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FÍSICA, ESPORTE E O CORPO HUMANO: PROPOSIÇÃO DE ATIVIDADES INVESTIGATIVAS CONTEXTUALIZADAS

Nathália Dias Da Cunha Santana, Ruth Bruno

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FÍSICA, ESPORTE E O CORPO HUMANO: PROPOSIÇÃO DE ATIVIDADES INVESTIGATIVAS CONTEXTUALIZADAS.

## Nathália Dias da Cunha Santana , Ruth Bruno 1 2

1Universidade Federal Fluminense/Departamento de Física, nam.dias@fisica.if.uff.br

2Universidade Federal Fluminense/Departamento de Física, ruth@if.uff.br

## Resumo

O baixo desempenho escolar dos alunos do Ensino Médio, especialmente em Física, claramente diagnosticado nas avaliações oficiais, reflete na prática do professor, que busca alternativas metodológicas na tentativa de encontrar uma solução para o problema. A partir do processo contínuo de construção de conhecimentos sobre a prática pedagógica, surge o professor reflexivo, comprometido com sua profissão e capaz de questionar seu próprio trabalho, apto a enfrentar as mais diversas situações que surgem em seu dia a dia. Assumindo o papel deste professor e visando promover o interesse e significado ao ensino de Física, são apresentados neste trabalho os resultados decorrentes da aplicação de aulas investigativas, construídas através do diálogo, utilizando as mais importantes contribuições da teoria construtivista para a educação: a valorização das concepções prévias dos alunos, o poder da mediação, o incentivo aos debates e trabalhos coletivos e o desenvolvimento do pensamento crítico. Na execução da proposta, os recursos de contextualização e interdisciplinaridade são inseridos através de projetos temáticos envolvendo Física, Esporte e movimentos básicos do corpo humano. A partir da análise do papel do professor mediador, da apreciação das questões levantadas pelos alunos e as avaliações qualitativas, baseadas nos conhecimentos prévios explorados do início ao fim da aula, se desenvolvem as competências e valores éticos, atendendo as atuais finalidades do Ensino Médio.

Palavras-chave : Ensino de Física; Ensino Investigativo; Contextualização.

## Contextualização e Interdisciplinaridade: uma Abordagem no Cotidiano Escolar

Não é possível negar a expressiva democratização do acesso da população brasileira à Educação Formal, claramente revelada no crescimento da oferta de vagas e no número de alunos matriculados. Mas, se por um lado este é um aspecto positivo, na medida em que promove a socialização do conhecimento, por outro, torna ainda mais grave as deficiências de um modelo de ensino que não consegue alcançar seu objetivo fundamental: a real aprendizagem dos alunos e consequente aquisição das competências necessárias para o exercício pleno da cidadania.

Assim, ciente do papel que o professor representa na sociedade e buscando colaborar com o ensino de qualidade, propomos por em prática metodologias de ensino por investigação, com bases construtivistas, através de atividades realizadas em parceria com os professores de outras áreas do saber. Com este intuito, foram aplicadas aulas de Física para alunos do Ensino Médio de escolas públicas de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Nestas aulas foram utilizados os recursos de contextualização e interdisciplinaridade, inserindo o tema Física, Esporte e o estudo de movimentos básicos do corpo humano, como estratégia de problematização.

Para alcançar a excelência na educação, o professor tem que ter a consciência de seu papel e responsabilidades. A Lei de Diretrizes e Bases da

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20 a 25 de janeiro de 2013

Educação Nacional (LDBEN-1996) estabelece que o estudante tem direito à educação de qualidade. Por este motivo, o professor deve assumir um compromisso com a sua própria formação. Schön (1992, p.80) oferece a oportunidade de pensarmos sobre a prática docente e a possibilidade de questionarmos sobre quais competências são necessárias para a formação de um professor, que ele mesmo caracteriza como professor reflexivo. Este professor, segundo o filósofo Polanyi (s/d), deve saber identificar os conhecimentos intuitivos dos alunos. Ele sugere, ainda, como explorar os conhecimentos dos alunos para seu próprio benefício:

Se o professor quiser familiarizar-se com este tipo de saber, tem de lhe prestar atenção, ser curioso, ouvi-lo, surpreender-se, e atuar como uma espécie de detetive que procura descobrir a razão que levam as crianças a dizer certas coisas. Este tipo de professor esforça-se por ir ao encontro do aluno e entender o seu próprio processo de conhecimento, ajudando-o a articular o seu conhecimento-na-ação com o saber escolar. Este tipo de ensino é uma forma de reflexão-na-ação que exige do professor uma capacidade de individualizar, isto é, de prestar atenção a um aluno, mesmo numa turma de trinta, tendo a noção de seu grau de compreensão e das suas dificuldades. (Schön, 1992, p.82).

Esta postura contribui significativamente para a melhoria da qualidade do ensino, favorecendo não apenas o aluno, mas também o professor, na medida em que ele aprende mais para ensinar mais. Com o objetivo de zelar pela aprendizagem de seus alunos, o professor deve desenvolver nestes o espírito investigativo, utilizando metodologias e recursos didáticos diferenciados que não precisam seguir à risca o Livro Didático e os modelos das provas de vestibulares, que devem ser somente complementos ao trabalho do professor. Esta ideia é expressa neste trecho das Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, OCNEM:

E há um aspecto para o qual os professores devem se voltar com especial atenção, relacionado com a característica fundamental da ciência: a sua dimensão investigativa, dificilmente trabalhada na escola nem solicitada nas provas vestibulares. (BRASIL, 2006, p.45)

Um conjunto de práticas pedagógicas bem elaboradas tem o objetivo de promover o aluno, atendendo as finalidades que estabelecem o desenvolvimento integral deste, oferecendo-lhe autonomia para dar prosseguimento aos seus estudos e oportunidade de atuar como cidadão responsável e ético (BRASIL, 1996). Para atingir as finalidades da LDB, Lei de Diretrizes e Bases, direcionadas ao Ensino Médio, os PCN+, Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, sugerem que competências específicas devem ser desenvolvidas a partir de temáticas para o ensino de Física, ou seja, o aluno deve aprender a lidar com as informações, linguagens e códigos relevantes ao universo da ciência. Essas sugestões estão destacadas no seguinte trecho do documento:

No ensino fundamental, esses temas dizem respeito ao mundo vivencial mais imediato, tratando do ambiente, da vida, da tecnologia, da Terra, e assim por diante. Já no ensino médio, devem ganhar uma abrangência maior, ao mesmo tempo que também uma certa especificidade disciplinar, uma vez que para desenvolver competências e habilidades em Física é preciso lidar com os objetos da Física. Devem estar relacionados, portanto, com a natureza e a relevância contemporânea dos processos e fenômenos físicos, cobrindo diferentes campos de fenômenos e diferentes formas de abordagem, privilegiando as características mais essenciais que dão consistência ao saber da Física e permitem um olhar investigativo sobre o mundo real. (BRASIL, 2002, p.17)

Entre as metodologias capazes de promover tais competências e habilidades, a contextualização é extremamente útil, pois permite a abordagem de

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conteúdos de diversas áreas do conhecimento, facilitando o processo de ensinoaprendizagem. De acordo com as OCNEM:

' A contextualização como recurso didático serve para problematizar a realidade vivida pelo aluno, extraí-la do seu contexto e projetá-la para a análise. Ou seja, consiste em elaborar uma representação do mundo para melhor compreendê-lo ' (BRASIL, 2006, p.51).

Ainda segundo as OCNEM, uma abordagem temática não possui sentido sem a análise critica dos conceitos que envolvem a situação cotidiana abordada. Essa discussão, mediada continuadamente pelo professor, deve propiciar o diálogo entre os alunos, construindo gradativamente a compreensão de que os conhecimentos estão integrados com outras áreas do saber.

[...], não se pretende com a contextualização partir do que o aluno já sabe e chegar ao conhecimento científico, pois esse não é apenas polimento do senso comum. O que se pretende é partir da reflexão crítica ao senso comum e proporcionar alternativas para que o aluno sinta a necessidade de buscar e compreender esse novo conhecimento. (Brasil, 2006, p.51).

Os PCN, Parâmetros Curriculares Nacionais, acrescentam que devem ser desenvolvidas metodologias características ao perfil do novo currículo do Ensino Médio, cujo enfoque é a reflexão. Neste contexto, a interdisciplinaridade revela-se um importante instrumento para a melhoria do ensino, pois estabelece uma conexão entre os saberes e propicia ao aluno uma visão ampliada de mundo, uma vez que ele percebe que as ciências estão integradas. Existe uma ligação natural entre a contextualização e interdisciplinaridade que deve ser explorada em favor do aluno.

Dentre os temas conhecidos, o esporte, por sua importância sociocultural, é um exemplo que está presente na vida dos brasileiros. Por isso, procuramos explorar a popularidade dos esportes com o intuito de promover as atividades pedagógicas nas escolas, em contrapartida à pratica tradicional de ensino que ainda se faz presente no cotidiano escolar. O esporte, como potencial pedagógico, pode ser direcionado para desenvolver atividades facilitadoras do processo ensinoaprendizagem e valores éticos para o educando. Além disso, é possível encontrar na literatura diversos trabalhos que abordam o tema Física e Esporte, sob diferentes óticas. Em alguns destes trabalhos, por exemplo, a ênfase é dada nos aspectos físicos relacionados com a prática esportiva, enquanto que em outros são exploradas as concepções alternativas e equívocos na associação destes temas.

De acordo com Medeiros (2004), que analisa as distorções conceituais em Física apresentadas por narradores e comentaristas esportivos, os esportes têm uma ligação estreita com a Física, que pode ser explorada para elaborar discussões construtivas sobre diversos conceitos físicos envolvendo uma variedade de atividades esportivas. Muitos acontecimentos ocorridos em competições, como o chute de uma bola com efeito na direção do gol ou um recorde em salto à distância, parecerem impossíveis de serem realizados e despertam a curiosidade pela explicação racional ou científica dos fenômenos que os envolvem.

Da mesma forma, Gomes (2005) evidencia que os aspectos físicos dos movimentos inerentes aos seres humanos podem ser matematicamente calculados e analisados qualitativamente com o objetivo de contribuírem para o aumento do desempenho de atletas e, conseqüentemente, de recordes olímpicos.

## Metodologia

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Este trabalho consiste no planejamento, elaboração e aplicação de aulas de Física, compostas por alguns elementos considerados indispensáveis para a edificação de um conhecimento sólido e duradouro. A construção desta proposta foi discutida entre professores, profissionais da educação e alunos, com a intenção de valorizar o diálogo que resultará no fortalecimento da relação aluno-escola.

Parte do trabalho foi realizada no Colégio Estadual Aurelino Leal (CEAL), em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. No decorrer das atividades do estágio curricular obrigatório, realizadas no período de 2010 a 2011, teve-se a oportunidade de estreitar a convivência com as turmas de primeiro e segundo anos e testemunhar a maneira como os alunos observam a Física, suas expectativas e aplicabilidade.

Uma das proposições deste trabalho é a aplicação de aulas com enfoque construtivista, privilegiando o desenvolvimento de capacidades e habilidades específicas para serem aplicadas na resolução de problemas de Física, envolvendo temas relacionados ao esporte e habilidades de locomoção do corpo humano. Esta opção foi adotada devido à preferência de abordar conteúdos envolvendo conceitos de mecânica, relacionados aos movimentos naturais do corpo humano, então inseridos como atividade temática envolvendo Física e Esporte.

No CEAL foram aplicadas duas aulas para turmas de segundo ano. A primeira, sobre 'grandezas escalares e vetoriais', que não será relatada aqui e a segunda aula, sobre 'centro de gravidade e equilíbrio', que foi aplicada com um objetivo simples: o de promover o diálogo em sala de aula. Tal objetivo resultou da experiência vivida na primeira aula, na qual foram enfrentadas algumas dificuldades na aplicação da metodologia. Nesta aula, com enfoque investigativo e contextualizado, foram abordados temas atuais em ciências cujo objeto de estudo foi a inovação tecnológica, aliada às pesquisas mais recentes na área da biomecânica.

A opção pelo tema Física e Esporte teve origem num conjunto de ações pedagógicas desenvolvidas na Escola Técnica Estadual Henrique Lage (ETEHL), em Niterói. Estas ações, executadas através da prática de judô durante 12 anos, possibilitaram o desenvolvimento de um método particular de experimentar formas intuitivas de ensinar. A aprendizagem adquirida no exercício desta atividade engloba, além do desenvolvimento técnico, a habilidade de ensinar, indispensável na formação do atleta marcial. Neste caso, compartilhar o que aprendeu demonstra uma forma de retribuição respeitosa para com o seu sensei 1 e demais estudantes que estão iniciando o Do 2 . O ato de retribuir se caracteriza como uma das formas de por em prática o princípio do Jita Kioei , 3 disseminado no mundo pelos praticantes de judô.

Na elaboração da proposta metodológica deve-se destacar a preocupação imediata com a prática pedagógica aplicada para desenvolver ao máximo as potencialidades de cada educando. Para isso, propiciar o diálogo, que é o canal de comunicação por onde se estabelece o conhecimento, torna-se imprescindível. Com o objetivo de estabelecer uma ligação dialógica produtiva entre alunos e professor,

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questões de problematização foram utilizadas no início e no decorrer das aulas. Esta medida exige muito do regente, uma vez que a mediação é uma prática que requer a habilidade de mudar os rumos de uma discussão de um tema para outro, promover a exposição de diferentes opiniões e analisar as concepções alternativas dos alunos para utilizá-las como recurso pedagógico. Moraes (2003) sugere a 'participação comunicativa dos alunos' como forma de auxiliar a mediação do mestre.

[...] é extremamente importante que se valoriza a fala do aluno, especialmente, em sua forma dialógica dentro do grupo. Na concepção de que a aprendizagem, ao menos em grande parte, origina-se ou é construída a partir de um discurso coletivo, o cultural, o de senso comum ou o científico, [...] o professor pode investigar quais conhecimentos os alunos já trazem para a escola e quais os limites destes conhecimentos, para a partir disto construir sua mediação. (MORAES, 2003, p.125)

Considerando a avaliação como parte do processo pedagógico, Luckesi (2006) ajuda-nos a refletir sobre a proposição de uma avaliação justa e coerente com o conteúdo trabalhado. Ao desenvolver novas capacidades e habilidades as mesmas devem ser exploradas em questões diretas e claras para não confundir o aluno. 'As questões necessitam de ser vazadas em linguagem clara, precisa, direta. Nada de subterfúgios. O que desejamos constatar é se o estudante aprendeu o que ensinamos e não se ele é capaz de compreender enigmas.' (LUCKESI, 2006, p.6).

## Detalhamento das Aulas e Análise dos Resultados

## A Regência: Centro de Gravidade e suas Relações com o Equilíbrio

A aula realizada no CEAL teve o objetivo de apresentar a definição de centro de gravidade e suas relações com o equilíbrio, visando compreender a relação entre estes conceitos e diferentes situações cotidianas. Inicialmente foi apresentado um vídeo , com a exibição de uma reportagem sobre a adaptação de um exoesqueleto 4 5 militar destinado a pessoas com deficiência de locomoção. A abordagem do tema, que apresenta os avanços da pesquisa nas áreas de Física e Biomecânica, estimulou diversos questionamentos, entre os quais as aplicações em outras áreas e os aspectos éticos na utilização da ciência. As questões de problematização foram criadas com a preocupação de explorar as concepções alternativas dos alunos e abordar o conceito de equilíbrio, contextualizado com os movimentos comuns do corpo humano como sentar, levantar e andar. Os conceitos físicos foram apresentados através de slides .

As atividades experimentais foram inseridas sob a forma de competição. Foram formados dois grupos com cinco alunos cada, sendo um deles composto por meninos e o outro por meninas. A missão era simples: reproduzir os movimentos apresentados em uma das fotografias exibidas no slide . O grupo que não conseguisse reproduzi-los, perderia um ponto, e o grupo com mais pontos venceria o jogo Porém, para a maioria dos garotos é praticamente impossível reproduzir o movimento específico, pois a distribuição de massa corporal faz com que o centro de gravidade se posicione mais acima do que o das meninas. No final da competição,

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com a vitória das meninas, os grupos se uniram para explicar o princípio físico envolvido na brincadeira. Ao superarem mais esta etapa, a partir da integração de idéias, os alunos optaram por responder as questões de problematização em grupo.

A avaliação dos alunos foi realizada a partir da análise das habilidades de interpretação, cooperação expressão oral e encadeamento de idéias, comparando as concepções analisadas no principio da aula com as adquiridas ao final da aula, sobre as mesmas questões de problematização.

## Aula na Escola Técnica Estadual Henrique Lage

A ETEHL é conhecida pela tradição na formação profissionalizante e pela disposição de um centro esportivo que conta com o trabalho de professores e instrutores de inúmeras modalidades esportivas. A possibilidade de desenvolver ações pedagógicas, em conjunto com o professor instrutor de artes marciais, revelou-se essencial para a elaboração de adaptações que promovessem o ensino de Física, inserido na prática do esporte. A parceria visou oferecer aos alunos inscritos na modalidade do judô uma visão da aplicação da Física no cotidiano.

Além do que a Física pode oferecer ao aluno praticante deste esporte, também se propõe a transferência de valores como disciplina, respeito no tratamento entre alunos e professores, ética e até mesmo concentração, uma virtude cada vez mais rara, devido ao grande número de atividades que estes alunos realizam por dia. Estes valores devem estar presentes na prática do professor desde o planejamento até a etapa de avaliação.

No início de 2011, foi selecionada uma turma de alunos ingressantes no Ensino Médio para a aplicação da proposta. Os alunos escolhidos mostraram-se interessados e dispostos a experimentar novas formas de aprender Física, apesar de estarem começando os estudos desta disciplina.

- O objetivo do judô é atingir o ponto perfeito, Ippon 6 . Para ser bem sucedido o praticante deve saber analisar rapidamente as condições do equilíbrio do corpo do oponente e aplicar as técnicas que melhor se adaptem à situação para desequilibrálo e projetá-lo de costas ou dominá-lo no solo com técnicas específicas. Tudo isto utilizando o princípio da melhor utilização da força, Chikara-no-Yoho . 7 Mesmo quem não tem familiaridade com a prática do judô pode observar que estão presentes inúmeros conceitos de Física, cuja abordagem pode facilitar o estudo de ciências, dependendo da criatividade do professor e da disponibilidade de tempo para fazê-lo.

Durante as aulas são analisadas as condições de equilíbrio através da posição da base do adversário, assim como a soma de grandezas vetoriais 8

- 6 Ponto perfeito no judô. Consiste em aplicar técnicas para a projeção do oponente de costas no chão ou dominá-lo através de técnicas específicas para o combate no solo. Existe o correspondente para uma interpretação filosófica a respeito do ponto completo que visa projetar estes ensinamentos para realizar este ponto perfeito na vida cotidiana.
- 7 Este princípio é conhecido como o princípio da melhor utilização da força e visa utilizar a força do oponente contra ele mesmo. Ou seja, se o adversário empurrar deve-se puxá-lo ou se o adversário puxar deve-se empurrá-lo.
- 8 O conceito de base (posição dos pés) está bem definido durante a aplicação das aulas sobre centro de gravidade e equilíbrio, e também faz parte dos conceitos básicos de judô apresentado nas primeiras semanas de aulas.

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aplicadas ao princípio da máxima eficiência. O enfoque nos temas de mecânica tem a intenção de facilitar a compreensão dos conteúdos, visando aproveitar as aulas de Física que os alunos teriam concomitantemente com as aulas de judô, nas quais também estavam sendo estudados os conceitos de centro de gravidade e equilíbrio, e soma de grandezas vetoriais.

As aulas de Física apresentaram características de aulas investigativas, com problematização, apresentação dos conceitos envolvidos, atividades experimentais e auto-avaliação. Todas as atividades no ETEHL foram realizadas no Dojo sob as regras que regem o Judo . No início das aulas foram apresentadas as técnicas a serem trabalhadas (problematização), suas possíveis formas de utilização, como elas podem conduzir ao desequilíbrio e a uma subseqüente queda do corpo humano, e a Física envolvida no processo (apresentação dos conceitos envolvidos). A partir daí, os alunos praticam o Randori , 9 aplicando as técnicas de Judo que se apóiam sob as leis da Física (atividade experimental). Este é o desafio a ser superado nesta aula: investigar e analisar a base e determinar rapidamente qual técnica melhor se adapta aquela condição de desequilíbrio. Ao final da aula, os alunos são convidados a descrever suas dificuldades, ou analisar os pontos fortes de e melhores estratégias para atingirem o objetivo final (auto-avaliação).

A auto-avaliação é um importante subsídio de que dispõe o professor, pois as questões pessoais que justificam as deficiências e qualidades da aula e as dificuldades dos alunos são postas em evidência sob um novo ponto de vista. Desta forma, o professor pode avaliar se as metodologias e sua habilidade de mediar e promover o processo de ensino-aprendizagem atendem as expectativas dos alunos.

Os alunos se adaptaram a um novo padrão de relacionamento em sala de aula, desenvolvendo valores éticos, como a coragem de assumir seus erros e a capacidade de colaborar em grupo para resolver problemas, a curiosidade, e principalmente o desenvolvimento da habilidade de integrar idéias para chegarem ao sucesso. Portanto, presenciamos uma sala de aula viva, instigante e rica, pois os alunos descobriram que são recompensados pela descoberta.

## Considerações Finais

Sempre com a ideia do benefício mútuo, os esportes podem ser inseridos como elementos temáticos nas aulas de Física e, quando possível, devem promover o trabalho em grupo para que, assim como nos esportes coletivos e individuais, se desenvolvam valores que são cada vez mais raros entre os jovens, visto os problemas enfrentados pelas escolas, como o buillying, que preocupam cada vez mais pais e educadores.

A interdisciplinaridade abordada, mesmo que de forma tímida, apresentouse através da sua relação natural com a contextualização. Evidenciou-se a importância do desenvolvimento de competências investigativas através da prática experimental e esportiva, neste caso, através do judô.

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## Referências

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 20 agosto 2011.

BRASIL, Ministério da Educação (MEC), Secretaria de Educação Básica (SEB). Orientações Curriculares para o Ensino Médio Ciências da Natureza Matemática suas Tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book\_volume\_02\_internet.pdf>. Acesso em: 22 agosto 2011.

BRASIL, Ministério da Educação (MEC). PCN+ - Ensino Médio Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEB,2002. Disponível em: <http://www.sbfisica.org.br/arquivos/PCN\_FIS.pdf >. Acesso em: 22 agosto 2011.

GOMES, Marcelo Andrade Filgueiras. Física e Esporte, Ciência e Cultura, v. 57, n. 3 São Paulo, 2005, p.36-39. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v57n3/a18v57n3.pdf>. Acesso em: 10 agosto 2011.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem: domínio e/ou desenvolvimento?. Revista ABC EDUCATIO, n. 54, 2006. Disponível em: <http://www.luckesi.com.br/textos/abc\_educatio/abceducatio\_54\_dominio\_e\_desen volvimento\_26062006.pdf >. Acesso em: 14 novembro 2011.

MEDEIROS, Alexandre. Física nas Transmissões Esportivas: Uma Mecânica de Equívocos. Física na Escola, v.5, n.1, p. 7-14, 2004. Disponível em: <http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol5/Num1/v5n1a03.pdf>. Acesso em: 22 agosto 2011.

MORAES, R. (Org.). Construtivismo e ensino de ciências: reflexões epistemológicas e metodológicas. 2. ed. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2003. v. 1. 230 p.

POLANYI, Michael. Michael polanyi and tacit knowledge. Infed. Disponível em: <http://www.infed.org/thinkers/polanyi.htm>. Acesso em: 06 dezembro 2011.

SCHÖN, D. Formar professores como profissionais reflexivos. In: Os professores e a sua formação . Org. Nóvoa, A., Lisboa: Ed. Dom Quixote, 1992.77 91.

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