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VIVENCIANDO A PROFISSÃO DOCENTE: UMA ANÁLISE PRELIMINAR DO PROJETO CIÊNCIA NOTA 10

Mariana De Souza Lima, Emanuelle São Leão, Bianca D’Avila Lima, Alexandre Lopes De Oliveira, Vitor Luiz Bastos De Jesus, Alcina Maria Testa Braz Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## VIVENCIANDO A PROFISSÃO DOCENTE: UMA ANÁLISE PRELIMINAR DO PROJETO CIÊNCIA NOTA 10

Mariana de Souza Lima 1 , Emanuelle São Leão , Bianca D'Avila Lima , 2 3 Alexandre Lopes de Oliveira , Vitor Luiz Bastos de Jesus , Alcina Maria Testa 4 5 Braz da Silva 6

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) - Campus Nilópolis

- 1 marianasl.fisica@gmail.com
- 2 manusaoleao@yahoo.com.br
- 3 bialima.fis@gmail.com
- 4 alexandre.oliveira@ifrj.edu.br
- 5 vitor.jesus@ifrj.edu.br
- 6 alcina.silva@ifrj.edu.br

## Resumo

A profissão do professor possui uma característica relacional, no entanto, o contato entre licenciando e seu futuro ambiente de trabalho normalmente ocorre em seu último ano de curso. Estabelecer este contato já nos períodos iniciais de cursos de licenciaturas é o propósito do projeto Ciência Nota 10. A elaboração do presente projeto se deu por meio da construção e aplicação de experimentos de baixo custo, voltado para a Matemática e as ciências naturais (física e química), onde foi apresentado, explicado e analisado os significados e as finalidades de cada um. Oficinas e aplicação de questionários semiestruturados foram realizadas para analisar e buscar possíveis soluções com a proposta de minimizar as 'dificuldades' apontadas por parte dos alunos em compreender tais ciências, assim como apontar a importância e aplicações no dia-a-dia, possibilitando aos licenciandos vivenciarem os recursos e métodos das situações de ensino e aprendizagem durante seus cursos. Apresentamos, neste trabalho, um estudo descritivo sobre o objetivo, as atividades e os resultados do projeto Ciência Nota 10.

Palavras-chave : Ensino de ciências, experimentos de baixo custo, formação de professores.

## Introdução

A profissão de professor tem como característica ser uma profissão relacional, desta forma para coexistir, comunicar e trabalhar com os outros, nada mais justo que a ambientação do licenciando em seu futuro ambiente real de trabalho, isto é, a sala de aula. E as características da experiência proposta pelos formadores de professores é o ponto de partida para o processo de formação deste profissional, pois, ao convidar futuros professores a atuar de forma criativa há um estímulo a uma experiência de aprendizagem para ambos, quem ensina e quem aprende (VILLANI, FRANZONI & VALADARES, 2008). Por isso, estabelecer um contato entre o futuro professor e alunos em uma escola já nos períodos iniciais, anteriores aos apresentados nos programas atuais de muitas licenciaturas seja importante para as primeiras reflexões e práticas sobre o processo aprendizado desses futuros profissionais. Sabemos que aprender a ensinar é uma tarefa para a vida toda do professor (BEJARANO & DE CARVALHO,2003).

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20 a 25 de janeiro de 2013

No artigo de Alberto Villani observamos que 'formar professores capazes de atuar de forma crítica, a partir de uma percepção da complexidade da prática docente no sistema educacional brasileiro, constitui uma meta muito difícil.' e vivenciamos na prática essa dificuldade.

Muitos professores após a graduação se afastam da Universidade e perdem o contato com os estudos em Ensino de Ciências. Os licenciandos, às vezes, aprendem a teoria sobre este tipo de ensino, porém não praticam em turmas do Ensino Médio (ANTONIOLI, P; QUEIROZ, G.; GALVÃO, V., 2009).

Desse modo procuramos mostrar que a interação entre professores do Ensino Médio, licenciandos e alunos pode contribuir significativamente para os processos de ensino-aprendizagem mútuos, inclusive na busca de novas soluções com relação às dificuldades dos alunos em compreender ciências.

## Quadro Teórico

Uma característica que pode ser evidenciada em contato com professores no decurso do projeto, é que esses ao entrarem em uma sala de aula para ministrar aulas de física, química e matemática, em grande parte das escolas públicas da Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro, relatam que os alunos não entendem a importância, nem as finalidades da matemática e das ciências naturais (física e química), a importância dessas disciplinas em sua grade curricular. É possível inferir que a falta de alfabetização científica no ensino fundamental, contribui para o desinteresse em aprender tais disciplinas.

'É impossível a aprendizagem das Ciências Naturais se não tivermos contato com a realidade. Os conceitos que devem ser aprendidos são constituídos por meio de experiências concretas estabelecidas com os objetos e os seres vivos de nosso ambiente. Tais experiências requerem o uso de procedimentos mais simples ou mais complexos, assim como uma atitude positiva e entusiasta para com a própria tarefa a realizar. Se não buscamos respeitar essas relações entre conceitos, procedimentos e atitudes, as crianças não poderão aprender nem os conceitos fundamentais, nem os procedimentos específicos da metodologia científica, nem aquelas atitudes necessárias para a aprendizagem das Ciências Naturais. De qualquer modo, o farão de forma parcial e pouco coerente, impedindo uma formação científica básica.' (ZABALA, 1999, p. 23)

A ciência deve ser reconhecida como linguagem onde sua função seria de dar-nos a possibilidade de uma melhor compreensão do mundo que nos cerca. Uma análise das situações de ensino e aprendizagem vivenciadas na escola, a qual como instituição representativa do sistema educacional se insere no contexto mais amplo da sociedade, precisa considerar a perspectiva de que a educação possa criar espaços para que o sujeito se expresse e seja capaz de agir em situações socialmente compartilhadas. Deste modo, as atividades didáticas devem ser pensadas como recursos que possibilitem estabelecer uma relação entre ensinar e aprender, no sentido de garantir espaços de criatividade para que o professor possa potencializar os momentos de interlocução, de acordo com os ' insights ', talentos e interesses que os alunos manifestem.

Uma proposta pedagógica que intente o ensino e a divulgação das ciências deve ter o sujeito como núcleo do processo de construção do conhecimento. É essa clareza que permite escapar de uma proposta alicerçada apenas em teorizações e desvinculada da realidade do próprio estudante. Além disso, é preciso não perder de

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vista, o fato de que a leitura do mundo não é dada, não está pronta e acabada. Os significados apreendidos e compartilhados vão se modificando no processo de interação entre os sujeitos e o meio, que não é apenas físico, mas social. É nessa dinâmica relacional que se constroem as concepções ou representações dos diversos objetos sociais que circulam em nosso cotidiano, seja escolar ou não escolar.

No caso da escola, as propostas precisam pautar-se em um processo de desenvolvimento ativo e interativo neste cotidiano. A produção de um material diversificado e criativo, aliado a socialização de experiências entre professores e alunos, possui potencial para suscitar nos alunos o desejo de realizar as atividades propostas. Com base em Piaget (1975), é possível defender que um dos objetivos do ensino é mediar o desenvolvimento da capacidade de aprender. É necessário, então, que a atuação autônoma seja vivenciada como tal pelo aluno em suas experiências de aprendizagem. Isso é válido para os licenciandos em seu percurso formativo.

'No âmbito da formação docente em ciências, contribuições epistemológicas de pesquisas na área da Educação em Ciências tornam-se, portanto, essenciais. Decorrente dos problemas já apontados na formação inicial, tais contribuições são, usualmente, inacessíveis aos professores. Sendo assim, cabe principalmente aos docentes universitários viabiliza-las, torná-las acessíveis de forma útil e substantiva aos professores. Por isso, a formação de parcerias implica a discursão dessas contribuições de forma tal que, ao serem confrontadas/cotejadas com descrições, problemas e características das práticas usuais dos professores de ciências, contribuam para que estes, gradativamente, as reformulem.' (SCHNETZLER , 2000,p.29)

Com a citação da autora acima, podemos fazer uma observação quanto a relação professor-aluno, que a qual deve ter como característica básica a coparticipação num processo de valorização das concepções trazidas pelos alunos. O papel do professor não é o de transmitir ou impor informações e soluções prontas. Sua tarefa mais importante é a de ouvir e perceber o que os alunos lhe apresentam. Para tanto, é importante o aluno sentir que seus sentimentos, interesses e ideias terão aceitação, que aquilo que ele expressa seja levado em conta na situação escolar. As diferenças individuais não devem ser vistas como obstáculos, mas como recursos para uma interação rica e autêntica, de modo a se trabalhar de forma inclusiva.

'Dentre as inúmeras e significativas contribuições de Zeichner, já referido, sobre a formação docente, vale ressaltar que uma das mais importantes ações de formação diz respeito ao tipo de reflexão que os formadores necessitam incentivar em seus futuros alunos, futuros professores. Afinal, como tal autor enfatiza, não vale qualquer reflexão, e nem basta simplesmente rotular-se um profissional, um curso ou mesmo um programa de formação qualificando-o como 'reflexivo', já que este a este termo se aplicam vários e até contraditórios significados.' (SCHNETZLER, 2000, p.24)

Partindo dessas considerações iniciais, buscamos desenvolver e aplicar o projeto Ciência Nota 10, de maneira a contribuir com ensino e a aprendizagem dos alunos das escolas participantes contribuindo para o processo de formação dos alunos de licenciatura que começam a estabelecer estratégias para o melhor desempenho em sua futura profissão. Neste projeto, a contribuição dos licenciandos é realizada com o auxílio de experimentos e oficinas por eles desenvolvidos, as

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quais visam auxiliá-los a associar as atividades cotidianas dos alunos aos conteúdos aprendidos em sala de aula. Levando-os desse modo a uma melhor compreensão sob a natureza, o significado e a importância das ciências, enfim, tentar estimular o interesse dos estudantes pelas ciências e suas tecnologias.

## Metodologia e Desenvolvimento

Esta investigação é uma análise de conteúdo preliminar dos relatos de um grupo de licenciandos participantes do projeto e recorre a uma metodologia de estudo de caso. Pois se trata do início do contato com os alunos e as escolas como futuros professores. A primeira fase do projeto foi realizada em sete escolas públicas da Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro na cidade de Nilópolis e arredores, de níveis fundamental e médio, no período de setembro a novembro de 2010, sendo uma escola por semana. Neste estudo participaram 30 licenciandos sendo 17 de licenciatura em física, 10 de licenciatura em matemática e 3 de licenciatura em química do 1º ao 6º períodos.

A permissão dos diretores de cada escola para a aplicação do projeto só foi possível após a equipe do projeto ter feito uma apresentação prévia do objetivo e dos conteúdos que seriam apresentados. O projeto foi preparado levando em consideração o espaço físico de cada escola, foram utilizadas salas de aulas das respectivas turmas participantes para a realização das oficinas: Universo da Ciência, Arena Jovem Cientista e Poliedros (ver quadro 2). E a quadra/pátio para a realização da feira de experimentos (ver quadro 1) e oficina de foguetes.

Foram recolhidas diversas informações através de um questionário aberto e da observação e discursão das aulas lecionadas pelos participantes por intermédio de experimentos ou de oficinas realizadas nas escolas, para a realização do evento os licenciandos tiveram que aplicar o conhecimento teórico adquirido na faculdade em função de uma melhor aprendizagem dos alunos, usando a criatividade para elaboração de experimentos de baixo custo. Além da aplicação desse conhecimento os futuros professores puderam ter uma resposta do seu trabalho através dos alunos participantes que durante o evento participaram também através de perguntas e sugeriram metodologias para aprimorar a atividade que o licenciando desenvolveu. Esse projeto se baseou no 'modelo clínico' (NCATE, 2010) que transmite as principais necessidades para a formação de professores através da prática de ensino. De acordo com a 'Academia nacional de Ciências em um relatório recente foi identificada a importância de interligar a preparação do professor e seu desenvolvimento mais diretamente com os indicadores de aprendizado dos alunos.' (NCATE, 2010 - tradução livre). E conforme esse relatório, isso não é praticado como deveria, pois os programas de preparação de professores oferecem pouca instrução da investigação em relação a aprendizagem do aluno. A relação entre a prática de ensino e a teorização devem acompanhar os futuros professores desde o início de sua formação, pois a experiência da prática aperfeiçoa o profissional.

'Novos professores precisam de mais do que habilidades técnicas, eles precisam de um repertório geral e matérias práticas específicas, compreensão e julgamento para envolver todos os estudantes em uma aprendizagem que valha a pena. Eles precisam ter oportunidades para refletir e pensar sobre o que eles fizeram, como eles tomam suas decisões, como eles 'teorizam' seu trabalho e como eles integram seu conteúdo de conhecimento e o conhecimento pedagógico no que eles fazem. Isto pode ser conseguido através de uma combinação de ambos escola incorporada à prática e laboratório de experiências. Em um programa baseado na

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preparação, experiências de laboratório, aprendizado incorporado à escola e trabalho de curso, todos integrados através de uma estrutura projetada para ajudar futuro professor a desenvolver ambos o conhecimento base as habilidades das práticas profissionais.' (NCATE, 2010- tradução livre)

A aplicação do projeto se deu através de oficinas e para a construção e demonstração de experimentos de baixo custo foram utilizados (ORTIZ; BOCZKO, 2008) em física, química e matemática. Tais métodos e 'artifícios' didáticos (ZABALA, 1999, p. 23) foram feitos pelos licenciandos participantes do projeto (alunos devidamente matriculados nas licenciaturas em física, química e matemática) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - campus Nilópolis. Em algumas escolas contamos com a participação dos professores (acompanhando as suas respectivas turmas) e diretores durante o desenvolvimento do projeto.

Na primeira etapa do projeto nós preparamos e aplicamos oito experimentos (ver Quadro 01) e quatro oficinas (ver quadro 02). Após a realização do evento em cada escola nós disponibilizamos uma apostila contendo os roteiros dos experimentos e oficinas apresentados, com o intuito de auxiliar os professores interessados na aplicação dessas atividades práticas.

Quadro 01: Experimentos Aplicados no projeto.

Os experimentos listados acima representam experimentos simples, de baixo custo, mas quando bem explorados pelos alunos-professores podem encantar e inspirar alunos de todas as classes mostrando e resgatando o caráter empírico das ciências.

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Quadro 02: Oficinas realizadas no projeto.

Também foram aplicados questionários semi-estruturados com perguntas objetivas (fechadas) e discursivas (abertas) de livre escolha, aos alunos de cada escola, para um posterior levantamento e análise de dados sobre as perspectivas de cada um em relação à aplicação conceitual e experimental de disciplinas de matemática e ciências naturais. Sendo as respostas relativas às atividades de cada licenciando transmitidas para os mesmos no intuito de levá-los a uma reflexão sobre sua prática de ensino e de como aprimorá-la.

- O levantamento e a análise do desempenho dos licenciandos foram feitos em caráter qualitativo e os questionários aplicados para os alunos que participaram das atividades foram de forma anônima a todos os participantes. Cabe citar que a produção e aplicação dos questionários ocorreram de acordo com os critérios do Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de janeiro - Campus Nilópolis.

## Resultados e Discussões

- O objetivo dos questionários aplicados durante o projeto foi buscar novas possíveis soluções com a finalidade de minimizar as 'dificuldades' apontadas por parte dos alunos em relação à matemática e às ciências naturais (física e química), assim como, apontar a importância e aplicações no dia-a-dia. A seguir apresentamos e discutimos os dados referentes à algumas das perspectivas apontadas pelos futuros docentes.

Licenciando A

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'O fato do projeto ainda está em fase de desenvolvimento não significou recolhimento de resultados ruins, pelo contrario, a aceitação dos alunos envolvidos no geral foi muito boa. Podemos perceber a grande carência dos alunos no desenvolvimento de atividades que embasem os conteúdos abordados em sala de aula, assim como desânimos dos professores que lecionam matérias que envolvem ciências e suas tecnologias.'

Para o licenciando A o projeto foi bem aceito pelos alunos o que mostra um estimulo criado através desse primeiro contato, entre ele e alunos do ensino médio, pois ele consegue prender a atenção dos alunos durante a atividade engendrando um interesse tanto da parte do aluno em compreender quanto da parte do futuro professor em ser compreendido. O licenciando deixa claro que é necessária a aplicação de práticas para um melhor aprendizado do aluno, o que gera um senso de responsabilidade pela qualidade de ensino desse futuro professor, além de vivenciar a realidade de professores desestimulados por diversas problemáticas, o que levou os licenciandos a refletirem sobre suas futuras decepções com a profissão, sobre as dificuldades que enfrentarão e como superar essas dificuldades.

## Licenciando B

'Me auto-avalio capaz de cumprir com o papel o qual eu fui designado no projeto. Por já ter bastante experiência apresentando experimentos para alunos, consegui de uma forma dinâmica pegar a atenção deles, para que eles não me vejam como um professor na frente com um quadro branco. Procurei fazer um pouco o uso da linguagem coloquial para que eles entendessem sobre o que eu estava falando e usei um pouco da comédia para descontraí-los, a fim de que eles se sentissem livres para fazerem as perguntas que eles quisessem sobre o experimento.'

## Licenciando C

' Participar do projeto me permitiu ter um contato maior com a realidade da profissão de professor, unir a teoria aprendida em sala com a prática docente me faz sentir mais estimulada nos estudos e ter a certeza de que escolhi a profissão certa.'

Os licenciandos B e C já participaram anteriormente de um projeto similar do IFRJ, o que os levou a desenvolver habilidades para transmitir o conhecimento de forma simples e divertida, confirmando que o desenvolvimento desse tipo de trabalho que une a prática e a teoria pode ajudar um futuro professor a desenvolver ambos o conhecimento base e as habilidades das práticas profissionais.

## Licenciando D

'Através do Ciência nota 10 pude aprender em diversas situações, pois por mais que se prepare um roteiro os alunos sempre nos surpreendem, positivamente ou negativamente dependendo da situação. saber adaptar o conteúdo da aula para as diferentes turmas é um desafio e não aprendemos isso dentro da faculdade mas através das nossas experiências. Percebi que ensinar para mim é muito gratificante e que quero ensinar por prazer e não obrigação pois me tornaria um mal profissional.'

O licenciando D traz uma questão bastante importante: o uso de métodos didáticos em sala de aula. Nota-se que os utilizados até então por professores bastante experientes não são aqueles aprendidos durante as aulas (principalmente nas que se destinam ensiná-los), e sim, nas práticas de ensino vivenciadas durante todo o curso de formação. Pois, não basta o professor se comprometer a detectar as deficiências e necessidades dos seus alunos e do ensino em geral é preciso que haja uma integração, um compartilhamento de conhecimentos. Deve-se compartilhar

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com outros colegas a fim de auxiliar na crítica ao modelo de educação existente e na construção de outros olhares.

## Licenciando E

'Eu acho que estou na média, pois consigo passar bem e de forma bem clara o conteúdo dos experimentos apresentados.'

O licenciando E se avalia como médio, ou seja, nem bom nem ruim, transmitindo uma certa insegurança em relação ao seu preparo profissional, talvez por ser sua primeira experiência atuando como professor em uma escola. Os novos professores que se apoiam no que acreditam tem grande chance de desenvolver conflitos ou preocupações educacionais especialmente quando há situações de confronto com suas próprias crenças (BEJARANO & DE CARVALHO,2003). Para que se tornem bons profissionais é necessário que avaliem não apenas a sua prática, ou seja, se o conteúdo da matéria foi passado de forma clara, como o licenciando afirma, mas admitir que o processo de ensino é uma troca, o professor ensina, mas também aprende, principalmente quando é confrontado (NCATE, 2010). Avaliar seus conceitos e compreender a complexidade do sistema educacional de ensino também fazem parte da formação de um profissional completo e competente. Os professores devem ser capazes de atuar de forma crítica (VILLANI, FRANZONI & VALADARES, 2008).

## Considerações Finais

Através da análise preliminar dos casos mostrados nesta pesquisa foi possível identificar pontos importantes da trajetória do licenciando. E com base nos relatos podemos concluir que o contato realizado entre eles e os alunos da rede pública de ensino contribuiu de maneira ampla para a formação desses futuros profissionais, pois conseguiram avaliar sua prática através das respostas dos alunos durante as atividades e posteriormente através análise dos questionários em que os alunos expressaram o quanto suas expectativas foram atendidas em relação ao esclarecimento de assuntos que envolvem as disciplinas de física, química e matemática. Pode-se afirmar que a primeira etapa do projeto obteve bastante êxito nas escolas participantes. A relação dos alunos com toda a equipe foi bastante gratificante.

Por se tratar da primeira etapa, destacamos a necessidade de ampliar o escopo da pesquisa para mapearmos de forma mais significativa tanto os aspectos positivos, como negativos do projeto.

Ao final de cada visita foi possível notar um maior interesse por parte dos alunos aos temas relacionados à área de exatas, observando que é possível aprender assuntos que até o momento eram vistos com certa repulsa. Verificamos que estimulando os alunos de maneira adequada podemos obter resultados satisfatórios alcançando assim o objetivo maior do projeto que é contribuir para o ensino e aprendizado das ciências exatas nas escolas.

O projeto dá a oportunidade para os futuros professores, enquanto alunos, de vivenciar mais cedo os recursos e métodos das situações de aprendizagem em disciplinas da grade curricular de seus cursos de licenciatura, sem renunciar à apropriação do corpo de conhecimentos teóricos.

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## Agradecimentos

Ao CNPq, CAPES e programa Prociência-IFRJ, pela ajuda financeira sem a qual nós não poderíamos ter desenvolvido o projeto, aos diretores, supervisores e professores de cada escola participante.

Aos alunos que desenvolveram as atividades (oficinas e experimentos): Águida Cristina Duarte Lucena, Aline dos Santos Silva, Amanda Andrade de Oliveira, Bruna Mayato Rodrigues, Célio Barros de Sousa, Dalva Arlinda Ferreira Grees, Diego Pereira, Eduardo Correia da Silva, Evans Raulino do Nascimento dos Santos, Francisco Herminio do Carmo, Francisco Jorge Campos dos Anjos, Gleice Queli Cestaro, Heberte de Assis da Silva Siqueira, Hugo Leonardo Queiroz da Silva, Ivonete Maria de Santana, Jean Michel da Silva Pereira, Jasohn Rodrigues da Silva, Jackson Martins de Souza, Luiz Gabriel Ramos da Silva, Luiz Henrique das Neves Ribeiro, Marion da Costa Monteiro, Max Nunes Pereira, Raysse Oliveira da Silva, Suéle Maria de Lima, Thalles Faleiro Delfim, Thiago Brasiliano Barreto, Thiago da Silva Cerqueira, Thiago Lanes, Thyanne de Lima Santos e Tiago Batista Souza.

## Referências

ANTONIOLI, P; QUEIROZ, G.; GALVÃO, V.. 'Os benefícios da parceria entre pesquisadores, licenciandos e professores do ensino médio no ensino de ciências' Enseñanza de las Ciencias, Número Extra VIII Congreso Internacional sobre Investigación en Didáctica de las Ciencias, 2009, p. 2387-2391.

BEJARANO, Nelson R. Ribas.; DE CARVALHO, Anna M. Pessoa. PROFESSOR DE CIÊNCIAS NOVATO, SUAS CRENÇAS E CONFLITOS. Investigações em Ensino de Ciências - V8(3), pp. 257-280, 2003.

CANALLE, João Batista Garcia, Apostila de Astronomia - Instituto de Física UERJ. Disponível em < http://www.telescopiosnaescola.pro.br/oficina.pdf>. Acessado em setembro de 2010.

GASPAR, Alberto. Física. Volume Único. 1a Ed. São Paulo: Editora Ática.

NCATE - The Standard of Excellence in Teacher Preparation. Disponível em <http://www.ncate.org/LinkClick.aspx?fileticket=zzeiB1OoqPk%3D&tabid=715>. Acessado em Junho de 2012.

ORTIZ, Roberto; BOCZKO, Roberto. Experimentos de Astronomia para Ensino Fundamental.

<http://www.astro.iag.usp.br/~ortiz/classes/experimentos1.pdf> Acessado em setembro de 2010.

PIAGET, J. A gênese das estruturas lógica elementares. S. Paulo: Zahar, 1975.

SCHNETZLER, R. P.; ARAGÃO, Rosália M. R. de. ENSINO DE CIÊNCIAS: fundamentos e abordagens. CAPES/UNIMEP, 2000.

TIPLER, Paul A.; MOSCA, Gene. Física. Volume 1.5a Ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2006.

VILLANI, Alberto; FRANZONI, Mariza; VALADARES, Juarez Melgaço. DESENVOLVIMENTO DE UM GRUPO DE LICENCIANDOS NUMA DISCIPLINA

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DE PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA E BIOLOGIA. Revista: Investigações em Ensino de Ciências - V13(2), pp.143-168, 2008.

XAVIER, J.C. Situação das Escolas do Rio de Janeiro em Relação ao Ensino Experimental. Trabalho em fase de publicação, 2008.

ZABALA, Antoni (org). Como trabalhar os conteúdos procedimentais em aula. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 1999.

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