Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O QUE PENSAM PROFESSORES DE FÍSICA SOBRE INOVAÇÃO CURRICULAR NO ENSINO MÉDIO

Ana Paula G. De Souza, Jonathan T. J. Neto, Ivani Lawall, Maxwell Siqueira, Mauricio Pietrocola

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2011

Texto completo

## O QUE PENSAM PROFESSORES DE FÍSICA SOBRE INOVAÇÃO CURRICULAR NO ENSINO MÉDIO

## Ana Paula G. de Souza 1 , Jonathan T. J. Neto , Ivani Lawall , Maxwell Siqueira , 2 3 4 Mauricio Pietrocola 5

1 UDESC/DFIS/ anagrimes@hotmail.com

2 UDESC/DFIS/

jonathan.neto@hotmail.com

3

UDESC/DFIS/, ivani@joinville.udesc.br

4

UESC/DCET - USP/FEUSP, maxwel\_siqueira@hotmail.com

5

USP/FEUSP/ mpietro@usp.br

## Resumo

Na perspectiva da renovação e inovação curricular no Ensino Médio (EM), através da inserção da Física Moderna e Contemporânea (FMC), a formação de professores vem sendo apontada como um dos aspectos importantes. Pesquisas têm mostrado que é necessária uma formação adequada desses profissionais, mas percebe-se que somente isso não é suficiente. Parecem existir alguns aspectos, ainda que ocultos, na prática do professor que fazem ele ter êxito ou não na aplicação de propostas de inovação. Dessa forma, torna-se necessário fazer uma investigação sobre a prática dos professores nesse movimento, um aspecto pouco conhecido na área de Ensino de Ciências. Neste trabalho, são apresentados os primeiros resultados de uma pesquisa com oitenta professores de física do Ensino Médio que participaram de um projeto de inovação curricular na implementação de sequências didáticas de ensino aprendizagem sobre FMC. Por meio de questionário, buscou-se a partir da análise relacionar o que pensam os professores sobre a inovação e se as inovações alteram a sua prática docente. Os resultados indicam que 86% dos professores participantes do projeto, alteraram suas práticas pedagógicas devido à contribuição do curso de formação continuada. Acredita-se que esses cursos possam colaborar para consolidar o desenvolvimento profissional do professor na fase da experimentação ou diversificação, tornando-os aptos a mudarem suas práticas profissionais em sala de aula.

Palavras-chave : Ensino Médio, Inovação Curricular, Formação de Continuada, Concepção dos professores

## Introdução

Já há alguns anos, a renovação e inovação curricular vêm sendo destacadas como necessárias para o ensino de Física, principalmente quando se fala em conteúdos mais atuais, sendo condizente com a sociedade moderna (Brockington, 2005; Siqueira, 2006). Contudo, algumas pesquisas têm mostrado que a falta de material didático, o formalismo matemático e a formação inadequada de professores podem dificultar a implementação de propostas inovadoras (Ostermann & Cavalcanti, 1999; Pinto & Zanetic, 1999).

Desses aspectos, destaca-se a formação de professores por acreditar que ela tem um papel preponderante no contexto das reformulações ou inovações curriculares, pois, ao receber o material, ele o transforma (adapta) da melhor

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

maneira possível, para que esse esteja ao alcance dos alunos. Como destacam Pintó, Couso e Gutierrez (2005) 'o professor desempenha um papel central nesse processo, pois são eles que levam a inovação para à sala de aula.' (p.39).

Ao levar uma proposta curricular inovadora para a sala de aula, o professor negocia com a inovação explícita ou tacitamente, rejeitando ou modificando aspectos da proposta, de maneira que julga a mais apropriada. Ou seja, os professores transformam a inovação adaptando, adequando e reorintando-na em função de sua realidade escolar. Desse modo, essas transformações acabam não sendo impessoais, pois sofrem influência dos projetos escolares e, mais ainda, dos valores do professor (Chevallard, 1991; Shulman, 1986). Assim, sua motivação, suas concepções de Ciência e de ensino, conflitos pessoais e profissionais, acabam sendo incorporados no momento que ele, de fato, leva o conteúdo para sala de aula.

- A ideia de transformação que se procura discutir aqui segue a definição utilizada no trabalho de Pintó, Couso e Gutierrez 'dizemos que uma transformação foi produzida quando se observa uma diferença entre o que foi proposto e o que, de fato, foi levado à sala de aula, indicando uma mudança' (idem, 2005, p.39).

Dessa forma, as inovações (atualizações) no currículo de física acabam esbarrando no professor, seja por sua formação, por vezes deficitária, seja pelas concepções e valores pessoais de sua prática. Contudo é nesse último aspecto que as propostas inovadoras acabam não considerando relevante o papel do professor. Pois, se esquece que os professores têm ideias, atitudes, comportamentos e valores que não podem ser deixados de lado quando se busca implementar uma inovação curricular, ainda mais no contexto da inserção da FMC.

Nos últimos anos, as inovações curriculares tem tido destaque nas pesquisas em Ensino de Ciências, seja pela modificação das abordagens de conteúdos já presentes na sala de aula ou com a inserção de tópicos mais modernos, como o caso da Física Moderna e Contemporânea. Nesse sentido, no período de 2003 a 2007 foram desenvolvidas propostas inovadoras que possibilitaram investigar os limites e possibilidades da introdução de tópicos de FMC tais como, Mecânica Quântica (Brockington, 2005; Brockington e Pietrocola, 2005 e 2006; Pietrocola, 2005), Partículas Elementares (Siqueira, 2006; Siqueira e Pietrocola, 2005 e 2006; Pietrocola, 2005) e Relatividade (Ambrosis e Levrini 2007; Amborisis, 2008; Ogborn 2005) . 1 Assim foram construídas, desenvolvidas e aplicadas sequências de ensino-aprendizagem com tópicos de FMC.

- O objetivo desse trabalho foi analisar um grupo de professores que participaram de cursos de formação continuada na implementação de propostas inovadoras sobre o conteúdo de FMC no EM. O foco está na concepção desses professores sobre inovação curricular.

## Descrição do trabalho

A proposta inicial da pesquisa é tentar contribuir para esclarecer o papel do professor no contexto da atualização curricular através da inserção da FMC na sala de aula do EM. Nesse cenário, o objetivo da pesquisa é buscar delimitar os aspectos

http://nupic.incubadora.fapesp.br/portal

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

referentes à prática e à formação do professor nesse movimento, principalmente sobre suas ideias, destacando também as suas concepções sobre o ensino do conteúdo de FMC e a sua formação, relacionada com sua prática e outros fatores relevantes no ensino da FMC.

Em 2008 foi aprovado um projeto que visa complementar as sequências didáticas elaboradas. O objetivo desse projeto é contribuir para a atualização e a melhoria do ensino-aprendizagem de Física, com particular atenção aos conteúdos de FMC (Física Quântica, Partículas Elementares, Relatividade), através do desenvolvimento de novas metodologias de ensino (ensino por investigação, ensino por meio de modelos, ensino sobre a natureza da ciência), de novos materiais de ensino (roteiros de atividades e de experimentos, textos, animações, simulações e recursos digitais), de recursos oferecidos pelas novas tecnologias de informação (tutorias virtuais à distância, plataformas de ensino à distância para acompanhamento docente, portais dinâmicos para disponibilização de material didático). O intuito é subsidiar o ensino e a aprendizagem da Física no contexto escolar do Ensino Médio.

Esses professores da rede estão sendo formados por meio de atividades presenciais e à distância, colaborando na adequação e ampliação dos materiais de ensino já produzidos. Cada capacitação abarca cerca de trinta participantes e é composta de cinco encontros presenciais de oito horas (módulo 1), mais cinquenta horas de atividades distribuídas em dois encontros presencias de oito horas, um no início e outro no final do curso, e de atividades à distância (módulo 2), para discussão das dificuldades encontradas na implementação da FMC.

A parte presencial foi ministrada no primeiro semestre de 2010, para oitenta professores da rede. O módulo 2 teve início em 8 de maio de 2010 e término em 08 de agosto de 2010. No módulo 1, foram trabalhados os conteúdos de FMC, de acordo com as sequências didáticas desenvolvidas anteriormente. No módulo 2, incentivou-se a implantação das atividades realizadas no módulo 1 em sala de aula, de acordo com a sequência elaborada por cada professor ou grupo de professores.

Os cursos serão repetidos durante os três anos, de modo a que ao final sejam capacitados duzentos e setenta professores-multiplicadores. A equipe responsável por cada um dos cursos foi composta por dois professores da rede pública e membros da Universidade (docente e alunos de iniciação e pósgraduação). Uma equipe ficou com Relatividade, outra com Linhas Espectrais e a outra com Partículas Elementares.

## Metodologia da Pesquisa

- O trabalho de investigação com a formação dos professores se iniciou a partir da necessidade de aprofundar a pesquisa sobre as transformações ocorridas com os conteúdos de FMC no EM. Buscando fornecer informações sobre a prática do professor na inserção de tópicos de FMC, conduziu-se a pesquisa de maneira qualitativa, focando a atenção na figura do professor que faz o curso em um processo de formação e prática, trazendo dados e evidências que possam ser analisadas.
- O instrumento utilizado para a coleta de materiais no ano de 2010 foi o questionário, buscando realizar nesse momento um estudo exploratório, o qual

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

possibilita ao ' investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema ', Triviños,(1987, p. 109 ).

A coleta de dados foi realizada durante a aplicação do módulo 1. Os professores responderam o primeiro questionário no primeiro dia do curso de inovação curricular. O segundo questionário, no qual algumas questões apareciam novamente, foi respondido ao término do módulo 1, último dia do curso de formação. Realizou-se uma análise comparativa das respostas dadas pelos professores através de questionários nesses dois momentos.

Com o intuito de analisar as concepções dos professores a respeito de inovação curricular, foi realizada a seguinte pergunta: 'O que é uma inovação curricular para você?' Os professores responderam a essa questão no início e no término do curso, o que proporcionou analisar se o curso alterou suas concepções a respeito de inovação curricular. As respostas obtidas mediante a essa questão, foram classificadas em dois grupos: inovação curricular associada a novas metodologias e inovação curricular associada a alterações no currículo.

Posteriormente buscou-se analisar se o curso de formação continuada contribuiu para mudanças na prática docente. Para isso, foi realizada a pergunta: 'A participação nesse curso alterou suas práticas de sala de aula?'. A partir dessa questão foram destacadas as principais justificativas apontadas pelos professores para as mudanças em suas práticas pedagógicas.

Como forma de caracterização de cada um dos professores, convencionou-se uma sigla de referência para os mesmos, citada aqui como: P1, P2, P3, P4.........P79 e P80. A maioria deles se encontra entre nove e vinte anos de carreira.

## Resultados obtidos

Para analisar as opiniões dos professores a respeito de inovação curricular, antes e depois da participação desses no curso sobre inserção de FMC no EM e como essa participação no curso influenciou em sua prática pedagógica, foram elaboradas duas categorias de análise, que atendessem aos objetivos da investigação, sendo elas:

- -Inovação Curricular;
- -Mudança na prática docente.

As informações referentes à formação profissional, tempo de serviço, participação em cursos de formação desses professores, estão sendo apresentadas nesse evento com título 'O perfil de professores em curso de formação contínua focado na inovação curricular de Física Moderna no Ensino Médio'. Os professores escolhidos para análise nesse trabalho encontram-se na fase de diversificação (7 a 25 anos de carreira), conforme o ciclo de vida profissional descrito por Huberman, (2000), que é caracterizada, como o próprio nome sugere, pela diversificação de metodologia, materiais didáticos, modos de avaliação, etc. Os professores nessa fase seriam 'os mais motivados, os mais dinâmicos, os mais empenhados nas equipes pedagógicas' (p.109). Isso explica, em partes, a busca desses professores pela inovação em sala de aula.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## 1. Inovação Curricular

Essa categoria foi criada para destacar as ideias e concepções dos professores sobre o processo de inovação curricular. Dessa forma, foi realizada a pergunta: 'O que é uma inovação curricular para você?'. Constatou-se que antes da participação no curso, cerca de 63% dos professores relacionavam inovação curricular com a implantação de novas metodologias e estratégias de ensino, ou seja, acreditavam que uma inovação no currículo do Ensino Médio estava associada apenas a alterações na didática do professor, de modo a acrescentar experiências e outras atividades diversas que poderiam atrair a atenção dos alunos para a ciência, como é possível observar nas respostas dos professores 14, 45 e 67 dos cursos de Relatividade, Linhas Espectrais e Partículas, respectivamente.

P14 (Relatividade): Trabalhar novas tecnologias ou coisas do cotidiano do aluno para trazer o conteúdo para o aluno.

P45 (Linhas Espectrais): Eu acredito que uma inovação curricular seja algo ou alguma estratégia que facilite o aprendizado.

P67 (Partículas): É utilizar alguma forma (meio) para facilitar aprendizagem de algum conteúdo.

a

O professor 14 associa a inovação com a tecnologia, algo novo que possa relacionar os conteúdos ao cotidiano dos alunos, já o professor 45 relata que inovações curriculares são estratégias e metodologias educacionais que vêm contribuir para a aprendizagem dos estudantes e por fim, o professor 67 não consegue deixar muito clara a sua opinião.

A mesma pergunta foi repetida no questionário entregue aos professores no término do curso, para avaliar o que havia alterado em suas concepções a respeito de inovação curricular.

P14 (Relatividade): Transpor os conteúdos tradicionais para o cotidiano do aluno; Trabalhar conceitos atuais e modernos com os alunos do EM.

P45 (Linhas Espectrais): É uma mudança no currículo que leva você a reorganizar os conteúdos ao longo dos três anos do Ensino Médio.

P67 (Partículas): Apresentar novos assuntos que chamem a atenção do aluno, permitindo que sua assimilação seja produtiva.

Ao comparar as respostas dos mesmos professores, percebe-se que houve certa mudança em suas opiniões, como é possível observar na resposta do professor 14 , que após a participação no curso, relatou que inovação curricular é trabalhar conceitos atuais e modernos com os alunos. O professor 45 associou inovação curricular à mudança no currículo, uma reorganização nos conteúdos abordados. De modo geral, os professores passaram a relacionar inovação curricular com alterações nos próprios conteúdos abordados no Ensino Médio, principalmente a inserção da FMC, a qual era o objetivo do curso. É possível observar na tabela 01 as mudanças nas concepções dos professores em relação à inovação curricular.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Tabela 01: Concepção dos professores sobre inovação curricular, antes e depois da participação destes no curso.

Outra resposta interessante observada foi a do professor 24, do curso de linhas espectrais que, em um primeiro momento, relatou que um exemplo de inovação curricular seria a implantação da proposta curricular do Estado de São Paulo, a qual contém conteúdos de Física Moderna. E, no entanto, quando terminou o curso alegou que apenas isso não é o suficiente, que é necessário também a busca de novas estratégias para a implantação desses 'novos' conteúdos.

P24 (Linhas espectrais): O nome já diz 'inovação'. É sair do tradicional buscando novas estratégias de implementação de novos conteúdos, porém sem desprezar o currículo já existente.

Analisando as resposta dos professores no segundo questionário, após a realização do curso, é possível perceber que cerca de 30% dos professores associaram inovação curricular com a implementação de FMC no Ensino Médio. Porém, apesar da Física Moderna aparecer nos documentos norteadores para o Ensino de Física no Brasil, os PCN+ (BRASIL 2002), existem várias dificuldades as quais impedem a abordagem desse tema em sala de aula. Os professores citaram que a falta de conhecimento nessa área, é um dos principais fatores que ocasiona a falta desses conteúdos no programa da disciplina de Física.

Acredita-se que essa falta de conhecimento se dá devido à formação desses professores em outras áreas, que não a Física, ou mesmo a formação em Licenciatura em Física, na qual a carga horária destinada a esses conteúdos não é o suficiente para a aprendizagem efetiva do futuro professor.

Outro fator que influencia o não aparecimento da FMC nas salas de aula é a complexidade dos conteúdos que, muitas vezes, acarretam uma matemática muito elaborada e fora do alcance dos alunos do Ensino Médio. Percebe-se, claramente, a necessidade da utilização da Transposição Didática (Chevallard, 1991) nos textos científicos e tecnológicos que proporcionará um número maior de material didático disponível aos professores e alunos.

Esses e outros fatores foram citados pelos professores como obstáculos a serem enfrentados por eles para a implantação desses conteúdos no EM, que poderão ser desenvolvidos, com maiores detalhes, em futuros trabalhos.

## 2. Mudança na prática docente

Essa categoria foi criada para que se pudesse destacar se, de fato, o curso poderia contribuir para uma mudança de sua prática, mesmo que não fossem implementar a FMC em suas classes, mas que incorporassem, em parte, a abordagem adotada. Para isso, foi feita a seguinte pergunta: A participação nesse curso alterou suas práticas de sala de aula? Dos sessenta e seis professores que

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

responderam a essa questão, 86% afirmaram que houve uma mudança significativa na sua prática em sala de aula.

As principais justificativas apresentadas pelos professores para a mudança em sua prática pedagógica foram: novas técnicas e metodologias aprendidas durante o curso, aquisição de novos conhecimentos, principalmente de FMC, e a segurança adquirida, proveniente do apoio do grupo de professores que ministravam e participavam do curso. A figura 01 apresenta essas justificativas de maneira sucinta.

Do total de professores, 9% alegaram que o curso ainda não alterou sua prática pedagógica. Eles relataram que não tiveram a oportunidade de colocar em prática o que foi aprendido no curso, ou por não estarem lecionando no momento ou por não terem abordado ainda o tema de FMC.

Figura 01: Contribuição do curso de inovação curricular para alteração na prática docente do professor.

<!-- image -->

E apenas 5% dos professores, afirmaram que o curso não alterou sua prática pedagógica, pois, segundo eles, já fazia parte do seu cotidiano uma constante atualização sobre os conteúdos abordados no EM e inovação nas atividades realizadas em sala de aula. Algumas respostas dos professores podem ser observadas na tabela 02.

Mediante aos dados obtidos, acredita-se que as alterações nas práticas dos professores são devido ao curso de formação continuada, que proporcionou discussões, estudos e esclarecimentos que fortaleceram o conhecimento dos professores em determinados assuntos, tanto nos conteúdos da disciplina de Física, quanto nas metodologias e estratégias que foram apresentadas, o que ofereceu a segurança e apoio que o professor necessitava para inovar em sala de aula.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Tabela 02: Mudança na prática docente após a realização do curso.

## Considerações Finais

Esse trabalho teve como objetivo principal destacar as concepções dos professores sobre inovação curricular e as mudanças na prática docente que um curso de formação continuada em FMC pode levar. Aspectos que são importantes quando se discute a implementação de novas propostas na sala de aula.

Outro aspecto que merece destaque nessa pesquisa é que a grande maioria dos professores teve uma mudança de postura frente à inserção da Física Moderna e Contemporânea, até mesmo com novas abordagens que estão longe do seu domínio. Essa mudança os leva a ter mais segurança, permitindo-os ousar mais, o que reflete em um aumento de sua autonomia frente à classe, contribuindo, definitivamente, para seu desenvolvimento profissional. Em alguns casos é observada uma boa compreensão do desenvolvimento de uma proposta inovadora, permitindo ao professor participar da sua elaboração, aplicação e validação.

A participação dos professores em cursos de formação parece ser um fator relevante para as inovações curriculares, tendo contato com novas metodologias, materiais e aportes teóricos, permite que eles diversifiquem suas práticas em sala de aula, contribuindo para que possam, de fato, consolidar seu desenvolvimento profissional na fase da experimentação ou diversificação, o que parece favorecer suas adesões às propostas de inovações curriculares, notadamente a inserção de Física Moderna e Contemporânea no nível médio.

Essa análise aponta para relevância em continuar as pesquisas acerca dos saberes e práticas docentes em situações de inovações e implementação de sequências de Ensino.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Referências

AMBROSIS. A. Introducing new approaches in the curriculum: what do teachers need to make it possible? In: GIREP 2008 - International Conference, University of Cyprus, 2008, Nicosia.

AMBROSIS, A. de; LEVRINI, O. Insernare Renaività ristretta a scuola: esigenze degli insegnanti e proposte innovative. Giornale di Física, v. 48, n.4, p. 255-276. out./dez. 2007.

BRASIL , PCN+ Ensino Médio: Orientações complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias . Brasília, Ministério da Educação/Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 2002.

BROCKINGTON, G. A Realidade escondida: a dualidade onda-partícula para alunos do Ensino Médio. Dissertação de mestrado. IF/FE-USP, São Paulo, 2005.

BROCKINGTON, G.; PIETROCOLA, M. Serão as Regras da Transposição Didática Aplicáveis aos Conceitos de Física Moderna? Investigações em Ensino de Ciências (Online), Porto Alegre, v. 10, n. 3, p. 1-17. 2006.

BROCKINGTON, G. e PIETROCOLA, M. O Ensino de Física Moderna necessita ser real? . In: XVI SNEF - Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2005, Rio de Janeiro. Atas do XVI SNEF.

CHEVALLARD, Yves. La Transposicion Didactica: Del saber sabio al saber enseñado . Argentina: La Pensée Sauvage,1991

COUSO, D., PINTÓ, R. Análisis del contenido del discurso cooperative de los profesores de ciencias em contextos de innovación didática, Ensñansa de las Ciências. 27(1), p. 5 -18. 2009.

HUBERMAN, M. O ciclo de vida professional de professores . In: Nóvoa, A. (org) Vida de professores, 2000, Porto. 2000.

OGBORN, J. Introducing relativity: less may be more . Physics Education, Bristol, v. 40, n. 3, p.213-222, 2005.

OSTERMANN, Fernanda; CAVALCANTI, Cláudio. Física Moderna e Contemporânea no ensino médio: elaboração de material didático, em forma de pôster, sobre partículas elementares e interações fundamentais. Caderno Catarinense de Ensino de Física . Florianópolis, v.16, n.3, p.267-286, dez.99.

PIETROCOLA, M. Modern Physics In Brazilian Secondary Schools . In: International Conference on Physics Education, 2005, Nova Delhi: ICPE, 2005

PINTÓ, R; COUSO, D.; &amp; GUTIERREZ, R. Using research on teachers' transformations of innovate ons to inform teacher education. The case of energy degradation. Science Education. v.89, n.1, p.38-55, jan. 2005.

PINTO, A.C., ZANETIC, J. É possível levar a física quântica para o ensino médio? Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v.16, n.1, p.7-34, abril 99.

SIQUEIRA, M. Do visível ao invisível: uma proposta de Física de Partículas Elementares para o Ensino Médio . São Paulo: IF/FE-USP, 2006. Dissertação de Mestrado.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

SIQUEIRA, M.; PIETROCOLA, M. A Transposição Didática aplicada a teoria contemporânea: A Física de Partículas elementares no Ensino Médio. In: X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2006, Londrina.

SIQUEIRA, M.; PIETROCOLA, M. Revisando materiais em ensino médio sobre o tema física de partículas elementares. In: V ENPEC - Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino em Ciências, 2005, Bauru.

SHULMAN, L. S. Those who understand: knowledge growth in teaching. Educational Researcher, v. 15, n. 2, p. 4-14. 198.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.