ANÁLISE INSTRUTIVA DE UM ROTEIRO EXPERIMENTAL
Erika Da Cunha Rodrigues, Eliane Correia Valcarcel, Jonny Nelson Teixeira, Luis Augusto Alves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ANÁLISE INSTRUTIVA DE UM ROTEIRO EXPERIMENTAL
Erika da Cunha Rodrigues 1 , Eliane Correia Valcarcel , Jonny Nelson Teixeira 2 3 , Luis Augusto Alves 4
1 IFSP, erika\_c.rodrigues@hotmail.com 2 IFSP, anevalcarcel@yahoo.com.br 3 IFSP, jonny@if.usp.br 4 IFSP, luis\_aa@cefetsp.br
## Resumo
Nossa proposta é avaliar a elaboração de dois roteiros distintos de uma mesma atividade experimental pensada para estudantes do terceiro ano do ensino médio. Compreender a eficiência das estratégias educacionais, dos métodos de aprendizagem dos alunos acerca do conceito de interação entre cargas elétricas e usando a experimentação como uma das estratégias propostas para uma interação maior dos alunos no processo de aprendizagem. Dentro desta estratégia, buscamos analisar os dois roteiros, a partir da resolução dos questionários propostos, contido nos roteiros, pelos estudantes. Um com o viés mais aberto (R1), onde o aluno faz todo o procedimento experimental no início da atividade e depois discute as questões levantadas dentro de um tempo único e, o outro, (R2) estruturado em duas etapas, com o procedimento experimental fragmentado e tempo determinado pelo professor e suas respectivas questões. Os resultados iniciais evidenciam a importância da avaliação, da eficiência de uma estratégia de ensino no processo de aprendizagem dos estudantes.
Palavras-chave : aprendizagem, avaliação, estratégia de ensino
## 1. Introdução
Este trabalho faz parte de uma pesquisa desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que objetiva a melhoria da qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura, e a colocação dos licenciandos no dia-a-dia das escolas, promovendo a ligação entre educação superior e educação básica. O programa na Instituição formadora propõe que, o aluno bolsista apresente um projeto, tendo a parceria de um orientador na instituição e um supervisor na escola para a implementação da proposta.
O projeto PIBID do Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia de São Paulo - IFSP prevê a figura do professor orientador que possui uma linha de pesquisa, e seus orientandos (alunos bolsistas) que possuem um projeto ligado à linha de pesquisa do mesmo. Particularmente, este trabalho trata estuda o Ensino de Eletromagnetismo, no ensino médio regular.
- O objetivo é buscar elementos que permitam compreender o ensino de física, a partir da avaliação de estratégias de ensino e compreensão dos alunos, que são aspectos importantes no processo de ensino aprendizagem. Foi realizado na escola E.E. Brigadeiro Gavião Peixoto credenciada ao projeto PIBID, em aulas de eletromagnetismo do terceiro ano do ensino médio regular. Apresentaremos o levantamento realizado, acerca da aprendizagem adquirida pelos alunos em relação ao conceito de interação entre cargas. A atividade foi planejada junto ao supervisor
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
da escola com a finalidade de avaliar a aprendizagem dos alunos no conceito abordado naquele momento nas aulas.
## 2. Metodologia
Utilizamos como estratégia uma atividade experimental já inserida no planejamento das aulas do professor supervisor. O experimento utilizado foi montado com material de baixo custo e de rápida montagem. Aplicamos a atividade em duas turmas, onde os alunos se organizaram em grupos.
Na sala do 3ºG, os alunos realizaram a atividade experimental depois das aulas teóricas e puderam consultar um livro didático. Já a sala do 3ºF, o experimento foi realizado antes das aulas teóricas e também puderam consultar o mesmo livro didático. A atividade foi realizada em grupo onde cada sala formou sete grupos de alunos.
Foi um processo bem simples, consistia em eletrizar um canudo de refrigerante, atritando-o com uma toalha de papel, ou seja, o canudo foi eletrizado por atrito. Em outro canudo foi amarrado em seu centro um fio fino formando uma espécie de pêndulo e, apenas uma das extremidades foi eletrizada por atrito. O canudo eletrizado era aproximado da ponta do pêndulo eletrizada e ocorria repulsão. Ao aproximarmos o canudo eletrizado da extremidade não eletrizada do pêndulo acontecia atração.
Com esta atividade pretendia-se que os alunos compreendessem o conceito de interação entre cargas a partir da eletrização. Como o experimento foi totalmente qualitativo e descritivo, esperou-se que os alunos empregassem uma linguagem científica na descrição do fenômeno. Durante a realização, além de poderam consultar um livro didático, o professor orientou os alunos na montagem do experimento e esclarecendo as eventuais dúvidas.
Foi apresentado, durante a aula, o gerador de Van de Graff, onde tiveram contato com a máquina e visualizaram um exemplo de geração de campo elétrico por atrito. Foram traçadas analogias entre o experimento e o gerador com fenômenos naturais como raios e relâmpagos e, artificiais como a tela CRT da televisão.
Os roteiros experimentais elaborados foram denominados R1 e R2.
O roteiro R1 iniciava-se com o procedimento experimental e terminava com questões qualitativas e descritivas, que deveriam ser discutidas e respondidas pelo grupo. Este roteiro foi desenvolvido na turma do 3°F.
## Roteiro R1:
## Atividade Experimental: Eletrização por atrito e tipos de cargas.
## Materiais
- -Canudinhos de refrigerante;
- -Papel toalha;
- -Linha.
## Procedimentos
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Atrite um dos canudinhos com o papel toalha e encoste-o na parede, repita o procedimento caso ele não aderir. Em uma segunda etapa, amarre o fio no centro do outro canudinho de forma a ser um pêndulo e, em seguida atrite o canudinho do pêndulo e segure-o pelo fio. Retire o canudinho que está na parede e aproxime-o do pêndulo.
## Questões
- 1 . Descreva o que observou.
- 2. Explique por que há atração entre um corpo leve, não eletrizado, e o canudo carregado.
- 3. Sabendo-se que apenas uma parte do canudo está sendo atritado, o que ocorre com a distribuição de cargas em sua totalidade? Explique.
- 4. Como você explica a existência de carga elétrica e campo elétrico na atividade?
- 5 . Uma pessoa encontra-se em um campo plano, quando é surpreendida por uma tempestade. Para se proteger da chuva, ela se esconde sob a copa de uma árvore isolada no meio do campo, isto é arriscado. Qual a relação da atividade com a afirmação acima?
- O ato de colocar o procedimento da atividade no início propõe que o aluno durante a realização discuta com os colegas de forma aberta o que ocorre antes de responder as questões do roteiro.
- O roteiro R2 consistia em duas etapas. Na primeira, o aluno deveria utilizar o canudo que foi atritado. E este, precisaria aderir à parede. Logo após, eram apresentadas questões em que o aluno deveria analisar o fenômeno ocorrido. Já na segunda etapa, os alunos deveriam seguir os mesmos procedimentos do roteiro R1, mas deveriam levar em consideração a etapa anterior do procedimento.
## R2: Atividade Experimental: Eletrização por atrito e tipos de cargas
## Materiais
- -Canudinhos de refrigerante;
- -Papel toalha;
- -Linha.
## Procedimento 1
Atrite o canudinho com o papel toalha e aproxime-o da parede, repita o procedimento caso ele não aderir.
## Questões
- 1 . Descreva o que você está observando no experimento.
- 2. Explique por que há atração entre um corpo leve, não eletrizado, e o canudo carregado.
## Procedimento 2
Em uma segunda etapa, amarre o fio no centro do outro canudinho de forma a ser um pêndulo e, em seguida atrite o canudinho do pêndulo e segure-o pelo fio. Retire o canudinho que está na parede e aproxime-o do pêndulo.
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- 3. Sabendo-se que apenas uma parte do canudo está sendo atritado, o que ocorre com a distribuição de cargas em sua totalidade? Explique.
- 4. Como você explica a existência de carga elétrica e campo elétrico na atividade?
- 5 . Uma pessoa encontra-se em um campo plano, quando é surpreendida por uma tempestade. Para se proteger da chuva, ela se esconde sob a copa de uma árvore isolada no meio do campo, isto é arriscado. Qual a relação da atividade com a afirmação acima?
## 3. Resultados
A avaliação da eficiência dos roteiros foi baseada na compreensão dos alunos sobre o conceito de interação entre cargas. Orientamos nossa análise nas respostas dos alunos às questões propostas nos roteiros R1 e R2. O diagnóstico desta experiência procurou verificar e reorientar a melhor estratégia, considerando os melhores resultados.
Partindo da linha de pensamento sobre o ato de ensinar e de aprender, relacionado a realizações de mudanças e aquisições, a avaliação consiste em verificar se estes estão sendo realmente alcançados no nível estabelecido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber. Portanto, a ação de planejar e avaliar o processo de ensino e de aprendizagem não é uma atividade neutra ou destituída de intencionalidade, como afirma Luckesi (1995):
O ato de planejar é a atividade intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingi-los. Por isso não é neutro, mas ideologicamente comprometido. (p. 105)
A avaliação deve auxiliar o educando a aprender, e o professor a não exclusivamente ensinar mas, acompanhar o desenvolvimento do pensar dos alunos, nas diversas áreas do saber, contextualizando e dando significado, buscando sempre com o aluno o aprender a apreender. Desta forma, a avaliação da eficiência da estratégia de ensino abordada tem papel fundamental na aprendizagem dos alunos, especialmente na hora da escolha.
Um dos pontos a ser analisado nas respostas dos roteiros é a linguagem científica no sentido do registro do pensamento científico. Ela possui uma estrutura particular e características específicas, indissociáveis do próprio conhecimento científico. É necessário que os alunos sejam capazes de estabelecer relações entre tais elementos dentro da grande estrutura que organiza o conhecimento científico escolar. De um lado, a linguagem é um objeto do processo de aprendizagem de ciências, mas por outro, a linguagem é um instrumento de intermédio do seu processo de ensino.
A avaliação no contexto escolar, portanto, é organizada e sistematizada, com objetivos claros ou subentendidos, que, por sua vez, refletem valores e normas sociais. Pois as práticas avaliativas servem para a manutenção ou transformação social, ela não acontece em momentos isolados do trabalho pedagógico. Tem início, passa pelo meio de todo o processo e é finalizada. (Villas-Boas, 1998)
Os resultados deste levantamento serão utilizados na investigação da eficiência de cada um dos roteiros (R1 e R2). Portanto, a avaliação deve ser
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discutida e reelaborada diariamente na sala de aula, de modo a aumentar a eficácia do ensino e escolha da melhor estratégia, ajudando no esclarecimento dos significados, produzindo razões para a aprendizagem.
Para a análise dos dois roteiros utilizamos como referência as questões 1, 2, 3 e 4. Na questão 1 do roteiro R1, os alunos deveriam descrever o que observou. Somente os grupos G4/R1 e G5/R1, utilizaram os conceitos científicos para explicar os fenômenos ocorridos, como: carga, repulsão e atração. A tabela 01 apresenta as respostas dos alunos, referente a questão 1 do roteiro R1
Tabela 01: Questão 1 do roteiro R1
Os outros grupos descreveram somente a parte visual, sem se apropriar de elementos que justifiquem o que estão observando, como exemplo o grupo G1/R1. No caso da questão 1 do roteiro R2, onde os grupos precisavam identificar somente a parte da eletrização do canudinho, encontraram dificuldades em organizar a descrição. O grupo G4/R2, relacionou o fenômeno a um 'fluido elétrico'.
Já a questão 2 do roteiro R1 e R2, nenhum grupo conseguiu atingir os objetivos de identificar o tipo de eletrização que ocorreu. Confundiram corpo neutro com corpo negativo. Mas, em nenhum momento relacionaram a atração devido à polarização. E da mesma forma o grupo G4/R2, apresentado na tabela 02, justificou sua resposta em relação ao fluido.
Tabela 02: Questão 2 do roteiro R1 e R2
Na questão 3 apenas dois grupos que receberam o roteiro R1, conseguiram explicar corretamente o que ocorria com as cargas, os demais grupos explicaram parcialmente. Já, os que receberam o roteiro R2, encontraram mais dificuldade em responder a esta questão, alguns acabaram por descrever o experimento.
Em relação à questão 4, tabela 03, dos roteiros, somente um grupo conseguiu se aproximar da explicação do fenômeno, o G2/R1:
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Tabela 03: Questão 4 do roteiro R1 e R2
Os demais grupos que receberam o roteiro R1 se aproximaram na resposta, mas confundiram os conceitos. Já os grupos que receberam o roteiro R2 apresentaram dificuldade com a linguagem. E, um ponto importante nas respostas dos grupos é que eles confundem carga e campo elétrico com energia.
Durante a análise das respostas, notamos que, os alunos encontraram dificuldade na descrição do experimento, não conseguiram descrever com precisão o que estavam observando. Apresentaram maior dificuldade no roteiro R2, especialmente na segunda etapa, pois ao responderem a questão 3 do roteiro, sobre o que ocorria com as cargas, eles descreveram o que observavam.
De acordo com o planejamento da atividade e segundo Borges (2002), as abordagens do laboratório tradicional trazem a possibilidade de realizar medidas, fazer observações, testar leis científicas, ilustrar idéias e conceitos aprendidos em sala de aula, descobrir ou formular uma lei sobre um fenômeno específico, dentre outros.
E segundo Araújo e Abib (2003), a experimentação como estratégia de ensino de Física pode ser relacionada ao grau de direcionamento da atividade, que neste trabalho tem caráter de investigação. E diante dessas considerações, a análise dos roteiros atendeu os objetivos pretendidos, como afirma ARAUJO e ABIB:
'Porém, no caso destas atividades o próprio caráter de investigação das mesmas pode ser considerado como um elemento facilitador para uma abordagem que seja centrada nos aspectos cognitivos do processo de ensino-aprendizagem, intrínsecos de uma metodologia que busca uma transformação mais profunda nos estudantes, seja ela vinculada aos aspectos conceituais, relacionados aos conteúdos de Física, ou mesmo comportamentais, como a capacidade de reflexão, abstração, generalização, síntese e de senso crítico.' ((ARAÚJO; ABIB, 2003, p. 186)
Observamos que a forma mais aberta do roteiro e flexibilidade para discussões permitiu um aprofundamento nos aspectos conceituais e práticos relacionados à atividade. Contudo, em relação ao direcionamento dos roteiros avaliamos a eficiência de R1 e R2, em relação a aprendizagem do conceito estudado. O gráfico abaixo, figura 1, representa de forma geral a eficiência dos roteiros empregados. As porcentagens se referem à compreensão dos alunos nos roteiros.
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Figura 01: Levantamento da eficiência dos roteiros
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Contudo em relação à aprendizagem do conceito estudado o roteiro R1 apresentou melhor eficiência, tendo maior número de alunos com compreensão do conceito entre 60% e 80%. Já o roteiro R2, não ofereceu um bom aproveitamento, pois a maioria dos alunos ficou em aproximadamente 20% e 40%.
Esta análise de eficiência mostrou que, o roteiro R1 é mais eficiente, e isto ocorreu devido a sua organização estrutural. Colocando o procedimento no início, fez com que os alunos pudessem discutir abertamente o fenômeno que observavam na atividade experimental, antes de terem que responder as questões do roteiro.
## 4. Considerações
Os resultados aqui apresentados, ainda que parciais e preliminares, evidenciam a necessidade de planejar as estratégias de ensino e de avaliação dos alunos. Observado que, o papel da avaliação e sua utilização pelo professor em sala de aula é um grande desafio, por ser através dela que, o ato de ensinar e de aprender são inseridos no processo de ensino-aprendizagem.
O educador, ao lidar com a avaliação da aprendizagem escolar, deve ter em mente a necessidade de ampliar a sua prática diária, sua visão global, inovando as propostas e estratégias para a melhoria do ensino. Consideramos que a estratégia de ensino, de caráter de investigação, proposta de forma aberta, abordada neste trabalho, é válida, desde que planejadas e direcionadas.
## 5. Referências
ALVARENGA, Beatriz; MÁXIMO, Antonio. Física: volume 3 . São Paulo: Ed. Scipione, 2009.
ARAÚJO, Mauro Sérgio Teixeira; ABIB, Maria Lúcia Vital dos Santos. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 176-194, jun. 2003.
BORGES, A. Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de Ciências . Caderno Brasileiro de Ensino de Física. v.19, n.3: p.291-313, 2002.
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LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar . São Paulo: Cortez, 1995.
VILLAS-BOAS, Benigna Maria de Freitas. Planejamento da avaliação escolar . Próposições, v. 9, n. 3, p. 19-27, nov. 1998.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.