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A AVALIAÇÃO NA VISÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO EM CAICÓ/RN: UM ESTUDO INICIAL

Erlania Hélen Da Silva Fernandes, Clarissa Souza De Andrade

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A AVALIAÇÃO NA VISÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO EM CAICÓ/RN: UM ESTUDO INICIAL

## Erlânia Hélen da Silva Fernandes , Clarissa Souza de Andrade 1 2

1 IFRN/ Câmpus Caicó, erlaniahelen@gmail.com

2 IFRN/ Câmpus Caicó, clarissa.andrade@ifrn.edu.br

## Resumo

São inúmeras as preocupações acerca do ensino de Física no Brasil, desde aquelas referentes a livros didáticos, a abordagens de ensino, ao uso de novas tecnologias em sala de aula, à prática do professor, dentre tantas outras. No âmbito da prática do professor, a avaliação tem se destacado como preocupação nos últimos anos. Com o intuito de contribuir para as discussões acerca da avaliação no ensino de Física, no âmbito da formação docente, é que se insere este trabalho - que procura refletir sobre a avaliação na visão de professores de Física do Ensino Médio. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com quatro professores de Física do Ensino Médio da rede pública do município de Caicó/RN. As discussões foram feitas a partir dos discursos dos professores entrevistados e apoiadas na perspectiva da avaliação mediadora (HOFFMANN, 2009). O estudo foi desenvolvido por alunos da licenciatura em Física e está articulado ao PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) do IFRN/câmpus Caicó. Nos resultados, verificou-se a defesa por uma avaliação que se distancie da perspectiva tradicional, mas várias dificuldades quanto à prática foram evidenciadas, além de aspectos interessantes nos discursos dos entrevistados que mereceram ser destacados.

Palavras-chave : Avaliação; Ensino de Física; Ensino Médio

## Introdução

São inúmeras as preocupações acerca do ensino de Física no Brasil, desde aquelas referentes a livros didáticos, a abordagens de ensino, ao uso de novas tecnologias em sala de aula, à prática do professor, dentre tantas outras. A prática pedagógica dos professores tem sido motivo de muitas discussões, fortalecendo uma linha de pesquisa preocupada com a formação de professores de Física. No âmbito desta última, a prática avaliativa do professor tem se destacado.

Quando falamos em avaliação , é comum lembrarmos-nos de inúmeras reclamações dos alunos e dos professores sobre esse aspecto, o que demonstra certa preocupação de ambas as partes. Quando o assunto é avaliação nas aulas de Física, o problema parece ainda maior, com os alarmantes índices de notas baixas e reprovações. A prática avaliativa dos professores parece causar impactos ou influências significativas na vida escolar dos estudantes. A esse respeito, Abib (2010, p.141) afirma que:

Para o ensino de Ciências Naturais e, em particular, para o ensino de Física, essas influências são bastante conhecidas, dados os resultados extremamente precários da qualidade da aprendizagem nessa área por grande parte dos alunos da escola básica. Esse quadro chega a configurar, com denomina Fourez (2003), uma verdadeira 'crise no ensino de Ciências', na qual diversos fatores estão associados às suas proposições curriculares mais frequentes, entre eles, a questão da avaliação.

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20 a 25 de janeiro de 2013

Para Hoffmann (2010), o tipo de avaliação sentenciva - assemelhada a uma sentença, que se resume a atribuição de notas - é uma das grandes responsáveis pela evasão de crianças e jovens da escola, o que nos traz a necessidade de reflexão urgente acerca do assunto. Opondo-se à avaliação sentenciva , Hoffman (2009) propõe uma avaliação mediadora , integrada a todo o processo de ensino:

A perspectiva de avaliação mediadora pretende, essencialmente, opor-se ao modelo do 'transmitir-verificar-registrar' e evoluir no sentido de uma ação reflexiva e desafiadora do educador em termos de contribuir, elucidar, favorecer a troca de ideias entre e com seus alunos num movimento de superação do saber transmitido a uma produção de saber enriquecido [...] (HOFFMANN, 2009, p. 116).

Barros Filho e Silva (2002), em pesquisa orientada a fazer uma discussão crítica sobre a avaliação em cursos de Física, afirmam que a avaliação tem sido um aspecto bastante complexo e controverso no meio educacional, constituindo-se como o 'coração' de todo o processo de ensino-aprendizagem. Apontam que, mesmo em cursos baseados em pressupostos construtivistas, as avaliações têm, estruturalmente, as mesmas características que as de cursos tradicionais.

Entendemos que a área de pesquisa avaliação no ensino de Física ainda tem muitos desafios pela frente. Com o intuito de contribuir para as discussões acerca da temática no âmbito da formação docente é que se insere este trabalho, procurando refletir sobre a avaliação na visão de professores de Física do Ensino Médio. Essa reflexão será feita através dos discursos de quatro professores da rede pública de ensino do município de Caicó / RN.

- O trabalho se insere no contexto de uma pesquisa desenvolvida por alunos da licenciatura em Física, articulada ao PIBID do IFRN/câmpus Caicó, que -compreendendo a relevância da temática e buscando contribuir com a discussão do tema no contexto das escolas investigadas - optaram por se debruçar na área e colher elementos da visão de professores em exercício acerca da avaliação.

## Metodologia

Trata-se de uma pesquisa em andamento acerca do tema 'avaliação', apresentando seus primeiros resultados, que, nesta fase, teve como objetivo colher elementos das visões de professores de Física do Ensino Médio sobre a avaliação.

Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com quatro professores de Física da rede pública de ensino do município de Caicó/RN. Dois dos entrevistados são licenciados em Física e mestres nas áreas de Educação e Ensino de Ciências; os outros dois são licenciados em Matemática, estando um deles atualmente cursando a licenciatura em Física. Esses professores tem uma experiência docente que varia de nove à vinte e dois anos de sala de aula. Utilizamos como critério de seleção dos sujeitos, lecionar em uma das quatro principais escolas estaduais da cidade, de modo que tivéssemos representantes das quatro escolas. Os sujeitos serão identificados nesta pesquisa como professores A, B, C, e D.

- O roteiro de entrevista foi elaborado, considerando os objetivos gerais da pesquisa mais ampla, que pretende discutir a avaliação a partir de concepções de diferentes sujeitos envolvidos nesta prática (professores em exercício e

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licenciandos). Pretende ainda, investigar os instrumentos e práticas avaliativas comumente empregados/defendidos por eles.

Para este trabalho, como recorte de estudo, utilizamos cinco das dez perguntas de nossa entrevista. São elas: 1) Para você, o que é avaliação; 2) Como você costuma avaliar os seus alunos na disciplina de Física?; 3) Como você 'sabe' ou percebe que o aluno aprendeu?; 4) Você considera importante inovar nas práticas avaliativas? De que forma? Você tem implementado essas inovações?; 5) Você enfrenta alguma dificuldade na sua prática avaliativa? Qual(is)?

Procedemos às entrevistas, à transcrição das falas dos professores, à tabulação e análise dos dados. Na tabulação/ análise, consideramos: falas que se repetiam, falas 'inéditas' e ausências (considerando sempre nosso aporte teórico). Com os dados já refinados em mãos, procuramos refletir sobre os mesmos, fundamentando-nos na perspectiva da avaliação mediadora (HOFFMANN, 2009).

Na discussão dos resultados, elegemos os discursos mais representativos para as questões, item por item. Na questão em que não foi possível eleger discursos mais representativos, trouxemos os discursos de todos os entrevistados.

## Discussão dos Resultados

## Em defesa de uma perspectiva avaliativa não tradicional

Os quatro professores entrevistados quando questionados sobre o significado de avaliação (questão 1), explicitam uma concepção que procura se distanciar da perspectiva tradicional, como ilustra a fala do professor D:

[...] a avaliação deve ser progressiva, para frente, não é simplesmente um teste tradicional através de cálculos. Avaliação deve ser algo que sinalize para uma construção, um caminhar .

## Seguindo a mesma lógica, expressa o professor B:

Avaliação não é só atribuição de nota - apesar de ser cobrado - mas sim um processo contínuo em que deve ser levado em consideração o desenvolvimento, ou melhor, a aprendizagem dos alunos . [...] .

Os discursos sugerem que os professores entendem que a avaliação deve se preocupar com o desenvolvimento dos alunos, refletindo sobre a aprendizagem dos estudantes, não voltando sua preocupação para o aspecto quantitativo e sim para o qualitativo. Ao se distanciar da perspectiva tradicional, aproximam-se de perspectivas mais atuais, como a da avaliação mediadora (HOFFMANN, 2009).

O pressuposto de que a avaliação não é atribuição de notas é um aspecto que merece ser destacado como resultado satisfatório. Além de ser um argumento explícito do professor B, nenhum dos outros entrevistados define avaliação como 'dar notas' ou algo semelhante. Para Hoffmann (2010, p. 46), essa seria uma forma simplista e ingênua de significar a avaliação, que reduziria o complexo processo de avaliar a um único instrumento auxiliar do processo (as notas).

## Uma gama de instrumentos avaliativos...

Ao serem questionados sobre como avaliam seus alunos (questão 2), todos os professores fazem referência aos instrumentos avaliativos que utilizam. Os quatro

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entrevistados mencionam mais de um tipo de instrumento, dentre os quais, a prova que foi citada por todos. O professor C cita os instrumentos que utiliza:

Utilizo seminários, experimentos, provas, lista de exercício, leituras.

No discurso de D encontramos alguns instrumentos ou práticas avaliativas menos comuns:

Avalio com resumos, aulas debates, mapas conceituais e provas, já que a escola exige. Avalio com metodologias mais abertas. [...]

A pergunta da entrevista de caráter aberto teve por propósito deixar os entrevistados livres para se expressarem acerca da questão. Percebemos que a preocupação central dos docentes foi relatar instrumentos avaliativos diversificados. Pensamos que é positiva essa diversificação. No entanto, não podemos deixar de destacar a ausência de um discurso que tenha se preocupado em explicitar ações para melhorias no processo de aprendizagem dos alunos, que se constitui como um importante momento de uma prática avaliativa mediadora.

## A prova não diz muito

É unânime no discurso dos professores a defesa de uma prática avaliativa preocupada com a aprendizagem dos alunos, como mostramos com os resultados da questão 1. Com isso, podemos afirmar que - a nível de intenção - os entrevistados concordam com uma perspectiva avaliativa que se mostre como alternativa à avaliação classificatória tradicional.

Quando questionados sobre como percebem que seus alunos aprenderam (questão 3), os professores evidenciam dados interessantes para análise.

A ideia mais defendida pelos entrevistados (três dos quatro professores) é que costumam perceber que seus alunos aprenderam não pelo que fizeram na prova e sim ao longo das situações propostas em sala de aula, como fica claro no discurso do professor C:

[...] Eu vejo que os alunos aprenderam quando eles se colocam, se expressam muitas vezes até mais do que nas provas . [...] Percebo que o aluno aprendeu quando vejo mudança em seu pensamento.

Ou no discurso do professor B:

Nem sempre percebo que o aluno aprendeu pelo que ele fez na prova e sim em seu dia a dia.

Também sinalizando que a prova pode não 'dizer muito', expressa A:

[...] alunos que acompanhamos e vemos que no seu dia a dia escolar, ele são bons, às vezes não se dão bem na prova.

Evidencia-se nos discursos a ideia de que as provas não possuem grande potencial para que percebam a aprendizagem dos alunos. Para Hoffmann (2009), esse é um ponto que merece reflexão:

Qual o significado de tarefas e provas realizadas ao final dos períodos letivos? Ou tarefas cujo sentido é o de coleta periódica de resultados alcançados pelos alunos? Em que medida refletem os professores sobre as tarefas dos alunos, seus entendimentos, desentendimentos, novas descobertas? (HOFFMANN, 2009, p. 118).

Com uma ideia de avaliação integrada a todo o processo de aprendizagem, os professores entrevistados afirmam que a percepção da aprendizagem de seus

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alunos acontece no dia a dia, observando a mudança de pensamento dos estudantes, através de diálogos propostos em sala. Poderíamos nos perguntar, então: qual o sentido das provas e demais instrumentos avaliativos empregados?

Apesar do discurso marcante na perspectiva da avaliação mediadora (no primeiro item), não fica claro como esses professores põem em prática tal tipo de avaliação. Ou, como conciliam a intenção da avaliação mediadora com a atribuição de nota. Considerando que o sistema de ensino 'cobra' o quantitativo, como esses professores lidam com o fato de ter que atribuir uma nota, já que percebem que seus alunos aprenderam a partir de diálogos no dia a dia da sala de aula?

De acordo com Hoffmann (2009), a relação dialógica se constitui como princípio fundamental da avaliação mediadora. A questão central que parece se colocar aqui é: como incorporar a relação dialógica na prática avaliativa em sala de aula, ultrapassando o plano das intenções?

A fala do professor D, que nesse quesito, tem um posicionamento diferente do grupo investigado, pode ajudar a refletir sobre a questão:

Eu percebo que o aluno aprendeu, pensando na prova, quando ele consegue desenvolver aquelas coisas que eu proponho para ele; nos resumos quando conseguem transitar por cinco páginas e enxugar em uma única página; nos mapas conceituais quando eles conseguem fazê-lo e avançar.

O professor D deixa claro que utiliza os instrumentos avaliativos para perceber se o aluno aprendeu ou não, aproximando sua prática avaliativa à sua intenção manifesta por uma avaliação não tradicional. Por especificar exatamente alguns instrumentos e seu objetivo diante de cada uma deles, podemos dizer que o docente tem clareza em sua prática avaliativa, sendo este um dado positivo. Além disso, o que chama atenção em seu discurso é justamente o fato de fazer uso dos instrumentos avaliativos para acompanhar o progresso dos alunos, aproximando sua prática avaliativa a perspectiva defendida por ele.

## Em defesa das inovações

Todos os professores defendem que é importante inovar na prática avaliativa , quando questionados a esse respeito (questão 4). Os principais argumentos utilizados para justificar essa importância dizem respeito à tentativa de se distanciar dos métodos tradicionais, que nesse contexto podemos dizer que se referem a provas. A fala de A é representativa da defesa do grupo:

É muito importante inovar nas formas de avaliar para não ficarmos presos ao tradicionalismo. Procuro inovar todos os dias!

Entretanto, apenas dois entrevistados explicitam como buscam inovar. O professor B diz:

- [...] Procuro inovar utilizando experiências e trabalhos, avaliando quem tem mais facilidade de manusear a experiência .

E o professor D, que procura se distanciar de um processo 'chato':

[...] Costumo inovar com músicas, textos, discussões, assuntos da atualidade procurando fazer com que o processo não se torne tão chato.

Apesar da defesa unânime pelas inovações, os entrevistados não apresentaram muitos argumentos sobre esse aspecto. Os mesmos citaram alguns

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procedimentos ou instrumentos que utilizam para inovar, demonstrando o intuito de se distanciar do tradicionalismo. Esse é um ponto que merece ser mais bem investigado, já que não tivemos - na pesquisa - dados para compreender melhor a questão, não conhecendo, por exemplo, os objetivos avaliativos específicos dos professores diante das inovações citadas. Tais dados podem ser reveladores de formas de aproximação da avaliação mediadora pretendida.

## Professor solitário, alunos 'resistentes", turmas numerosas e heterogêneas...

Ao expor se enfrentavam dificuldades na prática avaliativa e quais seriam essas (questão 5), os entrevistados apresentaram dificuldades distintas uns dos outros. Por isso, apresentamos as falas dos quatro professores, abaixo.

## Na fala de A:

[...] Na maioria das vezes me sinto sozinha porque quando tento fazer diferente, encontro algumas barreiras na sala de aula com os próprios alunos , por estarem tão acostumados ao método tradicional [...].

A resistência dos alunos em aceitarem práticas inovadoras parece recorrente no meio educacional. É de suma importância que o professor sempre deixe claro seus objetivos quanto à prática adotada, bem como os benefícios das mesmas para os alunos, para que encarem a nova proposta positivamente.

## O professor B aponta outra dificuldade:

Temos classes heterogêneas com tipos de aprendizagens diferentes. Alguns têm mais facilidade e outros não, sendo assim muitas vezes tentamos avaliar de um jeito e não dá certo para alguns [...].

A fala de C expressa um conjunto de dificuldades:

Na atribuição de notas, salas lotadas e pouco tempo que passamos com os estudantes são fatores que dificultam a prática avaliativa.

Sobre a dificuldade na atribuição de notas, Hoffmann (2010) alerta que em educação, a medida (quantificação) como indicador só tem sentido a partir da interpretação pelo professor do que, de fato, representa quanto à produção de conhecimento pelo aluno.

A grande quantidade de alunos e poucas aulas de Física é, segundo Hoffmann (2009), uma queixa frequente. Para a autora, a afirmação tem por trás a hipótese de que a avaliação mediadora exige que o docente permaneça maior tempo em sala de aula com seus alunos. Ainda, que a avaliação mediadora exige atendimento direto e individualizado ao aluno (HOFFMANN, 2009, p. 112). Aponta, então, a necessidade de discutirmos melhor o sentido de 'acompanhamento', para que possamos desvinculá-lo da ideia de explicação, encaminhamento e orientação direta, verbal e individual.

## O professor D também expressa suas dificuldades:

Às vezes demoro muito para fazer um teste [...] Além disso, são muitas aulas e o próprio sistema de ensino cobra metas de aprendizagem do tradicional, avanço nos números da educação, sendo assim, a avaliação acaba sendo aplicada da forma tradicional.

A cobrança do sistema de ensino acerca das metas de aprendizagem com perfil tradicional é também uma dificuldade bastante presente no discurso docente

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em geral. De acordo com Hoffmann (2009, p. 112, 124), o argumento de que não é possível alterar o paradigma de avaliação diante das exigências burocráticas do sistema, traz implícita a ideia que a avaliação classificatória praticada não é opção do professor, mas decorrente de exigências burocráticas. Para esse quesito, a autora explicita sua crença de que não se possam iniciar mudanças pelas alterações do sistema, considerando que mudanças em estatutos não poderão provocar a tomada de consciência dos educadores sobre o significado da prática avaliativa. Acreditamos que esse é um ponto muito polêmico, controverso e que necessita ser mais discutido no meio educacional na busca de nos aproximarmos do ideal de avaliação mediadora que estamos defendendo.

## Conclusões

Com as análises, foi possível perceber vários aspectos importantes da visão de quatro professores de Física da rede pública de ensino de Caicó/RN sobre a avaliação. Esses aspectos pretendem contribuir com a discussão de uma prática avaliativa mais eficaz no ensino de Física, ao passo que podem também servir para discussão/reflexão com os próprios docentes investigados.

Constatamos que foi unânime entre os professores, a defesa por uma avaliação que se distancie da avaliação tradicional . Nenhum professor vinculou o significado de avaliação a atribuição notas, nem a provas, fortalecendo o ponto de vista defendido pelos entrevistados. Esse foi um dado bastante satisfatório. Hoffmann (2010) afirma que essa consciência é essencial para que os professores de fato assumam uma prática avaliativa mais condizente com melhorias na aprendizagem dos alunos. Apesar dessa consciência, são muitas as dificuldades postas e nem sempre essa ideia se concretiza na prática.

Quando foram questionados sobre como avaliam seus alunos , se preocuparam em citar instrumentos avaliativos diversificados, demonstrando que não se restringem a provas bimestrais, mas lançam mão de outras estratégias como seminários, experimentos e até mapas conceituais. Não encontramos nos discursos, demonstração de como tais instrumentos, além, de diagnosticar serviriam a contribuir para os alunos avançarem em seu processo de aprendizagem, ponto fundamental de uma avaliação mediadora.

Um dado que muito nos chamou atenção foi a expressão pela maioria dos professores (três) de que a prova não é o instrumento mais eficaz para perceber se os alunos aprenderam. Ao invés disso, defendem que o diálogo no dia a dia em sala de aula seja mais acertado, expressando que nem sempre as percepções por essas duas 'fontes' coincidem. Vale lembrar que o diálogo (ou algo que o incorpore) não figura entre os instrumentos avaliativos listados pelos docentes. Este é um ponto que revela: por um lado, que a relação dialógica é um princípio fundamental da avaliação mediadora; por outro, que este princípio é excluído do processo avaliativo 'formalizado', materializado na atribuição de notas por meio de outros mecanismos.

Todos os entrevistados defenderam as inovações na prática avaliava , compreendendo-a como a tentativa de se aproximar de uma avaliação que se distancie da tradicional: esse foi mais um dado satisfatório da pesquisa. Contudo, o aspecto das inovações merece ser mais bem investigado, já que não tivemos neste momento - dados para compreender com mais precisão a questão, carecendo investigar quais os sentidos atribuídos pelos entrevistados às inovações e quais as

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formas de implementação e viabilidade dos recursos de inovação mencionados. Vale ressaltar ainda que foi a partir do aspecto das inovações que as dificuldades começaram a aparecer com mais evidência, como a resistência dos alunos frente aos métodos avaliativos inovadores.

A dificuldade na atribuição de notas foi citada apenas por um professor. Esse foi um fato curioso, já que o sistema de ensino trabalha com notas e isso costuma gerar 'angústias' nos professores. Entendemos que este seja um dado satisfatório, atestando que a preocupação com a quantificação não se destacou entre o grupo investigado. Elevado número de alunos em sala de aula, poucas aulas de Física e as cobranças do sistema de ensino foram mais algumas dificuldades que os professores apontaram na entrevista.

Diante das análises, vieram à tona questões que merecem ser aprofundadas, seja em outros estudos, seja na própria pesquisa em andamento. No caso da atribuição de notas, comentado anteriormente, surgem as seguintes questões: estariam as notas atribuídas correspondendo ao processo de aprendizagem dos alunos? Estariam servindo aos propósitos de uma avaliação mediadora? Não estaríamos caindo na avaliação sentenciva, da qual optamos por nos afastar? São perguntas que merecem reflexão. Questões de natureza geral também foram levantadas: há algo específico na visão de avaliação do grupo por serem professores de Física ou são visões compartilhadas por professores de qualquer área do conhecimento? Essa visão é também compartilhada por professores de Física de outras localidades do país? Embora nossa hipótese seja a de que é uma visão amplamente compartilhada por professores de qualquer área, entendemos que carece de um estudo comparativo para que a hipótese seja elucidada e validada.

Os resultados sinalizam que os docentes investigados incorporaram a defesa por uma avaliação que procura se distanciar da tradicional e que, gradativamente, procuram colocá-la em prática, mesmo com muitos problemas a serem vencidos. Informações relevantes para a prática docente foram evidenciadas e discutidas. Acreditamos, assim, que os resultados do estudo serão importantes para a continuidade da pesquisa articulada a outras questões de investigação do PIBID e para que os educadores reflitam acerca da prática avaliativa frente às dificuldades existentes, sempre em busca de uma avaliação que possa contribuir com a melhoria do processo de ensino-aprendizagem em nossas escolas.

## Referências

ABIB, Maria Lúcia Vital dos Santos. Avaliação e melhoria da aprendizagem em Física. In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa et al. Ensino de Física. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

BARROS FILHO, Jomar; SILVA, Dirceu. Buscando um sistema de avaliação contínua: ensino de eletrodinâmica no Nível Médio. Revista Ciência & Educação, v.8, nº1, p.27 - 38, 2002.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da préescola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio - uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2010.

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