Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR NO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Otávio Bocheco, Angelisa Benetti Clebsch, Maíra Adriana Hillesheim

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2013

Texto completo

## A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR NO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

## Otávio Bocheco 1 , Angelisa Benetti Clebsch , Maíra Adriana Hillesheim 2 3

- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense/Curso de FísicaLicenciatura/Campus Rio do Sul, o.bocheco@ifc-riodosul.edu.br
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense/Curso de FísicaLicenciatura/Campus Rio do Sul, angelisa@ifc-riodosul.edu.br
- 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense/Curso de FísicaLicenciatura/Campus Rio do Sul, mairaadrihill@hotmail.com

## Resumo

Neste artigo se discute a Prática como Componente Curricular (PCC) que se tornou obrigatório no currículo das licenciaturas, a partir de Resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Educação. Esses determinam que os cursos de licenciatura devem incluir 400 horas de PCC em sua matriz curricular, de modo a distribuir a dimensão prática da formação docente ao longo de todo o curso. Apresenta-se um relato de experiência, relacionado à PCC, em duas turmas do curso de Física-Licenciatura do Instituto Federal Catarinense câmpus Rio do Sul. Em consonância com o Projeto Pedagógico do Curso, foram propostas aos acadêmicos atividades integradas das disciplinas, que contemplavam carga horária de PCC em cada semestre, como: elaboração de projeto de ensino, aplicação de questionário in loco a professores de Física em exercício, realização de pesquisa em periódicos e confecção de projeto de pesquisa. Apresentam-se os aspectos positivos e equívocos com relação às atividades propostas. A boa integração entre as disciplinas do curso, promovida pelas atividades de PCC, a oportunidade de participação em uma semana acadêmica, a realização de oficinas e publicações no II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica são vistos como resultados positivos. Contudo, a proposta de confecção de um projeto de pesquisa foi classificada como equivocada, em função da falta de bagagem dos estudantes para elaboração de uma fundamentação teórica e definição da metodologia para o mesmo. Foi constatado que a carga horária da PCC deve estar diluída em disciplinas pedagógicas, do módulo sequencial especializado, deixando para as disciplinas de Física do núcleo comum uma dimensão prática restrita as aulas de laboratório. Espera-se, com este relato, colocar em pauta, na comunidade acadêmica, a PCC, incrementando as publicações na área e contribuindo na definição de perspectivas futuras para a formação de docentes na área de Física.

Palavras-chave : Prática como Componente Curricular, Formação de professores, Licenciatura em Física.

## Introdução

Dentro da temática de formação de professores de Física o pilar que sustenta a interação entre teoria e prática tem sido objeto de discussão (MARANDINO, 2003). Até 2002, pela interpretação legal, a dimensão prática de cursos de licenciatura em Física estava restrita ao estágio supervisionado, geralmente, desenvolvido a partir da segunda metade dos cursos de licenciatura.

Com a Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE)/Conselho Pleno (CP) n .1 de 18 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002a), que institui as o Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, são

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

apresentados princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização curricular dos cursos de formação docente. Dentre estes, há a determinação legal de que a dimensão prática desta formação não fique restrita ao estágio supervisionado. A interpretação dos parágrafos 1º, 2º e 3º do artigo 12 deste documento oficial transmite a ideia de que esta dimensão esteja presente desde o início do curso e que seja articulada, na medida do possível, entre diferentes disciplinas:

- § 1 A prática, na matriz curricular não pode ficar reduzida a um espaço o isolado, que a restrinja ao estágio, desarticulada do restante do curso.
- § 2 o A prática deve estar presente desde o início do curso e permear toda a formação do professor.
- § 3 0 No interior das áreas ou das disciplinas que constituem os componentes curriculares de formação, e não apenas nas disciplinas pedagógicas, todas terão a sua dimensão prática. (BRASIL, 2002a)

No entanto, apesar deste documento oficial indicar que a prática se dilua ao longo da formação docente, devendo permear as disciplinas que constituem a matriz curricular, não determina a carga horária destinada a esta dimensão. Isto fica estabelecido na Resolução CNE/CP n .2 de 19 de fevereiro de 2002 (BRASIL, o 2002b) que institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena. Em seu artigo 1º determina uma carga horária mínima de 2800 (duas mil e oitocentas) horas, sendo que esta carga horária seja garantida nos projetos pedagógicos dos cursos uma articulação teoria-prática através da inclusão de determinadas dimensões dos componentes comuns:

- I -400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso;

II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso. (BRASIL, 2002b)

A partir destas Resoluções (BRASIL, 2002a, 2002b), cursos de licenciatura devem adequar sua organização curricular incluindo a Prática como Componente Curricular (PCC).

Diante disso, o curso de Física-Licenciatura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense (IF Catarinense) estruturou em seu Projeto Pedagógico de Curso (PPC), uma matriz curricular que contempla a carga horária destinada a PCC e, diante de uma concepção adotada para este novo componente, vem proporcionando atividades, que se imagina, estarem satisfazendo a sua realização ao longo da formação de seus licenciandos.

- O presente trabalho tem a finalidade de relatar as atividades mencionadas acima de forma a colocar em pauta, para a comunidade acadêmica, os desafios que tem surgido na inserção deste componente curricular ao longo da formação de professores de Física, realizada no IF Catarinense. Ao mesmo tempo, com a apresentação de possibilidades de implementação da PCC, pretende-se contribuir na definição de perspectivas futuras para as licenciaturas.

## Implementação da PCC na formação para a docência em Física no IF Catarinense

Além da legislação supracitada, na elaboração do PPC do curso em foco foram observadas, também, as Diretrizes Nacionais Curriculares para cursos de

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Física dispostas no Parecer do CNE/CES N o 1304/2001 de 06 de novembro de 2001 (BRASIL, 2001).

Para atingir a formação que contemple os perfis, competências e habilidades definidas neste Parecer sugere-se que os cursos sejam divididos em núcleos comuns e módulos sequenciais especializados (no caso da licenciatura, físicoeducador). O documento oficial citado esclarece que:

- O Núcleo Comum é caracterizado por conjunto de disciplinas relativas à Física geral, matemática, Física clássica, Física moderna e ciência como atividade humana. (BRASIL, 2001, p.6)

[os módulos] sequenciais estarão voltados para o ensino da Física e deverão ser acordados com os profissionais da área de educação quando pertinentes. (BRASIL, 2001, p.7)

Assim, na matriz curricular deste curso a PCC está presente desde o primeiro semestre, tanto em disciplinas do núcleo comum como no módulo sequencial especializado.

- A PCC vem sendo entendida como um componente pedagógico que oportuniza a transposição didática (ASTOLFI e DEVELAY, 1990) dos conteúdos em estudo para o contexto da atividade docente. Um componente capaz de proporcionar experiências de aplicação e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e procedimentos intrínsecos da docência, bem como revelar aos licenciandos a realidade do contexto escolar e da área de pesquisa em ensino de ciências e Física.

Consta no PPC do curso em questão uma tabela que especifica o semestre, a carga horária, as disciplinas que devem integrar a atividade e uma espécie de sugestão para a mesma. Ficando a critério dos docentes responsáveis pelas disciplinas que deverão alocar a PCC aderir ou não as atividades sugeridas no documento.

A implementação da PCC teve início em 2011 com o ingresso da primeira turma. De acordo com o PPC, no 1º semestre do curso deve ser promovida uma atividade para este componente envolvendo três disciplinas: Física I: Óptica Geométrica e Ondas, Introdução a Medidas em Física e Leitura e Produção de Texto Acadêmico.

Embora a sugestão de atividade contemplada no documento fosse a realização de uma pesquisa e produção de texto acadêmico sobre medições e utilização de laboratórios em escolas, relacionando as áreas da Física e respectivos conteúdos abordados em cada série, o grupo de professores destas disciplinas optou por solicitar dos acadêmicos a elaboração de um projeto de ensino envolvendo material pedagógico a ser utilizado no ensino médio. A atividade, além de exercitar a confecção de projetos, envolver a pesquisa de conteúdos de Física, proposição de materiais ou estratégias de ensino, continha um cronograma que previa, caso fosse interesse do grupo, a sua execução até o final do curso.

Todos os projetos elaborados foram socializados na Semana Acadêmica, promovida pela Instituição, com destaque para dois deles que tiveram continuidade e se estenderam para outros setores do IF Catarinense.

O primeiro, cujo título inicial era Reflexão e Refração da Luz, transformou-se em uma oficina envolvendo a confecção de um equipamento capaz de produzir

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

cores secundárias através de feixes de luzes primárias. Tal oficina foi ministrada por duas acadêmicas, em três momentos diferentes:

- 01) para acadêmicos do curso Bacharelado em Ciência da Computação;
- 02) para um grupo de estudantes e pais do curso técnico integrado ao ensino médio de Agropecuária;
- 03) para um grupo de graduandos de diversas áreas.
- O segundo projeto, cujo título inicial era Fotografia também teve uma boa repercussão. Com os conhecimentos adquiridos pelas integrantes do grupo, as mesmas propuseram e executaram uma oficina que envolvia a dissecação de um olho bovino de forma a promover o entendimento do olho humano. A oficina foi ministrada para estudantes do curso técnico integrado ao ensino médio de Agropecuária.

Além destas atividades ligadas a prática docente, ambos foram transformados em publicações na forma de pôster, aprovados e apresentados no II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica.

Com a vinda do segundo semestre do curso, uma nova atividade, envolvendo novamente três disciplinas, foi proposta para esta mesma turma: Física II: Mecânica, Tecnologias para o Ensino de Física e Teorias Educacionais e Curriculares. A exemplo do primeiro semestre a sugestão de atividade proposta no PPC não foi aderida.

Estava proposto no documento que os acadêmicos acompanhassem aulas de Física, em especial na área da mecânica, ministradas em turmas do ensino médio, visando observar e coletar dados referentes às teorias educacionais e metodológicas com foco no uso de tecnologias no ensino de Física.

Como o curso em questão opera no período noturno, muitos acadêmicos teriam dificuldades para executar a proposta mencionada acima, além do que observações em aulas, geralmente, são atividades realizadas nos estágios. Assim, optou-se por diagnosticar e identificar aspectos da realidade escolar da educação básica - ensino fundamental e/ou médio - através de observações in loco de planos de ensino e aplicação de um questionário aos professores de Física em exercício.

De forma a contemplar aspectos das disciplinas selecionas para abordar a PCC, tal questionário, elaborado em conjunto com os acadêmicos e lapidado pelos professores do semestre, foi dividido em categorias:

- · Perfil;
- · Atuação profissional;
- · Questões pedagógicas;
- · Aspectos materiais (utilização de laboratórios, material didático, recursos tecnológicos);
- · Formação inicial e continuada dos docentes entrevistados.

Os dados coletados foram, posteriormente, compilados e socializados permitindo aos acadêmicos identificar aspectos da realidade do ensino de Física praticado em escolas da região.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Para o primeiro semestre de 2012, com o ingresso da segunda turma, duas atividades de PCC foram propostas . 1

Ao invés de projetos de ensino, cuja estruturação, na visão dos professores, requer conhecimentos ainda não trabalhados com os acadêmicos que estão frequentando o primeiro semestre de uma licenciatura em Física, ficou definida a realização de uma atividade de pesquisa em três periódicos de ensino de Física: Revista Brasileira de Ensino de Física, Caderno Brasileiro de Ensino de Física e Física na Escola.

Foram selecionados alguns temas, ministrados nas disciplinas de Física I: Óptica Geométrica e Ondas e Introdução a Medidas em Física, a fim de que os acadêmicos pesquisassem, nos periódicos acima citados, artigos publicados relacionados aos temas mencionados. E para tal, os alunos deveriam confeccionar um relatório acadêmico, trabalhado ao longo da disciplina de Leitura e Produção de Texto Acadêmico, com uma síntese sobre o conteúdo dos artigos encontrados na pesquisa e de que forma os mesmos poderiam auxiliar o professor na sua prática docente.

Um dos objetivos formativos desta atividade de PCC era de que os acadêmicos, futuros professores de Física, constatassem que, além dos livros textos, as publicações destes periódicos também poderiam colaborar com o exercício da docência. Visto que os mesmos possuem publicações voltadas tanto para o conteúdo de Física em si, como para o ensino de Física - metodologias, relatos de experiências, sugestões de atividades laboratoriais, história e evolução de conceitos físicos, dentre outros temas. Os trechos abaixo, escritos em alguns relatórios, revelam traços deste objetivo:

A PCC serviu para conhecermos além dos livros os artigos que estão publicados em periódicos, pois tomando conhecimento de exemplares como estes que analisamos e utilizamos de publicações encontradas neles se um dia precisarmos de leituras, ideias de aplicações, deduções de equações, e quando necessitarmos saberemos onde pesquisar (Grupo A)

Ao pesquisar os artigos acerca do ensino de Física nos periódicos, nota-se a importância do acesso aos mesmos para a formação de um futuro docente mais seguro sobre o seu conteúdo e sobre o papel que deve exercer dentro da escola, buscando sempre a inovação nos métodos de ensino e entendendo que nem sempre isto significa partir para o empirismo. (Grupo B)

Por meio da leitura destes artigos, podemos concluir que há uma maneira dinâmica de ensinar a propagação de ondas em cordas e ao longo de tubos para os alunos. (Grupo C)

Em relação à primeira turma, agora no terceiro semestre do curso, a atividade de PCC - de acordo com o PPC - deveria envolver duas disciplinas: Pesquisa em Ensino de Ciências e Física e Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Como a professora desta visava explorar a retratação das ideias psicogenéticas de Jean Piaget e histórico-cultural de Vygotsky nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) e o professor daquela focaria tais documentos oficiais, no estudo da linha de pesquisa Currículo e o Ensino de Física , ficou

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

acertado entre os docentes que a atividade de PCC exploraria o tema Implementação dos PCN's em escolas da região.

Para tal, os acadêmicos executaram a leitura e interpretação dos documentos oficiais na disciplina de Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem e realizaram um estudo de duas publicações (RICARDO, 2008, 2002) que tratam da implementação dos PCN's em escolas públicas e da interpretação de seus pressupostos fundamentais - competências e habilidades, interdisciplinaridade e contextualização - na disciplina de Pesquisa em Ensino de Ciências e Física. Ainda dentro desta última disciplina, realizou-se uma discussão a respeito da estruturação de um projeto de pesquisa na área de ensino de ciências e Física, focando suas principais partes como problema de pesquisa, fundamentação teórica e procedimentos metodológicos.

A sequência da PCC se efetivou com a proposta de que os acadêmicos confeccionassem um projeto de pesquisa com a temática Implementação dos PCN's em escolas da região .

Concluiu-se, de forma insatisfatória, que os alunos, talvez por estarem frequentando o terceiro semestre de uma licenciatura em Física, tiveram muitas dificuldades quanto à delimitação de um problema de pesquisa envolvendo a temática escolhida. Além disso, ficou evidente a falta de bagagem para que fundamentassem teoricamente o projeto de pesquisa e pudessem determinar encaminhamentos metodológicos para o mesmo. Os professores das disciplinas envolvidas nesta atividade de PCC assumiram o equívoco em solicitar a confecção de um projeto de pesquisa em ensino de ciências de forma prematura na formação dos futuros docentes.

Mesmo que a disciplina Pesquisa em Ensino de Ciências e Física tenha promovido o estudo histórico da consolidação desta área, de suas linhas de pesquisa, das principais partes de um projeto de pesquisa e estudos sobre as suas metodologias empregadas na área, a ideia de que o semestre deveria se fechar com a construção de um projeto de pesquisa foi mal dimensionada.

Como saldo positivo, pôde-se constatar, na realização desta atividade de PCC, que os estudantes executaram uma ótima leitura e interpretação dos documentos oficiais em questão. Além do que, ficou evidente que a disciplina Pesquisa em Ensino de Ciências e Física deve ser deslocada na matriz curricular do curso para o semestre que antecede a confecção do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC). Fato que deverá ser discutido nas próximas reuniões do colegiado e núcleo docente estruturante do curso.

## Considerações finais

As resoluções citadas neste artigo (BRASIL, 2002a, 2002b) promoveram mudanças na organização curricular dos cursos de formação de professores com relação à dimensão prática, que não está mais restrita ao estágio supervisionado, mas diluída ao longo do curso através da PCC.

Interessados em investigar de que maneira a carga horária da PCC está distribuída em outros cursos, realizou-se, noutro trabalho, um levantamento a respeito da alocação da carga horária da PCC na matriz curricular dos cursos de licenciatura em Física, ofertados por instituições públicas de Santa Catarina. Verificou-se, de modo geral, que esta carga horária está distribuída tanto em

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

disciplinas do núcleo comum como do módulo sequencial especializado. Fato que proporcionou a reflexão e o aprofundamento de discussões sobre a implementação da PCC no curso de licenciatura em Física do IF Catarinense.

- A integração entre as disciplinas, proporcionada através das atividades de PCC realizadas, tem sido positiva. No entanto, por entender que as disciplinas do núcleo comum devem se preocupar com o desenvolvimento de saberes específicos da Física, para os próximos semestres, decidiu-se abortar a PCC das disciplinas deste núcleo, deixando a sua alocação para as disciplinas pedagógicas.
- O desafio dos professores que lecionam disciplinas do curso de licenciatura em Física, ofertado pelo IF Catarinense, tem sido a definição, a cada semestre, de atividades de PCC que contribuam com o perfil profissional que deseja-se formar; com sólido conhecimento científico, forte embasamento para a prática docente, comprometida com a ética, a responsabilidade social, ambiental, educacional e tecnológica. Visto que as Resoluções supracitadas não sugerem como a PCC deve ser implementada.

Além disso, outro desafio é a busca por uma concepção teórica de PCC. Em trabalho de revisão literária, percebe-se certa escassez quanto a publicações discutindo a respeito do papel da PCC na formação de professores de ciências, em específico, na área de Física. O que consiste este novo componente e de que maneira deve ser implantado na grade curricular dos cursos de licenciatura em Física são questões incipientes. Neto e Silva (2011), por exemplo, defendem que este novo componente curricular deve ser interpretado numa perspectiva interdisciplinar, de forma a alavancar uma reestruturação dos currículos das licenciaturas e não apenas uma adequação. Seria este o caminho?

Espera-se com este relato contribuir com as discussões relativas à formação de professores de Física no Brasil, ajudando a visualizar perspectivas com relação à implementação da PCC e incentivando o surgimento de publicações nesta temática.

## Referências

ASTOLFI, Jean-Pierre; DEVELAY, Michel. A didática das ciências. Campinas: Papirus. 1990.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999.

- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES 1.304 de 06 de novembro de 2001. Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Brasília: CNE, 2001.
- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília: CNE, 2002a.
- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília: CNE, 2002b.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

MARANDINO, Martha. A prática de ensino nas licenciaturas e a pesquisa em ensino de Ciências: questões atuais. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. V,20, N.2, p. 168-193, 2003.

NETO, S. S.; SILVA, V. P. Prática como componente curricular: questões e reflexões. In: I ENCONTRO DAS LICENCIATURAS DA UNESP E III SIMPÓSIO: A PRÁTICA DE ENSINO EM QUESTÃO, Águas de Lindóia, 2011.

RICARDO, Elio; ZYLBERSZTAJN, Arden. O Ensino das Ciências no nível médio: um estudo sobre as dificuldades na implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. V.19, N.3. p.351-370, dez. 2002.

RICARDO, Elio; ZYLBERSZTAJN, Arden. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para as Ciências do Ensino Médio: uma análise a partir da visão de seus elaboradores. Investigação em Ensino de Ciências. V.13, N.3 pp.257-274, 2008.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.