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A ASTRONOMIA COMO TEMA ESTRUTURANTE PARA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS MOVIMENTOS

Silmara Alessi Guebur Roehrig

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A ASTRONOMIA COMO TEMA ESTRUTURANTE PARA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS MOVIMENTOS

## Silmara Alessi Guebur Roehrig

1 Universidade Federal do Paraná/Secretaria da Educação do Paraná/sguebur@gmail.com

## RESUMO

Neste artigo apresenta-se uma proposta de trabalho pedagógico que tem como finalidade melhorar a imagem da disciplina de Física perante os estudantes que ingressam no Ensino Médio. Rompendo com a abordagem tradicional, que privilegia a aplicação de modelos matemáticos em detrimento de conceitos e suas aplicações, propõe-se partir de uma abordagem qualitativa introduzindo a Mecânica a partir de conceitos básicos de Astronomia. Acreditamos que introduzir a Física, e o conteúdo estruturante Movimento, pelo viés da Astronomia pode contribuir para aumentar o interesse dos alunos pelos assuntos científicos, já que o anseio por compreender o Universo e seu funcionamento é uma característica inerente ao ser humano. Além disso, na história da Ciência a Astronomia aparece como precursora da Física, o que justifica uma abordagem em que são apresentados os mais diversos aspectos dessa área do conhecimento, a fim de estabelecer relações desta com o conteúdo tradicionalmente trabalhado no Ensino Médio. Essa proposta está em andamento e vem sendo aplicada desde o início do ano letivo de 2012, em todas as turmas de primeiro ano do Ensino Médio de um estabelecimento de ensino da rede pública estadual, situado na cidade de Pinhais, Paraná. A conclusão da primeira etapa deste trabalho aponta para um aparente avanço no que condiz ao interesse e concentração dos alunos nas aulas de Física, bem como uma maior participação nas aulas e aumento da busca por materiais para aprofundar leituras sobre os mais diversos assuntos científicos. Espera-se ao final da aplicação da proposta que os resultados sinalizem uma evolução tanto na compreensão dos fenômenos que envolvem a Astronomia, quanto na promoção da Física como uma área do conhecimento interessante e pedagogicamente acessível a todos.

Palavras chave : Educação Científica; Ensino de Física; Ensino de Astronomia.

## INTRODUÇÃO

Ensinar Física para alunos do Ensino Médio é um grande desafio para os professores da área. É bastante conhecida a dificuldade apresentadas pelos estudantes que ingressam nesse nível de ensino aos primeiros contatos com a disciplina, especialmente com relação à presença excessiva da Matemática, presente na abordagem convencional desta disciplina. O paradigma tradicional no Ensino de Física consiste em iniciar o estudo da Física com uma revisão matemática, para depois adentrar alguns conceitos, mas sempre priorizando modelos aritméticos para descrever fenômenos físicos.

Uma das consequências mais conhecidas desta forma de ensinar Física é a antipatia que as pessoas de um modo geral, pelo menos dentre as que já passaram pelo Ensino Médio, demonstram com relação a esta disciplina. Costuma-se ouvir que se trata de uma 'matéria muito difícil', ou que 'tem muita matemática', ou ainda

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20 a 25 de janeiro de 2013

que 'é muito chato estudar Física'. A maioria das pessoas que já concluiu esta fase sequer consegue lembrar o que aprendera na disciplina, assumindo que estudou apenas para 'cumprir a obrigação'; além desse aspecto, poucos são capazes de enxergar alguma relação daqueles conhecimentos com o seu cotidiano.

Acreditando na importância em formar cidadãos que conheçam e apreciem não só a Física, mas a ciência de modo geral, que sejam capazes de estabelecer relações entre os conteúdos estudados e seu cotidiano, que percebam como esses conhecimentos influenciaram e ainda influenciam o avanço tecnológico, tendo produzido artefatos cujos princípios de funcionamento dependem diretamente da aplicação de conceitos físicos, entre outros aspectos, propomos um trabalho que rompe com a abordagem tradicional no Ensino de Física. No lugar de iniciar os estudos desta disciplina no primeiro ano do Ensino Médio pelo viés da matemática, seguido da introdução à Mecânica com o estudo da Cinemática, escolhemos trabalhar o conteúdo estruturante de Movimento a partir de um grande campo desta ciência muitas vezes esquecido e desconsiderado pelos professores: a Astronomia.

Assim, todas as turmas de primeiro ano do Ensino Médio de um estabelecimento de ensino situado na cidade de Pinhais, Paraná, passarão pela experiência de estudar os conceitos básicos de movimento com a Astronomia como pano de fundo, começando pelo seu histórico e passando pelas principais descobertas feitas e as relações entre essa ciência e a Física.

## JUSTIFICATIVA

Conhecer os segredos do Universo é algo que o ser humano busca desde eras pré-históricas. É possível perceber esse aspecto em vestígios históricos que datam de épocas remotas da nossa civilização, como monumentos e pinturas que representam elementos de como era a concepção de Universo do ponto de vista dos mais diversos povos antigos. Ainda hoje, notícias de descobertas no campo da Astronomia chamam a atenção das pessoas, que demonstram curiosidade e interesse em compreender melhor o que já se conhece sobre o assunto.

A ideia de introduzir a Física a partir da Astronomia não é nova. Tal prática é sugerida nas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), e alguns estados brasileiros já incorporaram essas recomendações em seus documentos locais. Por exemplo, os Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul, que definem Universo, Terra e Vida como um dos temas estruturantes da Física. De acordo com este documento, 'toda a Física está contida neste tema e nada melhor do que ele para mostrar aos estudantes o quão fascinante é a Física' (RIO GRANDE DO SUL, 2009, p. 91). Sugere-se então que, a partir de uma abordagem prioritariamente qualitativa, sejam trabalhados aspectos relativos aos movimentos dos corpos, podendo inclusive abordar elementos da Física Moderna e Contemporânea.

Acreditando que um planejamento pedagógico sob essa perspectiva pode melhorar a visão distorcida que os alunos têm da Física, elaborou-se um plano de trabalho em que está previsto a introdução aos conceitos da Física pelo viés da Astronomia, durante o primeiro semestre, para as turmas do primeiro ano do Ensino Médio. Além de fazer a Física parecer mais instigante aos alunos, esperamos conseguir resultados positivos no sentido de aumentar o interesse dos alunos para os assuntos relacionados às ciências de modo geral.

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## APORTE TEÓRICO

O fato de a disciplina de Física, que faz parte da grade curricular das séries do Ensino Médio, ser eventualmente citada como uma das mais difíceis da educação básica é abordado por Rosa e Rosa (2004,) que destacam que "basta ter familiaridade com o ambiente escolar ou conversar com alguns professores e alunos para sentir que a física é considerada matéria difícil, a qual muitos alunos evitariam se pudessem" (p. 01). Este fato é facilmente confirmado com o excessivo número de reprovações nesta disciplina, o que é atribuído ao baixo rendimento apresentado pelos alunos por não gostarem de estudar Física, além de outros motivos que são apontados, como o despreparo de alguns professores e a sequência didática desmotivante que prevalece nos livros didáticos.

Acreditamos que um dos grandes fatores que influenciam a visão negativa que se tem da Física a partir do senso comum é a forma como esta disciplina vem sendo trabalhada desde que foi introduzida nos currículos escolares brasileiros. A sequência de conteúdos segue uma lógica que parte do ponto de vista do cientista, ou seja, são abordados os conteúdos considerados importantes da perspectiva do cientista. Mesmo que todas as pesquisas e tendências apontem para um ensino mais voltado para a formação dos cidadãos a partir da contextualização e interdisciplinaridade, continua prevalecendo a metodologia tradicional, em que se privilegiam os modelos matemáticos em detrimento dos conceitos e suas aplicações no cotidiano. Como a abordagem tradicional não leva em conta as necessidades da maioria dos alunos, que não irão prosseguir em carreiras que envolvem tais conhecimentos, acaba configurando um fardo a ser carregado pelo estudante durante sua passagem pelo Ensino Médio.

A Física é a ciência que estuda os fenômenos da natureza. Porque tal área do conhecimento é tão mal vista, se os fenômenos por ela estudados são fundamentais na vida dos seres humanos e fazem parte de praticamente tudo o que está presente na sua realidade? Acreditamos que é preciso instigar os alunos a perceberem as belezas desta ciência, e isso só será possível a partir do momento em que houver uma mudança radical na forma como esta disciplina é ensinada na escola.

Nesta proposta, buscamos apresentar a Física a partir da Astronomia para os alunos do primeiro ano do Ensino Médio, na expectativa de diminuir a aversão que os estudantes apresentam a essa disciplina. Isso porque, além dos documentos curriculares já citados sugerirem essa prática, vários estudos apontam as concepções equivocadas que o público de um modo geral inclusive professores das áreas afins, demonstram acerca de conceitos relacionados à Astronomia. Langhi (2011) aponta pesquisas que mostram que "poucas pessoas têm a mais vaga ideia de nossa situação no cosmo ou da hierarquia universal dos conjuntos de corpos celestes e de nossa posição na Terra" (p. 375).

Langhi (2011) assinala que muito pouco, ou quase nada, é ensinado nas escolas sobre esta ciência. Atribui esse fato à insegurança que muitos professores possuem ao trabalhar a Astronomia, o que seria consequência da ausência de tópicos relacionados a esse conteúdo tanto na formação inicial quanto na formação continuada de professores. A formação inicial limitada leva os professores a uma situação geral de despreparo, de modo que aquele que queira superar essas dificuldades precisa recorrer às mais variadas fontes de consulta para preparar aulas que contemplem elementos de Astronomia.

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Kantor (2001) observa que os PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais reconhecem a Astronomia como "uma ciência inseparável da cultura humana há milhares de anos e que, de forma explícita ou não, está presente em diversas formas de manifestações culturais e em fenômenos do nosso cotidiano" (p. 4). Esse fator deveria favorecer o ensino desta ciência nas escolas, já que uma das grandes responsabilidades das instituições de ensino básico é preparar os estudantes de modo que estes possuam conhecimentos que possam vir a contribuir para sua vida na sociedade. No entanto, o ensino de Astronomia não é favorecido nas instâncias educacionais citadas. Para o autor, a Astronomia

[...] tem estado afastada das salas de aula, o que leva a um amplo desconhecimento que pode ser observado em vários erros cometidos pelos meios de comunicação e, infelizmente, também por professores e autores de livros didáticos ao tratarem de fatos astronômicos. (KANTOR, 2001, p. 4)

Outro fator que poderia favorecer a introdução da Astronomia na educação básica é o fato de constituir um campo do conhecimento em que há ainda muitos mistérios e questões não respondidas pelos cientistas, o que acaba fomentando a curiosidade e o interesse do público em geral. Kantor (2001) defende que "já que a curiosidade está despertada naturalmente, podemos aproveitá-la em prol do ensino" (p. 76).

Langhi (2011) aponta diversos estudos, oriundos do movimento das concepções alternativas, que trazem dados sobre quais são as concepções que alunos e professores possuem com relação à Astronomia. Estas pesquisas mostram que, por exemplo, a maioria das pessoas acredita que na Lua não há gravidade porque não há atmosfera, que as estações do ano são diferentes porque a Terra está ora mais próxima, ora mais afastada do Sol, que as fases da Lua ocorrem devido à projeção da sombra da Terra, entre outros. Essas concepções acabam persistindo ao longo da formação, o que sugere que nada é feito para que haja uma mudança conceitual na instância da educação básica e na formação de professores.

Certamente há ações de professores ou grupos de profissionais que buscam trazer o ensino de Astronomia para os níveis mais básicos do ensino. Mas essa prática é ainda muito incipiente, ocorrendo de forma isolada e a partir de iniciativas pessoais. Langhi (2011) defende que é

[...] necessário superar as atividades pontuais no sentido de promover articulações de atitudes responsáveis de âmbito coletivo, estabelecendo metas plausíveis mediante um plano de ação nacional, definindo seus atores e temas de trabalho voltados à prática docente em relação ao ensino de Astronomia (LANGHI, 2011, p. 392).

Com relação aos livros didáticos de Física, são raros aqueles que incluem Astronomia nos conteúdos. Das coleções ofertadas pelo MEC no PNLD - Programa Nacional do Livro Didático - para 2012, apenas uma dedica um capítulo exclusivo à Astronomia. A maioria das obras acaba mantendo a abordagem tradicional, a partir da seqüência de conteúdos que estão já consolidados na práticas dos professores em geral.

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## A PROPOSTA

A proposta de utilizar a Astronomia como eixo temático no Ensino de Física para turmas dos primeiros anos do Ensino Médio se deu a partir de uma completa mudança no Plano de Trabalho Docente. Ao invés de adotar o conteúdo estruturante Movimento , sugerido nas Diretrizes Curriculares Estaduais (PARANÁ, 2008) utilizamos o tema estruturante Universo, Terra e Vida , proposto nas Orientações Curriculares Nacionais (BRASIL, 2006). A partir deste tema, selecionamos os seguintes conteúdos específicos para os dois primeiros trimestres: história da Cosmologia; teoria do Big Bang; escalas de medida de tempo e espaço; ordem de grandeza; conceitos de movimento; velocidade média; galáxias; Sistema Solar, movimento uniforme e uniformemente variado, queda livre, gravidade e as leis da dinâmica. Essa escolha foi feita levando em conta os conteúdos básicos que já são tradicionalmente trabalhados nessa etapa, mas as aulas foram planejadas para abordar tais conceitos de forma integrada com o tema proposto.

O livro didático adotado faz parte da coleção Física em Contextos (PIETROCOLA, et. al, 2010), que contempla aspectos da Astronomia ao longo de toda a obra, além de dedicar um capítulo exclusivo à esse tópico. O livro é utilizado como um material de apoio auxiliar, aliado a outras práticas e recursos previamente planejados.

A estratégia utilizada para o planejamento docente parte do princípio em que o movimento não está presente somente no âmbito da vivência do aluno, que observado de um ponto de vista holístico de uma forma mais ampla envolve o planeta Terra, o Sistema Solar, a Via Láctea, etc. O Universo está em movimento, e esse é o ponto de partida desta proposta. Não está sendo sugerido que sejam ignoradas as situações do cotidiano dos alunos, mas sim que essas situações sejam abordadas em conjunto com os mais diversos aspectos do movimento dos corpos celestes que compõem o universo conhecido.

Assim, antes de iniciar o trabalho com o tema proposto, dedicou-se uma aula para mostrar aos alunos o que é a Física e onde está presente no cotidiano, discutindo as aplicações da Física em fenômenos naturais, nas tecnologias de transporte e comunicação, engenharia, geração de energia, equipamentos e aparelhos eletrodomésticos, no corpo humano e na medicina. São também apresentadas as aplicações desta ciência que não são benéficas à sociedade, como as tecnologias de guerra, bem como as consequências do avanço desenfreado da ciência e tecnologia, como a poluição, o desmatamento e a contaminação radioativa. Julgamos que esta etapa é essencial para que os alunos percebam quais as implicações desta ciência na sociedade em que vivem.

Ao apresentar a parte da Astronomia que se preocupa com a concepção de constituição e origem do universo, a Cosmologia, foi proposto um trabalho de leitura textual a partir do livro didático, sobre as teorias cosmológicas mais importantes da história da humanidade. A partir de uma abordagem histórico-filosófica, os alunos foram solicitados a detectar quais as principais características das cosmologias egípcia e grega antigas, contrastando-as com a concepção moderna desta ciência: a teoria do Big Bang. Após uma discussão destas características, utilizou-se uma imagem ampliada da figura que representa a teoria do Big Bang (PIETROCOLA, et. al., 2010) para abordar os principais aspectos desta teoria. Houve a preocupação de enfatizar que esta teoria é a mais bem aceita até o momento, porque explica os fenômenos satisfatoriamente de acordo com o paradigma vigente, não se tratando de uma verdade absoluta e incontestável. Trazer as concepções antigas para a

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discussão é importante na medida em que é possível demonstrar que aquelas teorias já foram consideradas verdadeiras em determinado período e contexto, tendo sido refutadas após o surgimento de outras teorias que explicam melhor os fenômenos. Com isso, esperamos mostrar o caráter de 'verdade provisória' que o conhecimento científico possui.

As unidades de medida de espaço e tempo, bem como as grandezas físicas, são retomadas, uma vez que é difícil falar de Astronomia sem citar dimensões como diâmetro de corpos celestes, distâncias entre eles, tempo, etc. Como a maioria dessas características são representadas por números com muitos algarismos, fezse necessário retomar ordens de grandeza e potência de dez, trazendo os múltiplos e submúltiplos do Sistema Internacional de Unidades. No entanto, é preciso enfatizar que esta retomada não ocorreu sem articulação com o contexto do aluno, sendo que a resolução de exercícios relativos a esta etapa não foi a principal atividade nesse momento. Procurou-se apresentar exemplos de aplicação de múltiplos e submúltiplos muitos utilizados no cotidiano, como quilo, mega, giga, etc., além daqueles que são mais utilizados em laboratórios devido as proporções ora muito grande, ora muito pequenas, se comparadas as dimensões as quais estamos acostumados. Foi exibida uma apresentação que simula uma viagem do "macro ao micro", começando numa galáxia distante (distâncias da ordem de 10 23 m) e terminando na superfície de um quark (da ordem de 10 -16 m). Apresenta-se a unidade de medida mais utilizada na Astronomia, o ano-luz, e seu valor convertido em metros utilizando-se de potências de dez.

Apesar de abordar a Astronomia como tema estruturante, não deixamos de trabalhar os conceitos da Física que são previstos para esta série, que correspondem ao estudo dos movimentos, como os conceitos básicos da Cinemática. O Universo não é estático; para que essa ideia seja trabalhada com os alunos, ao mostrar que planetas, estrelas e galáxias encontram-se em constante movimento, é preciso trabalhar noções de velocidade e suas unidades de medida, referencial, trajetória e espaço percorrido. Embora seja apresentada a equação da velocidade média, seguida da resolução de alguns exemplos de aplicação, a abordagem prevalece prioritariamente qualitativa, utilizando-se de exemplos simples presentes no cotidiano. Aproveitou-se para abordar a questão dos ventos solares e a velocidade das partículas emitidas pelas explosões, já que foram divulgadas na mídia notícias acerca das tempestades solares ocorridas no mês de março de 2012.

Com o intuito de fazer com que os alunos tenham contato com termos relativos aos componentes do Universo até então conhecidos, duas aulas foram destinadas a caracterizar o que é uma galáxia e quais os seus principais elementos. Assim, foi feita uma apresentação sobre as principais características das galáxias, quais os tipos morfológicos e o que conhecemos da nossa galáxia, a Via Láctea, sempre relacionando as teorias atuais com concepções que foram aceitas em outras épocas. O fato de as galáxias estarem em movimento foi enfatizado a fim de estabelecer relações com o conteúdo estudado nas aulas anteriores. Foi exibido um trecho de um documentário sobre a Via Láctea da série O Universo ( History Channel ). Ao final da aula expositiva, foi solicitado que os alunos produzissem um texto de no mínimo quinze linhas, contendo as principais características do assunto abordado.

Após reconhecer a nossa galáxia, a Via Láctea, nas aulas anteriores, é possível localizar o Sistema Solar nesta região do Universo, abordando quais os principais componentes. Solicitou-se que os alunos respondessem um questionário com perguntas sobre o Sistema Solar, que deveria ser respondido consultando-se o

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livro didático e um texto específico com maiores informações sobre o assunto. Ao concluir o questionário, iniciou-se o processo de discussão das respostas, a partir de uma aula expositiva e interativa em que foi desenhado o Sistema Solar em escala no quadro negro. Na escala utilizada foi considerado o Sol com o diâmetro correspondente à altura do quadro, sendo os demais planetas desenhados proporcionalmente em suas órbitas. A fim de melhor visualizar os tamanhos dos planetas, não foi utilizada a mesma escala para as distâncias, por ser inviável trabalhar com uma única escala devido ao espaço disponível para a elaboração do desenho. Na explanação foram abordadas características físicas dos oito planetas, abrangendo informações sobre solo, temperatura, satélites naturais, anéis, etc. Asteroides cometas e planetas anões também foram caracterizados. Ao final da aula, os alunos foram levados para o pátio, onde foi feita uma atividade baseada no exercício "A Terra como um grão de pimenta" , sendo que alunos foram voluntários 1 para representar Sol e planetas. Considerando o Sol do tamanho de uma bola de voleibol, Mercúrio tem o tamanho da cabeça de um alfinete e fica a 10m do Sol; Vênus e Terra são do tamanho de um grão de coentro e estão distantes entre si, a partir de Mercúrio, 8m e 7m, respectivamente. Marte teria o tamanho de um grão de gergelim e estaria localizado a 13 m da Terra. Neste ponto fica inviável continuar o exercício, pois Júpiter, que teria o tamanho de uma noz, estaria localizado fora dos portões do colégio, a 92 m de Marte. Com esse exercício é possível perceber porque o Sistema Solar não foi desenhado no quadro negro com a mesma escala para diâmetros e distâncias, além de ficar um pouco mais claro aos alunos as relações entre essas distâncias que são praticamente inimagináveis para os seres humanos.

Como atividade complementar, todas as turmas participaram de uma oficina específica de Astronomia no Parque da Ciência Newton Freire Maia. Ao contrário das visitas tradicionais, nesta visita temática o foco é Astronomia, sendo guiada por 2 monitores especializados no assunto. Os recursos visuais e os equipamentos disponíveis no parque fazem com que essa atividade seja bastante instigante e motivadora para os alunos, que passam a compreender melhor alguns aspectos e se interessar mais sobre o assunto a partir da visita.

Ao introduzir conceitos de movimento uniformemente variado, manteve-se a Astronomia como pano de fundo. Após caracterizar aceleração média a partir de aplicações do cotidiano, os mais diversos aspectos da queda dos corpos foram abordados; trabalhar a aceleração da gravidade abriu portas para vários tópicos de Astronomia, como: a) história da Astronomia - atribui-se a Galileu Galilei a "descoberta" de que o tempo de queda não depende da massa dos corpos. No entanto, essa não é a única contribuição deste cientista; o aperfeiçoamento da luneta e o seu uso para observação dos astros foi um dos aspectos trabalhados com os alunos, além da confecção de um quadro comparativo entre as ideias de Galileu e as ideias de Aristóteles, o que proporcionou uma discussão acerca da relação entre a ciência e o contexto social e político na idade média. b) a gravidade na Terra e em outros planetas - os alunos fizeram uma pesquisa rápida no livro didático sobre os valores da aceleração da gravidade em nosso planeta e nos demais planetas do Sistema Solar, estabelecendo comparações e tentando imaginar como seria a queda dos corpos nesses planetas. c) a gravidade na Lua - após fazer o experimento

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sugerido por Pietrocola, et. al (2011, p. 114) , os alunos foram questionados sobre o 3 que aconteceria se fizéssemos o mesmo experimento na Lua. A concepção prévia de que a gravidade na Lua está relacionada à ausência de atmosfera foi amplamente debatida, fechando com a exibição de um trecho do vídeo em que o astronauta Dave Scott faz o experimento na Lua, deixando cair uma pena e uma pluma da mesma altura . d) história da Astronáutica - a ciência e a tecnologia 4 envolvidas na exploração do espaço, a ida do homem à Lua e a "corrida espacial", além das implicações sociais e políticas relativas a tais eventos também foram discutidos em sala de aula.

Cabe ressaltar que houve um momento em que os alunos foram solicitados a resolver exercícios que envolvem cálculo de aceleração, construção de gráficos e aplicação das equações horárias, porém tomou-se o cuidado de estabelecer as devidas relações, fazendo um link para a próxima etapa, que consiste no estudo das leis da dinâmica. O trabalho que está previsto para o segundo semestre envolve o 5 estudo das leis de Newton, e uma das atividades que serão desenvolvidas pelos alunos é a construção do foguete de garrafa pet, proposto por Pietrocola, et. al (2011, p. 160). A compreensão da dinâmica de funcionamento de um foguete pode ser trabalhada ao introduzir as leis, e os dados coletados pelos alunos na ocasião do lançamento serão utilizados para estimar a altura máxima e velocidade inicial, a partir das ferramentas proporcionadas pelo estudo do movimento uniformemente variado e queda dos corpos.

Além dessas práticas, houve a preocupação em incentivar os alunos a participarem da Olimpíada Brasileira de Astronomia, atividade realizada no estabelecimento desde o ano de 2009. Esperamos cumprir os demais tópicos relacionados aos movimentos dos corpos até o final do ano letivo. São muitas as possibilidades de abordar a Física a partir do tema Astronomia; por esse motivo é preciso estar atento a novas possibilidades que em geral estão disponíveis em canais específicos para educadores, sendo necessário pesquisar constantemente para tomar conhecimento destas possibilidades.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de ser uma proposta em andamento, em que algumas etapas ainda não forma concluídas, podemos fazer algumas inferências acerca de resultados parciais, observados durante a execução das atividades planejadas até então. Um dos primeiros efeitos observados durante as aulas foi o aumento da atenção e concentração dos alunos durante as aulas. Os alunos em geral demonstraram maior interesse comparados a alunos da mesma série que em anos anteriores estiveram submetidos a uma abordagem mais tradicional. Os estudantes fizeram muitas perguntas, em geral apresentando concepções ingênuas, contraditórias às novas informações expostas durante as aulas.

Também percebemos o aumento da quantidade de alunos inscritos na Olimpíada Brasileira de Astronomia - OBA - no decorrer das aulas, especialmente

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após a visita ao parque da Ciência em que participaram da oficina Viajando pelo Universo. Muitos alunos solicitaram materiais para estudar para a OBA, demonstrando interesse não só em participar, mas também estudar e a fim de obter uma boa colocação na prova.

Assim, concluímos que a proposta tem potencial para promover uma mudança na forma como os estudantes se relacionam com a disciplina de Física. Ao concluir o planejamento elaborado, esperamos confirmar a suposição inicial de que introduzir os conceitos de Física a partir do tema estruturante Universo, Terra e Vida pode trazer benefícios ao processo ensino-aprendizagem nesta disciplina, caracterizando um possível avanço na educação científica da escola pública.

## REFERÊNCIAS

BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio : Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, 2006.

KANTOR, C. A. A ciência do céu: uma proposta para o Ensino Médio . 2001. 116 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) - Instituto de Física, USP, São Paulo.

LANGHI, R. Educação em Astronomia: da revisão bibliográfica sobre concepções alternativas à necessidade de uma ação nacional. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . v. 28, n. 2: p. 373-399, ago. 2011.

PARANÁ (Estado). Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares da Educação Básica - Física. Curitiba: SEED, 2008.

PIETROCOLA, M.; et. al. Física em Contextos : pessoal, social, histórico. Vol. 1: Movimento, Força, Astronomia. São Paulo: FTD, 2010.

RIO GRANDE DO SUL. Referencial Curricular : Lições do Rio Grande Ciência da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <www.educacao.rs.gov.br/dados/refer\_curric\_vol4.pdf>. Acesso em: 29/04/2012.

ROSA, C. T. W.; ROSA, A. B. A teoria histórico-cultural e o ensino da Física. Revista Iberoamericana de Educación . Vol. 33, 6, 2004.

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