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Articulação Investigação-Práticas - Conquistas e desafios dos Eventos Científicos

Eliane Cruz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
23/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ARTICULAÇÃO INVESTIGAÇÃO-PRÁTICAS CONQUISTAS E DESAFIOS DOS EVENTOS CIENTÍFICOS

## Eliane de Souza Cruz 1

1 Colégio Bartolomeu Dias, ecruz@ua.pt

## Resumo

Este trabalho enquadra-se na linha de pesquisa 'Articulação da Investigação em Didática das Ciências (IDC) e Práticas de Ensino dos Professores de Ciências' desenvolvida em Cruz (2012) no âmbito do Doutoramento em Didática e Formação concluído na Universidade de Aveiro - Portugal.

A finalidade deste artigo é fomentar a discussão sobre a Articulação entre a IDCPráticas neste simpósio pelo facto dos eventos científicos serem considerados espaços coletivos privilegiados para a disseminação de conhecimento, partilha de experiências e formação continuada de Professores.

Primeiramente, descreve-se referencial teórico da análise assente no conceito 'articulação' apropriado para fins educacionais que implica uma relação bilateral entre a Investigação ↔ Práticas, traduzida pela influência da Investigação/investigadores nas Práticas/práticos, mas também das Práticas/práticos na Investigação/investigadores.

Faz-se uma análise das vertentes da Prática dos Professores do Ensino Superior e não-Superior, constatando-se que a não regulamentação da Prática investigativa como prática profissional dos Professores do Ensino não-Superior e as diferentes conceções sobre a sua natureza são os maiores constrangimentos para a potenciação da articulação entre IDC-Praticas.

Posteriormente, apresenta-se uma investigação empírica de natureza descritiva que incidiu na análise das barreiras epistemológicas e culturais da articulação entre a IDCPráticas evidenciadas no contexto de um evento científico.

Palavras-Chave: Articulação, Investigação, Prática e Eventos Científicos.

## Introdução

- O conceito 'articulação' tem sido utilizado indiscriminadamente pelas comunidades da investigação e da ação como sinônimo de interações, contacto, aproximação, impacte, etc., o que acabou esvaziando-o do seu verdadeiro significado.

A este propósito, os primeiros modelos de 'articulação' investigação-ensino (Cachapuz, 1997; Costa, 2003; Stevens, 2004; Cruz, 2005; Cruz, Pombo & Costa, 2008) restringiram-se fundamentalmente ao impacte da IDC nas Práticas e não à articulação.

A 'articulação' é entendida como um processo complexo operante em várias dimensões (epistemológica, ontológica, estratégica, política, etc.) e, portanto, mais amplo do que o de 'impacte' (o qual envolve exclusivamente a dimensão epistemológica). Ou seja, nem todos os processos de impacte envolvem a articulação, mas a articulação inclui necessariamente o impacte mútuo. Poderíamos dizer que a articulação implica uma relação bilateral entre a Investigação ↔ Práticas nestas dimensões, traduzida pela influência da Investigação/investigadores nas

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20 a 25 de janeiro de 2013

Práticas/práticos, mas também das Práticas/práticos na Investigação/investigadores (Cruz, 2012).

O modelo de articulação entre a Investigação educacional e as Práticas dos Professores de McIntyre (2005) foi apropriado por Cruz (2012) para o contexto específico da Didática das Ciências/Física. Apesar de este modelo priorizar a dimensão epistemológica (que aceita o gap entre a Investigação e Práticas pela impossibilidade epistemológica do seu total desaparecimento), na sua apropriação foi considerada a influência das outras dimensões. Importa destacar que esta apropriação, que será descrita a seguir, assentou numa visão moderada de articulação.

## Descrição do trabalho desenvolvido

Na apropriação deste modelo foram propostos três caminhos epistemológicos complementares para a articulação entre a IDC-Práticas, a saber: 1º) Interações entre Didática Investigativa - Didática Profissional; 2º) Utilização de estratégias na IDC especialmente desenhadas para informar as práticas de ensino; e 3º) Realização de IDC pela escola.

Em cada um destes caminhos, Cruz (2012) enquadrou sugestões e iniciativas já concretizadas para potenciar o impacte e/ou articulação e que se encontravam referenciadas na literatura em geral e no contexto português em particular.

- O primeiro caminho 'Interações entre Didática Investigativa - Didática Profissional' (composto por cinco etapas) evidenciou-se como aquele que leva a maior vantagem pelas inúmeras intervenções possíveis. Envolve 5 etapas:
- i. Pólo Didática Investigativa em direção às sugestões práticas de ensino das Ciências;
- ii. Disseminação da IDC junto à comunidade dos práticos;
- iii. Pólo Didática Profissional em direção à teorização da prática;
- iv. Diálogos entre 'didática investigativa voltada à prática' e 'didática profissional sistematizada e informada pela IDC';
- v. Investigação sobre a prática de ensino com generalização situada.

Importa referir que estas etapas são sequenciais; contudo, é praticamente impossível estabelecer fronteiras precisas entre as mesmas e, por vezes, duas etapas podem operar conjuntamente.

No que diz respeito ao 2º caminho 'Utilização de estratégias na IDC especialmente desenhadas para informar as práticas de ensino', é aquele em que a comunidade académica mais tem investido, quer pelas críticas voltadas especificamente para a investigação, quer pelo sucesso na potenciação do impacte nas propostas até agora implementadas. Este caminho deve ser utilizado de forma complementar ao 1º, envolvendo, de preferência, os Professores que percorrem frequentemente o 1º caminho na sua prática diária. Esta condição justifica-se pela

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necessidade de se integrar legitimamente os Professores nas equipas de investigação, aumentando concomitantemente a contribuição das Práticas para a construção de conhecimento no campo educacional.

As estratégias sugeridas são, por exemplo, os projetos investigativos individuais de Professores no contexto da Formação Pós-Graduada e as parcerias entre Investigadores e Professores do Ensino não-Superior (redes e comunidades de aprendizagem e de práticas).

- O 3º caminho a ser percorrido para a articulação entre IDC-Práticas de Ensino de Física é aquele que ainda não pode ser concretizado porque, para as Escolas serem diferentes das atuais na dimensão epistemológica (tornando-se produtoras de conhecimento didático), seriam necessárias medidas estruturais e articuladas nas várias dimensões acima referidas. Entretanto, foram apontadas algumas soluções como, por exemplo, a utilização de investigações de generalização situada nas Escolas e a ligação das Escolas em redes. Estas investigações locais não substituiriam, mas mobilizariam a IDC produzida nas Universidades (centradas na construção do campo Didática das Ciências/Física) o que confirma a tal visão moderada de articulação proposta.

Face à vastidão do trabalho original (Cruz, 2012) e complexidade inerente ao conceito, não detalharemos os três caminhos acima referidos para mantermos o foco nos 'novos desafios dos encontros científicos'. Assim, partiremos da análise da natureza da prática investigativa em direção às barreiras epistemológicas e culturais para a articulação entre a IDC-Práticas evidenciadas na investigação empírica.

A natureza da prática investigativa dos Professores em contexto académico deve ser explicitamente definida, de forma a evidenciar à partida o tipo de generalização.

Importa esclarecer o nosso entendimento sobre práticas. A Prática dos Professores de Ciências/Física no Ensino não-Superior possui 3 vertentes:

- 1. Maioritariamente Prática no ensino das Ciências formal e não-formal;
- 2. Prática 'escolar' junto aos pares, grupo disciplinar, etc.;
- 3. Prática educativa junto a comunidade educativa (elaboração manuais, orientações curriculares, gestão das escolas, etc.)

Deveriam ser 4 vertentes, a não inclusão da Prática investigativa resulta do fato de não ter sido ainda regulamentada como integrante da prática profissional dos Professores deste nível de ensino. Considerar esta vertente investigativa já incorporada revelaria um avanço na articulação ilusório (carregado de 2ª intenções) pelo facto de atualmente ser de natureza formativa e esporádica para a maioria dos Professores.

Além disso, persistem diferentes conceções sobre a natureza das investigações realizadas por Professores em ambas as comunidades, entendida ora como processo cognitivo (para o desenvolvimento profissional dos professores), ora como prática social (para construção de conhecimento no campo da Didática).

Relativamente à Prática dos Formadores de Professores de Ciências no Ensino Superior, é maioritariamente prática investigativa e prática de ensino para

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este nível ou Prática formativa - lembrando que envolve o ensino de várias unidades curriculares da Formação de Professores de Ciências.

Num quadro articulador, sugere-se aos Professores, numa fase inicial, a realização de investigações de generalização situada (inclui as investigações sobre a prática, sobre a Escola, sobre os alunos de uma Escola, etc.) condicionados por critérios de validação profissional. Entretanto, alerta-se ao facto dos resultados serem mais apropriados à comunidade escolar local em que foi realizado o estudo do que à comunidade académica em geral pelo não cumprimento do critério generalização externa (um dos importantes critérios de avaliação da qualidade da Investigação educacional). Neste ponto, chama-se a atenção à importância de 'encontros/eventos científicos locais/situados' para a disseminação dos produtos destas investigações.

Aconselha-se que os demais estudos sejam realizados num segundo momento (após a conclusão de um primeiro momento formativo). Os próprios Professores e os respetivos produtos constituem-se naturalmente agentes ligantes da Investigação-Práticas, portanto, devem ser sensibilizados para a necessidade de disseminação através da divulgação junto da comunidade académica e das três etapas (transmissão/divulgação - mediação - transferência) junto da comunidade escolar.

No que diz respeito à investigação empírica, o objeto de estudo foi o colóquio dos bolsistas 'Da Investigação à Prática: Interações e Debates' organizado pelos bolsistas de Investigação Científica do Departamento de Didática e Tecnologia Educativa (DDTE) na UA em 2008.

- O Colóquio tinha como objetivos: (i) potenciar a articulação entre a investigação educacional, a inovação e as práticas profissionais; (ii) estabelecer diálogos e interações entre investigadores da UA e Professores das escolas de Ensino Básico e Secundário; e (iii) promover a criação e o estreitamento de redes de colaboração entre a UA e as escolas.

Para tal, foram apresentadas exclusivamente investigações em curso e resultados de outras já concluídas (desenvolvidas exclusivamente por bolsistas da UA) sob a forma da descrição de experiências em contexto investigativo e/ou escolar em vários domínios disciplinares e a apresentação de materiais didáticopedagógicos. Os trabalhos foram apresentados em vários formatos: sessão plenária, conferências, comunicações, oficinas/ateliers de formação e posters.

Este Colóquio envolveu um total de 267 participantes, sendo que a maior parte (184) eram Professores de Ensino Fundamental e Médio (Básico e Secundário).

A autora deste estudo envolveu-se na avaliação do colóquio, realizada pelo Laboratório de Avaliação da Qualidade Educativa (LAQE) 1 , que resultou inclusivamente numa publicação (Pombo, Simões, Cruz & Costa, 2008). Considerase, assim, que o seu perfil de avaliadora lhe conferiu legitimidade para esta análise detalhada em Cruz (2012).

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O processo avaliativo foi efetuado em duas fases. Na 1ª fase (no decorrer do colóquio) foram efetuadas entrevistas aos participantes em vários momentos e feitas observações do evento com gravação áudio e vídeo. Na 2ª fase (final do colóquio) foi aplicado um inquérito por questionário a todos os participantes.

## Resultados obtidos

Destacam-se a seguir apenas os resultados de 190 questionários (Q) centrados na articulação entre a Investigação e Práticas.

Os indicadores de impacte da Investigação nas Práticas integraram 56 u.r. (unidades de registo) conforme os excertos abaixo:

(Q24) 'levar o conhecimento acerca dos estudos feitos aos professores'.

(Q33) 'conhecer a importância da investigação'.

(Q69) 'proporcionou contacto com a investigação sobre as práticas'.

Entretanto, os indicadores centrados no impacte das práticas na Investigação estiveram presentes em apenas 11 u.r, tais como:

(Q179) 'identificar os problemas do quotidiano do professor como objeto de investigação'.

(Q42) 'compreender quais as necessidades dos docentes em relação à investigação'.

- (Q111) 'oportunidade de obter feedback dos professores em relação à investigação realizada'.
- (Q129) 'possibilidade de interagir e debater com os professores das escolas'.
- (Q169) 'diálogo estabelecido entre investigadores/professores que enriquece o trabalho da investigação'.
- (Q84) 'abertura ao território das práticas letivas (num espírito dialógico de trocas e adequabilidade)'.

(Q14) 'mostrar que os professores são investigadores'.

(Q125) 'possibilitar o estreitamento de relações entre professores e investigadores (plantar em alguns professores a "semente" que leve a uma maior participação em investigações académicas)'.

Salienta-se que as respostas abertas revelaram alguma dificuldade em verbalizar 'o significado de impacte das Práticas na Investigação' comparativamente ao 'impacte da Investigação nas Práticas', justificando as diferenças quantitativas 56 u.r versus 11 u.r, mas também o facto de que o colóquio privilegiou à partida o impacte da Investigação nas Práticas, ao ter priorizado a submissão de trabalhos por parte de bolsistas-Investigadores e bolsistas-Professores (maioria sem experiência profissional no Ensino Fundamental e Médio). Importa esclarecer que os Professores não-bolsistas participaram 'ativamente' neste colóquio como moderadores das comunicações e observadores das oficinas, tendo posteriormente

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integrado uma sessão plenária voltada para uma reflexão global e coletiva sobre os trabalhos apresentados.

- O contributo da prática para a investigação evidenciou-se maioritariamente no fornecimento de problemática a ser investigada pelos investigadores (Q179, Q42), como forma de obter feedback dos Professores sobre as investigações (Q111) e maior contacto/diálogo com quem está no terreno (Q129, Q169, Q84). Entretanto, alguns participantes perceberam que alguns Professores atualmente estão envolvidos na Investigação (Q14) e outros revelaram-se como apologistas de uma participação mais ativa dos Professores nas investigações (Q125).

Apresentam-se algumas sugestões proferidas pelos participantes para futuros encontros científicos para potenciar a articulação entre Investigação-Práticas: (i) a abertura deste tipo de evento para os Professores apresentarem também trabalhos (14 u.r.); (ii) a existência de mais trabalhos a versar o impacte das práticas na investigação e não tanto da investigação nas práticas (21 u.r.); (iii) aumentar o número e extensão das oficinas, por serem de caráter mais prático, evitando a sobreposição de horários, por serem de especial interesse dos Professores (14 u.r.); e (iv) continuidade de eventos centrados na articulação entre Investigação-Práticas (12 u.r).

- A primeira sugestão justifica-se pelo reconhecimento dos participantes de que é necessário uma participação mais ativa dos Professores quando se pretende potenciar a articulação, conforme se verifica nos excertos (Q108, Q111) abaixo, caso contrário privilegia-se o impacte da IDC nas Práticas.

(Q108) 'sugiro numa próxima edição a divulgação de trabalhos de investigação (em curso ou não) de profissionais (professores) que também se encontrem a lecionar'.

(Q111) 'apresentação por professores não envolvidos em investigação "formal" de reflexões sobre os problemas que a sua prática lhes tem colocado e que gostariam de ver investigados'.

A opção do colóquio em priorizar a submissão de trabalhos por parte de bolsistas justificou-se pela necessidade sentida pelos mesmos em Portugal de um maior reconhecimento do seu contributo pela comunidade educacional (académica e escolar). Entretanto, acabou por revelar claramente a forma como a barreira ontológica entre as comunidades é perpetuada ao longo das gerações (atualmente pelos 'aprendizes de investigadores') com reflexos nas respetivas epistemologias da investigação e da ação revelado na questão da coautoria (Q146).

(Q146) 'envolver mais professores no programa do colóquio haver mais trabalhos de investigação em coautoria'.

Salienta-se que muitos Professores que participaram no colóquio poderiam ter apresentado: (i) aplicações da Investigação nas Práticas resultante das parcerias (Q164); (ii) relatos sobre a sua própria prática/experiência concretas na sala de aula (Q130); e (iii) trabalhos desenvolvidos em projetos investigativos individuais (Formação Pós-Graduada) que teriam evidenciado o impacte das Práticas na Investigação e a importância das Investigações para as Práticas dos Professores da comunidade local/Aveiro em que a maioria foi realizada:

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(Q164) '...Sugiro uma maior abertura do colóquio aos professores que efetivamente estão aplicar o resultado das investigações nas escolas e com os alunos. Proponho para um novo colóquio que sejam convidados professores que tenham desenvolvido ferramentas teórico-práticas e que estejam aplicá-las na escola, quais os resultados obtidos e como é que os restantes professores podem adquirir e aplicar essas mesmas ferramentas'.

(Q130) 'gostaria de sugerir que num encontro futuro, os professores das escolas fossem convidados a apresentar algumas coisas que fazem nas suas aulas, estratégias que aplicam, dificuldade que sentem…'.

Os excertos abaixo, que integraram as sugestões, vão no sentido de se superar vários dos constrangimentos na articulação entre Investigação-Práticas anteriormente descritos, como, por exemplo, reduzido impacte das Práticas na Investigação (Q114), a hierarquização do conhecimento teórico dos académicos face ao conhecimento prático dos Professores (Q60i), conceção dos próprios Professores de que a produção de conhecimento é de responsabilidade dos investigadores experientes (Q85, Q89) e que os Professores são apenas utilizadores dos produtos na escola (Q15, Q27), dinâmicas de divulgação (conferências em anfiteatro) dificultam a maior aproximação entre os intervenientes (Q24, Q17) e necessidade de diferenciação dos trabalhos em projetos em curso e finalizados (Q97 e Q98).

(Q114) 'mais trabalhos a versar o impacte das práticas na investigação para haver mais equilíbrio e não ser tanto só da investigação à prática'.

- (Q60i) 'que se desça mais ao nível da escola dos alunos, sejam mostradas os materiais aí utilizados (não só os percursos)'.

(Q85) 'Para um colóquio deste género deviam ter sido mobilizados estudos e investigadores mais experientes, quer ao nível investigativo, quer ao nível pedagógico'.

(Q89) 'que os investigadores com mais experiência em investigação participem mais neste colóquio, em intercâmbio com quem está a iniciar'.

- (Q15) 'aos professores na sua generalidade não interessa muito 'como' é que se faz investigação, mas interessam bastante os resultados mais práticos dessa mesma investigação'.
- (Q27) 'faltaram trabalhos apresentados mais centrados na investigação e ação desta investigação na prática-sala de aula [entendemos que quis dizer 'investigação-ação']. … Grande parte de investigações que ainda estão a decorrer, por um lado trazem vantagens, mas por outro lado, nós-professores não ficamos conscientes dos materiais didáticos realizados pelos investigadores e que só terão sentido quando aplicados na sala de aula'.

(Q24) 'ainda continua a haver muita distância entre os investigadores teóricos e os professores das escolas-prática. Num grande anfiteatro é difícil haver intercâmbio, em grupos mais pequenos o intercâmbio seria mais facilitado e produtivo'.

- (Q17) 'a realização futura de encontros científicos deste género deverá privilegiar momentos de prática (oficinas, workshops, etc.) em detrimento de momentos demasiado expositivos. Uma das expectativas dos docentes em relação a este colóquio era a partilha …'

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(Q97) ' necessidade de maior explicitação da temática em subtítulo de forma, nomeadamente, a marcar a diferença entre projetos em lançamento, projetos em aplicação, balanço de projetos e conferências de âmbito científico'.

(Q98) 'o formato de apresentações de trabalhos de doutoramento deve ser para um público mais específico. Muitos trabalhos só no início sem resultados. Melhorar a seleção ou articular com projetos concluídos'.

## Considerações Finais

Após o avanço conceptual da problemática articulação em Cruz (2012), o balanço final deste Colóquio, tendo como base os três objetivos do mesmo, foi diferente do artigo 'Avaliação do Colóquio' (Pombo, Simões, Cruz & Costa, 2008).

Consideramos que o 1º objetivo centrado na articulação entre InvestigaçãoPráticas não foi de todo atingido pelas barreiras epistemológicas e ontológicas acima referidas. O facto de a articulação ter sido o ponto positivo mais referido pelos participantes confirma a fragilidade conceptual em torno da temática articulação por parte de ambas as comunidades já referida neste artigo.

Relativamente ao 2º objetivo (diálogos entre Investigadores-Professores), temos alguma reserva pelas críticas ao excesso de momentos expositivos.

E, finalmente, o 3º ponto (redes de colaboração entre UA-Escolas), é inquestionável que as sementes da importância da partilha e articulação entre a Investigação e as Práticas/ações foram plantadas nos participantes pelas evidências recolhidas na avaliação e devem ter dado certamente frutos na criação de parcerias e novos projetos individuais e institucionais.

Salienta-se que o facto de alguns projetos estarem ainda em fase de desenvolvimento, considerado pelos Professores como um dos pontos negativos do Colóquio, é evidência de que a estratégia de se incluir a Comunidade Escolar local ainda na fase de produção do conhecimento educacional, com vista a uma maior articulação entre Investigação-Prática, não foi de todo compreendida pelos participantes Professores e, eventualmente, pelos próprios bolsistas-organizadores do colóquio. Além disso, o papel dos eventos enquanto espaço de validação (interna e externa) do conhecimento produzido é mais facilmente aceite pela comunidade académica do que pela escolar.

Neste sentido, sugere-se que os Professores sejam sensibilizados atempadamente da importância dos eventos científicos envolverem a comunidade escolar na fase de produção mediante a antecipação e ampliação da validação segundo os critérios relevância prática, aplicabilidade e utilidade. Contudo, esta sensibilização deve vir acompanhada de uma mudança nos próprios eventos científicos mediante a criação de espaços e momentos exclusivos com estratégias específicas que possibilitem uma discussão aprofundada das investigações educacionais em curso como forma de melhoria contínua da sua própria qualidade.

Se neste momento o leitor (Investigador e/ou Professor) está deveras intrigado, por vezes, incomodado e a se questionar sobre o impacte da Investigação na Prática dos Professores e das Práticas na Investigação, a finalidade deste artigo foi alcançada.

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## Referências

Cachapuz, A., (1997), 'Investigação em Didática das Ciências em Portugal: um balanço crítico' , In Pimenta, S. G. (Org.) Didática e Formação de Professores: percursos e perspetivas no Brasil e em Portugal, p. 205-240, São Paulo, Cortez Editora.

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Costa, N. (2003). A Investigação Educacional e o seu impacte nas práticas educativas : O caso da Investigação em Didática das Ciências. Lição Síntese das Provas de Agregação não publicada (Grupo 2, Sub-Grupo Educação). Universidade de Aveiro.

Cruz, E. (2005). Avaliação do Impacte de Cursos de Mestrado nos Professores-Mestres - O desenvolvimento do Pedagogical Content Knowledge de Professores de Ciências Físico-Químicas. Dissertação de Mestrado em Ensino da Física e da Química, Universidade de Aveiro, Portugal. Publicação no site do Projeto SinBad http://biblioteca.sinbad.ua.pt/Teses/2007000099

Cruz, E., Pombo, L., & Costa, N. (2008). Dez anos (1997-2007) de evolução do impacte da Formação Pós-Graduada nas Práticas de Professores em Portugal. RBPEC/Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , 8(1). Publicação no site http://www.fae.ufmg.br/abrapec/revista/index.html - da ABRAPEC/Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências.

McIntyre, D. (2005). Bridging the gap between research and practice. Cambridge Journal of Education, 35(3), 357-382.

Pombo, L., Simões, A.R., Cruz, E., & Costa, N. (2008). Da Investigação às Práticas: um primeiro balanço do Colóquio. Em Atas do Colóquio Da Investigação à Prática: interações e debates , realizado no Departamento de Didática e Tecnologia Educativa da Universidade de Aveiro, nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2008. Artigo publicado no link Avaliação em: http://www.dte.ua.pt/PageText.aspx?id=6808

Stevens, R. (2004). Why do educational innovations come and go? What do we know? What can we do? Teaching and Teacher Education , nº20, pp. 389-396.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

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