente com estes aspectos, mas, eles não se encontraram em suas falas.

O conhecimento Físico não se encontra contemplado nas séries iniciais, e é apontado pelas professoras como fontes de principais dúvidas.

Vemos, portanto, que ocorre algo parecido ao que é apontado por Carvalho e Gil -Pérez (2001): para estes autores os professores continuam tendo atitudes, idéias e comportamentos de ensino adquiridos na época em que eram estudantes e que muitas vezes, representam até mesmo obstáculos para mudanças didáticas . Percebemos que talvez a falta da implementação de propostas se deve à falta de domínio de questões básicas do conhecimento, pois as próprias professoras apontam que possuem dificuldades com conteúdos, como os contidos no bloco recursos tecnológicos e ligados à energia e também pelo desconhecimento de metodologias diferenciadas de trabalho e ainda a por r não participaram de discussões sobre a didática das ciências.

Concluímos com esta pesquisa , que há uma carência na região apontada tanto de elementos de formação inicial como também de formação continuada que se reflete nas dificuldades apresentadas pelos professores como significativas para a sua prática. Tais dificuldades não se inserem apenas no contexto local mas sim, dentro de um contexto mais geral. Desta forma, reconhecemos também que há necessidade da Universidade iniciar uma atuação mais próxima das escolas de nível básico, uma vez que age como centro de pesquisa e de divulgação do conhecimento, na verdade, algumas ações já começaram a ser criadas a partir do ano de 2008, e não apenas por este grupo de pesquisa (curso de especialização em Ensino de Ciências e Matemática e uma proposta de formação continuada para

professores de Ciências d da rede básica de Ensino, projeto na FAPESB sobre ensino de Física e outro sobre Ensino de Química). Temos o interesse também de trabalhar com atividades de conhecimento físico nas séries iniciais (Carvalho et. Al, 1998), como forma de se trabalhar a formação destes professores, há um doutoramento encaminhado neste sentido.

Como ações imediatas, tivemos que assim que as entrevistas foram realizadas, o grupo de pesquisa da universidade se encontrou e discutiu sobre possíveis mudanças de atitudes em relação a nossa prática nas salas de e formação inicial. Começamos a discutir, por exemplo, metodologias significativas presentes nas problemáticas apontadas pelos professores; discutir conteúdos apontados como os de maiores dificuldades para eles; trabalhar com metodologias que contemplassem aspectos mais amplos do conhecimento científico, também direcionando para o conhecimento Físico; ; o grupo também se dedicou a se aproximar com a pesquisa nesta área, numa tentativa de se trabalhar na formação com esta mesma metodologia, uma vez que percebemos que, no geral, as professoras entrevistadas não possuíam contato com tal pesquisa.

Já num momento inicial, percebemos que a realidade vivenciada pelas escolas era diferente também do que estávamos acostumados, conforme relatado anteriormente, sendo assim, este projeto também se traduziu como um conhecimento necessário para nossas práticas na Universidade, pois, sabemos que não poderíamos ensinar aspectos significativos se não conhecêssemos para quem ou o quê estávamos ensinando.

Portanto, tal pesquisa foi fundamental para um contato inicial da Universidade com estas escolas . Vimos que o conhecimento Físico é pouco trabalhado em aulas de Ciências nas séries iniciais, assim como os próprios conteúdos de Ciências, no geral. Ações de extensão estão sendo pensadas e devem ser implementadas também no município, partindo desta investigação e das dificuldades e necessidades que foram apontadas pelas professoras entrevistadas.

## Referências

BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências - - 1º e 2º ciclos. Brasília, MEC, 1997.

CARVALHO, A.M.P., VANNUCCHI, A.I., BARROS, M.A., GONÇALVES, M.E.R. E REY, R.C., C Ciências no Ensino Fundamental - - O conhecimento físico. . São Paulo: Editora Scipione, 1998.

CARVALHO, A.M.P.; GIL-PÉREZ, D. O Saber e Saber Fazer do Professor. In.: Castro, A.D. e Carvalho, A.M.P. (Org(s)). Ensinar a EnEnsinar: Didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, pp. 107-124, 2001.

GIL PÉREZ, D. Orientações Didáticas para a formação Continuada de Professores de Ciências. In: MENEZES, L.C. (org.). Formação continuada de Professosores de Ciências no contexto ibero -americano. Campinas: Autores Associados; São Paulo: Nupes, 1996, pp 71-81.

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KRASILCHICK, M. C. A Formação Continuada de Professores de Ciências: Percepções a partir de uma experiência. Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/a\_formacao\_continuada.asp.&gt; Acessado em

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LUDKE, M. e ANDRÉ, E.D.A. P Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. . São Paulo: EPU, 1986.

SBPC (2003). Os 20 maiores problemas a enfrentar p para melhorar o ensino de ciências no Brasil. Disponível em:

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=11292 . A Acessado em: 07/08/2007.

TERRAZZAN, E.; CHAVES, T.V.; HERNÁNDEZ, C.C. Currículo e Mudança didática em sala de aula: acompanhando a prática pedagógica de professores em serviço . Atas do VII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. Florianópolis, CD-ROM, março 2000.

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