Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DE FÍSICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO USO DE UM BLOG

Anderson Coser Gaudio, Claudia Broetto Rossetti

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
04/02/2011
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2011

Texto completo

## NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DE FÍSICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO USO DE UM BLOG

## Anderson Coser Gaudio 1 , Claudia Broetto Rossetti 2

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo/CCE/Departamento de Física, acgaudio@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Espírito Santo/CCHN/Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento, cbroetto.ufes@gmail.com

## Resumo

Este trabalho consiste num relato de experiência sobre o uso de um blog como recurso didático em aulas de Física. O blog foi utilizado na disciplina de Física OC1 do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo, no semestre 2008/2. O funcionamento do blog consistiu em perguntas sobre Física Conceitual propostas pelo professor, que eram respondidas pelos alunos. Cada resposta correta dava ao seu autor a premiação de 0,1 ponto a ser acrescido em sua próxima prova escrita. Foram computados diversos parâmetros que revelaram o grau de participação dos alunos. Além disso, parte dos alunos que participaram da experiência do blog respondeu a um questionário sobre aspectos variados da experiência, o que nos permitiu avaliar de maneira mais consistente a sua validade. De maneira geral, os resultados mostraram que, de diversas maneiras, a atividade foi válida e relevante. Do ponto de vista do professor, constituiu um exercício de utilização das novas tecnologias e da internet em especial, a favor da prática e da fixação do conteúdo ministrado. Do ponto de vista dos alunos, a experiência parece ter sido positiva, tendo em vista que a maioria deles acredita que o blog foi importante no aprendizado dos conteúdos ministrados na disciplina Física OC1. Além disso, a maioria dos alunos gostaria que outros professores também utilizassem blogs em suas disciplinas.

Palavras-chave : tecnologias, ensino, Física, internet, blog

## Introdução

As Tecnologias de Informação e Comunicação, também chamadas 'novas tecnologias', compreendem um conjunto de recursos que têm por base o uso do computador e da Internet. No âmbito do ensino de Ciências Naturais e, particularmente, no ensino de Física, os recursos relacionados à informação mais utilizados são o hipertexto com figuras, esquemas e gráficos, as animações e as simulações computadorizadas, os filmes e os recursos sonoros. No que diz respeito à comunicação, é mais comum o uso de correio eletrônico, de fóruns de discussão e de blogs.

A idéia do uso das novas tecnologias no ensino não é recente e remonta à época da ascensão do computador ao status de ferramenta de uso pessoal, na década de 1980 (MEDEIROS; MEDEIROS, 2002; FIOLHAIS; TRINDADE, 2003). Desde então, os desenvolvimentos observados na área de informática provocaram aumento sensível da utilização do computador na educação, bem como uma evolução na metodologia relacionada ao seu uso. Atualmente, o computador é amplamente utilizado em todas as áreas do ensino. No caso particular da Física, os modos principais de utilização do computador consistem em aquisição de dados experimentais em laboratório, modelagem e simulação, multimídia, realidade virtual e internet (FIOLHAIS; TRINDADE, 2003; SOLANO; VEIT, 2004).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Nos últimos anos uma nova ferramenta relacionada à tecnologia de informação e comunicação vem sendo utilizada como recurso pedagógico em sala de aula: o weblog, ou simplesmente, blog. Os blogs surgiram no início da década de 1990 e consistem em uma página pessoal na internet onde são publicados textos variados, como opiniões sobre assuntos diversos, descrição de eventos e outros conteúdos como áudio e vídeo. Cada texto publicado pelo autor do blog é chamado de post, ou postagem. A maioria dos blogs permite que o visitante, ou internauta, expresse sua opinião sobre cada postagem por meio de comentários. Muitos blogs exibem conteúdo de natureza estritamente pessoal, na maioria das vezes descrevendo o dia-a-dia de adolescentes. Outros apresentam conteúdo voltado para determinado assunto, como esporte, política, economia, etc. Dentre estes, muitos são mantidos por profissionais respeitados em suas áreas e, nestes casos, os blogs transformam-se em verdadeiros canais formadores de opinião.

Os blogs educacionais formam outro segmento que agrega inúmeros sítios da internet, sendo que os conteúdos são os mais diversos, abrangendo praticamente todas as áreas de conhecimento. No entanto, o leitor desses conteúdos deve ficar alerta quanto à precisão e à veracidade das informações veiculadas nesses blogs, pois praticamente qualquer tipo de informação pode ser publicada neles.

O uso de blogs como ferramenta educacional em sala de aula é muito recente. Uma busca em livrarias virtuais identificou pouco mais de meia dúzia de títulos dedicados ao uso de blogs em educação, sendo que os mais antigos foram publicados em 2007 (GREEN; BROWN; ROBINSON, 2007; SOLOMON; SCHRUM, 2007; RICHARDSON, 2008; HENDRON, 2008). No caso de artigos científicos indexados, a situação também não é diferente. Buscas realizadas no Scielo e no Web of Science foram capazes de identificar pouco mais de duas dezenas de artigos sobre o assunto, sendo que o mais antigo é de 2005. As áreas de conhecimento que mais aparecem quando o assunto é o uso de blogs em educação são: artes (FARMER; YUE; BROOKS, 2008), enfermagem (MAAG, 2005), ensino à distância (KERAWALLA; MINOCHA; KIRKUP et al ., 2009), fisioterapia (LADYSHEWSKY; GARDNER, 2008), línguas (DUCATE; LOMICKA, 2005; ELOLA; OSKOZ, 2008; YANG, 2009), matemática (FESSAKIS; TATSIS; DIMITRACOPOULOU, 2008; MAKRI; KYNIGOS, 2007), medicina (SÉ; PASSOS; ONO et al. , 2008; SANDARS, 2006; FUNG; TIHAN, 2009) e odontologia (TANTAWI; MAHA, 2008). Além disso, foram localizados apenas dois artigos de revisão sobre o assunto (MCGEE; BEGG, 2008; BOULOS; WHEELER, 2007).

Em relação à Física, a situação não é das melhores. Embora seja relativamente fácil localizar blogs sobre Física na internet, o mesmo não ocorre em relação a artigos em revistas indexadas que tratem de experiências sobre o uso de blogs no ensino de Física. Até onde foi possível averiguar, apenas um artigo foi identificado sobre esse assunto (DUDA; GARRETT, 2008). Neste trabalho, dois grupos de estudantes, um que participou de uma experiência com o uso de blog e outro que não participou, foram acompanhados durante quatro semestres. O experimento foi levado a cabo nas disciplinas introdutórias do curso de Física da Creighton University, Nebraska, USA. A principal conclusão a que se chegou é que o primeiro grupo demonstrou mais interesse pela Física e suas aplicações no mundo moderno do que o segundo, além de obter maior rendimento médio nas provas aplicadas ao longo do tempo em que o experimento ocorreu.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Nesse contexto, objetivo do presente trabalho é relatar a experiência do uso de um blog como recurso didático em sala de aula, em uma disciplina de Física básica do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo.

## Por que criar um Blog?

A disciplina Física OC1 para o curso de Oceanografia é ofertada semestralmente pelo Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A ementa dessa disciplina é equivalente à da Física I dos cursos de Física e Engenharias. No entanto, o conteúdo programático é de natureza conceitual, como sugeriu a coordenação do curso de Oceanografia da UFES. Portanto, não deve fazer parte de seu conteúdo programático a resolução de problemas de Física, mas sim a discussão qualitativa dos conceitos, dos princípios e das leis da Física, sempre relacionando esses conteúdos às situações do dia-a-dia, às aplicações tecnológicas e aos assuntos ligados ao curso de Oceanografia.

No início dos trabalhos do semestre 2008/2, houve alguma preocupação quanto ao interesse que poderia ser despertado nos alunos de Oceanografia caso apenas métodos tradicionais fossem utilizados, como por exemplo, aulas expositivas seguidas de prova escrita. Essa preocupação frequentemente vem à mente do professor de Física ao trabalhar com turmas de outras áreas que não Física e Engenharias. Assim, nasceu a idéia de utilizar como recurso didático auxiliar algo relacionado com as novas tecnologias. O uso de um blog para esse fim pareceu ser a melhor opção devido à identificação que os jovens universitários possuem com as ferramentas de relacionamento interpessoal disponíveis na internet. O mecanismo de uso do blog como recurso didático seria baseado em perguntas formuladas pelo professor a serem respondidas pelos alunos. É claro que para isso os alunos teriam à sua disposição todo o universo de informações, boas, ruins e inócuas, proporcionado pelo acesso à internet. Portanto, na visão do professor, não haveria forma mais confortável do aluno estudar Física conceitual do que por meio da ferramenta mais utilizada pelos jovens da atualidade, ou seja, um computador conectado à internet. No caso particular dos alunos da disciplina em questão, foi verificado que todos possuíam computador com acesso à internet em casa.

Dessa maneira, com o objetivo de colocar à disposição dos alunos da disciplina Física OC1 uma ferramenta com a qual a maioria deles tem intimidade, para auxiliar seus estudos de Física, o blog foi criado em Setembro de 2008 (GAUDIO, 2008). Optou-se pelo serviço oferecido pelo site Blogger que, como a maioria dos serviços de blog, reserva ao administrador a prerrogativa de moderação dos comentários, a exigência ou não de senhas para postagem de conteúdos, a exclusão de conteúdos já postados, e outras mais. A única prerrogativa que o administrador não possui é a de editar o conteúdo de postagens feitas pelos usuários do blog, o que é aceitável.

O título escolhido para o blog foi 'Prof. Anderson'. Como há necessidade de um texto para explicar a natureza e os objetivos dos assuntos tratados no blog, foi acrescentado o seguinte texto para os visitantes:

'Este blog foi criado com o objetivo de discutir questões de Física enfrentadas por alunos de graduação da área de ciências exatas. As questões propostas foram extraídas de diversos livros de física de nível universitário. Leia o enunciado, faça

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

uma pesquisa sobre o assunto e tente responder às questões. Não serão aceitas respostas escritas total ou parcialmente com o uso de 'internetês''.

Nesse texto não há qualquer menção ao fato do blog ter sido construído para os alunos da oceanografia. Nem sequer foi cogitada a possibilidade de restringir o acesso de outras pessoas, tanto para leitura quanto para postagens. Na verdade, assim foi feito devido à curiosidade em saber se haveria participação espontânea de outras pessoas em relação às postagens.

Próximo ao campo onde os alunos postavam suas respostas havia o

texto:

'Tente responder às questões propostas e, dessa forma, expandir a compreensão do assunto abordado. Não se esqueça de se identificar. Comentários anônimos serão removidos.'

Além do contato em sala de aula, havia uma conta de correio eletrônico criada para divulgar os assuntos de interesse da turma. Todos os alunos podiam enviar e receber mensagens por meio dessa conta. Assim, esse foi o canal de comunicação com a turma sobre todos os assuntos envolvendo o blog, tais como respostas aceitas, recusadas e respectivos comentários.

## Metodologia

Aproximadamente a cada semana era depositado no blog um conjunto de questões de Física, em número de cinco a dez, referentes aos assuntos discutidos em sala de aula. Os alunos eram notificados da disponibilidade de novas questões no blog por correio eletrônico, através da conta conjunta, e por aviso oral em sala de aula. Cada questão era identificada com um rótulo em negrito, que chamava a atenção para o conteúdo da mesma. O enunciado era apresentado logo abaixo do rótulo. Como exemplo, uma das primeiras questões propostas no blog tinha o conteúdo exibido no Quadro 01.

Quadro 01: Exemplo de questão proposta pelo professor no blog. O rótulo em negrito chama a atenção do leitor para o conteúdo da questão.

## 'Freqüência de rádios FM'

'Uma estação de rádio anuncia que ela está em 89,5 na faixa de FM. O que esse número significa?'

Os alunos interessados em responder uma questão o faziam por meio do envio de um comentário, que chamaremos postagem, para o blog. Todas as postagens eram redirecionadas para a conta pessoal de correio eletrônico do professor administrador do blog, onde aguardavam moderação. Após a leitura de cada postagem, o professor decidia se a mesma seria aceita ou recusada. No caso de aceite, a postagem era publicada no blog, o resultado da moderação era encaminhado para a conta de correio eletrônico da turma e o aluno era premiado com o acréscimo de 0,1 ponto à nota de sua próxima prova parcial. No caso de haver duas ou mais postagens corretas para a mesma questão, a premiação seria atribuída ao autor que houvesse enviado sua resposta antes das demais. Em caso de recusa, o professor encaminhava para o correio eletrônico da turma o resultado da moderação, o enunciado da questão, a resposta dada pelo aluno e, quando a resposta dada estivesse próxima à resposta correta, o motivo da recusa por parte do

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

professor. Dessa forma, todos os alunos podiam acompanhar o esforço de seus colegas para tentar responder às questões.

É interessante notar que esse procedimento logo revelou uma falha. Alguns alunos ficavam à espera das mensagens de recusa das postagens de seus colegas para, baseados no comentário emitido pelo professor, rapidamente tentar corrigir o erro cometido e assim ganhar a nota pela resposta correta. Essa manobra foi corrigida retardando-se por alguns dias a moderação de todas as postagens relativas a respostas recusadas, pois foi entendimento do professor que o autor da primeira postagem teria prioridade de réplica; uma vantagem devida ao seu esforço por tentar responder à questão.

Dessa forma, o autor original teria algum tempo para refazer sua postagem e, assim, ter a chance de acertar a resposta. Caso o autor original não refizesse sua postagem nesse intervalo de tempo ou caso sua nova postagem fosse recusada, então as outras postagens referentes ao mesmo assunto seriam consideradas. Logo ficou claro que esse procedimento também deveria ser corrigido, pois alguns alunos passaram a tentar responder com grande rapidez às questões, especialmente as consideradas mais fáceis, quase sempre com argumentos absurdos, para ganhar a prioridade de réplica e, dessa forma, reservada a questão para si, ter mais tempo e conforto para tentar encontrar a resposta correta. A nova correção introduzida pelo administrador foi que apenas teria direito de réplica os autores de postagens cujo conteúdo estivesse bem próximo à resposta correta. Por esse motivo, somente postagens desse tipo passaram a receber comentários do professor.

Houve outra situação que necessitou de mais uma correção. Os alunos mais interessados no blog, que por um motivo ou outro conseguiam se organizar melhor, acabavam dominando o blog, ou seja, praticamente respondiam quase que imediatamente a todas as questões mais fáceis e deixavam as mais difíceis para os demais alunos que, além de não conseguirem respondê-las, começaram a perder interesse pelo blog. Neste caso, a solução encontrada foi a possibilidade de serem aceitas complementações às respostas das questões já respondidas. Isso poderia ser feito de duas formas. A primeira seria postando um adendo que melhorasse a compreensão da resposta já dada ou que lhe acrescentasse um caminho alternativo para a sua compreensão. A segunda seria por meio de exemplos de aplicações práticas relacionadas ao assunto das questões.

Após o término da disciplina Física OC1, a maioria dos alunos que participou da experiência do Blog respondeu a um questionário de avaliação da atividade, contendo 15 questões de múltipla escolha. Assim, dos 42 alunos originalmente matriculados na disciplina, 34 opinaram sobre diversas questões referentes à experiência do uso do blog.

## Resultados e Discussão

As duas semanas iniciais de funcionamento do blog foram um período de adaptação tanto para o professor quanto para os alunos. Isso se deveu à inexperiência do professor em utilizar e administrar um blog como recurso didático. Na verdade, o professor nunca havia lidado com um blog seja para este ou qualquer outro fim. Foi nesse período que houve necessidade de fazer as correções citadas na seção Metodologia. Após essas correções, que foram bem recebidas pelos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

alunos, podemos dizer que o blog entrou numa espécie de regime estacionário, em que o sistema passou a funcionar com relativa tranqüilidade.

No primeiro mês foram propostas 29 questões sobre medição, movimento em duas e três dimensões e leis de Newton; no segundo mês, 16 questões sobre trabalho, energia mecânica e conservação da energia e no terceiro mês, 18 questões sobre centro de massa, dinâmica dos corpos rígidos, colisões e conservação do momento linear. Apesar de os capítulos sobre rotação, torque e momento angular terem sido objeto de estudo em sala de aula, eles não foram assunto de questões no blog. Talvez o motivo para isso tenha sido o cansaço do professor em relação ao trabalho de manutenção do blog e a falta de tempo comum no final de todo semestre letivo. Quanto à participação no blog de pessoas externas, o resultado foi desprezível. Houve apenas duas postagens identificadas com pseudônimos esdrúxulos, com respostas incorretas, e que foram recusadas de pronto. Assim, somente as atividades envolvendo os alunos do curso de Oceanografia foram contabilizadas e são mostradas no Quadro 02.

Quadro 02: Números envolvendo a atividade do blog no semestre 2008/2.

O primeiro dado que se destaca é a proporção dos alunos que efetivamente postaram no blog em relação ao total de alunos (apenas 38%). É provável que muitos alunos tenham desistido de participar do blog quando perceberam a dificuldade em ter suas respostas aceitas. Em relação a isso, o Quadro 2 mostra que, em média, foram necessárias cerca de quatro postagens para que uma fosse aceita. Outros alunos podem não ter participado com receio de expor suas deficiências quanto aos conhecimentos de Física ou quanto ao uso correto da escrita (ver Sobre a correção gramatical das postagens, adiante).

A distribuição do número de alunos em relação ao número de postagens aceitas pode ser vista na Figura 01. Essa distribuição mostra que cerca da metade dos alunos que postaram no blog (sete alunos) conseguiu ter aceita apenas uma postagem, enquanto que 75% dos alunos que postaram (12 alunos) conseguiram ter aceitas entre uma e três postagens. Entretanto, um dado relevante é que 60% das postagens aceitas (30 postagens) foram feitas por apenas 25% dos alunos (quatro alunos).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Figura 01: Distribuição do número de alunos por quantidade de postagens aceitas.

<!-- image -->

Desde a concepção do blog, ficou decidido que as postagens dos alunos deveriam ser feitas em português gramaticalmente correto ou, pelo menos, o mais correto possível. Na verdade, o que se pretendia com isso não era um vocabulário erudito, mas sim evitar o uso da linguagem usual da internet, ou "internetês", bem como o uso de linguagem coloquial nas postagens. Tendo-se em vista o hábito dos jovens utilizarem esse tipo de comunicação escrita em ambientes virtuais, já era previsto o empecilho que isso poderia representar para boa parte dos alunos. Esse problema foi discutido intensamente em sala de aula. Sempre com várias objeções por parte dos alunos, o professor ressaltou a importância dos alunos de nível universitário serem capazes de fazer uso do vernáculo. Em relação a esse assunto, os alunos mostraram alto grau de maturidade. Ao final do semestre, a enquete mostrou que 88% dos alunos consideraram correta a exigência de escrever textos gramaticalmente corretos. Apenas 9% acharam a exigência incorreta, enquanto que 3% não opinaram.

O que ocorreu de fato ficou muito aquém das expectativas. Das 215 postagens feitas pelos alunos, apenas 16 (7%) foram recusadas exclusivamente por motivo de erro gramatical importante. Além destas, outras sete foram recusadas por causa de erros gramaticais associados ao uso de linguagem confusa e, finalmente, outras cinco foram recusadas por causa de erro gramatical associado à resposta incorreta da questão. Isso significa que apenas 13% do total de postagens foram recusadas tendo como motivo principal ou secundário a ocorrência de erros gramaticais. Sobre este assunto, o resultado da enquete foi concordante. À pergunta 'Até que ponto você julga que a exigência de escrever textos gramaticalmente corretos interferiu na sua participação no blog?', 59% foram de opinião que foi indiferente, enquanto que 24% acharam que atrapalhou pouco. As demais respostas foram: atrapalhou muito: 6%; ajudou pouco: 6% e; ajudou muito: 6%.

A análise do questionário respondido pelos participantes também revelou que, para 100% dos respondentes, esta foi a primeira vez que algum professor utilizou um blog como recurso didático. Este resultado é consistente com o fato de não termos encontrado um relato sequer de uso de blog em aulas de Física que tenha sido publicado em revista nacional indexada. Outra conclusão interessante refere-se à importância do blog para a aprendizagem dos conteúdos ensinados na disciplina Física OC1, durante o semestre em questão; 56% dos alunos consideraram importante, 32% indiferente, 6% muito importante, 3% quase nula e 3% nula. No entanto, quando perguntados sobre a importância do blog no

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

aprendizado da disciplina Física OC2, no semestre seguinte, o resultado foi: 40% consideraram indiferente, 30% importante, 27% nula e 3% quase nula. Finalmente, foi perguntado se os alunos gostariam que outros professores também utilizassem blogs em suas disciplinas de graduação. O resultado foi: 62% gostariam, 18% não gostariam e 20% não tinham opinião formada sobre o assunto.

## Considerações finais

O relato sistematizado desta experiência do uso de um blog como recurso auxiliar no ensino de Física mostrou que, de diversas maneiras, a atividade foi válida e relevante. Do ponto de vista do professor, constituiu um exercício de utilização das novas tecnologias e da internet em especial, a favor da prática e da fixação do conteúdo ministrado. Do ponto de vista dos alunos, a experiência parece ter sido positiva, tendo em vista que a maioria deles acredita que o blog foi importante no aprendizado dos conteúdos ministrados na disciplina Física OC1. Além disso, de acordo com as respostas do questionário aplicado, a maioria dos alunos gostaria que outros professores também utilizassem blogs em suas disciplinas.

Por tratar-se de experiência nova e bastante inédita, como pode ser visto na revisão da literatura realizada, é esperado que nem tudo seja isento de falhas e que ajustes precisem ser feitos. É natural que correções e melhorias ocorram em uso futuro de blogs no ensino de Física, sobretudo em relação à metodologia utilizada, uma vez que ainda não há consenso no que diz respeito ao uso destas novas tecnologias como ferramentas auxiliares do processo de ensino e aprendizagem.

## Agradecimentos

Agradecemos aos alunos do curso de Oceanografia da UFES que participaram da experiência do blog na disciplina de Física OC1 no semestre 2008/2.

## Referências

ARAUJO, I.S.; VEIT, E.A. Uma revisão da literatura sobre estudos relativos a tecnologias computacionais no ensino de Física. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , São Paulo, v. 4, n. 3, p. 5-18, 2004.

BOULOS, M.N.K.; WHEELER, S. The emerging Web 2.0 social software: an enabling suite of sociable technologies in health and health care education. Health Information and Libraries Journal , Malden, v. 24, n. 1, p. 2-23, fev. 2007.

DUCATE, L.C.; LOMICKA, L.L. Exploring the Blogosphere: Use of Web Logs in the Foreign Language Classroom. Foreign Language Annals , Malden, v. 38, n. 3, p. 410-421, out. 2005.

DUDA, G.; GARRETT, K. Blogging in the physics classroom: A research-based approach to shaping students' attitudes toward physics. American Journal of Physics , Michigan, v. 76, n. 11, p. 1054-1065, nov. 2008.

EL TANTAWI, M.M.A.; MAHA, M.A. Evaluation of a Blog Used in a Dental Terminology Course for First-Year Dental Students. Journal of Dental Education , Washington, D.C., v. 72, n. 6, p. 725-735, jun. 2008.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- ELOLA, I.; OSKOZ, D A. Blogging: Fostering Intercultural Competence Development in Foreign Language and Study Abroad Contexts. Foreign Language Annals, Malden , v. 41, n. 3, p. 454-477, fall. 2008.
- FARMER, B.; YUE, A.; BROOKS, C. Using blogging for higher order learning in large cohort university teaching: A case study. Australasian Journal of Educational Technology , Dickson, v. 24, n. 2, p. 123-136, fev. 2008.
- FESSAKIS, G.; TATSIS, K.; DIMITRACOPOULOU, A. Supporting 'Learning by Design' Activities Using Group Blogs. Educational Technology &amp; Society , Athabasca, v. 11, n. 4. p. 199-212, out. 2008.
- FIOLHAIS, C.; TRINDADE, J. Física no Computador: O Computador como uma Ferramenta no Ensino e na Aprendizagem das Ciências Físicas. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 25, n. 3, p. 259-272, set. 2003.
- FUNG, K.M.; TIHAN, T. Internet and World Wide Web-Based Tools for Neuropathology Practice and Education. Brain Pathology , Malden, v. 19, n. 2, p. 323-331, abr. 2009.
- GAUDIO, A.C. Prof. Anderson . 2008. Disponível em &lt; http://acgaudio.blogspot.com/&gt;. Acessado em 30/09/2010.
- GREEN, T.D.; BROWN, A.H.; ROBINSON, L.K. (Eds), Making the Most of the Web in Your Classroom: A Teacher's Guide to Blogs, Podcasts, Wikis, Pages, and Sites . Thousand Oaks: Corwin Press, 2007.
- HENDRON, J.G. RSS for Educators: Blogs, Newsfeeds, Podcasts, and Wikis in the Classroom . Washington D.C.: International Society for Technology in Education, 2008.
- KERAWALLA, L.; MINOCHA, S.; KIRKUP, G.; CONOLE, G. An empirically grounded framework to guide blogging in higher education. Journal of Computer Assisted Learning , Malden, v. 25, n. 1, p. 31-42, fev. 2009.
- LADYSHEWSKY, R.K.; GARDNER, P. Peer assisted learning and blogging: A strategy to promote reflective practice during clinical fieldwork. Australasian Journal of Educational Technology , Dickson, v. 24, n. 3, p. 241-257, mar. 2008.
- MAAG, M. The Potential Use of "Blogs" in Nursing Education. CIN: Computers, Informatics, Nursing . Philadelphia, v. 23, n. 1, p.16-24, jan./fev. 2005.
- MAKRI, K.; KYNIGOS, C. The Role of Blogs In Studying The Discourse And Social Practices of Mathematics Teachers. Educational Technology &amp; Society , Athabasca, v. 10, n. 1, p. 73-84, jan. 2007.
- MCGEE, J.B.; BEGG, M. What medical educators need to know about 'Web 2.0'. Medical Teacher , Dundee, v. 30, n. 2, p. 164-169, jan. 2008.
- MEDEIROS, A.; MEDEIROS, C.F. Possibilidades e Limitações das Simulações Computacionais no Ensino da Física. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 24, p. 77-86, jun. 2002.
- RICHARDSON, W. Blogs, Wikis, Podcasts, and Other Powerful Web Tools for Classrooms . Thousand Oaks: Corwin Press, 2008.
- SANDARS, J. Twelve tips for using blogs and wikis in medical education Medical Teacher , Dundee, v. 28, n. 8, p. 680-682, jan. 2006.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

SÉ, A.B.; PASSOS, R.M.; ONO, A.H.; HERMES-LIMA, M. The use of multiple tools for teaching medical biochemistry. Advances in Physiology Education , Bethesda, v. 32, n. 1, p. 38-46, mar. 2008.

SOLOMON, T.G.; SCHRUM, L. Web 2.0: New Tools, New Schools . Washington D.C.: International Society for Technology in Education, 2007.

YANG, S.H. Using Blogs to Enhance Critical Reflection and Community of Practice. Educational Technology &amp; Society , Athabasca, v. 12, n. 2, p. 11-21, abr. 2009.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.