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PARA QUÊ ENSINAR E APRENDER FÍSICA: COMO FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA RESPONDEM A ESSA QUESTÃO?

Fernanda Angelon Sotto, Cristina Leite

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PARA QUÊ ENSINAR E APRENDER FÍSICA: COMO FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA RESPONDEM A ESSA QUESTÃO?

## Fernanda Angelon Sotto 1 e Cristina Leite 2

1 Licencianda em Física, Universidade de São Paulo/ Instituto de Física e Faculdade de Educação, sottofernanda@usp.br

2 Universidade de São Paulo/ Instituto de Física, crismilk@if.usp.br

## Resumo

Muitos professores e licenciandos em suas práticas de estágio já foram questionados pelos alunos sobre o sentido de se aprender física na escola. Isso ocorre, provavelmente, devido a pouca relação entre a física escolar e o mundo a sua volta, sendo assim, o aluno tem dificuldade em perceber a importância da física. Essa questão pode levar o profissional a repensar sobre suas práticas e, até mesmo, questionar-se mais profundamente sobre o porquê de se ensinar e aprender tal conteúdo. Esta pesquisa visa identificar, comparar e analisar como alunos ingressantes e veteranos do curso de licenciatura em física respondem a questionamentos desta natureza. Para tanto, foi respondido, pelos dois grupos, um questionário contendo três questões, uma delas referindo-se ao porque da escolha do curso de licenciatura, a outra ao para quê ensinar física e uma última sobre para quê aprendê-la. Após a análise desses questionários, identificamos, em cada uma das respostas, seus pontos centrais, e assim, criamos categorias para analisá-las. Separamos as respostas em veteranos e iniciantes para que pudéssemos perceber uma possível mudança, ocorrida ao longo do curso. Veteranos e iniciantes, apresentam pontos de concordância e de discordância. O principal ponto de convergência está, no que se refere ao para que ensinar e aprender física, no fato da física ser capaz de explicar o cotidiano, a natureza e as tecnologias. Como divergência podemos citar que para os iniciantes o para quê aprender física pode ser justificado pelo vestibular, enquanto que isso não consta nos veteranos. Para este último grupo, temos como justificativa a compreensão do caráter de construção humana da ciência.

Palavras-chaves: ensinar, aprender, física, PCN+.

## Introdução

Em 1996, tivemos a homologação de uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), vigente até os dias atuais, na qual o ensino médio passou a integrar o núcleo da educação básica, o que significa a obrigatoriedade e gratuidade desse nível de ensino. Logo em seu artigo 2°, temos que a educação: 'tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho' (BRASIL, 1996). Esse objetivo reflete as mudanças sofridas pela sociedade, na transformação das indústrias, uso crescente da informática, grande quantidade e rapidez na obtenção de informações, preocupação com o meio ambiente, enfim, inúmeras situações que exigem do cidadão decisões cada vez mais complexas (ROSA, 1999).

Dessa forma, a LDB/96 traz uma nova perspectiva para o ensino, principalmente, para o ensino médio. É neste espírito de mudança que surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) e as Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) para ajudar os professores a concretizarem essas mudanças.

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Para atender às mudanças previstas pela LDB/96, os PCN visam a substituição do ensino centrado na transmissão de conhecimentos, tão criticada por Freire (1983), no qual o professor é aquele que sabe, enquanto os alunos são os que não sabem e que permanecem com uma postura passiva (VALADARES, 2001), por um ensino construído através do desenvolvimento de competências e habilidades articuladas em três grandes dimensões: Representação e Comunicação, Investigação e Compreensão e Contextualização Sócio-cultural. Essas três, por sua vez, estão presentes nas três áreas de conhecimento: Linguagens e Códigos; Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (que compreende a disciplina de Física) e Ciências Humanas e suas Tecnologias (KAWAMURA; HOUSOME, 2003).

A presença da física no ensino médio tem como objetivo, segundo os PCN+ (Ensino Médio), formar um cidadão crítico e atuante na sociedade, capaz de aprender e compreender a realidade à sua volta. Isto significa que o ensino de física deveria transcender os limites dos muros da escola, existindo conexão entre aquilo que nela se ensina e o mundo:

A Física deve apresentar-se, portanto, como um conjunto de competências específicas que permitam perceber e lidar com os fenômenos naturais e tecnológicos, presentes tanto no cotidiano mais imediato quanto na compreensão do universo distante, a partir de princípios, leis e modelos por ela construídos. (BRASIL, 2002, p.59)

Diante desse novo cenário, é fundamental, e até inquestionável, a importância do conhecimento que o futuro professor de física deve ter sobre a função desta disciplina na formação de seu aluno. Formá-lo como cidadão crítico e atuante na sociedade, capaz de interpretar e emitir opinião sobre notícias veiculadas pela mídia em geral, relacionar a física com as demais áreas do conhecimento, além de saber pesquisar, em fontes confiáveis, sobre algum assunto que lhe interesse, uma vez que a escola não se fará presente em sua vida para sempre.

Muitas vezes, no contexto escolar, defende-se o ensino de física pelo simples fato de que ela está presente nos vestibulares. Esse discurso pode nos levar a pensar que caso a física saia do vestibular, então não haveria sentido em seu aprendizado no ensino médio. Será possível a formação de um cidadão crítico sem conhecimentos da física? A física normalmente ensinada na escola tem como principal e único objetivo o vestibular? Embora estas questões sejam importantes, nessa pesquisa, queremos investigar o que os licenciandos em física em dois estágios diferentes do curso pensam sobre a importância de aprender e ensinar física. Será que o discurso do vestibular também está presente nas justificativas dadas pelos licenciandos? Qual é o papel desempenhado pelo curso da licenciatura, uma vez que analisaremos alunos no início e no final do curso?

Neste trabalho, pretendemos analisar o discurso dos alunos de graduação em Licenciatura em Física, da Universidade de São Paulo, a respeito da função do aprendizado da física no ensino médio. Nossa amostra corresponde a um grupo de 23 alunos no 1º ano da graduação de 2010 e de 46 alunos dos 3° e 4° anos.

## Metodologia

Preparamos um questionário com 3 questões, dissertativas, diretamente relacionadas à pesquisa, que são elas:

- · Por que você escolheu o curso de licenciatura em Física?

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- · Digamos que você está com alguns amigos, e você, aluno da licenciatura em física e futuro professor, é questionado sobre para que ensinar física. Como você responderia a esta questão?
- · Um estudante de ensino médio descobre que você faz licenciatura em física e lhe pergunta: 'Para que devo aprender física?'. Como você responderia a esta questão?

Além das perguntas acima mencionadas, outras 8 questões foram feitas de tal forma a conhecer algumas características de nossa amostra, como idade, se já possui alguma graduação, quais disciplinas já cursou, ano de ingresso, sexo, ano em que pretende se formar, se já leciona e se cursou o bacharelado em física.

- O questionário foi aplicado aos ingressantes no ano de 2010, e aos alunos matriculados, na disciplina Elementos e Estratégias para o Ensino de Física, oferecida aos alunos do 5° semestre no período diurno e 7°, no caso do noturno. De posse dos questionários respondidos, analisamos as questões referentes ao perfil dos alunos e, em seguida, após muitas leituras de todas as respostas foram construídas algumas categorias de análise.

A intenção é comparar as respostas dadas pelos alunos iniciantes aos que estão no fim da licenciatura. O discurso de ambos também será comparado ao PCN, já que neste documento encontrarmos uma série de justificativas para a presença da física na educação básica.

## Resultados

Primeiramente, será apresentado o perfil dos licenciandos que fazem parte da nossa amostra. Na sequência, apresentaremos os resultados referentes ao tema principal desta pesquisa.

## O perfil dos alunos

Todos os iniciantes entraram no curso em 2010. A maioria dos veteranos ingressou em 2007 e 2008, e estão entre o 3° e 4° anos. Há também, 7 alunos ingressantes entre 2009 e 2010. Isso ocorreu, provavelmente, devido à transferência do bacharelado para a licenciatura ou por ingressar como aluno especial após o término de outro curso de graduação.

Com relação à experiência profissional, na área de educação, cerca de 20% dos veteranos já lecionam, enquanto 4,5% já lecionaram e o restante ainda não possui esta prática. Com relação aos iniciantes, nenhum deles lecionou ou leciona atualmente.

Apesar de existir uma porcentagem considerável de alunos veteranos que ainda não tem vivência em sala de aula, podemos dizer que a maioria já conhece, através de estágio de observação ou de regência, a rotina de sala de aula. Isso porque, grande parcela da nossa amostra já cursou disciplinas em que essas práticas de estágio são obrigatórias.

Um dado interessante é que, no grupo dos veteranos, alguns alunos já são graduados, sendo um formado em matemática, 3 bacharéis em física, 2 engenheiros e 1 filósofo. Dos iniciantes, nenhum possui graduação anterior.

## Por que fazer um curso de licenciatura em física?

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Os motivos que levaram os alunos da nossa amostra a escolherem a Licenciatura em Física foram variados. As respostas vão desde uma boa relação com a área de exatas até a desilusão com o curso de bacharelado, como pode ser observado no Quadro 1 a seguir.

Quadro 1: Respostas encontradas quanto a escolha do curso de licenciatura.

É necessário ressaltar que no que concerne às respostas dos veteranos, temos dois tipos de respostas, há alunos que resgataram o motivo que os levaram a escolher o curso de licenciatura no vestibular e há os que responderam analisando sua postura nos dias atuais.

Eu me apaixonei pela física no ensino médio, achava maravilhoso conseguir interpretar fenômenos da natureza através da observação e das equações matemáticas. No final do ensino médio eu já dava aulas particulares de física e matemática, isso despertou uma vontade de estudar mais profundamente a física. (Veterano 3N)

Escolhi o curso de licenciatura em física porque, ao terminar o bacharelado, não encontrei emprego fora de universidade.(...) (Veterano 11N)

Nesta questão não obtivemos discrepâncias consideráveis entre os alunos iniciantes e os veteranos. Algo que podemos perceber é que para os iniciantes os motivos são distribuídos de maneira menos homogênea que para os veteranos. Para os ingressantes, a principal motivação para a escolha do curso foi a facilidade com a área de exatas (61%). Esta opção também foi percebida, embora em menor quantidade, entre os veteranos (28%).

Percebe-se, que para ambos os grupos (29% dos veteranos e 13% dos iniciantes), a escolha do curso está relacionada a uma vontade de solucionar problemas referentes ao ensino dessa disciplina, isso se deu através da influência de bons ou maus professores. Abaixo, seguem exemplos de respostas que se enquadram nesta categoria.

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A escolha se deu devido a influência de grandes professores de física durante o ensino médio e cursinho. Mas em maior importância foi o fato de ser apaixonado por física e ter a ideologia de que a educação é o único meio de mudar o país, por isso licenciatura em física.(Veterano 11D)

Grande parte das pessoas que não gostam de física o fazem, pois foram prejudicados durante sua formação (colégio) devido a má qualidade do ensino e do material didático(...). Formando-me em licenciatura eu poderia tentar mudar este cenário defasado do ensino público e particular predominante atualmente no Brasil. (Iniciante 24)

Outros motivos para os veteranos (26%), e que também está presente nos ingressantes (17%), é a satisfação em ajudar os colegas a entender física. Mais um fator relevante, em relação aos veteranos (20%) é a vontade de aprimorar os conhecimentos em física. Esta resposta, também está presente nos iniciantes (13%).

É interessante notarmos que a escolha da licenciatura devido à importância da educação na sociedade e para participar da formação do cidadão só apareceu nas respostas dos ingressantes, com uma porcentagem igual a 9% e 4%, respectivamente. Enquanto que a necessidade do diploma para lecionar (7%) e desilusão com o bacharelado (17%) foram respostas características entre os veteranos.

Uma peculiaridade em relação à categoria V, aprimorar conhecimentos na área de educação, abriga tanto as respostas dos iniciantes como dos veteranos, porém, o tom que ela apresenta nos dois grupos é um pouco diferente, isso porque, para os veteranos ela se revela como uma necessidade de fundamentação teórica para dar aula, ou seja, o aluno sentiu, ao lecionar, que não bastava saber física, precisava aprimorar seus conhecimentos relacionados à educação. Já para os iniciantes parece ser uma vontade de aprender técnicas para ensinar.

Iniciei a graduação no curso de bacharelado, mas logo no primeiro ano comecei a dar aulas de física (profissionalmente), o curso de licenciatura se tornou uma necessidade da profissão, tanto burocraticamente quanto de formação, depois de um tempo percebi que apenas saber física não era o suficiente para ser professor. (Veterano 14N)

Porque a licenciatura em física envolve e revela vários métodos de ensino dessa matéria que atualmente está muito precária no mercado de trabalho. (Iniciante 2)

## Para que ensinar física?

Ao serem questionados sobre para que ensinar física, iniciantes e veteranos, forneceram, como principal resposta, a ideia de que a física é capaz de explicar o cotidiano, a natureza e as tecnologias, sendo que outras concepções acerca dessa questão aparecem em uma porcentagem menor. Para os veteranos, pode-se destacar as ideias de se ensinar física para que o aluno seja capaz de participar e interagir com o mundo a sua volta e para que ele compreenda o caráter de construção humana das ciências. No Quadro 2 é possível observar um pouco mais a respeito das características apresentadas em ambos os grupos.

Quadro 2 : Repostas sobre 'Para que ensinar física'

Porcentagem de respostas encontradas (%)

Categorias

Iniciantes

Veteranos

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A principal resposta sobre para que ensinar física é o fato desta disciplina explicar o cotidiano, a natureza e as tecnologias e ampliar a visão do mundo. Este argumento apareceu de forma predominante aos dois grupos analisados, o que sugere uma preocupação em aproximar o conhecimento escolar com o cotidiano dos alunos, facilitando sua compreensão e também o desenvolvimento do sendo crítico dos alunos, uma vez que se pretende ampliar sua visão de mundo e explicar as tecnologias. Essa foi a resposta de 70% dos veteranos e de 52% dos iniciantes.

Ensinar física, para que o aluno compreenda o caráter de construção humana da ciência, está presente nas respostas dos veteranos (17%), e também nos iniciantes, ainda que com uma porcentagem pequena (4%). Porém, os argumentos apresentados por ambos os grupos, são diferentes quanto à natureza da resposta. Abaixo, transcrevemos respostas dadas por ambos os grupos:

Porque física não é apenas uma matéria singular e pronto. Na física utilizase a matemática e o português como ferramenta de entendimento, há ainda história junto... A física é o entendimento do que acontece ao nosso redor.(Iniciante 16)

Responderia, basicamente, que a física, assim como todas as ciências naturais, são fundamentais. No caso da física, ela não é um amontoado de fórmulas e enunciados, todos intrincados em laços complexos e complicados. Cabe lembrar que a física traz consigo um legado da humanidade, assim como todo o conhecimento que até nós chegou. A física é também uma história, longa e rica, que conta sobre homens e mulheres, que com persistência e criatividade, tentaram entender e 'decodificar' aquilo que chamamos 'realidade', com a esperança de compreender este mundo que os rodeia. A importância de se ensinar física, ao meu ver, vinga neste aspecto humano e histórico das ciências. Aprender física é (deveria ser) aprender sobre a história da construção humana da ciência. (veterano 7D)

Além disso, pode-se dizer que a preocupação em mudar a realidade do ensino de física é algo presente em ambos os grupos, pois este argumento está presente em 9% dos discursos dos iniciantes e em 13% dos veteranos. Já a questão da interdisciplinaridade, foi mais citada entre os iniciantes (9%) do que pelos veteranos (2%). Por fim, podemos perceber que uma resposta, exclusiva dos veteranos, é a ideia do ensino de física para a formação do cidadão e desenvolvimento do senso crítico (20%).

## Para que aprender física?

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Com relação ao para que aprender física, veteranos e iniciantes, responderam, em sua maioria, que o principal motivo é devido ao fato desta disciplina ser capaz de explicar o cotidiano, a natureza e as tecnologias. Este foi o principal ponto de concordância. Há, também, pontos de divergência entre as opiniões de ambos os grupos, como a ideia de aprender física para passar no vestibular, presente apenas nos iniciantes, bem como a ideia de aprendê-la a fim de compreender o caráter de construção humana, verificada apenas nos veteranos. As ideias encontradas nas respostas dos dois grupos estão representadas no quadro 3 a seguir.

Quadro 3 : Respostas sobre 'Para que aprender física?'

- O primeiro ponto interessante a destacar é que 'Para que aprender' recebeu, por algumas vezes, a mesma resposta dada ao 'Para quê ensinar'. Isso ocorreu em 13% das respostas dos iniciantes e em 20% dos veteranos.

A argumentação sobre para que aprender física, segundo a maioria de ambos os grupos (78% dos iniciantes e 70% dos veteranos), reside no fato desta disciplina ser capaz de explicar o cotidiano, fenômenos da natureza e as tecnologias.

Além desses dois pontos de convergência citados acima, há também, a ideia de que o ensino de física pode proporcionar ferramentas para que o aluno interaja com o mundo desenvolvendo, assim, o senso crítico dele. Essa concepção está presente em 9% dos ingressantes e em 13% dos veteranos.

Uma resposta que só aparece nos iniciantes (26%) é o vestibular, isso sugere uma visão propedêutica acerca do ensino de física. Aprender física para resolução de situações-problema (15%) e a para a compreensão dessa disciplina como construção humana (28%), são argumentos utilizados apenas pelos veteranos.

## Análise

Com relação à primeira pergunta, quanto ao porque da escolha do curso de licenciatura em física, não obtivemos considerável diferença entre veteranos e iniciantes. Porém, as respostas destes últimos se concentram em um principal

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argumento, que é a afinidade com exatas, as outras ideias aparecem, mas com porcentagem muito inferior a desta categoria.

Os veteranos têm suas respostas com uma distribuição maior, isto é, diferentes respostas obtiveram porcentagens parecidas e, relativamente altas. As ideias citadas por este grupo são: solucionar os problemas referentes ao ensino de física, afinidade com exatas, satisfação em ajudar os colegas a compreender física, vontade de aprimorar conhecimentos de física ou da área de educação.

Além disso, há respostas que foram características de um ou de outro grupo. Os veteranos apresentaram argumentos que só surgem após certa experiência acadêmica, revelada através da desilusão com o curso de bacharelado em física, ou uma necessidade profissional, isto é, necessidade do diploma para lecionar. Já os ingressantes, responderam que a escolha do curso foi influenciada devido à importância da educação na sociedade e também pela vontade de participar da formação do cidadão.

A próxima questão, para que ensinar física, também parece revelar uma concordância entre veteranos e ingressantes, pois, a maioria, de ambos os grupos, deu como resposta a essa pergunta a capacidade que a física tem de explicar o cotidiano, a natureza e as tecnologias.

Dois pontos importantes aparecem, praticamente, apenas nas respostas dos veteranos, que são: ensinar física para a compreensão do caráter de construção humana da ciência e para possibilitar que o aluno participe e interaja com o mundo a sua volta, desenvolvendo assim, seu senso crítico. Estas concepções acerca do para quê ensinar parecem revelar uma preocupação com a formação do cidadão ativo e crítico, além da compreensão da natureza da ciência. Estes dois aspectos constam nas competências a serem desenvolvidas através do ensino de física, segundo os parâmetros curriculares nacionais.

Por fim, quanto ao para quê aprender física, ingressantes e veteranos, concordam claramente, que a principal justificativa é a física como explicadora do cotidiano, da natureza e das tecnologias.

Apesar dessa concordância, os iniciantes têm como segundo argumento mais citado, a ideia de se aprender física para passar no vestibular, algo que não apareceu nos veteranos.

Ocorreu também, de encontrarmos respostas nos veteranos que não foram argumentos utilizados pelos iniciantes, e são eles: aprender física para a resolução de situações-problema e para compreensão do caráter de construção humana da ciência, esta última também presente em para que ensinar física. Estas duas ideias estão presentes nas competências gerais dos PCN+.

## Algumas Considerações

De um modo geral, parece que, iniciantes e veteranos, pensam de maneira muito parecida acerca do para quê ensinar e para quê aprender física, isso porque, no que se refere a estas questões, o principal argumento apresentado, a física como explicadora do nosso cotidiano, da natureza e das tecnologias, foi o mesmo para ambos os grupos.

Apesar disso, percebe-se que veteranos apresentam argumentos que não aparecem, de maneira significativa, na fala dos iniciantes que é a ideia de se

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aprender ou ensinar física para a compreensão do caráter de construção humana da ciência, para a resolução de situações-problema e para a formação do cidadão ativo e crítico.

Essas respostas, ainda que não sejam predominantes na argumentação dos veteranos, sugerem que foram desenvolvidas ao longo da graduação, uma vez que não constam nas respostas dos iniciantes.

Ademais, estas ideias parecem se assemelhar com o discurso dos parâmetros curriculares em suas três dimensões. A preocupação com a formação do cidadão crítico e atuante na sociedade pode estar relacionada com a dimensão Representação e Comunicação, a resolução de situações-problema com Investigação e Compreensão e por fim, a compreensão do caráter de construção humano da ciência, com Contextualização Sócio-cultural.

- O curso de licenciatura pode ter contribuído para um aumento na diversidade de ideias sobre para que ensinar ou aprender física, mas mais que isso, pode ter rompido com ideias pré-concebidas como no caso de se aprender física devido ao vestibular, um argumento que aparece nos ingressantes, porém que não está presente nos veteranos.

Por conseguinte, veteranos e iniciantes, não apresentam opiniões, totalmente, divergentes entre si, porém há tipos de argumentos que foram característicos de cada um desses grupos. Isso poderia ser explicado pelo fato de que, para os veteranos, do momento de seu ingresso no curso até os dias de hoje, não se passou muito tempo, e apesar de já apresentarem novas ideias, acerca de ensinar e aprender física, pode ser que o antigo paradigma ainda não tenha sido, de todo, rompido. A graduação seria um momento em que antigos paradigmas se rompem e novas ideias e concepções surgem para substituí-los.

## Referências

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica, PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC, SEMTEC, 2002.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF .

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido . 12ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

ROSA, P. R. S. Fatores que influenciam o ensino de ciências e suas implicações sobre os currículos dos cursos de formação de professores. In: Caderno Brasileiro de Ensino de Física , n.3, 1999.

KAWAMURA, M. R.; HOSOUME, Y. A. contribuição da física para um novo ensino médio. In: Revista Física na Escola , vol. 4, n. 2, 2003, p.22-27.

VALADARES, E. de C. Novas estratégias de divulgação científica e de revitalização do ensino de ciências nas escolas. In: Revista Física na Escola , vol. 2, n. 2, 2001, p. 10-13.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.