INCENTIVO A EFETIVAÇÃO DO ENSINO DE ASTRONOMIA COM O AUXÍLIO DOS MAPAS CONCEITUAIS: APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E ENSINO DE FÍSICA
M. S. R. Miltao, Tamila Marques Silveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INCENTIVO A EFETIVAÇÃO DO ENSINO DE ASTRONOMIA COM O AUXÍLIO DOS MAPAS CONCEITUAIS: APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E ENSINO DE FÍSICA.
## Tamila Marques Silveira ; Milton Souza Ribeiro Miltão 1 2
- 1 Bacharela em Física, Universidade Estadual de Feira de Santana,
e-mail: tamila\_marques@yahoo.com.br
2 Prof.Dr. do Departamento de Física, Universidade Estadual de Feira de Santana,
e-mail: miltaaao@ig.com.br.
## Resumo
Este trabalho discute uma alternativa de ensino mais conceitual, sem muitos aprofundamentos matemáticos, para o nível fundamental, utilizando o recurso dos mapas conceituais. Tem-se por objetivo verificar se os mapas conceituais são bons recursos metodológicos para ensinar conteúdos de Física no 9º ano e, se a Astronomia (em especial a Temperatura do Universo, que engloba quase todos os conteúdos da Física) pode ser um ponto motivador para abordar conteúdos de Física.
De um modo geral, os mapas conceituais são uma estratégia facilitadora de aprender significativamente um dado conhecimento. Os mapas conceituais podem ajudar tanto o docente como o estudante a organizar melhor os conteúdos abordados e facilitar na aprendizagem.
Sendo assim, nosso trabalho se insere no contexto aludido acima no que tange ao atual ensino dessa disciplina, no qual foi criado um esquema conceitual (figura 01), que serviu como ponta-pé inicial para a construção de mapas conceituais para o ensino fundamental, sendo estes (figuras 02, por exemplo) construídos com o auxílio de desenhos e figuras, para despertar o interesse do público alvo pela disciplina.
Palavras-chave : Mapas conceituais, Aprendizagem Significativa, Ensino de Física, Ensino Fundamental, Ensino de Astronomia.
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## Mapas Conceituais
De um modo geral, os mapas conceituais são uma estratégia facilitadora de aprender significativamente um dado conhecimento. Tais mapas representam uma estrutura de conceitos, que vai desde os mais abrangentes até os menos abrangentes, que de alguma forma estão relacionados (Moreira,2006).
Mesmo ainda sendo considerada uma visão não tradicional de avaliação da aprendizagem, didaticamente, é possível afirmar que mapas conceituais são instrumentos muito flexíveis e que podem ser aplicados, sem problemas, no ensino e na aprendizagem escolar (de forma: didática, avaliativa, organizacional e/ou de análise de conteúdos).
O importante para a construção dos mapas é ter, antes, uma boa pergunta inicial cuja resposta estará expressa no mapa conceitual construído. Conforme Marques (2010) é como se fosse fazer uma redação que com o tema apresentado (pergunta inicial) temos que pensar na resposta a ser colocada através do desenvolvimento do texto a ser feito: inicio (idéias gerais), meio (idéias intermediárias, argumentos, que ajudaram a compreender o tema) e o fim (idéias específicas que desfecham o tema desenvolvido).
Mapa 01: Exemplo de um mapa conceitual hierárquico. (Marques, 2010)
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O mapa conceitual (mapa 01) é um mapa inicial, originalmente construído baseado na idéia de diferenciação progressiva, se apresenta na relação vertical (de baixo para cima), que é quase semelhante a um organograma (estrutura de poder), e tem como fundamento a teoria Ausubeliana.
A teoria da assimilação de Ausubel é uma teoria cognitiva, que procura explicar os mecanismos internos que ocorrem na mente dos seres humanos, é a base para a seleção e organização de mapas conceituais e, portanto, para a construção dos mapas conceituais.
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Assim os mapas conceituais servem para tornar significativa a aprendizagem do individuo pelo fato de adequar pictoricamente a abordagem de problemas complexos.
## Aprendizagem Significativa
David Paul Ausubel propôs uma teoria, conhecida por Teoria da Aprendizagem Significativa, a qual gira em torno de que o principal no processo de ensino é que a aprendizagem seja significativa. Além disso, é a partir de conteúdos que indivíduos já possuem na estrutura cognitiva, que a aprendizagem pode ocorrer.
Nas palavras do próprio autor 'O fator mais importante que influi na aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe. Isto deve ser averiguado e o ensino deve depender desses dados' (Ausubel, Novak e Hanesian, 1983).
Para organizar o ensino consistentemente com a teoria de Ausubel, a primeira e usualmente difícil tarefa é, então, a identificação dos conceitos básicos da matéria de ensino e como eles estão estruturados. Uma vez resolvido esse problema, a atenção pode ser dada a outros aspectos.
No final da década de 1970 Ausubel recebeu contribuições de Novak que progressivamente incumbiu-se de refinar e a teoria da aprendizagem significativa a formatação do texto a ser colado siga as instruções iniciais. Assim, pode-se reforçar que a aprendizagem significativa, com o uso dos mapas conceituais, foi desenvolvida por Ausubel e ampliada por Novak e conforme Moreira (1995) a teoria ausubeliana deveria ser hoje chamada de 'Teoria de Ausubel e Novak' ou 'teoria da aprendizagem significativa de Ausubel e Novak'.
## Metodologia de Trabalho, Resultados e Discussões
Nosso trabalho teve suas ações pautadas em pesquisa bibliográfica relevante seguida por um período de observação direta e extensiva (LAKATOS, E. M. 2006).
Nesse sentido, os métodos utilizados foram: a) Estudos e discussões dos assuntos que norteiam o referencial teórico; b) Planejamento pedagógico dos conteúdos de Física a serem abordados na 9ª série, buscando relacioná-los com os assuntos de Astronomia e que estejam abrangentes a Temperatura do Universo; c) Construção de mapas conceituais dos assuntos de Física e Astronomia conforme planejamento pedagógico; d) Aplicação em duas escolas na cidade de Feira de Santana.
Além disso, os materiais que utilizamos foram os que seguem: a) Artigos científicos [Villela (2004), Langhi e Nardi (2005), Pacca e Scarinci (2006)]; b) Livros didáticos do ensino fundamental [Carron e Guimarães (2000)], e superior [Gamow (1979), Callen (1960), Reitz; Milford e Christy (1982), Tipler (2006)]; c) Livros de literatura especializada [Moreira (2006), Zabala, (1998), Faria,(1995), Freitas (2000)]; d) Estudo dos PCns (Parâmetros Curriculares Nacionais) e das normas da LDB (Lei de Diretrizes e Bases); e) Participação em palestras e eventos relacionados ao referencial teórico do trabalho.
As escolas escolhidas foram uma da rede privada (Colégio Visão) e uma da rede pública (Colégio Estadual José Ferreira Pinto), onde as turmas trabalhadas foram do 9º ano (antiga 8ª série), dentro de um estágio voluntário de aplicação de
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iniciação científica (PROBIC-UEFS). Os dados foram analisados conforme a aplicação dos mapas construídos e estudados, fazendo comparação entre as duas escolas e verificando os objetivos do trabalho.
De acordo com o planejamento pedagógico (o mesmo para ambas as escolas, porém com alterações de recursos para atender as necessidades dos estudantes) realizado para a aplicação do trabalho nas escolas, foi possível utilizar os mapas conceituais, nas quatro formas possíveis, principalmente na análise de conteúdos, e relacionar alguns assuntos de Astronomia com conteúdos físicos abordados:
Movimento, Referencial - Sistema planetário, Eclipses.
Magnetismo - Campo Magnético da Terra.
Temperatura - Temperatura do Ambiente.
Eletricidade - Raios, Relâmpagos, Trovão. Entre outros.
Utilizando uma transposição didática adequada para o nível fundamental buscamos analogias e comparações desses conhecimentos com as situações do cotidiano.
Assim, apesar do tema escolhido, Temperatura do Universo (que engloba quase todos os assuntos de Física, posto que está relacionada com a radiação cósmica de fundo existente no universo, e sendo assim, envolve conceitos básicos de Mecânica, Termodinâmica, Eletromagnetismo, Física Moderna e Contemporânea) apresentar complexidades (avançado embasamento matemático), o conteúdo foi apresentado com uma linguagem apropriada (conceitual no nível da turma do nono ano do ensino fundamental, sendo destacadas as leis necessárias e a Física envolvida, através de apresentação de leituras de textos advindos da mídia, visita ao Observatório Antares -Feira de Santana-Ba., experimentos relacionados ao cotidiano dos estudantes e muita discussão sobre os conteúdos, o que ajudaram neste sentido) e com o auxílio de mapas conceituais animados (com figuras e desenhos) e os objetivos principais do trabalho foram alcançados. Os estudantes precisam saber tais conhecimentos para estarem se atualizando a respeito da evolução dos fenômenos físicos e astronômicos.
Foi observada com a aplicação dos mapas construídos (figuras 01 e 02, construídos por Marques e Miltão) uma interatividade muito grande entre os estudantes e um maior interesse destes em conhecer a disciplina. Ao garantir uma aprendizagem no conteúdo abordado, os estudantes construíam seus próprios mapas (figura 03 e 04) e as discussões sobre o assunto era contagiante em sala de aula.
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Figura 03 -Mapa conceitual construídos por uma estudante do Colégio Estadual José Ferreira Pinto abordando Conceitos Básicos do Movimento.
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Figura 04 - Mapa conceitual construídos por estudantes do Colégio Visão abordando a Relatividade.
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Este trabalho contribuiu, nas duas escolas, para a realização de um ensino voltado para o contexto vivencial dos estudantes, onde a tecnologia e a criatividade permeiam os seus cotidianos.
Observou-se durante a aplicação do trabalho que os estudantes, de ambas as escolas, ficavam motivados em conhecer sempre mais os assuntos explanados em sala de aula, e através dos mapas conceituais construídos por eles, havia uma tentativa de auto explicação do próprio entendimento do conteúdo, gerando debates e externalização do aprendizado.
Além disso, a Astronomia, considerada por nós como uma área da Física, é bastante motivadora para explanar as demais áreas do Campo do Saber da Física. Porém, vale salientar que foi percebido que, por si só, os mapas conceituais não funcionam como objeto de aprendizagem. Em momentos de discussões de alguns conteúdos Físicos, como por exemplo, os conceitos básicos de eletromagnetismo, os estudantes precisaram de aulas mais vivenciadas para melhor compreensão dos conteúdos abordados, sendo, portanto necessário combinar os mapas conceituais com outros recursos didáticos (textos, vídeos, experimentos, apostilas e discussões) para garantirmos o aprendizado do sujeito.
Portanto, de acordo com este trabalho, percebeu-se que é necessário que o professor de Física busque sempre atividades e técnicas que possibilitem aos alunos utilizar situações-problema nas quais construam a sua formação, valores e éticas na avaliação da sua identidade
## Referências
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CARRON, WILSON. GUIMARÃES, OSVALDO. FÍSICA, Volume Único - São Paulo: Editora Moderna, 2000
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OLIVEIRA, IVAN S. Física Moderna: para iniciados, interessados e aficionados, v.01. SP: Ed. Livraria da Física, 2005;
FARIA, WILSON de. Mapas Conceituais: aplicações ao ensino, currículos e avaliação. São Paulo: EPU, 1995.
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MOREIRA; MARCO ANTONIO. A Teoria da Aprendizagem Significativa e sua implementação em sala de aula. Brasília - Editora UnB, 2006.
MOREIRA, Marco Antonio. Mapas Conceituais. Caderno Catarinense. Porto Alegre-RS, 1995.
PACCA, JESUÍNA L.DE ALMEIDA; SCARINCI, ANNE LOUISE. Um curso de Astronomia e as pré-concepções dos alunos. Revista Brasileira de Ensino de Física, v.28, n.1,p.89-99, 2006.
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Villela, Thyrso. Radiação Cósmica de Fundo. INPE -SP, 2004.
ZABALA, ANTONI. A prática educativa: Como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998. Traduação: Ernnani F. da F. Rosa.
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