UTILIZAÇÃO DE SOFTWARES EDUCATIVOS DE CINEMÁTICA NA ESCOLA ESTADUAL MESSIAS PEDREIRO DE UBERLÂNDIA.
João Lucas De Paula Batista, Alessandra Dos Santos Silva, Maryzaura De Oliveira Assunção, Ademir Cavalheiro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UTILIZAÇÃO DE SOFTWARES EDUCATIVOS DE CINEMÁTICA NA ESCOLA ESTADUAL MESSIAS PEDREIRO DE UBERLÂNDIA.
## J. L. P. BATISTA , A. S. SILVA , M. O. ASSUNÇÃO , G. R. SILVA , A. 1 1 1 2 CAVALHEIRO 1
1 Licenciatura em Física, Instituto de Física, Universidade Federal de Uberlândia, CP 593, CEP 38400-902, Uberlândia, Brasil 2 Escola Estadual Messias Pedreiro, CEP 38400-068, Uberlândia, Brasil joaolucas@fis.ufu.br
## Resumo
Os softwares educativos são largamente explorados na literatura atual [1, 2] como material didático complementar. Entende-se que esse aplicativo auxilia o aluno a relacionar conceito teórico e aplicação prática. Além de simular uma aplicação da teoria vista em sala de aula, o software é uma ferramenta que permite ao aluno interagir com o conteúdo. Neste caso "o aprendiz é um agente ativo na construção do seu conhecimento e é capaz de desenvolver atividades que extrapolam os limites impostos por lápis e papel." [2]. No presente trabalho, os bolsistas do subprojeto Física do PIBID/UFU trabalharam um software educativo com uma turma da Primeira Série do Ensino Médio, da Escola Estadual Messias Pedreiro, em Uberlândia-MG. Esta atividade teve o propósito de verificar a aprendizagem e o interesse dos alunos em relação a este método de ensino, comparado ao método clássico (quadro e giz), mais utilizado pelos professores [1]. Para a realização da atividade foi preparado um roteiro para o professor com um exemplo de procedimento que pode ser adotado durante a utilização do software. De imediato, foi possível constatar que esta metodologia utilizada em sala de aula despertou grande interesse nos alunos, e isto pode auxiliá-los na compreensão de alguns conceitos básicos.
Palavras Chaves: softwares educativos, métodos alternativos.
## Introdução
Hoje em dia a profissão do magistério não é valorizada, isto está provocando a redução do número de profissionais, principalmente na área da Física. O desinteresse dos alunos pela aprendizagem é cada dia maior. Um dos prováveis motivos é o método de ensino dos professores, extremamente tradicional, em contra partida da tecnologia cada vez mais avançada. O PIBID é um programa que tenta reverter este quadro, inserindo os alunos das licenciaturas de algumas universidades federais brasileiras no ambiente das escolas públicas em regime de cooperação e aprendizagem com os sujeitos escolares (administração, corpo docente e discente). O trabalho realizado por nós, tenta encontrar um método mais atrativo para os alunos, que os conduza a uma aprendizagem significativa , onde a
"A aprendizagem é muito mais significativa à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas de conhecimento de um aluno e adquire significado para ele a partir da relação com seu conhecimento prévio."[4]
O método atrativo usado no referido trabalho foi o uso de um software educativo. Também foi trabalhado respectivamente, nas turmas A e B, a aplicação
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
de um experimento e vídeo ambos do mesmo tema lançamento horizontal. O objetivo do trabalho é analisar a eficácia do método trabalhado, a partir de um software, como uma ferramenta de ensino em comparação ao método tradicional, "quadro e giz".
## Descrição do trabalho desenvolvido
## Metodologia
Para o desenvolvimento da atividade foi preparado um roteiro a respeito da utilização do software. Os alunos formaram seis grupos de sete pessoas, e para cada grupo foi entregue uma folha com um 'desafio' a ser cumprido. Neste 'desafio', o aluno deveria encontrar, através dos parâmetros dados no exercício, o valor de certa grandeza física relacionada. A figura a seguir mostra um dos dois tipos da folha de resposta - softwares 1° E.
Figura 01: Folha de resposta aplicada ao grupo 3.
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## Software aplicado
O software utilizado na atividade foi um aplicativo para o programa Modellus, encontrado gratuitamente na World Wide Web [3]. A figura a seguir mostra o programa sendo executado.
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Figura 02: Imagem do software em utilização.
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Este software simula o lançamento de projéteis. O objetivo é acertar o tanque através da modificação dos parâmetros oferecidos. Em uma das janelas podemos encontrar estes parâmetros, respectivamente: v0 (velocidade inicial de lançamento), tetha (ângulo de lançamento), x0 e y0 (posição inicial de lançamento), Xalvo e Yalvo (posição em que o tanque se encontra). Assim, os alunos puderam utilizar essa ferramenta para testar os resultados encontrados pelo grupo.
## Aplicação do Software
Inicialmente, o propósito era a aplicação do software individualmente, para que o aluno tivesse um maior aproveitamento da atividade, fixando melhor o conteúdo. Ou seja, cada aluno faria o uso do software nos computadores disponíveis no laboratório de informática da escola. Não foi possível executar a atividade de tal maneira pois, não havia computadores suficientes para os aproximadamente 42 alunos . Apenas nove computadores foram encontrados, dos quais dois não funcionavam (dados: 30/04/2010). Uma solução seria dividir a turma, mas isto não nos é permitido, pois somos bolsistas, não estagiários, de modo que os alunos não podem ser deixados sob nossa responsabilidade. Além do que, isso também atrapalharia o cronograma do professor que ministra as aulas. A solução encontrada foi aplicar o software utilizando a sala de áudio-visual.
A figura a seguir mostra a apresentação do software, para que os alunos soubessem como utilizá-lo.
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Figura 3 : Apresentação do software.
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Para o uso do software, foi necessário que cada grupo escolhesse um representante. Assim, os alunos foram desafiados a expor seus cálculos para o restante da turma, consequentemente os alunos eram estimulados a compreender o problema proposto e buscar a resolução correta.
## Resultados obtidos
As análises que seguem foram construídas a partir de dados retirados das folhas de resposta entregues por cada grupo e, de outro questionário final aplicado aos alunos em uma data distinta.
A avaliação qualitativa da folha de resposta nos proporcionou a possibilidade de observar o trabalho em grupo dos alunos. Apenas dois grupos não acertaram o alvo. O quadro a seguir mostra a avaliação dos resultados de cada grupo.
Quadro 1: Análise qualitativa das respostas.
No quadro 1, verificamos se os discentes conseguiram acertar o alvo e manipular as fórmulas corretamente, avaliado seu desempenho como Bom e Ruim. Outro fator a ser observado é a utilização correta de unidades. Percebemos que os
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alunos não reconhecem as unidades e erram os cálculos por trabalharem com valores em unidades que não estão devidamente relacionadas. Outro problema é a falta de ilustrações do problema: em física é fundamental ter em mente o que está ocorrendo, para assim, chegar corretamente aos cálculos.
Foi aplicado um questionário final e este era composto por três questões. O mesmo foi aplicado, individualmente, a cinco turmas do primeiro ano do ensino médio da referida escola, do período matutino, e as respostas foram analisadas e comparadas através de gráficos de cada turma. A figura a seguir mostra o questionário aplicado.
Figura 4: Questionário final.
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A análise do desempenho dos alunos referente a questão 1 foi fácil, pois trata-se de uma questão fechada, porém pode haver discrepância dos resultados. A resposta correta é a letra d. Os alunos da turma em que foi aplicada a metodologia (1°E), foram percentualmente melhores apenas que os alunos da turma D. O gráfico a seguir mostra o percentual de alunos que assinalaram a resposta correta.
Gráfico 1: Porcentagem de acertos das turmas na questão 1
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Para análise da questão 2 , além de 'participação', foram adotados outros quatro critérios de análise, que são: utilização das equações corretas; realização correta dos cálculos, utilização correta de unidades e se chegaram ao resultado correto. O gráfico 2 nos mostra a porcentagem de acertos entre os que responderam algum item da questão 2, para cada turma. Verifica-se que o desempenho da turma E foi relativamente melhor que o das demais. Esse resultado pode dever-se ao fato de o software auxiliar a parte de desenvolvimento matemático, abordado na questão.
Gráfico 2 : Porcentagem de acertos do item 2.
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Outra análise que podemos fazer nesta questão é relacionado ao desempenho negativo dos alunos. Somando-se todas as repostas negativas (ou seja: os alunos que não participaram de nenhum item, os que não utilizaram as equações corretas, os que erraram os cálculos, os que não utilizaram unidades corretamente e os que não acertaram, chegamos ao gráfico 3. Ainda que a soma de avaliações negativas seja estatisticamente enorme, mais que 50%, o indicador apresenta um ponto positivo: a turma E teve um percentual menor de resultados negativos que as que não participaram (C e D).
Gráfico 3: Somatória das avaliações negativas das resoluções dos alunos na questão 2, de todas as turmas .
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A questão 3 tratava das opiniões e sugestões dos alunos sobre as atividades e foram classificadas como positiva, negativa e parcial. A seguir apresentamos alguns exemplos de respostas com suas devidas classificações.
'Nós participamos de uma dinâmica igual a que é apresentada no exercício 2, em que tínhamos de calcular a posição da cestinha em relação ao ângulo dado. Ela ajudou, mas o meu problema maior é lembrar os cálculos usados. Eu gostaria que atividades do tipo ocorressem com mais frequência, pois ajuda a reforçar os fundamentos dos cálculos de física.' - Positiva. Aluno(a) Turma A.
"Além da aula e explicação do professor, alguns vídeos, experimentos ou softwares tornaria mais fácil de compreender a matéria, e não ficaria aquela coisa cansativa.' Positiva. Aluno(a) Turma B.
"Sim. Acho que ajudaria sim a resolver as questões acima, e também sairia um pouco da rotina.' - Positiva. Aluno(a) Turma C.
'Sim. Poderia ajudar, poisseria mais interessante e tornaria mais fácil, porque só a aula do professor não é suficiente, e videos, softwares, e experimentos faria os alunos interessar e gostar mais de física.' - Positiva. Aluno(a) Turma D.
'Utilizar outras formas de aprendizado, fugindo um pouco da sala de aula, partindo para novos meios de entender a matéria que não seja só a aula do professor é sempre uma alternativa interessante, que, bem aplicada, poderia gerar resultados satisfatórios, no meu ponto de vista.' - Positiva. Aluno(a) Turma E.
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'Software e experimento. Não ajudou, pois por mais que eu tente estudar física, nunca aprendo, fico me perguntando no que isso vai me ajudar quando eu me formar, eu sei que pra passar no vestibular e em concurso eu até precise de saber física, mas na faculdade eu não vou precisar, quero fazer faculdade de Direito. Nada a ver!!! Tô grillada ...' - Negativa. Aluno(a) Turma A.
'Dos vídeos. Não. O que ajudaria mesmo seria uma explicação sobre a matéria um pouco melhor na sala de aula.' - Negativa. Aluno(a) Turma B.
'Não fez diferença alguma p/ mim.' - Negativa. Aluno(a) Turma E.
'Das duas atividades, eu acho que não ajudou nas resoluções, também não queria mais essas aulas, pois tem alunos que não sabem se comportar deixando a sala na maior bagunça.' - Parcial. Aluno(a) Turma A.
'Vídeo. Mais ou menos,pois o vídeo foi dado a muito tempo e não me lembro muito. Poderia sim, mas um pouco diferente.' - Parcial. Aluno(a) Turma B.
'Não sei. Provavelmente ajudaria. Mas a dificuldade mesmo é lembrar as fórmulas. E outra coisa que eu acho que ajudaria, é gostar de física. E é muito raro alguém GOSTAR de física. Quando não gostamos de algo, nós mesmos criamos uma barreira, e não aprendemos. Porque o nosso subconciente não quer aprender.' - Parcial. Aluno(a) Turma C.
'A aula do professor é suficiente, mas esses recursos também ajudam muito.' - Parcial. Aluno(a) Turma D.
'Participei da atividade do software. Esta influenciou um pouco em minhas respostas, só não ajudou mais devido o tempo que se passou. Gostaria sim que isto ocorrese com mais frequência.' - Parcial. Aluno(a) Turma E.
O gráfico 4 mostra o percentual de alunos de cada turma que respondeu positivamente à questão 3. Dos 201 alunos que responderam à questão, apenas seis deram respostas negativas (~3%), ressaltando que nas turmas C e D, que não participaram das atividades extras, não houve nenhuma resposta negativa, o que pode significar a vontade dos mesmos de também participarem de atividades diferentes e/ou inovadoras, mesmo que sejam de Física, que eles dizem detestar tanto.
Gráfico 4: Percentual de alunos que responderam positivamente a questão 3.
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## Considerações/Conclusões
De imediato, foi possível constatar que esta metodologia utilizada em sala de aula despertou grande interesse nos alunos. Este interesse pode auxiliá-los na compreensão de alguns conceitos básicos de lançamento horizontal. O tempo de aula para a atividade infelizmente foi curto para que pudesse ser feita uma discussão mais detalhada com os alunos, sobre seus e erros e acertos.
Analisando a turma E através dos gráficos obtidos, no primeiro item do questionário não podemos confirmar com clareza se os alunos aprenderam o conteúdo, pois trata-se de uma questão fechada e existe a possibilidade dos alunos terem marcado qualquer resposta aleatoriamente. Com relação a questão 2, podemos ter uma análise mais confiável do desempenho, pois trata-se de uma questão discursiva e através do gráfico podemos observar que o software trabalhado em sala de aula auxiliou os alunos a absorverem mais facilmente o conteúdo. Portanto, podemos então afirmar que a turma que utilizou o software como ferramenta auxiliar para a aprendizagem, teve um melhor desempenho nas questões propostas no questionário, em relação as turmas C e D, com as quais nenhuma atividade extra além da aula tradicional foi trabalhada. O software, como ferramenta auxiliar, tornará mais eficaz a aprendizagem do aluno se houver uma orientação correta do professor sobre o tema trabalhado e quanto à utilização do software.
## Referências
[1] HEINECK,Renato; VALIATI, Eliane Regina Alemida, ROSA, Cleci Teresinha Werner. Software educativo no ensino de Física: análise quantitativa e qualitativa. Revista Iberoamericana de Educación, Universidade de Passo Fundo, Brasil. n.º 42/6 - 10, Maio. 2007
[2] VEIT, E. A; TEODORO,V D. Modelagem no ensino/aprendizagem de física e os novos parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio. Revista Brasileira do Ensino de Física , São Paulo, v. 24, n. 2, p. 86 - 96, Jun. 2002.
[3] Software gratuito. Disponível em: <http://www.fisica.ufpb.br/~romero /port/modellus.htm#Ani>. Acesso em: 24 mai. 10.
[4] PELIZARI, Adriana et AL. Teoria da Aprendizagem Significativa. Revista PEC , Curitiba, v.2, n.1, p.37-42, jul. 2001-jul. 2002.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.