ESTUDANDO TERREMOTOS COM BASE EM CONHECIMENTO LEIGO E CIENTÍFICO: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DE ENSINO MÉDIO
Geraldo Magella Barbosa De Oliveira, Alexandre Benvindo De Sousa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2013
Texto completo
## ESTUDANDO TERREMOTOS COM BASE EM CONHECIMENTO LEIGO E CIENTÍFICO: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DE ENSINO MÉDIO
Geraldo Magella Barbosa de Oliveira , Alexandre Benvindo de Sousa 1 2
- 1 Fundação Helena Antipoff/Escola Sandoval Soares de Azevedo, profismagella@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho relata uma experiência realizada através de investigação científica. Alunos de ensino Médio estudam a ocorrência de terremotos com base em conhecimento leigo e científico. Este trabalho visa encorajar professores a desenvolverem um ensino de Ciências/Física de caráter investigativo, despertando nos alunos um sentido maior para o ensino e a aprendizagem de Ciências/Física. Na escola regular, o ensino de Ciências/Física, deve permitir que o aluno seja capaz de contextualizar os conceitos aprendidos em sala de aula, aplicando-os a fenômenos naturais que os cercam em sua vida cotidiana. Busca também incentivar a leitura analítica de artigos científicos, escritos por cientistas para divulgação da ciência, como fontes de atualização e complementação dos conceitos aprendidos na escola. Como tal, o conhecimento científico não é um produto acabado. Ele é modificado à medida que novas questões são levantadas e pesquisadas. Este trabalho promove, ainda, a contextualização de conceitos da Física relacionados à ondulatória e aplicados aos terremotos.
Palavras-chave ondas
: ensino de ciências - investigação científica - terremotos -
## Introdução
Este estudo teve por finalidade desenvolver um trabalho de pesquisa com alunos de ensino Médio, levando-os a investigar como as pessoas relacionam o conhecimento científico adquirido formalmente no ensino regular com o conhecimento leigo, em relação a fenômenos naturais vivenciados no seu cotidiano.
Além disso, pretendeu-se despertar nestes alunos um sentido maior para o ensino e a aprendizagem de Física na educação formal através da contextualização de conceitos da Física relacionados à ondulatória e aplicados aos terremotos. Pretendeu-se também, despertar a importância pela leitura analítica de artigos científicos, escritos por cientistas para divulgação da ciência, fontes de atualização e complementação dos conceitos aprendidos na escola.
A saber, o conhecimento científico não é um produto acabado. Novas teorias são propostas, aceitas ou refutadas. Neste sentido, a maioria das pessoas, incluindo os alunos, possui uma visão errônea de que a produção científica é sempre algo definitivo e válido para todas as situações. A generalidade do conhecimento científico é sempre muito comum. Com isso, torna-se necessário, mesmo fora da escola, estar atualizado em relação à produção científica e como ela muda nossa vida cotidiana.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## O ensino de ciências na educação básica
Nossa prática docente no ensino de ciências, mais especificamente na área de Física, ao longo dos anos, nos fez deparar inúmeras vezes com vários questionamentos de alunos sobre: Por que estudar Física? Em que o ensino de Física os ajudará no decorrer de suas vidas na sociedade? E qual seria a aplicação prática no exercício de suas futuras profissões?
Segundo Millar (2003), a grande maioria das pessoas que tiveram algum contato com o ensino de ciências durante sua vida escolar, não conseguem relacionar o que aprenderam com situações e fenômenos simples do cotidiano. Ele ainda afirma que, o pior é que essa deficiência na compreensão básica destes estudantes, não é percebida pelos professores que, na maioria das vezes, 'superestimam a compreensão pelos alunos das ideias básicas após ensino' (MILLAR, 2003, p.74).
Ainda segundo Millar (2003), existem muitos argumentos que subsidiam a falta de eficiência no ensino de ciências. Um primeiro argumento aponta para a deficiência curricular, muitas vezes distante do que a maioria dos alunos quer ou precisa aprender. Um segundo argumento aponta para a hegemonia de uma abordagem extremamente tradicional, no qual o ensino de Física é baseado na simples transmissão de conhecimentos sistematizados. Nele, o tratamento matemático é mais importante que a compreensão dos fenômenos, numa sequência em que 'há pouco tempo para a consolidação das ideias, não há ritmo de aprendizagem, apenas, para a maioria dos estudantes, uma avalanche de ideias fora do seu controle' (MILLAR, 2003, p.75). Sobre isto, Lima (2000) afirma que esta visão não cria habilidades e competências para o aluno pensar e agir, tornando-se, portanto, ineficiente como processo formativo.
Um terceiro argumento repousa na questão da 'aplicabilidade' do ensino de ciências. O fato de não enxergar relevância no que estão aprendendo, se torna um entrave para um aprendizado consistente que os permitam relacionar o que aprendem em sala de aula à sua vivência na sociedade. E é justamente em relação a este argumento que repousam a maioria das perguntas, muitas vezes recorrentes, dos alunos em sala de aula. Segundo Millar (2003), uma abordagem que leve em conta a 'aplicabilidade', favorece a transição dos princípios abstratos mais gerais do senso comum para o conhecimento mais tecnológico sobre os fenômenos.
Lima (2000) sinaliza que, uma possível solução, seria a opção por uma abordagem sociointeracionista, em que, 'aprender ciência envolve a introdução a um modo de pensar e interrogar a natureza distintos daqueles que empregamos normalmente em nosso cotidiano' (LIMA, 2000, p.92). Nesta abordagem, deve-se levar o aluno a fazer uma transição do conhecimento leigo (senso comum) para o conhecimento científico, que pode ser aplicado no dia a dia, permitindo-o interagir e entender plenamente os fenômenos simples que o cerca.
Com este trabalho, pretende-se incentivar o uso de ferramentas de investigação por professores de Ciências/Física. Com isso, o aluno pode tornar-se sujeito ativo na produção do próprio conhecimento, tornando-se capaz de aplicar o conhecimento formal construído em sala de aula à vida cotidiana. Trabalhando os conceitos de forma contextualizada, possibilitamos ao aluno uma visão atualizada de mundo, conscientizando-o da importância do emprego das novas tecnologias em favor da sociedade, tornando-o um cidadão crítico e atuante.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Metodologia
Este trabalho de investigação científica foi aplicado a uma turma de quarenta alunos do 2° ano de Ensino Médio da Escola Sandoval Soares de Azevedo administrada pela Fundação Helena Antipoff no município de Ibirité/MG. O foco deste trabalho de investigação científica foi levar o aluno a apreender as diferenças básicas entre o conhecimento leigo e o conhecimento científico, além de promover a contextualização do assunto - Ondas - a partir de um caso em que o movimento ondulatório pode ser aplicado, no caso, os terremotos.
Como sabemos, um terremoto nada mais é do que uma onda sísmica causada pela liberação de energia proveniente do atrito entre duas placas tectônicas, ou ainda como atualmente se sabe, as placas tectônicas não são inteiriças. Elas apresentam falhas internas em função do desgaste natural da placa. Essas falhas também podem causar terremoto em função do acúmulo de pressão sobre elas. O que, no caso, já aconteceu inúmeras vezes no Brasil.
No início do trabalho com os alunos, foi aplicada uma atividade para levantar o conhecimento prévio dos alunos sobre o assunto através de questionário específico contendo quatro questões propostas:
- 1. Você sabe explicar por que os terremotos acontecem? Explique.
- 2. Você sabe explicar como a energia do terremoto é dissipada e por que ele é sentido, causando estragos mesmo a uma grande distância do epicentro do terremoto?
- 3. Em sua opinião, existe a possibilidade de ocorrer terremotos no Brasil?
- 4. Faça um desenho que represente o papel de um cientista na sua visão.
Nas seis aulas seguintes, foram trabalhados os conceitos físicos relacionados às ondas destacando-se: O que são ondas? Características de uma onda (período, frequência, comprimento de onda, amplitude e velocidade de propagação); Tipos de ondas (mecânica, eletromagnética, transversal e longitudinal); Fenômenos ondulatórios (reflexão, refração, difração, interferência e polarização); Ondas estacionárias.
Posteriormente foi proposta a questão problema: 'Existe a possibilidade de ocorrer terremotos no Brasil?'. A pergunta serviu para motivar a turma para uma discussão dialógica sobre o tema a partir do documentário: 'Terremotos no Brasil Verdade ou mito?', e ainda de uma reportagem jornalística sobre o terremoto ocorrido no vilarejo rural de Caraíbas, na cidade de Itacarambi em Minas Gerais, ocasionando a primeira vítima fatal, Jesiane Oliveira da Silva de 5 anos. E, ainda, da reportagem sobre os abalos ocorridos em São José da Lapa, também município de Minas Gerais, e de um artigo sobre a evolução do conceito sobre placas tectônicas e o mapeamento de falhas na placa sul-americana onde se encontra o Brasil.
- O município de Itacarambi fica localizado justamente sobre uma destas falhas (Figura 01). Constataram ainda que, estas rupturas são sensíveis ao acúmulo de pressão, sendo capazes de se movimentarem. 'Embora essa movimentação seja pequena, ela é suficiente para gerar terremotos, ainda que a frequência e magnitude seja menor que em outras partes mais ativas do globo' (SIQUEIRA, 2010).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Figura 01: Mapa dos principais lineamentos e falhas brasileiros
<!-- image -->
Durante a discussão destacou-se que a ocorrência de terremotos, suas causas não é um assunto bem entendido. Muitas pessoas apelam para o conhecimento leigo na falta de um conhecimento científico mais aprofundado e atualizado. Através da leitura do artigo 'Abalos sísmicos no Brasil' (SIQUEIRA, 2010) os alunos tiveram acesso aos avanços do conhecimento sobre o que é uma placa tectônica.
Novas tecnologias disponíveis atualmente proporcionam um conhecimento muito mais aprofundado do assunto, derrubando antigos mitos. Utilizando tecnologia de ponta pesquisadores descobriram que a placa sul-americana onde o Brasil se encontra em seu centro, não é inteiriça, mas apresenta 48 falhas em seu interior devido ao desgaste natural ocorrido pelo tempo (SIQUEIRA, 2010).
Nas seis aulas seguintes, foi realizada uma investigação científica sobre o conhecimento leigo de pessoas de diversas classes da sociedade local como profissionais liberais, professores, donas-de-casa, estudantes, comerciantes, balconistas e outros; e ainda, de faixas etárias diferentes, sobre o que as pessoas sabem e pensam sobre os terremotos. A partir do questionário elaborado com a ajuda dos alunos, foram questionados: 'Baseado em seus conhecimentos sobre o assunto, é possível a ocorrência de terremotos em nosso país?'
De posse dos questionários, alunos entrevistaram 320 pessoas. A partir das respostas, identificaram o distanciamento entre o que as pessoas pensam sobre o que são terremotos e a ocorrência, ou não, de terremotos aqui no Brasil, e o que o conhecimento científico sobre o tema atualmente explica. Após a tabulação das
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
respostas, apresentaram suas conclusões para a turma, juntamente com o trabalho escrito ao professor.
## Resultados e discussão
Ao analisar as respostas sobre o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema, pôde-se verificar que:
- 1. A totalidade dos alunos (100%) atribuiu a ocorrência dos grandes terremotos ao movimento das placas tectônicas.
- 2. No entanto, não foram capazes de explicar o porquê ou, como a energia dos terremotos era dissipada, e ainda o porquê de serem detectados e de provocarem estragos mesmo a uma grande distância do epicentro.
- 3. Praticamente 80% dos alunos responderam que não era possível a ocorrência de terremotos no Brasil em função do mesmo estar localizado no meio da placa sul-americana. Os outros 20% responderam que seria possível devido a pouca distância que o país se encontra de outras áreas potencialmente capazes da ocorrência de terremotos, como o caso do Chile e outros países.
- 4. A grande maioria, ao representar um cientista e sua função, apelou para o estereótipo publicamente estabelecido pelo senso comum, de que um cientista é alguém solitário, introspectivo, um tanto estranho, alheio ao convívio social, sendo o laboratório, o lugar exclusivo para desenvolver seu trabalho.
Ainda durante a análise das concepções espontâneas dos alunos sobre o tema, foi possível verificar que os mesmos responderam as questões sobre terremotos baseados no conhecimento leigo. Ao considerarem que os terremotos são causados somente pelo movimento das placas tectônicas nas bordas, e que, até por nunca terem notícias da existência de algum terremoto, ao menos de maior intensidade, julgavam ser improvável, ou até mesmo impossível a ocorrência de abalos sísmicos no país.
Durante a discussão dialógica, os alunos criticaram de forma veemente a percepção da entrevistada de texto jornalístico que relatava o tremor ocorrido em São José da Lapa. Ela, ao responder a repórter, chega a afirmar: 'Será que esses terremotos (ocorrido no Chile naquela ocasião) estão vindo para cá?'. Para eles, a resposta dela mostrou nitidamente o uso do conhecimento leigo. Para tentar explicar o porquê de ela pensar assim, associaram a provável pouca instrução da mesma, a percepção comum de que a distância influencia na ocorrência dos terremotos e, principalmente, pelo fato de ela não entender cientificamente como e porque acontecem os terremotos. Ao fazerem isto, pode-se perceber a apreensão correta, por parte dos alunos, do que era o conhecimento leigo (senso comum), e como as pessoas o aplicavam ao se posicionarem frente à ocorrência de um fenômeno desconhecido.
Na sequência, a discussão dialógica acalorou-se ao fazerem a leitura de um segundo texto jornalístico, relatando a ocorrência de terremoto acontecido no país que causou a primeira vítima fatal. A primeira vista ficaram céticos e duvidaram da reportagem. Após a confirmação do professor, que era um fato verídico, começaram a indagar: 'Como professor isso é possível, uma vez que o país está localizado no
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
meio de uma placa tectônica?'. As dúvidas só foram elucidadas e os ânimos acalmados quando, em seguida, puderam ler o artigo (SIQUEIRA, 2010) sobre a evolução do conceito de placas tectônicas, suas possibilidades de desgaste e consequente ruptura que deixam falhas nas mesmas. Fato, aliás, muito mais comum do que se imaginava no Brasil, pelos levantamentos realizados pelos pesquisadores.
Deste modo, puderam perceber que, mesmo tendo sido instruídos formalmente sobre a ocorrência de terremotos na escola, não acompanharam a evolução das pesquisas sobre o assunto, e que, na verdade, responderam as perguntas da atividade dos conhecimentos prévios baseados no senso comum que eles possuíam sobre o assunto. Perceberam ainda que, um cientista ou pesquisador, não é aquele que faz o estereótipo de louco, que realiza pesquisas somente em um laboratório. Um cientista é alguém que, acima de tudo, vai além do senso comum, buscando novas respostas e aprofundando seu conhecimento através de suas pesquisas.
Quando da apresentação do trabalho sobre a pesquisa de campo, destacaram que, entre a sociedade formada por sua comunidade, as respostas e o comportamento encontrado foram os mesmos da turma. Mesmo nos casos onde o entrevistado era mais instruído, ele continuava respondendo as questões tomando por base o conhecimento leigo. Perceberam ainda, o quão pouco as pessoas leem e buscam informação em meios confiáveis e poucos valorizam a leitura de artigos científicos.
Como resultado alcançado, podemos destacar a percepção dos alunos sobre a importância da leitura de artigos científicos, escritos por cientistas para divulgação da ciência, que possibilitam um contato mais direto com a produção científica, além de atualizar o conhecimento científico sobre determinado assunto. Puderam também perceber através destas leituras, que a ciência não para no tempo, estando sempre em transformação! Constataram também a importância da leitura analítica de textos jornalísticos, que muitas vezes, introduzem conceitos errôneos em relação a fenômenos naturais pela falta de cuidado e esmero técnicocientífico. Fato, aliás, muito comum entre jornalistas pela falta de formação adequada no campo das ciências. É importante considerar ainda, o grande avanço na aquisição de competências/habilidades durante a tabulação dos questionários de pesquisa. Através da elaboração de grande quantidade de gráficos e dos cálculos de porcentagem, puderam aprofundar os conhecimentos de matemática estatística.
## Considerações finais
Ainda constitui-se para muitos professores de ciências o desafio de substituir uma abordagem tradicional do ensino de ciências, migrando para uma atitude mais investigativa. É fato que a falta de estrutura física, as difíceis condições de trabalho do professor, falhas na formação, ausência de trabalho colaborativo, tempo escasso, baixos salários e contexto social, dificultam, e muito, a viabilização de mudanças na escola básica. No entanto, entendemos que apesar destes fatores externos, é possível desenvolver um ensino de ciências caracteristicamente investigativo. Ensino este que seja capaz de tornar o aluno um agente da construção do seu conhecimento, reduzindo a rejeição e a antipatia que muitos alunos possuem pelo ensino de ciências, sobretudo pela Física no ensino médio.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Uma abordagem com características investigativas não necessita de grande quantidade de recursos. Mas depende sim, de uma iniciativa do professor, uma decisão corajosa em abandonar sua zona de conforto na abordagem tradicional, aventurando-se nesta nova realidade. Com o presente trabalho, pretendeu-se demonstrar exatamente isso, é possível, apesar de todas as dificuldades encontradas no ensino de Ciências/Física! Claro que se exige do professor um nível de comprometimento, controle e planejamento de cada uma das etapas desta abordagem.
Ao perceber os olhos brilhantes dos alunos participando ativamente de cada etapa do projeto, é um estímulo para se continuar nesta direção! Além do grau de motivação e acompanhamento por parte de 80% dos alunos em cada etapa, e, o bom desempenho nas avaliações qualitativas e quantitativas realizadas pelos alunos naquele bimestre também justificaram, de certo modo, a opção pelo emprego desta atividade de caráter investigativo.
## Referências
CARVALHO, Ana Maria Pessoa de. Ensino por investigação: Problematizando as atividades em sala de aula. Ensino de Ciências: Unindo a pesquisa e a prática, São Paulo, cap. 1 p.1-17, 2010.
GLOBO, Jornalismo. Tremor de terra derruba casas e mata criança em MG. Portal G1. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0MUL2105825598,00-
TREMOR+DE+TERRA+DERRUBA+CASAS+E+MATA+CRIANCA+EM+MG.html. Acesso em: 05 jan. 2012.
LIMA, Maria Emília C. C; JUNIOR, Orlando G. Aguiar; BRAGA, Selma A. M. Ensinar Ciências. Presença Pedagógica . Belo horizonte, v.6, n° 33, p.90-92, mai/jun. 2000.
MILLAR, Robin. Um currículo de ciências voltado para a compreensão por todos. Ensaio . São Paulo, v.5, n° 2, p.73-91, out. 2003.
SIQUEIRA, Júlio Cesar Galhardo. Abalos sísmicos no Brasil. Webartigos.com . Curitiba, out. 2010. Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/abalos-sismicos-no-brasil/33901. Acesso em: 05 jan. 2012.
.
TEIXEIRA, Tâmara. Abalos sísmicos assustam moradores. O Tempo Contagem, p.7, abr. 2010. Disponível em: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias. Acesso em: 23 set. 2010.
Terremotos no Brasil: Verdade ou mito . Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=pYwRRYF2KbE&feature=related. Acesso em 21 jun. 2011.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.