A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA DE UM VÍDEO-AULA COM INTÉRPRETE
Lorena Dariane Da Silva Alencar, Hamilton P S Corrêa, Rodolfo Langhi
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA DE UM VÍDEO-AULA COM INTÉRPRETE
## Lorena Dariane S Alencar , Hamilton P S Corrêa , Rodolfo Langhi 1 2 3
- 1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Departamento de Física/fisicalorenaa@gmail.com
## Resumo
A partir da Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o Art. 60 estabelece a obrigação do governo de incluir o aluno com deficiência no Ensino Regular. Apesar de a lei estar em vigor desde 1996, pouco ou quase nenhuma modificação na realidade das escolas para que esta inclusão ocorresse de forma efetiva foi tomada. Dentre os diferentes tipos de deficiência, a surdez, foco deste trabalho, é a que impossibilita o indivíduo a ouvir a fala humana, tornando este o maior impacto na vida do deficiente, já que interfere na interação social e numa das principais formas de acesso ao conhecimento, que é a interação verbal. Portanto, tornam-se necessários recursos tecnológicos que facilite o aprendizado do surdo. Nesse caso, na sala de aula, ocorrem duas transposições didáticas: a do professor e a do intérprete. Para que o aluno com surdez interprete corretamente os conceitos ensinados pelo professor, faz-se necessário que o intérprete desempenhe corretamente seu papel. Porém, sabe-se que os intérpretes não têm uma formação específica em Física e muitos não são licenciados em Língua de Sinais, sendo profissionais portadores de certificação de proficiência em Libras (Pro-Libras). Neste trabalho, se analisa as modificações que ocorrem na tradução do que é dito na linguagem oral para a linguagem de sinais. Como método de estudo, se elaborou um roteiro escrito para uma vídeo-aula, tendo como tema específico a 'Natureza da luz', que foi traduzido para Libras e foram analisadas as descontinuidades geradas que podem levar a não compreensão e/ou compreensão inadequada do conteúdo físico.
Palavras-chave : Ensino de Física, Transposição Didática, Educação especial, Alunos surdos, Recursos tecnológicos.
## Introdução
A Lei 9.394 de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (BRASIL, 1996), no Art. 60 estabelece que é obrigação do governo incluir o aluno com como fazer a inclusão de surdos e outros deficientes.
Os PCNs declaram que a inclusão escolar constitui de uma proposta politicamente correta, representando valores importantes, que estão de acordo com a igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos, em um ambiente educacional favorável. Impõe-se como uma perspectiva a ser pesquisada e experimentada no Brasil, reconhecidamente ampla e diversificada (BRASIL, 1998).
A surdez impossibilita ouvir a fala humana e este é o maior impacto na vida do surdo, já que interfere na interação social e numa das principais formas de
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acesso ao conhecimento, a interação verbal. Portanto, se tornam necessários recursos pedagógicos facilitadores para o aprendizado do surdo.
Segundo Zenari (2003), a capacidade intelectual não é afetada pela falta de audição, mas limita a possibilidade de aquisição de conhecimentos transmitidos oralmente, prejudicando o desenvolvimento do raciocínio abstrato, já que haverá dificuldades em formar conceitos simbólicos, que não necessitem da exploração concreta dos objetos .
Nesta pesquisa, utilizaremos os fundamentos da transposição didática como instrumento para analisar o processo através do qual o saber produzido pelos cientistas (o Saber Sábio) se transforma naquele que está contido nos currículos e livros didáticos (o Saber a Ensinar) e, principalmente, naquele que realmente aparece nas salas de aula (o Saber Ensinado). A necessidade de se ensinar o conhecimento leva à necessidade de modificá-lo e essa modificação é chamada de transposição didática (CHEVALLARD, 1991). Estamos especialmente interessados na transposição didática que ocorre com o interprete e o aluno, durante uma aula de Física.
Pensando na Transposição Didática do intérprete, incluímos a elaboração de um vídeo para o ensino de conteúdos específicos, sobre a natureza da luz. Conforme Sacerdote (2010), o vídeo desempenha um papel educacional relevante, transmitindo informações, auxilia o despertar da curiosidade, permite simulações da realidade, reproduz entrevistas, depoimentos, documentários, auxilia no desenvolvimento da construção do conhecimento coletivo pela análise em grupo e o desenvolvimento do senso crítico.
Portanto, o vídeo que apresentamos neste trabalho foi elaborado a fim de permitir que, visualmente, através de um intérprete, com formação em física (licenciado), possa nortear o aluno surdo, o intérprete do aluno e o próprio professor, na comunicação com sinais mais adequados para a transposição didática dos conceitos da física.
Com a inclusão dos alunos surdos nas escolas, o intérprete tem importância fundamental, pois a realidade que é encontrada ali é de uma maioria de professores e alunos que não sabem se comunicar em LIBRAS, dificultando a comunicação destes com os alunos surdos.
Na escola, o intérprete educacional, é aquele que atua na educação, tem o papel de estabelecer diálogo entre alunos surdos, professor e demais alunos, além de, interpretar em LIBRAS ao aluno surdo aquilo que foi dito pelo professor na explicação, mas não é de responsabilidade do intérprete ensinar o conteúdo ao aluno. O papel do professor e do intérprete como mediador do ensino não podem ser confundidos. Cada um desempenha sua função e papel que se diferenciam imensamente. A função do professor está associada ao ensino e o papel do intérprete é de mediador entre os que não dominam a mesma língua, evitando, quando possível, interferir no processo de comunicação (ALBRES).
Segundo Rosa (2006), para que o aluno com surdez interprete corretamente os conceitos ensinados pelo professor, se faz necessário que o intérprete desempenhe corretamente seu papel. Porém, sabe-se que os interpretes, em geral, não tem uma formação em física nem dominam o conteúdo, logo, é possível que não haja a compreensão exata do conceito físico pelo aluno, fator este que nos interessa neste trabalho. Por isso, se faz necessário a utilização de um recurso
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pedagógico norteador na prática em sala, o qual o professor possa garantir que o aluno receba de seu intérprete a informações o mais fidedignas possível, a fim de que haja a compreensão do conteúdo. Tendo em vista o apresentado, o vídeo adaptado para o surdo pretende atender tais necessidades, além de permitir que o ouvinte também se beneficie deste.
## Metodologia
Para a execução deste trabalho, reconhecemos que, segundo Chevallard (1991), a Transposição Didática deve ser levada em conta para a transferência do saber cientifico (Física dos físicos) para o conhecimento escolar (Física da escola). Por isso, procuramos elaborar um roteiro de uma vídeo-aula para ouvintes e posterior tradução em Libras, de forma a permitir que os alunos surdos possam acompanhar a transmissão das informações apresentadas oralmente no vídeo. A previsão da duração do vídeo é de 15 minutos e foi proposta para um tempo curto devido às limitações de tempo encontradas nas aulas regulares, que não ultrapassam 50 minutos na sua maioria. O tema na Física abordado foi a ' Natureza da Luz', uma vez que não requer muitos requisitos físicos a priori.
Levando em conta esses aspectos metodológicos e a fundamentação teórica apresentada, se elaborou um roteiro de uma vídeo-aula, o qual se constitui a proposta do nosso trabalho, e a partir da análise do texto traduzido para Libras, se fez uma leitura crítica de como os conceitos físicos foram modificados e adaptados no processo de tradução. Para facilitar esta análise, usaremos a transcrição da tradução do texto do roteiro feito por um intérprete experiente na língua Libras e que já trabalhou com alunos da rede pública de ensino de MS, o intérprete Alexander Carmona.
Esta análise fornecerá subsídios para futuras investigações e levantará elementos que indicam as condições em que ocorre a Transposição Didática nas aulas de Física com o uso de intérprete.
## Resultados e discussões
Apresentamos a elaboração de uma proposta de ensino de Física para surdos, através de um vídeo didático, cujo roteiro apresentamos a seguir.
- O texto em itálico representa o roteiro da vído-aula, em negrito está a tradução em Libras.Para analise do texto, este foi dividido em 25 parágrafos. Faremos analises pertinentes onde houve modificação. As palavras da tradução em Libras representam os sinais que serão utilizados pelo intérprete.
- 'O que levam os nossos olhos a enxergarem os diversos objetos presentes a nossa volta? Por que não enxergamos as coisas no escuro? Por que os objetos têm cores e por que o espelho mostra a imagem dos objetos que são colocados a sua frente? Desde a antiguidade esses questionamentos intrigaram grandes filósofos, entre eles, Platão e Aristóteles.'
- 1) Tradução para Libras: 'Com olhos captar vários vida mundo? Por que escuro ver não consegue? Por que objetos cores também espelho mostra igual? Passado até hoje confuso, angustia filósofos famosos, Platão, Aristóteles.'
- 1De forma geral aparentemente não houve grandes perdas ou alterações de significados, mas com uma análise mais cuidadosa é possível perceber algumas pequenas
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alterações nos significados de alguns trechos. Na tradução da primeira pergunta, se observa que as palavras usadas para indicar a idéia 'diversos objetos presentes a nossa volta', o tradutor utilizou a idéia 'vários vida mundo'. A palavra 'vida' normalmente carregar um significado de coisas animadas, porém, no texto original se busca dar o significado de animado e também de inanimado.
'Para Platão, a visão era produzida por raios que se originavam do olho, eles colidiam com os objetos e eram então visualizados.'
- 2) Tradução para Libras: 'Platão, visão raios originavam olho, raios objetos visualizados.'
- 2Não houve perdas significativas de informação, porque ao se utilizar a palavra raios , para que não se confunda com descarga elétrica , é utilizado um sinal "raio", porém ele é acrescido de classificador em Libras e expressão facial. Desta forma o surdo entenderá que se trata do olho. Ao sinalizar 'olho raio objetos visualizados' dá a idéia que os raios saem dos olhos e após encontrarem com os objetos os tornam visíveis, dando a idéia que se quer passar com a frase 'eles colidiam com os objetos e eram então visualizados.'
'Para Aristóteles, a visão se formava a partir da interação entre os olhos e o objeto. Para ele, a luz era formada de um fluido imaterial (éter) que ao atingir os objetos, retirava deles uma pequena camada superficial de átomos. Esses átomos ao atingem nossos olhos permitiam a sua visualização. A teoria de Aristóteles explicava também como percebemos o tamanho dos objetos. Segundo Aristóteles, quando estamos próximo de um objeto o 'enxergamos maior', por que mais átomos atingem nossos olhos, e quando afastado o 'enxergamos menor', por que menos átomos os atingem. Com o tempo, essas idéias se tornaram ultrapassadas e suas falhas levaram ao seu abandono. Duas dessas falhas eram: i) Por que os objetos não se desgastam ao serem iluminados? e ii) Por que as imagens não se embaralham pela colisões de átomos vindos de dois objetos diferentes?'
- 3) Tradução para Libras: 'Aristóteles, visão formava precisa interação olhos objeto. Homem 1 , luz formada fluido não ver (éter) combina objetos, captar pouca superficial átomos. Átomos hora olhos, entra permite visualização. Pensar Aristóteles explicava também como percebemos tamanho objetos. Aristóteles, hora vida próximo objeto enxergar maior, porque mais átomos entra olhos, se afastado enxergamos menor, átomos pouco. Tempo idéia velha erro muito melhor. Duas falhas o que? Por que objetos sumir não consegue iluminados? E Por que coisas embaralham nada átomos vindos dois objetos diferentes?'
- 3O texto se manteve inalterado em sua maior parte até sua metade, mas ao final se percebe algumas distorções que podem gerar confusões por parte do aluno no entendimento do pensamento de Aristóteles. Ao se perguntar, 'Por que os objetos não se desgastam ao serem iluminados?', na tradução este trecho ganhou a idéia de extinção (sumir), o que poderia criar certo espanto ao aluno: como algo que se ilumina pode sumir? No pensamento de Aristóteles, a idéia de desgastar não equivale a sumir, mas sim, a de perda de forma ou tamanho por iluminação, podendo quem sabe após muito tempo até sumir por desgaste, argumento que não se pode afirmar, a partir dos elementos apresentados no texto original.
'Com o avanço da ciência, essas idéias se tornaram ultrapassadas e novas explicações surgiram. Porém, ainda hoje, muitas pessoas explicam o processo de visão de forma semelhante à de Platão e Aristóteles, estas explicações são conhecidas como concepções espontâneas e estão em discordância com as idéias da Física Moderna e Contemporânea.'
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- 4) Tradução para Libras: 'Desenvolver ciência, idéias velhas novas explicações surgiram. Mas pessoas explicam visão igual Platão Aristóteles, explicações conhecidas mais pensar livre discordância Física Moderna e Contemporânea.'
- 4Na tradução, a idéia apresentada em 'Mas pessoas explicam visão igual Platão Aristóteles' não indica o real significado do que se espera para 'ainda hoje, muitas pessoas explicam o processo da visão de forma à de Platão e Aristóteles'. No original, esta frase apresenta a idéia de se estabelecer dentro das concepções de mundo do indivíduo o que é concepção espontânea, construídas durante sua vivência, em diferenciação com a concepção científica, elaborada dentro das Ciências segundo pressupostos estabelecidos.
- 'E qual é o modelo da Física Moderna e Contemporânea usado para explicar como os objetos são enxergados? Para entendermos e respondermos estas questões, primeiramente iremos conhecer um pouco as diversas concepções sobre a natureza da luz.'
- 5) Tradução para Libras: 'Qual modelo Física Moderna Contemporânea usado explicar como objetos enxergados? Entendermos explicar primeiramente conhecer importante diversas pensar como.'
- 5Não houve mudanças significativas, mas ao omitir as palavras do texto ' respondermos estas questões' a tradução não faz referencia às questões colocadas anteriormente, que queremos responder, dando a impressão de que a única questão que será respondida é 'Qual é o modelo da Física Moderna e Contemporânea usado para explicar como os objetos são enxergados?'. Isso mostra como a dinâmica da aula é modificada pelo intérprete, pois, enquanto os alunos ouvintes relacionam as questões anteriores com os novos conceitos, os alunos surdos ficam limitados apenas ao que é interpretado. Além do que, quando não aparece o termo ' natureza da luz' na tradução, se perde uma informação importante, o tema central do conteúdo físico que se está abordando.
'Isaac Newton acreditava que a luz era composta de pequenas partículas emitidas pelos corpos. E, na explicação para a existência das várias cores, ele supunha que o tamanho e a forma dessas partículas causavam sensações de cores diferentes nos olhos das pessoas.'
- 6) Tradução para Libras: 'Isaac Newton acreditava luz fazer pouca tem objetos. Explicação vida várias cores, Homem pensar tamanho partículas têm sensações 2 cores diferentes olhos pessoas.'
- 6- Na primeira frase, foi omitida palavra 'partículas', que é um conceito importante para explicar a idéia de Newton, na tradução ' Isaac Newton acreditava luz fazer pouca tem objetos ', não passa o real pensamento do cientista. O aluno surdo pode até compreender a tradução que foi feita pelo intérprete, mas deixa dúvidas se ele realmente está compreendendo o contexto físico apresentado por Newton. Na última frase, a palavra 'forma' não se apresenta no texto traduzido '... ele supunha que o tamanho e a forma dessas partículas...' e para Newton não era somente o tamanho das partículas que causavam sensações diferentes, mas também sua forma.
- 'Um argumento que Newton adotava para se opor aos defensores da natureza ondulatória da luz é que, ao contrário das ondas do mar, a luz não tinha a capacidade de contornar objetos.'
- 7) Tradução para Libras: 'Newton pensar opor pessoas diferente luz o que? Comparar ondas do mar, luz não ter objetos.'
- 7Apesar do texto não ter mencionado anteriormente o termo ' natureza ondulatória', é importante que seja mencionado aqui, pois, a natureza ondulatória da luz é outra concepção física, diferente da concepção de partículas. Nesta tradução, ao não se dizer que '...ao contrário das ondas do mar, a luz não tinha a capacidade de contornar objetos' , uma
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importante propriedade das ondas, o de contornar obstáculos, é suprimido na fala do intérprete e junto o conceito de difração (conceito físico relacionado com esta propriedade).
'Dentre aqueles que discordavam do modelo corpuscular da luz, se encontrava Christian Huygens. Ele descrevia a luz como um tipo de vibração, algo parecido com o som.'
## 8) Tradução para Libras: 'Pessoas discordavam modelos corpuscular luz, tem Christian Huygens. Descrevia luz vibração, som.'
- 8 -Não foram observadas mudanças significativas, a tradução se assemelha com o texto, exceto pela omissão de algumas palavras, como conjunções e artigos, palavras estas que pouco fazem parte da estrutura das frases em Libras. Segundo o intérprete Alexander Carmona, existem sinais em Libras que representam essas palavras, mas na maioria das vezes não é necessário sinaliza-las.
'Outro foi Thomas Young que, além de assumir a mesma posição de Huygens, conseguiu através de um experimento, constatar que, ao contrário do que Newton afirmava, a luz também podia contornar os objetos.'
- 9) Tradução para Libras: 'Outro homem Thomas Young, aceitou pensar igual Huygens, conseguiu experimento provar diferente Newton falar, luz também podia contornar objetos.'
- 9- Nesta tradução é inserido o conceito que a luz contorna objetos, mas como na tradução (7) não é mencionada esta propriedade ondulatória, a idéia que é passada na tradução '...luz também podia contornar objetos ' fica vaga, uma vez que não existe ligação com a frase '...ao contrário das ondas do mar, a luz não tinha a capacidade de contornar objetos' , argumento apresentado por Newton e contestado por Young experimentalmente.
- 'Ao estudar as ondas eletromagnéticas, James Maxwell percebeu que as velocidades de propagação das ondas eram iguais a da luz. Após testar algumas evidências, propôs que a luz era um tipo de onda eletromagnética.'
- 10) Tradução para Libras: 'Estudar ondas eletromagnéticas, James Maxwell percebeu velocidades propagação ondas é igual luz. Depois testar algumas evidências, propôs luz parece onda eletromagnética.'
- 10- Não foi identificada mudança no início da tradução, somente no final quando o texto diz: '... luz era um tipo de onda eletromagnética' e na tradução se diz '...luz parece onda eletromagnética ' . Existe uma diferença significativa no uso do verbo ser para o uso do verbo parecer . Quando Maxwell afirma que a luz era um tipo de onda eletromagnética, o conceito por ele apresentado ganha grande extensão, uma abrangência no seu significado, a luz agora pode ser descrita a partir da propagação das oscilações dos campos elétrico e magnético. Isto não ocorre na tradução, uma vez que ao se dizer que, a luz se parece com uma onda eletromagnética, isso se apresentada como algo de menor importância.
- 'O estudo da natureza da luz não parou por aí. Porém, para hoje não entraremos em detalhes e nos limitaremos ao modelo apresentado por Maxwell.'
- 11) Tradução para Libras: 'Estudo natureza luz não parou. Mas hoje profundo só modelo apresentado por Maxwell.'
- 11- O texto e a tradução são semelhantes. Na tradução ' mas hoje profundo só modelo apresentado por Maxwell ' significa que hoje somente o modelo de Maxwell será estudado profundamente. Apesar de usar palavras bem diferentes para dizer '... para hoje não entraremos em detalhes e nos limitaremos ao modelo apresentado por Maxwell', a idéia permanece a mesma e não altera o significado da frase.
'Para respondermos as questões propostas no inicio, precisamos conhecer os Princípios de Propagação da luz.'
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## 12) Tradução para Libras: 'Responder como questões propostas início, precisamos conhecer base propagação luz.'
12- A palavra Princípios é trocada por base e não altera o significado do termo.
'Tratando de um aspecto geral, a luz se propaga em linha reta em meios homogêneos. Isso é fácil de verificar ao apontar uma lanterna laser para um alvo qualquer; por melhor que seja a precisão da medida, não se consegue perceber qualquer alteração na direção do feixe de luz.'
## 13) Tradução para Libras: 'Tem geral, luz propaga linha reta homogêneos. Fácil verificar tem lanterna laser; melhor não consegue perceber mudança nada luz.'
- 13- Na tradução 'luz propaga linha reta homogêneos' não fica claro no discurso quem é homogêneo, o aluno pode ser levado a pensar que se trata de uma linha reta homogênea e não o meio. Outra omissão também importante para o entendimento da propagação da luz é a idéia de 'meio homogêneo', que neste caso se refere à idéia de isotropia espacial. Outro problema encontrado é na tradução de '... não se consegue perceber qualquer alteração na direção do feixe de luz' , uma vez que não fica claro a que tipo de mudança se refere, no caso mudança na direção da luz.
'No entanto, em meios heterogêneos a luz não se propaga necessariamente em linha reta. Por exemplo, na atmosfera terrestre o índice de refração varia com a altitude; em conseqüência disso os raios provenientes dos astros se curvam ao se aproximarem da superfície terrestre.'
## 14) Tradução para Libras: 'Mas, lugar igual luz não tem linha reta. Exemplo, atmosfera terrestre mudar ver altitude; por isso raios tem astros não consegue aproximarem terrestre.'
- 14- A tradução está muito diferente do proposto pelo texto, aparentemente não houve compreensão do intérprete sobre o conteúdo, isso é percebido quando parte do texto '... meios heterogêneos a luz não se propaga necessariamente em linha reta...' é traduzido por '...lugar igual luz não tem linha reta ...' note que o termo 'meios heterogêneos' foi traduzido por 'lugar igual', dando a idéia oposta ao que o texto quer transmitir. Na tradução '...atmosfera terrestre mudar ver altitude...' não traduz o que se pretende explicar e o termo 'índice de refração' foi omitido. Além de que, a tradução não deixa clara a idéia da curvatura que a luz realiza ao passar pela atmosfera terrestre.
'Fontes de luz e Visão'
## 15) Tradução para Libras: 'Fonte luz visão'
15- Não existe mudança de significado.
'Existem objetos que têm luz própria, e são chamados de fontes de luz, por exemplo, o Sol .'
- 16) Tradução para Libras: 'Tem objetos luz própria, chamados fontes de luz, exemplo Sol.'
- 16- Aqui também não foi observada nenhuma mudança de significado.
' Outros, porém, apenas têm a capacidade de absorver ou refletir parcialmente a luz emitida por alguma fonte de luz, como a Lua.'
## 17) Tradução para Libras: 'Outros, exemplo, capacidade absorver ou brilhar parcialmente luz tem alguma fonte. Igual Lua.'
- 17- Aqui a palavra refletir foi trocada por brilhar, o que pode gerar erros na compreensão dos conceitos ligados as propriedades da reflexão da luz. O termo brilho é utilizado, no cotidiano, como equivalente à intensidade da radiação, usado na Física, seria uma forma intuitiva de se referir a ela, intensidade. Uma estrela de alto brilho significa uma estrela que
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irradia vigorosamente. Estrelas, segundo esta forma de classificar, é um corpo que tem luz própria e, portanto, seria uma fonte primária de luz e não secundária, com a Lua.
'Atualmente, acredita-se que o processo da visão só é capaz de ocorrer com a presença de algum tipo de fonte de luz. Isso é contraditório com o que se pensava na Grécia Antiga, pois eles acreditavam que os olhos emitiam partículas que tornavam os objetos visíveis.'
- 18) Tradução para Libras: 'Hoje, pessoa acredita tem processo visão capaz se presença luz. É confuso pensava Grécia Antiga, pois acreditavam o que? Olhos tem partículas absorve os objetos visíveis.'
- 18Ao se dizer 'presença de luz' se omite o termo da Física 'fonte de luz', que tem uma importância grande nas discussões realizadas na óptica. As fontes luminosas são chaves para o entendimento do comportamento da maioria dos corpos que irradiação, em se suprimindo este termo, se perde a oportunidade de introduzir a idéia de corpo irradiador.
'Exemplificando essa situação, suponha que uma pessoa se encontra em um quarto onde não há nenhuma entrada de luz; por essa explicação, o simples fato da pessoa olhar para um objeto o tornaria visível. Entretanto, pela prática, percebe-se que isto não acontece.'
- 19)Tradução para Libras: 'Exemplificando como pessoa tem dentro quarto mas luz não tem. Explicação simples pessoa olhar objeto ver consegue. Mas prática, percebe não acontece.'
- 19- Aparentemente não existe mudança de significado.
'Assim, se aceita como modelo simplificado para o processo da visão a percepção de sinais luminosos pelos olhos e a transformação, pelo cérebro, desses sinais luminosos nas imagens vistas (esse processo entre o olho e o cérebro não será abordado aqui). Mas, é importante ressaltar que qualquer tipo de sinal luminoso, independente do trajeto, obrigatoriamente provirá de uma fonte luminosa. De uma forma mais geral, é cabível afirmar que a única coisa que os olhos detectam (vêm) é luz, por mais que a idéia do poder ver as coisas seja forte.'
- 20)Tradução para Libras: 'Aceita modelo simples processo visão percepção coisas luminosas olhos transformação, cérebro capta sinais luminosos imagens vistas (tem processo olho cérebro explicar agora não). Mas importante explicar o que? Qualquer sinal luminoso, livre como, obrigatoriamente fonte luminosa. Explicar mais geral, pode único olhos vêem é luz, não importa pensar poder ver coisas forte.'
- 20A frase ' cérebro capta sinais luminosos imagens vistas ' gera a concepção de que quem recebe sinais luminosos é o cérebro e não os olhos.
'A chama da vela, o filamento da lâmpada incandescente, o Sol e as estrelas são exemplos de fontes primárias de luz, por produzirem luz visível. As luzes por eles produzidas são originadas das altas temperaturas presentes na combustão da vela, no filamento com corrente elétrica e no interior das estrelas. Essas fontes quentes de luz guardam uma relação entre a temperatura e cor da radiação emitida. Para cada temperatura há a predominância da emissão de certa cor, enquanto as outras cores podem estar presentes em menor proporção.'
- 21)Tradução para Libras: 'Vela, filamento lâmpada, Sol, estrelas é exemplo fontes primárias luz, produzirem luz visível. Luzes originadas fortes temperaturas presentes combustão vela, filamento elétrico, interior estrelas. Fontes quentes luz combina temperatura cor também radiação. Cada temperatura tem emissão certa cor, outras cores podem presentes menor.'
21- Ao ser dito no texto que '... combustão da vela, no filamento com corrente elétrica e no interior das estrelas ...' busca-se exemplificar como a vela, ou o filamento elétrico chega à
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altas temperaturas, informação que ficou omitida com a tradução '.. .combustão vela, filamento elétrico, interior estrelas... '
'As radiações que nossos olhos conseguem perceber constituem uma pequena faixa do espectro que chamamos de luz visível, que se localizam entre o infravermelho e o ultravioleta As diferentes regiões de cores estão relacionadas a diferentes energias, sendo que as mais energéticas são no azul e menos energéticas no alaranjado.'
22)Tradução para Libras: 'Radiações olhos conseguem perceber tem pequeno espectro nome luz visível, localizam infravermelho ultravioleta. Diferentes cores combina diferentes energias, mais energia azul, menos energia laranja.'
22- Aparentemente não houve mudanças de significado.
'É importante notar, entretanto, que conseguimos ver uma grande parte dos objetos que estão a nossa volta porque refletem a luz visível que incide sobre eles, e não pela radiação que emitem, já que esta nem sempre é visível. Estes objetos, nessa situação, são chamados de fontes de luz secundárias.'
23)Tradução para Libras: 'Importante o que? Conseguimos ver mais objetos tem meio porque mostra luz incide olho, não radiação, por que as vezes não ver? Objetos nome fonte luz secundária.'
23- A tradução não deixou claro o que é uma fonte de luz secundária, repare que no texto foi dito '... que conseguimos ver uma grande parte dos objetos que estão a nossa volta porque refletem a luz visível que incide sobre eles...' '... são chamados de fontes de luz secundárias' e a tradução ' Conseguimos ver mais objetos tem meio porque mostra luz incide olho...' 'Objetos nome fonte luz secundária' a tradução permite a compreensão que os objetos chamados de fontes de luz secundárias são aqueles que são vistos porque a luz incide no olho, ou seja, não enfatiza que a luz do objeto tem que ser refletida e não própria.
'Em resumo, um corpo frio (corpo com baixa temperatura), em geral, não emite radiação visível, e nós só o vemos porque ele reflete luz que sobre ele incide. Quando o corpo está bem aquecido(com alta temperatura) começa a emitir radiação na faixa do visível, adquirindo uma cor vermelho-alaranjado, depois um vermelho mais brilhante e, a temperaturas mais altas, uma cor branco-azulada. O aquecedor elétrico é um bom exemplo disso, pois, ao ser ligado, o filamento aquecido começa a irradiar calor (infravermelho) e, se atinge altas temperaturas, passa a ter luminosidade própria, emitindo uma luz avermelhada, visível até no escuro'.
24)Tradução para Libras: 'Resumo, objeto frio, geral não tem radiação visível, nós vemos porque reflete luz incide. Hora mais aquecido começa emitir radiação faixa visível, cor vermelho-alaranjado, depois vermelho mais brilhante, temperaturas mais altas, cor branco-azulado. Aquecedor elétrico bom exemplo, é hora ligado, filamento aquecido começa irradiar calor (infravermelho), altas temperaturas tem luminosidade própria emitindo luz avermelhada, visível escuro consegue.'
24- Não existe mudança de significado.
'Isto significa que, com o aumento da temperatura, o filamento emite mais radiação térmica, chegando a irradiar luz visível, desde o avermelhado até o azulado. A cor da radiação mais intensa é a que prevalece. Se o filamento continuar a ser aquecido, e resistir a esse aquecimento, passará a emitir novamente radiação invisível, a partir do ultravioleta.'
25)Tradução para Libras: 'Explica o que? Aumento temperatura, filamento emite mais radiação térmica, tem irradiar luz visível, avermelhado até azulado. Cor radiação mais intensa importante. Se filamento sempre aquecido, suportar aquecimento, emitir de novo radiação invisível, ultravioleta.'
25- Não existe mudança de significado.
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## Considerações
Através da Transposição Didática, se observou que com a presença do intérprete como mediador em sala de aula entre o professor e o aluno, o saber a ser ensinado tem dois agentes, o professor e o intérprete. Observou-se que o intérprete ao traduzir para Libras o que é dito oralmente faz modificações no saber que é repassado ao aluno surdo. Essas modificações podem ocorrer por vários fatores: falta de sinais que representam os conceitos físicos, falta de compreensão do conceito físico pelo intérprete, necessidade de resumir o que foi dito pelo professor, a linguagem utilizada pelo professor, entre outros fatores. Assim, a função do intérprete é confundida com a do professor, porque foi observado que ele não somente traduz o que foi dito pelo professor, mas também modifica o saber para ensinar o aluno surdo.
Pode-se observar através das análises, um grande grau de discrepância entre o texto original e a tradução. É importante compreender que Libras não é a Língua Portuguesa sinalizada, mas sim, outra língua com suas próprias características. Para Libras o uso de preposições e artigos, muito utilizado na Língua Portuguesa para fazer ligações e correlações entre palavras, não são usuais. Durante a tradução, pode até não existir perda aparente da informação, mas ao se transmitir os conceitos físicos, o intérprete tem que utilizar como recurso na construção do texto adaptações para facilitar a interpretação e o entendimento, isso acaba modificando o seu sentido e seu real significado, gerando concepções equivocadas e limitando a construção das concepções físicas por parte do aluno surdo.
## Referências
ALBRES, Neiva de Aquino. História da Língua Brasileira de Sinais em Campo Grande - MS . Arara Azul. Rio de Janeiro.s/d.
BRASIL. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em:
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Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília : MEC / SEF/SEESP, 1998.
CHEVALLARD, Y. La Transposition Didactique: Du Savoir Savant au Savoir Ensigné. Grenoble, La pensée Sauvage.1991.
ROSA, Andréa da Silva. Tradutor ou Professor? Reflexão preliminar sobre o papel do intérprete de língua de sinais na inclusão do aluno surdo . Ponto de Vista. Florianópolis, v.8, n. 8, p. 75-95, 2006.
SACERDOTE, Helena Célia de Souza. Análise do vídeo como recurso tecnológico educacional. REVELLI - Revista de Educação, Linguagem e Literatura da UEG-Inhumas v. 2, n. 1.2010. Disponível em <HTTP://www.ueginhumas.com/revelli>. Acessado em 20 de maio de 2010.
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