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A PARTICIPAÇÃO DA FÍSICA NA FORMAÇÃO DE TECNÓLOGOS: um retrato do campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Ivan Meskauskas Gneiding, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
23/01/2013
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PARTICIPAÇÃO DA FÍSICA NA FORMAÇÃO DE TECNÓLOGOS: um retrato do campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná

## Ivan Meskauskas Gneiding¹ * , Nilson Marcos Dias Garcia²

¹UTFPR-DAFIS, ivangneiding@gmail.com ²UTFPR-DAFIS/PPGTE e UFPR-PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## Resumo

Este trabalho relata um estudo que investigou o papel e a importância da Física nos Cursos Superiores de Tecnologia, tendo como base o Campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), instituição considerada referência em educação técnica e tecnológica no Brasil. Partindo da premissa de que a Física tem grande importância para, ao menos, proporcionar bases técnicas e científicas aos estudantes, mas que ela pode, além disso, ter papel fundamental na formação geral, esta pesquisa procurou mostrar as relações entre a Física e a formação de tecnólogos nos cursos investigados. Fundamentando-se nos trabalhos de Fonseca (1986) e Garcia (1995 e 2000), buscou-se, através de pesquisa documental, evidenciar a presença de conceitos de Física nas propostas de ensino das escolas de formação profissional, desde as Escolas de Aprendizes Artífices até o surgimento da educação tecnológica de nível superior. Tomando como fontes documentos oficiais da UTFPR e relatos concedidos em entrevistas pelos(as) seus(suas) coordenadores(as) e professores(as), foi possível constatar, no momento atual, a presença da Física nos cursos investigados, assim como analisar o contexto em que essa disciplina se insere, sua importância e seus papéis em cada um deles. Os resultados apontaram que conceitos de Física se fazem mais presentes do que os documentos indicam, e têm participação em diversos níveis, desde ser considerada uma simples ferramenta ou mesmo um conhecimento geral, até fazer parte da estrutura do curso, representando forte base sobre a qual ele pode ser organizado, contribuindo, assim, de forma diversa, em carga horária e conteúdo. Mesmo em cursos em que se faz pouco presente, a Física desempenha um papel de relevante importância, dando condições de compreensão científica, técnica e tecnológica aos estudantes, e proporcionando o estabelecimento de raciocínios fundamentais para compreensões tanto acadêmicas quanto profissionais, ou ainda pessoais e sociais.

Palavras Chave: Curso superior de Tecnologia; Formação profissional; Ensino de Física.

## Introdução

Existindo mais de 1800 Cursos Superiores de Tecnologia em todo o Brasil, ofertados entre instituições privadas e públicas, a presente pesquisa, que fez parte de um trabalho mais amplo, buscou evidenciar os papéis e a importância da Física escolar para esse ramo da educação. O estudo foi feito buscando contemplar diversos aspectos, dentre outros, as relações interdisciplinares, o perfil profissional de conclusão, as matrizes curriculares e a organização dos cursos. Por motivos de prazo e geográficos, a pesquisa foi delimitada restringindo-a aos cursos oferecidos pelo campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, universidade

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20 a 25 de janeiro de 2013

pública de tradição reconhecida no campo da formação técnica e tecnológica.

A investigação objetivou a busca de elementos que possam fornecer pistas sobre a importância e os papéis da Física na formação de tecnólogos e as informações foram obtidas nos documentos oficiais relativos aos Cursos Superiores de Tecnologia, nos sites oficiais e através de entrevistas com os(as) coordenadores(as) dos respectivos cursos e alguns(mas) professores(as), e nas legislações pertinentes.

Foram tomados como objeto de investigação os cursos oferecidos pelo campus, cursos esses que têm duração de 2400 a 3000 horas distribuídas entre cinco ou seis períodos semestrais.

Analisar a importância da Física para um ramo específico da Educação Superior, a Tecnológica, implica, de certa forma, verificar a sua importância para o mundo do trabalho, já que os tecnólogos constituem um considerável contingente de profissionais que irá atuar nas mais diversas áreas da produção.

## Educação Superior de Tecnologia: um breve retrato

A organização da educação profissional no Brasil tem sido, desde a primeira metade do século XIX, caracterizada como aquela cujo objetivo maior é proporcionar ofícios a pessoas desfavorecidas pelas condições econômicas e sociais. As instituições dessa modalidade de ensino tinham por objetivo retirar crianças das ruas e proporcionar-lhes conhecimentos e habilidades técnicas, que acabavam por formar mão de obra de baixo custo e baixo valor científico agregado.

Em 1909, o então presidente da República Nilo Peçanha, através do decreto 7.566, deu início ao que se transformaria na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, criando dezenove Escolas de Aprendizes e Artífices, situadas principalmente nas capitais do país. Essa foi entendida como a primeira manifestação formal do ensino profissional no Brasil no âmbito federal, e, a exemplo das anteriores, também se destinava aos 'desfavorecidos da fortuna'.

É da primeira metade da década de 1960 que datam os momentos embrionários dos cursos de tecnologia, que seriam oferecidos pelas mesmas instituições que ofertavam os cursos de educação profissional. Em 1961, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei N°4.024), ficou possibilitada a criação de cursos experimentais com currículos e métodos próprios, os quais abrem as primeiras portas para o nascimento de cursos de tecnologia (MACHADO, 2008). No final dessa década, em 1969, foi promulgado o Decreto n° 547 que autorizou a organização e o funcionamento de cursos profissionais superiores de curta duração, que foram ofertados pelas então Escolas Técnicas Federais.

Tais cursos, de nível superior, surgiram devido ao crescimento e implantação de diversas indústrias durante o período do 'milagre econômico' no Brasil, que necessitavam de grande quantidade de mão de obra especializada, de qualidade e no menor tempo possível. Tinham por objetivo uma formação diferenciada,

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obviamente mais profunda que a exigida do técnico industrial, mas mais focada no produto, diferentemente daquela da engenharia, voltada para a concepção. Outra característica dos cursos seria a sua flexibilidade no perfil formativo, que deveria acompanhar as demandas da produção.

Uma iniciativa significativa para a consolidação dessas propostas de organização de novas trajetórias profissionais foi a criação dos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs), em 1978, quando foi sancionada, pelo então presidente Ernesto Geisel, a lei 6.545. 'Nasceram' então os CEFETs, já com a possibilidade de ofertar cursos Superiores de Tecnologia, os até então chamados cursos de Engenharia de Operação.

Especificamente no Paraná, entre os anos de 1986 e 1995 houve ampliação do CEFET-PR através de injeção de recursos do governo com o Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Técnico, ocorrendo grande crescimento da instituição. Com isso, o número de matrículas referentes ao Ensino Médio e técnico cresceu substancialmente. Em todo o estado do Paraná, entre os anos de 1995 e 1999, o número de estudantes matriculados aumentou de 280 mil para 400 mil (ROMANO, 2000) e, no âmbito de políticas de disponibilização de vagas de Ensino Superior, foram implantados diversos Cursos Superiores de Tecnologia no CEFETPR.

Essas ações, relacionadas à Educação Superior Tecnológica, provocaram a grande expansão da educação profissional e tecnológica que ocorreu em todo o Brasil, não somente na instituição estudada, mas também em outras instituições, tanto públicas quanto privadas.

Os dados numéricos mais significativos da expansão dos Cursos Superiores de Tecnologia em todo o Brasil ocorreram entre as décadas de 1990 e 2000. Jaime Giolo (2006), em um trabalho que apresenta a expansão da educação tecnológica entre os anos de 1994 e 2004, mostra que no primeiro ano citado havia 261 cursos de tecnologia ofertados em todo país; até o ano de 2002 esse valor praticamente triplicou, sendo ofertados 636 cursos; já em 2004, ou seja, dois anos depois, o número de cursos oferecidos quase triplicou novamente, passando a 1804. O quadro a seguir mostra esses e outros dados significativos que explicitam essa enorme expansão da educação tecnológica ocorrida no Brasil entre 1994 e 2004 : 1

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Quadro 1: Números da expansão da educação tecnológica entre os anos de 1994 e 2004.

A grande expansão da educação tecnológica mostra sua importância para a economia e para a sociedade brasileira. Uma análise dos documentos oficiais e de fatos históricos que regem a educação profissional e tecnológica, desde sua formação inicial até a atualmente estabelecida, mostra que ela antes era destinada a proporcionar ofícios a pessoas de classes sociais desfavorecidas, dando-lhes uma oportunidade de trabalho. Com a educação tecnológica bem estabelecida, esta passou a buscar, pelo menos em suas legislações, uma formação mais ampla, buscando proporcionar também habilidades sociais diversificadas, atingindo um segmento social distinto daquele anteriormente beneficiado.

A Educação Tecnológica de nível superior, por ter suas bases fortemente ancoradas ao mundo do trabalho, tende a acompanhar os movimentos ocorridos nas mudanças das formas de produção que ocorreram e ainda ocorrem. Entretanto, mesmo estando imbricada ao mundo do trabalho, não visa simplesmente à formação de trabalhadores com habilidades manuais, como era o caso dos antigos cursos profissionais, mas sim de trabalhadores e cidadãos preparados para a vida, e não somente no âmbito profissional.

Ela visa, então, a formação de um profissional plenamente apto ao ingresso no mundo do trabalho, e também um cidadão que seja capaz de obter sucesso em suas relações sociais, uma vez que esta formação se compromete não apenas com o aprendizado de conteúdos e 'das diferentes linguagens, mas também com a formação de competências sociais' (GRINSPUN, 1999, p. 63).

## Obtenção dos dados

Para atingir os objetivos a que esta pesquisa se propôs, foi necessária a leitura e análise de documentos institucionais oficiais dos cursos, tais como as suas matrizes curriculares, as ementas das disciplinas e/ou seus planos de ensino, que forneceram elementos para obtenção das informações primordiais a respeito de como a Física aparece nos cursos e qual seu papel e importância para eles.

As matrizes curriculares dos cursos contêm informações gerais sobre as disciplinas constituintes do curso, como código da disciplina, unidade curricular (nome da disciplina), carga horária semanal e os períodos em que são ofertadas. Contudo apresentam somente dados superficiais e nenhuma informação aprofundada a respeito dos mesmos, sendo necessária uma busca por mais detalhes em outros documentos. Isso conduziu a pesquisa à análise dos ementários

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ou organização curricular por competências, que trazem informações de cada uma das disciplinas fornecendo as chamadas bases tecnológicas (as ementas propriamente ditas), que explicitam os conceitos que nelas serão estudados, além de outras informações que as matrizes não apresentam. Todos esses documentos foram conseguidos nos sítios de internet oficiais dos cursos ou junto às secretarias dos mesmos.

Complementando essa etapa da pesquisa, foram também consultados demais documentos, federais, referentes às legislações para a educação nacional tendo como foco os Cursos Superiores de Tecnologia.

O processo de análise documental deixou claro que as informações obtidas, apesar de necessárias para a contextualização do problema investigado, não trariam as respostas às perguntas da pesquisa com a densidade esperada. Como 'frequentemente, o método mais simples e mais econômico para obter 'fatos' é procurar diretamente as pessoas que estejam em condições para conhecê-los, e a eles pedir a informação desejada' (SELLTIZ et al, 1965, p. 273), foi estabelecido, então, que informações adicionais sobre os cursos seriam obtidas através da realização de entrevistas junto aos seus(suas) coordenadores(as) e professores(as), uma vez que eles(as) detêm um amplo e detalhado conhecimento dos cursos, tanto sob aspectos gerais quanto específicos.

As entrevistas buscaram trazer informações a respeito das estruturas das disciplinas, como elas se relacionam e a participação da Física nas mesmas, se houve reestruturações nos cursos e se a Física tem participação ou foco nelas, e a busca por informações a respeito do papel da física para o perfil profissional de conclusão de curso.

## Resultados e análises

No decorrer da história da educação profissional até a atualmente concebida Educação Tecnológica, a Física foi ocupando espaços na organização dos cursos, conforme se pode depreender da análise da documentação oficial. De ausência total nas Escolas de Aprendizes Artífices, conforme o indicado por Fonseca (1986) e Garcia (1995 e 2000), foi possível observar que a participação dessa disciplina, pelo menos no aspecto documental, foi ficando mais presente, sendo que estes começaram a ficar cada vez mais detalhados. A Física vai, então, no decorrer do tempo, se tornando uma preocupação na educação profissional, de forma que nos documentos referentes aos atuais Cursos Superiores de Tecnologia, ela se mostra bastante presente, permitindo, assim, analisar os dados a respeito da participação dessa disciplina através de um enfoque histórico mais denso e consistente.

A análise dos documentos e das falas dos(as) coordenadores(as) e professores(as) mostram que a participação da Física varia para cada curso e depende de sua área de atuação. Como exemplo, ao serem interrogados a respeito da participação da Física na estrutura curricular dos cursos, um dos(as) coordenadores(as) respondeu que a Física aparece 'como base para disciplinas na

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área de Química. Termodinâmica, cinética...'; ja outro(a) mencionou que há 'muito enfoque na Física, [...] pega pelo menos dois terços, mais direcionado pras exatas'.

Na análise realizada, as disciplinas relacionadas com a Física foram classificadas em três categorias: disciplinas especificamente de Física; disciplinas técnicas que possuem grande carga de conceitos de Física envolvidos, e disciplinas técnicas com pouca participação da Física.

As propostas de conteúdos das disciplinas especificamente de Física tratam direta e totalmente dessa disciplina podendo ou não relacioná-las a outras disciplinas e/ou áreas, sendo que isso irá depender das estratégias didáticas adotadas pelos professores, assim como de suas experiências ou vivências em áreas diversas. Dependendo de sua área de atuação, cada curso necessita de certa carga de conceitos de Física para dar base a outras disciplinas de caráter técnico. Sendo assim, as disciplinas especificamente de Física são ofertadas para suprir as necessidades de conceitos físicos/científicos das disciplinas dos cursos.

Foi possível observar, por exemplo, que a Física está relacionada com disciplinas de outras áreas, conforme sugerem os trechos de falas de um(a) coordenador(a): '[...] tem [relação], principalmente com as biológicas que estão aqui dentro. A gente melhorou um pouquinho também com a eletrônica[...]'; também a fala de um(a) professor(a) '[...] arco-íris que é um fenômeno que chama bastante atenção, e a Física envolvida nele, você pode até colocar ela de maneira bem simples, mas não fica convincente; pra estudar direito o arco-íris você tem que conhecer muito a matemática, a formação dele envolve uma derivada, por exemplo; se você conhecer o conceito de derivada você entende melhor o arco-íris. Então isso é um estímulo, porque o estudante vê que uma derivada não é só um jogo de álgebra ali no papel, que ela está no céu, então na formação daquelas bordas brilhantes do arco-íris no céu [...]'.

As disciplinas técnicas que possuem grande carga de conceitos de Física envolvidos são disciplinas de caráter técnico que estão relacionadas com o foco e as especificidades dos cursos. Cada curso apresenta disciplinas técnicas próprias, que são trabalhadas por professores com formações nas devidas áreas técnicas. Tais disciplinas, porém, possuem cargas relativamente elevadas de conceitos de Física. Alguns exemplos, dentre outros, podem ser a disciplina Mecânica Geral do curso de Tecnologia em Mecatrônica Industrial, Termodinâmica Ambiental do curso de Tecnologia em Processos Ambientais, Dosimetria das Radiações do curso de Tecnologia em Radiologia.

Os cursos possuem também disciplinas técnicas com pouca participação da Física, que dão foco ao curso, e cujas ementas mostram que a participação da Física é bastante reduzida com respeito às outras duas categorias já citadas. É o caso, por exemplo, de Tomografia Computadorizada do curso de Tecnologia em Radiologia, Máquinas Elétricas do curso de Automação Industrial, Fotografia do curso de Tecnologia em Design Gráfico, e outras.

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Foi possível perceber que a participação da Física depende do foco do curso, pois a carga horária de disciplinas que enfocam os mesmos conceitos de Física, varia de curso para curso, dependendo de seus objetivos formativos específicos.

## Considerações finais

Foi observado que diversas disciplinas que abordam conceitos semelhantes de Física são comuns a grande parte dos cursos, constituindo-se em sua base científica, como por exemplo, as disciplinas que envolvem conceitos sobre eletricidade, magnetismo, óptica, termodinâmica e mecânica. Os nomes das disciplinas que carregam tais conceitos geralmente são diferentes para cada curso, assim como seu foco e/ou aplicabilidade, porém os conceitos físicos gerais são os mesmos para todas elas. A Física também está presente em disciplinas técnicas que dão foco ao curso, participando da caracterização do mesmo.

A Física participa dos cursos tanto como base para formação científica através de disciplinas básicas, quanto tecnológica, através de disciplinas específicas dos cursos. Dessa forma, não somente como uma ferramenta de base, a Física, em alguns casos, é também responsável por acrescentar identidade aos cursos fornecendo conceitos que lhes dão foco, como pode ser visto no depoimento de um(a) coordenador(a): 'Eu diria que a Física tem papel estruturante. Eu imaginaria assim como se existisse uma linha de estrutura, sei lá, uma construção de uma árvore... é como se ela fosse o tronco de uma árvore, ela é estruturante. Porque a Física está aqui na base como Mecânica, Fluídos, e depois ela está mais adiante com Eletricidade e Magnetismo [...], então tem momentos que ela é base, mas de uma forma geral, eu diria que ela é uma espécie de uma estrutura e o curso está em torno dessa estrutura, muitas vezes aproveitando os conhecimentos de Física, outras vezes sendo formado'.

Ficou claro ainda que em alguns cursos a Física recebe um enfoque bem mais aprofundado do que outros, isso porque os cursos oferecidos pela instituição analisada têm naturezas diferentes entre si, sendo alguns com enfoque mais voltados para a área de exatas e outros voltados para a área de humanas. Além disso, apesar da documentação indicar um patamar comum para disciplinas que levam nomes diferentes, o tratamento das disciplinas que carregam conhecimentos de Física dependem dos conhecimentos técnicos e científicos que o professor que as ministra considera necessários e importantes.

Foi possível observar que a Física proporciona conhecimentos e raciocínios científicos que irão acompanhar os estudantes em sua futura carreira profissional. Mesmo em disciplinas em que, conforme os documentos, a presença da Física não é tão marcante, ela se faz presente de maneira implícita, pois muitas vezes seus conceitos são utilizados sem que isso seja explicitado, como se fossem conhecimentos intrínsecos, noções de percepção do mundo, do espaço, do tempo. E mesmo sem se preocupar com as formalidades que definem ou descrevem os

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conceitos citados, a Física pode ser considerada uma ferramenta que, independente de sua formalização, proporciona grande capacidade de percepção e observação de fenômenos.

As entrevistas mostraram que, mesmo que o aluno não guarde em sua memória os conceitos ou fórmulas, ou os raciocínios científicos analíticos formais aos quais teve acesso após estudar sistematicamente a Física, ao tomar contato com assuntos relacionados a essa disciplina, ele estará criando novas formas de analisar o mundo e a natureza. Isso fica claro na fala de um(a) professor(a) quando diz que 'ele acaba não desenvolvendo muito um senso de raciocínio lógico típico das ciências exatas, então mesmo que não sejam conceitos básicos de Física, de equações da Física, de leis da Física que ele esteja acessando, são procedimentos, linhas de raciocínio que acabam, digamos, fazendo sinapses na mente dele e ele fica com um campo de ação mais diversificado na hora de resolver situações no trabalho [...]'.

As bases e raciocínios possibilitados pelo aprendizado de Física contribuem, não somente para que os estudantes dos cursos possam acompanhar os processos e conhecimentos científicos desses cursos, mas também para que, após a sua conclusão, tenham posse de noções básicas para a resolução de problemas relativos às suas vidas tanto profissional quanto pessoal.

## Referências

FONSECA, Celso Suckow da.História do ensino industrial no Brasil. Rio de Janeiro: SENAI/DN, 1986.

GARCIA, Nilson M. D.A Física no ensino técnico industrial federal: um retrato em formato A4. São Paulo, 1995. 203 f. Dissertação (Mestrado em Ensino em Ciências) - USP.

\_\_\_\_\_\_\_\_, Nilson M. D.. Física Escolar, Ciência e Novas Tecnologias de Produção: o desafio da aproximação. São Paulo, 2000. 165 f. Tese (Doutorado em Educação) USP.

GIOLO, Jaime. A educação tecnológica superior no Brasil: os números de sua expansão. In: Educação Superior em Debate. Brasília: Inep/MEC, 2006.

GRINSPUN, Mírian P. S. Z. Educação Tecnológica. In: Educação Tecnológica: Desafios e Perspectivas. São Paulo: Cortez, 1999.

MACHADO, Lucília. O profissional tecnólogo e sua formação. In: Estudos do Trabalho, Revista da Rede de Estudos do Trabalho; 2008. Conteúdo online disponível em<http://www.estudosdotrabalho.org/LuciliaMachado.pdf>, último acesso em 20/07/2012.

ROMANO, Cezar A. O desafio de uma nova proposta para a graduação na educação profissional: o caso do CEFET-PR. Florianópolis, 2000. 179f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - UFSC.

SELLTIZ; JAHODA; DEUTSCH; COOK. Métodos de Pesquisa nas Relações Sociais. Tradução de Dante Moreira Leite. São Paulo: Herder, 1967.

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