GRUPO DE ASTRONOMIA SPUTNIK: ABSTRAÇÃO E REALIZAÇÃO
Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho, Gabriel Moreira Barros, Osvaldo De Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## GRUPO DE ASTRONOMIA SPUTNIK: ABSTRAÇÃO E REALIZAÇÃO
## Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho¹, Gabriel Moreira Barros², Osvaldo de Souza³,
¹ Universidade de São Paulo / Pós Graduação Interunidades em Ensino de Ciências / tassiana@usp.br
² Universidade de São Paulo / Instituto de Física / gabriel.barros@usp.br ³ Universidade de São Paulo / Instituto de Física / osvald.souza@usp.br
## Resumo
Diante de muitas possibilidades que o conhecimento apresenta para nos maravilharmos diante da vida, escolhemos a Astronomia para trabalharmos com as questões existenciais que nos preenchem. O Grupo de Astronomia Sputnik foi fundado em 2007, com o propósito de divulgar a Astronomia, em princípio dentro da Universidade de São Paulo. Formado por estudantes de Graduação e Pós Graduação de diversas áreas, seus objetivos iniciais foram ampliados, e hoje são realizados diferentes tipos de atividades, tanto em escolas quanto em espaços abertos ao público. Percebendo a carência desse tipo de iniciativa em nosso contexto, optou-se por trazer a história de formação do Grupo, desde suas primeiras abstrações, até as realizações e concretizações através do breve relato dos principais projetos desenvolvidos, para que se repense e se reavalie aquilo que já foi feito, planeje-se novas atividades e contribua com aqueles que desejam ter iniciativas semelhantes. Pretendemos mostrar que os desafios sempre existem, mas que os resultados já obtidos nos motivam a continuar e querer melhorar a qualidade daquilo que estamos fazendo.
Palavras-chave : Grupo de Astronomia, Ensino de Astronomia, Divulgação Científica, Histórico do Sputnik.
## 1. A Astronomia e a formação do Grupo Sputnik
A Astronomia é a menina dos olhos da Ciência, pois carrega consigo conhecimento, filosofia, poesia, tecnologia e entretenimento. Durante muito tempo, acreditou-se que a Terra fosse o centro do Universo, mas o desenvolvimento da Astronomia nos mostrou que o nosso pequenino planeta nada mais é que um dos planetas que orbitam Sol. Se alguns tentaram dizer que o Sol seria o centro de tudo, logo os astrônomos mostraram que este é apenas uma das bilhões de estrelas da nossa Via Láctea, e que nossa Galáxia é uma das bilhões que existem em todo o Universo.
Assim, a Astronomia vem sempre revitalizando eternas questões filosóficas como: 'quem somos?', 'de onde viemos?', 'por que estamos aqui?', e alimentando continuamente a dúvida que paira sobre a nossa condição, convidando-nos a revisar nossos conceitos e a aprender a valorizar a nossa existência de um modo mais amplo e consistente. Talvez seja por isso que pensar em uma noite estrelada de lua cheia é pensar poeticamente. O céu estrelado, com os seus mistérios, com os seus infinitos, com os seus segredos, é fonte incessante de inspiração aos poetas, aos artistas e aos sonhadores. Foi por causa desse estranho fascínio que o homem um dia quis e conseguiu chegar à Lua criando, no caminho de sua busca, parte da
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
tecnologia do nosso dia-a-dia, presente nos celulares, computadores e no lançamento e funcionamento de satélites, tão importantes nas telecomunicações. Ainda hoje, a Astronomia continua abrindo portas para a criação de tecnologias, cada vez mais avançadas que, se não são aplicáveis atualmente, podem se tornar imprescindíveis no futuro.
- O encantamento que a Astronomia gera nas pessoas, em especial nas crianças, é arrebatador. Um simples telescópio pode mostrar um mundo completamente novo ao observador. Particularmente, as crianças com suas características curiosidades infantis, se surpreendem e se apaixonam por coisas muito simples, como a Lua, por exemplo. A mesma Lua que brilha em quase todas as noites, que é só parte do cenário noturno, uma mera coadjuvante esquecida, passa repentinamente a existir e a fazer sentido. Enfim, um simples olhar pelo telescópio pode mostrar a 'boniteza' de que tanto nos falou Paulo Freire, e pode ainda mostrar que a ciência não é algo que se deva temer por possuir um emaranhado de fórmulas.
Além disso, pensando-se na educação escolar, a fragmentação do ensino, pelas disciplinas, não permitem que os estudantes tenham uma visão do todo, dificultando a aprendizagem dos conceitos científicos de forma integrada. Nesse ponto, conforme destaca Araújo Sobrinho (2005) o trabalho pode ser facilitado quando a educação é apresentada com uma exploração de aspectos multidisciplinares.
'Nesse ponto, a Astronomia é de fundamental importância, como a mais antiga das ciências, por ter conteúdos integradores e servir de elo de ligação entre praticamente todo o conhecimento científico ao longo da história da humanidade.' (ARAÚJO SOBRINHO, 2005, p. 14)
Entretanto, infelizmente, a Astronomia está longe de ser amplamente conhecida, está longe de ser popular. E isso não é porque a ela seja desagradável ou difícil, mas porque é pouco difundida.
É com esse olhar, um tanto apaixonado, que o Grupo de Astronomia Sputnik foi formado. É incrível pensar que um espaço com ampla diversidade de interesses, como a Universidade de São Paulo, não tivesse ainda reunido pessoas dispostas a conhecer e divulgar a Astronomia. Corria o final do ano de 2007, três alunos dos institutos de Física, Astronomia e Matemática, até então monitores do observatório Abrahão de Moraes, em Valinhos - SP, pensaram em fundar um grupo de Astronomia que desse conta desses interesses. Tomaram como exemplo o Clube de Astronomia de São Paulo (CASP) e o Grupo de Divulgação Científica DumontSagan para dar origem ao Grupo de Astronomia Sputnik. Dois dias depois, o grupo já tinha mais um integrante também da Licenciatura em Física e ganhava o nome que carrega até hoje. A ideia original era divulgar a Astronomia dentro do campus da Universidade, já que no local há um grande número de formadores de opinião, futuros professores, educadores e interessados no tema: levar a Astronomia para a sociedade, ainda que de uma maneira mais indireta.
Embora fosse importante o trabalho dentro do campus, era necessário garantir que essa divulgação fosse além dos muros da Universidade, mais especificamente para as escolas, onde os estudantes têm pouco ou nenhum contato com essa Ciência, mesmo que se reconheça a importância que ela desempenha no despertar da curiosidade e pelas ciências, em geral.
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Atualmente, o Sputnik é um grupo amador de divulgação de Astronomia. Entende-se por amador aquele que não possui nenhum vínculo formal com instituições, porém, com integrantes com experiências na área. Esses integrantes 1 são graduandos do curso de Licenciatura em Física, mestrandos em Astronomia e em Ensino de Ciências e doutorandos em Astronomia.
No Brasil existem outras iniciativas de grupos que desenvolvem atividades de natureza semelhante àquelas que serão descritas aqui. São mais de 100, segundo dados de Schivani (2010). Nesse trabalho, sobre os grupos de Astronomia amadora, Schivani (2010) aponta uma série de funções desses grupos, que vão ao encontro, das ações do Grupo de Astronomia Sputnik:
'motivar e possibilitar que a população tenha contato e desperte para as coisas do céu, uma vivência, um reencontro com o mundo ao seu redor, uma re-leitura, uma (re)adimiração; oferecer oportunidades de interação com o grande público a estudantes e mediadores (seja em ambientes como observatórios, planetários, clubes ou associações), por meio de atividades como palestras, workshops ou numa roda de conversa após observação do céu, estimulando o diálogo e envolvimento em atividades práticas; motivar e auxiliar na decisão por carreiras profissionais e no surgimento de novos projetos para difundir a astronomia; motivar a população e estudantes em geral na busca por mais informações, de aventurar-se em determinada área do conhecimento humano, estimulando-os a ingressar em cursos universitários como, por exemplo, física ou astronomia, ou então a ingressarem no grupo e a partir disso tornar-se um mediador; enriquecer o diálogo e a curiosidade ingênua, tornando-a mais crítica, epistemológica; avançar na superação ou ruptura com a Educação Bancária e, por fim, auxiliar na busca por uma formação permanente e educação continuada, uma vez que esses espaços estão abertos para receber pessoas das mais variadas faixas etárias e níveis de escolaridade, abertos a quem tem sede de saber.' (SCHIVANI, 2010, p. 145 e 146)
Também pudemos verificar esta quantidade de grupos de astronomia e suas atuações no ano de 2009 (Ano Internacional da Astronomia), como citaremos abaixo.
O presente trabalho é um esforço de nossa parte em sintetizar as atividades já realizadas pelo Grupo, para repensar, avaliar e reelaborar. Também pretendemos, aqui, mostrar um pouco da trajetória da formação e consolidação de um grupo de Astronomia amadora. Compartilhar essas experiências é uma forma de incentivar novas iniciativas nesse sentido, além de divulgar o trabalho que é tão prazeroso e já permitiu levar um novo olhar para milhares de pessoas.
## 2. Atividades de Divulgação de Astronomia em espaços não-formais
## 2.1 Telescópios na Praça do Relógio
No início do Grupo de Astronomia Sputnik, em 2008, as atividades concentraram-se principalmente na divulgação da Astronomia dentro do campus da Universidade de São Paulo, localizado na cidade de São Paulo. Escolhemos, dentre
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outras maneiras possíveis, promover eventos de observação do céu, com telescópios, aberto ao público.
Esses eventos ocorrem até hoje, uma vez por mês, geralmente em quintasfeiras de Lua Crescente. A divulgação é feita por diferentes meios: impresso (cartazes colados nos principais pontos de ônibus da USP) e digital . Além disso, o 2 público é um grande aliado na divulgação.
Participam do evento, em média 100 pessoas. Os telescópios pertencem à integrantes do Grupo, e algumas vezes, foram são emprestados pelo Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG - USP). Nesses dias, são observados vários elementos, dentre eles, a Lua, as constelações e os planetas que eventualmente estão visíveis. Quanto aos observadores, o público é bem diversificado indo desde estudantes de diferentes cursos da Universidade, passando por funcionários e até docentes; indo desde aqueles que não acreditam muito no que estão observando, passando por aqueles que se encantam com as imagens astronômicas e até os já conhecedores da Astronomia.
Os integrantes do Grupo participam do evento dando explicações, tirando dúvidas, discutindo e apresentando o céu noturno. Durante esses eventos foram encontradas, inclusive, formas de divulgar o trabalho desenvolvido pelo Grupo ao longo do tempo, com a distribuição dos folhetos, e de arrecadação de verba, com a venda de camisetas.
Figura 1 Observação na Praça do Relógio
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## 2.2 O Ano Internacional da Astronomia
O ano de 2009 foi um ano muito importante para o Grupo. Ele foi definido pela ONU e UNESCO como Ano Internacional da Astronomia (AIA - ou IYA, em inglês), em comemoração aos 400 anos do aperfeiçoamento do telescópio por Galileu Galilei e as descobertas feitas por ele. A ONU expressou a importância do Ano Internacional da Astronomia com as seguintes palavras:
'Sabendo que a Astronomia é uma das ciências mais antigas e que contribuiu (e continua contribuindo) de modo fundamental para a evolução
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de outras ciências e aplicações em inúmeras outras, reconhecendo que as observações astronômicas têm profundas implicações nas ciências, filosofia, cultura e concepções de universo, notando que, embora exista um interesse generalizado pela Astronomia, é difícil para o público em geral ter acesso ao conhecimento desta área, consciente de que todas as culturas têm desenvolvido lendas, mitos e tradições a respeito do céu, planetas e estrelas constituindo sua herança cultural (...), convencida de que o Ano Internacional, entre outros aspectos, pode ter um papel crucial em despertar a consciência pública sobre a importância da Astronomia e outras ciências básicas para um desenvolvimento sustentável, através da empolgação suscitada pelos assuntos da Astronomia, apoiando a educação formal e informal em escolas e centros de ciência estimulando o envolvimento em longo prazo de jovens estudantes nos campos da ciência e tecnologia:
- 1. Decide declarar 2009 como o Ano Internacional da Astronomia.
- 2. Designa a UNESCO como agência líder para sua realização (...).
- 3. Encoraja todos os Estados e organismos do sistema da ONU a aproveitar o Ano para promover ações em todos os níveis objetivando a consciência pública da importância da Astronomia e promovendo um amplo acesso ao conhecimento e à observação astronômica.' (IYA, 2009 - grifo nosso)
Como é possível perceber no texto da ONU, os vínculos da Astronomia, Cultura e Educação são claros, e essa posição mostrou uma nova perspectiva de trabalho para o Grupo. Sem dúvida, esse momento foi convidativo à ampliação das atividades de divulgação, visando atingir um público muito maior.
- O Grupo Sputnik participou, em janeiro de 2009, da abertura do Ano Internacional da Astronomia. Realizou no Observatório da USP, na cidade de Valinhos - SP, visitas monitoradas, exibição de filmes e palestras. Atendeu nestes eventos, aproximadamente, 130 pessoas. Também trabalhou junto ao Planetário de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP.
Figura 2 Atendimento ao público na abertura do Ano Internacional da Astronomia em São Paulo.
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O Grupo desenvolveu outras atividades ligadas ao Ano Internacional. Uma dessas atividades foi a exibição do filme Eyes on the Sky , que foi criado como meio
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de divulgação do AIA. Nesse filme é contada a historia dos telescópios e das primeiras observações da Lua e Luas de Júpiter, feitas por Galileu com o auxílio desse instrumento que se mostrou tão revolucionário, possibilitando inúmeras descobertas sobre o Universo.
## 3. Atividades de Divulgação de Astronomia em Espaços Formais
Consideramos que essa perspectiva de nosso trabalho seja diferente da anterior, principalmente em decorrência do espaço onde elas ocorreram. Promover a divulgação da Astronomia em espaços formais nos fez repensar a maneira de elaborar atividades, preocupando-nos, mais fortemente, em criar situações aprendizagem.
De acordo com as orientações educacionais dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais),
'será indispensável uma compreensão de natureza cosmológica, permitindo ao jovem refletir sobre sua presença e seu 'lugar' na história do Universo, tanto no tempo como no espaço, do ponto de vista da ciência. Espera-se que ele, ao final da educação básica, adquira uma compreensão atualizada das hipóteses, modelos e formas de investigação sobre a origem e evolução do Universo em que vive, com que sonha e que pretende transformar. Assim, Universo, Terra e vida passam a constituir um tema estruturador.' (BRASIL, 2002, p.19)
Daí vem a nossa motivação para a aplicação de atividades educativas de ensino de Astronomia para os estudantes. Em princípio, o objetivo é familiarizar os alunos, e até mesmo os professores, com o tema para tornar comum a prática do ensino dessa Ciência, se possível desde as primeiras séries do Ensino Fundamental. Para entender de que maneira a educação formal e não formal podem se ligar, podemos recorrer à ideia de Vieira et. Al (2005):
'Esses espaços oferecem a oportunidade de suprir, ao menos em parte, algumas das carências da escola como falta de laboratórios, recursos áudio visuais, entre outros, conhecidos por estimular o aprendizado (...) quando bem direcionados, espaços não formais de ensino podem ser bons aliados das aulas formais'. (VIEIRA et. Al, 2005, p. 21)
Ao considerar as duas perspectivas, pode-se dizer que as observações do céu, acantonamento e palestras feitas nas escolas é a utilização do espaço formal, para a realização de atividades não-formais: e essas atividades, não-formais, colaboraram com a educação formal.
## 3.1 EMEF Amorim Lima
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima está localizada no bairro do Butantã, em São Paulo. As relações com esta escola e integrantes do grupo datam de 2007, que desde então, promoveram algumas atividades, realizando oficinas de diferentes temas de Astronomia em atividades de estágio.
Em Outubro de 2008, o Grupo de Astronomia Sputnik realizou um acantonamento nesta escola, onde 58 crianças de 10 anos participaram de diversas atividades. A partir das 19h, com as crianças divididas em grupos e monitoradas pelos participantes do Grupo Sputnik, foi realizada uma Caça Astronômica ao Tesouro (Figura 3), onde os grupos tinham que seguir pistas escondidas pela a escola e cada delas tinha uma pergunta, sobre Astronomia, e dava indícios sobre a próxima pista. Em seguida, houve um jogo de perguntas e respostas sobre diversos
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assuntos dentro da temática e, logo depois, a escola promoveu uma sessão de pizzas, com a participação de alguns pais dos alunos. Para finalizar, foi realizada uma sessão de céu virtual, com o auxílio de um programa chamado Stellarium, uma espécie de planetário. Nesse programa é possível controlar a visualização do céu e mostrar diversos elementos específicos. Foram observadas constelações, planetas, a Lua dentre outros. Por fim, as crianças, os professores e alguns integrantes do grupo dormiram na própria escola, encerrando o evento às 7h do dia seguinte.
Figura 3 Caça Astronômica ao Tesouro
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O grupo realizou, com o auxilio da Pró Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo, diversas atividades com alunos dos quatros primeiros anos do fundamental I, ao longo de 2009, e contou com auxílio da escola e de seus funcionários para a realização desse projeto. Os professores cederam espaço e trabalharam com os conteúdos relacionados em suas aulas. Os temas abordados foram constelações, estações do ano, eclipses e sistema solar.
Com o primeiro ano foi trabalhado a idéia da criação de constelações, feita primeiro pelos próprios alunos, que com imagens que representavam uma pequena parte do céu, imaginaram desenhos, nas regiões conhecidas oficialmente como a constelação de Escorpião e de Órion. Para finalizar essa atividade eles participaram de uma sessão de apresentação do céu virtual, com o programa Stellarium.
Já com o segundo ano, a atividade proposta foi a construção de planisfério.
No terceiro ano foi realizada a construção do Sistema Solar em escala, utilizando massa de modelar e jornal (Figura 4). Os alunos, com esses materiais, confeccionaram os planetas, com o auxilio de uma escala de diâmetro. Após a confecção dos planetas, os mesmos foram colocados em escala de distância, também.
Por fim, com o quarto ano, o tema discutido foi estações do ano e eclipses: os alunos começaram desenhando o motivo, que segundo seus conhecimentos prévios, era responsável pela ocorrência das estações do ano. A partir dos desenhos, algumas discussões foram levantadas e mediadas para que conduzissem ao conceito cientificamente correto. Em um segundo momento, para ilustração, foram utilizadas bolas de isopor e lanternas, para mostrar a questão das estações do ano, e, para finalizar, demonstramos a ocorrência dos eclipses.
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Figura 4 Comparação entre os planetas e o Sol
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## 3.2 A Escola Integração
Em 2009 foi realizada uma atividade na escola particular Integração, na zona leste de São Paulo - SP.
A principal dificuldade do grupo neste evento foi a locomoção dos equipamentos da Zona Oeste até a Zona Leste de São Paulo: um telescópio refletor de 14 cm de abertura e um telescópio refrator de 6 cm. Excetuando-se esta dificuldade, foi proporcionada aos 80 alunos que participaram do evento uma atividade ímpar.
O início foi uma palestra, para todos os estudantes, na quadra da escola, sobre os objetos visíveis no céu noturno a olho nu. Um dos tópicos da palestra foi sobre os planetas visíveis a olho nu como Júpiter, Saturno, Venus, Marte e Mercúrio. Nesse momento, além da apresentação dos planetas, também foi abordado a localização nos sistema solar (ordem) e composição básica de cada um dos planetas apresentados. Outro tópico da palestra foi os cometas, trazendo informações sobre suas composições e órbitas. Foi falado, também, sobre satélites artificiais e de sua importância para as telecomunicações, e da Lua. Por fim, o evento foi encerrado com uma observação do céu, em que foi feito o reconhecimento das principais constelações visíveis no dia, o Cruzeiro do Sul e o Escorpião, a Lua e Júpiter, com dois telescópios diferentes, para abordar a diferença de resolução entre ambos.
Para complementar a atividade realizada pelo Grupo, o professor de física, que auxiliou a realização do evento, pediu aos alunos, como tarefa para casa, um desenho sobre a observação realizada.
## 3.3 Escola Estadual Padre Anchieta
Nessa escola três integrantes do grupo fizeram atividades sobre diversos temas da Astronomia. O público deste trabalho foram três turmas do primeiro ano do Ensino Médio. As atividades se iniciaram com um pequeno levantamento dos conteúdos que os alunos traziam, para detectar os conceitos prévios, para que nas atividades posteriores o trabalho fosse mais produtivo, partindo do conhecimento
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que os estudantes já traziam sobre o assunto. A partir desse levantamento, foi realizado a estruturação de um curso de Astronomia abordando os tópicos levantados por eles.
- O curso foi estruturado de acordo com a Proposta Curricular do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2008), que nos bimestres finais do primeiro ano do Ensino Médio requer o estudo de conceitos de Astronomia. Abordamos temas como estações do ano, fases da Lua, evolução estelar, dentre outros tópicos.
Ao final deste curso houve uma mostra de céu virtual e real, com observação através de telescópios no pátio da escola.
## 4. Considerações finais
- O histórico da formação de um grupo de Astronomia permite entender um pouco melhor a importância da popularização dessa Ciência e do potencial que seus temas possuem para despertar o interesse das mais diversas pessoas. O caminho foi permeado por descobertas que permitiram chegar perto dos objetivos de divulgar a Astronomia, realizando tanto atividades em escolas, voltada para estudantes ou na formação de professores, quanto por meio de eventos de observação do céu, abertos ao público em geral.
As atividades realizadas até o momento deixam a convicção de que vale a pena direcionar os esforços para continuar trabalhando. As observações do céu, na Praça do Relógio da Universidade de São Paulo, deram ao Grupo uma projeção considerável no cenário da USP, e mesmo fora dela. Além disso, têm possibilitado contatos preciosos, que levaram a 'atravessar os muros da Universidade', como era pretendido, no momento da formação.
Sobre o espaço formal de educação, podemos constatar que, cada vez mais, a Astronomia vem fazendo parte do currículo escolar brasileiro, e desta forma, existe uma demanda crescente de professores que buscam conceitos, sugestões de atividades e trabalhos relacionados para planejarem e ministrarem suas aulas. É possível contribuir nesse sentido, para minimizar a carência existente na formação desses professores nesta área, ainda que o alcance do Grupo Sputnik seja bem limitado, por enquanto. Parece interessante manter esta iniciativa, principalmente se considerarmos que essas atividades são prazerosas e significativas para os estudantes, e os professores têm dificuldades em organizá-las, por não saberem fazer o reconhecimento do céu ou utilizar telescópios, por exemplo. Essas questões aparecem detalhadas no trabalho de Leite (2002). Podemos destacar que
'em relação à formação do professor de Ciência em Astronomia, acreditamos que esta deva ocorrer desde a formação inicial, visto que os PCNs indicam fortemente o ensino deste conteúdo, e, pelo que observamos, os professores ensinam estes conteúdos baseados apenas em livros-textos, sem nunca tê-lo estudado.' (LEITE, 2002, p. 108)
A partir desse trabalho, em que pretendíamos expor uma experiência, de um grupo constantemente em formação, aproveitamos para divulgar as atuações do Grupo de Astronomia Sputnik, tanto em ambientes formais como em ambientes nãoformais de educação.
E para manter este relato ainda mais fiel, vale também contar um pouco das dificuldades que são enfrentadas: o apoio recebido dos institutos da Universidade de São Paulo, sem dúvida, é fundamental, principalmente para que exista o mínimo de recursos na realização das atividades, com o empréstimo de equipamentos e
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espaço. Por outro lado, um apoio mais consolidado, como o recebido pelo Pró Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo, não acontece com muita frequência, e depende da disponibilidade dos membros do Grupo em elaborar, previamente um projeto. Ter membros disponíveis é um problema, uma vez que alunos de Graduação e Pós Graduação tem outras obrigações, mais formais e burocráticas do que aquelas que mantêm com o Grupo de Astronomia Sputnik. Recrutar novos membros também se mostra problemático, por não existir ainda um processo organizado de adaptação e imersão de novas pessoas nos projetos que estão em andamento.
No geral, ainda que inúmeros desafios tenham sido enfrentados, mostramos, aqui, brevemente, que é possível abstrair e concretizar um grupo de Astronomia amadora. Pretende-se, futuramente, continuar com as atividades de observação do céu em locais públicos e em escolas. Há pretensões de elaborar projetos para a educação formal, de longa duração, buscando referenciais teóricos para o planejamento e encaminhamento dos trabalhos. Está em desenvolvimento um projeto para a elaboração de materiais didáticos que pretendem, pelo menos, contribuir de um jeito novo com os materiais que já existem.
Não há dúvidas de que não existe a pretensão de responder 'quem somos?', 'de onde viemos?' ou qualquer outra pergunta existencial. Elas são a válvula motivadora, que podem ser enriquecidas com essa proposta de possibilitar uma nova e diferente maneira de ver o mundo.
## 5. Referências Bibliográficas
ARAÚJO SOBRINHO, A. (2005). O olho e o céu - contextualizando o ensino de Astronomia no Ensino Médio . Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências Naturais e Matemática). Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Rio Grande do Norte.
BRASIL (2002). Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+ - Ensino Médio). Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Ministério da Educação e dos Desportos - MEC; SEMTEC, Brasília.
LEITE, C. (2002). Os professores de Ciências e suas formas de pensar a Astronomia. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências). Universidade de São Paulo, São Paulo.
IYA (2009). http://astroweb.iag.usp.br/~damineli/IYA2009/ Acessado em 05 de Fevereiro de 2009.
SÃO PAULO (2008). Proposta Curricular do Estado de São Paulo. 1º Ano de Ensino Médio - 3º e 4º Bimestres. Secretária da Educação do Estado de São Paulo.
SCHIVANI, M. (2010). Educação não formal no processo de ensino e difusão da Astronomia: ações e papéis dos clubes e associações de astrônomos amadores. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências). Universidade de São Paulo, São Paulo.
VIEIRA, V., BIANACONI, M. L., DIAS, M. (2005). Espaços não-formais de ensino e o currículo de ciências. Ciência & Cultura: temas e tendências - Educação nãoformal , v. 57, n. 4, p. 21-23, out/nov/dez, 2005.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.