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DESENVOLVENDO ATIVIDADES DE ÓPTICA NO ENSINO DE FÍSICA A PARTIR DO ENFOQUE DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA

Fernanda Fonseca, Paulo Henrique Taborba, Sérgio Camargo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
04/02/2011
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DESENVOLVENDO ATIVIDADES DE ÓPTICA NO ENSINO DE FÍSICA A PARTIR DO ENFOQUE DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA

## Fernanda Fonseca 1 , Paulo Henrique Taborda , Sérgio Camargo 2 3

1 Departamento de Teoria e Prática de Ensino/Setor de Educação/Universidade Federal do Paraná, fernanda.fisica@hotmail.com

2 Departamento de Teoria e Prática de Ensino/Setor de Educação/Universidade Federal do Paraná, paulinhotaborba@gmail.com

1,2 Bolsistas do Programa de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID)

Este trabalho foi desenvolvido numa escola da Educação Básica da rede pública de ensino da cidade de Curitiba Paraná. Trata-se do desenvolvido de atividades de ensino de Física na qual se introduziu conceitos de óptica numa perspectiva da História da Ciência em uma escola do ensino médio. Esses conceitos foram desenvolvidos em quatro aulas de uma turma do segundo (2ª) ano do Ensino Médio. As aulas de Óptica foram planejadas com foco no desenvolvimento e evolução do pensamento científico a partir da História e Filosofia da Ciência. Em todas as atividades realizadas foram apresentadas questões e exercícios para os alunos. Essas questões visavam avaliar o aproveitamento e a assimilação dos conteúdos trabalhados com os alunos pelos futuros professores de Física. Analisando o trabalho percebemos a existência de vários fatores que podem prejudicar a utilização dessa abordagem em sala de aula como, por exemplo, a escassez de material sobre esse assunto no ensino de Física; a falta de domínio do professor do ensino médio para trabalhar com esse enfoque, o que acaba gerando erros conceituais no processo de ensino, ocasionando alguns equívocos que podem confundir o aluno no processo de aprendizagem; os livros didáticos também corroboram para que o professor cometa erros ao trabalhar com a História da Ciência, pois a maioria dos livros apresenta as teorias científicas sem contextualização, levando ao aluno um conhecimento sem origem. Os livros podem até mostrar como o experimento foi efetuado, entretanto, as conclusões tiradas a partir dele são mostradas como se o cientista tivesse 'um dom divino'.

Palavras-chave: Prática de Ensino e Estágio Supervisionado em Física, História da Ciência, História da Física, Ensino de Física.

## Contribuição da História e Filosofia da Ciência

A História e Filosofia da Ciência é uma temática que vem sendo bastante discutida nas ultimas décadas. É inegável a importância dessa temática para o desenvolvimento do ensino de ciência. Nos últimos anos surgiram na literatura proposições de trabalhar o Ensino das Ciências no Ensino Médio a partir do enfoque

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da História e Filosofia da Ciência, os autores defendem que a inserção desse enfoque nas aulas de Física, por exemplo, poderiam corroborar para a formação de um cidadão mais consciente do que seria a própria ciência e seus métodos. Além disso, segundo Vannucchi e Carvalho (1996) 'a introdução dos estudantes nas questões especulativas, metafísicas e éticas que a Ciência vem considerando ao longo de sua história poderia minimizar posturas ingênuas frente a crendices e superstições'.

A apresentação do desenvolvimento e da evolução do pensamento científico, segundo Castro e Carvalho (1992), permite ao aluno compreender a Ciência como objeto em construção gradual, uma vez que esta se mostra como uma sucessão interminável de construções de conhecimento. Com essa temática, é possível confrontar teorias explicativas conflitantes, expondo o caráter dinâmico da Ciência.

Essa abordagem consente ao aluno depreender as idéias, motivações e opções que levaram os cientistas a buscar e produzir esses conhecimentos. E também possibilita ao professor esclarecer dúvidas, e utilizar como argumento de convencimento, situações e dúvidas de grandes cientistas.

Vannucchi e Carvalho (1996) também acreditam que o conhecimento dos processos da Ciência 'podem contribuir como exemplos históricos de investigação, hipóteses inesperadas, consolidação e substituição de teorias e modelos'.

Esse enfoque 'encaminha o raciocínio de uma maneira mais próxima da forma de pensar do aluno' (Castro e Carvalho, 1992), permitindo uma melhor aceitação de novas teorias, com menos resistência e inibição por parte do estudante.

Outra vantagem nessa abordagem, afirma Castro e Carvalho (1992), é a aproximação da linguagem do aluno. A elaboração do raciocínio do cientista no desenvolvimento de seu trabalho auxilia a separar melhor os significados, superando limites de linguagem. No entanto, o conhecimento produzido nos laboratórios por cientistas necessita de uma adaptação para serem levados à sala de aula (Siqueira, 2006). Esses conhecimentos envolvendo cálculos matemáticos complexos precisam ser adaptados a um nível mais adequado e de forma contextualizada com a realidade da comunidade atendida pela escola.

Martins (2001) alerta sobre a necessidade de uma formação adequada para que sejam evitados erros. Ele afirma que 'somente uma pessoa com um conhecimento e treino adequado nas técnicas de trabalho de História da Ciência deveria poder escrever sobre História da Ciência'. Afirma ainda que, a História da Ciência é uma atividade profissional, que exige aprendizado, seriedade e dedicação. Tudo isso para que sejam evitados erros que serão transmitidos em cadeia. Segundo esse autor, um conhecimento parcial sempre leva a erro e, para minimizar isso, é preciso buscar sempre um embasamento em fontes seguras.

A partir de observações e do estudo realizado por Jean Piaget sobre a questão da aprendizagem percebe-se que esta é algo construído de forma gradual. Essa construção se dá mediante dois processos: assimilação e acomodação . O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Já a acomodação é o processo de modificação desses esquemas mentais, ou seja, uma substituição ou adaptação do conhecimento prévio.

Esse processo não costuma ser rápido nem fácil, uma vez que é difícil abandonar uma idéia que na maioria das vezes as pessoas compartilham. O simples

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fato de apresentar uma nova teoria e afirmar que ela é verdadeira, desconsiderando qualquer outra forma de pensar, não é o bastante para desencadear todo esse processo de mudança conceitual. É necessária toda uma estratégia para induzir a essa mudança.

No caso da sala de aula entende-se que o primeiro a ser dado pelo professor é encontrar situações cotidianas que instiguem a dúvida em seus alunos em relação a sua forma de pensar, isto é, criar uma perturbação. No entanto, não se pode citar qualquer situação, deve-se dar exemplos significativos para os alunos. E após apresentada a idéia científica, é necessário mostrar seu poder de explicação, sua abrangência e a tornár tão usual como o esquema antigo adotado pelo aluno. Essa perturbação pode ser causada pela falta de informação (lacuna) ou pelo conflito entre o conhecimento prévio do aluno e o conhecimento científico.

Um dos propósitos do uso dessa abordagem histórico-filosófica da ciência discutida nesse trabalho é de tornar consciente essa visão de construção de conhecimento, uma vez que esse processo de modificação conceitual se dá de forma mais suave por ter perturbações mais lacunares que conflitivas (Castro e Carvalho, 1992).

Quando falamos em História da Ciência, no entanto, devemos lembrar primeiramente que a Ciência é feita por homens comuns que se dedicaram a esses estudos. Neste trabalho apresentamos atividades de óptica desenvolvidas em uma turma de Ensino Médio, de uma escola da educação básica da rede pública de ensino, faremos uma reflexão sobre a pertinência e a importância da utilização dessa temática, apresentando pontos favoráveis e adversos à adoção dessa proposta.

## Importância dos Fatos Históricos

Dependendo da concepção que o professor tem de História da Ciência, sua utilização durante as atividades no ensino de Física pode se tornar um processo muito interessante. No entanto se ficar apenas colocando uma cronologia dos acontecimentos pode tornar o processo longo e cansativo visto que muitos conhecimentos tiveram uma evolução demorada e passaram pelas mãos de vários cientistas até tomarem uma direção e serem interpretados de forma coerente com os fatos que a natureza apresentava.

Então devemos dar certa importância às revoluções que aconteceram ao longo da construção do conhecimento, mas não esquecendo a base que levou a essas revoluções, a explicação do conceito em si parte de uma busca de dados históricos sobre o desenvolvimento de certo conceito e não apenas da sua aplicação em fórmulas e exercícios desconexos. Talvez em alguns casos a evolução da 'fórmula' para certo conceito é cabível em uma aula, mas isso muitas vezes não traz ao aluno a ligação daquele formalismo matemático com o fenômeno em si. A partir desse ponto, a história da ciência pode utilizada como uma ferramenta a fim de apresentar o conhecimento/fenômeno de forma mais evidente e clara, melhor adaptada ao Ensino Médio, tentando reduzir o uso da linguagem matemática.

- O ato de revelar ao aluno a ocasião que impeliu o estudo do fenômeno e os fatores sócio-culturais que levaram o pesquisador àquele conhecimento é

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extremamente relevante para a compreensão da importância do desenvolvimento científico. Fazer com que eles percebam que a Ciência tem um papel fundamental na sociedade fará com que perguntas como 'Para que estudar Física?' sejam eliminadas da sala de aula, uma vez que esse enfoque permite ao aluno a visão da Ciência como fator crucial no desenvolvimento da sociedade e na forma como esta é articulada atualmente.

Um exemplo típico dessa necessidade é a Revolução Industrial que surgiu a partir da invenção das Máquinas Térmicas, outros exemplos como a Física Nuclear que aparece com a necessidade de armamento pesado para a guerra, é possível ainda citar a corrida espacial como parte determinante para o desenvolvimento de novas tecnologias. Estes são fatos recentes de construção de conhecimento, contudo, não podemos esquecer idéias mais antigas como as de Aristóteles que por muitos anos foi tomada como verdade pela sociedade. Importante lembrar que as idéias aristotélicas apesar de errôneas tiveram um papel fundamental para a base de todas as ciências ditas como naturais.

## Algumas dificuldades na utilização da abordagem Histórico-Filosófica da Ciência no ensino de Física

Um dos fatores que prejudicam a utilização dessa abordagem em sala de aula é o fato de que o professor de Ensino Médio tem muito pouco contato com a literatura que envolve esse enfoque e também pela escassez de material sobre esse assunto. E mesmo aqueles docentes que buscam adquirir material, o custo dos livros se torna inviável (Martins, 2007).

Outro fator que interfere muito no processo é que o professor tem um conhecimento limitado de História para poder aplicar esse enfoque, o que leva, muitas vezes, a cometer erros conceituais na formação do conhecimento e equívocos que podem confundir o aluno no processo de aprendizagem.

Os livros didáticos também corroboram para que o professor cometa esses erros ao aplicar a História da Ciência, pois a maioria dos livros apresenta as teorias científicas sem contextualização, levando ao aluno um conhecimento, para ele, sem origem. Os livros podem até mostrar como o experimento foi efetuado, entretanto, as conclusões tiradas a partir dele são mostradas como se o cientista tivesse 'um dom divino'.

Ainda existe o problema de que a ciência não é facilmente entendida por qualquer pessoa, é preciso o mínimo de esforço por parte do estudante para conseguir compreender a estrutura do pensamento cientifico. Como tem pessoas que apreciam música e não a conseguem reproduzir, assim acontece com a ciência. Pode-se até ter uma compreensão do que esta sendo estudado, contudo, nem sempre é fácil reproduzir as idéias obtidas pelos cientistas na época. Isso é que dificulta muitas vezes o enfoque histórico porque o professor não entende essa peculiaridade e quer que o aluno consiga reproduzir os pensamentos do cientista, não que isso seja impossível, mas devemos nos ater ao fato que ele teve uma dedicação exclusiva e muito tempo de estudo e pesquisa para se obter um resultado, e o aluno só tem algumas horas desse processo.

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## Aula de Historia da Física ou aula de História?

Uma observação muito relevante a ser feita é que a abordagem de História da Física durante as aulas não pode ser confundida com uma aula de História. Esta deve conter muito mais do que fatos históricos, deve ser apresentada apenas como uma contextualização sobre a realidade e o modo de vida dos cientistas, sobre suas dificuldades e expectativas em relação ao desenvolvimento científico. A motivação do desenvolvimento do conhecimento científico é muito importante e deve ser tratado em sala de aula como uma forma de estimulo ao aluno.

Uma aula onde o professor conta muitas histórias faz com que a Física fique em segundo plano, podendo desviar o interesse do aluno do fenômeno em foco. A preleção também não pode ser tomada integralmente pela História da Física para que essa abordagem não se torne monótona e rotineira, deve haver um misto entre as diferentes abordagens conhecidas objetivando a aprendizagem da Ciência e seus métodos científicos de forma geral.

## O desenvolvimento das atividades em sala de aula

A escola em que desenvolvemos as atividades pertence à rede pública de ensino da cidade de Curitiba-Pr. As atividades foram realizadas em uma turma do segundo (2ª) ano do Ensino Médio de uma escola da educação básica da rede pública de ensino. As aulas de Óptica foram planejadas com foco no desenvolvimento e evolução do pensamento científico a partir da História e Filosofia da Ciência. Foi realizado um conjunto de quatro aulas. Em um primeiro momento, realizamos a observação das aulas ministradas pelo professor de Física e a reação dos alunos que cursavam essa disciplina, buscando identificar possíveis dificuldades na aprendizagem dos conteúdos de Física e conhecer a comunidade escolar atendida pela escola.

Percebemos que os alunos demonstravam dificuldade na parte ligada a 'matematização' uma vez que está era apresentada de forma descontextualizada, sem permitir uma identificação dos fenômenos estudados com o cotidiano do aluno.

Planejamos atividades (aulas expositivas) que enfocariam o desenvolvimento histórico do conhecimento em estudo, buscando mostrar quando possível a conseqüente melhoria das condições humanas, devido ao progresso da tecnologia, a partir da evolução da Ciência.

Selecionamos os conteúdos (Tabela 1) a serem abordados e trabalhamos de forma qualitativa, evitando num primeiro momento um aprofundamento matemático, devido ao pouco tempo disponível para a efetivação do trabalho.

Buscamos explorar a utilização de recursos de multimídia e trazer outros instrumentos (lanternas, lentes, espelhos) para interação do aluno, com o intuito de diversificar o uso excessivo do quadro-negro nas aulas regulares.

Tabela 01: Conteúdos de Física trabalhados

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Em uma primeira aula, procuramos contextualizar o estudo do comportamento da luz, mostrando os fenômenos com lanternas e imagens com os quais os alunos podiam interagir juntamente com o professor.

Os alunos se mostraram bem agitados diante da nova situação a qual não estavam acostumados (um novo sujeito no papel de professor, um novo recurso a ser empregado para a apresentação do conteúdo, uma nova forma de visualizar a Ciência), e também devido às eventualidades que necessitam de adaptações de urgência. Ainda assim, grande parte dos estudantes se mostrava atenta e participativa, mais desinibida para questionar não só fatos desconhecidos, mas também 'verdades' da Ciência.

Nesta primeira aula, nem todos os alunos ainda se sentiam a vontade para uma participação ativa, mas ouviam com atenção os comentários e explicações dadas.

Na atividade seguinte, começamos a trabalhar com a manipulação da luz através de espelhos, mostrando desde a formação da imagem, às aplicações de espelhos no cotidiano de diversas épocas e civilizações. Os alunos se revelavam atentos, e alguns surpresos com a descrição dos fenômenos.

Nessa aula, utilizamos imagens e questionamos os próprios alunos sobre situações corriqueiras do cotidiano deles em que podiam relatar ter observado o fenômeno em estudo.

Em uma terceira atividade, sobre Lentes, foi trabalhado desde as primeiras utilizações de lentes na história até como se dá a formação de imagens através da refração da luz através destas. Nessa aula, os muitos alunos que utilizavam lentes corretivas para visão apresentaram questões e dúvidas já introdutórias para o tema trabalhado na atividade seguinte.

Na última atividade realizada, foi abordado o desenvolvimento dos instrumentos ópticos, partido das necessidades encontradas no momento e dos estudos realizados na época. Trabalhamos desde a origem de aparelhos que viriam a facilitar a vida da população, sendo aperfeiçoados até hoje para objetos de nossa utilização diária, e foram também demonstradas à possibilidade de arranjos entre lentes e espelhos que geraram instrumentos essenciais para o próprio desenvolvimento da Ciência, sendo de suma importância na observação de fenômenos físicos.

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O funcionamento do Olho foi o tema abordado nessa aula que gerou maior discussão e dúvidas. Desde a formação de imagens até os problemas de visão, e os meios de corrigir esses problemas, esse tópico se mostra um assunto de interesse dos alunos devido ao fato de ser um tópico comum a sua realidade (utilização de lentes corretivas e óculos por diversos alunos ou de pessoas de relacionamento próximo desses). Estavam curiosos para compreender os fenômenos envolvidos no funcionamento desse órgão, e expuseram dúvidas não só relacionadas aos estudos da Física, mas também à formações biológicas, mostrando uma possibilidade realizar atividade interdisciplinares com a Biologia.

Em comentários finais as atividades realizadas, os alunos demonstraram satisfação com as atividades realizadas. Muitos afirmaram nunca ter refletido sobre os fenômenos trabalhados e nem ter buscado relacionar esses fenômenos com situações do dia-a-dia.

## Situações Adversas

No desenvolver do trabalho, muitos problemas tiveram de ser contornados ou resolvidos. Desde as condições oferecidas pela escola, referentes à realidade carente de muitas melhoras das escolas públicas no geral, a indisciplina dos adolescentes, até a falta de fonte de informação histórica confiável para o planejamento das aulas.

Tivemos atrasos para iniciar algumas atividades no horário da aula devido ao freqüente atraso dos alunos e as interrupções causadas pela chegada fora de hora desses estudantes. Também pela falta de equipamentos, como pilhas, que impossibilitavam o funcionamento do controle da TV Multimídia que tem em todas as salas da escola.

Outro fator prejudicial foi à desorganização e busca de soluções não muito eficientes para a falta de professores em um dia em que muitos estavam realizando um curso fora da cidade. Uniram turmas de séries distintas (2.º ano e 3.º ano) para assistirem uma mesma aula, sendo que conteúdos diferentes são trabalhados com cada turma. Porém, nesse caso, devido à falta de tempo para contemplar todo o conteúdo curricular proposto, os a maioria dos alunos de 3.º ano não tinha visto os temas abordados na aula, mas também não foi permitido que assistissem à aula por completo.

A indisciplina de alguns alunos que levou o professor a intervir e interromper as aulas em alguns momentos, também foi um fator a ser considerado. As interrupções levam á dispersão dos alunos. A distração dessas interrupções permite que os alunos percam o foco e a linha de raciocínio que esta sendo seguida.

Todavia, o principal fator que podemos atribuir o êxito ou a falha na efetivação do nosso trabalho, foi à falta de fontes de informação histórico-filosófica confiáveis. Muita informação errada é divulgada, e cabe ao profissional selecionar a informação correta para conferi-la ao aluno. Para isso, como enunciamos anteriormente, é necessário uma formação adequada do profissional para que essa abordagem do Ensino de Física tenha êxito na sua aplicação.

Não só a informação errada, mas também as limitações de informação impedem que determinados temas possam ser trabalhados a partir desse enfoque.

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## Análise do aproveitamento dos alunos

Em todas as atividades realizadas foram apresentadas questões e exercícios para os alunos. Essas questões visavam avaliar o aproveitamento e a assimilação, por parte dos alunos, do conteúdo trabalhado pelos futuros professores.

Poucos alunos responderam essas questões de forma coesa e crítica, no entanto, a grande maioria demonstrou falta de seriedade e de disposição a colaborar com o estudo efetuado pelos futuros professores. Infelizmente, grande parte dos alunos visa apenas à obtenção de nota para aprovação e revelam não ter consciência da importância da necessidade de uma educação de qualidade. Podemos afirmar isso a partir das freqüentes indagações sobre a validade da atividade proposta como avaliação bimestral, apresentadas pelos alunos durante a exposição dos exercícios.

- O grande número de respostas erradas pode ser atribuído a falta de comprometimento dos estudantes com o estudo, que pode ser percebida também na falta de pontualidade dos alunos às aulas e em outras atitudes deles durante as aulas; a falta de costume de participar de aulas que exigiam uma interação direta dos estudantes; e ainda, ao tempo restrito para que os temas fossem trabalhados.

Algumas respostas às perguntas propostas nas aulas podem servir de exemplo das falhas como também de sucesso do uso dessa abordagem.

Pergunta 1: 'Um observador A, visando um espelho, vê um segundo observador B. Se o observador B olhar para o mesmo espelho ele enxergará o observador A? Justifique.'

- 'Sim, porque se o espelho reflete o observador B para o A. Conseqüentemente vai refletir a imagem do A para o B devido a ilusão de óptica. '
- 'Sim, porque se eu olhar de um ponto e olhar de outro ponto vou ver a mesma coisa.'

Este aluno fez ainda um desenho demonstrando essa visão reproduzida na Fig.1.

Figura 01: Esquema produzido por um aluno de 2.º ano para mostrar a visão através de um espelho de um individuo A por um observador B.

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Pergunta 2: 'Por que os objetos parecem maiores quando observamos através da lupa?'

'Porque o vidro é contorcido de um jeito que aumenta os objetos.'

'Porque talvez a lupa tenha um diâmetro muito grande de vidro, isso faz com que aumente as coisas.'

Pergunta 3: 'Em uma aula anterior, aprendemos que visualizamos os objetos porque estes refletem a luz, e essa luz incide em nossos olhos. Mas como enxergamos com nossos olhos?'

'Os raios que os objetos refletem, entram em nossos olhos, se convergem, formando as imagens sobre a retina.'

- '(...) começou com Al Hazen, numa câmara escura na qual o objeto era projetado ao contrario. De acordo com os estudos de Al Hazen, Leonardo Da Vinci preferiu se aprofundar no estudo dos olhos (...). A retina é um dos principais responsáveis pela visão, e o cristalino é o que controla a formação da imagem.'
- O pouco tempo em que o conteúdo foi trabalhado também pode ser considerado como um dos fatores causadores do grande número de erros, pois não oferece o período necessário para o processo de assimilação.

## Conclusões

- O trabalho realizado nos mostra que o Ensino de Física pode ser valorizado quando certos conteúdos são trabalhados a partir do enfoque da História e Filosofia da Ciência. Mas que alguns fatores precisam ser considerados para que essa abordagem aconteça de forma satisfatória.

Analisando o material das aulas pudemos perceber que esse enfoque favoreceu o processo de aprendizagem dos alunos, e também se transformou em um fator motivador para que os alunos interagissem com o conhecimento, adotando esse saber e buscando relacioná-lo á sua realidade. Outro aspecto que nos pareceu significativo foi o desenvolvimento de uma consciência crítica e científica nos aluno. Notamos também que os alunos passaram a ter uma capacidade maior de refletir, discutir e criar hipóteses a partir de um conhecimento já consolidado.

Observamos que esse enfoque permite aos alunos uma evolução do seu conhecimento, à medida que se identifica com as dúvidas e situações vivenciadas pelos cientistas, um amadurecimento mais rápido de seus conceitos a partir das experiências dos outros, uma vez que se têm argumentos históricos que comprovam os erros e acertos das teorias. Percebe-se durante o desenvolvimento das atividades uma melhor aceitação do conhecimento, a substituição dos conhecimentos prévios, anteriormente considerados corretos por aqueles defendidos pelas teorias científicas.

Percebemos que os problemas de informações errôneas e falta de fontes seguras sobre a História e Filosofia da Ciência, que podem inviabilizar a utilização

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desse tipo de abordagem, são problemas encontrados em qualquer outro enfoque, não só histórico-filosófico. Devido à evolução dos meios de comunicação, a divulgação de informações, corretas ou sem fundamentação, amplia-se cada vez mais, tornando de suma importância à preparação do professor para que este possa ter critérios para selecionar as informações a serem utilizadas.

Cabe ao professor que deseja fazer menção a História e Filosofia da Ciência no ensino de Física procurar contornar esses fatores adversos e potencializar a utilização desse enfoque no Ensino da Física.

## Referências Bibliográficas

CASTRO, R. S. e CARVALHO, A. M. P. História da Ciência: investigando como usála num curso de 2.º grau . Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.9, n.3. Florianópolis, dez.1992. p.225-237.

VANNUCCHI, A. I. e CARVALHO, A. M. P. História e Filosofia da Ciência: da teoria para a sala de aula . Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Física e à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1996.

MARTINS, R. A. Como Não Escrever Sobre História da Física - um Manifesto Historiográfico . Revista Brasileira de Ensino de Física. v.23, n.1. março,2001. p.113-129.

FERRARI, M. Jean Piaget - O biólogo que pôs a aprendizagem no microscópio. Revista Nova Escola . Edição Especial, n.25, Editora Abril: julho, 2009. p.89-91.

SIQUEIRA, M. R. P. Do Visível ao Indivisível: uma proposta de Física de Partículas Elementares para o Ensino Médio . Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Física, ao Instituto de Química, ao Instituto de Biociências e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2006.

MARTINS, A. F. P. História e Filosofia da Ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho... Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.24, n.1: p. 112-131, abr.2007.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.