INVESTIGAÇÃO SOBRE USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS E AULAS EXPERIMENTAIS DE FÍSICA, QUÍMICA E BIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO.
Daniel Rodrigues Ventura, Arthur Barretto De Almeida Costa, Ana Carolina Ferreira Godin Guimarães, Leonardo Martins Costa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## INVESTIGAÇÃO SOBRE USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS E AULAS EXPERIMENTAIS DE FÍSICA, QUÍMICA E BIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO.
Daniel Rodrigues Ventura*; Arthur Barretto de Almeida Costa; Ana Carolina Ferreira Gondin Guimarães; e Leonardo Martins Costa.
Colégio de Aplicação COLUNI/UFV Universidade Federal de Viçosa - Campus Universitário Viçosa - MG CEP - 36570-000
e-mail: dventura@ufv.br*
## Resumo
No presente trabalho, é apresentado o resultado de uma pesquisa realizada no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa - COLUNI, sobre o uso de recursos tecnológicos e aulas experimentais em diversas disciplinas. Nesta pesquisa baseada em questões objetivas, foi avaliada a importância das práticas educacionais alternativas adotadas pela escola. Estas consistem em: aulas de laboratório três vezes por semana; uso recorrente de data show; uso de vídeos e simulações durante as aulas. A maioria dos estudantes considerou positivas as práticas: apenas quatro por cento dos alunos afirmaram que as aulas laboratoriais de física e de química não são positivas para o aumento de seu conhecimento. Além disso, os alunos consideraram a disciplina de física como a mais propícia para o uso de simulações por computador; e a de história e geografia como as mais adequadas para se fazer uso de vídeos. Apesar desses dados favoráveis, 34% dos alunos inquiridos desaprovaram o data show. Isso mostra que, embora uma porcentagem significativa dos alunos considerem rentáveis as práticas adotadas no CAp/UFV, deve-se manejar o uso desses equipamentos, para que eles não se tornem maçantes e inapropriados, e estimulem o aluno a aprender o conteúdo ensinado.
Palavras Chave: Ensino de ciências, recursos no ensino, métodos e técnicas de ensino.
## Abstract
In this paper, we present the results of a survey conducted at the College of the Federal University of Viçosa-COLUNI, on the use of technological resources and experimental lessons in various disciplines. This research based on objective issues, was evaluated the importance of alternative educational practices adopted by the school. These consist of: laboratory classes three times a week; use applicant data show; use of simulations and videos during class. Most students considered positive practices: just four percent of the students said that the laboratory lessons of physics and chemistry are not positive for the increase of their knowledge. Additionally, students felt the physical discipline as more conducive to the use of computer simulations, and the history and geography as the most appropriate to make use of videos. Despite these favorable data, 34 percent of students surveyed disapproved the show date. This shows that, although a significant percentage of students consider profitable practices in CAp/UFV, it must manage the use of the equipment, so that they don't become dull and inappropriate, and encourage the student to learn the content taught.
Keywords: Teaching science, teaching resources, methods and techniques of teaching.
## Introdução
Com o advento da internet e o desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, a comunidade escolar passou a ter diante de si uma série de recursos capazes de dinamizar e aperfeiçoar o aprendizado. Vídeos, ensino a distância e enciclopédias colaborativas extremamente abrangentes, tudo isso acessível de qualquer computador, hoje item extremamente difundido. O professor passa a ter, então, o desafio de aproveitar-se dessas novas possibilidades, sob a pena de que, caso não o faça, torne suas aulas desestimulantes.
Um estudo exploratório desenvolvido por Ricardo et al [1] apresenta conclusões que apontam nesse sentido. Com base nos dados coletados através de questionários respondidos por alunos de duas escolas do Distrito Federal, os autores concluíram que o ensino de física baseado na intensa memorização de fórmulas e conceitos abstratos compromete o gosto pela disciplina e, consequentemente, o aprendizado. Embora a maioria dos alunos tenha reconhecido a importância da física no cotidiano e nas tecnologias, um pequeno grupo de estudantes declarou gostar da disciplina ou que conseguiram explicar satisfatoriamente a relação entre a física e o nosso dia-a-dia. Quando questionados a respeito da importância do ensino da disciplina física, alguns estudantes sugeriram aulas inovadoras a fim de torna-las mais interessantes e em algumas respostas foram citadas, especificamente, aulas práticas.
A importância de aulas experimentais na explicação de conceitos físicos foi tema de outro trabalho, desenvolvido por Felipe et al [2]. A equipe desenvolveu um programa a fim de instruir os professores a adotar estratégias interativas para explicar conceitos elementares de física a alunos das séries iniciais do ensino fundamental. Foram criadas também sessões de aulas extracurriculares denominadas Oficina 'Física para Crianças'. A intenção era auxiliar os professores a utilizar experimentos simples, animações de computador, aulas de informática, pequenos teatros e outros métodos interativos para ensinar conteúdos de física relacionada à disciplina 'ciências', presente na grade curricular do ensino fundamental.
Através de questionários aplicados ao término das atividades, o grupo concluiu que o uso desses métodos despertou maior interesse tanto dos professores participantes, quanto dos alunos em relação à física, isto é, as aulas interativas se tornaram agradáveis para quem ensina e para quem aprende. Destacou-se também, que os conteúdos das aulas também podiam ser aplicados para as séries finais do ensino fundamental e também para o primeiro ano do ensino médio. Segundo os dados obtidos, nenhum método utilizado obteve preferência absoluta das crianças, isto é, experimentos, animações e outros recursos computacionais, por exemplo, desempenham papel complementar no ensino, conforme o que foi discutido pelos organizadores da pesquisa.
Além disso, atividades práticas, como explica DAMASIO et al . [2], podem servir como uma evidência contra intuitiva, isto é, podem romper com informações baseadas no senso comum e que muitas vezes são difundidas na formação do aluno, que tem a possibilidade de 'reaprender' um fenômeno numa visão mais rigorosa, científica e completa, respeitando os limites estabelecidos pela idade e
pela série na qual o aluno está estudando. No entanto, os autores explicam que esse aperfeiçoamento é um processo árduo, pois é necessário motivar o aluno a questionar sua própria concepção de mundo, o que também dificulta a implantação e o sucesso de métodos inovadores nas aulas.
RICARDO et al .[1] também discute a respeito da dificuldade de substituir o senso comum pelo saber científico na cognição dos estudantes e relacionar esse saber com o mundo real. Ele lembra que os Parâmetros Curriculares [3], estabelecidos pela LDB/96, atribuem ao ensino médio a responsabilidade de formar cidadãos conscientes e aptos a utilizar os conhecimentos aprendidos na escola no seu dia-a-dia, e afirma que o contexto vivido pelo aluno tem papel fundamental no seu aprendizado. No entanto, devido à falta de estrutura, à qualificação precária de professores ou à prioridade de ensino em geral voltado para os vestibulares, muitas escolas por si só não conseguem garantir aos alunos uma formação plena para encarar as situações impostas pelo mundo real, embora alguns consigam resultados satisfatórios nos exames de seleção.
Com isso em mente, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, os educadores têm se empenhado e colocado em prática essas novas possibilidades em seu ensino. Assim, os alunos têm aulas experimentais três vezes por semana (das disciplinas de Física, Química e Biologia), durante o primeiro e o segundo ano do ensino médio, visando aproximar o conteúdo ministrado em sala ao cotidiano do aluno. Além disso, os professores de disciplinas que não permitem a experimentação ou a investigação em um laboratório de ciências lançam mão de outros instrumentos, como vídeos, aulas de campo e aulas que utilizem ambientes diferentes dos tradicionais.
Em trabalhos anteriores, avaliou-se o ganho no conhecimento dos alunos em aulas baseadas no uso de experimentos e equipamentos eletrônicos e outros recursos similares [4-7]. Notou-se que, de maneira geral, as aulas propostas com o uso de recursos inovadores, geraram resultados positivos e propiciaram uma crescente melhora do aprendizado dos estudantes.
## Objetivos
Esse trabalho tem como finalidade verificar o impacto de aulas práticas, e/ou fora do ambiente tradicional e do uso de recursos modernos ou não e de equipamentos eletrônicos na qualidade do ensino para os alunos do COLUNI. Nele foi analisada a opinião dos próprios estudantes do colégio sobre o impacto de recursos como equipamentos de laboratório, data show, animações e outros recursos computacionais, empregados na tentativa de tornar as aulas mais interativas e dinâmicas e de contextualizar o que é ensinado nas escolas.
A análise do ponto de vista dos alunos é importante, já que expõe eventuais falhas no método de ensino proposto. Assim, é possível estabelecer parâmetros para um uso eficiente e satisfatório de recursos interativos [6, 7], respeitando a opinião de quem é diretamente beneficiado pela melhoria da qualidade das aulas.
No presente trabalho, a fim de se avaliar o uso dos recursos, um questionário foi aplicado aos 480 estudantes do COLUNI, solicitando a eles, através de questões de múltipla escolha, que avaliassem a forma como os professores utilizavam os recursos tecnológicos em sala e a importância das aulas práticas para o aprendizado das disciplinas.
## Resultados e discussões
As questões 1, 2 e 3, que podem ser vistas no anexo I, avaliaram a opinião dos alunos acerca do papel das aulas realizadas no laboratório, práticas regularmente ministradas no COLUNI, referente a três disciplinas: FEX - Física Experimental, TGB - Técnicas Gerais de Laboratório de Biologia e TGQ - Técnicas Gerais de Laboratório de Química. Trata-se de um instrumento importante de avaliação, uma vez que leva os estudantes a refletir sobre o papel das atividades laboratoriais no ensino e a distinguir a contribuição dada para o aprendizado pela aula prática.
- O gráfico da FIG. 01, a seguir, exibe o resultado obtido através das respostas dos estudantes as questões de 1 a 3.
Figura 01: Gráfico comparativo da aceitação das aulas práticas das disciplinas Física (FEX), Química (TGQ) e Biologia (TGB).
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Analisando o gráfico da Fig. 1, pode-se concluir que todas as disciplinas práticas de FEX e TGQ foram consideradas importante ou muito importante para o aprendizado da teoria por um número expressivo dos entrevistados. Atribui-se a baixa na importância atribuída à disciplina TGB ao fato dos alunos não terem um número tão frequente de atividades no laboratório de Biologia, quando comparado às outras disciplinas, o que não lhes permitiu avaliar a eficácia dessas atividades.
Nos laboratório de Química, para maioria do conteúdo estudado em aula teórica há uma atividade prática relacionada. Desta forma os estudantes testam muitas reações entre as substâncias e propriedades físicas destas e adquirindo maior interesse pelas atividades realizadas em TGQ. Porém, como se trata de um mundo microscópico aquele que está sendo posto em questão, a compreensão dos fatos que ali ocorrem acaba exigindo uma participação mais ativa do professor. Como as aulas de FEX exigem um pensamento menos abstrato para que se alcance
uma explicação satisfatória do experimento, a prática em si adquire uma importância substancialmente maior, uma vez que proporciona um entendimento para os alunos mais independente da explicação do professor. As aulas de FEX são pautas na observação dos fenômenos, tornando-os mais significativos para os alunos.
Contudo, é claramente perceptível que os alunos em geral valorizam as aulas em laboratório como uma atividade auxiliar preponderante no aprendizado da disciplina de física. Eles apresentam consciência do valor das atividades experimentais para a assimilação do conteúdo, corroborando os resultados de pesquisas anteriormente realizadas por [4-7], nas quais ficaram comprovados expressivos ganhos nos conhecimentos dos estudantes ao estudarem o conteúdo tiveram a complementação com atividades experimentais.
Também buscamos fazer uma avaliação geral das três disciplinas práticas, arguindo os estudantes acerca do impacto positivo das aulas de TGB (biologia em laboratório) e TGQ (química em laboratório) na assimilação dos conteúdos estudados. Poucos consideram que as aulas de laboratório 'não' contribuem para o aprendizado -cerca de 5% dos alunos o disseram. Contudo, também foi relativamente baixo o índice dos estudantes que consideraram 'muito' importantes aquelas aulas. Assim sendo, 66% dos alunos disseram que TGQ e TGB eram 'um pouco' importantes. Disso depreende-se o caráter que essas aulas possuem para os alunos: uma ferramenta importante na construção do aprendizado, mas auxiliar.
Entretanto, nem só de laboratório vive a física e nem as aplicações das tecnologias educacionais. Em sala de aula, em vez do tradicional quadro negro, frequentemente faz-se uso de apresentações de slides para expor a matéria aos estudantes. Porém, constantemente, alunos fazem reclamações sobre o uso excessivo de data show, recurso este que estaria sendo usado bastante por diversos professores, não só de física. Visando dimensionar a opinião dos estudantes sobre esse recurso, fizemos-lhes uma pergunta sobre a utilidade deste método.
Sobre o data show, há de considerar-se que a quantidade excessiva de material projetado, muito embora possa permitir ganho de tempo, frequentemente leva a uma grande exposição, similar àquela do quadro-negro. Ademais, muitos professores exageram na quantidade de informações a ser utilizado em cada slide , sobrecarregando os estudantes e impedindo a absorção efetiva do conhecimento ali apresentado. Além disso, a falta de clareza pode ocasionar a perda da ênfase no dado efetivamente importante, fazendo, assim, com que a aula deixe de cumprir seu papel.
Por outro lado, há de se ressaltar, também, que o data show permite o acréscimo de imagens, facilitando a visualização e a consequente captação do conhecimento. Os projetores possuem uma gama muito mais ampla de conformações de suas imagens que o usual quadro-negro. Embora um expressivo número de estudantes, 55%, afirmaram que a metodologia sobre a qual se inquiriu seja positiva, há também uma rejeição significativa. Porém, há de se ressalvar que foi observada uma consideração a respeito dos projetores: os que o consideraram negativo para o aprendizado superou largamente o número daqueles que os consideraram muito positivos: 34% ante 11%. Dessa forma, evidencia-se a necessidade premente de se repensar a maneira como o data show vem sendo utilizado no COLUNI, de modo a permitir que essa tecnologia seja mais bem aproveitada por todos, vindo, assim, a contribuir de forma ainda mais indelével para o progresso do ensino de nossos alunos.
Além do data show, uma série de outros recursos pode ser utilizada para exposição alternativa de conteúdos dentro da sala de aula. Um deles, o qual foi objeto de questionamento por nossa parte, foram as simulações por computador. Inquirimos os estudantes do COLUNI acerca da utilidade desse recurso digital comparada com as diversas disciplinas constantes na grade curricular do colégio.
- A preponderância foi da disciplina de física, tendo esta alcançada a preferência de 57% dos estudantes questionados. Isso pode ser justificado pela maior facilidade de conexão entre o conhecimento exibido nas simulações de física e aquele apresentado ao longo das aulas expositivas convencionais.
- O gráfico da Fig. 02 exibe o percentual de alunos que associaram o uso de simulações a cada disciplina da grade, respondendo sobre qual disciplina é a melhor para o uso de simulações por computador e vídeos.
Na resposta dos estudantes matemática não foi a preferida por nenhum aluno, o que pode estar relacionado a seus conteúdos abstratos, podendo usar a explicitações via computador nos estágios mais básicos do aprendizado.
Figura 02: Comparação da aceitação de Simulações e vídeos nas disciplinas Física, Química Biologia e Matemática.
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Do que foi observado no gráfico da Fig. 02, percebe-se que há uma grande aprovação do uso de simulações em física, em detrimento das outras disciplinas, por parte dos estudantes do COLUNI. Caberia, portanto, inquirir os estudantes se a condução das simulações nas outras disciplinas vem ocorrendo da maneira certa, e a razão de haver uma preferência tão acentuada pela física, de modo a permitir o progresso das práticas de ensino.
Também perguntamos aos alunos do COLUNI em qual disciplina eles consideravam mais útil o uso de vídeos. A maior utilidade dos vídeos encontra-se com as ciências humanas: 62% que os alunos demonstraram ter pela história e pela geografia. Já a física, talvez surpreendentemente, surge em segundo lugar, contando com a preferência de 16% dos estudantes. Isso decorre de muitos dos vídeos apresentados nessa disciplina serem, essencialmente, históricos. Além disso,
a estrutura do vídeo muitas vezes se presta a substituir satisfatoriamente as simulações por computador, especialmente nas disciplinas de mecânica básica.
As simulações de computador e os vídeos representam uma aproximação entre a teoria e a prática nas aulas do COLUNI. Contudo, em vez de aproximação, é possível pensar em junção? Com esse questionamento em mente, perguntamos aos estudantes do Colégio de Aplicação da UFV se eles gostariam que os conteúdos das disciplinas de ciências naturais (física, química e biologia) fossem ensinados diretamente em laboratório. A presente questão surgiu a partir da problematização da dicotomia existente entre aula teórica e prática, além da ordem em que as mesmas se sucedem. Assim, por que se deve primeiro apresentar a teoria e, só depois, a prática? Não seria melhor apresentar os experimentos primeiro e, a partir deles, conduzir o aluno em uma construção mais independente dos próprios saberes e, inclusive, em mais conformidade com o método científico? Ou uma mistura entre aula teórica e prática, a qual tivesse a exposição teórica já em laboratório, concomitante à experimentação?
É relevante notar que uma grande quantidade de alunos - 48% - considerou boas tais propostas, uma vez que confiam nas aulas práticas em curso no COLUNI e no material que é utilizado. Porém, também é sensível a porcentagem de estudantes os quais rejeitaram esse método, atingindo a cifra de 23%, talvez devido ao foco dos concursos vestibulares, calcados na parte teórica da matéria. Ou seja, como não sentem necessidade de ter um conhecimento de física que transcenda o tradicional, esses alunos não apoiam adoção desse outro método. Assim, conviria tentar, em algum momento futuro, aplicar essas formas alternativas de ensino de modo mais sistemático, de modo a verificar se a opinião dos alunos acerca dessa prática muda após serem submetidos a elas.
As aulas de laboratório do COLUNI são ministradas por professores com o auxílio de estagiários, normalmente alunos da Universidade Federal de Viçosa. Porém, como sempre há um guia para a elaboração dos experimentos na forma de apostilas, caberia perguntar se a presença do professor não seria dispensável no contexto das aulas práticas. A próxima questão vem relacionar-se com a já citada independência dos alunos na realização das experiências durante as aulas de FEX. Com efeito, intentávamos verificar o valor que os estudantes conferiam à presença do professor em sala, de modo a podermos adequar nossos hábitos aos anseios dos jovens.
Assim, verificou-se que os alunos têm em alta conta a participação do professor, sendo que 93% dos alunos consideraram-na 'bastante' proveitosa. Isso indica que, a despeito de o aluno ter uma participação ativa na construção do seu conhecimento, a orientação do professor é extremamente importante para o bom andamento desse processo. No caso das atividades práticas, ele tem por função descrever mais pormenorizadamente os fenômenos que estão ocorrendo, além de zelar pelo bom andamento da atividade. Com isso, menos de 1% dos alunos declararam 'não' considerar importante a presença do professor. Dessa forma, conclui-se que os conhecimentos prévios dos estudantes e as informações contidas nas apostilas não são suficientes para permitir que os experimentos corram de maneira tão proveitosa como quando há um professor por perto.
Por fim, buscamos verificar se a atual divisão das turmas vinha condizendo, nas opiniões dos alunos, a resultados efetivos. Atualmente, as turmas de FEX são compostas pela metade dos estudantes da turma teórica, sendo que cada turma
teórica conta inicialmente com 40 estudantes. Segundo 68% dos estudantes essa é a melhor configuração para as aulas experimentais; 21% consideraram proveitoso diminuir as turmas para até 10 estudantes e apenas 12% acharam que seria positivo ampliar as salas para um número maior que 20 estudantes por laboratório. Nenhum pensou que seria interessante ter as aulas com as turmas originas completas, como já se fez algumas vezes, devido à falta de material, professor ou impossibilidade de uso do laboratório.
Por sua vez, os experimentos não têm uma quantidade fixa de executores. Frequentemente a turma inteira o faz; outras vezes, assiste-se ao professor, o qual realiza a prática. Como cada laboratório possui duas bancadas, cada uma delas passa a constituir um grupo responsável pela montagem de um determinado experimento. Outras vezes, como é mais habitual, especialmente em TGQ, cada bancada se divide em dois grupos responsáveis pela condução da prática. Por causa da pouca disponibilidade de material, é raro que as experiências sejam feitas individualmente. Dessa forma, os alunos do COLUNI vivenciam um amplo espectro de possibilidades de condução das aulas práticas, no tocante ao tamanho dos grupos. O que os tornam habilitados para avaliar cada uma delas.
A partir dos questionários, foi possível verificar que o tamanho mais usual, de até cinco pessoas, foi considerado o ideal, provavelmente por constituir-se num meio-termo entre a tranquilidade da realização individual e a troca de impressões e de conhecimentos que um grupo propicia. Como este é menor, acaba coibindo, em certa medida, as conversas paralelas e permite um foco maior no objeto da aula. A valorização das discussões para a aquisição do conhecimento é atestada pelo fato de os estudantes terem preferido realizar as atividades e estas serem em grupos de até 20 alunos (36%) do que individualmente (5%).
## Conclusão:
Com base nestes dados, pode-se afirmar que os alunos do COLUNI, em geral, aprovam a maneira como a divisão de suas turmas de física experimental tem sido feita. Assim, pode-se dizer que é benéfico ao colégio a manutenção dessas práticas, que permitem um conhecimento advindo tanto pela teoria quanto pela prática, através da experimentação da realidade.
Esse trabalho é uma mostra de como a utilização de recursos diferenciados e de aulas de laboratório é capaz de prender o interesse do estudante, permitindolhe fazer de forma mais efetiva a interligação entre a teoria ensinada em sala e a realidade do seu cotidiano. Isso corrobora com as conclusões apontadas por DAMASIO et al .[2] quanto à necessidade da interação entre professor aluno e o conteúdo e de se construir saberes escolares aplicáveis também ao mundo real. RICARDO et. [1] também aponta a necessidade de se modificar particularmente o modelo tradicional de aulas de física, mas se mostra cauteloso quanto à importância de aulas práticas na melhoria de ensino. Entretanto, os dados obtidos pelos questionários aos alunos do COLUNI mostram que a maioria aprova o uso de aulas laboratoriais, slides, animações e vídeos em computador no decorrer do curso. Isso mostra que modelos interativos interferem positivamente no gosto dos alunos do colégio em relação às aulas. Apesar desses dados favoráveis, muitos estudantes desaprovaram o data show. Isto nos faz refletir sobre o uso do mesmo: Será que o seu uso torna o aluno passivo? Será que quando se faz o uso constante do mesmo, as aulas se tornam monótonas? Não temos dúvidas que há necessidade de se
manejar o uso desses equipamentos, para que eles não se tornem maçantes e inapropriados, e estimulem o aluno a aprender o conteúdo ensinado.
Dessa forma, as conclusões aqui alcançadas são extensíveis também a outras escolas, desde que ela disponha de alguma estratégia que aumente a interação dos alunos com o conteúdo ensinado, uma vez que a inovação nas práticas de ensino promove a melhoria da qualidade das aulas em vários contextos, conforme indica a literatura. Assim, pode-se ressaltar a importância de aulas práticas para a melhoria da qualidade do ensino e do uso das novas tecnologias para impedir que as aulas se tornem enfadonhas e ineficazes. Acreditamos que a desaprovação ao uso do data-show em aulas, serem devido ao uso excessivo do mesmo e da passividade do aluno durante estas aulas. Portanto, os alunos consideram boa a maioria das práticas adotadas no CAp/UFV .
## Referências:
- [1] RICARDO, Elio C.; FREIRE, Janaína C. A. A concepção dos alunos sobre a física do ensino médio: um estudo exploratório. Revista Brasileira de Ensino de Física , v.29, n.2, p. 251-266 (2007).
- [2] DAMASIO, Felipe.; STEFFANI, Maria Helena. A Física nas Séries Iniciais (2ª a 5ª) do Ensino Fundamental: Desenvolvimento e Aplicação de um Programa Visando a Qualificação de Professores. Revista Brasileira de Ensino de Física, v.30, n.4, 4503 (2008).
- [3] Brasil, Ministério da Educação e do desporto. Parâmetros Curriculares nacionais para o ensino médio . Brasília 1995
- [4] COSTA, Arthur B. de A. - Estudo do Crescimento do ensino de física quando se usa recursos acessíveis - Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa. Trabalho de Conclusão de Iniciação Científica Jr. Viçosa: 2011.
- [5] GUIMARÃES , Ana Carolina F. G. - Ensino de física usando recursos acessíveis - Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa.
Trabalho de Conclusão de Iniciação Científica Jr
. Viçosa: 2011
- [6] FRANCO, Yara. Ensino de física com experimentos alternativos. Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa. Trabalho de Conclusão de Iniciação Científica Jr. Viçosa: 2009
- [7] COSTA, Arthur B. de A.; COSTA, Leonardo M. GUIMARÃES, Ana Carolina F. G.; VENTURA, Daniel R. INVESTIGAÇÃO DE UMA NOVA METODOLOGIA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM FÍSICA - a ser publicado.
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## BIC JÚNIOR/ CNPq/ FAPEMIG/ UFV
## Projeto 2010-2011: Ensino de Física usando recursos acessíveis B olsistas: Arthur Barretto de Almeida Costa e Leonardo M. Costa Orientador: Daniel R Ventura
## Avaliação da relevância e contribuições das aulas práticas e do uso de recursos.
- 1-As aulas práticas (FEX) foram relevantes para o aprendizado de física?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 2- As aulas práticas de TGQ foram relevantes para o aprendizado de química?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 3- As aulas práticas de TGB foram relevantes para o aprendizado de biologia?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 4- Qual o impacto de o próprio aluno realizar os experimentos, e não o professor, no aprendizado?
- ( ) Atrapalha ( ) Não interfere ( ) Ajuda Um Pouco ( ) Ajuda Muito
- 5- O uso de simulações por computador interfere de qual maneira no aprendizado de física?
- ( ) Atrapalha ( ) Não interfere ( ) Ajuda um pouco ( ) Ajuda muito 6- O uso de vídeos sobre história da física e de renomados cientistas é relevante?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 7- O uso de data show para a exposição do conteúdo é positivo para as aulas de física?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 8- ( Somente para a primeira série) O uso do sensor de movimento e de outros equipamentos, como feito em uma aula de FEX no primeiro semestre, ajudou no aprendizado?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito 9-Em qual das seguintes disciplinas o uso de simulações por computador é mais eficiente?
- ( )Física ( )Química ( )Biologia ( ) Matemática ( )Outras
Qual?\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
- 10- Em qual das seguintes disciplinas o uso de vídeos é mais eficiente?
- ( )Física ( )Química ( )Biologia ( ) História-Geografia ( ) Sociologia-
Filosofia
- 11- O roteiro e as questões propostas pela apostila de FEX contribuem para a o entendimento dos conteúdos estudados e facilitam a realização dos experimentos?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Muito 12- As aulas práticas de química (TGQ) e de biologia (TGB) contribuem para a o entendimento dos conteúdos estudados e facilitam a realização dos experimentos?
- ( ) Não
- ( ) Um Pouco ( ) Muito
- 13- A introdução dos conteúdos seria mais bem compreendida caso fosse feita diretamente no laboratório ou utilizasse sensores e outros equipamentos eletrônicos?
- ( ) Não ( ) Um Pouco ( ) Bastante FEX?
- 14- Apesar do uso de apostilas, é importante a participação do professor no decorrer das atividades de
- ( ) Não ( ) Tanto faz ( )Sim
- 15- Qual o tamanho ideal para as turmas de FEX?
( ) Até 10 alunos ( ) 11-20 ( ) 21-30 ( ) 31-40
- 16- As experiências são mais bem realizadas em grupos de que tamanho?
- ( ) até 5 alunos ( ) até 10 alunos ( ) até 20 ( ) individualmente
Comentários ou sugestões sobre o uso de recursos em aulas de Física e outras ciências (se necessário use o verso da folha)
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