CONSTRUÇÃO DE UMA MONTANHA RUSSA COMO TEMA GERADOR PARA O ENSINO FÍSICA.
Marcos Vinícius Marcondes De Menezes, Márcia Batista Da Silva, Sandro Da Silva Sandri
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CONSTRUÇÃO DE UMA MONTANHA RUSSA COMO TEMA GERADOR PARA O ENSINO FÍSICA
## Marcos vinícius Marcondes de Menezes 1 , Márcia batista da Silva , Sandro da 2 Silva Sandri 3
- 1 E.E. Dona Noêmia Dias Perotti, e-mail: marcosmenezes@professor.sp.gov.br
- 2 E.E. Dona Noêmia Dias Perotti, e-mail: marciabatistadasilva@yahoo.com.br
- 3 E.E. Dona Noêmia Dias Perotti, e-mail: sandrosandri@hotmail.com
## Resumo
Este trabalho apresenta uma atividade educativa realizada parte no ambiente escolar parte nas dependências do Parque temático 'Hopi Hari', que envolveu 120 alunos das três séries do Ensino Médio da Escola Estadual Dona Noêmia Dias Perotti, localizada na cidade de Mirandópolis, interior de São Paulo, em um projeto de elaboração de uma Montanha Russa.
O projeto iniciou-se com um programa de Capacitação dos professores da rede oficial de ensino, oferecida pelo Laboratório Didático (LED) do Parque Hopi Hari, e o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Consultoria (NIPEC) e a Coordenadoria de Ensino e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria de Estado da Educação (SEE-SP), realizado nas dependências do parque, em que quatro professores da escola estiveram presentes e receberam orientações.
De volta à escola, os professores elaboraram uma situação de aprendizagem na qual os conceitos de Física e Matemática estivessem presentes em uma experiência de elaboração de uma montanha russa. Os alunos, divididos em grupos, deveriam elaborar uma Montanha Russa que fosse radical e ao mesmo tempo viável de ser construída, tanto em termos financeiros quanto nos aspectos tecnológicos e científicos.
Ao final do trabalho, foram produzidos 12 projetos individuais, que após ter sido avaliado pelos professores envolvidos, foram enviados ao Laboratório Educativo do referido parque, no mês de outubro de 2008, com a finalidade de participar do concurso educativo. A escola recebeu o 'Prêmio Led 2008', em cerimônia realizada no próprio parque no dia 28 de fevereiro de 2009, com o título de 'melhor escola' do concurso.
A situação de aprendizagem elaborada pelos professores contribuiu para uma melhor interação entre aluno, professor e os seus conhecimentos, vindo a constituir um ambiente favorável ao processo de ensino-aprendizagem, em que os alunos participaram ativamente de todas as etapas desenvolvidas, havendo troca de experiências e conhecimento entre eles e o professor.
Palavras-chave : Momentos pedagógicos, temas geradores, espaços não formais de ensino
## Introdução
O processo de ensino-aprendizagem em ciências, especialmente da disciplina Física, tem sido alvo de estudos e discussão por parte de vários
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educadores e pesquisadores em educação, principalmente no que se refere às dificuldades e os problemas relacionados ao ensino desta disciplina nos diferentes níveis de escolaridade. Essa dificuldade, na visão de alguns educadores (Delizoicov, 2002) está relacionada à maneira como a matéria vem sendo abordada pela maioria dos professores da escola, cuja ação pedagógica desenvolvida caracteriza-se, muitas vezes, por atividades voltadas para a apresentação de conceitos, leis e fórmulas de maneira desarticulada e muitas vezes distante da realidade do aluno.
O chamado 'senso comum pedagógico', impregnado no processo de ensinoaprendizagem, de que a apropriação do conhecimento por parte do aluno ocorre pela mera transmissão mecânica das informações, caracterizado pelo uso excessivo de fórmulas e contas em exercícios repetitivos, regrinhas e 'receitas', repetição sistemática de definições e experiências cujo único objetivo é a verificação da teoria, precisa ser superado, pois estas ações somente reforçam o distanciamento entre os modelos científicos e os fenômenos naturais e situações-problema do dia-a-dia.
- O professor de Física precisa ter o domínio das teorias científicas e suas relações com as tecnologias, porém apenas isso não é suficiente para um adequado ensino de física. Como afirma Delizoicov:
'A atuação profissional dos professores das Ciências no ensino Fundamental e Médio, do mesmo modo que a de seus formadores, constitui um conjunto de saberes e práticas que não se reduzem a um competente domínio dos conceitos, modelos e teorias'. (Delizoicov, 2002, p. 32)
O professor, na sala de aula, atua como o porta-voz do conteúdo escolar, que não é somente um conjunto de fatos, nomes e equações, mas também um conhecimento específico chamado 'conhecimento científico'. É também o principal mediador do processo de aprendizagem dos alunos. Busca nessa relação pedagógica com o aluno sua realização pessoal, precisa sentir que há retorno e que seu trabalho é valorizado. Ver seu trabalho apresentar resultados é ver os alunos aprendendo e gostando de aprender.
Como trazer o aluno para essa aventura de conquistar conhecimentos novos, árduos e diferentes do que ele já conhece? Tornar a aprendizagem dos conhecimentos científicos em sala de aula num desafio prazeroso é conseguir que seja significativo para todos. É transformá-la em um projeto coletivo, em que a aventura da busca do novo, do desconhecido, de sua potencialidade, de seus riscos e limites seja a oportunidade para o exercício da cidadania e o aprendizado das relações sociais e dos valores.
Nessa perspectiva, a sala de aula passa a ser um espaço de trocas de idéias e informações entre os alunos e entre eles e o professor, diálogo que é construído entre conhecimentos sobre o mundo onde se vive.
A atividade educativa realizada por um grupo de alunos do ensino médio da E.E. Dona Noêmia Dias Perotti contempla essas perspectivas, principalmente no que se refere ao uso de espaços não formais de ensino. Entendemos que esses espaços como museus, planetários, laboratórios abertos, exposições, feiras, parques e clubes de ciências, não podem ser encarados só como oportunidades de atividades educativas complementares ou de lazer, assim como também não podem permanecer ausentes ou desvinculados do processo de ensino-aprendizagem, mas devem fazer parte dele de forma planejada e articulada.
Objetivos
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O objetivo geral desse trabalho foi envolver um grupo de alunos do ensino médio da E.E. Dona Noêmia Dias Perotti em um processo de ensino-aprendizagem que se caracteriza por um projeto coletivo de elaboração de um plano de construção de uma montanha russa.
Pretendeu-se que o aluno conseguisse aprender conceitos de Física e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades e competências essenciais para a compreensão do mundo. Durante e ao final do projeto, os alunos deveriam ser capazes de:
- · Compreender os conceitos de repouso e movimento;
- · Dominar os conceitos de velocidade e aceleração;
- · Compreender as leis de Newton e aplicá-las nas situações exigidas.
- · Reconhecer as várias formas de energia e sua conservação;
- · Entender o funcionamento de motores elétricos.
- · Estimar consumo e eficiência dos motores elétricos.
Para atingir os objetivos propostos, os seguintes conteúdos foram desenvolvidos:
- · Cinemática: Repouso e movimento, velocidade escalar e velocidade vetorial, aceleração, movimento retilíneo, movimento circular e aceleração centrípeta;
- · Dinâmica: Inércia, tipos de forças, Segunda Lei de Newton e aplicações, força de atrito, dinâmica do movimento circular, trabalho, energia cinética, energia potencial gravitacional, potência e rendimento, conservação da energia mecânica.
- · Eletricidade: Circuitos elétricos, Leis de Ohm, Potência Elétrica, consumo de energia elétrica.
## Contextualização
A Escola Estadual Dona Noêmia Dias Perotti fica localizada na cidade de Mirandópolis, interior do estado de São Paulo, aproximadamente 600 quilômetros da capital paulista. Constitui-se como a maior escola pública da cidade, com 1280 alunos, entre as etapas do ensino fundamental (5ª a 8ª séries), ensino médio (1º ao 3º ano) e educação de jovens e adultos. Nos três períodos letivos.
Possui uma boa infra-estrutura, com salas de aulas amplas, biblioteca com um bom acervo de livros, revistas e audiovisuais, quadra poliesportiva coberta, sala de vídeo e laboratório de informática, com 10 micro-computadores.
Os alunos que freqüentam a escola são oriundos de várias realidades sociais, diferentes culturas e formas de pensamento, bem como interesses distintos, o que causa uma heterogeneidade no corpo discente. Os diferentes são obrigados ao encontro e à convivência.
## Referencial teórico
O trabalho baseou-se na proposta de uma abordagem temática dos conhecimentos, que consiste em desenvolver a conceituação e a aprendizagem através de temas geradores, cujas bases teóricas estão fundamentadas na pedagogia de Paulo Freire (1975).
Os temas geradores foram idealizados como um objeto de estudo que compreende o fazer e o pensar, o agir e o refletir, a teoria e a prática, pressupondo um estudo da realidade em que surge uma rede de relações entre as situações significativas, assim como uma rede de relações que orienta a discussão,
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interpretação e representação dessa realidade. Os temas geradores organizam-se em três momentos pedagógicos (Delizoicov 1991): Problematização inicial; Organização do conhecimento e; Aplicação do conhecimento.
## Problematização Inicial
Situações reais que estão envolvidas nos temas são apresentadas aos alunos. Organiza-se esse momento de forma que os alunos são desafiados a expor o que pensam dessas situações. Embora a introdução dos conhecimentos contidos nas teorias científicas tenham sua importância, inicialmente a descrição feita por eles prevalece, para o professor poder ir conhecendo o que pensam. A meta é problematizar o conhecimento que os alunos vão expondo, de modo geral com poucas questões, discutidas inicialmente em pequenos grupos, para em seguida serem socializadas e exploradas com toda a classe.
Neste primeiro momento, a função do professor é questionar posicionamentos e lançar dúvidas. Deseja-se aguçar explicações contraditórias e localizar possíveis lacunas do conhecimento que vem sendo exposto. O ponto culminante dessa problematização é fazer com que o aluno sinta a necessidade da aquisição de outros conhecimentos que ainda não detém.
## Organização do conhecimento
Este é o momento de se estudar sistematicamente aqueles conhecimentos selecionados como necessários para a compreensão do tema e da problematização inicial. Para tanto, são utilizadas as mais variadas atividades, de maneira que o professor possa desenvolver a conceituação identificada como fundamental para uma compreensão científica das situações. É nesse momento que a resolução de exercícios e problemas, assim como a exploração de textos teóricos e científicos pode desempenhar sua função formativa na apropriação dos conhecimentos específicos.
## Aplicação do conhecimento
Nesse momento, os conhecimentos que vem sendo incorporados pelo aluno são abordados em situações de aprendizagem diferentes, fazendo o aluno analisar e interpretar tanto as situações iniciais que determinaram seu estudo como outras situações, que, embora não estejam diretamente ligadas ao motivo inicial, podem ser compreendidas pelo mesmo conhecimento.
Do mesmo modo que no momento anterior, as mais diversas atividades são utilizadas, buscando agora a generalização dos conceitos que já foram abordados. Nesse momento, deseja-se que o aluno seja capaz de articular a conceituação científica com situações reais e não pura e simplesmente encontrar uma solução matemática a um problema típico do livro didático.
## Descrição da experiência
- O projeto iniciou-se com a capacitação de quatro professores da unidade escolar, juntamente com cerca de 400 professores da rede oficial de ensino do estado de São Paulo, realizada nas Dependências do Parque Hopi Hari, localizada na cidade de Vinhedo - SP, no dia 30 de agosto de 2008.
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Organizada pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Consultoria (NIPEC), a capacitação teve por objetivos principais lançar subsídios teóricos e metodológicos ao desenvolvimento de experiências educativas no parque e oferecer uma proposta de elaboração de projetos em espaços não formais de ensino. Esta capacitação se destinou-se a professores das disciplinas de Física, Ciências, Geografia, Língua Portuguesa e Artes.
Em cada área, foi proposto um tema-problema a ser desenvolvido pela escola, a qual participaria de um concurso no final do ano intitulado 'I Concurso Educador em Ação 2008', cujo objetivo foi o de homenagear e reconhecer os trabalhos que se destacaram em todo o processo pedagógico da atividade. Em Física , o tema proposto foi a construção de uma montanha russa (planta e ficha técnica).
Na escola Noêmia, a experiência desenvolvida foi a montagem da montanha russa, tema proposto em Física. Em consonância com o referencial teórico e com a proposta do parque Hopi Hari, realizou-se a experiência em três etapas, a saber: Problematização , Visitação e Finalização do Projeto , conforme o cronograma abaixo:
30/08/2008 -Curso de Capacitação realizado no parque Hopi Hari aos professores da rede estadual de ensino.
01/09/2008 até 10/10/2008 - Apresentação da proposta, divisão dos grupos e desenvolvimento do projeto.
11/10/2008 - Visita dos alunos ao Parque Hopi Hari.
15/10/2008 até 30/10/2008 -Conclusão dos trabalhos e envio para exposição
## Problematização
Esta etapa se desenvolveu em 05 aulas. Cada aula citada neste trabalho corresponde a um tempo de 50 minutos.
- · 1ª Aula: Exposição do tema-problema e organização dos pequenos grupos de trabalho.
Na primeira aula, o professor apresentou o projeto a todos os alunos da 1ª, 2ª e 3ª séries do ensino médio do período matutino, e lançou a situaçãoproblema de construção de uma montanha russa. Neste momento, foi proposto a criação de pequenos grupos de trabalho, constituídos de 5 até 8 alunos. Cada grupo deveria criar um nome, que seria dado à empresa fictícia que construiria a montanha russa. Até o final da primeira etapa, cada grupo deveria apresentar um portfólio com os resultados das pesquisas e do trabalho realizado em sala de aula.
Dessa forma, inicialmente cerca de 120 alunos aderiram a atividade, constituindo seus grupos.
## · 2ª e 3ª Aulas: Questionário de avaliação inicial.
Inicialmente, foi elaborada uma atividade introdutória, que teve como objetivo a contextualização e problematização relativa ao tema abordado. Visou levantar questões e dúvidas a respeito do funcionamento da montanha russa, e teve a finalidade de apreender o conhecimento prévio dos alunos sobre alguns conceitos físicos importantes relacionados ao tema. Essa tomada de postura foi obtida através de um questionário distribuído aos alunos, o qual é transcrito abaixo:
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Questionário
- 1) Você já andou em uma montanha russa? Caso afirmativo, descreva como foi a experiência.
- 2) Em que ponto da montanha russa fica a maior subida? Desenhe uma figura que ilustre onde fica esse local.
- 3) O carrinho da 'Montesun' (montanha russa de madeira do Parque Hopi Hari) adquire uma velocidade máxima de 105 km/h. Um automóvel na Rodovia Marechal Rodon desenvolve uma velocidade de 110 km/h. Porque um passageiro dentro do carro não sente a mesma emoção de um passageiro sentado no carrinho da montanha russa?
- 4) O carrinho da montanha russa é puxado por uma corrente ligada a um motor elétrico até o fim da 1ª subida e depois abandonado. Até o final do percurso, não existe mais nenhuma ação do motor para empurrar o carrinho por todo o trajeto. Porque então ele continua a se movimentar?
- 5) Você sabe o que é energia? Procure no dicionário o significado desta palavra e compare com outras definições que você pode encontrar no seu material didático ou na rede mundial de computadores.
A discussão inicial ocorreu nos pequenos grupos. Cada grupo anotou suas conclusões para posterior discussão no grande grupo (toda a turma). O professor organizou e atendeu aos grupos, de forma que dúvidas e sugestões eram apresentadas. Na discussão em grande grupo, o professor resgatou as sínteses e desafiou os alunos a expor suas idéias.
## · 4ª e 5ª Aulas: Pesquisa de modelos de montanha russa
Posteriormente, pediu-se que os alunos realizassem uma pesquisa sobre sua construção e funcionamento. Essa pesquisa, que deveria ser realizada em revistas, periódicos, internet, e outros veículos de comunicação foi proposta com o intuito de levantar os conceitos de físicas inerentes ao projeto. Como resultado dessa atividade, obteve-se vários trabalhos, com diferentes referências e com diferentes enfoques. Ao professor, coube organizar esse conhecimento pesquisado e realizar outras atividades pedagógicas na intenção de interiorizar esses conceitos. É a fase de exploração do projeto.
## · Trabalho de casa: Desenho da planta da Montanha Russa.
Após as discussões iniciais e a pesquisa na internet, os grupos agora precisam concluir a primeira etapa. Para isso, junto com o portfólio, deveriam trazer dentro de uma semana o desenho inicial da sua montanha russa. Dessa forma, cada grupo, ao final desse momento de contextualização, apresentou pequeno portfólio contendo um cartaz com o desenho da montanha russa e os rascunhos feito por eles.
Em geral, os projetos apresentaram muitos erros conceituais, comuns nessa etapa do processo de aprendizagem, como: excesso de 'loopings' e mal dimensionados, curvas impossíveis de serem realizadas fisicamente, primeira altura menor que as demais, etc.
No entanto, o produto obtido foi muito bom, pois os alunos tiveram a oportunidade de se expressarem, compartilhar suas idéias com os demais e planejar a execução do projeto, sem a imposição de um roteiro pré-determinado pelo professor.
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Como citado no referencial teórico, a ação do professor nesse momento foi a de aguçar a curiosidade e a criatividade dos alunos, bem como levá-los a sentir a necessidade de adquirir novos conhecimentos para superar os obstáculos conceituais envolvidos na construção da montanha russa.
## Visitação
A visita ao Parque Hopi Hari ocorreu no dia 11 de outubro de 2009. Nesta data, 89 alunos, acompanhados dos professores Marcos Vinícius Menezes (Responsável), Márcia Batista da Silva e Sandro Sandri, viajaram e participaram da oficina ministrada pela monitora Marília Franceschinelli, do NIPEC, que foi filmada e documentada pelo professor responsável.
A oficina teve duração de 50 minutos. Durante a ministração da monitora, todos os conceitos físicos relacionados ao funcionamento da montanha russa foram abordados, de uma maneira interativa, e logo após ocorreu a experimentação da 'Montesun' - montanha russa de madeira.
Quase a totalidade dos alunos que viajaram nunca tiveram anteriormente a possibilidade de visitar um Parque de Diversões. Pudemos constatar a alegria e satisfação por se sentirem prestigiados pela realização da palestra. O restante da visita foi aproveitado para os alunos se divertirem nas diversas atrações do parque.
## Finalização do Projeto
De volta à sala de aula, agora cada grupo recebeu o seu portfólio de volta. Neste momento, dividido em duas etapas, os alunos deveriam verificar a planta da montanha russa desenhado por eles, visando corrigir os erros conceituais e elaborar a ficha técnica do seu projeto, conforme instruções do próprio parque.
## 1ª Etapa: Finalizar o desenho da planta da montanha russa
Como a grade horária da disciplina 'Física' é de apenas 2 aulas semanais, foi necessário a realização de aulas extras, em período diverso. Assim, houve a possibilidade de promover uma maior discussão conceitual em torno de cada projeto elaborado pelos grupos. As reuniões aconteceram durante as tardes na sala da biblioteca da escola.
A abordagem do professor foi individual. Cada planta foi analisada com base na sua viabilidade. Dessa forma, novamente foi retomado a discussão dos conceitos físicos, a fim de resolver os problemas de construção. Os alunos, neste momento, compreenderam a necessidade de fazer a primeira subida maior que as demais, bem como dimensionar corretamente os 'loopings' e curvas. Também foi discutida a questão financeira, pois o projeto criado por eles deveria levar em consideração os custos tanto de produção como de manutenção.
## 2ª Etapa: Elaboração da Ficha técnica da montanha russa
Como parte do trabalho pedagógico, após a conclusão do desenho e a definição de alguns parâmetros de cada planta, como altura máxima, altura da plataforma de embarque, quantidade de 'loopings', comprimento total do percurso, quantidade de carrinhos e passageiros, foi proposto a cada grupo a elaboração de uma ficha técnica, em que todas essas informações tivessem presentes de maneira sucinta, objetiva e clara.
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Os conceitos físicos necessários para a elaboração dessa ficha foram sistematicamente estudados em classe na própria sala de aula em duas aulas. Neste momento, o professor desenvolveu uma exposição dos conceitos, utilizando para isso o recurso da lousa e auxílio do livro didático.
Introduziu-se o conceito de energia mecânica, constituída pela soma das energias potencial e cinética. A questão da conservação da energia e da dissipação por processos térmicos e de atrito foram apresentados. Explorou-se os conceitos de velocidade e suas relações com a altura de queda e energia mecânica. Foram estudados também as condições necessárias para um carrinho de montanha russa realizar um 'looping' sem perder o contato com os trilhos.
A questão energética e os procedimentos de economia de energia elétrica foram estudados, com a intenção de subsidiar os alunos na escolha do motor da montanha russa que gastasse menos energia. Aproveitou-se esse momento como uma oportunidade de realizar um debate sobre a atual crise energética e o excessivo consumo e utilização de energia elétrica.
As duas aulas seguintes foram usadas para a realização das operações matemáticas e da resolução dos problemas em cada projeto. Ao fim dessa etapa, cada grupo entregou o portfólio, a ficha técnica e a planta da montanha russa, que foram enviados ao parque para o concurso do LED no dia 30 de outubro de 2008.
## Resultados obtidos
A parceria da escola com o Parque de Diversões 'Hopi Hari' foi fundamental para o sucesso da experiência realizada. Por meio dessa atividade, conseguiu-se envolver 120 alunos do ensino médio em uma situação de aprendizagem que visava a construção de uma montanha russa. Destes, 89 alunos finalizaram com sucesso o trabalho, desenvolvendo e entregando os materiais solicitados. No entanto, a escola somente enviou 7 projetos para o parque, devido aos prazos estipulados, ficando outros 3 de fora por terem sido entregues fora do prazo.
O material produzido pelos alunos constituiu-se de um portfólio contendo a planta da montanha russa projetada por eles, desenhada em uma folha de papel cartolina, uma ficha técnica com as informações da montanha russa devidamente digitados em um programa de edição de texto, os resultados das pesquisas realizadas na rede mundial de computadores sobre os tipos de montanhas russas, todos os rascunhos desde os primeiros desenhos até a realização das contas de matemática para a elaboração da ficha técnica.
Junto com esse material, também foi enviado um relatório do professor sobre o trabalho desenvolvido, uma auto-avaliação dos alunos sobre o projeto e a visita ao parque de diversões e um vídeo produzido pelo responsável com o depoimento de cada integrante do trabalho.
A Escola ganhou o 'Prêmio LED 2008' do Concurso Educador em Ação 2008, na categoria 'Melhor escola'. Como prêmio, a escola recebeu 90 passaportes cortesia para que pudesse retornar com os alunos em uma nova data com as despesas pagas. O retorno ocorreu em duas datas, a saber: 29 de junho e 11 de julho de 2009. Nestas datas, os alunos participaram de novas oficinas educativas oferecidas pelo parque.
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Figura 01: Exemplo de uma Figura
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Figura 01: Exemplo de uma Figura
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## Considerações Finais
A avaliação dos alunos foi realizada antes, durante e depois do projeto através de vários instrumentos de avaliação, como questionários, sínteses de pesquisa, portfólios, elaboração da planta e ficha técnica da montanha russa, bem como da tomada da postura deles em relação ao trabalho que vinha sendo executado.
Os resultados obtidos com a análise desses instrumentos de avaliação, quando confrontados com o referencial teórico, possibilitaram a visualização de alguns aspectos importantes que dizem respeito ao processo de ensinoaprendizagem realizado nessa atividade proposta, que permite as seguintes conclusões:
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A situação de aprendizagem caracterizada pela participação dos alunos no projeto de construção de uma montanha russa favoreceu a participação ativa destes, constituindo um projeto coletivo de investigação e ação, havendo trocas de experiências e conhecimentos entre estes e o professor. A dinâmica de interação professor - alunos, e entre alunos, desde o início do projeto, mostrou-se intensa. Os alunos não hesitaram em questionar, dar suas opiniões e explorar as situações que eram expostas.
Relacionado a isso, a apresentação dos conceitos e teorias científicas a partir de temas significativos, resultou em uma atuação investigativa e crítica por parte do professor e dos alunos, possibilitando a compreensão dos conceitos físicos envolvidos no funcionamento de uma montanha russa, bem como das situações reais envolvidas no tema.
Assim, os alunos puderam relacionar e generalizar os conceitos fundamentais sobre mecânica e eletricidade, aplicando os conhecimentos obtidos na elaboração da planta e da ficha técnica da montanha russa, o que exigia uma interpretação dos fenômenos envolvidos no funcionamento do brinquedo.
A definição do tema 'Construção de uma Montanha Russa' permitiu que o professor atuasse sobre os conceitos físicos importantes de física, numa abordagem temática que incluiu situações significativas de aprendizagem aos alunos, em oposição à uma visão esteriotipada dos conceitos apresentados em uma abordagem meramente conceitual.
Um dos aspectos mais importantes do projeto caracteriza-se pela mudança de visão do aluno com relação às disciplinas Física e Matemática. A interação entre as áreas do conhecimento, propiciou o diálogo entre as disciplinas, de forma a interpretar e representar a realidade. Como resultado, observou-se um maior interesse dos alunos pelo estudo dessas disciplinas
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação (MEC), Secretaria da Educação Média e Tecnológica (Semtec). Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio , Brasilia: MEC/Sentec, 1999.
DELIZOICOV, D; ANGOTTI, J. A., PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: Fundamentos e métodos , São Paulo, Cortez, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975
GASPAR, A. Física, volume único: Livro do professor. São Paulo, Ática, 2008.
HOPI HARI. Led na sala de aula 2008: sugestão de atividade pedagógica complementar , Vol 1 - Física, São Paulo, 2008.
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: A pedagogia crítico-social dos conteúdos , 5ª ed. São Paulo, Loyola,1987.
SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Física - Coord. Maria Inês Fini. - São Paulo, SEE, 2008.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.