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A PARCERIA UNIVERSIDADE-ESCOLA BÁSICA: PESQUISA COM A ANÁLISE DO DISCURSO DE GEE

Isa Costa, Glória R. P. C. Queiroz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PARCERIA UNIVERSIDADE-ESCOLA BÁSICA: PESQUISA COM A ANÁLISE DO DISCURSO DE GEE

Isa Costa , Glória R. P. C. Queiroz 1 2

1 Universidade Federal Fluminense/Departamento de Física, isac@if.uff.br

2 Universidade Estadual do Rio de Janeiro/Instituto de Física; Universidade Federal Fluminense/ Programa de Pós-Graduação em Educação, gloria@uerj.br

## Resumo

O presente trabalho reúne dois temas em foco na pesquisa em ensino: a parceria Universidade-Escola na formação de professores e o uso da análise do discurso como recurso de construção de dados qualitativos. São explorados os Discursos de três docentes formadoras (D1 e D2, da Faculdade de Educação e D3 do Departamento de Física) de uma Universidade Federal para pesquisar suas concepções de parceria na perspectiva da formação de professores em geral, e de Física em particular. O referencial teóricometodológico utilizado para a análise do discurso é o de James Paul Gee. Os Discursos são obtidos através de entrevistas semiestruturadas. Ficamos restritas apenas às perguntas relativas à concepção de parceria e o que fazer para melhorá-la ou implementá-la. São encontradas convergências e divergências nos Discursos, no âmbito do referencial escolhido, no que diz respeito às categorias mundo simbólico e significado situado de palavras citadas pelas entrevistadas. Constatamos que a teoria-método de Gee é extremamente apropriada e permite distinguir diferentes concepções de parceria e mecanismos de como implementá-la. D1 se volta para a contrapartida da Universidade; D2 para a infraestrutura da Escola e D3 para a institucionalidade da parceria e ao atendimento aos objetivos de ambas as partes.

Palavras-chave : Parceria Universidade-Escola Básica, Análise do Discurso,

Gee

## Introdução

Este trabalho se constitui em um recorte de uma pesquisa mais ampla, vinculada a uma tese de doutorado, que investiga a parceria entre uma Universidade Federal e a Escola Básica (EB) desde 2001 até o ano de 2009, além da influência da mesma na formação do professor de Física no mesmo período. Nesse recorte, focalizamos apenas a visão da parceria Universidade-EB, através da análise do discurso de três docentes da Universidade (D1, D2 e D3) - D1, da Faculdade de Educação, propôs junto à sua instituição, em 2001, um Projeto Piloto de Articulação Universidade-Escolas Públicas; D2, também da Faculdade de Educação, coordenou o setor de prática discente entre 2005 e 2010; D3, do Departamento de Física, tem orientado, desde 2004, licenciando(a)s no desenvolvimento de atividades em sala de aula da EB. No estudo completo, ouvimos mais outros dois sujeitos: uma docente da EB e uma licencianda em Física. Para a construção dos dados da pesquisa, aplicamos a teoria-método de análise do discurso (AD) de Gee (2005, 2010a, 2010b).

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20 a 25 de janeiro de 2013

## As entrevistas

- O espectro da tipologia de entrevistas vai desde as fechadas/estruturadas, quando é seguido um roteiro pré-estabelecido, até as abertas em que os sujeitos discorrem livremente sobre a questão proposta. Optamos pelo meio termo, ou seja, as semi-estruturadas, aquelas em que é deixado aos entrevistados decidirem-se pela forma de construírem as respostas.

## A teoria-método de Gee para a análise do discurso (AD)

Em comparação aos franceses, os pesquisadores americanos de AD têm se dedicado mais ao exame de pequenas comunidades de pessoas e seus discursos em circunstâncias específicas. Entre eles, Gee incorpora em sua obra um alerta que alguns linguistas fazem em relação à AD (NOGUEIRA, 2001, p. 4): não se trata de um método isolado para se proceder à análise; faz-se necessário um arcabouço teórico que dê sustentação ao método. O que instiga e facilita a aplicação da teoriamétodo de Gee é a acessibilidade e clareza com que o autor apresenta suas idéias numa leitura agradável. Um outro aspecto que muito nos sensibilizou para aplicar esse referencial teórico-metodológico foram as palavras que o autor profere no prefácio de uma de suas mais recentes obras (GEE, 2005, p. xii) quanto à grandeza social e humanitária que ele atribui à finalidade da AD:

Afinal a análise de discurso é uma forma de se engajar numa tarefa humana muito importante. A tarefa é esta: pensar mais profundamente sobre os significados que nós damos às palavras das pessoas de modo a nos tornarmos melhores, pessoas mais humanas e o mundo um lugar melhor e mais humano.

Um conceito-chave introduzido por Gee, relevante para a AD é o de Instrumentos de Investigação (ou de coleta de informações), os quais levam o analista de discurso a formular tipos de perguntas específicas aos seus extratos de texto, para deles extrair/inferir informações coerentes e relevantes ao tema da pesquisa em andamento. Os Instrumentos se classificam em teóricos e gramaticais; os primeiros procedem de alguma teoria relacionada à Linguística ou outro campo do conhecimento; os demais se fundamentam em aspectos da estrutura gramatical do discurso. Decidimos nos restringir ao uso dos primeiros, numa primeira aplicação da teoria-método, para simplificar a AD. A cada um dos instrumentos é associada uma pergunta que o analista faz a si mesmo e ao texto (escrito ou falado), a fim de proceder à AD. Os Instrumentos teóricos; a(s) teoria(s) da(s) qual(is) procedem - e a pergunta a ser feita para a AD são, respectivamente:

- i) Significados situados; Psicologia Cognitiva - Como o significado funciona?
- ii) Linguagens sociais; Sociolinguística - Como diferentes estilos de uso da linguagem permitem que as pessoas desempenhem variados trabalhos sociais e estabeleçam diferentes identidades socialmente situadas?
- iii) Intertextualidade; Crítica literária - Como as pessoas se apropriam do discurso de outras ou de textos conhecidos, sejam escritos ou divulgados na mídia?
- iv) Mundos simbólicos; Antropologia psicológica - Como os seres humanos formam e usam teorias para darem significado à linguagem e se entenderem mutuamente e com o mundo?

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- v) D iscursos (com D maiúsculo); Antropologia cultural, Psicologia cultural, Sociolinguística e Filosofia - Como o significado das palavras extrapola a mente humana e a própria linguagem e envolve várias outras coisas?

Neste ponto cabe esclarecer o que Gee entende por Discurso, com D maiúsculo, pois essa concepção se constitui como uma característica especial da teoria-método de AD em questão. Discurso , com d maiúsculo, vai para mais além do que o discurso , com d minúsculo. Discurso é conceito amplo de discurso , no qual elementos externos à linguagem também influenciam os indivíduos; expressa modos de combinar e integrar linguagem/língua, ações, interações, maneiras de pensar, acreditar, valorizar e usar vários símbolos, instrumentos, e objetos (do vestuário a acessórios, como brincos, colares, pulseiras, 'piercings', tatuagens, chapéus etc.) para estabelecer um tipo particular de identidade socialmente reconhecível ('punks', rastafaris, 'skinheads', 'darkers', surfistas, motociclistas, 'gamers' etc.). O discurso é a linguagem em uso , ou seja, linguagem usada no lugar em que atividades/práticas e identidades são estabelecidas; qualquer exemplo de linguagem em uso ou qualquer extensão de linguagem falada ou escrita (um 'texto' falado ou escrito).

## A análise realizada

Apresentamos nesse trabalho parte da AD realizada, a partir das respostas dadas a duas perguntas feitas às docentes D1, D2 e D3. 'I' representa a entrevistadora e as linhas numeradas à esquerda, as respostas das docentes entrevistadas. D1 foi escolhida por ter sido a proponente do Projeto Piloto citado, trazendo a ideologia inicial da implantação da possível parceria Universidade-EB; D2, por outro lado, vem trazer o reflexo de como o processo se desenrolou na prática, durante quase dez anos; D3 completa o conjunto de professoras da Universidade escolhida por estar diretamente ligada à formação do(a) professor(a) de Física, e participando de Projetos de Ensino com atividades na EB desde 2005.

Apresentamos em sequência os episódios discursivos de D1, D2 e D3, no tocante à: construção da parceria ao longo do tempo, entre 2001 e 2009 para D1 e entre 2004 e 2010 para D2; a visão das três entrevistadas sobre como as atividades do(a)s licenciando(a)s em Física podem ser consideradas em parceria com a EB. Em seguida, para as três docentes, a forma que elas sugerem para melhorar/implementar a parceria.

A formatação do texto é de primeiramente vir a pergunta da entrevistadora (I); depois, em linhas numeradas, a resposta da entrevistada, em itálico; finalmente, a AD do fragmento selecionado.

- D1:

I - E depois de toda a trajetória percorrida até aqui, você classificaria a aproximação Universidade - EB como uma parceria?

1 Nem tanto . Acho que ainda não é visto como uma parceria porque parceiro supõe 1a que cada um tenha alguma coisa para dar um ao outro não é? Acho que ainda 1b não há isso, sempre um está esperando receber e o outro achando que dá. A 1c Universidade sempre está achando que dá e a Escola sempre achando que só 1d tem sempre que receber. Você vê, então acho que não tem ainda a lógica de 1e parceria ainda não, ainda falta construir isso também.

Análise: A resposta começa meio evasiva com o nem tanto em 1, mas vai se configurando como uma negativa, depois da concepção de parceiro (significado

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situado) expressa por D1 em 1a e 1b; e em 1b há o pedido de confirmação da entrevistada. Em 1b, 1c e 1d D1 justifica na sua perspectiva o porquê não considera a articulação Universidade-Escola como uma parceria: a Universidade pensa que oferece, mas as Escolas não reconhecem que estão recebendo alguma coisa. Para D1, a parceria ainda tem que ser construída (1d e 1e). Este é o mundo simbólico de D1 para a concepção de parceria.

- I - Então nesse contexto de formação de professor o que falta para se chegar a essa parceria?

2 É esse vínculo com a formação continuada e a formação continuada seja validado 2a pela Universidade. E não valida, a secretaria [de Educação] que valida. Faz o 2b curso não sei de que tal tal tal, mas a gente não valida, a gente trabalha com 2c professor às vezes o ano inteiro e não dá para ele alguma coisa que valha 2d profissionalmente .

Análise: No diagnóstico de D1, o que falta para a articulação/aproximação entre a Universidade e as Escolas se transformar em parceria é a validação das atividades dos professores das Escolas como sendo formação continuada em nível de PósGraduação Lato Sensu (2 e 2a). Para a entrevistada, é importante retribuir com algo de valor profissional (2c e 2d). É do conhecimento de D1 que a Secretaria Estadual de Educação (2a) reconhece esse tipo de certificado; mas a gente (2b), com significado situado de professores da Universidade não atendeu ainda. Um outro bem social e profissional para as escolas e seus professores apontado por D1 é o da construção da autonomia do professor da EB para inovar e implementar propostas de ensino por conta própria, sem a intervenção da Universidade para fazer isso.

- D2:

## I - Na sua opinião então existe uma parceria da UFF com as Escolas?

3 Não, nós tentamos fazer isso no começo eu ; visitei todas as escolas, criei um 3a folder, levei para as escolas, distribuí, falando do que que tratava, o que que eram 3b os subprojetos, ressaltando que o aluno [licenciando] não é aquele que vai 3c substituir o professor [da EB] que está faltando na escola, que é um perigo muito 3d grande esse momento, algumas escolas não entendem isso, não entendiam.

Análise: D2 começa com uma negativa em 3, mas em seguida diz que a parceria, ou seja, 'isso' (3) foi tentado quando ela começou sua gestão como coordenadora da Subcoordenadoria de Apoio à Prática Pedagógica Discente (SAPPD). Não deixou muito claro a quem se refere como 'nós' e quando foi o 'começo'. No seu mundo simbólico a parceria seria alcançada pelo conhecimento que a escola tivesse dos subprojetos da Universidade; nesse caso, D2 revela o tipo de parceria concebida por ela, a dirigida ou direcionada pela Universidade, conforme classificação de Foerste (2005). Coloca nas escolas a culpa de não entenderem (3d), ou não quererem entender, o objetivo da interação com a Universidade, dizendo que o interesse das escolas era ter licenciando(a)s para suprir a falta de professore(a)s; isso realmente escapa qualquer pretensão de parceria, visando a formação de licenciando(a)s.

- I - Mas a parceria, você acha que está em andamento?

4 É isso que precisa ser mais reforçado. [...] Vamos eleger algumas escolas e 4a direcionar todos nossos trabalhos para essas escolas. Porque o que eu tenho visto 4b é uma pulverização e aí não dá certo uma pulverização.

Análise: Mais uma vez a palavra 'isso' é utilizada com significado situado meio obscuro: é a parceria que precisa ser reforçada, ou o andamento da parceria? Em

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ambos os casos, a negativa do episódio 3 perde força e D2 passa a admitir que há parceria. O primeiro recurso a ser utilizado para melhorar a parceria, segundo D2 é concentrar as atividades em um número menor de escolas (4, 4a e 4b). Considera que antes de sua gestão na SAPPD, que foi a terceira desde a criação desse órgão, havia muitas escolas a ele vinculadas e, em alguns casos, em uma escola só havia um subprojeto sendo aplicado. Pois cada subprojeto corresponde a uma licenciatura, para atender assim a uma disciplina da escola.

I - Porque aí, no seu entender, o que que precisa vir acontecendo para se garantir uma parceria?

5 É, eu vejo do outro lado das escolas públicas, que é/são com quem a gente 5a pretende e faz a interlocução, ainda falta uma equipe, talvez, de estágio que 5b possa receber esse aluno, que possa conversar com os professores da Educação 5c Básica. Por incrível que pareça, os professores não sabem trabalhar com 5d estagiário, eles não sabem. Eles não sabem o que que eles vão fazer, como é 5e que eles podem desenvolver um trabalho interessante com aquele aluno que está 5f ali. Então muitas vezes ele esquece o aluno no final da sala porque ele não sabe 5g o que que ele vai fazer. Ao invés de conversar, mostrar o programa dele, o que 5h que esse aluno poderia desenvolver de projeto, não só para a disciplina dele, mas 5i talvez para a escola toda, ele não sabe fazer isso. A minha intenção é que a gente 5j possa no início de cada ano, ou no final do ano para o próximo ano, é me reunir 5k com as escolas e mostrar o leque de possibilidades que a gente poderia fazer 5l com as escolas.

Análise: D2 usa a expressão 'a gente' com o significado situado tanto de equipe de formadores da Universidade (5, 5i), quanto de 'eu' (5k). Seu Discurso é mais o de Coordenadora da SAPPD do que o de uma formadora da Universidade. No tocante ao que fazer para melhorar a parceria, D2 só aponta falhas na Escola (5a a 5); não percebe que na Universidade também há o que fazer. A palavra aluno (5b, 5g, 5h e 5j) se confunde com o significado situado de licenciando(a) estagiário(a) (5e); isso reduz sua concepção, ou mundo simbólico, sobre prática discente, como sendo aquela exercida pelo(a)s licenciando(a)s que estão cursando Prática de Ensino, ou equivalente, já nos últimos semestres da Licenciatura. Esta é uma visão tradicional de formação de professores em que as disciplinas de prática pedagógica são exclusivamente as de estágio supervisionado no final do curso. Atualmente um licenciando tem opções de participação em Projetos de Ensino (similares a Projetos de Extensão), ou no PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), a partir, em geral, do terceiro período da Licenciatura e, nessas situações são inseridos na EB, até mesmo com atividade de regência supervisionada pelo(a) formador(a) da Universidade e pelo(a) professor(a) da escola.

- D3 :

- I - E, em sua opinião, até que ponto essa interação que vem sendo mantida na EB para a Formação do Professor de Física, pode ser considerada uma parceria entre a UFF e a EB? Essa condição de parceria, como você vê? Se isso acontece ou se não acontece?

6 É feito a partir de um diálogo tentando atender à escola e aos nossos projetos; se 6a isso eu entendo como parceria, está sendo realizado. [...] O que eu coloco é: como 6b a gente se insere na escola? Quando entra a U[niversidade], [...] fazendo parceria, 6c vejo assim: U[niversidade]/Secretaria de Educação... Secretaria de Estado de 6d Educação do Estado. Mas U[niversidade] e Secretaria de Educação do Estado 6e não vejo essa parceria, não vejo essa parceria. Não! Porque na parceria no 6f sentido de - somos entidades parceiras e temos que ter um projeto institucional,

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6g buscando atender o que a escola quer, temos os nossos objetivos e a escola tem 6h os seus objetivos e a gente tenta realizar, implementar ações que atendam aos 6i dois.

I -Você então saberia dizer como melhorar esse processo de parceria da Universidade com a EB?

7 Eu não sei se seria importante se a Subcoordenadoria, se ela de alguma forma, se 7a a gente tivesse de alguma forma quais são essas escolas, não é? É certo que 7b assim que começou, não é? Um convênio com escolas que estariam, estaduais 7c inicialmente, que estariam, eu não sei se eram escolas-pólo, não sei... Será esse 7d o nome? Alguma coisa desse tipo... [...] E, se de alguma forma a gente tivesse a 7e Coordenação Pedagógica da escola, a Coordenação de Física, a demanda dessa 7f escola. Quer dizer, a gente já saber como vai se inserir...

Análise: D3 coloca em pauta a concepção de parceria; se for um diálogo entre pessoas (da Universidade e da EB) tentando atender interesses mútuos, existe parceria, a nível individual (6, 6a e 6b). Mas se parceria for um compromisso institucional, com um projeto institucional (6f) da Universidade com a Secretaria Estadual de Educação, isso não existe. Pela ênfase dada ao Não! (6e), D3 parece preferir que existisse a parceria no nível institucional, com maior garantia de continuidade e talvez com maior envolvimento das pessoas. Tudo indica ser esse o mundo simbólico de D3 no tocante à parceria. Outro aspecto enfatizado por D3 é o atendimento aos objetivos de cada parte: o da Universidade, para formar bons professores com vivência da escola e a EB para oferecer um ensino de qualidade e proporcionar formação permanente a seus professores (6g, 6h e 6i). Nesse caso, o significado situado de a gente em 6m é a equipe da qual ela faz parte, ou seja, da Universidade. No fragmento 7, D3 coloca sua opinião de como melhorar a 'parceria individual'. Uma vez existindo o convênio entre a Universidade e a Secretaria Estadual de Educação, 'a gente' (7a, 7d e 7f), equipes da Universidade, deveria saber quais as escolas e suas demandas por atividades em quais disciplinas, através da Coordenação Pedagógica, ou da coordenação de disciplina, no caso, da Coordenação de Física.

## Considerações Finais

Nem todos os Instrumentos de investigação teóricos propostos por Gee foram utilizados nos fragmentos apresentados: apenas significados situados e mundos simbólicos. Apesar disso, informações relevantes puderam ser inferidas dos fragmentos dos Discursos de D1, D2 e D3 selecionados. A partir da análise, constatamos que D1 declara que a parceria ainda não está consolidada e que para ser implementada nos moldes adequados é necessário ser atingida a 'lógica de parceria', cujo significado situado é o de comportamento colaborativo de parceiros por parte das duas instituições: Universidade e Escola. No seu entender a Universidade tem falhado na contrapartida oferecida à EB, no sentido de garantir um 'bem social'/profissional ao professor deste nível de ensino, qual seja o de reconhecimento por sua participação em Projeto de Parceria, como, por exemplo, ter reserva de vaga em cursos de Pós-graduação Lato/Stricto Sensu da Universidade e como processo de construção de autonomia didático-pedagógica a ser trabalhada na escola. D2, de início parece negar a parceria, mas depois assume que, para melhorá-la, a EB precisa reformular sua estrutura, tendo um profissional ligado às atividades de estágio, para orientar professore(a)s e licenciando(a)s a terem um relacionamento mais eficiente para a formação continuada e inicial, respectivamente.

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D3 desdobra a concepção de parceria em dois níveis: o individual, entre indivíduos, e o institucional, aquele que ela gostaria que estivesse acontecendo.

Comparando os três Discursos, podemos perceber a diferença entre suas concepções de parceria e do que fazer para melhorá-la; D1 coloca o foco na contrapartida da Universidade, D2 em uma falha da Escola e D3 na forma de compromisso firmado entre os profissionais envolvidos. Em se tratando da formação inicial de professores, consideramos que D3 e D2 mostram mais elementos que indicam sua preocupação com o problema. D1, apesar de ter mais tempo de trabalho com formação de professores, apresentou, dentro das limitações da entrevista realizada, uma visão mais progressista para a parceria UniversidadeEscola, aproximando-se mais daquilo que Foerste (2005) classifica como parceria colaborativa, a qual, particularmente, defendemos e tentamos desenvolver.

Um aspecto observado nos Discursos analisados é o uso da palavra gente com diferentes significados situados; julgamos que isto é um indicativo de uma linguagem social partilhada por profissionais da educação: docentes do ensino superior formadores de professore(a)s e pesquisadore(a)s em ensino.

Com esse exemplo indicamos que o referencial de Gee para a AD é um campo fértil para a pesquisa qualitativa em Educação, em um âmbito geral e em ensino de Física, em um campo mais específico, podendo também ser utilizado para analisar Discursos de alunos e professores em sala de aula e assim avaliar a argumentação como recurso de ensino e aprendizagem.

## Referências

FOERSTE, Erineu. Parceria na formação de professores. São Paulo: Cortez, 2005.

GEE, J. P. An introduction to discourse analysis: theory and method . London and New York: Routledge, 1999.

- \_\_\_\_. An introduction to discourse analysis: theory and method . London and New York: Routledge, 2nd. ed., 2005.
- \_\_\_\_. An introduction to discourse analysis: theory and method. 3rd ed. London and New York: Routledge, 2010a.
- \_\_\_\_. How to Do Discourse Analysis: a toolkit . London and New York: Routledge, 2010b.

NOGUEIRA, Conceição. 'A analise do discurso'. In: ALMEIDA, L.; FERNANDES, E. (Eds.). Métodos e técnicas de avaliação: novos contributos para a pratica e investigação . Braga, Portugal: CEEP, 2001. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4355/1/Capitulo\_analise do discurso\_final1.pdf. Acesso em 10/08/2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.