TUTORIA EM UMA DISCIPLINA DE FÍSICA GERAL EM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA, MODALIDADE A DISTÂNCIA
Vinícius Fortes De Castro, Antonio Luiz Fernandes Marques
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## TUTORIA EM UMA DISCIPLINA DE FÍSICA GERAL EM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA, MODALIDADE A DISTÂNCIA
Vinícius Fortes de Castro , Antonio Luiz Fernandes Marques 1 2
## Resumo
A experiência com Educação a Distância tem demonstrado que o sistema tutorial é indispensável ao desenvolvimento de qualquer curso nessa modalidade existindo nesse caso um consenso quanto a importância do papel do tutor para a EaD. A sua posição, determinada por suas atribuições, responsabilidades e sua função na EaD, torna-o um observador privilegiado. O tutor atua tanto junto ao corpo docente, participando diretamente da prática pedagógica, como também está em contato com os alunos. O tutor possui, portanto, ampla visão do curso e de todos os seus elementos. A tutoria é um caminho pelo qual se faz necessário, tendo em vista as oportunidades que esta oferece em termos de conhecimento a todos. Este artigo apresenta o trabalho de tutoria na disciplina de Física Geral II do Curso de Licenciatura em Física, modalidade a distância, da Universidade Federal de Itajubá. Apresentamos também a estrutura da disciplina, bem como as metodologias adotadas e seus principais componentes: alunos, professores, conteúdo e aprendizagem, aos quais todos de alguma forma contribuem significativamente para a construção do ambiente virtual. Serão apresentados também alguns resultados obtidos após o término da disciplina e uma perspectiva futura com relação aos pontos satisfatórios do ambiente e os pontos em que juntos precisamos empenhar mais esforços.
Palavras-chave : Tutoria, Física, Educação à Distância.
## Introdução
A Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da Educação à Distância. Trata-se de um projeto construído pelo Ministério da Educação em parceria com os Estados, Municípios e Universidades Públicas de Ensino Superior para oferta de cursos de Graduação, Pós Graduação e de Extensão Universitária visando ampliar o número de vagas da educação superior para a sociedade, promover a formação inicial e continuada para os profissionais do magistério e para os profissionais da administração Pública 1 .
Incentivados pela necessidade de democratização de acesso, atualização profissional e das possibilidades decorrentes da comunicação, a Educação à Distância vem se expandindo consideravelmente no Brasil e no mundo, levando as pessoas e instituições a utilizarem-na como mais uma forma de buscar e promover
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
conhecimentos através da internet, redefinindo o papel do professor, mesmo que substancialmente.
Segundo Machado (2004) , os surgimentos das novas tecnologias da informação e da comunicação deram um novo impulso à Educação a Distância, fazendo aparecer através da internet formas alternativas de geração e de disseminação do conhecimento. A Educação à Distância, antes centralizada no texto impresso, agora vai cedendo lugar para fontes eletrônicas digitais de informação, trazendo possibilidades quase inesgotáveis para a aprendizagem.
Justifica-se, portanto, a necessidade da capacitação de novos profissionais na suas devidas áreas de modo a atender as demandas que se tornam mais vigentes com o passar do tempo. Assim sendo, a Educação à Distância em um curso de Licenciatura em Física é um caminho promissor não somente por haver um número deficitário de profissionais habilitados em nível nacional, mas também como uma necessidade de formação e atualização de professores voltados para a promoção de uma aproximação entre a produção do conhecimento científico e sua função junto à sociedade contemporânea.
Dentro deste novo cenário educacional que promove a inclusão de todos ao acesso do conhecimento, o tutor se faz elo de importância considerável tendo em vista que este atua junto aos docentes em suas reuniões pedagógicas e junto aos alunos no ambiente virtual. Podemos assim, considerar o tutor como um ponto de equilíbrio neste processo, pois este permeia todos os caminhos existentes na modalidade á distância e é capaz de avaliar os dois lados neste processo. Assim sendo, o tutor por meios das ferramentas do sistema TelEduc contribuiu no ensino de Física uma vez que está em contatos constantes com os alunos, sanando suas dúvidas e estabelecendo diálogos para a compreensão dos conteúdos.
- O processo ensino-aprendizagem, no caso da Física, possui notórias contribuições do tutor, sendo que este processo é afetado diretamente pela ação desenvolvida durante o trabalho tutorial. Mais do que ajudar na compreensão e resolução dos conceitos físicos nos exercícios propostos, o tutor é um agente comunicativo, que dinamiza a interação no processo educacional. Segundo Souza (2004) , o tutor tem um papel fundamental, pois garante a inter-relação personalizada e contínua do aluno no sistema e se viabiliza a articulação entre os elementos do processo e execução dos objetivos propostos.
O sistema tutorial, portanto é cada vez mais importante nesta nova concepção de espaço ensino/aprendizagem, inclusive no campo do ensino de Física, em que Goulart (2002) afirma que o tutor é um elemento importante e indispensável na rede de comunicação que vincula os alunos à instituição de ensino promotora do curso, pois, além de manter a motivação dos alunos, possibilita a retroalimentação acadêmica e pedagógica do processo educativo.
Considerando a especificidade do seu papel enquanto mediador do processo pedagógico,
- (...) o tutor deve ser compreendido como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e (ou) presencialmente devem contribuir para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico. ( BRASIL, 2007, p. 21 ).
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E, ainda, para que possa desenvolver sua função significativamente, é imprescindível o domínio do conteúdo, aliado à necessidade de dinamismo, visão crítica e global, capacidade para estimular a busca de conhecimento e a habilidade com as novas tecnologias de informação e comunicação ( BRASIL, 2007, p. 22 ). O tutor, no ensino dos conceitos da Física, possui como meio de atuação a sua prática transformadora, deve ser capaz de resolver problemas e propor discussões de modo a tornar o ambiente propício para a disseminação do saber. A construção de um ambiente acolhedor não é um caminho pronto, de pura aplicação somente, é algo que se constrói no convívio com o ambiente virtual e com as necessidades dos alunos, mas espera-se que tal ambiente seja um espaço de discussões e de reflexões.
Nesse panorama, o tutor atuante no ensino-aprendizagem da Física, é aquele que trabalha o conteúdo de forma aplicativa, que instiga que questiona que aponta caminhos, mas não apresenta soluções. Busca atividades dinâmicas, que investiga a capacidade de respostas por parte dos alunos, é o responsável direto com o ambiente, pois é o intermediador do aluno com a disciplina, é aquele que problematiza o conhecimento, que acompanha e avalia o aprendizado durante todo o processo. O trabalho tutorial se faz peça significativa, é um ferramental no sentido de auxiliar na construção dos conceitos físicos e ainda segundo Caetano (2009) , os tutores desempenham um papel central na EaD, eles atuam junto ao corpo docente, participando diretamente da prática pedagógica e, por outro lado, também estão em contato com os alunos. Assim sendo, os tutores possuem ampla visão do curso e de todos os seus aspectos, sendo diferenciais no ensino da Física.
## Do Processo de Seleção à Função da Tutoria à Distância
O processo para a seleção do tutor na Universidade Federal de Itajubá desenvolveu-se por meios didáticos e também pela experiência em educação por parte do candidato. Buscou-se como suporte a relação teórica e prática. Todos os candidatos a tutoria passaram por um processo avaliativo, ao qual um curso foi ministrado e cada um construía seu ambiente virtual. Em síntese, a proposta era a escolha de um tema por parte de cada candidato e de acordo com as instruções vindas, os candidatos a tutores construíam seus espaços de aprendizagem. Ao final, os candidatos tinham o material de trabalho feito através do uso das ferramentas do sistema virtual 2 .
O tutor é um interlocutor de uma prática transformadora. Interlocutor, pois faz o canal do conhecimento entre o aluno e o professor, responsável por dialogar com essas duas partes e fazer com que convirjam para um denominador comum: informação. Prática transformadora no sentido de provocar reflexões sobre a unidade do saber. Através de suas orientações, o tutor tem por papel instigar o aluno a buscar soluções, fomentar a criticidade e fazer com que o mesmo seja na atuante na sociedade globalizada. Por sua vez, de posse de tais responsabilidades, cabe ao tutor ensinar Física de um modo inovador, sendo questionador quanto aos conceitos, indagar e fazer o aluno buscar respostas que vão além do livro texto, que possa estimular os alunos a entender que a Física é uma ciência que transcende a teoria e possui aplicações práticas.
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Mas, pautados no vigente processo educacional de nosso país, sabemos que os desafios são consideráveis. É nesse ponto em que se faz necessário o conhecimento do tutor, não somente da disciplina ao qual ministra, mas conhecer caminhos para buscar alternativas didáticas que possam ser diferenciais. Não basta apenas responder as questões, precisa ser informativo e comunicativo. As diversas indagações a qual temos com relação ao caminhar do processo educativo não precisam ser respondidas de maneira linear, mesmo porque não temos um parecer a todas as indagações, pelo contrário, construímos juntas nossas respostas na tentativa de buscarmos soluções. E assim deve agir um tutor, não deve ser mais um no processo educacional, com respostas prontas e teorias acabadas, mas um agente questionador, que indaga que investia, que cobra, que pensa junto com o aluno e o faz crescer enquanto sujeito.
Dentro dessa linha de raciocínio as ferramentas do espaço virtual devem ser utilizadas como base de discussões e não como comandos para a execução de atividades prontas. Por exemplo, no ensino de Física os Fóruns de Discussões são ferramentais poderosos no sentido de promover a interatividade entre os alunos. É através desta que o diálogo flui, ganha dinamismo e interatividade. E cabe ao tutor saber usar esta ferramenta no âmbito de aproveitar ao máximo possível os potenciais que ela oferece e consolidar os conceitos empregados na aprendizagem da Física. Estes Fóruns servem como pontos de indagações por parte dos alunos, são centros de discussões reais e promovem acima de tudo a interatividade entre os mesmos. São ferramentas como estas que devem estar presentes com mais frequência no cotidiano dos alunos, pois assim teremos diálogo, divergências, convergências entre as opiniões e consequentemente o conhecimento vai sendo formado, sem ter a presença direta do tutor direcionando o que é certo ou errado.
## Disciplina de Física Geral II
Na disciplina de Física Geral II, ministrada no primeiro semestre de 2010, no curso e Licenciatura em Física, modalidade a distância, da Universidade Federal de Itajubá, trabalhamos com um grupo de 13 alunos, utilizando como referência bibliográfica básica o Halliday, D.; Resnick, R. e Walker, J., Fundamentos de Física Vols. I e II - Mecânica, Livros Técnicos e Científicos Editora, 7 a edição, Rio de Janeiro, RJ, 2006 (SILVA, 2009). O conteúdo programático abordava os seguintes conceitos: Centro de Massa e Momento Linear, Cinemática e Dinâmica das Rotações, Equilíbrio e Elasticidade, Gravitação e Fluidos (capítulos 9 a 14 do livro texto).
As aulas da disciplina foram disponibilizadas duas vezes por semana. A cada aula os alunos receberam dois textos, disponibilizados na Ferramenta Leituras, como mostrado na Figura 01: o primeiro servia como um roteiro de estudo. Nele, foi feita uma pequena introdução sobre o assunto que era estudado na aula, eram apresentados os objetivos que se pretendia atingir e o que o aluno deveria fazer para alcançar esses objetivos (as seções e os problemas resolvidos que deveria estudar) e uma série de exercícios propostos. No segundo texto sempre era feita uma revisão da aula anterior. Nela todos os exercícios propostos eram resolvidos detalhadamente e uma nova série de exercícios era indicada para fixação do conteúdo (MARQUES, 2010).
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Figura 01: Visão parcial de uma Agenda com as duas Leituras.
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Física Geral II articulava teoria e prática (atividades experimentais) fazendo uso permanente do laboratório montado em cada polo de apoio presencial, como proposto pelo MEC. Estas atividades experimentais, realizadas em cada pólo, eram de responsabilidade do tutor presencial - um profissional treinado especificamente para essa finalidade. Para alguns experimentos foram desenvolvidos os roteiros e em outros utilizamos os roteiros que acompanham os instrumentos utilizados. Durante o semestre foram realizados os seguintes experimentos: 1) Colisões Elásticas e Inelásticas. 2) Rotações: Cinemática e Dinâmica . 3) Fluídos. Cabe como ressalva destacar que as atividades experimentais foram avaliadas pelo professor da disciplina e não pelo tutor a distância.
Todas as atividades desenvolvidas pelo aluno sejam elas feitas de forma presencial ou à distância, foram consideradas na avaliação. O peso das avaliações presenciais foi sempre superior a 50%, conforme a legislação vigente. Em nosso caso, o peso da avaliação presencial foi de 70% (que foi avaliada pelo professor da disciplina). No restante da avaliação levamos em consideração os trabalhos individuais, as listas de exercícios e outras atividades desenvolvidas utilizando as ferramentas do ambiente TelEduc (Bate-papos, Fóruns de Discussão, etc) que foram avaliadas pelo tutor a distância. As notas finais da disciplina Física Geral II foram compostas de acordo com as regras utilizadas na UNIFEI.
Para a composição das notas, foram avaliadas as seguintes atividades: uma Prova Escrita Presencial, Listas de Problemas, Fóruns de Discussão e Bate-Papos Avaliativos. As Provas Escritas Presenciais foram realizadas nos Polos de Apoio Presencial. As Listas de Problemas foram disponibilizadas com data marcada para serem entregues nos Polos ou disponibilizadas nos Portfólios individuais de cada aluno (disponibilizado somente aos Formadores). Os Fóruns de Discussão foram semanais e abordam conceitos discutidos nas aulas. Os Bate-Papos Avaliativos foram realizados ao final da discussão de cada capítulo do livro texto.
Nas sessões de Bate-papos, mostrada na Figura 02, o intuito é debater assuntos referentes aos capítulos estudados em Física, de modo a criar um
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ambiente propício para discussões. São realizados aos términos dos capítulos, com duração aproximada de uma hora e se realiza geralmente duas ou três vezes por mês, dependendo do tempo gasto nos conteúdos abordados nos capítulos. Analisávamos a teoria dada no capítulo da disciplina e interagíamos de modo a diversificar a aprendizagem.
Figura 02: Bate-papos avaliativos realizados em Física Geral II
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Nos Fóruns de Discussão, mostrados na Figura 03, trabalhamos com questões referentes aos conceitos abordados no conteúdo programático da disciplina. As questões eram disponibilizadas pelo professor e abordavam conceitos relevantes ao assunto discutido. Os Fóruns foram realizados semanalmente e os alunos tiveram um prazo de uma semana para apresentarem suas respostas, dentro dos seus respectivos portfólios e compartilhado somente com os formadores. Na semana seguinte aos Fóruns havia as Análises destes, ou seja, as respostas dadas pelos alunos eram disponibilizadas a todos de modo a promover um objetivo específico: o diálogo entre os alunos referentes às respostas das questões apresentadas. Criava-se um ambiente de diálogo, para que as respostas dadas por todos fossem um caminho de discussões a respeito do assunto e assim promover o conhecimento de forma dinâmica e independente.
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Figura 03: Fóruns de Discussão realizados em Física Geral II .
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Quanto às listas de exercícios, eram disponibilizadas, pelo professor da disciplina, uma por cada capítulo e os alunos tinham um prazo de uma semana para responder e enviar ao tutor a distância para correção ou postar no seu respectivo portfólio (compartilhado somente com os formadores), conforme Figura 04 abaixo. Os problemas propostos das listas eram para avaliar o conhecimento do assunto ministrado, relevante para apoiar juízos de valor sobre o objeto avaliado. De acordo com as respostas apresentadas, avaliava o grau de conhecimento que o aluno adquiriu durante a realização da atividade e nos comentários deixados no ambiente, apresentava ao aluno os pontos em que eram necessárias melhorias.
Figura 04: Visão parcial de uma Agenda com uma Lista de Exercício.
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## Resultados
Nos Fóruns de Discussão, a participação dos alunos era positiva, apresentavam as respostas dentro do prazo estimado e tinham conhecimento dos conceitos físicos abordados. Na correção, feita pelo tutor a distância, percebíamos que os alunos eram diretivos nas respostas o que muitas vezes acarretava uma falta de conhecimento do assunto para poder explanar melhor suas respostas. Após a correção, o tutor deixava no ambiente, também dentro do seu Portfólio (compartilhados com todos) as respostas das questões. De acordo com a Figura 2 acima, percebemos que foram poucos acessos na atividade. Os alunos correspondiam à atividade proposta, embora a participação pudesse ser mais expressiva, já que o propósito era alcançar o maior número possível de alunos, para produzir uma discussão qualitativa.
Quanto aos Bate-Papos realizados, havia discussão por parte deles, era construído neste ambiente um espaço dinâmico e interativo para promover conhecimento, mas havia poucos alunos participativos. De início, o tutor propunha uma ou mais questões do capítulo e modo a explorar o conteúdo de forma teórica, a buscar conceitos dos alunos. Assim, de acordo com as respostas por parte deles, a discussões ganhavam dimensões maiores. O diferencial deste ambiente de estudo é a comunicação entre os alunos, ou seja, havia concordâncias e discordâncias entre eles quanto às respostas das questões e assim fazíamos junto um ambiente acolhedor. O interessante era que todas as respostas eram formuladas no coletivo, em comum acordo e assim os assuntos da Física eram permeados. O ponto a trabalhar no sentido de obter melhores resultados seria a participação em maior número por parte dos alunos.
A não participação dos alunos nos Bate-Papos pode ser pensada em dois pontos: primeiro porque a atividade era extra, segundo porque muitos não podiam participar devido à incompatibilidade dos horários, pois além de cursarem a disciplina tinham seus trabalhos diários a realizar, embora buscamos um horário que atendesse a maioria dos alunos de maneira democrática.
E como composição final da nota, havia as listas de exercícios. A participação dos alunos era maior que as atividades anteriores, ou seja, havia uma frequência muito boa de entrega das listas resolvidas e por análise das respostas percebíamos que os mesmos sabiam do que estavam escrevendo.
## Comentários Finais
O espaço EaD é um ambiente de interações e de aprendizagem colaborativa, sendo seus ferramentais propícios para a construção do conhecimento. Neste ambiente, a disciplina de Física II foi exposta com clareza e objetividade e as respostas dos alunos perante isso foi em linhas gerais dentro da perspectiva esperada. Algumas dificuldades no início a adequar-se ao ambiente, em interagir com as ferramentas e entender o propósito da disciplina. Passado este ponto inicial, o curso desenvolveu de maneira diretiva, com um entendimento claro por parte dos alunos e assim o ambiente foi sendo construído.
Os tutores também puderam conhecer melhor o ambiente e os desafios reais do EaD. O tutor é o agente motivador que irá acompanhar e avaliar o aprendizado do aluno durante todo o processo, assumindo características inerentes à sua função; deve lidar com os ritmos individuais de cada aluno, com os instrumentos de avaliação e acompanhar diariamente o acesso dos alunos ao ambiente. Estar preparado para apontar soluções, para interagir com o aluno de
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modo a apontar nos alunos, suas habilidades para a construção de conhecimentos sólidos.
Os pontos positivos aqui mencionados devem servir de base para outros cursos de modo que o espaço seja dinâmico e interativo, já os pontos negativos apontados devem ser caminhos de reflexão de modo que possamos juntos construir um espaço que seja acolhedor e de igual importância a todos no sentido de difundir conhecimento. Acreditamos que motivação é o ponto a ser trabalhado com os alunos, de modo a mostrar a cada um o potencial que possuem no sentido de ser um difusor de conhecimento dentro de qualquer processo educacional.
Acreditamos que o processo ensino-aprendizagem de física é afetado pela participação do tutor, pois é ele o intermediador entre o conteúdo discutido e o aluno. A sua participação é fundamental em auxiliar o aluno a vencer as dificuldades na compreensão e resolução dos conceitos físicos aplicados nas atividades desenvolvidas na disciplina. Uma discussão formal com maior profundidade entre a ligação das atividades de tutoria com o ensino de física especificamente não foi realizada, pois estamos aprendendo sobre o processo durante a sua criação e execução. Em perspectivas futuras, devemos seguir nesta direção, pois o ambiente é difusor de saber ao mesmo tempo em que devemos dirigir esforços para o seu desenvolvimento em todos os sentidos.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Referênciais de qualidade para educação superior a distância. 2007. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seed/indexar?option=com\_content&task=view&id=248& Itemid=426> Acesso em: 20 ago 2010.
CAETANO, T.C. e FRANK JUNIOR, M.R., A visão dos tutores de licenciatura em física, modalidade à distância, da Universidade Federal de Itajubá - MG, SNEF 2009, Vitória, ES.
GOULART et al. Pedagogia e educação a distância. Disponível em: <http://www.utp.br/mestradoemeducacao/pubonline/goulartart.html>. Acesso em 16 ago 2010.
LITTO, F. et al, O Estado da Arte - Educação à Distância.
MACHADO, Lilian Dias; MACHADO, Elian de Castro. Papel da tutoria em Ambientes de EaD. Disponível em : http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm. Acesso em 22 ago 2010.
MARQUES, et al., As disciplinas iniciais Física Geral I, II e II de um Curso de Licenciatura em Física, modalidade à distância, ENAD 2009, Cuiabá, MT.
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SILVA, et al., As disciplinas iniciais de física geral no curso de licenciatura em física, modalidade à distância, da Universidade Federal de Itajubá - MG, SNEF 2009, Vitória, ES.
SOUZA et al., Tutoria na Educação a Distância. Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/088-TC-C2.htm>. Acesso em: 18 Ago 2010.
http://uab.pti.org.br/ Acesso em: 02/09/2010.
http://www.ead.unifei.edu.br/arquivos/editalTutoriaUab/EDITAL\_001 2009\_Selecao\_tutores.pdf. Acesso em: 02/09/2010
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.