AVALIAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO CIENTÍFICA ITINERANTE POR MEIO DA METODOLOGIA DA LEMBRANÇA ESTIMULADA
Grazielle Rodrigues Pereira, Robson Coutinho Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XI
- Ano
- 2008
- Data
- 22/10/2008
- Linha de pesquisa
- Física E Divulgação Científica Em Espaços Educativos Formais E Não Formais
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## AVALIAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO CIENTÍFICA ITINERANTE POR MEIO DA METODOLOGIA D DA LEMBRANÇA ESTIMULADA
## EVALUATION OF AN EXHIBITION SCIENTIFIC ITINERANT THROUGH THE STIMULATED RECALL METHOD
Grazielle Rodrigues Pereira 1 , Robson Coutinho Silva 2,3
1 CEFET Química - RJ/Centro de Ciência e Cultura/grazielle@cefeteq.br 2 UFRJ/Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho/rcsilva@biof.ufrj.br 3 Espaço Ciência Viva
## Resumo
Os museus e centros de ciências, enquanto espaços de educação nãoformal podem, por meio da participação ativa do público, promover a compreensão da ciência ao aguçar a curiosidade do indivíduo e estimular o prazer pela descoberta. No presente trabalho, apresentamos os resultados de um estudo de caso, por meio da avaliação qualitativa de uma atividade de cunho m useal itinerante do Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química no Rio de Janeiro. Essa avaliação se deu por meio da metodologia da lembrança estimulada, uma ferramenta de investigação sobre aprendizagem em museus ou centros de ciências. Os resultados obtidos por essa metodologia nos mostraram que uma única atividade pode dar início ao processo de aquisição de conhecimentos científicos em longo prazo. Desta forma, esses resultados validaram a importância de atividades científicas com vieses interativos e lúlúdicos, pois permitiram mensurar o impacto dessa atividade de divulgação científica itinerante sobre o público escolar.
Palavras - chave: educação não-formal, divulgação científica.
## Abstract
The museums and science centers, while areas of non-f-formal education can, through the active participation of the public, promote the understanding of science to sharpen the curiosity of the individual and stimulate the discovery pleasure. In the present work, we present the results of a case study, through qualitative assessment of the activity of museal stamp of f the Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química in Rio de Janeiro. That assessment, gave of the middle the stimulated recall method, a tool for research on learning in museums or centers of science. The results obtained by this method showed that in a single activity can begin the process of acquiring scientific knowledge in the long term. Thus, these results validated the importance of scientific activities with bias interactive and ludic therefore allowed measure the impact of such activity to disseminate scientific itinerant on the public school.
Keywords: non-formal education, scientific popularization .
## Introdução
A escola assume um papel imprescindível na formação do indivíduo, por essa razão deve sofrer muitas transformações por meio de políticas públicas para
que de fato (in)formem pessoas capazes de exercer suas atividades como profissionais e cidadãos. Entretanto, nenhuma instituição pode por si só arcar com esse papel, uma vez que crianças e adultos necessitam de motivação e estímulos (Costantin, 2001).
Os museus e centros de ciências, enquanto espaços de educação nãoformal , favorecem a ampliação e o refinamento cultural em um ambiente capaz de despertar as emoções que se tornam aliadas de processos cognitivos dotados de motivação intrínseca para a aprendizagem de Ciências (Pozo e Gómez Crespo, 1998 apud Queiroz et al, 2002). Esses espaços de educação não-f-formal são locais capazes de propiciar a apreciação e o entendimento das ciências por meio de ações voluntárias e individuais, popularizando o conhecimento científico e tecnologia (Barba, 2005). Marandino (2006) , ao discutir em seu trabalho a educação em museus , afirma que: "(...) hoje é cada vez mais presente a preocupação tanto com os impactos afetivos e emocionais quanto com a produção de sentido e a construção de conhecimento" (p.100).
Como evidencia a literatura (Lahera e Forteza, 2006; La Rosa et al, 1984 , entre outros), no quotidiano surgem muitos conceitos prévios em relação às ciências que permeiam o senso comum 1 . Atividades inerentes a museus ou centros de ciências podem atuar enquanto agentes do o processo educativo ao permitirem o confronto das idéias previas do indivíduo com as concepções científicas aceitas atualmente. Esse confronto se dá por r meio do observar, acionar, tocar ou manusear os experimentos, pelo ler, comparar, registrar, e, ainda pelo jogar, situações presentes em atividades museais (Vieira, et al, 2006). Os módulos experimentais presentes nesses espaços apresentam a capacidade de desequilibrar o senso comum, buscando o questionamento das concepções alternativas, principalmente quando esses módulos tratam de fenômenos científicos presentes no cotidiano, que mexem com curiosidade epistemológica (Cazelli et al, 2002).
Falk e Storksdieck (2005) , mediante os resultados de suas pesquisas sobre aprendizado em museus de ciências com uma amostra variada onde incluíram visitantes de todas as idades, rendas, ocupações, níveis de de instrução , concluíram que "(...) os museus da ciência são particularmente úteis para facilitar o aprendizado em Ciências por parte dos cidadãos com menos conhecimentos" (p.140). Portanto, museus e centros de ciências também assumem a responsabilidade de facilitar o processo de ensino-aprendizagem .
A partir das considerarações sobre o processo de ensino-aprendizagem em museus e centro de ciências, no no presente estudo, discutiremos o desenvolvimento de uma exposição científica itinerante que versou sobre temas de de Óptica no Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química/RJ. Essa exposição foi avaliada em três etapas por meio de ferramentas da metodologia qualitativa e quantitativa.
Neste trabalho apresentaremos os resultados de uma etapa da avaliação qualitativa, onde buscamos investigar o impacto que a exposição exerceu sobre um grupo de estudantes quatro meses depois. Essa avaliação se deu por meio da técnica da lembrança estimulada, como discutiremos a seguir na metodologia do trabalho.
## Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química/RJ
O Centro de Ciência e Cultura é um espaço do Centro Federal de Educação Tecnológica de Química/RJ. Foi inaugurado em 2002, tem por finalidades desenvolver atividades de divulgação e de popularização da ciência e contribuir para a formação inicial e continuada de docentes, servindo como laboratório de metodologias educativas apropriadas a espaços não formais de aprendizagem e como ambiente para a realização de eventos científicos abertos à comunidade (Chinelli, Pereira, Aguiar, 2007).
Esse centro de ciências possui módulos experimentais nas áreas de Óptica, Mecânica, Acústica, Educação Ambiental e Biologia. Está localizado no Município de Nilópolis, um Município da Baixada Fluminense, região do Estado Rio de Janeiro, localizada próximo à capital, densamente povoada.
## Metodologia da Pesquisa
## Desenvolvimento do projeto itinerante
À À luz de projetos itinerantes que visam a interiorização de atividades de popularização científica , desenvolvemos o projeto "Ciência Itinerante". Iniciamos esse projeto construindo módulos experimentais de ciências portáteis no Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química de Nilópolis/RJ. Os módulos experimentais versavam sobre a temática "Luz, Cor e Formação de Imagens" (quadro 1), para cada módulo desenvolvemos cartazes cujo objetivo era motivar o participante a manipular o módulo por meio de instruções de como utilizá-los, bem como aguçar a curiosidade do visitante por meio de desafios. Cada cartaz também m apresentava os aspectos introdutórios e os teóricos referentes a cada assunto.
Quadro 1 - - - Módulos experimentais
Ao final do desenvolvimento desses módulos experimentais, convidamos estudantes da Licenciatura em Física, Química e Ensino Médio Técnico do CEFET Química para atuarem enquanto mediadores das atividades e, e, após o treinamento desses estudantes , iniciamos a ida às às escolas (espaço de ensino formal) e participações em eventos públicos (espaços de ensino não-formal) . As escolas as quais levamos as atividades foram todas da rede pública de ensino (municipal e estadual), localizadas em municípios da Baixada Fluminense, a saber: Escola Municipal Janir Clementino Pereira, localizada no distrito de Miguel Couto , em Nova Iguaçu; Escola Municipal Scintilla Exel, Ciep 335 Professor Joaquim de Freitas ambos em Queimados; e a Escola Estadual Dom João VI, onde e realizamos a
primeira etapa da pesquisa, também localizada em Queimados. Os eventos públicos 2 no qual participamos foram: projeto Mãos Dadas com a Cidadania 2 , realizado em umas das praças do município de Mesquita e o Ciência na Rua - - um dos eventos integrados à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2006 -, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu.
## Avaliação da exposição científica
Todas as atividades foram avaliadas por meio de questionários e entrevistas antes e após a interação do público com os módulos experimentais. Para invevestigarmos com maior precisão o grau de impacto dessas atividades, também utilizamos , como ferramenta de avaliação, a metodologia da lembrança estimulada, uma ferramenta de investigação sobre aprendizagem em museus e centros de ciências.
A etapa da avaliação por meio da metodologia da lembrança estimulada (LE) ocorreu quatro meses após a interação dos alunos com os módulos experimentais . Vale destacar que , durante nossa visita às escolas, as aulas foram suspensas e e que reservamos um dia para cada escola, excxceto na Escola Municipal Scintilla Exel, onde realizamos atividades em três turnos distintos (manhã, tarde e noite), portanto dedicamos um dia para cada turno. Já a avaliação por meio da LE ocorreu durante o intervalo entre uma aula e outra em apenas um dia.
Para essa avaliação , convidamos 10 alunos aleatoriamente de um universo de 800 alunos do turno da tarde que participaram das atividades experimentais da Escola Municipal Scintilla Exel, na Baixada Fluminense. Essas pessoas foram colocadas diante de uma fotografia digital dos módulos experimentais no qual eles interagiram e , em seguida , indagávamos sobre suas possíveis lembranças ao olharem para a fotografia. A princípio, ao mostrarmos a fotografia de cada módulo fazíamos a seguinte pergunta para cada alaluno entrevistado individualmente: "o "o que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?" " e caso considerássemos a resposta incompleta, acrescentávamos uma nova pergunta. Essa entrevista ocorreu individualmente, não havendo interferências de outros colegas nas respostas. A escolha dessa escola se deu em função da facilidade de acesso o por parte da pesquisadora. Para obtermos uma maior precisão do grau de impacto de nossas atividades, todo processo de avaliação (aplicação de questionários, entrevistas e lembrança estimulada) ocorreu com pessoas que afirmaram nunca terem estudado essa área da ciência, bem como os alunos entrevistados , após os quatro meses , ainda não haviam estudado no ensino formal os temas contemplados na exposição.
Utilizamos essa metodologia ia à luz de Falcão e Gilbert (2005) como uma forma de estimular a verbalização desses alunos em relação às experiências vivenciadas por meio dos módulos experimentais. Os resultados obtidos por meio dessa metodologia podem esclarecer questões relacionadas à à aprendizagem que ocorre em ambientes de educação não-formal.
De acordo com os pesquisadores Falcão e Gilbert (2005), a metodologia de lembrança estimulada (LE):
Atualmente se refere a um grupo de métodos de pesquisa em que o sujeito é exposto a registros (audioteipes, fotografias, videoteipes, escritos, desenhos) relacionados a uma atividade específica da qual participou (aulas, conferências, sessão de análise, etc.). Entende-se que os registros funcionam como pistas que capacitam os participantes a se lem brarem de um episódio em que tiveram uma experiência específica, tornando -se capazes de expressar verbalmente os pensamentos que desenvolveram durante a atividade (p. 94).
Assim, buscamos por meio dessa ferramenta metodológica constatar as lembranças mais significantes de nossas atividades para esses estudantes, bem como averiguar o quanto esses experimentos foram relevantes para esse grupo. Vale ressaltar que todos os estudantes que participaram da pesquisa não se inibiram em função da filmadora, todos relataram suas lembranças com muita espontaneidade.
## Resultados e Discussão
Durante a avaliação por meio da LE, mostramos fotografias (figuras 1 a 6), que eles interagiram anteriormente, de cada módulo experimental , para cada aluno individualmente. Neste momento, a entrevista facultou ao aluno a possibilidade de expressar, livre e individualmente as possíveis explicações para os fenômenos discutidos em cada experimento, ou lembranças sobre o funcionamento desses módulos experimentais. Os trechos das falas dos estudantes relatam os resultados dessa atividade, os nomes que acompanham as falas são fictícios. Apresentaremos , a seguir , as falas dos entrevistados ao olharem para as fotografias dos módulos experimentais.
## a) Fotografia do Módulo Experimental "Filtros C Coloridos"
Pesquisadora: "O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Fig. 1: Módulo Experimental "Filtros Coloridos".
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- 1 -Janaína: " Esse aqui foi aquele que a gente colocou os óculos e foi vendo as cores mudarem. Se a gente colocar os óculos vermelhos, a gente vê tudo em vermelho ou preto".
- 2 -Tatiana: " Dependendo dos óculos que a gente pega, aparece o corpo dos bailarinos com carne e com os outros óculos aparece só o esqueleto ".
Pesquisadora: "Você consegue se lembrar o que via com cada óculos ?"
Tatiana:"Com os óculos vermelhos, eu vi os ossos, e com o azul, vi a carne com as roupas".
- 3 -Luciene: "Tinha o desenho dos bailarinos e dependendo dos óculos que era um com um plástico azul e outro com um plástico vermelho a gente via imagens diferentes ?"
Pesquisadora: "Que imagens eram essas?"
Luciene: "Com o azul aparece a pessoa normal e com o vermelho os ossos".
- 4 -Débora: "Esse é o dos bailarinos. A gente colocou os óculos com filtros e vimos os ossos com os óculos vermelhos e o corpo normal com o azul".
- 5 -Joana: "Essa aqui é dos óculos azul e vermelho. O vermelho deixava aparecer o desenho que estava atrás, o esqueleto. Com óculos azuis o desenho ficava a mesma coisa".
- 6 -Nathália: "É o do esqueleto, tem dois óculos. Os Os óculos azuis mostram o esqueleto e os óculos vermelhos mostram os músculos".
- 7 -Bruno: "Esse aqui é o dos óculos e bailarinos. Os óculos vermelhos deixavam a gente vê os ossos e o azul deixa a gente vê o corpo".
- 8 -José: "Esse aqui foi o dos bailarinos. Dependendo dos óculos, a gente via um tipo de imagem".
## Pesquisadora: Você pode explicar melhor ?"
José: "Eu lembro que, com os óculos vermelhos, eu vi os ossos dos bailarinos e, com os óculos azuis, eu vi os bailarinos com as roupas".
- 9 -Diogo: "Esse foi oi o dos óculos coloridos. A gente viu o desenho dos bailarinos, dependendo dos óculos e o desenho dos ossos com os outros óculos". .
## Pesquisadora: "Você se recorda com quais óculos pode ver o desenho dos ossos?"
Diogo: "Não, eu só lembro que dependendo dos óculos eu via um tipo de desenho".
10 -André : "Eu me lembro desse sim. Tinha um óculos vermelho e um óculos azul e quando a gente olhava para o desenho com algum desses óculos o desenho mudava".
## Pesquisadora: "Você se lembra dessas mudanças"?
André: "Lem bro sim. Com os óculos vermelho, a gente via os ossos e, com o azul, a gente via os músculos e roupas".
Notamos que, ao mostrarmos a fotografia desse módulo experimental, todos os alunos relataram alguma situação vivenciada. Esse relato abarcou a descrição o da atividade acompanhado da observação e análise sobre os eventos acontecidos com cada participante ao interagir com o experimento.
Consideramos corretas expressões tais como a de Janaína: "(...) Se a gente colocar os óculos vermelhos, a gente vê tudo em vermelho ou preto" " ou respostas como a de Débora: "Esse é o dos bailarinos. A gente colocou os óculos com filtros e vimos os ossos com os óculos vermelhos e o corpo normal com o azul". À medida que os estudantes nos narravam suas lembranças, indagávamos com novas perguntas a fim de eles exporem o máximo de recordações.
## b) Fotografia do Módulo Experimental "Formando Imagens"
Entrevistadora: : "O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Fig. 2: Fotografia do módulo experimental "Formando Imagagens".
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1 -Janaína: "É o das lentes, uma é barriguda que é convergente e o resto eu não lembro".
Pesquisadora: "O que você quer dizer com ser convergente?"
Janaína: “Eu acho que a luz vai para dentro dela”.
- 2 -Tatiana: "Esse aqui é o experimento onde a seta está em uma posição, a seta está na caixa de luz e dependendo das lentes essa seta muda de posição".
## Pesquisadora: "Como eram essas lentes?"
Tatiana:"Tinha uma porção de lentes curvadas".
- 3 -Luciene: "Nesse aqui tinha uma seta na caixa da luz e ao colocarmos a placa na frente dessa seta formava a imagem dessa seta em outras posições".
## Pesquisadora: "Como era essa placa?"
Luciene: "Essa placa tinha lente com buraco e lente barrigudinha".
- 4 -Débora: "Esse é o da lente, botávamos uma placa com lentes na frfrente de uma caixa com uma seta e dependendo da lente a seta mudava de posição".
## Pesquisadora: Como eram essas lentes?
Débora: "Uma era barriguda, meio oval, e a outra eu acho que tinha a barriga para dentro".
- 5 -Joana: "Esse aqui é o das lentes, na caixa fica a luz com a seta e colocamos as placas com as lentes entre a caixa e uma placa branca e, então, forma na placa branca setas de cabeça para cima, para baixo, de um lado e do outro lado".
- 6 -Nathália: "Essa daqui, a lente barriguda, ficava para um lado e a com buraco ficava do outro lado, na mesma placa, e uma delas ficava aumentando e diminuindo a seta".
- 7 -Bruno: "Tinham lentes diferentes, uma para fora, que formava a imagem da seta de cabeça para baixo, e a outra para dentro, não formava imagem na placa branca".
- 8 -José: "Esse é o da placa com lente. A luz depois que atravessava a lente formava a imagem da seta ao contrário".
- 9 -Diogo: "Esse aqui eu lembro mais ou menos, eu lembro que tinham lentes e a luz batia nelas. Quando a luz batia na lente com buraco, a luz ficava meio espalhada e, já na barriguda, a luz formava a imagem da seta".
- 10 -André:"Esse aqui é o da seta que ficava invertida e menor por causa das lentes".
- O primeiro depoimento "(...) uma é barriguda que é convergente (...)" " a aluna Janaína mostra um resultado substancial da atividade experimental, pois permaneceu em sua memória a concepção de que a lente convexa ("barriguda") converge os raios advindos da luz. Observamos que grande parte dos alunos destacou em suas falas a posição o da seta (invertida) ao atravessar uma das lentes. Outros ressaltaram que a lente côncava ("com cavidade") provoca a dispersão dos raios de luz, não formando imagem no anteparo.
Todo esse conjunto de falas representou aspectos substanciais das atividades experimentais para esses alunos, destacando que todos os alunos trouxeram consigo lembranças sobre esse módulo experimental.
## c) Fotografia do Módulo Experimental "Sombras Coloridas"
Pesquisadora:"O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Fig. 3: Módulo experimental "Sombras Coloridas".
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- 1 -Janaína: "Esse eu não me lembro".
- 2 -Tatiana: "São três luzes com cores diferentes que se misturam, verde, azul e vermelho e, ao ligar as três, não aparece cor nenhuma, ficou tudo branco".
- 3 -Luciene: "São luzes. Cada luz tem um papel transparente de cor diferente, quando misturam todas as cores não aparece cor nenhuma. Só aparece na parede o branco".
- 4 -Débora: "Eram três luzes diferentes, vermelha, azul e verde, que se misturaram na parede e 3 víamos o braranco. Depois ele 3 pediu a Fernanda para ficar na frente das luzes e a gente via as cores misturadas ao redor dela".
- 5 -Joana: "Esse aqui, as cores eram jogadas na parede de cor branca, essas cores se misturavam e formava outras cores e não as cores das lâmpadas".
- 6 -Nathália: "Aqui tem três luzes, vermelha, verde e azul. Ao ligar as três ao mesmo tempo, as luzes se misturavam e formava o branco".
- 7 -Bruno: "Tinham três luzes que se misturavam e essa mistura das três formava o branco".
- 8 -José: "Me lembro de três cores da luz, vermelha, verde e azul, quando misturava duas cores formava um tipo de cor, quando ligava as três formava o branco".
- 9 -Diogo: "Eu não me lembro".
- 10 -André: "Ligava três lâmpadas com plástico de cores diferente, quando essas três cores se misturavam a parede ficava branca".
## Pesquisadora: "Você se lembra das cores dos plásticos?"
André: "Não, acho que tinha um vermelho".
Dentre as falas dos alunos que se recordaram do módulo experimental, percebemos que quase todos relembraram que a soma das três cores primárias da luz (verde, vermelho e azul) formam a luz branca. No entanto, os entrevistados não se recordaram das discussões desse aparato experimental que suscita a subtração de cores, a formação de sombras, o que permeou em suas memórias foi a soma das cores.
## d) Fotografia do Módulo Experimental "Formando o Arco-Íris"
Pesquisadora:"O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Fig. 4: Módulo experimental "Formando o Arco-o-Íris".
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- 1 -Janaína: "Esse aqui é o do arco -í-íris. A gente vai virando,..., esqueci o nome, só sei que a gente vai virando, a luz entra e vai formando o arco-íris".
- 2 -Tatiana: "Esse é o do arcooíris. A luz entra no triângulo transparente e forma o arco-íris, mas tem que ter a posição certa para virá o trtriângulo. Se o triângulo não estiver na posição certa, não formará o arco-íris, não aparece nada".
Pesquisadora: "Você se lembra do nome dado para esse triângulo" ?
Tatiana:
“
Não me lembro”.
- 3 -Luciene: "Nesse a luz entra no triângulo 4 com água, a luz braranca e dependendo da posição desse triângulo a luz vai se dividindo, formando o arco-íris".
- 4 -Débora:"Eu não me lembro desse".
- 5 -Joana: "Quando a luz bate na água, separa-a-se e forma várias cores".
- 6 -Nathália: "Esse eu não me lembro, eu lembro que é um triângulo com água. Eu acho que a luz bate nesse triângulo e reflete o arco-o-íris.
- 7 -Bruno: "Eu acho que nesse a luz bate no triângulo com água e depois de atravessar o triângulo muda de caminho e forma o arcooíris".
- 8 -José: "A gente foi girando do esse triângulo até a luz se transformar nas cores que foram juntadas no disco, lá fora".
- 9 -Diogo: "Esse eu não me lembro muito bem. A luz sai da caixa e atravessa o prisma e aí a luz se divide em muitas cores".
- 10 -André: "Esse eu não me lembro".
As recordações sobre esse módulo experimental estiveram norteadas pela descrição do evento acontecido, a luz incide no prisma, divide-e-se e, e, então , forma o arco-í-íris. Alguns alunos destacam que a luz ao incidir no prisma muda de direção, o que caracteriza um impapacto favorável e , sem que eles percebam , estão discutindo o conceito da refração.
A maior parte dos depoimentos dos alunos, que se expressaram, mostra a importância de girar o prisma, até encontrar a posição correta para haver a decomposição da luz branca, significando uma lembrança favorável. Na resposta de José "(...) a gente foi girando esse triângulo até a luz se transformar nas cores que foram juntadas no disco, lá fora", ", ele associa o experimento, "Construindo o Arco-oÍris", com o experimento que eles haviam interagido anteriormente (Disco de Newton), representando um resultado significativo das duas atividades experimentais para esse aluno.
- e) Fotografia do Módulo Experimental "Disco de Newton"
Pesquisadora: "O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Fig. 5: Módulo experimental "Disco de Newton".
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- 1 -Janaína: "Quando a gente põe o disco na coisa e vai mexendo as cores se misturam e forma o branco".
- 2 -Tatiana: "A gente colocou o disco colorido nesse objeto e giramos, ao girar bem rápido vimos o branco".
- 3 -Luciene: "Quando gira o disco fica tudo branco".
- 4 -Débora:"O meu colega girou o disco e eu vi tudo branco".
- 5 -Joana: "Esse aqui tinha um monte de cores e quando a gente rodava as cores misturavam e ficava uma cor só".
## Pesquisadora: "Você lembra que cor era essa?"
Joana: "Ficava quase branco".
- 6 -Nathália: "Esse aqui, ele colocou o disco, que tem várias cores e aí a gente girou e então ficou branco".
- 7 -Bruno: "Quando girava esse disco com todas as cores, ficava branco".
- 8 -José: "Tinha um disco com muitas cores diferentes, e aí quando a gente girou as cores se misturaram e aparece o branco".
- 9 -Diogo: "A gente girou o disco com muitas cores e apareceu o branco".
- 10 -André: "Assim que giramos o disco e ele ganhou velocidade, as cores se misturaram e formou o branco".
A função do "Disco de Newton", em recompor as cores do espectro de luz visível que compõem a luz branca em um disco esbranquiçado , foi relatada por todos os estudantes entrevistados, representando um impacto substancial da atividade.
## f) Fotografia do Módulo Experimental "Máquina Fotográfica"
Pesquisadora: "O que lhe vem à cabeça ao olhar para essa fotografia?"
Figura 6: Fotografia do módulo experimental "Máquina Fotográfica".
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- 1 -Janaína: "Eu lembro que a gente vê a pessoa oa de cabeça para baixo".
Pesquisadora: "Você se lembra por que isso acontece?"
Janaína: "É porque tem uma lente, mas eu não lembro qual".
- 2 -Tatiana: "Fica uma pessoa na frente e a gente põe a cabeça aqui dentro da caixa e quem tá olhando dentro, vê quem tá lá fora de cabeça para baixo".
Pesquisadora: "H "Havia algo na caixa permitindo ver seu colega de cabeça para baixo?"
Tatiana:"Tinha sim, uma lente, mas não lembro qual era".
- 3 -Luciene: "Eu lembro que a gente via quem tava fora de cabeça para baixo. Também lembro que viramos a caixa e, mesmo assim, quem tava fora continuava de cabeça para baixo por causa da lente".
- 4 -Débora:"Esse aqui, ficava alguém na frente da caixa e a gente via dentro da caixa essa pessoa de cabeça para baixo".
Pesquisadora: "O que havia na caixa para permitir isso?"
Débora: "Tinha a lente, eu acho que era a barriguda".
- 5 -Joana: "Essa daqui, ficava uma pessoa atrás e via quem estava na frente de cabeça para baixo. Tinha a lente barriguda e parece que era ela que deixava a imagem de cabeça para baixo".
- 6 -Nathália: "Tinha uma lente na caixa, a gente pedia uma pessoa para ficar em frente à caixa e a lente fazia com que essa pessoa ficasse de cabeça para baixo. Eu só não lembro que lente era essa".
- 7 -Bruno: "Era uma caixa que a gente olhava dento dela e via quem estava fora de cabeça para baixo por causa da lente barriguda".
- 8 -José: " Tinha uma lente dentro dessa caixa que fazia que estava fora ficar de cabeça para baixo".
- 9 -Diogo: "Esse aqui, a gente olhava dentro a caixa e via os outros de cabeça para baixo por causa da lente barriguda que tinha dentro da caixa".
- 10 -André: "Tinha uma caixa toda preta que a gente olhava para dentro dela e via quem estava fora de cabeça para baixo por ter uma lente gordinha lá dentro".
A partir dos depoimentos dos estudantes, notamos que esse módulo experimental de forma geral trouxe resultados favoráveis para o avanço na compreensão do fenômeno da formação de imagens por meio da lente convexa. Todos os alunos teceram comentários sobre o módulo, bem como se lembraram da existência de uma lente que os possibilitava ver a imagem do colega invertida. Vale destacar que alguns alunos lembraram-s-se do tipo de lente ("convexa") que permitiu a ocorrência desse fenômeno, ao ouvirmos falas como "(...) via quem estava fora de cabeça para baixo por ter uma lente gordinha lá dentro", relato de um dos alunos.
## Considerações Finais
Ao analisarmos os resultados obtidos por meio da metodologia da LE , concluímos que a exposição científica pode cumprir r com o seu papel de de iniciar processos de aquisição de conhecimentos em Óptica . Constatamos , após quatro meses da realização da exposição na escola , que muitos detalhes sobre o funcionamento de cada módulo experimental, bem como os princípios da Óptica contemplados nos módulos ainda estavam na memória dos participantes da pesquisa.
Não buscamos por meio dessa ferramenta metodológica resgatar apenas os pensamentos dos alunos durante a visita ao módulo experimental, mas, sobretudo, investigar o impacto de cada atividade experimental em longo prazo. Esse impacto abarca desde a descrição do funcionamento do equipamento experimental até a explicação do fenômeno ocorrido por meio desse equipamento sem negligenciarmos aspectos como pensamentos e sentimentos que possam ser relatados sobre os experimentos ao longo da entrevista. De acordo com Aaltonen (2001), "(...) a LE freqüentemente contém tanto dados relativos a relatos de pensamentos quanto à análise do evento acontecido". Notamos durante a entrevista que a explicação e descrição do que eles viram estão mais freqüentes nas falas dos entrevistados, entretanto não observamos relatos de pensamentos que possam ter surgido ao interagirem com os módulos experimentais.
Ressaltamos que a pesquisadora, enquanto professora de Física do Ensino Médio, tem constatado grandes dificuldades por parte dos estudantes na compreensão do conceito de lente, quando ensinado de forma tradicional, privilegiando o formalismo matemático com aspectos geométricos, seja por meio do ensino teórico ou através de aulas em laboratórios. Dificilmente, esses estudantes associam a curvatura da lente com suas respectivas funções, de forma espontânea, como ocorreu com os participantes da pesquisa. Portanto, atribuímos esse resultado favorável a atividades que promovem a experimentação e interação, que quase sempre estão ausentes em um contexto escolar. Outro aspecto a suscitar é a relevância da intensificação de atividades itinerantes de museus ou centros de ciências. Desta forma, essas iniciativas podem significar uma oportunidade de aproximar os saberes científicos do senso comum e oferecer amplas possibilidades para a abordagem interdisciplinar de temas científicos de interesse social, de modo a instrumentar a sociedade para o desempenho consciente da cidadania.
## Referêrências
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CHINELLI, M. V.; PEREIRA, G. R.; AGUIAR, L. E. V. Centro de Ciência e Cultura do CEFET Química/RJ: popularização científica e formação do professor r In: II Jornada Nacional da Produção Científica em Educação Profissional e Tecnológica. CD room São Luís/MA, 2007.
COSTANTIN, A. C. C. Museus Interativos de Ciências: espaços complementares de Educação. O Surgimento da Primeira Instituição Brasileira. Tese (Doutorado em Educação, Gestão e Difusão em Biociências) . Departamento de Bioquímica Médica do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, J, Rio de Janeiro; 2001.
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