ATIVIDADES LÚDICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE A INSERÇÃO DO CONTEÚDO DE ELETROSTÁTICA.
Ana Paula De Sá Alvarenga, Catiúcia Luciana De Castro, João Antônio Corrêa Filho.
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATIVIDADES LÚDICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE A INSERÇÃO DO CONTEÚDO DE ELETROSTÁTICA
Ana Paula de Sá Alvarenga , Catiúcia Luciana de Castro , João Antônio Corrêa 1 2 Filho . 3
Universidade Federal de São João del Rei/Departamento de Ciências Naturais, 1 apsa\_bq@hotmail.com 2 catiuciacastro@yahoo.com.br 3 jcorrea@ufsj.edu.br
## Resumo
O presente trabalho consta de um relato de uma atividade realizada com três turmas de alunos do 3º ano do ensino médio, da Escola Estadual Doutor Garcia de Lima, do município de São João del-Rei/MG. A proposta de intervenção foi proveniente de duas bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da UFSJ, com o auxílio da professora de Física dessa escola. As atividades planejadas visavam ensinar os primeiros conceitos de Eletrostática, e também levar a ludicidade e a experimentação para as aulas de Física, de modo que o aluno tenha uma participação maior no processo educativo, ou seja, o aluno sairia da posição habitual de espectador e se tornaria um agente ativo na construção da sua aprendizagem, e por fim notificar, por meio dos resultados obtidos, que uma aula de Física que tem a experimentação como aliada possui tanta eficácia, se não mais, quanto uma aula onde se faz uso, exclusivamente, do quadro e do giz. As atividades tiveram duração de 50 minutos e ocorreram em três dias distintos nos horários regulares das aulas de Física da escola. No primeiro dia, os alunos realizaram duas experiências: uma em atritar os canudos de plástico em um papel toalha e fixá-los nos materiais presentes no laboratório; e outra em construir um cabo de guerra elétrico, utilizando materiais de baixo custo. No segundo dia, os conteúdos relativos à Eletrostática foram desenvolvidos coletivamente sob a forma de conversação, onde as experiências individuais vividas pelos alunos, bem como suas percepções, foram levadas em consideração no desenrolar da aula. Já no terceiro dia, com o intuito de avaliar a eficácia da nossa proposta, bem como o aprendizado dos alunos, foi aplicada uma atividade escrita cujos resultados apresentamos aqui.
Palavras-chave : Prática Docente; Experiências Lúdicas; PIBID; Eletrostática.
## Introdução
As aulas de Física, muito frequentemente, são constituídas apenas de transcrições fiéis e sistemáticas dos livros didáticos, não se questionando as afirmações dos autores, nem tampouco os alunos são levados a pesquisar em outras fontes ou fazer experimentos que abordem determinados conceitos. A falta de criticidade, de vínculos com o cotidiano e até mesmo a monotonia existente nessas aulas desenvolvem nos alunos certa apatia e desinteresse por saberes que os ajudariam, ainda que parcialmente, a compreender fenômenos que ocorrem no seu cotidiano, ou até mesmo, em seu próprio corpo. Para Celso Antunes, aprender na escola significa elaborar uma representação pessoal do conteúdo, aproximando-se do mesmo com a finalidade de torná-lo próprio e assim transformá-lo. Não se trata
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20 a 25 de janeiro de 2013
evidentemente de uma apropriação a partir do nada, mas a partir de experiências, interesses e conhecimentos prévios que possam dar sentido a essa aproximação. As teorias científicas são complexas, geralmente distantes do senso comum, o que torna importante a experimentação como forma de compreensão desses conceitos.
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da UFSJ tem inúmeros objetivos, entre eles: a construção de propostas de aulas que sejam compatíveis com o alunado atual, que é muito versátil e dinâmico; e a desmistificação da Física como uma ciência estanque da realidade e, sobretudo, associada constantemente apenas a conceitos matematizados. A partir de observações na sala de aula de uma escola da rede pública, parceira do PIBID da UFSJ, se pode constatar que nas práticas docentes os recursos mediacionais empregados pelos professores, ou seja, aqueles que os professores utilizam para estabelecer uma comunicação entre os saberes a ser ensinados e os alunos, se limitavam ao uso do quadro negro e do livro didático. Também pudemos observar que os alunos se mostravam desinteressados, apáticos, e muitas vezes apresentavam baixos rendimentos na disciplina de Física. Porém, quando se introduzia na prática docente um recurso mediacional diferente, como uma atividade experimental ou um vídeo, as aulas eram notadamente mais chamativas para os alunos, e os resultados eram melhores. Nesse sentido, verifica-se que, a partir do momento em que um aluno sai da posição de aluno-passivo, que a Pedagogia Tradicional tanto impõe, e passa a ser o explorador do conhecimento - o alunoagente -, que a Pedagogia Progressivista e Não-Diretiva propõe (Libâneo, 1985), a aprendizagem ocorre mais facilmente, a participação é notória, e consequentemente gera melhores resultados.
Assim, diante dessas constatações, bem como sabendo que há certos preconceitos em relação à Física por parte dos alunos e da sociedade de modo geral, tais como conceitos físicos puramente matematizados, bem como a ótica turva de que essa ciência é distante da realidade, propomos fazer uso de outros recursos mediacionais, além daquele usual (o quadro negro), de modo que favorecesse aos alunos uma aprendizagem prazerosa, significativa e, principalmente, que fosse centrada no aluno. E, a partir das frequentes práticas experimentais e lúdicas, pudessem enxergar a Física como ela é, ou seja, uma ciência que tem sérias implicações no mundo vivencial, que diz respeito ao mundo sensível.
Neste trabalho, apresentamos o relato de nossas experiências em uma escola pública do município de São João del-Rei/MG, em que procuramos explorar em sala de aula alguns recursos mediacionais, a saber, brincadeiras envolvendo alguns fenômenos físicos, como ponto de partida para desenvolver a aprendizagem dos alunos sobre os primeiros conceitos de Eletrostática. Assim, planejamos duas aulas que fossem opostas ao tradicionalismo, muito presente nas salas de aulas brasileiras, nas quais seriam inseridos os conteúdos de carga elétrica, eletrização de um corpo, princípios da Eletrostática, isolantes e condutores, processos de eletrização, análise crítica das crenças populares relacionadas à Eletricidade e comparação com as verdades científicas, além de estimular as capacidades e as habilidades referentes ao método científico, tais como observação sistemática, análise dos fatos, levantamento de hipóteses, e enunciação dos conceitos e leis referente ao fenômeno em investigação.
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## Metodologia
Primeiramente procuramos nos informar com a professora Kelly Cruz, também supervisora do PIBID da UFSJ, quais seriam os próximos tópicos de Física que seriam trabalhados nas suas turmas de 3º ano do ensino médio, nas quais estaríamos intervindo. Como na ocasião o próximo tópico era sobre o conteúdo de Eletrostática, elaboramos então uma sequência de duas aulas, a qual foi apresentada ao grupo do PIBID para apreciação antes de serem desenvolvidas com aquelas turmas.
As atividades foram programadas para o horário regular das aulas de Física, entretanto, não foram desenvolvidas no âmbito habitual de aprendizagem. As atividades foram realizadas no laboratório de ciências da escola, e não na sala de aula como é usual. Tal estratégia, por si só, já visava tirar os alunos de seu ambiente escolar costumeiro, de modo a despertar neles um interesse maior pela prática experimental e pela própria disciplina de Física.
Com exceção de uma minoria de alunos, que fazia cursos pré-vestibulares e cursos técnicos, soubemos previamente que os demais alunos dessas turmas de 3° ano não possuíam ou não tiveram nenhum contato com os conceitos de Eletrostática, tão pouco de Eletricidade.
Na primeira aula, os alunos realizaram duas experiências sobre Eletrostática e, em seguida, foi feita uma análise dos fenômenos observados, debate entre os grupos e exposição de parte do conteúdo com uso de um multimídia.
A primeira experiência consistiu em os alunos atritarem canudos de plástico em um papel toalha, em seguida eles deveriam fixá-los em diferentes materiais do laboratório, como o quadro negro, armários e parede. A segunda experiência consistiu em os alunos construírem um cabo de guerra elétrico, utilizando para isso uma lata de alumínio vazia e dois balões de borracha (PONTOCIÊNCIA, 2009). O cabo de guerra funcionaria quando cada balão fosse atritado em um papel toalha e, em seguida, aproximado da lata de alumínio, um de cada lado, de forma que a lata de alumínio se movimentasse, para um ou para outro balão.
As experiências foram realizadas antes de iniciarmos a apresentação do conteúdo, a fim de aguçar a curiosidade dos alunos sobre o motivo pelo qual tais efeitos aconteciam, enfim, foi uma maneira de convidar os alunos a participarem efetivamente da aula. Com as experiências, pudemos chamar a atenção para o que seria discutido, e principalmente para investigarmos as concepções e os conhecimentos prévios que eles tinham sobre o assunto.
Na segunda aula, os primeiros conceitos de Eletrostática - carga elétrica, eletrização de um corpo, princípios da Eletrostática, isolantes e condutores, e processos de eletrização - continuaram a ser abordados, contando sempre, com as contribuições dos alunos, tais como comentários, histórias e dúvidas, de modo a construir elos com o cotidiano deles e o conteúdo.
Os conceitos relacionados com as experiências e o próprio conteúdo que foi abordado em sala de aula foram organizados e apresentados em uma apresentação de slides , onde estavam inseridos tópicos e ilustrações sobre o tema. Este recurso mediacional, o slide , foi utilizado apenas como ponto de partida, para guiar e orientar a nossa discussão. A exploração do conhecimento foi feita demasiadamente sob forma de conversação, e os alunos tiveram total liberdade expressiva durante toda a aula.
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Na terceira aula, foi entregue aos alunos uma atividade avaliativa contendo seis questões, sendo três dissertativas e três de múltipla escolha, com o intuito de avaliarmos a eficácia da nossa proposta e o aprendizado dos alunos.
## Relato das aulas
A primeira aula aconteceu no dia 3 de maio de 2012, no laboratório de ciências da Escola Estadual Doutor Garcia de Lima, e teve duração de 50 minutos. A atividade planejada foi desenvolvida, separadamente, com três turmas de alunos do 3° ano do ensino médio, com aproximadamente 35 alunos cada.
Foi pedido, previamente, que os alunos se organizassem em grupos, a fim de otimizar tempo no dia da experimentação. A primeira experiência necessitou dos seguintes materiais: canudos de plástico (um para cada aluno) e papel toalha. Já para a segunda experiência, foi preciso os seguintes materiais: papel toalha, balões de borracha (dois para cada grupo), e uma lata de alumínio vazia. Com exceção da lata de alumínio vazia, os demais materiais foram providenciados por nós, com a ajuda da CAPES.
Os alunos chegaram ao laboratório e se posicionaram em seus devidos lugares, com os seus respectivos grupos. Após isso, foram feitas as devidas apresentações de cada uma das bolsistas do PIBID e posteriormente anunciamos os desafios da aula.
O primeiro desafio da aula era 'colar' o canudo de plástico no quadro, sem o auxílio de nenhum material. Os canudos de plástico foram entregues a cada aluno, e cada aluno tentou, sem sucesso, fixá-lo no quadro. Em um segundo momento, os alunos foram orientados a atritarem o papel toalha no canudo de plástico, e posteriormente tentar prendê-lo ao quadro (Figura 1).
Figura 1: Após a eletrização, os canudos de plástico foram fixados no quadro negro pelos alunos.
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Os alunos puderam notar que o ato de atritar o canudo de plástico no papel toalha influencia de alguma maneira na fixação dele no quadro. Os alunos reagiram muito bem à primeira experiência, ficaram muito entusiasmados e alguns,
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infelizmente, ficaram desconfiados, conforme podemos notar pela fala de um deles: 'Isso aqui não é canudinho comum não! Se for, tem cola nele. Só pode!'.
Outros gostaram tanto que sentiam a necessidade de repetir em outro momento: 'Cara, que legal. Vou fazer isso lá em casa. Ninguém vai acreditar. Muito doido!'.
Ao observarem que o canudo de plástico ficava fixo no quadro negro por um determinado tempo, os alunos ficaram bastante curiosos em saber por que o canudo de plástico se fixava no quadro, e se era possível fixá-lo em outros materiais. A inquietação os levou ao teste, e os alunos fixaram o canudo nas paredes, teto, armários e no próprio cabelo.
A resposta para a ocorrência desse efeito foi omitida temporariamente, e o segundo desafio foi anunciado: construir um 'cabo de guerra elétrico' e brincar com ele.
Nesta segunda etapa da aula, reproduzimos um vídeo (Figura 2) para os alunos, em que mostrava a brincadeira do 'cabo de guerra elétrico'. Cada grupo ficou encarregado de trazer uma lata de alumínio vazia, e nós entregamos o restante dos materiais: papel toalha e balões de borracha.
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Figura 2: Vídeo reproduzindo a brincadeira do cabo de guerra elétrico (PONTOCIÊNCIA, 2009).
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Os alunos encheram os balões, em seguida atritaram-nos no papel toalha e realizaram a brincadeira. Os alunos observaram que o balão exercia uma 'força' sobre a lata de alumínio, de modo que o balão 'puxava' a lata de alumínio para o seu lado.
Após a realização dos desafios, foi aberta uma discussão sobre os motivos pelos quais os dois efeitos ocorriam. Inúmeras hipóteses foram levantadas pelos alunos, e a partir dos questionamentos e opiniões, nós fomos inserindo os reais motivos pelos quais o canudo de plástico se fixava nos mais diversos materias, e o balão atraía a lata de alumínio para o seu lado. A partir das falas dos próprios alunos, nós fomos inserindo uma parte dos primeiros conceitos de Eletrostática. De uma maneira espontânea, e com um tom de conversa informal, a aula que era vista como monótona cedeu lugar para um bate-papo agradável e educativo.
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Ainda na primeira aula, nós fizemos uma enquete sobre a veracidade de algumas frases relacionadas à Eletrostática e à Eletricidade, tais como: Deve-se guardar objetos metálicos em dia de tempestade; Raios nunca caem duas vezes no mesmo lugar; e É perigoso falar no telefone fixo durante uma tempestade. Por meio dessa enquete, os alunos diziam se eram verdadeiras ou não as frases, e após o palpite nós dávamos a explicação. Além dos mitos trazidos por nós, os alunos recordaram de muitos outros que já escutaram, e nós diferenciávamos aquilo que era um mito e aquilo que era uma verdade científica.
Após desmitificarmos alguns mitos, nós conversamos brevemente sobre a história da Eletrostática, bem como a incansável busca do homem por respostas e explicações para os fenômenos que os cercam. Com essas perguntas e breves histórias nós finalizamos o primeiro dia de aula.
Nessa primeira aula nós pudemos perceber que os alunos apresentavam um comportamento completamente diferente em vista daquele presente nas aulas tradicionais, onde o aluno não é estimulado a participar efetivamente do processo de construção do conhecimento, ou seja, naquelas em que comumente o aluno é um agente-passivo, e, portanto, com pouca ou nenhuma aprendizagem significativa para ele. Na aula experimental e lúdica, os alunos se mostraram mais interessados, e mais à vontade para questionar, tirar dúvidas e levantar hipóteses sobre a experiência. Os alunos, que nas aulas tradicionais não eram motivados a participar e não prestavam atenção nas explicações, na aula do laboratório se mostravam quase íntimos da disciplina, e levantam algumas sugestões, conforme se pode extrair da fala de um deles: 'Por que a Física na sala de aula não é assim? Até que eu iria gostar dela'.
A segunda aula aconteceu no dia 10 de maio de 2012 e, diferentemente da primeira aula, foi realizada na sala de aula, quando recapitulamos os acontecimentos e os conteúdos que foram construídos a partir da conversação da aula anterior. Continuamos a explicar os primeiros conceitos da Eletrostática, utilizando para isso ilustrações e tópicos contidos numa apresentação de slides, e em alguns raros momentos o quadro negro. Essa segunda aula procedeu de forma análoga àquela ministrada pela professora dessas turmas, entretanto a vontade de continuar aprendendo e o interesse dos alunos pelas explicações das experiências eram percebidos por nós por meio da participação de cada aluno.
Os alunos ficaram em suas respectivas carteiras, na sala de aula, enquanto montávamos o equipamento de multimídia, com o qual se apresentou nos slides os seguintes assuntos e conteúdos: carga elétrica, eletrização de um corpo, princípios da eletrostática, isolantes e condutores e processos de eletrização.
Antes de se dar início a essa aula, foi combinado com os alunos que eles poderiam interromper a qualquer momento a explanação, quando aparecessem dúvidas ou para fazerem algum comentário relacionado ao assunto. Assim, foi explicado detalhadamente cada conteúdo e os alunos questionavam alguns pontos e traziam histórias e fatos relacionados ao cotidiano deles, principalmente quando explicamos sobre os processos de eletrização.
Percebemos pelos olhares atentos dos alunos e do baixo ruído na sala de aula por conversas paralelas que, eles se mostraram bem mais interessados pela aula, embora o ambiente nesse segundo dia fosse rotineiro para os alunos.
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No terceiro dia nós avaliamos o aprendizado dos alunos por meio de uma atividade escrita individual composta por três questões abertas e três questões fechadas. A atividade avaliativa retomava o embasamento científico que fundamentou as duas experiências, bem como os demais conceitos relativos à Eletrostática que foram abordados nas aulas.
As questões visaram identificar a compreensão dos alunos sobre o reconhecimento da existência de dois tipos de carga elétrica (positiva e negativa); distinção entre condutores e isolantes, do ponto de vista da estrutura da matéria; e, aplicação do princípio de conservação e quantização da carga em processos de eletrização.
Embora esse instrumento de avaliação não seja o único meio de avaliar a aprendizagem, pode-se notar, ao término da correção, um índice significativo de acertos das questões pelos alunos. Em uma população de 100 alunos avaliados, todos obtiveram uma média individual superior a 70%, e na média geral, 85% de acertos. Consideramos esses dados fortes indicativos de que os alunos aprenderam as ideias básicas das experiências e os primeiros conceitos de Eletrostática. Além disso, na correção das questões abertas, notamos que as respostas dos alunos foram dadas com bastante propriedade e domínio do assunto. Merece mencionar que no início da primeira aula, ao indagarmos os alunos se eles já tinham estudado ou lido alguma coisa sobre Eletrostática, 90% deles disseram que nunca tiveram contato com aquele conteúdo, reforçando, de certo modo, a importância e a eficácia da ludicidade e da experimentação em sala de aula e os resultados obtidos na atividade avaliativa.
## Considerações finais
Após a realização das duas aulas em três turmas de alunos do 3º ano do ensino médio de uma escola pública, em que se usaram recursos lúdicos e experimentais, é importante ressaltar que o conteúdo foi inserido, em sua grande parte, por meio de conversação, e que os alunos tiveram plena liberdade de expressarem opiniões durante toda a aula, mas que, apesar de toda essa liberdade de contribuir na construção da aprendizagem, procurou-se guiar os alunos a uma compreensão coerente dos fenômenos em questão.
É importante ressaltar que, após o desenvolvimento da atividade avaliativa, os resultados obtidos nos mostraram que é possível desenvolver aulas experimentais e lúdicas de Física sem fugir ao rigor que a educação requer, ou seja, uma aula experimental também explora o conteúdo, sem deixar o rendimento aquém do desejado. Também é válido frisar que o grau de entendimento e de percepção dos alunos pelo tema abordado ultrapassaram de longe os obtidos nas aulas tradicionais, onde não se lança mão da experimentação. Esse recurso mediacional proporcionou uma participação maior e consequentemente, interesse coletivo dos alunos com a disciplina, inclusive alunos que eram mais introvertidos e pouco participativos deram importantes contribuições às aulas; e aqueles que eram imperativos puderam se concentrar na atividade. Tudo isso nos levam a considerar que atividades lúdicas proporcionam uma melhor percepção do tema abordado.
Uma das dificuldades encontradas na execução da atividade experimental foi conter os ânimos dos alunos após a realização da mesma, uma vez que eles ficaram empolgados com os efeitos das experiências e não queriam parar de testá-
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los. Apesar de ter sido difícil conter a animação das turmas, o fato de ter trabalhado a atividade experimental antes da exposição teórica trouxe alguns benefícios, tais como curiosidade, interesse e atenção dos alunos pelo conteúdo.
- O fato de os alunos realizarem as experiências e buscarem a sua própria explicação é muito importante para que eles se envolvam efetivamente com a aula. Quando os alunos levantam hipóteses, formulam ideias e expõem suas explicações, eles estão seguindo, mesmo que parcialmente, os passos do método científico. Com isso, os alunos tornam-se agente ativo no processo de aprendizagem, e trazem consigo experiências de vida que muito ilustram e contribuem na construção do conteúdo nas salas de aula. A partir do momento em que o aluno participa e constrói seu conhecimento, o senso crítico aflora, e as suas formulações e explicações teóricas estão, de certa forma, no caminho da explicação científica.
- A atividade foi realizada com materiais de baixo custo e de fácil acesso, tornando possível sua realização por qualquer professor e até mesmo pelo próprio aluno em sua casa.
## Agradecimentos
Gostaríamos de agradecer à professora Kelly Cruz a abertura das portas de suas salas para nós, à Escola Estadual 'Doutor Garcia de Lima' a confiança depositada no projeto do PIBID, e à CAPES o apoio financeiro.
## Referências
ANTUNES, C. A aula e a aprendizagem: a importância da significação. Disponível em: <http://www.educacional.com.br/articulistas/celso\_bd.asp?codtexto=312>. Acesso em: 24 out. 2012.
LIBÂNEO, J.R. Democratização da Escola Pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.
PONTOCIÊNCIA - Cabo de guerra elétrico, 2009. Vídeo (1min13s). Disponível em: <http://youtu.be/5uAMmfuMqzM>. Acesso em: 05 abr. 2012.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.