Currículo Minimo de Física do Estado do Rio de Janeiro, da elaboração à implementação, a visão do docente em exercício
Luiz Alfredo Andrade Ferraz, Anderson Vicente De Jesus Sobrinho, Frederico Carlos Assis Portugal, Gabriela Silva Pinto, E Karel Pontes Leal
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 21/01/2013
- Linha de pesquisa
- Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Currículo Mínimo de Física do Estado do Rio de janeiro, Da Elaboração à Implementação, a Visão do Docente em Exercício.
## Luiz Alfredo Andrade Ferraz , Anderson Vicente de Jesus Sobrinho , 1 2 Frederico Carlos Assis Portugal 3 Gabriela Silva Pinto e Karel Pontes Leal 4 5
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SEEDUC/Colégio Estadual Cardoso Fontes, lafer@globo.com 2 CEFET- RJ/Licenciando em Física UnED Petrópolis, andersonsobrinho@ibest.com.br 3 CEFET- RJ/Licenciando em Física UnED Petrópolis, fredericomatematico@yahoo.com.br 4 CEFET- RJ/Licenciando em Física UnED Petrópolis, gabi263@gmail.com 5 CEFET- RJ/Licenciando em Física UnED Petrópolis, karelpontes@yahoo.com.br
## Resumo
Nossa pesquisa visa investigar de que maneira foi concebido e recebido o currículo mínimo de física para as escolas da Rede Estadual do Rio de Janeiro.
Para tanto, procuramos entender como tem sido ministrada a disciplina de física em nossas escolas, quais são as tendências curriculares que norteiam a prática e o que propõe o currículo mínimo. Além disso, buscamos compreender como se pensa um currículo e o que se espera dele. Em um primeiro momento, de maneira geral, através de entrevista com um especialista em currículos. Depois, como foi a elaboração do currículo mínimo pela equipe de acadêmicos selecionados para esse fim, também por meio de entrevista com um dos membros dessa equipe.
Faltava-nos a palavra do professor em sua prática de sala de aula. Como ele havia recebido esse currículo mínimo e o que pensa sobre ele. Para isso, foi feita um pesquisa com professores em exercício que, além de responderem às perguntas elaboradas, expressaram verbalmente a visão que têm sobre o assunto.
Palavras-chave : Ensino de Física, professores, currículo mínimo.
## Introdução
O ensino da Física nas escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro tem carga horária semanal de duas aulas, com duração, cada uma, de 40 a 50 minutos. São aulas curtas, muitas vezes interrompidas para avisos, medidas disciplinares, atividades extras e comemorações. Além do tempo exíguo, o ensino da Física ainda conta com outra grande desvantagem: a falta de pré-requisitos por parte dos alunos para a resolução de problemas tanto de caráter matemático quanto conceitual. Faltam estruturas matemáticas bem construídas e leitura interpretativa ao aluno egresso do Ensino Fundamental. É nesse universo que vemos chegar às escolas da rede pública o novo currículo mínimo proposto pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
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20 a 25 de janeiro de 2013
A elaboração do currículo mínimo de Física foi feita por um grupo de professores da rede estadual selecionados por critérios acadêmicos (mestrado como exigência) e, apesar de terem sido feitos convites para audiências públicas para discussão, não contou com efetiva contribuição dos docentes em atividade . Nossa pesquisa le1 vou-nos a entrevistar um dos professores colaboradores que compuseram a equipe selecionada pela secretaria de Educação para a elaboração do currículo mínimo, o Prof.Ms. Frederico Augusto Ramos, do Colégio Estadual D. Pedro II, em Petrópolis, pois, torna-se relevante compreender o processo de elaboração e os trabalhos de pesquisas, as discussões e a visão do grupo proponente.
Além disso, pretendemos, por meio de uma pesquisa de campo, observar como os professores de física que atuam nas escolas da rede estadual na cidade de Petrópolis receberam e estão aplicando essa nova proposta curricular. Procuramos pesquisar como e quando os professores tomaram conhecimento do currículo mínimo; se houve alguma capacitação para a utilização desse currículo; o que pensam a respeito do método de implementação e do conteúdo do currículo, se ele é viável, se corresponde às avaliações propostas pelo Estado e se concordam com as escolhas fei2 tas pela equipe responsável por sua elaboração. Apresentaremos um breve panorama sobre o ensino de física no Brasil, buscando situar o processo de construção dessa proposta dentro da trajetória dessa disciplina na Educação Brasileira.
Pensar currículo é pensar a visão que temos sobre os fins da educação, é propor fundamentos e direcionamentos acerca da formação humana e, nesse sentido, vai além da eleição de conteúdos estanques, pois orienta um projeto antropológico. Por considerar essa perspectiva, entrevistamos um dos maiores pesquisadores sobre a problemática do currículo no Brasil, Prof. Dr. Antônio Flávio Barbosa Moreira , que 3 vem discutindo há décadas as questões que estão na base dos estudos curriculares. Segundo o Prof. Antônio Flávio, o currículo na escola tem a ver com o percurso do aluno, com o que o aluno precisa percorrer até se formar na escola. A ideia já vai surgindo muito ligada com uma pergunta: O que a escola precisa ensinar? Essa pergunta é crucial para o currículo. Valendo para o currículo em geral, no momento em que ele engloba diferentes disciplinas, diferentes projetos, diferentes temas, enfim, diferentes campos.
Nosso objetivo com essa entrevista foi buscar conhecer os princípios norteadores da necessidade de trabalhar de modo conceitual um currículo, sua exigências no panorama educacional contemporâneo e a responsabilidade na elaboração e aplicação das propostas. Procuramos analisar a partir dos estudos feitos e das reflexões propostas pelo pesquisador os fundamentos presentes no currículo mínimo de Física elaborado este ano.
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Essas entrevistas foram realizadas pelos alunos do curso de licenciatura em Física do CEFET-Petrópolis, bolsistas do PIBID (Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) juntamente com o professor-supervisor do programa.
Buscamos também quantificar os dados colhidos entre os professores para que pudéssemos oferecer uma amostra da situação atual sobre a questão acreditando que essa pesquisa poderá contribuir para as reflexões acerca do processo iniciado pela Secretaria Estadual de Educação em 2011 com implementação em 2012. Acreditamos que tal iniciativa revela um interesse pela melhoria do ensino da física e, justamente por isso, consideramos relevante acompanhá-la.
## Breve reflexão sobre o contexto do ensino da física no Brasil
Nos períodos Colonial e Imperial, o ensino de Física no Brasil foi muito pouco explorado. A física ganha algum destaque de valor com a chegada da industrialização ao Brasil, nos anos de 1930. No período da República, o direito à educação aparece pela primeira vez na constituição de 1934. Percebe-se que gradativamente foi ocorrendo um reconhecimento acerca da importância dessa área no currículo no ensino secundário (PILETTI, 1989, pág 68).
Os currículos tradicionalistas, apesar de algumas exceções, ainda prevalecem no Brasil. Considerando que o objetivo dos cursos baseados nesse tipo de currículo é basicamente transmitir informação, ao professor cabe apresentar a matéria de forma organizada, com o objetivo de que o aluno assimile o conteúdo que lhe foi apresentado.
Os temas ensinados em física foram escolhidos seguindo critérios tradicionais de manuais europeus e foram reduzidos a tópicos como Mecânica, Física Térmica, etc. Esse modelo vem sendo utilizado desde então, desconsiderando o nascimento da ciência a partir da Grécia Antiga e as grandes mudanças no pensamento científico ocorridas no século XX. A grande concentração de tópicos se dá na física desenvolvida aproximadamente entre 1600 e 1850 e os programas mais complexos abordam, no máximo, Cinemática, Leis de Newton, Termologia, Óptica Geométrica, Eletricidade e Circuitos Simples (Terrazzan, 1992). As novas pesquisas e os questionamentos filosóficos da física contemporânea não chegam às salas de aula. Parecenos que o interesse no ensino da física no currículo escolar deixa os estudantes distantes das pesquisas e do vocabulário teórico estudado na Academia, não estimulando o espírito científico e preparando apenas para a técnica e possível aplicação prática em alguma função profissional, em áreas da engenharia, por exemplo. Por outro lado, há também a perspectiva de um ensino puramente instrumental, que prepara para o vestibular, sem necessariamente, discutir conceitos. O panorama contemporâneo vem propondo várias reflexões sobre o ensino de Física, mobilizando um diálogo entre a academia e a Escola:
A influência crescente dos conteúdos de Física Moderna e Contemporânea para o entendimento do mundo, bem como a inserção consciente, participativa e modificadora do cidadão neste mesmo mundo define, por si só, a necessidade de debatermos e estabelecermos as formas de abordar tais conteúdos na escola de 2º grau. Não podemos, no entanto, nós professores e pesquisadores da Universidade, enfrentarmos tal tarefa sem a participação
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conjunta daqueles que praticam a física escolar secundária: os professores de física do 2º grau. O envolvimento desses profissionais, da forma mais direta possível, em qualquer proposta de reformulação do ensino da física é ponto fundamental para a efetividade da mesma. (Terrazzan, 1992, p.210)
No entanto, a resistência à inclusão de novos conteúdos ainda se faz notar nos livros didáticos que privilegiam a divisão nos temas citados acima, desfavorecendo o diálogo entre os estudantes das novas gerações com as pesquisas contemporâneas. É inquestionável a necessidade do ensino da física clássica como base fundamental para o diálogo posterior, mas é preciso fomentá-lo incitando os jovens estudantes a buscá-lo e este fomento, para ser efetivo, deve contemplar novos conteúdos. É neste panorama que se insere a iniciativa da secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro de elaboração de um novo currículo mínimo para o Ensino de Física, da qual trataremos a seguir.
## As Propostas do Currículo Mínimo da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro
Passamos a apresentar agora uma síntese comentada do documento oficial da Secretaria Estadual de Educação sobre o ensino da Física, o chamado Currículo Mínimo de Física, implementado a partir de 2012. O documento é apresentado como referência para todas as escolas da rede, por apresentar as competências e habilidades que devem estar nos planos de curso e nas aulas:
Sua finalidade é orientar, de forma clara e objetiva, os itens que não podem faltar no processo de ensino-aprendizagem da disciplina em questão. Com isso, podese garantir uma essência básica comum a todos e que esteja alinhada com as atuais necessidades de ensino, identificadas não apenas nas legislações vigentes, Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais, mas também nas matrizes de referência dos principais exames nacionais e estaduais. Consideram-se também as compreensões e tendências atuais das teorias científicas de cada área de conhecimento e da Educação e, principalmente, as condições e necessidades reais encontradas pelos professores no exercício diário de suas funções (RIO DE JANEIRO, pag. 2).
Ressaltamos aqui que fica claro no documento que se trata de orientações que devem ser seguidas e de conteúdos que devem estar presentes nas aulas. Não se trata de uma proposta, mas de um direcionamento que visa uma atualização dos docentes e de sua atuação. Na citação acima, o documento afirma a preocupação com o Exame Nacional do Ensino Médio, que é um norteador das práticas e um critério de avaliação das escolas, considerando o ranking divulgado anualmente e que vem provocando grande preocupação para a Secretaria de Educação pelo mau desempenho das escolas da rede nessa avaliação. A apresentação também está em ressonância com a preocupação citada por nós anteriormente sobre a necessidade de diálogo com as novas teorias, compreensões e tendências científicas atuais.
A Secretaria entende que o estabelecimento de um Currículo Mínimo é uma ação norteadora que não soluciona todas as dificuldades da Educação Básica hoje, mas que cria um solo firme para o desenvolvimento de um conjunto de boas práticas educacionais, seu interesse é a melhoria do ensino na rede estadual de ensino, de-
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sacreditada pela sociedade como fonte segura de qualificação acadêmica e consequente preparo para os cursos de graduação.
- O currículo mínimo de Física começa com a pergunta norteadora: Por que estudar Física no Ensino Médio?
Entendemos que as respostas a essa pergunta não são óbvias e muito menos tem unanimidade. Os PCNs indicam que o ensino de Física nesse nível deve formar cidadãos para o mundo contemporâneo. (...) Então, preparar os estudantes de Ensino Médio para compreender o seu cotidiano e a sociedade em que estão inseridos significa propor um ensino de Física que lhes permita entender como esta ajudou a construir o mundo em que vivemos. Para ler o mundo com propriedade é fundamental o domínio de conceitos científicos e da lógica de construção de conhecimento que a Física inaugurou a partir da Revolução Científica do século XVII. Para compreender as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, é fundamental que conheçamos como a Física construiu uma nova visão de mundo. Foi o diálogo das ideias dos cientistas com as de artistas, de filósofos e outros que abriu as portas para a construção de uma nova realidade e permitiu que surgisse um novo conhecimento sobre a natureza 4 (pag. 3).
Nessa perspectiva, segundo o documento, buscou-se elaborar um currículo com temas de Física Moderna e Contemporânea e uma abordagem históricofilosófica da Física:
Todos os grandes temas começam a ser abordados a partir de uma proposta concreta. A Mecânica, a partir da Cosmologia e da observação do céu. A Termodinâmica, a partir da máquina térmica. A Física Ondulatória, a partir do olho humano. E o Eletromagnetismo, a partir do motor elétrico e do dínamo (pág. 3).
Observamos a preocupação com um ensino menos abstrato, a partir do qual, o estudante de Ensino Médio, poderá perceber os fenômenos estudados nas aulas de Física em seu cotidiano, dialogar com as teorias e interessar-se mais por aprendê-las. Importante ressaltar (como grifado na citação do texto acima) que, a Física passa a ser compreendida como fundamental para uma leitura de mundo.
Consideramos de relevada importância a preocupação da proposta em favorecer as conexões com a arte, a filosofia e as demais ciências na busca por uma maior compreensão do mundo. A proposta teve também a preocupação de tratar da polêmica e estreita relação Matemática e Física. A matematização da disciplina, como já falamos, acabou por reduzi-la à resolução de problemas matemáticos e questões exigentes de concursos, condicionando o ensino da Física à instrumentalização. No entanto, é preciso considerar a relação fundamental entre as disciplinas, buscando uma sistematização enriquecedora, não limitadora de ambas.
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Não estamos abrindo mão da Matemática como linguagem da Física, pois isso seria um absurdo. A partir da Revolução Científica dos séculos XVI e XVII, não podemos mais abrir mão da Matemática como a linguagem da Física; entretanto não podemos cometer o erro inverso de reduzir esta à mera aplicação daquela (pág. 3).
O currículo mínimo apresentado pela SEEDUC para o ensino da Física não consiste apenas na apresentação de um conteúdo mínimo que se espera seja ministrado, ele representa uma grande revolução quando propõe uma abordagem mais conceitual, histórica e social para a disciplina. Assim sendo, é de se esperar certa resistência à mudança, pois a tradução operacional dessa nova abordagem significa, de certa forma, o rompimento com o paradigma matemático da Física, consolidado ao longo dos anos pelos manuais, livros didáticos e currículos tradicionais.
Segundo o Prof.Ms. Frederico Augusto Ramos , a elaboração da proposta foi, 5 apesar do pouco tempo, fruto de estudos conceituais e filosóficos sobre os fundamentos e os objetivos da Educação na contemporaneidade, significando um desafio estimulante para a equipe. Na proposta integral há a fundamentação para a renovação sugerida e uma justificação mais completa para a escolha dos conteúdos em cada série. Certamente, a exigência da entrega do currículo mínimo em tão pouco tempo acarretou prejuízos, mas entendemos que, longe de ser ideal, é uma iniciativa que abre caminhos e novas perspectivas. A implementação também não ocorreu de maneira ideal, como nos relatou o Prof. Frederico, a participação dos professores em audiências públicas foi prejudicada pela época em que ocorreu, período entre Natal e Ano Novo e férias de janeiro, fazendo com que as questões urgentes e a provocação para a reflexão e análise crítica da proposta entre os docentes não fosse considerada.
Após apresentarmos a proposta do currículo mínimo e sua inserção no panorama educacional atual como relevante revolução paradigmática, interessa-nos verificar aspectos práticos da percepção dos docentes em relação a ela. O quadro que apresentamos é resultado de uma pesquisa por amostragem feita com professores de física da rede estadual em exercício, lotados no município de Petrópolis. O recorte se deu pela possibilidade de pesquisa e por Petrópolis representar um número significativo de escolas estaduais com grande número de alunos.
## A percepção dos docentes em relação ao Currículo mínimo de Física
Nossa pesquisa teve como foco os docentes de Física em exercício na rede estadual de ensino, na cidade de Petrópolis. Entendemos que este grupo possibilita responder de forma satisfatória nosso problema de pesquisa. A pesquisa por amostragem é uma técnica muito útil para coleta de informações por nos permitir uma generalização segura, importante para a análise que estamos propondo neste estudo. Procuramos ter, no mínimo, um professor por escola em todo o município. Ao elaborarmos o questionário, estamos cientes de que não conseguimos propor as perguntas
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ideais, mas procuramos relacionar aquelas que nos permitiriam ter uma visão inicial do processo de implementação do currículo mínimo e suas repercussões no cotidiano escolar. Apresentamos aqui as questões de maior relevância para nosso trabalho : 6
## Houve reunião de área em sua escola para discussão do Currículo Mínimo?
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Fica clara a carência de preparação para aplicação da nova proposta. Essa carência verificada nas entrevistas foi também percebida e ressaltada na entrevista feita ao representante membro da equipe que elaborou o currículo mínimo, Prof. Frederico. Não houve tempo hábil para que a proposta fosse discutida entre os docentes. A falta de discussões e de apresentações não favorece o comprometimento com a nova proposta e pode prejudicar o bom andamento da
iniciativa, gerando também rejeição a uma proposta que passa a parecer imposta.
## Você chegou a fazer alguma análise do Currículo Mínimo?
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Aqui, verificamos que a necessidade de aplicação da nova proposta obrigou os docentes a analisarem o currículo mínimo. A maioria analisou a nova proposta para aplicá-la em 2012, entendendo que teriam que tornar real sua utilização porque também os alunos seriam avaliados pelo SAERJ dentro deste novo paradigma.
## Você recebeu alguma capacitação da Equipe do Estado sobre o Currículo Mínimo?
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Da entrevista ao membro da equipe de elaboração, sabemos que a capacitação já vem acontecendo para os docentes de português e matemática, mas ainda não é uma realidade para os docentes de física. Parece-nos que, como a equipe continua seus trabalhos até dezembro de 2012, terá como objetivo preparar as capacitações para os trabalhos no próximo ano.
## O livro didático adotado é compatível com as propostas do Currículo Mínimo? Gráfico 3
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A alteração do livro didático feita em alalgumas escolas favoreceu a compatibilidade com as propostas do currículo mínimo. Considerando que, como relata o Prof. Frederico, não houve a elaboração de um material didático adequado ao novo currículo, mas a procura por um material já existente no
Gráfico 4
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mercado que se adequasse á proposta, não foi possível encontrar um material ideal, o que favorece o resultado acima quantificado.
## CONCLUSÃO
Nossa pesquisa, embora bastante preliminar, nos permite concluir que, ainda que seja necessária uma mudança paradigmática no currículo de física na educação básica, faz-se urgente a atenção e o cuidado em relação à apresentação da proposta. A forma utilizada pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro para a implementação do currículo mínimo de física não favoreceu seu acolhimento e consequente comprometimento por parte dos docentes em exercício nas escolas públicas. A qualidade e a responsabilidade profissional e acadêmica da equipe de elaboração do currículo exige um compromisso da equipe gestora da educação pública no que diz respeito à sua implementação, sob o risco de desqualificar todo o trabalho com uma apresentação descuidada da proposta e por uma implementação apressada que não qualifique os docentes em exercício para sua utilização.
Transformar costumes sedimentados, práticas cristalizadas e paradigmas inquestionáveis leva tempo e exige diálogo, estudos fundamentados e justificativas coerentes propostas por meio de cursos de formação continuada que promovam a reflexão e favoreçam a participação efetiva na nova proposta.
Ainda assim, concluímos que o novo currículo mínimo de Física do Estado do Rio de Janeiro aponta para mudanças importantes, anunciadas pela Academia e promove um diálogo inicial e promissor entre os altos estudos acadêmicos e as salas de aula, além de favorecer a inserção de novas práticas e a busca por novos significados para o ensino da física.
## Referências Bibliográficas
Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curricuares Nacionais Física. Disponível em http://www.sbfisica.org.br/arquivos/PCN\_FIS.pdf, acesso em 14 de julho de 2012.
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ciencian.pdf, acesso em 10 de julho de 2012.
PILETTI, C. Didática Geral. São Paulo: Ática, 1989
Secretaria Estadual do Rio de Janeiro. Currículo Mínimo de Física. Disponível em:http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/curriculo.asp, acesso em 08 de julho de 2012.
TERRAZZAN, Eduardo Adolfo. A INSERÇÃO DA FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO ENSINO DE FÍSICA NA ESCOLA DE 2º GRAU. In: Cadernos Catarinenses de Ensino da Física. Florianópolis, v.9, n.3: p.209-214, dez.1992.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.