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PERFIL DE FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA: REPETÊNCIA E ABANDONO DE COMPONENTES CURRICULARES

Desiane Maiara Gomes Dos Santos, Jair Stefanini Pereira De Ataíde, Priscila Da Silva Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PERFIL DE FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA: REPETÊNCIA E ABANDONO DE COMPONENTES CURRICULARES

Desiane Maiara Gomes dos Santos 1 , Priscila da Silva Santos , Jair Stefanini 2 Pereira de Ataíde 3

- 1 UFCG/Unidade Acadêmica de Educação/CES, desiane.gomes@hotmail.com
- 2 UFCG/Unidade Acadêmica de Educação/CES, priscila.ss20@gmail.com
- 3 UFCG/Unidade Acadêmica de Educação/CES, jairstefaninni@yahoo.com.br

## Resumo

Este trabalho constitui-se num estudo analítico-descritivo sobre repetência e/ou abandono escolar no ensino superior, com enfoque específico para o Curso de Licenciatura em Física, do Centro de Educação e Saúde (CES), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Para chegarmos a uma análise mais profunda, resgatamos a história do ensino superior brasileiro, assim como o desenvolvimento da UFCG, do seu CES, em especial o curso de Física, como forma de contextualização do problema. Para a realização deste, aplicamos um questionário com os alunos matriculados e coletamos dados com a Coordenação do Curso, de forma a obtermos o maior volume de informações sobre os respondentes. Vários motivos foram expostos pelos respondentes para justificar a interrupção do transcorrer normal de seus estudos: as pressões sofridas pelo jovem universitário por parte da família; as dificuldades de adaptação ao novo ambiente escolar; as expectativas frustradas pelas diferenças entre o ensino médio e o superior; o desejo de ascensão social e econômica; a idade, experiência de vida e maturidade de cada um deles; a dificuldade de conciliar trabalho e escola, assim como a problemática social-econômica dos alunos que necessitam de transporte, livros, alimentação entre outros, e não disponibilizam de recursos financeiros. Estas dificuldades apontadas não se constituem num caso particular do curso de Física da UFCG/CES, mas num caso geral para a maioria dos cursos universitários. Constatamos que o curso de Física comporta alunos de várias partes do país, em especial de Curimataú paraibano. Entretanto, não foi possível identificar um elemento único que pudesse ser considerado como principal para o abandono/reprovação dos alunos investigados. Na verdade, encontramos indicadores que apontam ser necessário para qualquer instituição, e para a UFCG/CES em particular, manter um processo de avaliação permanente de seus cursos que proporcione avançar ainda mais nas suas ações.

Palavras-chave: Abandono Escolar, Física, Repetência.

## Introdução

No decorrer da última década, percebemos no Brasil que houve um grande distanciamento entre os estudantes e o ensino superior público de qualidade. Isso se deve ao fato de o governo não atentar para a significativa desigualdade existente na sociedade brasileira referente a esta modalidade de ensino. O Brasil não tinha sequer 1% de sua população frequentando instituições públicas de ensino superior, quadro agravante no interior dos estados. Direcionando a atenção para os estados

brasileiros é fácil diagnosticar que a maior concentração de ingresso em instituições de ensino superior é nas regiões Sul e Sudeste, dimensionando, mais uma vez, uma desigualdade na distribuição de vagas.

Buscando entender melhor como os jovens estão inseridos para o ingresso no ensino superior, traçamos um comparativo entre os alunos da educação básica na rede pública e particular, percebendo o grande distanciamento entre a quantidade de matrícula que eram efetuadas em ambas. Dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos que, na última década, frequentavam a universidade, mais da metade estava matriculado em Instituições Particulares. Em outros países, como por exemplo, o Canadá, dos alunos matriculados no Ensino Superior, mais de 90% cursava em universidades públicas.

No âmbito da região Nordeste, que representa mais de 30% da população total do país, o acesso ao ensino superior ainda é mais preocupante. Na Paraíba, mais da metade dos jovens, nessa faixa etária, se encontravam em situação de analfabetismo ou sequer tinham oito anos de estudo.

Na Lei das Diretrizes e Bases - LDB 9394/96 e no Plano Nacional de Educação - PNE, previa-se a necessidade de ampliação do ensino público e gratuito. A Universidade Federal de Campina Grande - UFCG teve um importante papel na história da interiorização do Ensino Público Superior na Paraíba.

Nos últimos seis anos, houve em todo o Brasil o processo de interiorização do Ensino Público Superior, o que caracteriza a expansão do mesmo, visando atingir um maior número de matrículas, procurando atender todas as camadas sociais, principalmente os jovens que estavam enquadrados nas regiões considerados zonas de exclusão, ou de menos acesso a esta modalidade de ensino. Através deste processo foi implantado, em Cuité- PB, o Centro de Educação e Saúde- CES, da UFCG, que atualmente oferece três Cursos de Bacharelado (Enfermagem, Farmácia e Nutrição) e quatro cursos de Licenciatura (Biologia, Física, Matemática e Química). O curso de Licenciatura em Física do CES funciona desde a implantação do Campus. Esta ocorreu no segundo semestre de 2006 e, atualmente, são ofertadas 60 vagas divididas de forma igualitária entre os turnos diurno e noturno, visando o fortalecimento da Educação Básica na região. Uma vez que se trata de um curso para formação de profissionais em área tão carente destes, constituímos um estudo analítico-descritivo sobre a repetência e/ou abandono escolar no Ensino Superior, voltamos o olhar para a Física do CES, buscando compreender os fatores que contribuem para a evasão. Assim, traçamos o perfil desses futuros profissionais em Física.

## A cidade de Cuité

A cidade de Cuité - Curimataú paraibano, localizada na mesorregião da Borborema, agreste paraibano e agreste potiguar, datando a fundação do seu município de 1768 (SOBRINHO, 2001), possui uma população de 20.834 habitantes (IBGE, 2009) e seu território é polarizado por trinta e um (31) municípios. Uma vez que pretendemos descrever o atual desafio dos estudantes ao serem inseridos no ensino superior, descreveremos quais fatores chegaram a marcar a construção do processo educacional, como maneira de subsidiar o embasamento das questões e reflexões aqui realizadas.

Os dados educacionais da região polarizada por Cuité durante muito tempo foram marcados por contribuições geradas pelas carências sócio-econômicas, chegando estas a refletirem no índice de escolaridade, tendo o analfabetismo como um dos principais problemas.

A economia do território polarizado pela cidade está baseada na agricultura e, em menor escala, na mineração, sendo também estes fatores preponderantes para um índice de analfabetismo, uma vez que muitos dos agricultores e mineradores, por questão de sobrevivência, abandonam ou até mesmo não chegam a frequentar as salas de aula. O comércio é de âmbito local, atendendo as demandas mais imediatas da população, sendo Cuité considerada um dos dois pólos comerciais da região polarizada.

## Breve Histórico do Centro de Educação e Saúde

A Universidade Federal de Campina Grande, buscando contribuir com as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), começou a atuar em áreas localizadas no semi-árido paraibano (Sertão-Cariri-Curimataú), consideradas zona de exclusão universitária. Dessa forma, surgiu a proposta de criação do Campus de Cuité, para ali fazer funcionar o Centro de Educação e Saúde (CES). Dessa forma, a proposta de criação do CES se encontrava baseada em fortalecer a educação básica da cidade e da região e, ainda, melhorar a saúde.

O CES se encontra em funcionamento desde 2006, de início com as quatro licenciaturas (Física, Química, Matemática e Biologia). Em 2008, começaram os cursos de Enfermagem e Farmácia e, em 2009, o curso de Nutrição. Dessa forma, o CES vem atendendo as expectativas geradas para uma aproximação entre a comunidade universitária e a população da região, mantendo sempre um diálogo com a mesma e propagando o ensino, a pesquisa e a extensão.

## Um olhar para a Física do CES

O curso de Licenciatura em Física possui atualmente noventa e três (93) alunos devidamente matriculados e um corpo docente de oito (08) doutores e dois (02) mestres, todos com regime de trabalho de dedicação exclusiva. Os alunos contam com três laboratórios de Física, tendo nestes a presença de uma técnica de laboratório.

Atualmente, os alunos do curso de Física estão inseridos em seis projetos de ensino, pesquisa e extensão, o que proporciona à comunidade local e da região um contato maior com esta ciência.

## Considerações Metodológicas

A utilização do questionário objetivo como recurso metodológico teve a intenção de garantir que, por um lado às respostas fornecidas fossem mais precisas e uniformes e, por outro, permitir que o pesquisador pudesse exprimi-las através de gráficos e percentuais, os quais seriam intencionalmente encaminhados à coordenação do curso, de forma que ela, se assim desejasse, pudesse programar futuras ações para minimizar o problema.

Essa abordagem nos pareceu ser a mais adequada dada à especificidade do problema enfocado, pois apesar dos limites deste tipo de observação, conseguiria garantir também uma maior discrição do informante, o aluno.

Optou-se por investigar os alunos matriculados no curso de Licenciatura em Física do Centro de Educação e Saúde da UFCG em Cuité - PB, visto que o número de alunos matriculados nos componentes do início do curso era bem superior aquele esperado num processo de matrícula normal e, por outro lado, o número de alunos matriculados nos componentes do quarto período em diante, estava muito aquém do esperado. Portanto, os sujeitos potenciais deste estudo foram definidos como aqueles alunos regularmente matriculados no curso de licenciatura em Física do CES/UFCG. Foram distribuídos e respondidos um total de sessenta e um (61) questionários, no qual, trinta e um (31) no turno manhã e trinta (30) no turno noite.

A coleta de dados foi realizada nas salas de aula durante o mês de Julho de 2010 através do questionário planejado e estruturado previamente, o qual permitia ao aluno informante, sua liberdade de expressão ao final do mesmo. Buscamos através do questionário identificar diversos elementos relacionados com os sujeitos investigados: condições sócio-econômicas, idade, sexo, a trajetória escolar deles antes de ingressarem na universidade, freqüência de leitura, afinidades com o curso, relação professores-alunos, problemas enfrentados nos componentes curriculares e informações sobre evasão/reprovação destes alunos nos componentes curriculares em questão.

Nesta escolha, levamos em consideração que o curso de Licenciatura em Física do CES/UFCG comporta alunos de perfis bastante heterogêneos e a intenção de trabalharmos especificamente com estes dados foi a de fazer um diagnóstico que nos apontasse as possíveis relações entre os elementos em questão e o problema da evasão/reprovação.

Ao analisarmos preliminarmente os dados obtidos através dos questionários, sentimos a necessidade de buscar informações complementares que nos ajudassem cercar o problema com uma quantidade maior de elementos e, em Agosto de 2010, foram coletados dados junto à Coordenação do Curso. Estes dados nos informavam a quantidade de alunos matriculados, desistentes, aprovados e reprovados nos componentes curriculares do primeiro semestre de 2010.

Após coletarmos os dados, realizamos a tabulação dos mesmos expressando os resultados através de cálculos percentuais e, os representamos graficamente com a finalidade de observarmos a significância dos valores obtidos. A etapa seguinte se constituiu na discussão dos resultados que consideramos mais significativos. Atribuímos o nível de significância àqueles valores que expressassem grandes disparidades quando comparados ao comumente considerado como padrão no âmbito da academia, a exemplo de: trajetória escolar básica dos sujeitos, quantidade de leitura diária, grau de expectativa, satisfação com relação ao curso, freqüência de desistência/repetência, perfil sócio-econômico, questões pedagógicas e metodológicas das aulas ministradas e relação professor-aluno. Assumimos esta opção com a prerrogativa de que ela nos permitiria obter informações importantes para responder o problema da pesquisa desde que relacionássemos nossos resultados com alguns dos resultados apresentados em outras pesquisas semelhantes a nossa.

## Resultados e Discussões

Ao analisarmos as respostas dos questionários, obtivemos as mais diferenciadas informações: consequências da realidade de vida de cada aluno e também pela maneira de como eram dadas as respostas.

## Características Sócio-econômicas

Os discentes do curso de licenciatura em Física do CES são oriundos de diversos estados brasileiros e residem atualmente na região polarizada por Cuité, fruto de um dos objetivos da criação do campus em atender a região, antes zona de exclusão universitária.

Os dados do perfil indicam uma homogeneidade, ao menos no curso, de alunos que chegam à universidade oriundos de escolas públicas, quadro este oposto ao que geralmente encontramos nas demais instituições de ensino superior. Nestas, os alunos advindos de classes sociais mais privilegiadas, que puderam estudar em escolas particulares e em bons cursos pré-vestibulares, ainda representam uma fatia significativa de matriculas. O que observamos é a migração de alunos que estudaram o ensino fundamental ou parte dele em escolas públicas, optaram por cursar o ensino médio em escolas particulares, a partir da ideia de uma melhor preparação para o ingresso no Ensino Superior e, consequentemente, na futura área de atuação profissional.

Figura 01: Tipo de escola que os alunos respondentes cursaram o Ensino Fundamental

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De maneira geral, o alunado é de um grupo considerado de menos poder aquisitivo. No qual, a maioria possui renda familiar de até dois salários mínimos, e ainda fazem parte de uma família de quatro a seis pessoas. Consequência disto, existe uma boa parcela de alunos que trabalham para ajudar nas despesas de casa ou até mesmo para seu próprio sustento.

A maioria dos alunos respondentes não trabalha, estando devidamente matriculados no curso diurno. Dentre os alunos que trabalham de trinta a quarenta horas semanais ou mais, 71,17% estão matriculados no noturno.

Figura 02: Tipo de escola que os alunos respondentes cursaram o Ensino Médio

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Figura 03: Renda familiar dos alunos respondentes

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Figura 04: Horas de trabalho dos alunos respondentes

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Ainda no âmbito das condições sócio-econômicas dos alunos, podemos perceber que 68,86% residem em casa própria com os pais ou com parente/amigos; outra maioria que representa 19,68% reside em casa alugada e, 4,92% residem em residência universitária.

Com relação ao gasto diário com transporte, verificamos que apenas 29,51% dos alunos utilizam o transporte gratuito ofertado pelos municípios que residem, ou até mesmo não utiliza nenhum meio de transporte, fazendo o percurso de sua casa até o Campus em caminhada. Contudo, 49,18% dos alunos gastam diariamente com transporte entre R$ 2,00 e R$ 6,00 e o que nos parece mais preocupante é que 19,67% dos alunos gastam valores superiores a R$ 6,00 diários para poder ter acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade.

Os dados obtidos, até então, nos levam a acreditar que cada vez mais a situação sócio-econômica se encontra ligada a questão educacional, mas este fato não implica em condições imediatas de exclusão ao acesso ao ensino superior.

## Características Sócio-culturais

Analisando o perfil do aluno do CES, observamos que diferentemente dos cursos de Física de outras instituições no Brasil, os alunos do sexo feminino representam 47,54% e 52,46% do sexo masculino. Dessa forma, notamos uma paridade entre ambos os sexos, em curso que até pouco tempo era considerado quase que exclusivamente masculino.

Os dados referentes à idade dos alunos mostram que a maioria atende a perspectiva de inserção no ensino superior com idade considerada regular, no qual 53,84% estão com faixa etária entre 18 e 25 anos, sendo 30,77% a faixa inferior a 18 anos. Podemos ainda considerar a quantidade significativa de alunos que se encontram com distorção idade/série, ou seja, com idade superior a 25 anos, mostrando que os mesmos passaram por algum processo de interrupção escolar, atrasando dessa maneira a entrada ou até mesmo um bom desempenho na universidade.

A maioria dos alunos 85,25% são solteiros, indicando que talvez os mesmos não possuam muitas responsabilidades familiares, existindo ainda duas pequenas parcelas, sendo 4,92% de alunos casados do noturno, 1,64% do diurno e 8,2% estão enquadrados em outros.

Em relação à origem dos alunos respondentes, observamos que 67,21% são das cidades de Cuité, Nova Floresta e Picuí no estado da Paraíba, tendo destaque para a cidade em que o Campus está instalado; 11,48% são das demais cidades da Paraíba, havendo alunos de algumas cidades do Rio Grande do Norte representando 8,2% e ainda 13,11% de alunos de outros estados brasileiros.

## Características do curso de Física

Buscando compreender o motivo pelo qual os alunos optaram pelo curso de Licenciatura em Física e a opinião dos mesmos, suas expectativas e caracterização das aulas, incluímos questões que puderam nos revelar prévias informações como indicadoras da repetência e/ou abandono.

A maioria dos alunos respondentes informou que tinham aptidão pelo curso, representando 50,82%, sendo o fato que mais nos chamou a atenção o percentual de alunos que optaram pelo curso devido ao mercado de trabalho 21,31%, uma vez que ser professor é uma tarefa árdua, desvalorizada e com baixa remuneração. Outro percentual é os que estão cursando Física por falta de opção, disponibilidade de vagas e facilidade no ingresso em outro curso, totalizando 22,95%, sendo esta escolha motivada pela vontade ou necessidade de frequentar o ensino superior e pela proximidade do Campus e a influência familiar/amigos chegam a representar 4,92%.

Os alunos tiveram a oportunidade de caracterizar as aulas de Física que possuem na Universidade, mostrando que 44,26% consideram regular; 24,59% dizem ser ruim e péssima, tendo a caracterização de boa e ótima um percentual de 31,15%. Para a caracterização das aulas não foi mencionado nenhum fator isolado, mas a soma de alguns fatores mencionados pelos alunos, como: falta de didática dos professores, falta de relacionamento com os professores ambos com 18,03%; vários problemas e outros totalizando 63,94%.

Esses fatores são determinantes no processo de ensino-aprendizagem, influenciando de forma direta o desempenho dos alunos no curso, os que mencionaram desempenho regular representam 42,62%; e 26,23% consideram seu desempenho bom ou ótimo. A situação mais preocupante que podemos perceber é os que mencionaram seu desempenho como sendo fraco e péssimo, totalizando um percentual de 31,15%, de modo que são estes alunos que precisam de um acompanhamento maior junto ao curso.

A questão do desempenho não está fundamentada apenas na caracterização das aulas, pois os alunos se auto-avaliam e relatam os motivos responsáveis pelo desempenho acadêmico. O esforço pessoal é o que se destaca, com 49,18%, possuindo também um percentual de 11,48% indicando o trabalho de alguns ou de todos os professores como responsáveis e 39,39% apresentam outros fatores.

## Abandono Escolar e Repetência

Os alunos respondentes, quando questionados sobre a importância dos componentes curriculares, mencionaram que eram adequados (47,31%) e atendeu as expectativas (34,41%); ainda afirmaram que alguns componentes são

dispensáveis (10,75%) e 7,53% representam os que dizem ser inadequados, ultrapassados e adequados, porém ministrados com baixo nível.

Essa opinião dos alunos contribuiu e contribui diretamente nas questões de abandono e/ou repetência, como mostram as figuras abaixo. A figura 5 mostra que 44,26% dos alunos nunca repetiram nenhum componente curricular, uma vez que destes 40,98% ainda estavam cursando o primeiro período, mostrando que o índice de repetência nas disciplinas é muito elevado.

Como mostrado na figura 6, percebe-se os principais motivos que segundo os respondentes colaboram para a repetência, conseguindo diagnosticar que os mesmos percebem e afirmam que o principal problema é a dificuldade com o componente curricular. Porém existe uma parcela significativa dos que dizem que o motivo é a metodologia adotada pelo professor e havendo ainda a junção de vários fatores como as dificuldades de adaptação ao novo ambiente escolar devido as diferenças entre o ensino médio e o superior.

Figura 5: Repetência em Componentes Curriculares

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Ao observarmos a questão do abandono dos componentes curriculares, percebemos que 55,74% dos alunos respondentes não abandonaram nenhuma disciplina, mas mesmo sem ter acontecido o abandono muitos chegaram a repetir. Esse dado referente ao não abandono dos componentes curriculares, nos trazem informações importantes, pois 42,62% estavam cursando o primeiro período. Outros alunos, mesmo estando no primeiro período, chegaram a responder que já haviam abandonado, colaborando para a porcentagem de 42,62% dos que já abandonaram.

Assim como observamos para a repetência, o principal motivo do abandono dos componentes curriculares é a dificuldade que os mesmos possuem com a própria componente, mas a metodologia adotada pelo professor acaba influindo nessa decisão, bem como o mau relacionamento com o professor e os problemas pessoais.

Dentre as disciplinas que frequentemente acarretam ao abandono e consequentemente a repetência, podemos destacar Cálculo Diferencial e Integral I, Álgebra Vetorial e Geometria Analítica, Psicologia da Educação e Física I.

Figura 6: Motivo de repetência dos alunos respondentes

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Figura 8: Motivos do abandono dos alunos

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Figura 07:

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Abandono das componentes realizado pelos alunos

Para uma análise detalhada sobre o problema da repetência e/ou abandono, nas turmas do curso de Licenciatura em Física do CES, questionou-se ainda com respeito às expectativas geradas ante ao curso. 59,02% dos alunos disseram que o curso atendeu ou está acima das expectativas, porém, um dado preocupante é que 18,03% dizem que está abaixo das expectativas e 22,95% afirmam que o curso incentiva a desistência ou até mesmo decepciona, estando esta primeira visão do curso estritamente ligada à repetência e/ou abandono.

Quando indagados sobre as perspectivas quanto à conclusão do curso, percebe-se que 77,04% dos respondentes estão convictos ou tem dúvidas, mas irão concluir e 22,96% acham muito difícil concluir, tem certeza que não vai concluir ou irá mudar de curso. Esses dados justificam os motivos que geram expectativas para a conclusão de curso, como mostra a figura 9.

Figura 9: Motivo da Conclusão do Curso

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## Considerações Finais

Vários motivos foram expostos pelos respondentes para justificar a repetência e/ou abandono dos componentes curriculares, como: dificuldades de adaptação ao novo ambiente escolar; expectativas frustradas pelas diferenças entre o ensino médio e o superior.

O desejo de cursar o Ensino Superior se encontra fortemente ligado a projetos de ascensão social e econômica, sendo a idade um dos fatores que influenciam fortemente nesse momento, como também a dificuldade que se tem em conciliar trabalho e escola. Estas dificuldades mostradas não formam um caso particular e exclusivo do curso de Licenciatura em Física, da UFCG, Campus Cuité, mas um caso geral para a maioria dos cursos universitários, de várias partes do Brasil, em especial na região do Curimataú paraibano.

Dessa forma, o fenômeno da repetência e do abandono de curso no ensino superior não possui uma única causa que possa ser considerada o fator principal para o abandono/reprovação dos alunos investigados. Na verdade, encontramos indicadores que apontam ser necessário para qualquer instituição e para a UFCG/CES em particular manter um processo de avaliação permanente e de investigação de seus cursos que proporcione avançar ainda mais nas suas ações.

Neste caso, decidimos ouvir apenas um dos lados envolvidos no processo ensino-aprendizagem, o aluno, e as justificativas expostas sugerem razões que devem ser consideradas, como por exemplo, a origem sócio-econômica e cultural dos estudantes.

## Referências

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