EXPERIMENTO DE BAIXO CUSTO NO ENSINO DE ABSORÇÃO DE CALOR SOB A PERSPECTIVA INCLUSIVA
Luís Henrique Das Neves Ribeiro, Alexandre Lopes De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## EXPERIMENTO DE BAIXO CUSTO NO ENSINO DE ABSORÇÃO DE CALOR SOB A PERSPECTIVA INCLUSIVA
Luís Henrique das Neves Ribeiro e Alexandre Lopes de Oliveira 1 2
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) - Campus Nilópolis 1 luishenrique.rj@gmail.com
2 alexandre.oliveira@ifrj.edu.br
## Resumo
Os efeitos de legislações, parâmetros e diretrizes para a educação especial nacional podem ser percebidos em algumas salas de aulas em escolas regulares. A inclusão representa um avanço em relação ao movimento de integração social já adotado pela sociedade, que pressupunha o ajustamento da pessoa portadora de necessidades especiais educacionais para sua participação em escolas comuns regulares. Ela prevê uma reestruturação do sistema educacional, adequação de infra-estrutura, objetivando oferecer um espaço democrático, onde se possa trabalhar com todos os educandos, sem distinções, baseando-se no princípio que o respeito a diversidade deve ser desejada. O ensino auxiliado por técnicas experimentais é defendido pela grande maioria dos profissionais atuantes na área da licenciatura, principalmente os especializados no ensino de física, onde é utilizado como estratégia educacional para adaptar o conhecimento a fatos do cotidiano do estudante fixando assim o conteúdo da disciplina. Porém este método de ensino pode ter um custo alto, o que impossibilita sua utilização em grande parte das escolas de ensino fundamental e médio. Além do mais, são raros os equipamentos adaptáveis a alunos com necessidades educacionais especiais. Muitos professores ainda não estão adequados a essa realidade, por limitações laboratoriais e/ou habilitação necessária, por exemplo. Pensando nisto, o presente trabalho pretende abrir novos horizontes, abordando através de experimento o tema Absorção de Calor, com o objetivo de promover a inclusão de alunos portadores de necessidades educacionais (deficientes visuais) no experimento, explorando o sentido do tato, dando a oportunidade para que todos possam identificar os fenômenos decorrentes e se sentirem estimulados a aprender ciência.
Palavras-chave : ensino de física, produção de material didático, inclusão educacional, estratégia educacional.
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
## Introdução
O ensino auxiliado por técnicas experimentais é defendido pela grande maioria dos profissionais atuantes na área da licenciatura, principalmente os especializados no ensino de física, onde é utilizado como estratégia educacional para adaptar o conhecimento a fatos do cotidiano do estudante fixando assim o conteúdo da disciplina. Este, segue como alternativo ao sistema tradicional de ensino, que tem sido o maior problema a ser vencido nas escolas atuais. Sistema onde é limitado ao professor somente a utilização de livros didáticos (muitas vezes desatualizados e pouco envolventes) tem sido a uma das causas deste problema. Este sistema mantém uma padronização no ensino, desconsiderando a individualidade do aluno, isto é, deixando de lado as concepções prévias e suas limitações. Porém este sistema alternativo de ensino pode ter um custo alto, o que impossibilita o seu uso em grande parte das escolas de ensino fundamental e médio. Além do mais, são raros os equipamentos adaptáveis a alunos com necessidades educacionais especiais. Muitos professores ainda não estão adequados a essa realidade, por limitações laboratoriais e/ou habilitação necessária, por exemplo. Pensando nisto, o presente projeto pretende abrir novos horizontes, abordando através de experimentos o tema Absorção de Calor , conceitos físicos que fazem parte da nossa cultura ligada à ciência, utilizando materiais de fácil acesso e de baixo custo presentes no nosso cotidiano. Promover a inclusão de alunos portadores de necessidades educacionais especiais, sem que estes tenham um caráter unilateral é um dos nossos objetivos. Enfatizar os conceitos físicos explorando o sentido do tato, dando a oportunidade de quem não possui a total função visual, perceber a ciência envolvida e identificar os fenômenos decorrentes e conseqüentemente estimular o aprendizado de tais conceitos. A inclusão representa um avanço em relação ao movimento de integração social já adotado pela sociedade, que pressupunha o ajustamento da pessoa com deficiência para sua participação no processo educacional desenvolvido pelas escolas comuns regulares. Ela prevê uma reestruturação do sistema educacional, havendo mudanças estruturais, objetivando oferecer um espaço democrático e competente, onde se possa trabalhar com todos os educandos, sem distinções, baseando-se no princípio que o respeito a diversidade deve ser desejada (GOMES, 2009).
Uma das motivações para ter escolhido o presente trabalho está no relato de alguns professores que já trabalham com experimentos de baixo custo. Segue abaixo o relato da Prof. Elisandra Souza de Oliveira, onde descreve sua experiência com o uso de tais aparatos:
- [...] Quando assumi a regência de classe, já fazia parte de meus planos de aula a realização de uma atividade experimental com os alunos. Mais especificamente agora que o assunto abordado está sendo lançamento de projéteis, torna-se realmente claro que este não é um assunto que os alunos entendem com facilidade; logo, a realização de um experimento simples contribui ricamente para que os mesmos possam entender, por exemplo, as relações que a altura e o alcance de um projétil têm com o ângulo de lançamento.
Daqui do instituto, levei quatro kits contendo rampas de lançamento, planos inclinados, esferas metálicos e transferidores para montar, na própria sala de aula, um pseudolaboratório. Foi a primeira vez que os alunos fizeram uma atividade de caráter experimental em Física. Apesar da sala de aula não ser o lugar mais apropriado (falta de bancadas, os planos inclinados foram posicionados sobre classes que balançavam, por exemplo) os alunos
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puderam fazer boas medidas e relacioná-las com os valores calculados teoricamente e, desta forma, puderam perceber mais facilmente as relações existentes entre o ângulo de lançamento, altura e alcance máximo.
Esta atividade foi muito bem aceita entre a turma, percebi que aqueles alunos, que durante uma aula normal de quadro e giz não se mostravam muito interessados, participaram ativamente da experiência, praticamente liderando o grupo durante as medidas. Apesar das mesas balançando, medidas com régua, etc., alguns alunos conseguiram excelentes resultados; as próprias condições inadequadas contribuíram para que eles pensassem melhor sobre o que estavam fazendo e tentassem melhorar as condições do experimento e as fontes de erro. Mas o mais importante é que eles tenham vivenciado algo novo. Fazer uma atividade experimental, por mais simples que seja, traz uma renovação, consegue despertar o mais pacato dos alunos e o faz enxergar a Física por um prisma diferente, que pode até mesmo ser lúdico, mas também muito instrutivo. Além disso, creio que atividades experimentais não são apenas formas construtivistas de ensinar, elas fazem parte de toda uma educação científica que os alunos, como cidadãos, devem possuir. E nós, educadores, devemos lhes oportunizar. (OLIVEIRA, 2001)
Acreditamos que difundir a idéia de trabalhar com experimentos de baixo custo seja uma boa ferramenta para os professores que já atuam em sala de aula, bem como para os futuros professores. Tomamos como base esse princípio e o adaptamos a um aparato de auxílio da prática experimental do tema Absorção de Calor, adicionando a essa idéia tomamos a preocupação para que tal material didático sirva também aos portadores de necessidades especiais (deficientes visuais).
## Descrição
O projeto vem sendo desenvolvido no laboratório de produção de material didático, implantado no IFRJ, Campus Nilópolis, via Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências. Inicialmente foi escolhido o tópico a ser abordado bem como os materiais a serem utilizados e sua forma de interação de maneira que até mesmo portadores de alguma deficiência visual possam interagir de forma autônoma. Por fim, o seu desenvolvimento. O aparato descrito a seguir tem como objetivo auxiliar o ensino de absorção de calor dentro de uma perspectiva inclusiva, e é composto por placa de MDF, uma lâmpada e anteparos de montagens variáveis. Este serve para demonstrar como a cor de um objeto pode interferir em sua temperatura e também para demonstrar como a distância entre um planeta e o sol pode interferir em sua temperatura. Seus anteparos possuem distintas texturas para que um usuário cego ou de baixa visão possa diferenciá-los. Nesta modalidade de inclusão, a luz é interpretada pelo seu caráter ondulatório.
Na Figura 01 e 02, a montagem tem como objetivo auxiliar a análise experimental da relação entre a cor e a absorção da luz. Na Figura 01, constam todos os anteparos com suas cores distintas e na Figura 02, a montagem mais próxima a fonte de luz, serve para tornar os resultados ainda mais evidentes.
Na Figura 02, os anteparos são postos a fim de se obter pontos elípticos. Estes o tornam utilizável, por exemplo, no aprendizado dos efeitos da 1ª Lei de Keppler (das órbitas elípticas) de como a excentricidade pode interferir na temperatura de um planeta e por interdisciplinaridade com a biologia, pode justificar se caso a excentricidade da órbita for muito grande, o planeta em questão estaria ou não propício a haver vida.
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Figura 01: Aparato experimental produzido para até mesmo um portador de deficiência visual possa interagir de maneira autônoma.
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Figura 02: Montagem de anteparos para análise experimental da diferença de temperatura dos anteparos em relação a sua cor. A posição dos anteparos, com relação à lâmpada, serve para tornar mais rápida a obtenção dos resultados.
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Figura 03: Montagem de anteparos para análise experimental da diferença de temperatura dos anteparos em relação a distancia da lâmpada.
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Note que os contatos com a rede elétrica e rebarbas metálicas deste aparato, foram todos isolados utilizando silicone para evitar qualquer forma de perigo e a superfície dos anteparos possui diferentes texturas para que um possível usuário cego possa diferenciá-los.
## Considerações finais
Temos atualmente em grande parte das instituições de ensino básico, um método de ensino arcaico e nada atrativo. A grande prova desta afirmação, é o fato de o desinteresse ser a maior causa de evasão escolar. Dados divulgados pela, FGV-RJ, revelam que 40% dos jovens de 15 a 17 anos que evadem deixam de estudar simplesmente porque acreditam que a escola é desinteressante (FGV, 2009). Além do mais, já é realidade em algumas escolas a terem em suas salas de aula alunos com algum tipo de necessidades educacionais especiais sejam elas visuais ou auditivas. No entanto, os professores e recursos didáticos nem sempre estão adaptados a essa realidade. A partir de estudos realizados na área de neuroanatomia, demonstrou-se que experimentos e jogos interativos tornam um ambiente enriquecedor e pode estimular o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, o crescimento das ramificações e mudanças anatômicas do córtex visual do cérebro (CARDOSO e SABBATINI, 2010). Neste sentido, entendemos que elaborar aparatos que possam vir a atender aos alunos de maneira interativa e mais atrativa, no sentido de promover a inclusão e melhorar o ensino esteja de bom acordo com a tendência contemporânea de educação.
Sua proposta foi apresentada aos profissionais atuantes na área de educação inclusiva e especial da Escola Municipal de Educação Especial Albert Sabin, localizada em Belford Roxo no Rio de Janeiro, e foi considerado de valia ao uso educacional inclusivo. Esperamos com esse trabalho, apresentar uma contribuição para contornar a falta de recursos, quanto a criação de materiais de auxílio ao ensino de física, onde esteja sob a visão da educação inclusiva, explorando um sentidos comum a todos os grupos .
Agradecimentos
CNPq, IFRJ-Campus Nilópolis e Escola Municipal de Educação Especial Albert Sabin.
## Referências
. Disponível em:
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CAMARGO, Eder Pires de; NARDI, Roberto Nardi; VERASZTO Estéfano Vizconde. Revista Brasileira de Física , v. 30, n. 3, 3401 (2008).
FERRAZ, Luiz - Físico da USP, Mestre em Ciências da USP. Disponível em: http://www.feiradeciencias.com.br
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GOMES, Ednei Inclusão Educacional das Pessoas Portadoras de Deficiência . Disponível em: <http://www.profala.com/arteducesp98.htm>; Acessado em 10/06/2009.
OLIVEIRA, Alexandre Lopes de. Proposta de elaboração do Laboratório de produção de material didático voltado para educação inclusiva. In: VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências, 2009, Florianópolis - Sc.
OLIVEIRA, Elisandra Souza de. O Papel do Experimento em Sala de Aula: Projeto Pó de Giz . Disponível em:
< http://www.if.ufrgs.br/tex/edu02220/sem012/po6/texto706.html>
RICARDO, Alberto. Professor de física O canal da física na internet . Disponível em: <http://www.fisica.net >
VALADARES, Eduardo de Campos. Física mais que divertida: inventos eletrizantes baseados em materiais de baixo custo . Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.
CARDOSO, Silvia Helena; SABBATINI, Renato. Aprendizagem e Mudanças no Cérebro. Disponível em: <http://neurocienciaeducacao.pbworks.com/FindPage?RevisionsFor=Aprendizagem>
VARGAS, Fundação Getúlio. Motivos da evasão escolar. <http://www.fgv.br/cps/tpemotivos>
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