HEARTS- ON! REPENSANDO AS INTER-RELAÇÕES ENTRE A ARTE E A CIÊNCIA EM PRÁTICAS EDUCATIVAS
Marcillene Ladeira, Eloi Teixeira Cesar, José Roberto Tagliati, Fernanda Bassoli, Denise Leocádio
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## HEARTS- ON! REPENSANDO AS INTER-RELAÇÕES ENTRE A ARTE E A CIÊNCIA EM PRÁTICAS EDUCATIVAS
Marcillene Ladeira , Eloi Teixeira Cesar , José Roberto Tagliati², 1 2 Fernanda Bassoli², Denise Leocádio²
¹ Centro de Ciências/Instituto de Artes e Design/Universidade Federal de Juiz de Fora, marcillene.ladeira@gmail.com
² Centro de Ciências/Universidade Federal de Juiz de Fora
## Resumo
O presente trabalho tem por objetivo chamar a atenção para o diálogo entre ciência e arte e suas possibilidades inovadoras para o ensino de ciências nos dias de hoje. É importante lembrar que arte e ciência, em séculos anteriores, muitas vezes trabalharam juntas; mas com o passar dos anos, foi se abrindo uma enorme lacuna entre essas áreas do saber, tornando-se campos independentes. Contudo, este distanciamento mais uma vez se diluiu, ao ponto de hoje já serem consideradas dois campos da unidade psíquica humana duas vias a serem exploradas. Assim, a partir desta informação e ainda sabendo-se que a área artística está presente a quase cinco anos no Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora, decidimos por verificar a opinião dos sujeitos envolvidos neste espaço - mediadores, funcionários e professores colaboradores, sobre o que achavam da presença da arte neste ambiente científico. A abordagem metodológica usada foi a aplicação de um questionário, cujas respostas foram avaliadas por meio da análise de conteúdo. As conclusões evidenciam que este binômio - ciência e arte, de fato, é capaz de atuar como uma espécie de 'didática' no ensino de ciências, como também mostra que nossa investigação fornece subsídios para compor a importante discussão sobre a potencialidade da união entre ciência e arte, não só nos espaços não formais, mas principalmente no cotidiano escolar, a fim de resgatar o prazer em aprender, o que certamente levará à aprendizagens mais significativas.
Palavras-chave : Ciência e Arte, Centro de Ciências, Ensino de Ciências, Educação não formal.
## Introdução
- O conceito de educação que esteve por muito tempo voltado, prioritariamente, para as unidades escolares formais vem abrindo seus horizontes e incorporando-se a outros espaços; espaços capazes de auxiliar essas unidades na formação da cultura científica de um país. Estamos nos referindo à criação e à implantação de museus, mais especificamente dos centros de ciências - uma ramificação da área museal, que é mais ligada ao campo específico da ciência e da divulgação científica. Segundo Marandino (2008), o século XIX é chamado 'século
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20 a 25 de janeiro de 2013
de ouro' dos museus, porque testemunha o crescimento e a ampliação dessas instituições em todo o mundo.
Marco desse movimento é o documento da UNESCO, ' Learning to be - The Faure Report' , de 1972, que estabeleceu metas quanto à 'educação ao longo da vida' e à 'sociedade de aprendizagem'. A partir desse documento, firmou-se uma divisão já visível do sistema de ensino, em três categorias: educação formal, não formal e informal (MARANDINO, 2008, p.13). Contudo, a diferenciação dessas categorias não se constitui tarefa simples, pois, muitas vezes, são usadas de modo controverso por diferentes autores, o que dificulta a definição exata dos termos.
No entanto, o mais importante é saber que os museus ou os centros de ciência são, de fato, reconhecidos formalmente como instituições intrinsecamente educativas e que estão surgindo para enfrentar os novos desafios gerados pela globalização e pelo avanço tecnológico na chamada era da informação (GOUVÊA, 2001). No Brasil, sua multiplicação ocorreu especialmente a partir de 1990, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, pelo Museu da Vida e pela Casa da Ciência/UFRJ; ao passo em que hoje já podemos contabilizar mais de 200 instituições, concentradas principalmente nas regiões sudeste e sul. No início, foram implantados apenas nas capitais, mas, aos poucos, estão sendo disseminados por todo o país, principalmente com vinculação a universidades, como é o caso do espaço que vamos trabalhar nesta pesquisa - o Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
## Conhecendo o Centro de Ciências da UFJF
Juiz de Fora é um município brasileiro no interior de Minas Gerais, com uma população de 520.810 habitantes (IBGE, 2011). É referência na área educacional, 95,6% da população é alfabetizada. Possui um forte centro de formação a nível superior, contando com uma Universidade Federal (18.868 matrículas - 988 docentes) e treze centros educacionais privados (19.300 matrículas -1.250 docentes). Além disso, possui vários colégios técnicos e cursinhos preparatórios (pré-vestibular). Também são contabilizadas 73.000 matrículas no Ensino Fundamental (62.000 em instituições públicas e 11.000 em instituições privadas), bem como 20.500 matrículas no Ensino Médio (14.000 públicas e 6.500 privadas). Encontram-se 4.790 docentes em exercício no Ensino Fundamental e 1.350 docentes no Ensino Médio no município.
Com toda essa estrutura, a cidade decide, então, abraçar a corrente que vem se estendendo pelo mundo afora, e inaugura em 26 de agosto de 2006 o Centro de Ciências da UFJF. Ele foi instalado em um prédio anexo ao Colégio de Aplicação João XXIII, também pertencente à universidade. Sua área física é de aproximadamente 1.000m². Seu custeio tem sido feito pelo apoio administrativo da UFJF e por editais submetidos a agências de fomento.
Atualmente, o espaço conta com três laboratórios de ciências (química, física e biologia); um Planetário Inflável; um Telescópio de alta resolução; um Jardim dos Sentidos; um Salão de Experimentos Interativos; uma Tabela Periódica Interativa; uma Sala de Exposição permanente, 'A Célula ao Alcance da Mão', com peças anatômicas humanas (parceria feita com o Museu de Ciências Morfológicas da UFMG); uma de Sala de Informática e uma Sala de Audiovisual.
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São desenvolvidos em seu espaço seminários, cursos, oficinas, exposições temporárias, concursos culturais, bem como a formação continuada de professores e atividades que visam a prática da inclusão social, já que instituições que trabalham com portadores de necessidades especiais visitam regularmente o espaço. Além disso, é responsável pela administração do Museu Usina Marmelos Zero.
As atividades do Centro de Ciências da UFJF são desenvolvidas e acompanhadas por acadêmicos através de programas de bolsas de treinamento profissional, apoio estudantil, extensão, iniciação científica e atuação voluntária. Trata-se de alunos da UFJF, como ainda de estudantes do ensino médio da rede pública estadual, através do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). São aproximadamente cinquenta bolsas que o espaço possui no momento - número não estável, uma vez que os bolsistas possuem uma considerável rotatividade. Os cursos que abarcam essas bolsas são: Artes, Artes e Design, Ciências Biológicas, Ciências da Computação, Ciências Exatas, Comunicação Social, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Física, Geografia, História, Medicina, Odontologia, Pedagogia e Química.
Além dos bolsistas o Centro de Ciências conta com o apoio de 3 funcionários administrativos, 2 técnicos de laboratório, 1 auxiliar de serviços gerais, 1 diretor, 1 coordenador acadêmico e 3 professores colaboradores.
Em 2011, o espaço registrou um público de 21.000 visitantes. Um número que vem crescendo ano a ano, havendo, portanto a necessidade de se manter uma reflexão constante sobre as atividades que realiza.
## Aproximação da arte com a ciência sob a ótica de uma pesquisa científica educacional
Certamente, ousar em novas metodologias ao aplicar práticas diferenciadas na construção do conhecimento pode ser uma atitude inteligente para os novos tempos em que vivemos. Neste sentido, a grande multiplicação dos museus/centros de ciências ou simplesmente a ampliação do conceito de educação, voltado durante muito tempo prioritariamente para as unidades escolares formais, tem sido de grande valia. Assim, além dessa renovação já apontada na área educacional, o espaço em estudo tem por objetivo chamar a atenção para o diálogo entre ciência e arte e suas possibilidades inovadoras para o ensino de ciência nos dias de hoje.
É importante lembrar que arte e ciência, em séculos anteriores, muitas vezes trabalharam juntas para desenvolver uma compreensão de todos os aspectos do mundo vivo e, de fato, havia muitos polímatas notáveis, de Leonardo da Vinci 1 a Ernest Haeckel 2 , cujo conhecimento e habilidades atravessavam ambas as disciplinas. Porém, com o passar dos anos e pela forte tendência a especialização, abriu-se uma enorme lacuna entre essas áreas do saber, tornando-se campos independentes.
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Nos séculos XVII e XVIII, a Europa vivia um período de grande desenvolvimento científico - as experiências e as descobertas eram muito estimuladas, as cidades cresciam, a indústria se desenvolvia, o homem conquistava o mundo e a ciência parecia capaz de resolver todos os problemas da humanidade. Consagrado o método científico e criadas as universidades, ciência e arte se tornaram independentes, tendo a arte deixado, aparentemente, de participar daquelas atividades de pesquisa e investigação, que passavam a ser consideradas como próprias dos cientistas. Assim, enquanto esses ganhavam cada vez maior importância e reconhecimento, os artistas passavam a uma condição menor, dedicando-se especialmente ao desenvolvimento e estímulo das emoções e dos sentimentos, mesmo tendo se profissionalizado e estando amparados por instituições sólidas. (COSTA, 2004, p.86).
Contudo, ao prosseguirmos pela história, podemos perceber que este distanciamento entre os dois campos do saber, vão se diluindo a medida que o homem começa a perceber que a ciência e a tecnologia não são capazes de resolverem todos os seus conflitos, ao mesmo passo que novas ciências vão sendo criadas, como, por exemplo, as ciências humanas, a antropologia, a psicanálise, a semiologia, a sociologia, etc., fazendo com que o conhecimento artístico se eleve novamente. Arte e ciência então, passam a ser reconhecidas, por muitos pesquisadores, como dois campos da unidade psíquica humana - duas vias a serem exploradas. Silvio Zamboni, idealizador e responsável pela criação da área de artes no Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPQ), trás em seu livro, A pesquisa em arte - um paralelo entre arte e ciência, uma citação de Bronoswski 3 que diz:
Há um fio que percorre continuamente todas as culturas humanas que reconhecemos e que é feito de dois cordões. Esse fio é o da ciência e da arte. Este emparelhamento indissolúvel exprime, por certo, uma unidade essencial da mente humana evoluída. Não pode ser um acidente (...) o fato de não haver, certamente, nenhuma cultura desprovida de ambas. (BRONOSWSKI, 1983, p.81 apud ZAMBONI, 2006, p.22)
Podemos observar no trecho abaixo, que relata o surgimento dos primeiros centros de ciências, uma forte presença da arte desde o início:
Marcando ainda mais essa mudança, principalmente nos Estados Unidos, surge um tipo de museu de ciência de contorno multidisciplinar integrando ciência, tecnologia e arte , recorrendo amplamente às técnicas interativas de caráter experimental - os denominados Science Centers . Um espaço que provoca, atrai, seduz, e motiva o visitante (GOUVÊA, 2001, grifo nosso).
Segundo Oliveira e colaboradores (2009), há razões convincentes para considerarmos o diálogo entre ciência e arte como uma espécie de didática no ensino de ciências, que, com padrões mínimos de regularidade, poderia aumentar as possibilidades de sucesso nos processos de ensino. Os Parâmetros Curriculares Nacionais em Arte (BRASIL,1997, p.35) também confirmam essa questão e coloca que esse diálogo interessa, principalmente, ao campo da educação.
Assim, sabendo-se que a área artística já está presente a um bom tempo no Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora - desde março de 2008, quando houve a abertura da primeira bolsa de estudos voltada especificamente para uma aluna de artes - decidimos, então, por verificar a opinião de todos os sujeitos envolvidos no espaço (mediadores, funcionários e professores colaboradores), sobre o que achavam da presença da arte neste ambiente científico.
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## Metodologia da Investigação
Utilizamo-nos de um questionário de cunho quali-quantitativo (MINAYO; SANCHES, 1993) contendo 6 questões abertas. Não houve a identificação de nome dos sujeitos pesquisados, apenas idade, sexo, área e o tempo de atuação no espaço. O questionário foi submetido voluntariamente aos mediadores, funcionários e professores colaboradores do espaço. Lembrando que mediador aqui se refere aos bolsistas, pessoas que exercem a função de ponte entre o conhecimento veiculado pela instituição e o público visitante. As respostas às questões foram analisadas por meio da análise de conteúdo a partir da criação de categorias a posteriori (BARDIN, 1979).
Ao final dessa investigação obtivemos 24 respostas, sendo 2 de funcionários, que apesar de serem da área administrativa também mantêm contato direto com o público, 1 do coordenador acadêmico, 2 dos técnicos de laboratório, 1 de um dos professores colaboradores e 16 dos mediadores. Muitos mediadores acabaram não respondendo, alguns por não lidarem diretamente com o público, como, por exemplo, os das áreas de comunicação social, de design e os da oficina (responsáveis pela manutenção dos 'brinquedos científicos'), outros devido ao período conturbado da pesquisa (greve), e outros não se dispuseram a participar. O diretor do espaço não respondeu por estar diretamente envolvido na pesquisa.
Das 6 questões abertas, apenas 3 (Quadro 01) serão discutidas nesse trabalho e as respostas, serão identificadas com nomes fictícios.
Quadro 01: Questões abertas analisadas nesta pesquisa.
## Resultados e Discussão
Observamos dentre os 24 sujeitos que participaram desta pesquisa uma pequena predominância do sexo masculino (54%), sendo que a maior parte possui idade entre 20 e 29 anos (37%). As áreas que predominaram foram Ciências Exatas, Física e Química (17% em cada área), seguida por Ciências Biológicas (13%), Enfermagem, Geografia, História, Pedagogia e Ciências da Computação (4%, respectivamente, em cada área) e 8% deixaram em branco esse item. Em relação ao tempo de atuação no espaço, observamos que 17% possuíam menos de 1 ano no espaço, 17% possuíam entre 1 a 2 anos, 21% possuíam entre 2 a 3 anos, 21% possuíam de 3 a 4 anos, 8% eram veteranos, isto é, possuíam mais de 4 anos na instituição e 16% deixaram em branco.
A primeira questão aberta analisada referiu-se a significação de 'espaço não formal de ensino'. As respostas evidenciam que todos os envolvidos tinham plena consciência da definição do lugar que atuavam, isto é, os centros de ciências, de um
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modo geral, se definem como um espaço não formal de ensino. Assim, 100% responderam de forma coerente com:
Locais onde o conhecimento não é avaliado conforme critérios oficiais ou tipos padrões de avaliação; são diferenciados da escola convencional (extraescolar); oferecem conteúdo e prática diferenciadas (sem rigor com espaço e tempo); o professor segue um roteiro não planejado por ele; onde podemos adquirir conhecimento de maneira não convencional (professor-aluno); local de intermédio entre a ciência e o visitante; onde podemos obter informação e cultura; local que também se preocupa com a popularização e divulgação científica'. (Sujeitos pesquisados)
A segunda questão foi sobre o que entendiam por processos de aprendizagem. Nessa, as opiniões foram bastante diversificadas, mas chamamos atenção para a seguinte resposta:
Cada um tem uma maneira particular de aprender; uns aprendem melhor quando o professor fala, outros quando o professor desenha e outros precisam de mais recursos para aprender. Pessoas são diferentes e as metodologias empregadas também devem ser (Maria).
A questão de número 6 - última questão a ser analisada nesse momento pode ser considerada a mais importante desta pesquisa, pois coloca em evidência a inter-relação ciência e arte: Será que ela (a arte) pode mesmo ajudar, de alguma maneira, no processo de ensino-aprendizagem dos alunos que visitam o Centro de Ciências da UFJF?
Os dados obtidos superaram as expectativas, 100% dos analisados disseram que sim:
Certamente a inter-relação ciência e arte torna a construção de conhecimento mais interessante porque envolve, além da razão lógica, o sentimento e a emoção (João).
Consideramos essa resposta o alvo de nossas discussões - a chave mais importante desse binômio, pois como na ideia apontada por Rubem Alves em seu livro Entre a ciência e a sapiência - O dilema da educação:
Aprender pode ser uma fonte de prazer. Pode ser, mas nem sempre é [...]. Muitas das vezes as escolas, os pais ou o próprio sistema pouco se importam com o prazer que o aluno possa ter. O importante é o boletim, se vai cair na prova, no vestibular... Note que 'prazer' não quer dizer 'facilidade' - existe um prazer imenso em escalar uma montanha, por exemplo (ALVES, 2004).
Nesse sentido, o autor ainda discute as possíveis causas desse aparente menosprezo ao prazer, comuns no cenário escolar:
A razão disso seria a de que em nossas escolas tudo está orientado no sentido de testar saberes. A questão do amor pelo objeto seja a geografia, a história, as ciências, é estranho aos nossos objetivos educacionais. É como se os alunos fossem castrados, lhe faltassem órgãos de prazer: não podem penetrar no corpo do prazer, [...] nem sentir o prazer de ser penetrados por ele. (ALVES, 2004).
Definitivamente não é esse tipo de educação que queremos para o nosso espaço. Não é esse tipo de educação que esses novos espaços estão buscando, pelo contrário, as atuais circunstâncias impõem o surgimento de estratégias diferentes daquelas proporcionadas pela educação estruturada na escola (GOUVÊA, 2008). Esses novos lugares estão incorporando a interatividade - a ideia do 'aprender fazendo', cujo envolvimento acontece não apenas pelo contato físico ('hands-on') , como também pelo intelectual ('minds-on' ) e afetivo ('hearts-on') , não esquecendo, é claro, do 'social-on' (PAVÃO; LEITÃO, 2007).
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## Destacamos que:
A interatividade hands-on/minds-on despertou o conceito da interatividade hearts-on , em que o envolvimento do visitante se dá através de emoções e de outras sensações sempre necessárias e úteis à construção do conhecimento (PAVÃO; LEITÃO, 2007).
Na verdade, essa emoção pode ser muito mais importante do que tem se pensado. O cientista cognitivo Donald A. Norman (2008, p.28), um dos pioneiros a trabalhar nos campos do que hoje é conhecido como psicologia cognitiva e ciência cognitiva, afirma que a emoção e cognição estão absolutamente entrelaçadas e que, 'de fato, a emoção é capaz de nos tornar mais inteligentes'. Ainda completa, 'sem diversão, prazer, alegria e entusiasmo e até ansiedade e raiva, medo e fúria, nossas vidas seriam incompletas'.
Note que não fica apenas por aí, o cientista ainda diz que em paralelo às emoções, há também um outro ponto importante: estética, atratividade e beleza. Assim, além do fator emocional já tratado e que é uma característica inerente ao saber do artista, temos também esse outro lado, o da beleza estética, que também pertence ao campo do conhecimento artístico.
Como respondeu um de nossos sujeitos: 'O aprendizado por processos puramente científicos, racionais e metódicos torna-se cansativo e desinteressante em muitas ocasiões' (Marcos). Havendo, portanto necessidade da linguagem artística, conforme completa outro:
Porque a linguagem artística é capaz de proporcionar, de certa forma, uma melhor aparência para o conhecimento, o que em um primeiro instante, rompe com a resistência do visitante à ciência, tornando o que era 'chato' em algo interessante 'divertido' (Vera).
## Considerações Finais
Muitas críticas tem sido tecidas acerca da memorização excessiva que os estudantes normalmente utilizam em suas atividades escolares, sendo que os conteúdos das disciplinas parecem não ser incorporados de forma crítica ou significativa. Talvez estejamos realmente precisando investigar fatores mais motivadores que levem nossos educandos a se interessarem mais pelo conhecimento. O presente estudo provoca essa intenção e, quem sabe, pode vir a ser uma porta de entrada na busca de estratégias para tornar o processo ensinoaprendizagem mais eficaz.
Após estas análises, fica evidente que as páginas escritas foram poucas para tratar de um assunto tão importante e tão rico, porém ainda incipiente. Este trabalho mostra o quanto pode ser interessante e até bastante necessário levarmos em consideração o fator emocional na questão da aprendizagem. Alegramo-nos em saber que, apesar de tanto bombardeio que o sistema educacional enfrenta, ele tem caminhado rumo a uma trajetória mais promissora e que, de alguma forma, também estamos sendo sujeitos desse novo momento histórico. Consideramos assim que nossa investigação fornece subsídios para compor a importante discussão sobre a potencialidade da união entre a arte e a ciência, não só nos espaços não formais, mas principalmente no cotidiano escolar, a fim de resgatar o prazer em aprender, o que certamente levará à aprendizagens mais significativas.
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## Referências
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BARBOSA, Ana Mae (org.) Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
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BASSOLI, Fernanda et al . Perfil e concepções dos mediadores de um centro de ciências: subsídios para um programa de formação In: I Encontro Internacional de Educação Não Formal e Formação de Professores, 2012, Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Rio de Janeiro.
COSTA, Cristina. Questões de Arte: o belo, a percepção estética e o fazer artístico. 1ª edição. São Paulo: Moderna, 2004.
GOUVÊA, Guaracira et al. Redes cotidianas de conhecimento e os museus de ciência Educação e Meio Ambiente. . Parcerias Estratégicas , Vol. 6, nº 11. 2001.
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MARANDINO, M. (org.) Educação em museus: a mediação em foco . São Paulo: Geenf/ FEUSP, 2008.
MEMÓRIAS DO SIMPÓSIO CIÊNCIA E ARTE, 2006, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. 93 pág.
MINAYO, M.C.S.; SANCHES, O. Quantitative and Qualitative Methods: Opposition or Complementarity? Cad. Saúde Públ. , Rio de Janeiro, 9(3): 239-262, jul/sep,1993.
NORMAM, Donald A. Design emocional: por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia-a-dia. Tradução Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2008. 278 pág.
OLIVEIRA, Denise F.; DE LA ROCQUE, Lucia R.; MEIRELLES, ROSANE M.S. Ciência e Arte: um 'entre-lugar' no ensino de Biociências e Saúde. In: Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências, VII. 2009, Florianópolis.
OLIVEIRA, Eliana; ENS Romilda T.; ANDRADE, Daniela B.S.Freire; MUSUS, Carlos Ralph. Análise de conteúdo e pesquisa na área da educação. Pontifica Universidade Católica de São Paulo. SP 2003.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS EM ARTE. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. 130p.
PAVÃO, A. C.; LEITÃO, A. Hands-on? Minds-on? Hearts-on? Social-on? Explainerson! In: MASSARANI, Luisa; MERZAGORA, Matteo; RODARI, Paola (orgs.). Diálogos & ciência: mediação em museus e centros de Ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2007, p. 39-46.
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