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AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM PARA APOIO AO ENSINO DE ELETRICIDADE PARA O ENSINO MÉDIO

Alessandro M. Deana, Alexandre A. Mesquita, Yordan Leal, Felipe A. Finelli, Andriellen Medeiros, Sidnei A. De Araujo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
04/02/2011
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM PARA APOIO AO ENSINO DE ELETRICIDADE PARA O ENSINO MÉDIO

Alessandro M. Deana 1 , Alexandre A. Mesquita , Yordan Leal , Felipe A. Finelli , 2 3 4 Andriellen Medeiros , Sidnei A. de Araujo 5 6

- 1 Universidade Nove de Julho / Diretoria dos cursos de Informática / amdeana@uninove.com.

## Resumo

Nos cursos de Ensino Médio, a área de Física é de extrema importância para o desenvolvimento da capacidade de análise e resolução de problemas. No entanto, as dificuldades de compreensão e manipulação de conceitos abstratos, apresentadas por boa parte dos alunos fazem com esta disciplina apresente um dos maiores índices de reprovação. Com intuito de amenizar este problema, diversos autores têm proposto soluções baseadas em programas de simulação e animação com o objetivo de estimular e desenvolver a capacidade de raciocínio lógico e abstrato do aluno.

Neste trabalho é apresentada uma proposta de desenvolvimento de um Ambiente Baseado em Aprendizagem Virtual para apoio ao ensino de Eletromagnetismo. Um ambiente composto por diversos módulos cujo objetivo é propiciar a realização de simulações virtuais relacionadas a temas da área de Física aplicada aos cursos de Ensino Médio, com intuito de auxiliar no processo de ensino e aprendizagem de conceitos teóricos e abstratos abordados em aula.

Palavras-chave : Ambientes virtuais de aprendizagem, simulação virtual, laboratório virtual, raciocínio lógico, auxílio ao ensino, Eletromagnetismo

## Introdução

- O aumento das exigências sobre os sistemas educacionais demanda uma maior integração das novas tecnologias de informação e comunicação, a fim de melhorar a eficiência das ferramentas pedagógicas para se alcançar a formação do indivíduo autônomo (BELLONI, 2005).

Com os avanços tecnológicos, principalmente no que tange aos recursos de multimídia, o computador tem sido cada vez mais utilizado para auxiliar na compreensão e assimilação de informações nas mais diversas áreas do conhecimento (ALMEIDA, 2001; GUEDES, 2004; BELAN, 2005; LIBRANTZ, 2006). Com o uso desta tecnologia, tem-se instalado a terceira geração de Educação a Distância (EAD), caracterizada pelo uso de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), interativos (TORRES, 2009).

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Entretanto, para ser eficaz, tal ambiente precisa ser utilizado como uma ferramenta de interação entre o aluno, o professor e o conhecimento de forma significativa, contextualizada e com objetivos bem definidos (PEQUENO, 2002; GUEDES, 2004; FERNANDES, 2004). A utilização de meios digitais educacionais não significa digitalizar conteúdos prontos e disponibilizar ao aluno para que este realize uma leitura on line . Requer uma reestruturação no modo de pensar e planejar a ação educativa, tomando como foco o aluno e as diferentes formas de aprender. (SIQUEIRA, 2010)

A crescente utilização da Tecnologia da Informação na educação tem motivado o desenvolvimento exponencial de AVAs para simulação de experimentos outrora somente realizados em laboratórios reais devidamente equipados, ou mesmo para visualização de conceitos teóricos apresentados em aula de forma simples e animada, tornando o aprendizado mais atrativo e fazendo com que o conteúdo seja assimilado pelos alunos de forma mais prazerosa. Portanto, os AVAs têm ganhado importância como ferramenta de apoio ao ensino, uma vez que a realização de experimentos ou simulações, de forma virtual, pode auxiliar na elucidação de conceitos teóricos e abstratos muitas vezes pouco compreendidos em aulas presenciais sem apoio de material adequado, potencializando assim o aprendizado.

Um AVA pode ser visto como um ambiente hipermídia na Web composto por um conjunto de simulações, modelagens e visualizações, e é projetado com intuito de oferecer recursos para propiciar a aprendizagem coletiva e individual (ALMEIDA, 2001). Uma das finalidades de um AVA é cumprir alguns dos pressupostos de laboratórios reais e, muito embora não consigam substituí-los, são bastante úteis na realização de experimentos que este último não tenha plenas condições de suprir ou cuja viabilidade possa ser prejudicada por fatores como o tempo dispendido na preparação experimental, o fato de alguns experimentos não poderem ser realizados mais que uma vez em um curto intervalo de tempo, a falta de familiaridade com o procedimento, o custo e a possibilidade de haver riscos na realização de experiências (por exemplo experiências envolvendo altas tensões)

Dentre todos os conhecimentos estudados em Física no Ensino Médio, a Teoria Eletromagnética é uma das disciplinas mais importantes, devido a sua aplicabilidade nos mais diversos campos do conhecimento humano. Entretanto, ainda existe muita dificuldade em relação ao correto entendimento de suas teorias e consequências no cotidiano (DUIT 2005, MCDERMOTT, 1992, ENGERLHARDT, 2004, DORNELES, 2006).

Alguns dos conceitos fundamentais do Eletromagnetismo, como por exemplo, a carga elétrica, os campos elétrico e magnético e a força elétrica, são de difícil visualização pelo aluno e, geralmente, são apresentados na forma de complexos modelos matemáticos. Sem a possibilidade de uma visualização direta pelo aluno, seja por experimentos laboratoriais, seja por observação de eventos do cotidiano, tais conceitos apresentam um elevado grau de dificuldade em sua assimilação.

No ensino de Física, os estudantes frequentemente apresentam uma dificuldade natural e, até mesmo, ojeriza, ao aprendizado de conceitos-chave de Eletromagnetismo e sua usabilidade em situações do dia-a-dia. Várias hipóteses podem explicar tal dificuldade, como: fraco embasamento matemático,

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desvinculação entre a Física estudada e o cotidiano dos estudantes, falta de recursos adequados que estimulem a criatividade e etc. (SANTOS, 2002)

Apesar de possuírem uma visualização relativamente fácil, até mesmo circuitos elétricos simples, como associações de lâmpadas ou resistores, podem se tornar um obstáculo ao aprendizado (DORNELES, 2006). Mapeando as concepções e raciocínios dos alunos a respeito destes conceitos, é possível desenvolver um AVA composto por simulações interativas e textos didáticos que levam em consideração as dificuldades específicas relacionadas a este tópico que, associado ao ensino presencial, potencialize o aprendizado.

Com o avanço tecnológico computacional, os usos de métodos de aprendizado tradicionais tornam-se ineficientes e inadequados (SANTOS, 2002). A demanda por uma solução moderna e eficaz, associada à massificação do acesso à Internet e da crescente conectividade experimentada pela população brasileira nos últimos anos, nos levou naturalmente ao desenvolvimento de um AVA de apoio ao ensino de Eletromagnetismo no Ensino Médio.

Ao propor o recurso em desenvolvimento neste estudo, os aspectos pedagógicos, comunicacionais e ergonômicos dos objetos de aprendizagem, descritos por SILVA (2002) estão sendo observados, a fim de incentivar o processo autônomo de aprendizado, disponibilizando mais um recuso para auxiliar o aluno na busca pelo conhecimento, e incrementar as conexões com a realidade e conteúdos já estudados, em complemento ao ensino presencial. Isto porque, mesmo tomando todos os cuidados na implementação de um AVA, do ponto de vista pedagógico, deve ser observado como o aluno pode interagir com o ambiente virtual de forma a transformar as informações em conhecimento (ALMEIDA et al., 2001; PEQUENO et al., 2002).

Em vista destas considerações da literatura, cabe também ressaltar que a interface é um fator de extrema importância e constitui um dos problemas mais comuns nesse tipo de aplicação (OLIVEIRA, 2004, FERNANDES, 2004).

Tal recurso seria uma ferramenta complementar para o estudo da Física, pois através dele será possível a realização de 'experimentos virtuais" com a finalidade de esclarecer e reforçar o conhecimento teórico da Física, no nosso caso a teoria Eletromagnética.

Um dos maiores problemas do ensino de Física no Brasil não é a ausência de estudos que mapeiem as dificuldades dos alunos, e sim a dificuldade da relação entre pesquisa em ensino de Física e a prática docente (PENA, 2008). Este trabalho apresenta o início do desenvolvimento de um recurso institucional que irá massificar o acesso a importantes ferramentas computacionais, simulações virtuais e textos de apoio para o auxílio ao ensino, pesquisa e extensão em Física, mais especificamente, ao Eletromagnetismo, com intuito de auxiliar no processo de ensino e aprendizagem de conceitos teóricos e abstratos abordados em aula.

Acredita-se que tal ambiente poderá se tornar uma ferramenta efetiva no auxílio à formação do conhecimento dos alunos aos quais se destina, uma vez que deverá ser de acesso amplo e irrestrito. Também deverá permitir a execução de simulações à distância, assim como oferecer textos de apoio e material didático. É importante ressaltar que as simulações e informações providas pelo ambiente não podem nem devem dispensar a leitura dos textos indicados pelo professor, tendo em

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vista que a leitura é de extrema importância para o desenvolvimento da capacidade de abstração do aluno (PAULA, 2009).

## Objetivo

Este trabalho propõe a apresentação do desenvolvimento de um ambiente virtual de aprendizagem para apoio ao ensino de Eletricidade, com conceitos focados em força de Coulomb, associação de resistores, associação de capacitores, conceitos de carga elétrica, campo elétrico, conceitos de energia e potência, efeito joule, magnetismo, e conceitos de óptica.

Tal ambiente será composto por diversos textos didáticos, simulações interativas e material de apoio ao professor, o que poderá propiciar uma experiência mais concreta, envolvente e dinâmica na relação ensino-aprendizagem de Física.

Em uma segunda fase, o AVA será ampliado, incluindo conceitos avançados de Física para auxiliar o ensino em faculdades/universidades de Engenharia e Física.

## Materiais e Métodos

Utilizando diversas ferramentas computacionais voltadas à hipermídia, como linguagem JAVA, JAVA script, Flash CS5 e linguagem HTML, está sendo desenvolvido um AVA voltado ao ensino interativo de Eletromagnetismo. Tal ambiente irá demandar anos de pesquisa e desenvolvimento até que esteja completo, porém, atualmente, está em estágio avançado de desenvolvimento de diversos tópicos restritos à área de Eletromagnetismo e conteúdos afins.

## Resultados Preliminares

- O primeiro tópico desenvolvido foi denominado 'carga elementar', com o qual objetiva-se demonstrar ao aluno, de maneira visual, qual a menor quantidade possível de carga e suas implicações devido ao fato da carga elétrica ser uma grandeza discreta, e não contínua.
- O modelo matemático adotado para esta simulação pode ser visto na equação 01.

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Equação 01: Modelo matemático simulado, onde 'Q' é a carga elétrica, em Coulombs; 'n' é o número de portadores de carga (elétrons ou prótons) e 'e' é a carga elementar, cujo módulo é adotado como 1,6x10 -19 C

Muitos alunos apresentam grande dificuldade em compreender que não é possível obter qualquer valor de carga elétrica (não é uma grandeza contínua) e que existe uma carga mínima observada na natureza. Esta dificuldade, associada ao fato de que experiências para determinar a natureza quantizada da carga elétrica são dispendiosas, complexas e de difícil assimilação, torna este conceito-chave de Eletromagnetismo um entrave ao aprendizado.

Os significados que os alunos associam a um conceito formal de Física, usualmente difere muito daqueles que um físico atribuiria ao mesmo conceito

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(MCDERMOTT 1992), especialmente em se tratando de tópicos de Eletromagnetismo (DORNELES, 2006). Os equívocos nas aulas de Física são, portanto, comuns e mais pronunciados caso o professor não esteja ciente das diferenças de contextualização sua com a dos alunos (DUIT et al , 2005). O fato de alunos e professores poderem utilizar uma mesma ferramenta computacional interativa tem potencial para minimizar as diferentes visualizações mentais que ambos possuem do mesmo conceito básico.

Para representar a carga elementar, foi desenvolvido, em linguagem Flash CS5, um simulador numérico computacional para ambiente de hipermídia que permite ao usuário informar ao programa o número de portadores de carga e simular a carga total, ou vice-versa.

A tela do primeiro protótipo da primeira simulação numérica desenvolvida pode ser observada na figura 01. Nesta figura, é possível notar que, devido à necessidade de variarmos dezenas de ordens de grandeza tanto a quantidade de carga quanto a de portadores, optou-se por permitir ao usuário que determine se prefere visualizar a grandeza a ser simulada em números decimais ou notação científica (figura 01 - a).

Outra funcionalidade do programa é que o usuário pode optar por simular prótons ou elétrons (figura 01 - b). Além de alterar o valor da carga elétrica (positiva para prótons e negativa para elétrons) a simulação visual da quantidade de carga (figuras 02 e 03) também é dependente do tipo de carga sendo que, arbitrou-se que prótons serão representados por objetos de cor azul (figura 02) e elétrons, vermelhos (figura 03). Desta maneira, os alunos podem visualizar que tanto prótons como elétrons se comportam de maneira similar com relação a sua carga. Apesar de não ser diretamente contemplado neste modulo em questão, o fato de entidades com mesma carga se repelirem também foi considerado em sua elaboração.

Nosso programa também permite que o usuário opte por informar o número de portadores de carga (figura 01 - c) e simular a carga total (figura 01 - d) ou informar a carga total e simular o número de portadores de carga.

Neste primeiro protótipo, visualmente, a quantidade de carga é representada como pontos aleatórios dentro de uma área quadrada delimitada em 500x500 pixels. A carga elementar é representada por um único pixel. Aumentando-se o valor da carga ou do número de portadores o número de pixels na tela também aumenta até um máximo de 25000 pixels. Ao atingirmos 25000 pixels, a área da tela estaria inteiramente preenchida.

A partir deste valor, ao invés de cada pixel representar um único portador de carga, este representará 10 portadores, e assim sucessivamente, alterando-se a escala (figura 01 - e) a cada ordem de grandeza alterada no número de portadores, conforme pode ser observado nas figuras 02 e 03.

Como não necessariamente, o usuário irá informar um múltiplo exato da carga elementar, para determinar a quantidade de portadores de carga, o programa desenvolvido aproxima a carga informada pelo usuário ao valor mais próximo fisicamente possível (múltiplo da carga elementar) e só então determina quantos portadores há na simulação. Para simular o valor da carga total quando o número de portadores é informado, nenhuma aproximação é necessária

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Figura 01: Tela do programa computacional desenvolvido neste projeto, onde podem ser observados: a) tipo de entrada de valores numéricos; b) tipo de portadores de carga; c) número de partículas portadoras de carga; d) valor da carga em Coulombs; e) ordem de grandeza.

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Figura 02: Tela do programa computacional desenvolvido neste projeto, onde podem ser observados: a) 2x10 prótons e b) 2,4x10 prótons. 4 9

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Figura 03: Tela do programa computacional desenvolvido neste projeto, onde podem ser observados: a) 2x10 elétrons e b) 2,4x10 elétrons. 4 9

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Para iniciar o desenvolvimento deste AVA, adotou-se o tema 'carga elementar' devido a sua simplicidade e elegância. Porém, por ocasião da apresentação deste trabalho no simpósio, outros conteúdos relacionados ao ensino de Física, mais especificamente, ao ensino de Eletromagnetismo como, por exemplo, campo elétrico e Força de Coulomb, deverão estar desenvolvidos.

## Conclusões

Um ambiente virtual de aprendizagem para apoio ao ensino de Física, apesar de pouco difundido no Brasil, poderá se tornar uma ferramenta efetiva no auxílio à formação do conhecimento dos alunos aos quais se destina. É importante ressaltar que tal ambiente não tem por objetivo substituir as aulas presenciais como sendo única fonte de conhecimento para o aluno, e sim atuar como um auxiliar ao docente e aos alunos, potencializando desta forma o aprendizado e representando interativamente e intuitivamente conceitos de Física que, de outra maneira, seriam muito abstratos, dificultando o aprendizado.

## Referências

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