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Ciência, Cinema e Macacos

Gabriel Lúcius Dos Santos, Ricardo Roberto Plaza Teixeira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Ciência, Cultura E Arte
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CIÊNCIA, CINEMA E MACACOS

Gabriel Lúcius dos Santos

Aluno de Licenciatura em Matemática do IFSP de Caraguatatuba - glsketch@gmail.com

Ricardo Roberto Plaza Teixeira Professor Doutor do IFSP de Caraguatatuba - rrpteixeira@bol.com.br

## Resumo:

Este artigo pretende analisar as possibilidades didáticas presentes para a divulgação científica em ambientes escolares, utilizando cenas dos filmes 'O Planeta dos Macacos' produzidos nos anos de 1968, 2001 e 2011, sobretudo no que diz respeito a alguns temas relacionados com a ciência. Após uma introdução analisando as possibilidades pedagógicas da utilização de materiais audiovisuais em geral e do cinema em particular em ambientes escolares, apresentamos os três filmes que serão analisados neste trabalho. As atividades propostas enfatizaram cenas que têm um grande potencial para um trabalho de educação dos olhos, dos ouvidos e das mentes de modo a produzir cidadãos conscientes, críticos e analíticos. A utilização da ficção científica (na forma de livros ou de filmes) pode também de modo concreto atrair estudantes para as disciplinas científicas que costumam ser pouco atrativas para as crianças e os adolescentes durante a educação básica. A indústria cultural de massa, particularmente o cinema (na tela grande ou na televisão), está presente de modo universal no cotidiano dos alunos nos dias de hoje e as possibilidades de utilizar fragmentos deste material para produzir conhecimento e educar a consciência são ilimitadas. O trabalho com os filmes 'O Planeta dos Macacos' teve como foco duas importantes teorias científicas: a da Relatividade e a da Evolução. Há entre as duas, algumas similaridades que podem propiciar momentos enriquecedores para a aprendizagem científica. Estas duas teorias envolveram importantes revoluções científicas fundamentais para entender o mundo contemporâneo. A exposição sobre a quebra de paradigmas explicitada pelos momentos históricos nos quais estas teorias foram concebidas pode colaborar com a aprendizagem das leis e dos conceitos científicos envolvidos. Além disso, é um elemento motivador para os alunos do ensino básico saber que importantes teorias foram propostas durante a juventude de Einstein, de Darwin e de muitos outros grandes cientistas.

Palavras-chave: educação científica; ficção científica; cinema; relatividade; evolução.

## INTRODUÇÃO

O desempenho do Brasil em avaliações internacionais que mensuram os níveis de educação científica da população em geral ainda é muito baixo. Segundo os dados do PISA - que tem uma metodologia de avaliação da aprendizagem em matemática, em leitura e escrita e em ciências dentre 65 países avaliados, o Brasil é o 53º quando são analisados os níveis de aprendizagem de ciências dos jovens de 15 anos de idade. Quando se trata de matemática o Brasil é o 57º neste ranking. Assim, é fundamental para o desenvolvimento educacional de nossos jovens, a realização de projetos que motivem para busca do conhecimento científico e matemático.

Segundo Sánchez Mora (2003), em seu livro 'A Divulgação da Ciência como Literatura', com o decorrer do tempo, a abordagem utilizada pela ciência começou a fugir da linguagem do acessível a todos. Na sociedade brasileira atual, existe uma grande desmotivação por conteúdos científicos por parte dos alunos, principalmente em escolas públicas, que apresentam de forma generalizada um desinteresse e até mesmo uma fobia pela ciência e pela matemática.

A Ciência deveria constituir a bagagem cultural de todo cidadão. Sem o conhecimento cientifico as pessoas são excluídas do processo de conquistas intelectuais da humanidade. Adicionalmente, é a ciência o ponto de partida para a inovação tecnológica no mundo atual que por sua vez é a principal força que impulsiona o desenvolvimento econômico. Sem ciência não há inovação tecnológica; nas palavras do físico austríaco Guido Beck (1903-1988) que foi pesquisador

do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF): "querer a tecnologia, mas não querer a ciência é como querer o leite, mas não querer a vaca" (Oliveira, 2012). O Brasil possui um índice de patentes por ano relativamente baixo. Em 2011 ele ocupou a 47ª posição no ranking mundial, realizado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi). Para haver inovação tecnológica deve existir interesse pelas práticas científicas, que só serão conquistadas quando as crianças e os jovens começarem a se interessar por ciência e matemática. Além disto, cada vez mais a mídia utiliza-se de números, estatísticas e gráficos nas apresentações de notícias, e para que os cidadãos não sejam enganados por falácias matemáticas (Seife, 2012) é fundamental que a educação básica desenvolva nos jovens um sólido conhecimento científico.

Stephen Jay Gould (1992), em seu livro 'Viva o Brontossauro', explicita a ideia de que é necessário inspirar as crianças e os jovens para ciência. Alguns artigos anteriores de um dos autores deste trabalho destacam a importância da divulgação científica para a educação (Teixeira e Tedeschi, 2000; Teixeira, 2002; Teixeira e Teixeira, 2008). Para aumentar a motivação da ciência pelos alunos, é importante tentar mudar a forma pela qual ela é apresentada, reestruturando a linguagem técnica e difícil em que ela é abordada e aproximando-a do cotidiano do educando. Como defende Aldous Huxley (1979), em seu livro 'Literatura y Ciência', uma forma de fazer isso é aproximar as abordagens científicas das práticas literárias, com livros de divulgação de ciência. Na verdade, a divulgação da ciência é tão antiga quanto a própria ciência (Moreira, 2006). Um dos papeis muitas vezes esquecidos que os professores têm é o de serem inspiradores e motivadores para os seus alunos. Vários dos pesquisadores com depoimentos no livreto 'Algumas razões para ser um cientista' editado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas relatam que seus interesses por temas científicos iniciaram-se devido a um professor inspirador durante a educação básica.

Uma proposta para aumentar o interesse pela ciência é justamente utilizando livros, textos e vídeos de divulgação científica no cotidiano escolar, fazendo assim com que o aluno se interesse pelos aspectos divertidos, curiosos e inusitados da ciência, despertando o interesse em geral por temas científicos e incentivando, inclusive, que aqueles alunos mais interessados percebam que optar por carreiras relacionadas às ciências naturais é uma opção muito interessante (para o aluno e para o país), não só pela remuneração financeira, mas sim, parafraseando Huxley, porque 'os cientistas não estudam a natureza só porque isso é útil, mas também o fazem, essencialmente, por prazer'.

Para trabalhar conteúdos de divulgação de ciência com os alunos, de maneira divertida e sedutora, foi elaborada pelos autores deste trabalho, uma apresentação que utiliza filmes de ficção científica para discutir temas importantes da ciência, sempre com a preocupação dupla com a acessibilidade da linguagem utilizada e com a qualidade e o rigor científico do material didático que é exposto. O principal objetivo foi utilizar estas ferramentas para suscitar nos alunos - e futuros cidadãos - a paixão pelas ciências naturais e pela matemática, pois de acordo com Haag (2012), 'após a televisão e a internet, a terceira maior fonte de informação sobre ciências para os jovens é a Ficção Científica, por meio de livros, filmes, HQs ou games'. Para o escritor brasileiro de livros de ficção científica, Roberto de Sousa Causo o gênero da ficção científica é um agente 'motivador, que planta uma semente de interesse por temas e descobertas' (Furtado, 2011).

Atualmente a tela grande atrai todos os públicos, possibilitando que o espectador fique preso na poltrona e seja fascinado pela enorme quantidade de informação exposta na tela, absorvendo grande parte desta: o cinema pode ser utilizado, deste modo, como uma interessante ferramenta pedagógica para colaborar com os processos de aprendizagem (Napolitano, 2003). Sendo assim, é importante utilizar este recurso como meio de aproximar a ciência do cotidiano do jovem, utilizando para isso os filmes de ficção científica, que apresentam os mais diversos temas da ciência para serem discutidos, muitas vezes, de maneira inusitada: 'Se a ciência inspirou a origem ficção científica, esta por sua vez contribuiu para o campo científico, principalmente deflagrando a imaginação dos jovens leitores' (Furtado, 2011).

Compondo a arte cinematográfica com a necessidade de discutir ciência, foi construída uma apresentação intitulada 'Ciência, cinema e macaco', que utiliza trechos de três filmes da série 'O planeta dos macacos' (produzidos nos anos de 1968, 2001 e 2011) combinados com explanações

sobre temas científicos envolvidos, como a teoria da relatividade e a teoria da evolução. Ao fazer com que os jovens se interessem por este tipo de conteúdo, é possível também mostrar o lado curioso, divertido e lúdico da ciência.

## DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO

A apresentação 'Ciência, cinema e macacos' (desenvolvida em PowerPoint) foi desenvolvida para ser utilizada em escolas de ensino médio de modo a motivar os seus estudantes para o estudo de temas científicos. Para elaborar esta apresentação, em primeiro lugar, foram assistidos diversas vezes os três filmes da série 'O planeta dos macacos' utilizados e que foram produzidos em 1968, 2001 e 2011. Estes filmes são baseados no livro 'O planeta dos macacos' de Pierre Boulle (2008). 'La planète des singes' foi o título original em francês do livro que teve a sua primeira edição publicada em 1963. Nestas obras, há uma quantidade grande de referências científicas e históricas, bem como muitas inter-relações com outros filmes. Outro ponto é que a forma como os temas que são explorados permite um trabalho pedagógico interdisciplinar bastante interessante. Dentre as várias escolhas possíveis, foram trabalhadas cenas que fizessem referência às teorias da relatividade e da evolução - dois momentos revolucionários na ciência (Kuhn, 2010) - que propiciaram também discussões sobre assuntos como o método científico, o tempo, o racismo, a energia nuclear, a guerra fria, a engenharia genética e sustentabilidade ambiental.

O primeiro filme da série 'O planeta dos macacos' foi dirigido em 1968 por Franklin J. Schaffner. Basicamente é a história de uma tripulação espacial que é enviada da Terra para explorar o espaço sideral, viajando em um foguete com velocidade próxima à velocidade da luz. Chefiada pelo comandante George Taylor (interpretado pelo ator Charlton Heston), a tripulação entra em uma hibernação induzida, por alguns meses para a tripulação mas por vários séculos para a Terra (devido ao efeito relativístico denominado 'dilatação do tempo' que é mais intenso a velocidades próximas à velocidade da luz. Então, a nave cai em um planeta estranho e a tripulação é seqüestrada por uma civilização de símios, macacos desenvolvidos, inteligentes e falantes que dominavam aquele planeta. Depois de aprisionado, Taylor é submetido à experimentos feitos pela macaca pesquisadora e psiquiatra dos "animais" (ou seja, dos humanos), Doutora Zira que defende que os humanos nativos daquele planeta são descendente dos macacos, uma heresia que contradizia a religião da comunidade símia. Ao se curar do ferimento e voltar a falar, Taylor, junto com Zira e seu noivo, o macaco arqueólogo Cornelius, vão tentar achar evidências experimentais em sítios arqueológicos para provar que a sua teoria está correta.

Já o filme 'Planeta dos macacos' de 2001, foi dirigido por Tim Burton e é um remake do filme original de 1968, mas com algumas diferenças e atualizações. Este filme conta a história do astronauta Leo Davidson (interpretado pelo ator Mark Wahlberg), que no futuro, a bordo de uma estação espacial dos Estados Unidos, perde o seu 'companheiro', o chimpanzé Péricles, em uma tempestade eletromagnética. Leo vai socorrer seu companheiro e após entrar no que parece ser um buraco de minhoca, cai em um planeta desconhecido muitos séculos à frente no tempo. Assim como no filme de 1968, o planeta também é dominado por símios, que podem falar e que caçam e escravizam os seres humanos. Sem concordar com a opressão imposta aos homens, Leo torna-se uma ameaça potencial ao status quo e dá início a uma revolução no planeta.

O terceiro e mais recente filme utilizado na apresentação é o 'Planeta dos macacos - A origem' de 2011. Nesta obra, o diretor Rupert Wyatt apresenta a origem da sociedade símia dos filmes anteriores. Will Rodman (interpretado pelo ator James Franco) é um cientista que procura a cura para o mal de Alzheimer. A droga desenvolvida pelo pesquisador é testada inicialmente em chimpanzés, mas ela, além de curar a doença, desenvolve extremamente a inteligência dos macacos, primeiramente do chimpanzé César que foi criado em casa por Rodman. César aprende a falar, se rebela e inicia uma revolução, formando um exército composto por outros macacos oprimidos, lutando para se tornar livre e construir uma sociedade de macacos.

Foi selecionada, do filme 'Planeta dos macacos' de 1968, a cena inicial na qual o comandante Taylor discorre sobre o tempo, mostrando que diferenças de velocidade podem resultar em

diferenças na marcação do tempo e apontando algumas características da teoria da relatividade. Para discutir também a questão do tempo, também foi explorada a cena inicial do filme 'Planeta dos macacos' de 2001, no qual o astronauta Leo entra em um buraco de minhoca ( wormhole ), viajando no tempo-espaço.

Por meio dessas duas cenas é discutida a possibilidade de viagem no tempo, explicando tanto os efeitos da Teoria da Relatividade, quanto as hipotéticas características de buracos de minhoca, de uma maneira minimamente acessível aos alunos, mostrando um pouco da vida de Albert Einstein e motivando os alunos a se interessarem pela ciência em geral e pela física, em particular. Para um aprofundamento na teoria da relatividade, foi apresentada para os alunos a animação 'Quer que desenhe? Tempo é relativo' do site 'Um sábado qualquer' produzido por Carlos Ruas; este vídeo tem a duração de cerca de 4 minutos e é uma boa apresentação didática dos resultados esperados pela teoria da relatividade.

Há diversas cenas nos três filmes que abordam a teoria evolução. Dentre elas, no filme de 1968, há uma cena no júri dos símios, na qual os juízes discutem se é possível que os humanos sejam os ascendentes dos macacos; aqui a ironia é uma referência clara sobre a forma como a teoria da evolução de Charles Darwin impactou a sociedade do século XIX e como ainda hoje, religiosos tentam atacar a ideia de evolução como sendo uma heresia contra as Sagradas Escrituras. Junto com outras cenas dos outros dois filmes é trabalhado o tema da Evolução durante a apresentação. Aliás, é importante lembrar que Darwin quando esteve no Brasil durante sua viagem no Beaggle, se sentiu incomodado com a escravidão. No filme de 2011, há uma cena em que o líder dos macacos, César, aprende a falar, e a primeira palavra que ele diz - justamente contra o humano que sempre tratava os macacos com crueldade - é 'não'. Esta cena se relaciona intensamente com algumas cenas do filme 'Amistad' que foi dirigido por Steven Spielberg em 1997. Este filme trata do tráfico de escravos africanos para os EUA no século XIX; aqui, também, para lutar contra a opressão, o líder dos escravos tem que aprender a língua do opressor, no caso o inglês.

Após construir uma apresentação, com as cenas dos filmes junto com as propostas de discussões sobre os temas científicos e históricos, foi realizada uma série de intervenções (com duração de aproximadamente uma hora e meia) em escolas públicas do litoral norte de São Paulo, apresentando o material produzido para alunos de ensino médio e discutindo ciência junto com eles.

## RESULTADOS OBTIDOS

Este é um projeto de pesquisa-ação que procurou investigar, de forma mais específica, os efeitos de algumas abordagens alternativas em educação e divulgação científica, que estimulem a curiosidade e a busca por novos conhecimentos nas áreas da ciência.

A apresentação de slides intitulada 'Ciência, cinema e macacos' foi estruturada de modo a motivar discussões científicas logo após a apresentação das cenas dos filmes da série 'Planeta dos macacos'. O início da apresentação ocorre com a cena do filme 'Planeta dos macacos' de 2001 em que um chimpanzé pilota uma nave espacial que subitamente fica descontrolada; para contribuir com a 'emoção' desta cena de ação foi colocada como fundo a introdução da música 'Money for Nothing' do conjunto Dire Straits. Os alunos ficam assim na expectativa de que algo diferente irá acontecer e, neste momento, a proposta de 'aprender ciência por meio do cinema' é apresentada a eles. Logo após esta introdução, é iniciado o processo de apresentar e discutir a ciência existente em cenas dos filmes da série 'O planeta dos macacos', para que os alunos se motivem a aprender os temas abordados e entender que além de útil, aprender Física, Matemática, Química, Biologia e outras disciplinas, pode ser acima de tudo, prazeroso.

A duração da apresentação é flexível, podendo ser de 45 minutos até 2 horas e meia; do mesmo modo, a apresentação é extremamente acessível, sobretudo para o público de estudantes de ensino médio que se quer atingir. A apresentação 'Ciência, cinema e macacos' já foi assistida por alunos de ensino médio, universitários, professores e até idosos. Na maioria das apresentações, no seu final, foi solicitado que o público preenchesse um pequeno questionário de avaliação das atividades. A média de idade do público foi de 19,5 anos e o desvio padrão de 8,4 anos. Os

questionários foram respondidos por 400 pessoas, com o público feminino (57%) superando o masculino (43%). As respostas revelaram que apenas 7% das pessoas pesquisadas relataram que não gostam de Ciências, contra 48% que gosta e 45% que gosta mais ou menos: estes números positivos por si só, podem ser um fruto desejado do impacto da apresentação que tinha justamente o objetivo de motivar para a ciência.

O questionário perguntou ao público sobre seus hábitos em relação a filmes e livros de ficção Científica. Para a pergunta sobre com que frequência a pessoa pesquisada costuma ver filmes de ficção científica, 16% respondeu que muitas vezes assistiam tais filmes, 36% às vezes assistiam tais filmes, 39% poucas vezes assistiam tais filmes e 9% nunca assistiam tais filmes. Quando perguntados sobre a frequência com que a pessoa pesquisada costuma ler livros de ficção científica, 5% responderam que leem tais livros com grande frequência, 20% responderam que os leem às vezes, 31% responderam que poucas vezes leem tais livros e 44% responderam que nunca leem livros de ficção científica. Isto corrobora a afirmação de Fred Furtado (2011) de que 'em termos de impacto, tanto escritores quanto estudiosos veem o cinema de ficção científica como uma força mais poderosa do que a literatura do gênero'.

Nos questionários as pessoas relataram que gostam de cinema, um resultado que foi praticamente unânime. Mesmo assim, ao serem perguntadas sobre o que mais chamou a atenção na apresentação, 65% das pessoas responderam que foram os comentários científicos feitos, contra 31% que responderam que foram as cenas dos filmes (4% escolheu a opção outros). Este pode ser considerado um resultado bastante positivo, tendo em vista a força e o impacto que as cenas destes filmes trazem. Adicionalmente, 44% das pessoas acharam as referências científicas fáceis, 47% acharam que as referências científicas tinham dificuldade média e apenas 9% acharam as referências difíceis. Se levarmos em conta que discutimos temas difíceis envolvendo a Teoria da Relatividade e a Teoria da Evolução, estes também são números bastante significativos.

O fato de gostar dos comentários feitos e achá-los fáceis não significa que as pessoas de fato os entenderam. Mas 57% das pessoas do público respondeu 'sim' quando foi perguntado se elas 'conseguiram compreender as referências científicas sobre os filmes', contra 42% que respondeu 'mais ou menos' e apenas 1% das pessoas pesquisadas que respondeu que não tinha compreendido as referências científicas feitas durante a apresentação.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES

O Projeto 'Ciência, cinema e macacos' teve como um dos seus objetivos tentar democratizar o conteúdo científico, apresentando-o para o público (sobretudo de estudantes de ensino médio de escolas públicas do litoral norte de São Paulo) de uma maneira alternativa, com a proposta de motivar os jovens para a ciência por meio do cinema. Um dos principais resultados do projeto foi conseguir fazer com que o público constituído geralmente por adolescentes que estudam nas séries de ensino médio conseguissem ficar prestando atenção durante cerca de uma hora e meia a uma apresentação envolvendo temas como Relatividade e Evolução; e mesmo após mostrar cenas emocionantes e de ação destes filmes, a maioria dos alunos preferiram os comentários sobre a ciência envolvida do que as próprias cenas apresentadas.

Abordar a ciência por meio do cinema pode ser de fato uma ferramenta para motivar os alunos na aprendizagem de conceitos e leis científicas. Para que a ciência passe realmente a fazer parte do leque cultural dos brasileiros é importantíssimo que novas estratégias didáticas sejam implementadas nas aulas de ciência, de modo a motivar os alunos para que desenvolvam um genuíno interesse por assuntos científicos.

## REFERÊNCIAS

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CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS FÍSICAS. Algumas razões para ser um cientista .

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Este trabalho foi financiado pelo IFSP que concedeu uma bolsa de iniciação científica institucional ao aluno Gabriel Lúcius dos Santos.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.