AS CIÊNCIAS FÍSICAS E A CHAPADA DIAMANTINA - UM PROJETO DE INSERÇÃO E POPULARIZAÇÃO CIENTÍFICA NO INTERIOR DA BAHIA
A. V. Andrade-Neto, M. S. R. Miltao, Rainer Karl Madejsky, Péricles César De Araújo, Jossel Borges Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 04/02/2011
- Linha de pesquisa
- Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2011
Texto completo
## AS CIÊNCIAS FÍSICAS E A CHAPADA DIAMANTINA - UM PROJETO DE INSERÇÃO E POPULARIZAÇÃO CIENTÍFICA NO INTERIOR DA BAHIA
## A. V. Andrade-Neto ; M. S. R. Miltao ; Rainer Karl Madejsky ; Péricles César de 1 2 3 Araújo 4 ; Jossel Borges Santos 5
1 Departamento de Física da Universidade Estadual de Feira de Santana, andradeneto1\_uefs@yahoo.com.br
## Resumo
Neste trabalho são apresentadas as linhas gerais da atividade de extensão 'As Ciências Físicas e a Chapada Diamantina', desenvolvida pelo Departamento de Física da Universidade Estadual de Feira de Santana e um de seus desdobramentos, o projeto Sob as Estrelas das EFAs e da Chapada Diamantina. Tal atividade se enquadra nas ações extensionistas da Difusão Científica, Ação Cultural, e Aperfeiçoamento Profissional/Acadêmico da população, através de Cursos e tem por objetivo apresentar as Ciências Físicas e as suas relações com o cotidiano dos fenômenos ocorridos nessa região. A metodologia consta de três ações: Ciclo de palestra para a comunidade, aperfeiçoamento dos professores do ensino básico nas Ciências Físicas e visitas às escolas. Ao longo de 4 anos foram realizadas várias visitas nas quais as três atividades citadas foram apresentadas. Como uma perspectiva desse trabalho, além da conscientização da comunidade no que tange ao conhecimento das Ciências Físicas em suas várias áreas, particularmente na Astronomia, tem-se a expectativa da construção de um Observatório Astronômico na região considerando os seus aspectos atmosféricos e geográficos.
Palavras-chave : Difusão Científica, Ação Cultural, Aperfeiçoamento Profissional. Popularização da Astronomia
## Introdução
A Ciência é uma atividade muito discutida na sociedade contemporânea. Particularmente, no Brasil, as questões a ela atinentes são muito debatidas, especificamente em relação às Ciências Físicas (Ferri e Motoyama, 1979; Barros, 1987; SBF, 1990; SBF, 1998; SBF, 2005; Resende, 1994; Schwartzmann, 1994; Carvalho, 2001; Brasil, 2002a; Brasil, 2002b; Moreira, 2005; Marques, 2005). Não sem razão, essas questões estão sempre relacionadas à política econômica.
Outro ponto de forte importância relaciona-se com a questão ambiental, com os cuidados que devemos ter com o ambiente em que vivemos e que indubitavelmente está na base de quaisquer debates que venham a ocorrer.
- O enfrentamento desses desafios pressupõe várias atitudes, não só do ponto de vista de uma política nacional, mas, também, do ponto de vista regional.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Em particular, a formação de recursos humanos deve ser ampliada, aperfeiçoada e diversificada; o incremento aos investimentos em C&T e P&D deve ser considerado em todas as áreas do conhecimento humano; e a questão ambiental deve ser respeitada de maneira irretorquível.
Na base dessa política está assentada a necessidade de redução dos desequilíbrios regionais, principalmente aqueles ligados à Ciência e Tecnologia (Brasil, 2002b). Uma sentença que se torna mais contundente quando as políticas estaduais na área da educação superior não acenam para discussões substantivas sobre a função social e os problemas de cada unidade do sistema acadêmico, como é o caso, especificamente do Estado da Bahia (Rangel, 2005).
Considerando que na Bahia existem várias regiões que sofrem do problema do desequilíbrio regional, em particular a região da Chapada Diamantina, e que as Universidades que lidam com aspectos da C&T e P&D devem estreitar os seus laços para minimizar esses problemas, nomeadamente a Universidade Estadual de Feira de Santana que tem um Campus Avançado em Lençóis, importante cidade dessa região, é imprescindível que uma ação conjunta de seus professores se estabeleça para que o enfrentamento de tais desafios ocorra de uma maneira mais efetiva. Em particular, no Campo do Saber da Física, que se caracteriza por uma estrita ligação com a C&T e a P&D, a ação dos docentes do Departamento de Física torna-se mais do que necessária.
Com esse objetivo, portanto, nasceu o desejo e a idéia de realização de um projeto de extensão na Chapada Diamantina, relacionado com as Ciências Físicas (Física de Materiais, Física Médica, Econofísica, Ensino de Física, História e Filosofia da Física, Astronomia), que congregue o Departamento de Física da UEFS bem como outros que tenham ações que se relacionem com o Campo do Saber da Física.
Nesse sentido, como uma verificação da necessidade e aceitação por parte da comunidade da realização de tal projeto, no período entre os dias 04 e 07 de outubro de 2007, durante a IV Semana de Ciência e Tecnologia realizada no Campus Avançado de Lençóis, desenvolvemos uma atividade piloto denominada As Ciências Físicas na Chapada Diamantina: aspectos gerais, Astrofísica, e experimentos de Óptica (Nolasco, 2007) constando das seguintes ações: Palestras e discussão com alunos do ensino fundamental e médio, realização de experimentos.
Podemos afirmar que a atividade piloto obteve pleno êxito visto que as sessões de apresentação com os alunos foram participativas e o corpo docente da escola se envolveu, demonstrando forte interesse. Isso nos indicou, portanto, a necessidade de desenvolvimento de tal ação na Chapada Diamantina, justificando, dessa forma, a elaboração de um projeto para contemplar as questões indicadas acima. Assim, foi elaborado o projeto intitulado As Ciências Físicas e a Chapada Diamantina o qual foi aprovado pela Resolução CONSEPE 143/2007.
## Considerações sobre a Extensão
Sendo uma atividade de extensão, e com o intuito de estabelecermos o seu marco teórico, vamos tecer alguns comentários sobre a concepção da extensão universitária, relacionada com o campo do saber da Física, com a finalidade de se enquadrar o presente projeto na ação extensionista.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
De acordo com o Projeto do Departamento de Física (Área de Física, 1998; Miltão e Farias, 2008), entende-se que a extensão em Física é o conjunto de atos praticados pelo Departamento de Física no sentido de integrar-se à sociedade, atendendo as finalidades básicas do compromisso político-social e da prática acadêmica. A primeira, referindo-se a obrigação da Universidade reverter seus benefícios em favor da maioria da população, sem perda da pluralidade, que é essencial à prática universitária, e sem confundir definição filosófico-política com postura político partidária; a segunda, referindo-se à extensão como o elemento articulador do ensino e da pesquisa com a sociedade, outorgando à Universidade uma função transformadora do meio social. A Extensão, portanto, 'é uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica que encontrará, na sociedade, a oportunidade da elaboração da práxis de um Conhecimento acadêmico; no retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele Conhecimento' (UNB, 1989). Dessa forma, as áreas de extensão do Departamento de Física, também, são coincidentes com os próprios Sub-Domínios da Física.
Os atos extensionistas praticados pelo Departamento de Física são aqueles do tipo (UNB, 1989; Barros, 1980; Garrafa, 1987; Reis, 1992; Miltão e Farias, 2008):
- · Difusão Científica: é compreendida como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, é tomado como um pólo de onde emanam e circulam os produtos culturais/científicos por ele criados. Entre outras atividades, nesse ato se incluem: os eventos promovidos pelo Departamento de Física, tais como 'Semana de Física', e as participações dos Professores do DFIS naqueles promovidos por outras Instituições, tais como 'Reunião Anual da SBPC', 'Encontro de Físicos do Norte/Nordeste'; as publicações especializadas e de divulgação editadas pelo Departamento de Física, e as participações dos Professores do DFIS naquelas editadas por outras Instituições; o registro de patentes; os cursos e outras formas de apresentação de divulgação, tais como cursos, exposição de filmes, palestras, colóquios, seminários, mesas-redondas, ou outros trabalhos equivalentes cuja natureza seja a de divulgação; etc.;
- · Ação Cultural: é compreendida como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, estabelece uma relação com a comunidade, tanto externa quanto interna, na qual ambos (o Departamento e a comunidade) comportam-se ativamente como sujeitos objetivando a sensibilização e conscientização junto às comunidades na valorização e proteção do Patrimônio histórico, artístico, científico e cultural, a formação crítica da opinião pública, e a prática humanística;
- · Aperfeiçoamento Profissional/Acadêmico da população, através de Cursos: é compreendido como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, desenvolve a educação continuada com o objetivo de evitar que o perfil dos profissionais formados em Física torne-se obsoleto no decurso da vida por conta da dinâmica existente no processo de produção científica e tecnológica desse Campo do Saber;
- · Assessoria/Consultoria Técnica/Científica e Pedagógica: é compreendido como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, desenvolve a prestação de serviços com o objetivo de auxiliar a
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
comunidade nas suas formas de organização através de atividades de assessorias e/ou consultorias no Campo da Física;
- · Trabalhos Técnicos/Científicos apresentados pelo Departamento de Física à comunidade em geral, seja ela interna ou externa à Universidade: é compreendido como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, dissemina o Conhecimento Físico de natureza específica através de atividades do tipo: seminários, colóquios, conferências, etc.; e,
- · Trabalhos Técnicos/Científicos apresentados por Instituições públicas ou privadas ao Departamento de Física e/ou à comunidade em geral, seja ele interna ou externa à Universidade: é compreendido como a ação em que a Universidade, em particular o Departamento de Física, recebe o Conhecimento Físico emanado de outras Instituições de natureza específica através de atividades do tipo: seminários, colóquios, conferências, etc.
## Alguns aspectos da Chapada Diamantina
Considerando que a atividade de extensão será desenvolvida principalmente na região da Chapada Diamantina, estabeleceu-se alguns aspectos dessa região que justificam o desenvolvimento da atividade.
A Chapada Diamantina está situada na região central do estado da Bahia e abrange uma área de 38.000 km . É uma região que apresenta relevo montanhoso, 2 com altitudes que variam entre 400 m a 1.800 m. Os dois pontos mais altos da Bahia estão situados nessa região. O Pico das Almas com 1.958 m e o Pico do Barbado com 2.033 m, sendo este último o mais alto do nordeste. De modo geral, o clima da região é classificado como tropical semi-úmido. Mas, a diversidade de altitude e relevos observada na Chapada Diamantina proporciona a existência de diversos micro-climas. Na parte oeste da Chapada o clima é tropical com precipitação pluviométrica que cresce das menores para as maiores altitudes. A média anual nas áreas mais baixas é cerca de 500 mm; já nas partes mais altas pode ultrapassar 1.000 mm. Na parte leste a precipitação média anual é de 670 a 860 mm. As chuvas são mais abundantes no verão, entre os meses de novembro a janeiro. A diversidade climática reflete uma grande diversidade vegetal.
Antes da chegada dos exploradores que procuravam ouro e diamante, essa região era habitada pelos índios maracás, do grupo dos tapuias. No inicio do século XVII ocorreu a descoberta de ouro no sul da Chapada começando, assim, a colonização da região. A exploração do diamante teve inicio por volta de 1820 na serra do Sincorá, situada nessa região. Com essa exploração foram criados povoados que depois originaram as cidades de Mucugê, Andaraí e Lençóis. O ciclo do diamante nessa região durou cerca de 25 anos. O seu declínio teve como causas a queda no preço e a concorrência da África do Sul. Uma alternativa ao declínio da produção do diamante foi a exploração de carbonatos. A partir de 1870 esse material começou a adquirir altos preços, graças a grande procura no mercado internacional, já que devido a sua alta resistência mecânica ele era empregado em máquinas de perfuração, como as utilizadas na construção do canal do Panamá..
- A exploração do diamante e do carbonato teve importância econômica relevante até as primeiras décadas do século XX. Depois dessa época foi observado um longo período de estagnação econômica. A partir da década de 1970 observa-se
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
uma recuperação econômica da região tendo como base o turismo e a criação de modernos pólos de agricultura.
## Relato das Atividades Desenvolvidas
## a) Natureza das Atividades
Para a consecução do trabalho, três atividades são desenvolvidas. São elas, com os respectivos significados:
- I. Ciclo de palestras para a comunidade sobre as Ciências Físicas - visa difundir no seio da comunidade assuntos e conteúdos relacionados com as Ciências Físicas, buscando sensibilizar e conscientizar de forma dialógica, tal comunidade da necessidade de valorização e proteção do Patrimônio histórico-cultural-ambiental da Chapada Diamantina;
- II. Aperfeiçoamento dos professores do Ensino Fundamental e Médio nas Ciências Físicas -visa desenvolver, utilizando a transposição didática, uma educação continuada para os professores, propiciando-lhes uma visão atualizada sobre temas das Ciências Físicas;
- III. Visitas nas Escolas do Ensino Fundamental e Médio com exposições sobre as Ciências Físicas - visa apresentar aos estudantes do ensino fundamental e médio temas relacionados com as Ciências Físicas, através de exposição oral e experimentos, com o fito de demonstrar a beleza e fascínio de tal Campo do Saber, em uma linguagem apropriada à percepção cognitiva deles.
Conseqüentemente, esse trabalho se enquadra nas ações extensionistas da Difusão Científica, Ação Cultural, e Aperfeiçoamento Profissional/Acadêmico da população, através de Cursos.
Difusão Científica, na medida em que divulgamos para a comunidade da Chapada Diamantina o Campo do Saber da Física nas suas diferentes e fascinantes áreas de pesquisa, procurando relacioná-las, sempre que possível e utilizando a transposição didática, com o quotidiano da população em questão.
Ação Cultural, na medida em que pretendemos estabelecer uma relação com a comunidade da Chapada Diamantina em que ambos, o Departamento e a comunidade, se sensibilizem e se conscientizem da necessidade de valorização e proteção daquele Patrimônio histórico-cultural-ambiental, dialoguem na busca de uma formação crítica daquela opinião pública, e desenvolvam a prática humanística.
Aperfeiçoamento profissional/acadêmico, na medida em que oferecemos aos docentes que trabalham com as Ciências Físicas nas escolas da região, cursos com conteúdos de Física, com o fito de desenvolver uma educação continuada, propiciando uma visão atualizada sobre tais temas para esses profissionais.
Assim sendo, o objetivo do nosso trabalho, em seus aspectos gerais, é apresentar as Ciências Físicas e as suas relações com o quotidiano dos fenômenos ocorridos na região da Chapada Diamantina. A partir daí, desejamos aprofundar a intervenção do Departamento de Física na Chapada Diamantina, realizando atividades permanentes de acordo com os anseios da comunidade.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Em termos específicos, o objetivo do trabalho em apreço é desenvolver três classes de ações extensionistas, nomeadamente, palestras, cursos de aperfeiçoamento e visitas às escolas da região.
## b) Atividades Desenvolvidas nos Anos 2007-2010
Em termos de desenvolvimento do trabalho, subdividimos em três momentos, cada visita feita à Chapada Diamantina.
Nas quintas-feiras, à noite, apresentamos uma palestra para a comunidade, versando sobre algum tema relacionado com as Ciências Físicas. Nas sextas-feiras, durante todo o dia, visitamos as escolas do ensino fundamental e médio, apresentando oralmente e através de experimentos de baixo custo, conteúdos relacionados com a programação do calendário escolar na época da visita. Nos sábados, pela manhã e tarde apresentamos o mini-curso para os professores do ensino básico.
Entre os anos de 2007 e 2008 foram realizadas várias visitas ao Campus Avançado de Lençóis onde foram proferidas palestras sobre diversos temas de interesse geral para a comunidade, a exemplo de 'Energia e Meio Ambiente', 'Efeito Estufa', 'Astrofísica'; foram ministrados minicursos para os professores de ciências sobre 'Evolução da Física', 'Energia e a Questão Ambiental', 'Mecânica Clássica e Mapas Conceituais' e 'Física Moderna e Contemporânea'; e desenvolvidos vários experimentos em sala de aula do ensino fundamental e médio.
Em 2009, em comemoração ao Ano Internacional da Astronomia, a Fundação de Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) lançou um edital de popularização de Ciências - Astronomia. O grupo que já vinha desenvolvendo o projeto supracitado concorreu ao Edital FAPESB/CNPq 025/2009 com o projeto intitulado 'Sob as Estrelas das EFAs e da Chapada Diamantina: Uma Astronomia Popular' o qual foi aprovado conforme termo de outorga PES0063/2009. Esse projeto tem como objetivo levar o conhecimento da Astronomia para o interior do Estado da Bahia, tanto para a zona rural quanto urbana, apresentando os fenômenos astronômicos através de suas relações com o cotidiano, utilizando uma linguagem apropriada à popularização das Ciências. Com o financiamento da FAPESB foi adquiridos telescópios os quais foram emprestados as escolas para que os interessados realizem observações astronômicas de forma autônoma, a partir das orientações da equipe. Esse é um dado importante em um projeto de popularização de ciências em face do enorme fascínio que a Astronomia exerce sobre as pessoas. A partir do ano de 2010 o projeto foi ampliado para outras cidades da Chapada Diamantina, além de Lençóis, conforme discriminado abaixo.
- o No período entre os dias 08/04 a 10/04/2010 a equipe visitou o município de Lençóis. No dia 08/04 foram apresentados os projetos de extensão universitária intitulados As Ciências Físicas e a Chapada Diamantina e Sob as Estrelas das EFAs e da Chapada Diamantina: Uma Astronomia Popular no Campus Avançado da UEFS em Lençóis, e uma palestra intitulada: Átomos: dos Gregos à Ciência Contemporânea. No dia 09/04 a equipe visitou os estabelecimentos Colégio Estadual Renato Pereira Viana (CERPV) e Colégio Estadual Horácio de Matos, nos turnos matutino, vespertino e noturno, com apresentação dos projetos, fenômenos físicos e astronômicos, e das observações planejadas com os telescópios. As
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
apresentações foram assistidas pelos alunos do ensino fundamental e médio com muito interesse. No dia seguinte, 10/04, a equipe apresentou no Campus Avançado da UEFS em Lençóis um minicurso intitulado As Ciências Físicas: Natureza, Significado e Exemplos, assistido por vários professores das escolas e pessoas da comunidade.
- o Entre os dias 27 a 29/05/2010 a equipe visitou os municípios de Andaraí e Mucugê. Na ocasião foi apresentado o projeto de extensão universitária intitulado Sob as Estrelas das EFAs e da Chapada Diamantina: Uma Astronomia Popular aos alunos e professores dos colégios e as respectivas Secretarias Municipais de Educação. Em Andaraí a equipe apresentou o projeto de extensão e palestras sobre o Sistema Solar e a Via Láctea para professores e alunos do Colégio Municipal de Andaraí e do Colégio Estadual Edgar Silva. No dia seguinte, a equipe viajou para a cidade de Mucugê. Num primeiro momento, o referido projeto foi apresentado aos professores das disciplinas Física e de Ciências, do Colégio Estadual Horácio de Matos. A equipe fez a apresentação do projeto de extensão e realizou palestras sobre o Sistema Solar, a Via Láctea e Galáxias nas salas de aula. A acolhida ao projeto pelos professores dos municípios de Andaraí e Mucugê foi a melhor possível, o que criou na equipe que desenvolve o trabalho uma expectativa muito positiva.
- o No período entre os dias 08/10 a 12/06/2010 a equipe visitou o município de Lençóis. A equipe apresentou duas palestras intituladas 'Atmosferas dos Planetas e da Terra' e 'Efeito Estufa e Aquecimento Global?' no Campus Avançado da UEFS de Lençóis. No dia seguinte, a equipe visitou os colégios CERPV e Horácio de Matos. Durante as visitas foram apresentadas palestras sobre o Sistema Solar, a Via Láctea e Galáxias, e mapas celestes e mapas da superfície da Lua. Os professores e alunos se mostraram muito interessados no projeto e nas observações astronômicas. No último dia, a equipe apresentou um minicurso com carga horária de 8 horas sobre mecânica clássica e aplicações na astronomia.
- o No período entre os dias 15 a 21/08/2010 a equipe visitou os municípios de Andaraí, Igatú, Mucugê, Guiné e Rio de Contas, realizando a I Semana Temática de Astronomia da Chapada Diamantina. No dia 16 de agosto de 2010, a equipe visitou o Colégio Estadual Edgar Silva, em Andaraí, e apresentou palestras sobre planetas, estrelas e observações astronômicas. Foi apresentado também o telescópio SK1309EQ2 que foi entregue à direção do colégio junto com amplo material didático. A equipe também visitou o Colégio Municipal de Andaraí e apresentou o funcionamento do telescópio SK909AZ3 o qual foi entregue no colégio durante a I Semana Temática junto com amplo material didático. No dia seguinte, a equipe viajou a Igatú onde foi apresentado o projeto à Escola Municipal Eurico Antunes Costa e à Secretária do Centro Cultural Chic Chic. A equipe continuou viagem ao município de Mucugê onde visitou o Colégio Estadual Horácio de Matos, apresentando palestras sobre planetas, estrelas, galáxias e observações astronômicas. Foi explicado o funcionamento de um telescópio SK13065EQ2 o qual tinha sido entregue no colégio na semana anterior à I Semana Temática e foi entregue à direção do colégio mais um telescópio Greika o F1000114EQ junto com amplo material didático. No dia seguinte, a equipe visitou o Colégio Estadual Eurico Belo do povoado de Guiné, situado a 40 km de Mucugê, onde foram apresentadas palestras sobre planetas, estrelas, galáxias e observações astronômicas. Foi explicado o funcionamento de telescópios refratores e refletores e foi entregue a direção do colégio um telescópio Greika F1000114EQ junto com amplo material didático. Depois das apresentações e da entrega do telescópio, a equipe continuou viagem ao município de Rio de Contas. No Colégio Estadual Carlos Souto, a equipe
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
apresentou palestras sobre planetas, estrelas, galáxias e observações astronômicas. Foi explicado o funcionamento de telescópios refratores e refletores e foi apresentado o telescópio SK1309EQ2 o qual tinha sido entregue à direção do colégio na semana anterior à I Semana Temática. A equipe apresentou as palestras no Colégio citado em várias seções durante dois dias a todas as turmas do colégio Em resumo, a acolhida ao projeto pelos professores dos municípios de Andaraí, Igatú, Mucugê, Guiné e Rio de Contas foi a melhor possível, o que criou na equipe que desenvolve o trabalho uma expectativa muito positiva.
- o Nos dias 02 e 03/09/2010 a equipe visitou os municípios de Nova Redenção (esse pela primeira vez) e Andaraí. Em Nova Redenção foi apresentado o projeto à Secretária Municipal de Educação e à Direção da Escola Estadual Edilson Joaquim dos Santos. No município de Andaraí foram apresentadas palestras relacionadas com a astronomia em um palco em frente ao colégio municipal para um público amplo, tanto do colégio quanto da comunidade. Depois das palestras houve uma longa sessão de perguntas. Também durante essa visita os professores do projeto foram ao Colégio Estadual Edgar Silva e esclareceram algumas dúvidas em relação ao funcionamento do telescópio doado em visita anterior.
## Considerações Finais
Além da popularização das Ciências Físicas, com ênfase em Astronomia, na região da Chapada Diamantina, o presente projeto tem como um dos objetivos fazer um levantamento das condições atmosféricas dessa região com vistas à construção de um observatório astronômico. Vale frisar que nas visitas feitas esse ponto é sempre enfatizado e a comunidade se manifesta favoravelmente a essa idéia.
- O projeto de construção de um Observatório Astronômico na Chapada Diamantina compreende um telescópio de tamanho médio (diâmetro do espelho a ser definido de acordo com disponibilidade de recursos), instrumentação auxiliar (câmaras de imagens, fotômetro, espectrógrafo e espectrógrafo multi-objeto) e prédios auxiliares (cúpula para o telescópio, prédio com laboratório computacional para processamento de dados observacionais, biblioteca, alojamento, cozinha).
A Chapada Diamantina se destaca pelas ótimas condições climáticas, com baixos níveis de precipitação e umidade, principalmente na parte ocidental do Parque Nacional. A Chapada Diamantina ainda se destaca pela sua posição geográfica (latitude 12 S), sendo mais favorável que a de outros Observatórios, dando acesso ao hemisfério sul e quase todo hemisfério norte. A grande distância da Chapada Diamantina de cidades evita iluminação artificial nas imediações por um lado, por outro lado já existe uma infra-estrutura mínima necessária (estradas, aeroportos), facilitando a construção do, e futuro acesso ao, Observatório Astronômico. A proximidade do Parque Nacional garante a preservação da região, limitando futuras construções e outros fatores que poderiam resultar em degradação das condições atmosféricas (como exemplo, o LNA relata uma degradação do sítio nos últimos anos devido a poluição atmosférica por queimadas e iluminação artificial nos arredores de Itajubá).
## Agradecimentos
Os autores agradecem à FAPESB pelo apoio financeiro.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Referências
ÁREA DE FÍSICA DA UEFS; Projeto do Departamento de Física da UEFS. PUBLIFIS - Publicações da Área de Física, Feira de Santana - BA 1998.
BARROS, A. L. de R. Perspectivas em Física Teórica. Anais do Simpósio de Física em Homenagem ao 70º Aniversário do Prof. Mário Schenberg. Instituto de Física da Universidade de São Paulo, São Paulo - SP, 1987.
BARROS, Z. G. P. de. A extensão universitária e o ensino de 1º e 2º graus. Educação Brasileira, Ano II (5): 273-287, 2º sem. 1980.
BRASIL, MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Relatório Apresentado ao Ministério da Ciência e Tecnologia sobre Alguns Aspectos da Física Brasileira. MCT, Brasília - DF, 2002b.
BRASIL, MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Classificação Brasileira de Ocupações - CBO. Brasília - DF, 2002a.
CARVALHO, C. A. A.de (coord.). Física no Brasil - Presente e Futuro. ABC, Rio de Janeiro - RJ, 2001.
CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL. Diretrizes de Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Brasília - DF, 26 nov 2003.
CRUZ, C. H. B. e PACHECO, C. A. Conhecimento e Inovação: Desafios do Brasil no Século XXI. Inovação Unicamp, Seção Íntegras. 30 dez 2004 (Em: http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-britopacheco.shtml).
DIAS, R. E. e LOPES, A. C. Competências na Formação de Professores no Brasil: o que (não) há de novo. Educ. Soc.. 24 (85): 1155-1177, 2003.
FERRI, M. G. e Motoyama, S (Coord.). História das Ciências no Brasil. EPU/EDUSP, São Paulo - SP, 1979.
FIESP. Perspectivas de Crescimento Econômico para o Brasil, seus Fatores Limitadores e Impactos Sociais. Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro - RJ, s.d.
GARRAFA, V. Extensão: do assistencialismo ao compromisso. Humanidades, Ano IV (12): 88-90, 1987.
MARQUES, G. C. (organizador). Física: Tendências e Perspectivas. Ed. Livraria da Física, São Paulo - SP, 2005.
MILTÃO, M. S. R. e FARIAS, Franz Alves. Departamento de Física: Proposta de Atividade de Extensão de uma Unidade Acadêmica Universitária. Caderno de Física da UEFS 06 (01 e 02): 19-29, 2008
MOREIRA, I. C. e KNOBEL, M. (coord.). Física. Ciência e Cultura. Ano 57 (03): 19-55, 2005.
MUNDELL, W. B. Atuais Desafios da Economia Mundial. Agência Estado Financeiro. 06 dez 2004 (Em: http://www.aefinanceiro.com.br/artigos/2004/dez/06/241.htm).
NOLASCO, M. C. (org). Relatório de Atividades Desenvolvidas na IV Semana de Ciência e Tecnologia realizada no Campus Avançado de Lençóis. UEFS, Publicação interna, 2007.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
OCDE - Organização Para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Liderança e Setor Público no Século 21. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Coleção Gestão Pública, Brasília - DF, 2002.
RANGEL, H. A Caminho do Ocaso. A Tarde. Ano 92 (31.477): 02, 13 jun 2005.
REIS, R. H. dos. A institucionalização da extensão. Educação Brasileira, 14 (28): 67-81, 1º sem. 1992.
RESENDE, S. A Física no Brasil. Estudos da SBF, 01: 04-39, 1994.
SBF. A Física no Brasil na próxima década, 3V. Publicação da SBF, São Paulo - SP, 1990.
SBF. Estudo sobre o sistema de Bolsa de Produtividade em pesquisa do CNPq na área de Física e Astronomia. Boletim Informativo da SBF. Ano 29 (01): 24-42, 1998.
SBF. Física para o Brasil: pensando o futuro. Publicação da SBF, São Paulo - SP, 2005.
SCHWARTZMANN, S. (org.). Estado Atual e Papel Futuro da Ciência e Tecnologia no Brasil (EAFP). MCT, Brasília - DF, 1994.
UNB. Extensão - a universidade construindo saber e cidadania. Documento final do I Encontro de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Brasileiras (1987), Brasília, 1989.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.