CIÊNCIA VIVA 2012 - ANÁLISE DE UMA CONCEPÇÃO DIFERENCIADA PARA UMA FEIRA DE CIÊNCIAS
Eduardo Kojy Takahashi, Silvia Martins, Liliane Ribeiro Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CIÊNCIA VIVA 2012 - ANÁLISE DE UMA CONCEPÇÃO DIFERENCIADA PARA UMA FEIRA DE CIÊNCIAS
Eduardo Kojy Takahashi 1 , Silvia Martins e Liliane Ribeiro da Silva 2 3
1 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Física/ektakahashi@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Física/smartins.silvia@gmail.com
## Resumo
Este trabalho tem o objetivo de apresentar as novas concepções que estruturaram a XVII Ciência Viva, que é uma feira do conhecimento realizada há 17 anos no município de Uberlândia-MG e analisar a reação das escolas da educação básica diante das mudanças efetuadas. A partir de análises sobre as edições anteriores da feira, foram introduzidas inovações com o intuito de torná-la atrativa não apenas aos estudantes, mas também propiciar ganhos de conhecimento aos professores orientadores, atribuindo, à mesma, um caráter de formação continuada a esses professores. Durante a preparação e realização da feira, foram feitas entrevistas com o intuito de avaliar a visão das escolas, professores e estudantes das escolas acerca desse evento. Embora essa experiência tenha recebido manifestações favoráveis por parte dos professores participantes, a participação das escolas ficou aquém das expectativas da comissão organizadora. São apresentadas algumas justificativas das escolas para a não participação no evento e concluímos que o objetivo das mudanças propostas foi apenas parcialmente atingido.
Palavras-chave : feira de ciências, divulgação científica, educação científica, espaço não-formal.
## INTRODUÇÃO
## Feiras de Ciências
As feiras de ciências são eventos em que os alunos são responsáveis pela apresentação de projetos que são planejados e executados durante o ano letivo. Assim, eles têm a oportunidade de experimentar uma iniciação científica, buscando soluções técnicas e metodológicas para os problemas que pretendem resolver.
De acordo com Mancuso (2000) a produção científica do estudante pode ser resumida em três categorias: i) montagem (reprodução de artefatos, produzidos a partir de receitas pré-estabelecidas, para explicar um determinado tema estudado em ciências); ii) informativos (divulgação de conhecimentos que julgam importantes à comunidade); iii) investigatórios (investigação sobre assuntos variados do conhecimento humano, evidenciando a construção do conhecimento e consciência crítica por parte dos alunos).
Assim, podem ser classificadas as qualidades dos trabalhos e estabelecidas metas para a realização de eventos dessa natureza. Segundo Gonçalves (2008), alguns pontos podem ser destacados como desejáveis em uma Feira de Ciências: i) caráter investigativo (e não apenas reprodução de uma atividade); ii) criatividade; iii)
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relevância (importância para a comunidade); iv) precisão científica (sem erros conceituais e com informações adequadas para a solução do problema proposto).
Nesse cenário, a comunicação das produções científicas para o público visitante contribui para a divulgação da ciência e para que os alunos demonstrem sua criatividade, seu raciocínio lógico, sua capacidade de pesquisa e seus conhecimentos científicos (MORAES, 1986).
## Ciência Viva - Breve Histórico
A feira científica 'Ciência Viva' é um evento municipal realizado anualmente desde 1994, na cidade de Uberlândia. Esse evento reúne trabalhos de diversos alunos do ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas, que apresentam trabalhos científicos, sob orientação de seus professores.
Esse evento expressa os resultados de uma parceria e de uma visão compartilhada entre o setor acadêmico representado pela Universidade Federal de Uberlândia, o setor público representado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia e o setor empresarial representado pela Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (através da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial). Estes setores da sociedade local compartilham o ideal de sempre incentivar projetos que buscam a formação de jovens cidadãos mais conscientes, mais preparados para o ingresso nas universidades e a descoberta de novos talentos para o mercado de trabalho.
Todavia, nos últimos tempos a feira tem passado por transformações que, de alguma forma, desmotivaram a participação dos estudantes e desestimularam parte da comissão organizadora.
Assim, em 2011 a equipe do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica) da Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia - MG, foi convidada a coordenar esse projeto. Nesse cenário, o Museu Dica, que hoje se configura como um dos principais agentes de divulgação científica na região, buscou conhecer o evento de perto, junto com a equipe da Secretaria Municipal de Educação e, então sugerir ações que estimulassem alunos e professores de escolas locais a participarem de suas atividades.
A partir dessa nova realidade, foram propostas algumas ações, buscando fomentar a busca pelo conhecimento científico. Em 2011, foi introduzida na Ciência Viva, além da feira tradicional sobre o tema proposto, um desafio com o intuito de gerar discussões multidisciplinares em torno de um problema comum. Essa experiência foi bastante interessante, no entanto, a participação das escolas ficou aquém das expectativas da equipe.
Nesse cenário, a equipe formulou, para 2012 um novo formato para a Ciência Viva e buscou avaliar os motivos que levam os professores e estudantes a participarem ou não deste evento.
## Museu Dica e a Feira Ciência Viva
Acreditamos que, além dos aspectos competitivos de uma feira de ciências, essas devem constituir-se como espaços diferenciados de ensino aprendizagem em relação a uma abordagem tradicional. Nesse sentido, uma característica que consideramos muito importante é o desenvolvimento pessoal dos envolvidos.
Assim, tornou-se necessário repensamos o papel da feira 'Ciência Viva' para além do aspecto puramente competitivo do evento, buscando renová-la para
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torná-la atrativa aos alunos e professores das escolas da educação básica, incorporando ganhos de aprendizagem para ambos.
Além disso, considerou-se que a referida feira não podia representar apenas um momento pontual no processo de ensino-aprendizagem das escolas, mas deveria se constituir como um processo regular de desenvolvimento de ações educativas dentro do calendário escolar. Neste sentido, foram introduzidas diversas modificações no evento, com o intuito de envolver as escolas desde o início do ano letivo.
Com toda a preocupação da comissão organizadora do evento na divulgação e assessoria às escolas, a participação de professores e estudantes neste evento foi maior do que no ano anterior, tanto em quantidade de projetos quanto em qualidade, todavia a participação não ocorreu conforme o esperado.
Neste artigo, apresentamos as concepções que estruturaram a XVII Ciência Viva, cujo tema é 'Energia na Vida e na Sociedade', e analisamos a reação das escolas diante das mudanças efetuadas.
## XVII CIÊNCIA VIVA
Partimos do princípio de que a aprendizagem ocorre pela formação de conceitos (AUSUBEL; NOVAK; HANESIAN, 1978), cujos significados são construídos, compartilhados e desenvolvidos nas interações sociais (VYGOTSKY, 1984) e que a aprendizagem pode ocorrer tanto nos espaços formais de educação, constituídos pelos ambientes escolares, quanto nos espaços não formais, constituídos pelos ambientes institucionais (museus, centros de ciências e parques), ou não institucionais (praça, parque, rua etc.) (JACOBUCCI, 2008).
Desta forma, uma feira, ou mostra de ciências pode ser utilizada como uma estratégia pedagógica de implantação de atividades voltadas à educação e difusão da ciência e tecnologia (LOPES et. al., 2011) e a sua realização, mesmo fora do ambiente escolar, além de divulgar a ciência à comunidade não escolar, ainda pode contribuir para a construção do conhecimento na área.
Tradicionalmente, os trabalhos são desenvolvidos, em geral, a partir da reprodução de roteiros já conhecidos pelos professores e/ou disponíveis em sites da internet. Nesta edição da feira, introduzimos um esquema de assessoria aos professores orientadores por pesquisadores da UFU, com intermediação de estudantes dos cursos de licenciatura, para propiciar novas oportunidades de discussão, definição e execução de projetos.
O maior fator motivador da participação dos estudantes e dos professores tem sido a premiação dos melhores trabalhos (troféus, medalhas e viagens), mas procuramos mudar o foco para a valorização da aprendizagem do estudante e divulgação do trabalho docente, com a criação dos Anais do evento na forma de artigos sobre os trabalhos produzidos, com os nomes de todos os estudantes e professores envolvidos.
Consideramos os principais objetivos de uma feira, ou mostra científica, que são, segundo Lopes et al. (2011)
a) aumentar a consciência sobre o papel e a importância da ciência na sociedade, proporcionando experiências educativas para que os cidadãos possam compreender os princípios científicos e tecnológicos; b) desenvolver habilidades específicas ou de interesse; c) promover a interação comunidade-escola; d) despertar o senso crítico; e) despertar o senso de cooperação;
e, ressaltamos outros objetivos relevantes, a saber: f) contribuir para a formação continuada do professor, levando-o a considerar importante participar das atividades
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da feira e g) estimular as habilidades de professores e estudantes na resolução de problemas sociais ou comunitários.
Visando a consecução dos objetivos a , b , d , e e g , mantivemos na XVII Ciência Viva uma novidade incorporada ao evento na edição de 2011, que é a proposta de solução criativa de um desafio, além da apresentação dos trabalhos temáticos. O desafio proposto foi:
## Contextualização
- A sociedade moderna depende fortemente de um tipo de energia para desempenhar a maior parte das suas tarefas cotidianas: a energia elétrica.
Entretanto, todos os processos atualmente utilizados para a obtenção de energia elétrica produzem impactos ambientais em algum grau e a demanda por este tipo de energia tem aumentado continuamente. Como exemplo, a Tabela abaixo mostra o consumo da energia elétrica distribuída pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) em 2010.
(*) Outras classes: poder público, iluminação pública, serviço público, consumo CEMIG. Fonte: (CEMIG) - Companhia Energética de Minas Gerais - Relatório Anual e de Sustentabilidade 2010.
Consequentemente, há uma grande preocupação mundial em discutir propostas que garantam os seguintes objetivos:
- a) Aumentar o uso da energia renovável como fonte de energia elétrica para minimizar os impactos ambientais;
- b) Tornar o uso da energia elétrica mais eficiente, aproveitando ao máximo a energia gerada, evitando desperdícios em seu consumo;
- c) Viabilizar o acesso de toda a população à energia elétrica, de forma sustentável;
- d) Conscientizar sobre os riscos do mau uso da energia elétrica e dos equipamentos que podem ser aprimorados ou mais bem utilizados.
## O Desafio
Nesse cenário, imagine que uma companhia elétrica está contratando cientistas para desenvolverem projetos visando o uso responsável da energia e minimizar os impactos ambientais para a produção de energia elétrica e que você pretende concorrer a essa vaga.
Para concorrer à vaga, os candidatos deverão elaborar um projeto, que deverá resultar em uma maquete (projeto piloto) demonstrativa de seu funcionamento e deverá apresentar sólidos fundamentos científicos que o justifiquem, além de demonstrar viabilidade técnica e econômica que o qualifiquem.
- As maquetes poderão ser reais, utilizando materiais adequados para sua construção, ou virtuais, que permitam apresentar a proposta com o apropriado uso de softwares.
Para atingir o objetivo f), a nova formatação do evento inovou com a inclusão dos seguintes pontos: i) inscrição dos trabalhos por meio de projetos; ii) oferta de minicursos aos professores para a elaboração desses projetos; iii) assessoria de professores e estudantes de cursos de licenciatura da Universidade aos professores orientadores, no desenvolvimento dos trabalhos cujos projetos fossem aprovados; iv) criação dos Anais do evento, com a inclusão dos trabalhos selecionados na forma
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de artigos e v) oferta de minicurso aos professores das escolas para a confecção dos artigos.
## Metodologia
No intuito de garantir uma boa divulgação do evento, a partir do primeiro mês do ano letivo foram realizadas as seguintes ações:
- a) Divulgação do evento por meio de comunicações à mídia jornalística local, facebook, site na internet, reuniões com os diretores das escolas, com o superintendente regional de ensino, com o secretário municipal de educação, com os professores das escolas e distribuição de folders nas escolas por bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID);
- b) Visita de estudantes do curso de licenciatura em física a 67 escolas do ensino médio, prontificando-se a atuar como mediadores entres os professores e a comissão organizadora do evento para esclarecimentos;
- c) Contatos telefônicos a 85 escolas de ensino fundamental e médio para confirmar recebimento de material informativo do evento, dirimir dúvidas e saber sobre a intenção da escola em participar do evento e, em caso negativo, conhecer os motivos para a não participação da escola e;
- d) Reunião da representante da Secretaria Municipal de Educação com os diretores das escolas municipais e contatos telefônicos e por e-mail com professores da rede municipal.
## Resultados e Análises
A quantidade de escolas de Uberlândia com potencial de participação na XVII Ciência Viva encontra-se na Tabela 1, assim como o número de escolas que efetivamente se inscreveram e a quantidade de projetos submetidos, de acordo com a modalidade de ensino.
Tabela 1: Quantificação das escolas potenciais para participação na XVII Ciência Viva, do número de escolas que efetivamente se inscreveram no evento e da quantidade de projetos submetidos, por modalidade de ensino.
Pela inspeção da Tabela 1, percebe-se uma baixa participação das escolas que poderiam participar da feira e alguns prováveis motivos serão apresentados a seguir.
Na reunião programada com os diretores das escolas de nível fundamental, médio, técnico profissionalizante e da educação de jovens e adultos para solicitar a divulgação interna da XVII Ciência Viva e apresentar as novidades, foram registradas 29 presenças (21 %).
A análise das edições anteriores da Ciência Viva já apontava para a dificuldade do envolvimento dos administradores das escolas, em geral, no incentivo
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à participação de seus professores e alunos no evento, atuando, boa parte deles, como uma barreira para evitar que o fluxo dessas informações atingisse esses atores educacionais. Os argumentos vão desde o excesso de tarefas dos professores da escola, até a descrença neste tipo de atividade educacional.
Quando os estudantes do curso de licenciatura em física visitaram 67 escolas do ensino médio, com o intuito de reforçar a divulgação do evento, entregando folders contendo informações detalhadas sobre as modalidades de participação e o regulamento do evento, apenas 57 dessas escolas (85%) os receberam, apesar de portarem uma carta de apresentação timbrada e assinada pelo coordenador do evento e dirigida à direção da escola.
No relatório das visitas às escolas, os estudantes expressaram-se por escrito sobre os seguintes aspectos da visita: por quem e como foram recebidos na escola e qual a demonstração da escola sobre a sua intenção em participar do evento.
Em 36 escolas, os estudantes puderam dialogar diretamente com o(a) diretor(a), o(a) vice-diretor(a), o(a) orientador(a) pedagógico(a), ou o(a) supervisor(a) de ensino. Destas, 05 se inscreveram (14%). Em 16 escolas, os estudantes foram atendidos pelo(a) secretário(a), ou pelo(a) porteiro(a) da escola. Uma destas escolas se inscreveu (6%). Em 5 escolas, foram atendidos por um(a) coordenador(a) de projeto, ou professor(a), sendo que 01 delas se inscreveu (20%).
A compilação das respostas entregues pelos estudantes mostra que em 38 escolas (67%) os estudantes foram muito bem recebidos, seja pelas autoridades escolares, ou pelos(as) secretários(as), porteiros(as), ou professores(as). Por outro lado, em 17 escolas (30%) eles foram recebidos com indiferença e em 2 delas foram mal recebidos.
Das escolas que receberam muito bem os estudantes, pelo menos 2 já tinham participado de edições anteriores da feira. Em uma delas, a professora disse ter participado da última edição da Ciência Viva e pela experiência que teve não participaria nesse ano. Lamentando bastante, ela disse ser necessário muito empenho e dedicação e se mostrou indisposta. A diretora dessa escola também reclamou sobre a falta de recursos financeiros para transportar os alunos para Belo Horizonte, onde participariam de feiras em nível estadual depois de conquistarem premiações na Ciência Viva e expôs isso como algo desmotivador.
Em relação à atratividade do evento, a Tabela 2 mostra a quantificação das demonstrações das escolas em participar ou não (percebidas pelo estudante ou emitidas pelo atendente) comparativamente com a quantidade daquelas que efetivamente realizaram inscrições de projetos no evento, que foram 06 no ensino médio regular.
Tabela 2: Quantificação das intenções de participação das escolas de ensino médio consultadas e efetiva realização de inscrições.
Em uma dessas escolas, o diretor mostrou desinteresse e disse que o tempo era pouco para atender a todos os eventos a que eram convidados. Este fato,
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conjugado a outras argumentações de excesso de atividades escolares, leva a um questionamento sobre quais atividades extracurriculares as escolas estão considerando e que reflexos estas atividades possuem na formação conceitual e procedimental dos estudantes. Em que aspectos estarão se valendo, as escolas, dessas diversas estratégias educacionais alternativas? Embora as respostas a essas questões não sejam objeto desse trabalho, convém considerar que a prioridade na escolha das atividades não-formais para a educação científica devem ser escolhidas para estimular a aprendizagem intencional e significativa, os processos cognitivos de transferência e não somente de retenção (MOREIRA, 1999; MOREIRA; 1983; REZENDE, 2002) e as competências metacognitivas de aprender a aprender e solucionar problemas com tecnologias (MAYER, 2002).
A supervisora de uma das escolas visitadas mostrou muita satisfação em receber informações sobre a Ciência Viva e, segundo ela, quase não são notificados sobre eventos desse tipo. Se considerarmos que outras escolas também afirmaram não ter conhecimento da XVII Ciência Viva, isso indica que há um sério problema de comunicação entre a secretaria municipal de educação, ou a superintendência regional de ensino e as escolas, pois ambas comprometeram-se a notificar as escolas sob suas jurisdições sobre o evento.
Apesar desses dados insatisfatórios, pelo menos 3 escolas já estavam se preparando para enviar projetos para o evento e 2 escolas que, inicialmente, haviam demonstrado desinteresse em participar, inscreveram projetos, sendo que uma delas inscreveu dois projetos.
Ao se contatar por telefone 85 escolas de todas as modalidades de ensino (representando 62% do total de escolas potenciais participantes), 24 confirmaram que iriam submeter projetos ao evento (28%). Este percentual claramente ficou muito aquém do esperado.
Uma possível justificativa está na necessidade de elaboração de um projeto, cuja prática é desconhecida pela maioria dos professores. Apesar de terem sido ministrados 2 minicursos sobre confecção de projeto, com ampla divulgação pela mídia, a presença nos mesmos foi insignificante. Como alternativa, o material do curso foi disponibilizado na internet, em um ambiente virtual de aprendizagem , 1 juntamente com um recurso de comunicação assíncrona com o professor do minicurso. O fato foi divulgado às escolas, mas ainda assim, apenas 25 inscrições foram registradas no ambiente virtual de aprendizagem.
Outro fator que deve ter contribuído para o baixo número de projetos inscritos pode ter sido a forma de envio do projeto, que era feita por meio de um link específico colocado no site do evento. Apesar das orientações disponibilizadas no ambiente de envio de projetos, esta prática também não é muito utilizada pelos professores.
Das 15 escolas que declararam, na consulta por telefone, não ter intenções de participar, 6 justificaram possuir acúmulo de tarefas internas, outras 6 justificaram o desinteresse por parte do professor e as demais, motivos diversos.
Além disso, a introdução da confecção de Anais do evento, contendo pequenos artigos sobre os trabalhos aprovados constituiu-se em nova barreira para os professores, uma vez que eles não possuem a prática da confecção de artigos científicos. Apesar de ter sido ministrado um minicurso sobre confecção de artigos (também com baixa frequência e igualmente disponibilizado na internet), esse fator também contribuiu para desestimular a participação das escolas no evento.
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## Considerações Finais
Consideramos que as novidades introduzidas na Ciência Viva contribuem para incorporar melhorias no processo de ensino-aprendizagem de Ciências. A divulgação antecipada do tema do evento permite que as escolas se programem para incluir as atividades no planejamento anual das disciplinas de conteúdo científico, evitando que se tornem pontuais ou estranhas ao processo de ensinoaprendizagem. A assessoria aos professores orientadores possibilita ganho de conhecimento e maior qualidade aos trabalhos desenvolvidos, enquanto os minicursos complementam a formação continuada do professor. As dificuldades encontradas para divulgar o evento aos professores precisam ser melhor trabalhadas pela comissão organizadora, que não pode optar por utilizar intermediários escolares nesse processo. As dificuldades apresentadas pelos professores nesta primeira edição (elaboração de projetos e confecção de artigo) só serão minimizadas com a prática e, portanto, é importante persistir nesses pontos. Finalmente, consideramos que estamos propiciando uma concepção diferenciada à uma feira do conhecimento, o que pode contribuir para torná-la mais atrativa a estudantes e professores.
## Agradecimento
Os autores agradecem à Fapemig e ao CNPq pelo auxílio recebido.
## Referências
AUSUBEL, D. P.; NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Educational Psychology: a Cognitive View. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1978.
JACOBUCCI, D. F. C. Contribuições dos espaços não formais de educação para a formação da cultura científica. Revista Em Extensão , v. 7. P. 55, 2008.
LOPES, R.D.; FICHEMAN, I. K.; SAGGIO, E.; CORREA, A. G. D.; SANTOS, E. R. al. Potencialidades das feiras e mostras científicas investigativas como estratégia pedagógica; o caso da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE). In Anais da XII Reunião da Red POP RedPOP, 2011. Disponível em http://www.mc.unicamp.br/redpop2011/trabalhos/280.pdf. Acesso em julho de 2012.
MAYER, R. E. A taxonomy for computer-based assessment of problem solving. Computer in Human Behavior, vol. 18, p. 623 - 632, 2002
MOREIRA, M. A. Uma Abordagem Cognitivista ao Ensino de Física , UFRGS, Porto Alegre, 1999
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Aprendizagem Significativa , Unb, Brasília, 1983
REZENDE, F. As Novas Tecnologias na Prática Pedagógica sob a Perspectiva Construtivista. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências , vol 2, n. 1, p. 1 18, 20002.
VYGOTSKY, L.S. Formação social da mente . São Paulo: Martins Fontes, 1984.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.