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Condições Estruturais oferecidas pelas escolas públicas de Amargosa-Ba participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBD/UFRB) e sua influência no ensino de Física

Roney Oliveira, Simone Fernandes, Alequissandro Santos, Rafael Cordeiro, Naiara Vieira, Aureliano Paiva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
04/02/2011
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

Condições Estruturais oferecidas pelas escolas públicas de Amargosa-Ba participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBD/UFRB) e sua influência no ensino de Física

*Roney Oliveira , Simone Fernandes , Alequissandro Santos , Rafael 1 2 3 Cordeiro 4 , Naiara Vieira , Aureliano Paiva 5 6

- 1 UFRB/Centro de Formação de Professores, mouraronny@gmail.com
- 2 UFRB/Centro de Formação de Professores, simonef.ufrb@gmail.com
- 3 UFRB/Centro de Formação de Professores, alequalquer@hotmail.com
- 4 UFRB/Centro de Formação de Professores, rafaelo\_c@yahoo.com.br
- 5 UFRB/Centro de Formação de Professores, nanah.ssv@gmail.co
- 6 UFRB/Centro de Formação de Professores, msanchobuendia@gmail.com

## Resumo

Segundo seus implementadores, o programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) tem como um dos objetivos promover 'uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais' (Brasil, 2009). Uma vez que na realidade educacional atual existe uma carência de professores com formação específica na área de ciência e matemática no ensino fundamental; e física, química, biologia e matemática para o ensino médio, o PIBID é um incentivo à carreira do magistério nessas áreas da educação básica. O Centro de Formação de Professores (CFP) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia tem desenvolvido no seu PIBID o Projeto Institucional intitulado ' A Pesquisa Colaborativa na iniciação à docência: uma ação entre a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia -UFRB e escolas de Ensino Médio de Amargosa Ba' --e mais 5 sub-projetos, respectivamente, das licenciaturas em Física, Matemática, Química, Filosofia e Pedagogia. Particularmente em relação à Licenciatura em Física, a primeira parte do projeto teve como um dos objetivos o levantamento das condições de trabalho dos professores de Física das escolas participantes PIBID quanto à infra-estrutura oferecida por estas. Nesse sentido, pretende-se apresentar neste trabalho informações a respeito dos espaços, equipamentos e recursos didáticos oferecidos pelas escolas e sua relação com o ensino de Física. Os dados apontam, entre outras coisas, a ausência de livros didáticos para atender a todos os alunos. Isso configura um problema que pode interferir no processo de ensino-aprendizagem, principalmente no nosso contexto em que muitos estudantes são da zona rural e não possuem outra fonte de consulta senão o livro didático. Além disso, laboratórios e recursos áudio-visuais, quando presentes, são muito pouco utilizados.

Palavras-chave : Condições estruturais, escolas públicas, ensino de física

## Introdução

Quando encontramos críticas quanto à atual situação da educação brasileira comumente são enfocados fatores como o descaso dos governantes com a educação, escassez de verbas para o ensino público, salário defasado dos professores, estrutura curricular inadequada, entre outros. Um fator importante que deve ser levado em conta refere-se à infra-estrutura. Segundo o Programa Ensino Médio Inovador (MEC, 2009), 'ambientes escolares, com instalações adequadas ao pleno exercício de todas atividades curriculares, espaços e recursos pedagógicos apropriados às dinâmicas de ensino constituem pressupostos condicionantes ao sucesso da aprendizagem' (MEC, 2009).

As pesquisas em educação e em educação em ciências têm trazido importantes contribuições para a reflexão principalmente em torno da temática da formação de professores. Porém, considerações acerca das condições estruturais, que refletem na qualidade do ensino nas escolas pouco são discutidas.

Dentre as escolas de Amargosa atendidas pelo PIBID, em duas os indicadores educacionais retratam uma realidade preocupante (tabela 1). A primeira delas (Escola 1) apresentou o pior IDEB entre todas as dezoito escolas estaduais de toda 29 a Região administrativa do Estado da Bahia (DIREC 29), seguidamente, nas edições de 2005 e 2007. A avaliação realizada em 2007 pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) mostra que a nota atribuída à escola foi SC (Sem Conceito). Outra escola (Escola 2) apresenta um resultado maior, mas ainda abaixo da média. A terceira escola atendida pelo PIBID (Escola 3) obteve desempenho no ENEM 2007 com média total igual a 50, próximo das médias estadual e nacional, porém, não tivemos acesso ao seu IDEB.

Tabela 01: Resultados IDEB e ENEM 2005 e 2007

Em cada aplicação a média nacional do ENEM é baixa, o percentual de estudantes com desempenho de bom para melhor é muito baixo, variando entre 2,5% e 18,3%, enquanto o percentual de estudante com desempenho insuficiente oscila entre 30,5% e 74% (Borges, 2005). Isso mostra que, mesmo próxima à média nacional, a média das escolas 2 e 3 no ENEM é baixa e da escola 1 preocupante. Uma das perspectivas do PIBID é contribuir para a superação desses resultados. O primeiro passo tem sido a realização do levantamento de dados quanto ao contexto escolar, perfil dos professores, prática docente e infra-estrutura das escolas. Acreditamos que, a infra-estrutura oferecida pelas escolas, entre outros fatores relacionados à formação na área de atuação, também contribui para a qualidade do ensino e é importante para a compreensão dos aspectos que condicionam a aprendizagem dos alunos. Tudo isso se reflete nas avaliações da qualidade da educação em cada escola.

Uma pesquisa realizada por Rezende e Ostermann (2004), com base no discurso de professores de Física e Matemática de escolas públicas cariocas, em relação às condições estruturais da escola mostrou, entre outros pontos destacados pelos docentes, a falta de apoio da escola, infra-estrutura precária e a falta de recursos e materiais didáticos. A categoria Condições Estruturais referia-se 'a um conjunto de significações manifestas no discurso dos professores sobre as condições de trabalho, as condições concretas da escola pública e aspectos sócioculturais de sua clientela' (Rezende e Ostermann, 2004). Aqui consideraremos como condições estruturais os recursos didáticos e espaços disponíveis na escola para o ensino de Física.

A disciplina de Física, por ser uma disciplina científica, apresenta um caráter investigativo e experimental. No entanto, o que se observa nas escolas de modo geral é, ainda, um ensino teórico e matematizado (Brasil, 1999). Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) orientam que o ensino da Física deixe de centrar-se na memorização de fórmulas e na repetição automatizada de procedimentos e ganhe significado. Nesse sentido salienta, ainda, que a Física se apresente como um conjunto de competências específicas que permitam, aos estudantes, lidarem com fenômenos naturais e tecnológicos presentes tanto no seu cotidiano mais próximo quanto na compreensão do universo distante (Brasil, 2002). Essa perspectiva supõe não apenas uma formação adequada como condições estruturais para o trabalho docente.

## Metodologia

Primeiramente foi feito um contato com os professores de Física de cada escola. Como os estudantes bolsistas do PIBID já se encontravam nas escolas desde o início do ano, esse contato foi fácil e seis professores participaram espontaneamente da pesquisa. Como ferramenta de coleta de dados foi elaborado um pequeno questionário com questões relativas ao perfil profissional dos professores, às condições estruturais oferecidas pela escola e sua utilização pelos docentes (figura 1). No final foi pedido aos professores que dessem sua opinião quanto às condições estruturais oferecidas pelas escolas públicas e como estas interferem no seu trabalho docente.

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Figura 1: Recursos didáticos e infra-estrutura a serem presentes na escola a serem indicadas pelos professores

A partir de uma conversa inicial, a respeito do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo PIBID, foi pedido a cada professor que respondesse instantaneamente às questões, não sendo permitido que levassem o questionário para casa ou entregassem em outro momento. Dessa forma evitamos perder dados, caso o questionário respondido não fosse devolvido por algum dos professores. Outras informações foram levantadas a partir de observações, conversas formais com professores supervisores do PIBID nas escolas, funcionários e os professores que lecionam a disciplina de Física.

Todos os dados referentes às respostas dadas pelos professores são apresentados nos resultados.

## Resultados

De acordo com as respostas dadas ao questionário, apenas quatro professores possuem um espaço de laboratório na escola em que leciona e aqueles que não possuem, não têm materiais para desenvolverem atividades práticas em outros espaços (figura 3). Nenhum professor possui Livro Didático em número suficiente para atender a todos os alunos. Essa situação é preocupante, uma vez que este serve como guia não só para o professor como também para o aluno, sendo muitas vezes a única fonte de consulta deste último. Este ponto merece ser investigado futuramente com relação ao atendimento dessas escolas quanto ao Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLDEM) implementado pelo Ministério da Educação (MEC). Quatro professores afirmam terem acesso a vídeos relacionados à Física e também a revistas de divulgação científica, sendo o a TV pen drive o recurso mais disponível. Esse equipamento refere-se aos Monitores Educacionais, distribuídos às escolas de todo o Estado pelo governo estadual (figura 2). É um recurso que permite ao professor utilizar produções áudio-visuais próprias ou disponibilizados por outros no sítio da secretaria de educação.

Figura 2: Monitor Educacional (TV pen drive) Fonte: http://educar.sec.ba.gov.br/monitoreducacional/index.php

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Durante as observações realizadas pelos bolsistas não foi percebida a utilização desse recurso pelos professores. Sua maior utilização tem sido pelos alunos que durante o recreio ouvem músicas em pen drives ou assistem a desenhos animados. Embora dois professores apontem terem acesso a softwares de simulações computacionais para o ensino de Física, também ainda não foi observada a utilização desses.

Figura 3: Acesso dos professores a condições estruturais oferecidas pelas escolas

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No que se refere à utilização dos recursos e espaços, dentre os quatro professores que têm disponibilidade de acesso a laboratório, dois o utilizam raramente e outros dois não o utilizam (figura 4). Talvez o fato de haver o espaço disponível não seja condição para que os docentes o utilizem. Devemos investigar futuramente o por quê da não utilização desse espaço pelos professores, pois uma vez que a Física é uma disciplina de caráter experimental, aulas de laboratório são importantes. Podemos inferir, por enquanto, que isso pode ser reflexo da formação dos professores, pois os dois profissionais que não utilizam esse espaço são formados em outra área (Economia e Ciências Contábeis).

O livro didático é usado efetivamente apenas por metade dos professores. Este é um ponto importante que merece, como apresentado anteriormente, uma investigação.

Em um dos questionários a resposta do professor foi confusa e, portanto, nota-se diferenças ao se comparar os gráficos da figura 3 e da figura 4. Ainda assim, pode-se inferir que vídeos relacionados à Física, a TV pen drive , softwares, o laboratório de informática e revistas de divulgação científica, são os recursos e espaços menos utilizados pelos professores. Dos quatro professores que trabalham em escolas com laboratório de informática, dois não utilizam esse espaço.

Figura 4: Utilização, pelos professores, dos recursos e espaços disponíveis nas escolas

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Por último, quanto às condições oferecidas pelas escolas, três professores argumentaram que as condições estruturais e os recursos didáticos não são o principal problema. Um deles argumentou a respeito da manutenção e conservação dos equipamentos.

Até que a infra-estrutura não interfere muito. O problema é a manutenção e a conservação dos equipamentos que duram pouco. (professor A)

Outro professor afirmou que embora a escola disponha de tecnologias que auxiliam seu trabalho, ainda falta equipamentos 'principalmente no laboratório de ciências' (professor B). Apenas um professor considerou a infra-estrutura deficiente e outro destacou a dificuldade dos professores no desenvolvimento do trabalho.

Os professores possuem uma grande dificuldade, pois os mesmos não têm respaldo suficiente para realizar um bom trabalho. (professor C)

## Considerações Finais

Como argumentado no início deste trabalho, as condições estruturais oferecidas pelas escolas têm importância e devem ser levadas em conta. A ausência de livros didáticos para atender a todos os alunos configura um problema que pode interferir no processo de ensino-aprendizagem, principalmente no nosso contexto em que muitos estudantes são da zona rural e não possuem outra fonte de consulta senão o livro didático. Os laboratórios e os recursos áudio-visuais, quando presentes, são muito pouco utilizados. Nas escolas que possuem TV pen drive , elas estão presentes em todas as salas de aula, o que configura um alto investimento do governo estadual em uma ferramenta que parece não ser utilizada como deveria. Todas essas discussões merecem uma investigação mais aprofundada. Uma vez que os resultados aqui apresentados são preliminares, estes nos servem como norte para as próximas investigações que se fazem necessárias.

## Referências

BORGES, O. Ensinar para menos e ensinar melhor. Simpósio Nacional de Ensino de Física, XVI., 2005, Rio de Janeiro, Anais

BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais10: Ensino Médio. BRASÍLIA: Ministério da educação, 1999. 360p.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias:

Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Brasília: 2002b. 144p.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Ensino Médio Inovador.

Disponível em:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_content&amp;view=article&amp;id=233&amp;Itemid=467

REZENDE, F.; OSTERMANN, F. A prática do professor e a pesquisa em ensino de Física: novos elementos para repensar essa relação. Cad. Bras. Ens. Fís., v. 22, n. 3: p. 316-337, dez. 2005

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