O PAPEL DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS DEMONSTRATIVAS NA FORMAÇÃO DOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Aline Portella Biscaino, Sérgio Camargo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O PAPEL DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS DEMONSTRATIVAS NA FORMAÇÃO DOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
## Aline Portella Biscaino , Sérgio Camargo 1 2
1 Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciência e em Matemática, abiscaino@gmail.com
2 Universidade Federal do Paraná, Departamento de Teoria e Prática de Ensino e Programa de PósGraduação em Ciência e em Matemática, s.camargo@ufpr.br
## Resumo
O presente trabalho tem como objetivo refletir e avaliar o papel das atividades experimentais demonstrativas utilizadas no ensino de Física. Para tanto fizemos um estudo dos trabalhos relacionados à atividade experimental divulgados nos principais eventos de ensino de Física, o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF). A partir da revisão bibliográfica realizada, na qual consultamos trinta e um artigos, foi possível perceber as temáticas mais pesquisadas no que se refere às atividades experimentais no ensino de Física. Posteriormente, embasados nestes artigos desenvolvemos uma atividade experimental demonstrativa em uma turma do 1º ano do ensino médio de uma escola pública de Curitiba utilizando material de baixo custo. Através do experimento foi possível trabalhar a conservação de energia mecânica, explorando os conceitos de energia potencial e energia cinética e ainda, a conservação do momento linear. Avaliamos os resultados finais mediante discussão com os alunos e o uso de um roteiro contendo questões relacionadas à atividade experimental. Quanto aos resultados da utilização do experimento demonstrativo em sala de aula, ficou claro o caráter motivacional dessa atividade, bem como o incentivo à autonomia e o desenvolvimento de uma postura ativa dos alunos. Também foi possível perceber que os alunos conseguiram entender o conceito de energia mecânica, sendo capazes de avaliar a relação de energia potencial e energia cinética em outras situações a partir do experimento utilizado. Referindose à revisão bibliográfica feita inicialmente e com intuito de fundamentar nossa atividade em sala de aula, percebemos que as temáticas da área de física, com enfoque experimental, menos pesquisadas são a Física Moderna e a Matemática da Física.
Palavras-chave : Ensino de Física, atividades experimentais, Ensino Médio.
## Introdução
Frequentemente os professores de Ciências e especialmente de Física ressaltam a importância da utilização de experimentos, vídeos, softwares e outros recursos em aulas de física, mas poucos são aqueles que colocam isso em prática. Normalmente os professores relatam falta de tempo, de material ou mesmo desinteresse dos alunos. Como resultado dessa situação temos alunos numa atitude passiva esperando que o professor entre em sala de aula e transmita o conhecimento, e outros, desmotivados por verificar que a Física estudada pouco, ou nada, tem a ver com o cotidiano próximo.
Em contra partida, várias pesquisas (HODSON, 1988; GASPAR & MONTEIRO, 2004; VIEIRA & VIEIRA, 2005) que envolvem propostas didáticas e discussões sobre a importância da utilização de atividades experimentais no ensino são desenvolvidas e divulgadas em revistas e eventos. Assim, podemos questionar
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porque essas propostas não chegam até a sala de aula ou, se chegam, porque ocorre em número reduzido?
Então, nossa pesquisa é desenvolvida com intuito de conhecer os trabalhos realizados sobre atividades experimentais no ensino de Física e também desenvolver uma atividade em sala de aula de uma escola pública para entendermos as condições necessárias para utilização dessa ferramenta no ensino de Física.
Nosso trabalho com atividades experimentais no ensino de Física baseia-se na crença de que devemos buscar a participação dos alunos no processo de ensinoaprendizagem e incentivá-los a construir um conhecimento, assumindo uma postura mais ativa. Acreditamos que os experimentos, demonstrativos ou não, podem facilitar o entendimento de conceitos físicos e ainda, despertar o interesse e a motivação dos estudantes, mediante questionamentos e desafiando-os a encontrar uma explicação para o fenômeno estudado.
## Revisão de Literatura
Nossa proposta didática busca principalmente a participação dos estudantes nas atividades realizadas em sala de aula. Dessa forma, optamos pela atividade experimental por crermos que ela pode aliar o melhor entendimento de um conceito físico com o envolvimento dos alunos no processo de ensino-aprendizagem. Assim, acreditamos ser relevante considerar as interações entre aluno-aluno, alunoprofessor e aluno-conhecimento dentro do ambiente da sala de aula para que possamos atingir um resultado satisfatório em nossas atividades.
Dessa forma justificamos a utilização de atividades experimentais pela possibilidade de ocorrência ou intensificação da interação social entre os alunos e dos alunos com o professor, bem como da possível existência da relação entre o experimento demonstrativo e uma situação cotidiana do aluno. Através das atividades experimentais e da discussão passível através destas, os alunos podem elaborar hipóteses, contrapor ideias, desenvolver a capacidade de observação e reflexão e assim, construir o conhecimento com auxílio do professor e dos demais colegas (FERREIRA apud GASPAR, MONTEIRO, 2004). Dentre as atividades experimentais optamos por trabalhar com experimentos demonstrativos, pois consideramos que alguns fatores favoreciam essa utilização: a possibilidade de ser realizada com um único equipamento para todos os alunos, sem a necessidade de uma sala de laboratório específica (HODSON, 1988); a possibilidade de ser utilizada em meio à apresentação teórica, sem quebra de continuidade da abordagem conceitual que está sendo trabalhada e a possível motivação ou interesse que desperta nos estudantes.
Para desenvolver nossas atividades em sala objetivando a participação dos alunos e utilizando como ferramenta às atividades experimentais demonstrativas, precisamos ainda, relevar os conhecimentos trazidos pelo aluno provenientes da sua interação com o meio social. Esses conhecimentos também referidos como concepções prévias ou ideias alternativas estão presentes em todos os estudantes independentemente da idade. Essas concepções quando reconhecidas e trabalhadas corretamente podem servir de apoio para que os novos conceitos introduzidos tornem-se significativos para os alunos. Nesse contexto fala-se frequentemente em 'mudança conceitual' e pode-se pensar em uma sequência de
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etapas pré-estabelecidas que passa pelo conhecimento das concepções prévias e conflito dessas com o conhecimento científico (MORTIMER, 1996). Nossa proposta envolve o conhecimento trazido pelo estudante da sua interação com o meio social, porém não esperamos que estes abandonem esse conhecimento e substituam pelo conhecimento científico, mas que através do processo de ensino-aprendizagem os alunos sejam capazes de reconhecer em que situações usar um ou o outro conhecimento.
## Segundo Mortimer (1996, p.24)
aprender ciências envolve a iniciação dos estudantes em uma nova maneira de pensar e explicar o mundo natural, que é fundamentalmente diferente daquelas disponíveis no senso-comum. Aprender ciências envolve um processo de socialização das práticas da comunidade científica e de suas formas particulares de pensar e de ver o mundo, em última análise, um processo de "enculturação". Sem as representações simbólicas próprias da cultura científica, o estudante muitas vezes se mostra incapaz de perceber, nos fenômenos, aquilo que o professor deseja que ele perceba.
Assim, acreditamos ser fundamental aproximar o pensamento do aluno ao conhecimento científico que desejamos introduzir, não considerando que estes sejam semelhantes ou equivalentes, mas atribuindo importância ao conhecimento trazido pelo aluno. Observando essas considerações, os conhecimentos espontâneos serviram de base para discussão em todas as etapas de nosso trabalho em sala de aula. Nesse aspecto, as atividades experimentais demonstrativas mostram-se eficazes, pois possibilitam a interação entre os conceitos científicos e espontâneos podendo reforçar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes (GASPAR, MONTEIRO, 2OO4).
## Metodologia e desenvolvimento
Para a realização desta pesquisa foi adotada uma metodologia qualitativa (BOGDAN &BIKLEN, 1994). Salientamos que esta escolha ocorreu devido ao fato de que a mesma pode nos possibilitar um contato direto com os envolvidos no processo, proporcionando, assim, uma análise da observação da participação dos mesmos.
A constituição dos dados foi desenvolvida durante o segundo semestre do ano letivo de 2009, junto a uma turma de primeiro ano de ensino médio de uma Escola da Rede Pública do Estado do Paraná.
Durante todo o processo foram utilizadas diversas técnicas de pesquisa qualitativa, tais como a observação direta, registro das aulas, questionário e ainda o uso de um roteiro avaliativo que acompanhou a atividade experimental desenvolvida. A utilização destes diferentes instrumentos constituiu-se numa maneira de obtenção de dados diversificada, a qual possibilitou a confrontação das informações. Os dados foram recolhidos em situações de sala de aula.
Anteriormente a fase de observação da turma em sala de aula para a constituição dos dados, foi realizada uma revisão bibliográfica nas atas do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e no Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) sobre a utilização de atividades experimentais no ensino de Física, entre os anos de 2002 e 2007. Escolhemos esses dois eventos, o SNEF e o EPEF, por representarem os principais eventos na área de ensino de Física e por estarem relacionados à Sociedade Brasileira de Física. A revisão não discriminou os tipos de
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atividades realizadas e nem o nível de formação dos estudantes envolvidos (ensino fundamental, médio ou superior). Nosso objetivo principal foi conhecer em quais áreas da Física é desenvolvido o maior número de propostas de atividades experimentais e quais discussões mais perpetuam os trabalhos nessa temática. Após o levantamento dos artigos foi feita uma classificação com base nos assuntos e temas tratados.
Baseando-nos na revisão bibliográfica sobre as atividades experimentais, planejamos e desenvolvemos uma atividade em sala de aula numa turma de 1º ano do ensino médio sobre o tópico conservação da energia mecânica e momento linear. A turma de Física em que esta pesquisa foi realizada continha, em média, dezessete alunos, entre dezesseis e vinte e dois anos e estava inserida em uma escola da rede pública estadual de Curitiba. A escola não possuía laboratório equipado para atividades experimentais e apresentava baixo rendimento dos alunos, bem como grande índice de evasão.
Nessa etapa, nossas atividades compreenderam utilização de um experimento demonstrativo em consonância com aulas expositivas e utilização de outros recursos didáticos. A aula relacionada à utilização do experimento demonstrativo de baixo custo foi desenvolvida em outubro de 2009 e possuía como objetivo estudar a conservação da energia mecânica e do momento linear. Para isso foram usados um pêndulo simples e o chamado 'Pêndulo de Newton' (fig. 1). Para compor os instrumentos de avaliação da nossa pesquisa, os alunos receberam um roteiro avaliativo, elaborado a partir de discussões a respeito de roteiro abertos (GODINHO & TERRAZZAN, 2003; HERNANDES, et all, 2002), contendo duas questões que explorava o entendimento deles em relação às demonstrações (anexo1). Enquanto observavam os fenômenos e o movimento descrito pelos pêndulos, os alunos eram questionados e incentivados a formular hipóteses para explicar o que estava ocorrendo.
Para análise dos resultados finais referentes ao aprendizado dos alunos consideramos também uma discussão ocorrida numa aula seguinte onde cada aluno pôde relatar sua percepção do experimento e tentar explicar o fenômeno observado.
Figura 01: Pêndulo de Newton
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## Resultados e discussão
Nas atas dos eventos mencionados anteriormente foram selecionados trinta e um artigos e classificados inicialmente em quatro grandes grupos, sendo que um mesmo artigo pode estar em grupos diferentes simultaneamente. Grupo 1: temas específicos, grupo 2: discussões, grupo 3: proposta de material didático e grupo 4:
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atividades realizadas. O grupo 1: 'Temas Específicos' foi subdividido em oito partes de acordo com a área da física apresentada: mecânica clássica, eletricidade e magnetismo, física térmica, óptica, hidrostática e hidrodinâmica, física moderna, matemática da física e física ondulatória. No grupo 2 incluímos trabalhos que refletem sobre importância, motivação entre outros aspectos favoráveis ou não ao trabalho com experimentos no ensino. No grupo 3 abordamos sugestões de experimentos, bem como melhorias e metodologias de aulas experimentais. E, no grupo 4 estão os trabalhos que descrevem atividades usadas como subsídio para pesquisa tanto em Ensino Básico como Superior. Dos trabalhos pesquisados:
- 35% utilizavam o relato de atividades realizadas com alunos em diferentes níveis escolares, ou seja, baseiam-se diretamente em experimentos desenvolvidos junto aos alunos para fundamentar discussões sobre a importância ou a forma de desenvolvimento desse tipo de atividade. Alguns destaques trazidos por esses artigos referem-se à necessidade de utilização de roteiros previamente elaborados pelo professor com uma estrutura aberta, que promova uma postura mais ativa dos estudantes e a possibilidade de, a partir dos experimentos, relacionar a Física estudada na escola com as situações vividas no dia-a-dia (GODINHO & TERRAZAN, 2003).
- 31% abordaram temas específicos da Física, sendo a grande maioria dos trabalhos relacionados à Óptica e poucos à Física Moderna. Acreditamos que esse resultado esteja relacionado à disponibilidade de material necessário para o desenvolvimento de atividades experimentais. Parece-nos fácil imaginar experimentos possíveis com baixo custo e simples montagem dentro do tema da Óptica. Talvez também pudéssemos, com um pouco mais de esforço, explorar as outras áreas da Física, porém torna-se um trabalho mais árduo elaborar propostas de atividades experimentais simples envolvendo conceitos de Física Moderna. Acreditamos que a maior dificuldade em encontrar materiais e o maior custo desses é que promovam uma menor participação da Física Moderna em experimentos de Física. No gráfico abaixo apresentamos a classificação relativa aos temas específicos de física (Grupo 1) utilizados em atividades experimentais.
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Figura 02: Conteúdos de Física abordados nos artigos
- 25% dos artigos selecionados faziam sugestões e apresentavam propostas de atividades experimentais para o ensino de Física. Esses trabalhos abordavam, na maioria das vezes, propostas de experimentos que utilizam materiais de baixo custo na tentativa de vencer um dos principais problemas de grande parte dos professores, a falta de recursos materiais e financeiros. Também, alguns dos
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trabalhos selecionados aliavam atividades experimentais e o uso de outros recursos como applets e softwares (AGUIAR & CASTRO, 2007).
- - 9% dos artigos abordavam discussões sobre a relevância da utilização dessas atividades no ensino. Apesar da maioria dos trabalhos consultados apresentarem alguma justificativa para a realização de atividades experimentais baseando-se na importância destas para o ensino-aprendizado em Física, alguns trabalhos preocupavam-se em defender essas atividades com base em teorias mais elaboradas como, por exemplo, a teoria sociocultural de Vigotski (GASPAR & MONTEIRO, 2004).
Destacamos, também, outras questões interessantes referentes à utilização de experimentos e ao ensino de Física e que foram ressaltadas nos trabalhos consultados. A primeira delas diz respeito ao uso de experimentos demonstrativos no ensino de Física com intuito de vencer as dificuldades encontradas em algumas escolas com relação à falta de espaço e de material para realização do experimento pelos próprios alunos. Dessa forma, o experimento demonstrativo pode ser utilizado, por exemplo, para promover a discussão entre os alunos, a partir da observação qualitativa de um fenômeno. Outra questão importante destacada por alguns artigos é a necessidade de considerar os conhecimentos prévios ou concepções alternativas dos alunos no ensino-aprendizagem de Física e assim também, quando se utilizam atividades experimentais. O último fator a destacar e que esteve presente em alguns trabalhos foi a atividade experimental com uso de roteiro aberto com intuito de privilegiar a reflexão dos alunos sobre suas próprias ações (GODINHO & TERRAZZAN, 2003; HERNANDES, et all, 2002).
Essa primeira pesquisa realizada nos trabalhos do EPEF e do SNEF foi fundamental para o desenvolvimento da etapa posterior de nosso trabalho, em sala de aula, pois promoveu um maior entendimento de diferentes aspectos da atividade experimental. Foi possível conhecer e entender as justificativas para utilização dessa ferramenta, as dificuldades que poderiam ser enfrentadas na escola, bem como a escolha do experimento demonstrativo a ser utilizado e a elaboração do roteiro aberto para avaliação da atividade.
Referente à segunda etapa do nosso trabalho na qual desenvolvemos atividades em sala de aula, a partir do roteiro avaliativo utilizado foi possível avaliar o aprendizado dos alunos em relação ao conteúdo trabalhado com os experimentos demonstrativos. Inicialmente, quando instigados a participar da aula buscando formular hipóteses e teorias para explicar o movimento descrito pelo pêndulo, os alunos mostraram-se um pouco incomodados. Porém, passado o primeiro momento de surpresa e certa resistência, demonstraram motivação e muitos estudantes buscavam descrever o que estavam observando e questionavam a causa do fenômeno.
Muitos alunos tiveram grande dificuldade em transcrever suas hipóteses para o roteiro avaliativo, mesmo que oralmente conseguissem formular alguma opinião a respeito. Então percebemos a necessidade de discutir, em outra aula, os aspectos relevantes naquele conteúdo e buscar promover um maior entendimento dos conceitos envolvidos. Para essa discussão, os alunos foram incentivados a explicar o que haviam observado através do experimento demonstrativo e responder a seguinte pergunta: 'Por que isso ocorre?'
Passada já a fase inicial de estranheza da metodologia envolvida na aula, os discentes participaram dessa discussão naturalmente, formulando hipóteses,
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utilizando exemplos e refletindo sob possíveis explicações. Nós buscamos apenas mediar a discussão, sem dar respostas prontas ou mesmo dizer se algo estava certo ou errado. Aos poucos os estudantes foram compreendendo intuitivamente o conceito de energia, bem como suas variações (cinética e potencial) e o princípio de conservação da energia mecânica. . Alguns alunos utilizavam a palavra 'força' para expressar intensidade dizendo que a 'energia tinha maior força' em determinado momento. Dois alunos citaram que o fenômeno observado no pêndulo simples poderia ser associado ao movimento de um skatista numa rampa, fazendo a relação entre o fenômeno físico estudado ao seu cotidiano. A citação, transcrita integralmente e obtida através da questão 1 do roteiro, evidencia esse aspecto.
A4: Quando a bolinha do pêndulo tá em cima ele tem energia potencial que se transforma em energia sinetica. Quando o fio tá no meio a bolinha tem a velocidade mais alta. Eu posso associar isso no movimento das manobras dos skeitistas. Quando eles estão em baixo na rampa eles tem muita velocidade. Quando estão lá em cima eles dão uma parada e a energia potencial é maior.
Para o princípio de conservação do momento linear total, os alunos apresentaram um pouco mais de dificuldade. Alguns não conseguiam assimilar o que era fisicamente o momento linear confundindo-o, em alguns casos, com a força peso, mas referiam-se a uma grandeza que deveria ser conservada. Isso pode ser evidenciado através da escrita de alguns alunos referindo-se ao Pêndulo de Newton, na questão 2 do roteiro avaliativo:
A1: Eu acho que a bolinha empurra a segunda que empurra a outra. Então quando solta três bolinhas tem que sair três bolinhas do outro lado porque o peso tem que ser o mesmo.
A2: Como o peso deve ser igual e as esferas tem mesma massa, então o mesmo número de esferas tem que se mover do outro lado. Por exemplo, se eu solto uma esfera na esquerda, uma esfera se mexe do outro lado.
Além do conhecimento específico relacionado ao conteúdo trabalhado, mediante essa dinâmica de discussão os alunos desenvolveram uma maior capacidade de pensamento crítico, avaliado a partir das afirmações feitas e da discussão ocorrida entre os próprios alunos. Também demonstravam maior autoconfiança para tentar encontrar respostas viáveis às observações realizadas e autonomia na busca pelo desenvolvimento de conhecimento.
Nesse sentido acreditamos que as relações estabelecidas em sala de aula são de fundamental importância. Percebemos que os estudantes sentiam-se valorizados quando questionados sobre suas opiniões e motivados a discutir com os outros colegas ou mesmo em prestar auxílio uns aos outros. A relação professoraluno precisou se estabelecer de forma a mostrar que o professor não é detentor do saber, mas que está ali para auxiliar na construção do conhecimento.
Então, buscando uma postura ativa nos alunos, percebemos também ser importante uma postura diferenciada do professor. É preciso que este abandone a prática de considerar o aluno como 'vazio' de conhecimento válido e busque desenvolver atividades que propiciem um envolvimento de todos em sala de aula. Essa proposta de uma aula de física que utiliza experimentos requer a elaboração do material de apoio como roteiros avaliativos e o planejamento e construção do experimento. Assim, reconhecemos que essa prática necessita de tempo que muitas vezes o professor não dispõe, bem como de material para construção do experimento que em determinadas circunstância a escola também não possui. Além
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dessas dificuldades primeiras que o professor enfrenta ao propor uma atividade experimental na aula de Física, o docente também precisa de um aprofundamento no conhecimento específico de Física para suprir os questionamentos dos alunos surgidos durante a demonstração em sala de aula. Essa busca por uma compreensão mais consistente dos fenômenos físicos, o planejamento e elaboração dos instrumentos necessários para a utilização de um experimento na aula de Física exige do professor um empenho e tempo extraclasse que, muitas vezes, o professor não está disposto a dedicar. Em nossa pesquisa na escola, esses fatores foram apontados pelo professor responsável pela disciplina de Física e devem ser considerados na elaboração de propostas de atividades em sala de aula, no âmbito do ensino de Física.
Outro fator importante a considerar em nossa pesquisa foi a escolha dos experimentos envolvendo a conservação da energia mecânica e a conservação do momento linear total. O tema 'Mecânica Clássica' foi apontado em nossa revisão dos artigos dos eventos como um tema de ocorrência intermediário, ou seja, existe um número razoável de trabalhos (ver gráfico da figura 2) que abordam essa discussão. Porém, percebemos no relato do professor titular da disciplina de física da escola escolhida para desenvolvimento da pesquisa que, a conservação da energia mecânica e a conservação do momento linear total eram assuntos pouco trabalhados devido à dificuldade de compreensão dos alunos. Assim, optamos por essa temática por representar um desafio a nossa proposta de pesquisa.
## Conclusão
Acreditamos que o tipo de trabalho realizado com os alunos do 1º ano é de extrema importância, primeiramente por ter a possibilidade de demonstrar que a física não é uma ciência que só envolve cálculos e substituição de valores em variáveis como parte dos estudantes do ensino médio acredita. Pode-se transmitir aos estudantes, através da utilização dos experimentos demonstrativos, a idéia de que é preciso compreender o fenômeno que ocorre e tentar explicar isso através de uma teoria bem fundamentada. Não queremos distanciar os alunos dos cálculos, mas mostrar-lhes que a Física é mais ampla do que isso.
Ainda, acreditamos que os experimentos demonstrativos podem ser facilitadores para o objetivo de envolvimento dos alunos com o processo de ensinoaprendizagem. Essas atividades favorecem a discussão, motivando os estudantes a participarem ativamente para o desenvolvimento do conhecimento e em grupo, auxiliados pelo professor, superarem dificuldades. Nesse sentido, foi também importante considerarmos os conhecimentos prévios dos alunos, expostos através de discussões e questionamentos durante e posterior à demonstração experimental, pois os estudantes perceberam-se participantes e valorizados naquele processo que ocorria em sala de aula. Ainda nesse aspecto, a não utilização dos conflitos entre os conhecimentos científicos e prévios foi fundamental para os estudantes não correrem o risco de perderem sua autoconfiança (MORTIMER, 2000), que também constituía um ponto importante do nosso trabalho.
No sentido de superar dificuldades e elaborar atividades que seriam realmente significativas para os alunos foi essencial o estudo anterior realizado nos trabalhos publicados no SNEF e no EPEF. Esse estudo nos possibilitou uma maior reflexão e entendimento sobre as atividades experimentais, bem como conhecer as principais questões discutidas e algumas propostas que fundamentam essas
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discussões. Também foi possível percebermos que as propostas de atividades experimentais estão diretamente ligadas à obtenção de materiais para elaboração dessas práticas. Daí, possivelmente, uma menor ocorrência de propostas de experimentos relacionadas à Física Moderna. Ainda que existam trabalhos nessa área, ainda são minoria quando comparados a outras áreas como Óptica, por exemplo. Também, nossa pesquisa, ainda que parcial, possibilitou uma melhor compreensão do que está sendo desenvolvido com relação a atividades experimentais e nos leva a acreditar que seria interessante que pesquisas semelhantes fossem desenvolvidas.
Sabemos que muitas escolas não dispõem de lugar e material específico para atividades experimentais, mas apresentamos as atividades propostas nesse trabalho como exemplo de recurso que pode ser utilizado em sala de aula e possui baixo custo para desenvolvimento. Ainda que necessite de empenho e dedicação do professor para construir os instrumentos necessários, acreditamos na validade dos resultados obtidos para uma melhor formação dos alunos.
Em suma, queremos ressaltar os resultados positivos alcançados com os experimentos demonstrativos usados como subsídio para o ensino de Física. Para nós, é imprescindível trabalhar com recursos diferentes junto aos alunos do ensino médio com intuito de mostrar-lhes uma visão mais ampla da Física, menos matemática. Também, faz-se necessário buscar meios de incentivar os alunos a participar das aulas, ter um pensamento crítico, discutir e tentar formular explicações para o mundo que observam.
## Referências
AGUIAR, M. S., CASTRO, R. M. Atividades Experimentais e Novas Tecnologias nas Disciplinas de Física no Ensino Médio. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 17., 2007, São Luiz - MA. ATAS ... São Luiz - MA, SNEF, 2007.
BOGDAN, R; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em Educação: uma introdução à teoria e aos métodos . Porto: Porto Editora, 1994.
GASPAR, A.; MONTEIRO, I. C. C. Atividades Experimentais de Demonstração em Sala de Aula: Orientações e Justificativas a partir da Teoria de Vigotsky. In: IX EPEF, 2004.
GODINHO, T. C., TERRAZZAN, E. A. Experiência no Uso de Atividades Experimentais com Roteiro Aberto em Aulas de Física. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 15., 2003, Curitiba - PR. ATAS ... Curitiba: CEFET - PR, SNEF, 2003.
HERNANDES, C. L.; CLEMENT, L.; TERRAZZAN, E. A. Uma Atividade Experimental de Roteiro Aberto Partindo de Situações do Cotidiano . In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA. 8.,2002, Águas de Lindóia São Paulo. ATAS ... Águas de Lindóia: EPEF, 2002.
HODSON, D. Experimentos na Ciência e no Ensino de Ciência. Educational Philosophy and Theory , v. 20, p. 53 - 66, 1988.
MORTIMER, E. F. Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: para onde vamos? Investigação e Ensino de Ciências , v.1, n. 1, p.20-39, 1996.
MORTIMER, E. F. Linguagem e Formação de Conceitos no Ensino de Ciências . Editora UFMG, Belo Horizonte, 2000.
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VIEIRA, R. M.; VIEIRA, C. T. O trabalho laboratorial na educação em ciências do ensino básico na perspectiva da promoção do pensamento crítico. Enseñanza de las Ciencias , numero extra, VII Congresso, 2005.
Anexo 1: Roteiro avaliativo utilizado juntamente com os experimentos demonstrativos do pêndulo simples e Pêndulo de Newton.
Roteiro avaliativo - Física
Nome: Data:
- 1) Faça um esquema e descreva o pêndulo simples. Explique com suas palavras o fenômeno observado e a relação de energias no movimento descrito. Você pode associar essa relação a algum fato observado no seu dia-a-dia?
- 2) Como você explica o movimento das esferas no Pêndulo de Newton?
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.