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O ACERVO DA BANCA DA CIÊNCIA: DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E SUA INTEGRAÇÃO AOS ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO FORMAL

Ricardo Augusto Vianna De Lacerda, Julyana Taques, Emerson Izidoro Dos Santos, Luís Paulo Piassi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
04/02/2011
Linha de pesquisa
Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ACERVO DA BANCA DA CIÊNCIA: DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E SUA INTEGRAÇÃO AOS ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO FORMAL

Ricardo Viana de Lacerda , Julyana Taques , Emerson Izidoro dos Santos 1 2 3

- 1 Universidade de São Paulo/ Escola de Artes, Ciências e Humanidades , ricardo.lacerda@usp.br 2 Universidade de São Paulo/ Escola de Artes, Ciências e Humanidades , julyana@usp.br
- 3 Universidade de São Paulo/Estação Ciência, emerson@eciencia.usp.br

## Resumo

O presente trabalho apresenta parte do acervo do projeto Banca da Ciência cujo objetivo é fazer um elo entre o ensino formal e o ensino informal de ciências. Para isso a proposta á a instalação de um espaço de divulgação científica dentro dos muros da escola. Esse espaço, a Banca da Ciência, tem uma estrutura semelhante à de bancas de jornal. Porém seu conteúdo, apesar de trazer algumas publicações de divulgação e ensino de ciências é, essencialmente, composto por experimentos construídos com materiais simples e de baixo custo que podem ser manipulados pelos estudantes sob a supervisão de um monitor ou do próprio professor de ciências. Apresentamos também a descrição de alguns experimentos que compõem o acervo da Banca e discutimos a aplicação dessas demonstrações para o público escolar. Atualmente o projeto está sendo desenvolvido, em caráter no campus da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

Palavras-chave : divulgação científica, ensino de ciências, atividades experimentais, demonstrações, ensino informal.

## Introdução

A ciências são aprendidas, de maneira formal, na escola. Mas certamente esse aprendizado não será completo e eficaz se o estudante não puder relacionar esse conhecimento com todo o conteúdo cultural que ele possui e utiliza no seu diaa-dia.

Segundo Gaspar (1993) museus e centros de ciências são, essencialmente, instituições de educação informal, e essas muito podem contribuir para a integração dos conhecimentos, tanto das disciplinas científicas escolares (entre elas) como com os conhecimentos gerais do estudante-visitante. Existem diversas formas de exposição e apresentação num Museu de Ciências como, por exemplo: o visitante pode manipular um experimento, tanto no sentido de ver um fenômeno ou fazer uma verificação, como desenvolver uma atividade lúdica; pode também simplesmente ligar um botão ou girar uma manivela obtendo assim respostas pré-determinadas. Existe também a visita monitorada, onde o monitor realiza um experimento e logo depois explica-o ao visitante. Em todas as situações o visitante tem contato (maior ou menor) com aplicações das ciências. Em alguns casos o centro de ciências não necessita de um experimento para demonstrar um fenômeno. Pode ser usado, por exemplo, um motor de automóvel ou um forno de microondas doméstico para, a

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partir daí discutir-se conceitos científicos relacionados ao quotidiano do visitante. Essa relação informal com as ciências muitas vezes desperta ou aumenta nos estudantes o interesse pelos estudos.

A teoria sócio-histórica da aprendizagem, de Lev Semenovich Vigotski (1896-1934), é um referencial interessante para se entender o aprendizado de ciências em atividades científico culturais, ou seja, fora de um espaço formal de ensino. Para Vigotski, que escreveu seus trabalhos no início do século passado, o cérebro já era uma estrutura plástica que podia ser modificada através de estímulos externos e essas modificações estariam relacionadas aos processos de aprendizagem. Ainda segundo ele quando queremos aprender mobilizamos nosso cérebro para que ele construa as estruturas mentais de que precisamos. Por um lado, é no ponto 'queremos' que concentra-se a importância das atividades científico culturais. É importante que essas atividades sejam interessantes para os estudantes, pois assim eles terão interesse em participar delas. Mas só esse interesse não basta. O conhecimento científico tem uma natureza própria que o distingue dos conhecimentos espontâneos apreendidos fora de um contexto das ciências. E essa diferença não está no cérebro (na aprendizagem), mas sim na especialização desse estímulo externo. A menos da natureza do estímulo externo que mobiliza nossas estruturas mentais, não há diferença entre conceitos espontâneos e científicos - as estruturas criadas para uns são usadas para a formação de outros e vice-versa (Vigotski, 2001).

A compreensão do papel do ensino informal de ciências e a relação deste com o ensino formal é uma ferramenta importantíssima para o professor de ciências. Pois como disse Zanetic (1991) foi o conhecimento humano que impulsionou e continuará impulsionando o destino humano, portanto, é justo que a educação escolar se preocupe com o ensino de ciências e com seu papel na formação de cidadãos críticos e conscientes.

## Objetivo

O presente trabalho tem a finalidade de descrever o processo de constituição de um projeto de divulgação científica voltado para o público escolar do ensino básico, com vistas a despertar nos jovens o interesse pelas ciências. A Banca da Ciência constitui um espaço itinerante de apresentação de atividades ligadas à atividade científica em desenvolvimento na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, vinculada ao curso de Licenciatura em Ciências da Natureza. O acervo da Banca inclui, além de experimentos científicos, de caráter didático e motivador, publicações de diversas áreas da ciência e também revistas de divulgação científica, especialmente voltadas para jovens e crianças. Em breve contará também com equipamento de projeção para a apresentação de vídeos científicos e também de desenhos animados que remetam a questões científicas e que, portanto poderão ser explorados didaticamente. Além disso, esse trabalho visa iniciar estudantes de licenciatura em ciências da natureza nas práticas da divulgação científica e da educação em espaços não-formais colaborando assim para o estabelecimento de um grupo estudos desse tema.

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## Materiais e Métodos

Atualmente a Banca da Ciência em fase de testes dentro do campus da EACH-USP. A proposta é compor um acervo de experimentos de ciências de caráter lúdico e motivante para integrar uma exposição itinerante de divulgação científica com monitoria de estudantes de graduação. Para isso contamos com a disponibilização da Banca da Ciência (estrutura itinerante em forma de banca como as de jornal - adaptada para receber equipamentos científicos e didáticos e com espaço para sua manipulação por grupos de estudantes), a Banca é propriedade do Instituto Educare. Contamos também com a colaboração do grupo Ciência em Show e da Estação Ciência - USP através do projeto ABC na Educação Científica - Mão na Massa para treinamento e formação dos bolsistas monitores. A Banca, depois de montada e testada no campus da universidade poderá itinerar por espaços de grande concentração de estudantes, em especial do ensino médio, de modo a incentivar estudantes a optarem, futuramente, por carreiras científicas. Idealizada originalmente pela equipe do Instituto Educare, a Banca da Ciência propõe uma linha de ação para divulgação das ciências especialmente junto a escolas, mesmo as que não dispõem de um espaço específico para esse fim (como um laboratório de ciências por exemplo). A figura 01 apresenta o aspecto da banca montada.

Figura 01: Banca da Ciência

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## Resultados e Discussão

Nessa seção descreveremos os experimentos desenvolvidos para composição do acervo da banca da Ciência. Por conta da comemoração em 2009 do Ano Internacional da Astronomia uma fração importante desses experimentos é voltada para o estudo desse tema.

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## As fases da Lua e os Eclipses no Interior de uma Caixa de papelão

Esta caixa é composta com uma lâmpada de 127 Volts de tensão e 7 Watts de potência para representar o Sol e três tampas de modo que na 1ª tampa foi fixada no centro dela uma bola de isopor com 2,0 cm de diâmetro para representar a Lua e suas 4 principais Fases. Na 2ª tampa foram fixadas duas bolas de isopor de 5,0cm e 1,5cm de diâmetro sendo a maior, representando o Sol e a menor representando a Lua, estas foram ajustadas de frente à lâmpada de modo a formar uma sombra da Lua na superfície da Terra, ilustrando um eclipse Solar. Finalmente na 3ª tampa, foi fixada a bolinha de 1,5cm representando a Lua, de modo a eclipsar a lâmpada quase que totalmente, formando um anel chamado pelos astrônomos de "Eclipse Anular ou Anelar". O ambiente total interno da caixa é pintado de preto fosco para facilitar a visualização dos fenômenos. A figura 02 mostra a apresentação da caixa para estudantes de graduação.

Figura 02: Simulação das fases da lua

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Nesta demonstração, os alunos ou professores são convidados a ficar em volta da caixa para que o apresentador de forma lúdica possa apresentar e discutir com o grupo os fenômenos relacionados ao sistema Terra-Sol e Lua.

## Luneta convencional

Neste trabalho fazemos uma oficina construindo uma luneta astronômica utilizando apenas materiais facilmente disponíveis no comércio, de baixo custo e de fácil manipulação. No lugar da lente objetiva usa-se uma lente de óculos de um grau positivo e no lugar da lente ocular usa-se um monóculo da fotografia. Os encaixes são feitos com tubos e conexões de PVC. Uma sugestão de como construir um tripé para a luneta também é dada. Na figura 03 uma estudante manipula a luneta.

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Figura 03: Luneta didática

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Apesar de se usar materiais rudimentares, os resultados são satisfatórios. As crateras lunares são facilmente observadas, assim como seu relevo, principalmente nas fases crescente e minguante.

## Maquetes para estudo dos Movimentos Aparente Diurno e Anual do Sol

É uma maquete capaz de mostrar aos alunos a duração do dia e comparar essa duração com outros dias subseqüentes ao longo do ano. Nesta maquete construída com uma caixa de papelão, vareta de fazer pipa, EVA e uma lâmpada incandescente discutimos com os alunos o significado, por exemplo, do solstício de verão, equinócio de primavera, horizonte, sol da Meia-Noite, relógio de sol, etc. conforme mostrado na figura 04.

Figura 04: Maquete do movimento aparente do sol

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Com uma bola de isopor de 20 centímetros de diâmetro e uma lâmpada incandescente de 200W de potência, discutimos o movimento de translação da Terra ao redor do Sol ao longo de um ano, a inclinação do eixo de rotação e as estações do ano além da duração do dia no Equador em comparação com os círculos polares Ártico e Antártico.

Esses conceitos relacionam-se diretamente com o cotidiano dos alunos e permitem a interdisciplinaridade com a geografia, matemática, ciências e história.

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## Lâmpada de Humphry Davy

A lâmpada de arco foi inventada em 1809 pelo químico inglês Sr. Humphry Davy. Este experimento pode ser ligado na tensão 110V. Basicamente a lâmpada é composta de duas traves de PVC, fio condutor, dois bastões de carvão retirados do interior de pilhas comuns, uma resistência de chuveiro comum de 110V/220V e um recipiente com água capaz de mergulhar toda a resistência e mais um óculos escuro ou chapa de raios-x para proteger os olhos.

Figura 06: A Lâmpada de Humphry Davy

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## Gramofone Didático: Quem quer ser DJ?

Sobre o prato giratório coloca-se o disco de vinil escolhido e sobre ele a ponta da agulha que está fixada no bico do cone. Girando o vinil com a ponta de um dos dedos, pode-se ouvir por meio do cone, o som reproduzido. O sentido de rotação do disco de vinil deve ser horário e, portanto a ponta da agulha deve ser posicionada de modo a permitir esse movimento. O DJ deve procurar girar na velocidade correta, mantendo-a constante.

Figura 07: Gramofone didático

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Os alunos nesta interação com o dispositivo devem competir entre si e verificar quem será o melhor DJ. Esta brincadeira permite observar os conceitos físicos associados ao som tais como recepção, produção, propagação, freqüência, utilidade do alto falante, etc. Ainda permite contar a história da ciência e o efeito que este aparelho teve na sociedade como um todo.

## Considerações Finais

Esse acervo vem sendo testado em apresentações da Banca da Ciência em espaço reservado dentro do campus da EACH-USP. A partir 2010 pretendemos iniciar o processo de itinerância da banca em escolas e outros espaços de concentração de estudantes. Esperamos que, com o desenvolvimento dessas ações, a Banca da Ciência beneficie um público bastante amplo. Desde a comunidade da própria universidade e alunos da escola básica até professores dos níveis fundamental e médio que se interessem pelas ciências e por seu ensino.

## Referências Bibliográficas

GASPAR, A.. Museus e centros de ciências - conceituação e proposta de um referencial teórico. Tese de doutorado. Faculdade de Educação da USP . São Paulo, 1993.

GASPAR, A. A educação formal e a educação informal em ciências. In: Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. MASSARANI, L.; MOREIRA, I.C.; BRITO, F.(organizadores) .Rio de Janeiro: Casa da Ciência. Fórum de Ciência e Cultura, 2002.

JULIÃO, Gerson dos Santos. O show da Física: diálogos científicos. Dissertação de Mestrado. Instituto de Física e Faculdade de Educação - USP. São Paulo, 2004.

VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. Editora Martins Fontes. São Paulo, 2001.

ZANETIC, J. Ciência, seu desenvolvimento histórico e social: implicações para o ensino. In: SÃO PAULO (Estado). Ciências na escola de 1° grau: textos de apoio à Proposta Curricular. 2. ed. São Paulo. SE/CENP, p. 7-19, 1991.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.