Avaliação da iniciação à docência em física na EEB Getúlio Vargas: primeiras impressões
Tatiana Da Silva, Leda Maria De Farias, Daiana G. Cordeiro, João N. De Figueiredo, Priscila Stievem, Tairine Favretto, Thays B. Kasemodel
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Avaliação da iniciação à docência em física na EEB Getúlio Vargas: primeiras impressões
Tatiana da Silva , Leda Maria de Farias , Daiana G. Cordeiro , João N. de 1 2 3 Figueiredo , Priscila Stievem , Tairine Favretto , Thays B. Kasemodel 4 5 6 7
1 UFSC/Departamento de Física, silvatat@gmail.com
- 2 Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, leda.fisica@hotmail.com
- 3 UFSC/Estudante do Curso de Licenciatura em Física, daianinha\_2011@hotmail.com
- 4 UFSC/ Estudante do Curso de Licenciatura em Física, futjhonnes@gmail.com
- 5 UFSC/ Estudante do Curso de Licenciatura em Física, pricinhaa@hotmail.com
## Resumo
Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, da rede pública estadual de Florianópolis, Santa Catarina. A consulta fornece subsídios para considerá-la como uma avaliação das atividades desenvolvidas ao longo do primeiro ano de atuação da iniciação à docência em física nessa escola, além de permitir a definição de uma metodologia de trabalho a partir da compreensão de que o caminho escolhido está correto. O PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a docência), busca integrar escola e universidade na formação dos licenciandos. Ele viabiliza aos seus bolsistas a experiência, a prática e a convivência com a realidade do ensino público brasileiro. Esse projeto torna real o primeiro contato do futuro professor com os alunos. Trata-se de uma experiência recíproca, onde todos os envolvidos aprendem. Na EEB Getúlio Vargas, o PIBID na área de física atua de várias maneiras articuladas, tais como: monitoria, visitas à UFSC, organização de seminários, aulas interativas e demonstração de experiências. O resultado desse trabalho que ainda é considerado inicial é que as atividades desenvolvidas estão atingindo o objetivo de motivar os estudantes da escola e em aumentar o seu interesse pela física. Considera-se que esse é um requisito básico para se alcançar melhorias no desempenho escolar.
Palavras-chave : iniciação à docência, ensino de física, licenciatura em física, aprendizagem, formação de professores.
## Introdução
O PIBID tem várias propostas (BRASIL, 2010) todas com a finalidade de incentivar a carreira do magistério da educação básica por meio de apoio à iniciação à docência de estudantes de licenciatura plena e da contribuição para a elevação do padrão da qualidade da educação básica.
As atividades propostas para as escolas parceiras em que o PIBID na área de física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está atuando, no âmbito desse programa, bem como as atividades que estão sendo desenvolvidas e as que ainda serão incluídas, se enquadram numa proposta de iniciação à docência construtivista (SILVA, 2010). Entende-se que a prática docente é algo complexo, uma sucessão particular de construção de conhecimentos associados à experiência
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- e ao percurso pessoal do professor. Envolve vários saberes disciplinares, curriculares, científicos, históricos, sociais, pedagógicos. Assim, a educação como iniciação envolve mais do que familiarizar-se com o conhecimento, envolve aprender os modos de construção desses conhecimentos e suas relações com o contexto onde vive, envolve múltiplas relações estabelecidas por um leque de fatores interdependentes (SANT'ANA, 2009). E a escola é o cenário ideal para que essa experiência e o percurso sejam construídos. Esse é um grande mérito do projeto que inclui a escola e professores de ensino médio na formação dos futuros professores.
- O andamento das atividades em cada uma das escolas e em cada um dos três anos do ensino médio é diferente. Por isso, vamos apresentar os resultados da consulta feita aos estudantes da primeira série do ensino médio da escola Getúlio Vargas.
## A escola e as atividades de iniciação à docência em física
A EEB Getúlio Vargas é uma das escolas mais tradicionais da rede pública estadual de Florianópolis. A escola foi fundada em 1940 e suas atividades vão do ensino fundamental até o ensino médio. Possui biblioteca, sala de informática, laboratório de ciências e auditório. O Ideb para séries finais referentes ao ano de 2007 é igual a 3,3. Além da iniciação à docência em física, do primeiro edital (BRASIL, 2007) para as áreas prioritárias, estão presentes bolsistas da biologia e da química.
No ensino médio, há apenas uma professora de física para todas as turmas dos três turnos (matutino, vespertino e noturno). Os bolsistas do PIBID de Física trabalham com turmas do matutino e do vespertino, principalmente, por causa do curso de licenciatura que é noturno. As atividades foram iniciadas em abril de 2009 e já houve várias renovações no grupo. Entre os doze bolsistas de física, cinco estão realizando suas atividades nessa escola. Atualmente, eles trabalham em duplas que não são fixas por causa dos horários das aulas na universidade e por causa das mudanças freqüentes de horários da escola. Começaram suas atividades fazendo um reconhecimento da escola, um levantamento da infraestrutura citada acima e a revitalização do laboratório de ciências. Esse foi limpo e reorganizado e está sendo utilizado desde então. Os bolsistas acompanham as aulas ministradas pela professora supervisora, nas quais eles já ministram conteúdos (somente no primeiro ano) e são responsáveis por toda a diversificação das atividades didáticas com experiências, aulas no laboratório de informática, palestras sobre o vestibular em parceria com o PIBID de outras áreas e agora com a organização de seminários a serem apresentados por professores da UFSC. Não obstante, no turno inverso ou contra turno oferecem monitorias.
## Metodologia e coleta de dados
O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário com oito perguntas, das quais seis são com opções fechadas de respostas e duas com espaços para comentários. O objetivo foi identificar se os estudantes reconhecem as atividades desenvolvidas na escola no âmbito do PIBID e se essas atividades estão sendo desempenhadas de maneira satisfatória. Não obstante, saber se o projeto motiva a aprendizagem e o interesse pela física e saber quais são as atividades que eles consideram importantes. Aproveitamos para saber se eles têm dificuldade em física, se a reconhece no dia-a-dia e suas sugestões e reclamações. É importante
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ressaltar que até o final do primeiro semestre de 2010, os bolsistas de física não usavam qualquer identificação (camiseta, jaleco ou crachás).
Os dados são compostos por 44 questionários respondidos por estudantes de duas turmas do primeiro ano do ensino médio. Os resultados são apresentados a seguir.
## Resultados
Os questionários respondidos não contêm qualquer identificação do aluno, foram todos tabulados e as respostas estão organizadas em gráficos. As conclusões que podemos tirar são:
- 1. A imensa maioria dos estudantes está ciente sobre a atuação da iniciação à docência em física conforme pode ser visto nas respostas apresentadas no Gráfico 01. Apenas 4,5% não responderam (NR) a essa pergunta e 2,3% identificam apenas a área de química (QMC). As demais respostas identificam apenas a física (70,5%); física e biologia (2,3%); física, biologia e química (11,4%); física, biologia, química e matemática (4,5%) sendo que área de matemática não está atuando nessa escola e apenas física e química (4,5%). Assim, o PIBID de Física tem identidade nessa escola, tem suas atividades reconhecidas por esses estudantes.
Gráfico 01: Áreas de atuação identificadas pelos estudantes.
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- 2. O PIBID além de ter presença reconhecida na escola, consegue motivar a aprendizagem (Gráfico 02a) e o PIBID de Física motivar a aprendizagem em física (Gráfico 02b) e o interesse pela física (Gráfico 02c).
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áfico 02: Gr Motivação nos estudos e na física proporcionada pelo PIBID.
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- 3. Os estudantes também identificam as ações realizadas pelo projeto corretamente ( Gráfico 03 ). Houve um seminário ministrado no primeiro semestre na escola, mas não contou com a participação dos estudantes do primeiro ano e as duas palestras feitas sobre o vestibular foram para os do terceiro ano. Além disso, o Baú de Ciências é um laboratório de extensão do Departamento de Física da UFSC que visita as escolas públicas e nesse semestre também não esteve no Getúlio Vargas.
Gráfico 03: Atividades identificadas como as desempenhadas no âmbito do PIBID.
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- 4. Agora, já que os estudantes alegam ter identificação com as atividades desenvolvidas pelo PIBID/PIBID de Física, é oportuno saber se eles têm queixas, reclamações e/ou sugestões. Conforme o Gráfico 04 , a grande maioria não tem reclamações (68%), desses vários escrevem 'tá legal/bom assim', 'não, não até ajuda no aprendizado' ou 'elas explicam bem'; 4,5% sugerem mais aulas de laboratório; 4,5% apresentam reclamações, mas que podem ser entendidas até como sugestões, pois os comentários foram: 'não entendo o PIBID por ter dificuldade em física' e 'mais clareza na explicação'. Logo, de maneira geral o desempenho é satisfatório e pode ser melhorado.
Gráfico 04: Percentual de respostas com sugestões, reclamações ou comentários dos estudantes.
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Visando a melhoria e a definição de uma metodologia de trabalho tem-se como indicadores as respostas às questões: 'Quais atividades você considera importante?', 'Você já procurou, por vontade própria, os bolsistas do PIBID de Física para dúvidas/resolução de exercícios?',Você tem facilidade em física?', 'Você percebe a física no dia-a-dia? Cite exemplos.'. As respostas são:
- 5. Quanto às atividades que acham importantes, a grande maioria (aproximadamente 75%) optou pelas aulas interativas (40%) e pelas aulas de laboratório (34,7%). Poucos consideram a monitoria importante (5,3%) e as listas de exercício (20%).
Gráfico 05: Atividades que são importantes segundo os estudantes.
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É interessante porque o PIBID com a presença dos bolsistas nas escolas abre espaço justamente para a diversificação das atividades didáticas que estão em consonância com a preferência e/ou necessidade dos estudantes. Entretanto, é preciso motivá-los às tarefas formais. Quando se pergunta se procuram espontaneamente pelo auxílio dos bolsistas ( Gráfico 06 ) constata-se que apenas metade deles tem essa iniciativa.
Gráfico 06: Procura por vontade própria para dúvidas e apoio na resolução de exercícios.
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- 6. Quanto à facilidade no aprendizado da física, praticamente metade dos alunos alegam ter problemas conforme o Gráfico 07 .
Gráfico 07: Respostas quanto à facilidade de aprender física.
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- 7. Na percepção da física no dia-a-dia é que aparece a importância de se ensinar essa ciência e de se criar espaços para discussão da física inserida no cotidiano. Conforme o Gráfico 8a muitos (59%) dizem perceber a física no dia-a-dia, dentro desse universo 38% não citam nenhum exemplo e todos os demais a percebe de acordo com os conceitos de força e movimento ( Gráfico 8b ) ou essa é uma noção que todos têm ou está fortemente ligada ao conteúdo que está sendo visto. Nesse caso, o conhecimento ou a percepção vêm do que aprendem no conteúdo curricular.
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Gráfico 8: Respostas sobre a percepção da física no dia-a-dia e os exemplos fornecidos.
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## Considerações Finais
Apresenta-se nesse trabalho uma consulta feita aos estudantes do primeiro ano do ensino médio de uma das três escolas em que há a iniciação à docência em física em Florianópolis.
Considera-se que essa atividade está sendo bem sucedida não somente do ponto de vista dos bolsistas do projeto, mas do ponto de vista dos estudantes. Eles estão satisfeitos com as atividades desempenhadas e mais consideram importante a existência dessas atividades. Não obstante, conclui-se que a diversificação das atividades didáticas está motivando os estudantes no aprendizado de física e no seu interesse por essa ciência. O PIBID ao conceder bolsas de iniciação à docência está viabilizando a melhoria das aulas ministradas e com isso o interesse dos alunos.
No que concerne a melhoria na aprendizagem ainda é cedo, mas há evidências de que os alunos que participam das monitorias estão com desempenho melhor. Estamos caminhando na direção correta e devemos investir na contextualização dos conteúdos e de como a física está presente no cotidiano.
## Agradecimentos
Esse trabalho foi desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) financiado pela CAPES. Todos os autores são bolsistas do PIBID na área de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
## Referências
BRASIL, Ministério da Educação, CAPES/FNDE. Seleção pública de propostas de iniciação à docência voltados ao Programa Institucional de Iniciação à Docência PIBID, 2007. Disponível em:
http://www.capes.gov.br/imagens/stories/download/editais/EDITAL\_PIBID.pdf
Acesso em: 8 de setembro de 2010.
\_\_\_\_\_\_. Portaria Normativa CAPES n 72 de 9 de Abril de 2010. Disponível em: 0 http://www.capes.gov.br/imagens/stories/download/diversos/Portaria72\_Pibid.pdf Acesso em: 30 de abril de 2010.
SANT'ANA, Diogo Castanho; BITTENCOURT, Jane. Professores iniciantes e suas relações com o ensinar. In: CARVALHO, Diana Carvalho de et al ( Org.). Relações
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Interinstitucionais na formação de professores. Araraquara, SP: Junqueira & Martin; Florianópolis, SC: FAPEU, 2009. P. 71-84.
SILVA, Tatiana. Primeiros passos da Iniciação à Docência em Física na Universidade Federal de Santa Catarina. Aceito em 19 de agosto de 2010 para apresentação no XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física no período de 24 a 28 de outubro de 2010, Águas de Lindóia, SP.
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