Formação da Diversidade Brasileira: A Física na sua construção
Glória Queiroz, Marcia Begalli, José Claudio Reis, Pedro Zille, Luana Ramalho, Alan Prates De Couto, M. Auxiliadora Machado
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## FORMAÇÃO DA DIVERSIDADE BRASILEIRA: A FÍSICA NA SUA CONSTRUÇÃO
Glória Queiroz , M. Auxiliadora Machado , Marcia Begalli , José Claudio Reis , 1 2 3 4 Pedro Zille , Luana Ramalho , Alan Prates de Couto 5 6 7
1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/IF/DFAT, gloria@uerj.br
2 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro//Departamento de Ciencias Naturais, dora.machado@unirio.br
3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/IF/DFNAE, begalli@uerj.br
- 4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/IF/DFAT, guerrareis@tekne.pro.br
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CEFET-RJ, pedrozille@gmail.com
6 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/IF/DFAT, luinharamalho@gmail.com
7 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/IF/DFAT, alandafisica@gmail.com
## Resumo
No Departamento de Física Nuclear e Altas Energias, do Instituto de Física da UERJ, um grupo de pesquisadores mantém comunicação constante com o CERN, participando da análise de eventos produzidos nos experimentos do LHC, e com isso possibilitando a formação de novos cientistas no Brasil. No Departamento de Física Aplicada e Termodinamica, um grupo dedicado à Pesquisa em Ensino de Física dedica-se a desenvolver vários projetos junto ao curso de Licenciatura em Física e às escolas de Ensino Médio (às vezes também de Ensino Fundamental) do Rio de Janeiro. Componentes desses grupos uniram-se a fim de elaborar uma articulação entre diferentes disciplinas. Dada a grande repercussão na mídia do LHC, no CERN, dos cem anos da Física Moderna, bem como dos cem anos da Pintura Abstrata, elaborou-se um projeto de Física e Arte do micro e do macro mundo e suas relações. Seminários de Licenciatura, tais como, Filosofia da Ciência e Física Moderna; Einstein e os Movimentos de Vanguarda do início do século XX; Física de Partículas nos Aceleradores e a Conexão Cósmica; Abstração segundo Kandinsky; Oficina Paisagem Sonora, Vídeo-debate sobre os filmes Anjos e Demônios e Impacto, oferecidos também a professores do ensino médio e fundamental, complementam a educação do professor, possibilitando que suas aulas sejam atuais e interessantes, mostrando ao aluno seu domínio sobre temas científicos e artísticos, inserindo tanto o professor quanto os alunos nos temas atuais. Dessa forma, a escola passa a ser parte integrante da vida, passa a ser útil para explicar tudo o que acontece ao seu redor. Exposições nas escolas, tais como: Astronomia Guarani, Oficinas, Seminário, Semana do Conhecimento, blogs, vídeos no youtube, participação na 21ª UERJ sem muros, complementam os seminários.
Palavras-chave : física moderna e contemporânea, parceria escolauniversidade, interdisciplinaridade, relação ciência e arte.
## Introdução
Para atuar de forma cidadã no mundo contemporâneo é necessário compreender como ele funciona e quais são as lógicas que ordenam as práticas cotidianas. Sendo assim, o conhecimento da física é fundamental uma vez que, tanto no que diz respeito à lógica quanto aos conteúdos, ela ajuda tanto a organizar o espaço social como a produzir os artefatos tecnológicos presentes no dia a dia.
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Não podemos ficar reféns das novas tecnologias sendo apenas usuários passivos do arsenal tecnológico que temos a nossa disposição. Temos que formar cidadãos capazes de optar com algum conhecimento diante da oferta indiscriminada de produtos, que possam opinar conscientemente sobre temas científicos sem deixar as escolhas apenas a cargo dos especialistas, que possam ler criticamente as informações científicas que lhes chegam através da mídia para não gerar nem pânico nem passividade em relação ao alcance do poder da ciência. Ou seja, precisamos formar cidadãos que saibam ler criticamente o mundo e para tanto é fundamental que ele tenha maior conhecimento sobre a Física que ajudou e ajuda a construir o mundo a nossa volta.
Para implementar essa compreensão de ciência optamos em desenvolver atividades que privilegiem o conhecimento sobre física de altas energias e astrofísica. Tal escolha deve-se a diversos fatores dentre eles a importância que o conhecimento da estrutura da matéria tem para a compreensão do universo, das aplicações tecnológicas oriundas dessas pesquisas e também pelo impacto na mídia de temas ligados a esses assuntos.
Estava em todas as manchetes do dia 1 de dezembro do ano de 2009:
'O LHC (Large Hadron Collider - grande colisor de hádrons em português, o maior acelerador de partículas do mundo) atingiu a 30 de novembro de 2009 uma velocidade nunca antes alcançada, tornando-se o mais poderoso do mundo ao impelir seus dois feixes de prótons em sentidos contrários a uma energia de 1,18 tera-eletronvolt (1TeV = 10 12 eV).'
Em 30 de março de 2010 a manchete foi: Acelerador do CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) recria situação pós-Big Bang. GENEBRA - Pela primeira vez, cientistas conseguiram nesta terça-feira fazer o maior colisor de partículas do mundo - o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) funcionar e recriar uma situação similar aos instantes posteriores ao Big Bang, a grande explosão que deu origem ao universo.
E a notícia, pela internet (sítio http://ig.com.br), continua afirmando que o sucesso do experimento abre as portas para uma nova fase na Física Moderna, já que agora será possível dar respostas a inúmeras incógnitas sobre o universo e a matéria, segundo os cientistas do CERN. Projeto de US$ 10 bilhões, o LHC realiza as colisões de feixes de prótons como parte de uma ambiciosa experiência que busca revelar detalhes sobre micropartículas e microforças teóricas. A ideia é que os testes ajudem a lançar luz sobre as origens do universo, além de responder a importantes questões da Física. É crença geral entre os cientistas do CERN que as colisões representam uma nova era na ciência, com repercussões para a vida cotidiana.
No entanto, já há alguns meses atrás, foi amplamente divulgado pela imprensa que as colisões causaram receio em algumas pessoas, que temiam riscos para o planeta por causa da criação de pequenos buracos negros - versões subatômicas de estrelas que entram em colapso gravitacional - cuja gravidade é tão forte que poderiam sugar planetas e outras estrelas. O CERN e muitos cientistas rejeitam qualquer ameaça à Terra ou às pessoas, afirmando que esses buracos negros seriam tão fracos que se desfariam quase logo após serem criados, sem causar problemas.
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É sabido que o homem empreende uma eterna busca da solução das duas maiores perguntas da humanidade: de onde viemos? para onde vamos? Essas duas questões são filosoficamente muito profundas. Procura ainda responder a uma outra pergunta: do que somos feitos? ou melhor ainda, do que o Universo é feito? A primeira tentativa de responder essa pergunta foi dada pelos gregos, que consideravam toda a matéria conhecida formada pelos quatro elementos básicos: o fogo, a água, a terra e o ar. Essa solução não sobreviveu aos primeiros avanços científicos da química e finalmente, em 1869, ao observar regularidades nas propriedades químicas dos elementos, Mendeleev propôs a Tabela Periódica dos Elementos. Nas décadas seguintes, com a descoberta do elétron, do próton e do nêutron, ficou claro que as regularidades nas propriedades químicas vêm de diferentes combinações desses 3 'tijolos', formando todos os átomos que conhecemos, com suas semelhanças e peculiaridades. Neste ponto, saímos do domínio da Química e entramos no da Física Nuclear. No entanto, a observação de vários outros fenômenos levou os físicos a fazer a mesma pergunta novamente, em outro contexto: seriam essas 3 partículas realmente os tijolos básicos de todo o Universo? Chegamos então à Física de Partículas, mais precisamente à Física de Altas Energias.
A Física de Altas Energias é o estudo do incrivelmente pequeno. A grossura de um fio de cabelo tem cerca de um milhão de átomos, mas mesmo os átomos são muito grandes se comparados ao tamanho das partículas que estamos interessados. Se fosse possível ampliar um átomo para o tamanho de um estádio de futebol, colocando os elétrons na arquibancada, o núcleo, onde estão localizados os prótons e nêutrons seria menor do que a bola. Então chegamos à primeira conclusão interessante sobre a matéria: ela é formada basicamente de 'buracos', apenas 0.01% do volume de um átomo não é vazio; e essa quantidade tão pequena de matéria está concentrada no núcleo do átomo.
Na busca pelo 'cada vez menor', os físicos começaram a usar o que se tinha mais à mão em uma situação onde o fóton não podia mais ser usado como 'sonda', como é o caso dos microscópios ópticos, usando a partícula mais facilmente acessível e controlável na natureza, os elétrons, criando assim os microscópios eletrônicos.
Após estabelecer uma relação entre a energia (proporcional à velocidade) de uma partícula e seu comprimento de onda, os físicos chegaram à conclusão de que se quisermos comprimentos de onda que sejam suficientemente pequenos para podermos estudar detalhes da estrutura atômica, necessitamos acelerar essas partículas a velocidades espantosas, para isso, precisamos construir máquinas gigantescas que chamamos 'aceleradores de partículas'.
Desde 2008, quando começaram as operações de produções de eventos, o LHC tem estado nas manchetes dos principais jornais do mundo, ora por problemas de vazamento ora por notícias alarmantes quanto a possibilidades de produção de buracos negros durante as colisões. Filmes de ficção e livros tem também explorado o tema das partículas elementares.
Um dos principais objetivos das pesquisas agora realizadas de forma inédita é tentar explicar a origem da massa de novas partículas elementares, entre elas o bóson de Higgs, validando o modelo padrão atual de partícula que divide todas as partículas elementares em férmions e bósons, sendo os elétrons um exemplo dos primeiros e os protons e neutrons exemplos de bósons.
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O ano de 2010 foi escolhido pelo nosso grupo da universidade e algumas escolas parceiras em projetos anteriores para inaugurar as comemorações dos cem anos da Física Atômica. No início do século XX, até 1911 a única coisa que se sabia a respeito da estrutura dos átomos era que continham elétrons, descobertos em 1897 por J.J.Thomson. Em 1911 Ernest Rutherford apresentou um modelo para o átomo que, dois anos depois, foi aperfeiçoado por Niels Bohr. Nesses cem anos de efervescência do trabalho científico, muitos homens e mulheres se envolveram na produção de modelos para o micro-mundo, levando a uma grande mudança em relação à ciência que tinha sido produzida nos trezentos anos anteriores.
A circulação de partículas a altas velocidades e as colisões provocadas entre elas permitem a recriação de instantes posteriores e muito próximos ao Big Bang, o que dará informações chaves sobre a formação do universo, promovendo assim a ligação da física do micro com a do macro mundo.
## Ciência e Cultura
O contexto cultural desses cem anos afetou e foi afetado pelo desenvolvimento das ciências da natureza e suas tecnologias, levando a demandas também nas ciências sociais, no sentido de dar conta das transformações na vida humana. Nesse contexto a Arte destaca-se pela ruptura com os últimos vestígios de uma pintura realista, passando de vez à fase abstrata com a obra de Kandinsky considerada um marco inicial da pintura abstrata.
A cultura no Brasil desses cem anos também foi marcada pelas influências do que acontecia no mundo, tendo havido a participação de físicos brasileiros como Cesar Lattes e outros, além de artistas que criaram com o modernismo novas obras, na pintura e na literatura.
No Instituto de Física da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) um grupo de pesquisadores mantém comunicação constante com o LHC, participando da análise dos eventos lá produzidos, possibilitando com isso a formação de novos cientistas no Brasil neste campo. Além disso, esse mesmo grupo participa da atividade Masterclass, do CERN, que congrega estudantes de muitos países.
Além dessa preocupação com a formação inicial de físicos, o Instituto de Física da UERJ tem a função de formar professores de Física para atuarem na escola básica. Em seu curso de Licenciatura em Física, o grupo de pesquisa em Ensino de Física desenvolve a cada ano um Projeto pedagógico que chega às escolas conveniadas durante os estágios supervisionados e também por meio de projetos de extensão universitária, sempre aliados a projetos de pesquisa educacional.
No sentido de trabalhar as interações entre Ciência e Arte na formação cultural tanto dos licenciandos em Física quanto dos alunos e professores da escola, o projeto Formação da Diversidade Cultural Brasileira: a Física na sua construção promove diversas atividades formativas. O projeto apresenta as atividades 'Seminários de Licenciatura' e 'Oficinas Pedagógicas'. Os seminários ajudam à construção das bases de conteúdo do projeto e para realizá-los são convidados especialistas. As oficinas são desenvolvidas pelos alunos do Instituto de Física no âmbito das disciplinas integradoras entre conteúdo e pedagogia, Instrumentações para o Ensino e Estágios Supervisionados, sendo adaptadas para alunos da escola
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básica e tendo sua aplicação validada durante atividades nas escolas e na universidade.
De modo a integrar um grupo de professores de Ciências da Natureza ao Projeto Masterclass do CERN/UERJ será realizado um Curso preparatório para a integração de professores ao trabalho já em andamento com alunos do curso de Física.
Sendo assim, estaremos unindo a pesquisa de ponta realizada por pesquisadores da UERJ, na área de altas energias, com a formação mais sólida de futuros professores e físicos, de professores em serviço e de alunos do ensino básico que serão atingidos pelas atividades que serão desenvolvidas durante a vigência do projeto.
Nos temas que propomos desenvolver no presente projeto, as ferramentas culturais que as diferentes disciplinas envolvidas oferecem curricularmente aos alunos ganham novas oportunidades de aquisição pelos envolvidos. A aproximação de pesquisadores em Física de Altas Energias, Astrofísica e Ensino de Física, que compõem a equipe do projeto, possibilitará que se discutam formas de inserção de conceitos e teorias de Ciência e Tecnologia contemporâneas na escola básica, além de atitudes em relação à visão de ciência que esse conhecimento científico exige, bem como os procedimentos experimentais envolvidos na produção de novas teorias e modelos.
## Referenciais Teóricos para estudar as relações entre Pesquisa e Extensão na Formação docente
Se por um lado encontra-se apoio nas políticas públicas para a idéia de que os estudantes dos cursos de formação inicial de professores - os licenciandos precisam participar da vida escolar de forma mais efetiva e duradoura, procurando se inserir na prática pedagógica dos docentes das escolas de forma ampla, por outro nos deparamos com inúmeros desafios e dificuldades para o estabelecimento de parcerias que permitam a realização de estágios supervisionados nos quais a difusão das pesquisas educacionais acadêmicas esteja implementada. Por sua vez poucas são as pesquisas acadêmicas e os cursos de formação na universidade que conseguem valorizar e incorporar as necessidades e os conhecimentos dos profissionais em serviço na escola básica (Tardif e Zourhlal, 2005). Assim permanece o fosso entre o que se pensa na universidade sobre formação de professores e a futura atuação de licenciados com conhecimento profissional útil voltado para uma escola estimulante.
Alguns trabalhos na área de Ensino de Física têm apontado as dificuldades da relação entre os resultados das pesquisas e o seu impacto no contexto educacional. Outro procurou ir mais além (Rezende e Ostermann, 2005), confrontou problemas da prática, declarados pelos professores, com os temas das pesquisas em ensino de Física no Brasil no período de 2000 a 2004, analisando em que medida a pesquisa responde aos problemas da prática pedagógica do professor dessa disciplina. Os resultados encontrados apontam para uma assimetria, pois não há uma correspondência plena entre os problemas e a pesquisa, havendo uma variação de aproximação de problema para problema declarado.
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Muitos autores da área de Educação ou da de Educação em Ciências vem sinalizando para parcerias entre pesquisadores e professores em torno de novos objetos de estudo; alguns falam em pesquisar COM os professores e não SOBRE os professores. Os temas passam por motivação, teorias de aprendizagem, avaliação, indisciplina, interdisciplinaridade, laboratório, pedagogia de projetos entre outros.
Há pelo menos vinte e cinco anos a literatura educacional afirma com insistência que o conhecimento profissional se constrói na prática e não só, nem mesmo principalmente, na teoria (Murillo Mas et al, 2005).
- O contexto educacional internacional vem dando ênfase ao crescimento nos últimos anos da parceria como prática de formação inicial e continuada de professores. Segundo Foerste (2002), a parceria envolve instituições e/ou indivíduos que se agregam de forma voluntária para desenvolver objetivos comuns, estabelecendo negociações coletivas com partilha de compromissos e responsabilidades.
- A literatura tem apontado a parceria como forma de superação do distanciamento entre teoria-prática na formação inicial de professores, destacando a modalidade de interação triádica (Zanon, L.B. e Schnetzler, 2000) entre três sujeitos integrantes dessa formação: o licenciando, o co-formador, professor de Física no ensino médio ou de Ciências do ensino fundamental e o formador, professor da licenciatura. Tal modalidade de parceria permite a construção de novos saberes teóricos que incorporem aqueles elaborados em momentos de ação pedagógica reflexiva. Assim, tanto os formadores na universidade podem validar suas pesquisas educacionais como os professores das escolas ganham um espaço de formação continuada e os licenciandos ampliam suas possibilidades de formação para a implementação de inovações educacionais.
Na educação, a pedagogia de projetos vem assumindo cada vez mais um papel inovador, capaz de motivar alunos e professores na construção do conhecimento, desde a fase de planejamento até a de avaliação de uma experiência pedagógica em que o aluno é co-construtor do seu processo aprendizagem (Costa, 2003).
A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Brasileira de 1996 inicia suas Disposições Gerais para a Educação com um artigo que indica como suas finalidades: o desenvolvimento do educando, uma formação comum indispensável para o exercício da cidadania e o fornecimento a ele de meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Tamanha amplitude supõe a autonomia dos estabelecimentos de ensino, estreitamente vinculada às propostas pedagógicas traçadas e desenvolvidas por cada escola, sem deixar de considerar a existência de uma base nacional comum presente nos currículos do ensino fundamental e médio. A autonomia é um dos princípios da LDB que incidem sobre a organização da escola, principalmente no que tange à proposta pedagógica. Quanto a ela, as diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio (Parecer CEB nº 15/98) que precederam os parâmetros curriculares nacionais (PCN, 1999) indicam que:
Sua eficácia depende de conseguir pôr em prática um processo permanente de mobilização de "corações e mentes" para alcançar objetivos compartilhados (DCNEM, 1998).
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## Pedagogia de projetos
Vislumbramos numa pedagogia apoiada em projetos formas possíveis de se construir uma nova relação com o conhecimento, compreendendo que as informações levadas aos alunos pelos professores só se tornam conhecimento se transformadas por eles significativamente, isto é, estabelecendo relações com outros conhecimentos já construídos e incorporados. Nesse processo professores e alunos constróem pessoal e coletivamente novos conhecimentos não estabelecidos previamente (Gandin e Gandin, 1999).
Vivemos em um momento de redirecionamento da Educação em Ciências em todos os níveis, em especial na escola básica. Professores em serviço vivem atualmente entre duas culturas educativas, dirigidas a metas diferentes e cumprindo funções sociais distintas: a primeira está voltada para a sedução e seleção de alguns estudantes para as carreiras científicas que envolvem a ciência no seu dia a dia profissional e abarcam uma quantidade imensa de temas escolares tradicionais considerados indispensáveis e a segunda se volta para a formação de todos os cidadãos em um mundo que se torna sensivelmente mais viável para aqueles que estiverem "alfabetizados" científica e tecnologicamente. A última cultura exige tanto a aplicação dos currículos a situações do cotidiano, incluindo para isso uma ampliação com temas da Ciência contemporânea, como o estabelecimento de relações interdisciplinares não apenas entre as ciências da natureza como entre elas e as ciências sociais.
Os projetos pedagógicos mostram-se grandes aliados na transformação do ensino indicada pela direção tomada pela Educação em Ciências na atualidade, pois dão maior dinamismo ao processo de ensino-aprendizagem na medida em que permitem maior integração dos alunos com os conteúdos trabalhados, por sua atualização em relação a novas tecnologias e teorias, gerando motivação intrínseca nos discentes e docentes que deles são co-construtores.
De modo a ser usada em parceria entre licenciandos, professores e coformadores na escola básica e seus alunos, a pedagogia de projetos que propomos passa pela discussão inicial dos problemas sentidos pela escola que levem à escolha de algum tema gerador capaz de motivar a inserção da comunidade escolar em um projeto político-pedagógico que possa ser visto como uma inovação para ser vivida pela escola, em consonância à sua implementação simultânea no curso de licenciatura. Para isso é imprescindível tomar como ponto de partida o estabelecimento sobre o tipo de sociedade e de ser humano que o grupo envolvido deseja ajudar a construir, gerando significado também para a atenção e esforço que serão necessários devotar às atividades programadas (Gandin e Gandin, 1999). Em seguida são trabalhados planejamentos para aulas individuais e em grupos interdisciplinares dos professores, relacionados aos temas dos projetos, além de ações coletivas para a escola como um todo. O planejamento escolar pode também ser visto como um instrumento de atualização (Villani, 1991) para o crescimento intelectual do professor e como instrumento profissional para o aumento da eficiência das atividades didáticas'.
De forma ampla, assumimos como Murillo Mas et al (2005) que os projetos devem:
- · proporcionar aprendizagens significativas e compartilhadas entre todos os envolvidos;
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- · estimular atitudes de colaboração, respeito e compreensão da complexidade das situações vivenciadas;
- · fomentar a curiosidade intelectual, a autonomia e a criatividade;
- · provocar emoções e afetos inerentes à aventura de conhecer e criar e
- · estimular a reflexão permanente sobre os processos de formação dos envolvidos
Para Costa (2003) existem projetos educativos de escola e projetos pedagógicos . Os primeiros referem-se àqueles que são executados pela instituição escolar como um todo e os últimos àqueles mais setoriais, executados num nível restrito de uma determinada sala de aula ou intercambiando turmas, disciplinas etc, com o objetivo de dinamizar pedagogicamente a escola.
Acreditamos que ambos podem conviver em uma mesma parceria. Mas, para que ela se torne realidade, é necessário um gradativo entendimento das escolas como organizações dotadas de expressivas margens de autonomia, que permitam a educadores e educandos aproveitarem seus limites físicos e sociais para portarem-se inovadora e criticamente, tendo a liberdade de implantação de atividades que lhes são convenientes.
Segundo Hernandez (1998), os projetos não podem ser considerados como modelos pedagógicos prontos e acabados, ou como metodologia didática para o cumprimento do currículo, separados de sua dimensão política. Isso significa que sejam planejados visando atuar sobre as relações sociais, de forma intencional, passando o projeto em ação a ser um ato político. Desse modo, no trabalho com projetos realizado no âmbito das parcerias que serão estabelecidas neste projeto procura-se discutir o sentido dado ao processo do aprender e do ensinar, devendo os projetos dela oriundos estarem voltados para uma ação concreta que considere as necessidades dos alunos de resolver problemas individuais e da sua realidade social, em uma prática que pode ser introduzida no contexto escolar via diferentes oportunidades de expressão de sentimentos e emoções dos alunos e de seus professores, fruto de suas vivências no mundo.
Acreditamos serem estas as características fundamentais para e criação e realização de um projeto construído coletivamente em qualquer área de atuação social.
## Objetivos
A proposta aqui apresentada pretende disseminar a pedagogia de projetos como forma de melhorar a formação dos futuros professores. E para isso três caminhos são importantes:
- · Estabelecer um diálogo entre a escola básica e a universidade.
- · Adotar a pedagogia de projetos como uma via de mão-dupla entre escola e universidade
- · Proporcionar caminhos de desenvolvimento profissional para os professores iniciantes e em serviço
Os licenciandos que têm participado das atividades relatam a importância de conhecerem a realidade das escolas e experimentarem novas metodologias de disseminação do conhecimento científico. Tudo isso se articula com a ideia de que
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devemos superar tanto a exposição apenas de conteúdos clássicos como a transmissão desses conteúdos pelas práticas tradicionais do ensino escolar. Com as atividades empreendidas e com a reflexão sobre elas os licenciandos têm a possibilidade enriquecer suas formações acadêmicas.
## Conclusão
Reconhecendo que o processo de mudanças educacionais sugerido pela nova legislação precisa contar com os professores como os protagonistas principais tanto na fase de elaboração das propostas como na de sua implementação, encaramos esse processo sob uma perspectiva de dúvidas, indecisões, obstáculos, impasses e conflitos que atingem nossas escolas em graus diferenciados. Diante desse quadro acreditamos que, mais uma vez, a interação universidade-escola pode se tornar uma via de mão dupla para a realização das inovações na escola que, atendendo à nova legislação, passem a formar cidadãos capazes de fazer e não apenas de repetir, motivados para aprender ao longo da vida e satisfeitos em ter oportunidades de desenvolver e expressar habilidades e competências que puderem aprimorar por meio de uma Pedagogia de Projetos que venha a contribuir para tornar mais viável o atual conturbado cotidiano dos professores. Para isso é necessária mais liberdade dos currículos padronizados e fragmentados como os que vigoram, além de uma séria reflexão sobre novas formas de avaliação harmoniosas com os novos propósitos educacionais.
O projeto tem propiciado aos futuros professores contato com a realidade de escolas públicas, com a produção de materiais de divulgação e contato com o público que assiste às exposições que temos realizado no âmbito da universidade e nas escolas e aprofundamento sobre diferentes formas de ensinar Física. Isso se reveste de extrema importância, pois dá aos estudantes outra dimensão do Ensino de Física.
Dessa forma, esse trabalho apresenta a possibilidade de construir pontes entre diferentes saberes e metodologias para ensinar Física. Os diálogos entre Ciência e Arte, a abordagem de temas de Física Moderna e Contemporânea e a articulação desses aspectos para a divulgação deram outra perspectiva para as futuras práticas pedagógicas dos professores que estão sendo formados.
Sendo assim, contribui-se efetivamente para a formação de professores buscando articular a reflexão teórica com a prática pedagógica, seja na universidade, seja na escola básica.
## Bibliografia
BOGDAN, R. e BIKLEN, S. Investigação qualitativa em Educação - uma introdução à teoria e aos métodos Porto: PORTO, 1994.
COSTA, J. A. Projectos Educativos das Escolas: Um contributo para sua (des)construção. Em: Educação e Sociedade. Campinas, vol. 24, n 85, p. 1319-1340, dezembro 2003. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br
FOERSTE, E. Parceria na formação de professores: do conceito à prática Tese de Doutorado PUC-RJ 2002
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GANDIN, D. E GANDIN, L.A Temas para um projeto político-pedagógico Petrópolis: Editora VOZES, 1999.
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