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O ENSINO DE FÍSICA : UM ESTUDO SOBRE O ENSINO DE FÍSICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE BELÉM-PA

Larissa Maciel Do Nascimento, ²Taynná Nayara Barreiros Arrais, ³Altem Nascimento Pontes.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA: UM ESTUDO SOBRE O ENSINO DE FÍSICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE BELÉM-PA

## Larissa Maciel do Nascimento , Taynná Nayara Barreiros Arrais , Altem 1 2 Nascimento Pontes 3

- 1 Universidade do Estado do Pará/Centro de Ciências Sociais e Educação, nitassimaciel@bol.com

## Resumo

A ciência, a tecnologia e a inovação (CT&I) constituem um tripé que alavanca o desenvolvimento do mundo contemporâneo, fazendo com que a sociedade atual passe por um processo intenso de mudanças e avanços. Inseridos nesse contexto, os educadores tornam-se cada vez mais preocupados em inovar com metodologias e práticas que se enquadrem aos padrões da nova era. A 'escola de nossos avós' está cada vez mais fora de moda. O aluno, que antes era visto como sujeito passivo, a procura de conhecimentos que só poderiam lhes ser dados pelo professor, agora carrega consigo um arcabouço de informações proporcionadas por esses novos paradigmas do mundo contemporâneo. Assim sendo, o profissional da educação deve buscar cada vez mais inovações no seu campo de trabalho, a fim de que seus objetivos primeiros sejam alcançados de forma plena por meio dos conteúdos que lhe são cabíveis. Muito mais dificultoso é o papel do professor de física, pois além enfrentar as dificuldades que são inerentes ao seu ofício de lecionar, tem também que enfrentar as dificuldades culturais acarretadas a uma disciplina de pouca aceitabilidade por parte dos alunos. Já na década de 80, Gadotti (1986) comprovava que os alunos perdiam o interesse diante de disciplinas que nada tem a ver com sua realidade. Visualizando esses aspectos, empreendemos este estudo com vista observar algumas problemáticas que venham a interferir na construção do conhecimento, e isto perpassa desde o uso de recursos que programem as aulas, até a própria questão da motivação de alunos e professores em relação aos conteúdos de física. O estudo foi realizado em 29 escolas públicas de nível médio da cidade de Belém(PA) e com os resultados pudemos identificar problemas e discutir a inter-relações entre os diversos aspectos investigados e suas consequências para o ensino de física.

Palavras-chave : Física, Educação, relação de ensino.

## Introdução

A sociedade atual passa por um processo progressivo e acelerado, no qual é cada vez mais necessária a geração e incorporação de inovações. No entanto, observamos que este processo não aconteceria sem que o favorecimento de avanços científicos e tecnológicos. Segundo Staub (2001), a ciência faz parte do desenvolvimento tecnológico e com as novas tecnologias observamos que o

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processo de inovação é cada vez mais denso de conhecimento científico. Logo, as CT&I's (ciências, tecnologias e inovação) convivem em uma relação de interdependência e constituem assim o tripé do desenvolvimento da sociedade contemporânea.

Inserida nessa realidade, a educação vivencia um novo tempo, no qual se torna mais intensa a preocupação com metodologias e práticas que se enquadrem aos padrões globalizados .

A 'escola de nossos avós', refere-se a forma antiga de ensino que priorizava uma forma ditatória de ensino, primitiva nas suas ações e antiquada no que diz respeito a inovação. Esse cenário mudou, mas ainda precisa de mais inovação.

Assim, parece que se pode afirmar que a globalização determinou, em tempos que nos são muito próximos, uma inversão no fluxo do conhecimento. Se antes, o sentido era da escola para a comunidade, hoje é o mundo exterior que invade a escola. Assim, a escola pode não ter mudado; entretanto, pode-se afirmar que ela foi mudada. E talvez não dissesse isso há dez anos.

O que temos então é um cenário no qual professor e aluno devem ser agentes do processo educacional, favorecidos pela ação mútua de ensino e aprendizagem. Neste mesmo cenário, a inserção de metodologias, didáticas e recursos tornam o conhecimento mais atraente e próximo do cotidiano de professores e alunos.

Contudo, este quadro descrito trata-se de um padrão atual que deveria ser uma realidade em todas as escolas brasileiras. Mas, infelizmente, o que prevalece é a permanência de um modelo educacional arcaico e desmotivador, no qual se desconsidera os conhecimentos prévios que o aluno trás para escola, seu nível cognitivo e sua formação cultural, além da necessidade de acesso a uma formação mais atualizada e inovadora. O resultado é a perda de interesse pelo aprendizado, repúdio às disciplinas e, em casos mais graves, evasão escolar.

Já na década de 80, Gadotti (1986), comprovava que os alunos costumavam perder o interesse diante de disciplinas que, na visão deles, nada tinham a ver com suas preocupações pessoais. Neste caso, a forma mecânica como as disciplinas das ciências foram desenvolvidas nas escolas, fez com que o aluno as considerasse como um entrave na aprovação escolar e em vestibulares, fator comprovado pelo baixo rendimento e alto índice de reprovação na escola e em processos de seleção universitária (SOUZA e SANTOS, 2007).

As ciências naturais fazem parte deste contexto de repúdio, e quando falamos de desmotivação, perda de interesse e dificuldades de aprendizado, podemos citar a disciplina física como uma das principais vilãs as salas de aulas.

Mas como explicar tanta dificuldade na disciplina que deveria ter o melhor nível de aproveitamento? Afinal, a física, assim como as ciências no geral, é a disciplina de mais fácil contextualização (pois seus fenômenos têm a ver com as ações vivenciadas no cotidiano) e que poderia despertar um maior interesse dos alunos (pois nada mais interessante do que entender os fenômenos do mundo onde se vive).

Exatamente por observar essas inconformidades, que resolvemos investigar a situação em que se encontra o ensino de física no ensino médio de escolas públicas da cidade de Belém. Este estudo se justifica pela busca de possíveis respostas para as problemáticas da crise na educação e caracterização da forma como vem sendo desenvolvido o processo educacional nessas mesmas escolas. Esta iniciativa buscou promover uma troca de conhecimento entre a Universidade e a comunidade local. Além disso, nosso principal objetivo foi promover a inclusão

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social de alunos da rede pública de ensino, buscando respostas para a solução, ou mesmo mitigação das problemáticas identificadas.

Com relação às novas metodologias, o cenário atual nos mostra que essas mudanças precisam se feitas para que o ensino de física sofra mudanças significativas. Para melhorar este sistema, novas influencias e didáticas como inserção de práticas pedagógicas que interdisciplinarizando os conteúdos possam vivenciar novas situações a estes alunos.

## O ensino das ciências no Brasil

Antes de elucidar os resultados obtidos por meio deste estudo, vamos entender como se deu o processo de inserção do ensino das ciências na educação brasileira.

Somente na década de 30 do século passado, as ciências naturais foram inseridas nas instituições brasileiras de educação superior. A forma de pensar os profissionais como meros reprodutores daquilo que estava sendo produzido no período entre guerras, estava dando espaço a uma inevitável renovação no ensino ocorrida por um movimento liderado pela Academia Brasileira de Ciências e pela Associação Brasileira de Educação. Apesar das resistências dos positivistas da época, essas duas organizações participaram da criação de inúmeras instituições de ensino superior no país. Estas tinham como principal objetivo a formação de profissionais pesquisadores que impulsionassem a construção de um saber puro e completo, ou seja, a formação de profissionais capazes de reproduzir e, principalmente, produzir conhecimento, por meio de pesquisas desenvolvidas no próprio país. Com isso podemos perceber em Dantes (1988) que:

As novas faculdades de ciências procuraram aliar o ensino à pesquisa, tornando-se assim, centros formadores de pesquisadores. Em algumas áreas como a física, já nos primeiros anos formaram-se pesquisadores que alcançaram renome internacional, como Mário Shemberg, Marcelo Damy ou José Leite Lopes (formados em São Paulo) e César Lattes ou Jayme Tiomno (no Rio de Janeiro). Outra área de ciência básica que praticamente se iniciou com as universidades de São Paulo destacou-se como o grande centro formador de pesquisadores, tendo-se destacados nas primeiras turmas os químicos Simão Mathias e Walter Mors.

Com o desenvolvimento econômico e tecnológico e suas amplas e significativas conseqüências passou-se a levar em conta a importância da ciência para o desenvolvimento da tecnologia, e desta na educação e na qualidade de vida de toda a sociedade. Logo, o ensino das ciências tornou-se cada vez mais necessário no currículo dos estudantes brasileiros, o que o fez expandir à educação básica. Não muito diferente da educação superior, o objetivo principal para a inserção da biologia, física, matemática e química nas escolas secundárias brasileiras era a formação de investigadores científicos que alimentariam e impulsionariam o processo de industrialização pelo qual o país passava.

De acordo com esses fatores, podemos compreender um pouco da evolução e a importância imediata dada ao ensino das ciências naturais em uma sociedade. Mais ainda quando no decorrer das décadas essa ciência passa a ter um maior destaque em termos de evolução tecnológica. Exatamente por isso, segundo Moreira (2000), o ensino de física no ensino médio deve enfocar desde as contribuições da física para o cotidiano até a história e filosofia da ciência, bem como a física contemporânea e as novas tecnologias. No entanto, para este mesmo

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autor, julga-se um erro ensinar a física sob um único enfoque, por mais que este seja mais atraente e moderno.

## Materiais e Métodos

Para a realização deste estudo, empreendemos uma pesquisa com vistas levantar dados que permitiram diagnosticar as principais tendências no processo ensino-aprendizagem de física. O universo dessa pesquisa consistiu de oitenta e sete (87) alunos das três séries do ensino médio e vinte e nove (29) professores da disciplina Física de escolas públicas de ensino médio, pertencentes às 15 unidades de ensino da Secretaria Executiva de Educação do estado do Pará (SEDUC-PA), no município de Belém. O critério para a seleção da amostra foi de acordo com a distribuição das escolas, segundo o planejamento da SEDUC. Portanto em cada unidade foram eleitas pelo menos 50% de escolas de ensino médio, as quais estão distribuídas nos mais diversos bairros de Belém.

A técnica utilizada na coleta de dados foi uma entrevista padronizada, pois necessitávamos obter resultados uniformes com o grupo de entrevistados, a fim de comparar os pontos de vistas entre professores e alunos das diferentes séries. O recurso utilizado como instrumento de pesquisa foi um formulário, sendo um aplicado ao professor e outro aplicado ao aluno. Os formulários eram constituídos de perguntas de cunho sócio-econômico e de possíveis problemáticas que gostaríamos de identificar. Por isso, vamos dar destaque a duas perguntas feitas aos professores, as quais estão relacionadas aos recursos materiais utilizados nas aulas de física e ao uso de experimentação como parte integrante ao que foi ministrado. Das perguntas feitas aos alunos, destacamos o tema contextualização e níveis de dificuldades. Faremos também a análise de uma pergunta feita tanto a docentes quanto a discentes, esta se refere à motivação em ministrar e assistir as aulas de física.

No tratamento dos dados classificamos as informações e as organizamos no software Excel em forma de gráficos, isso nos proporcionou uma melhor análise e discussão dos resultados.

## Resultados e Discussões: Uma Investigação Diagnóstica

O presente trabalho consistiu de um diagnóstico bastante claro em relação à situação do ensino e aprendizagem da disciplina Física nas escolas públicas estaduais da cidade de Belém. Embora as percentagens aqui divulgadas sejam relativas somente à amostra pesquisada, os resultados permitiram identificar uma série de resposta para muitos problemas que atualmente afligem o sistema educacional e formular alguns questionamentos:

Será que as novas metodologias e didáticas de ensino estão sendo utilizadas de forma correta pelos professores? Será que estas estão sendo identificadas pelos alunos como parte do processo educacional? Será que o professor está realmente aproximando os conteúdos específicos a realidade do aluno? Ou será que a contextualização efetuada em sala de aula está longe d'aquela ansiada nos PCN's?

Essas e outras questões poderão ser discutidas em cada aspecto observado nas respostas dos formulários.

## Recursos didáticos

A respeito da utilização de recursos didáticos, perguntamos aos professores quais os tipos de recursos eram utilizados com mais freqüência em suas aulas. Das opções propostas, o maior índice foi a que continha o quadro e pincel/giz. Outro

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recurso, bastante comum nesta fase em que se tem uma maior preocupação com o vestibular, é a apostila. Verificamos que uma média de 62,0% dos professores utiliza apostilas e fichas de resumo.

Apesar de alguns considerarem o retroprojetor como um recurso já obsoleto, em algumas escolas, este é o único recurso disponível, além daqueles supracitados. Por isso, cerca de 10,3% dos professores utilizam retroprojetores em suas aulas.

Considerarmos também os recursos tecnológicos com maior destaque na sociedade atual. Por isso colocamos duas opções que continham computador e data show ; e aparelhos de DVD e TV . Tais recursos poderiam auxiliar no incremento àquilo que foi ministrado, pois percebemos que nos últimos anos há uma gama de vídeos, sites e outros documentos educativos que poderiam ser utilizados como instrumento motivador e atrativo para as aulas de física. Embora saibamos da existência desses materiais, a quantidade de professores que incrementam suas aulas com o uso de computadores, data show, aparelhos de TV e DVD, não chegam nem a metade. Vale lembrar que esta pesquisa teve como foco escolas públicas, muitos professores queixaram-se pela falta de recursos disponíveis em suas unidades de ensino. No entanto a regra não vale para todos, existem professores que mesmo com as dificuldades, procuram incrementar suas aulas com esses recursos. Por isso 24,1% utilizam aparelhos de TV e DVD , enquanto que computador e data show são utilizados por apenas 6,8% dos professores de física. Os resultados podem ser observados no gráfico 1.

Gráfico 1: Uso de recursos didáticos nas aulas de física.

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## Experimentação nas aulas de física

Perguntamos aos professores se eles adotavam o uso da experimentação (estes experimentos foram feitos de acordo com série, turma e conteúdo programático, não sendo um único experimento especifico) como complemento ao que foi abordado no conteúdo ministrado. Observamos no gráfico 2 que a maior parte dos professores declarou que ao menos algumas vezes utilizam a experimentação em suas aulas. No entanto, uma parte considerável (37,9%) declarou que nunca utiliza esse recurso. Alguns professores justificaram não fazer essas atividades porque as escolas não dispõem de laboratório para tal fim. Outros, afirmam que não fazem porque a carga horária da disciplina é pequena, quando comparada ao excesso de conteúdo teórico. E, finalmente, tem aqueles professores

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que mesmo dispondo de todas as condições para exercitarem as práticas no laboratório, não o fazem porque simplesmente não gostam de fazer experimentos.

Gráfico 2: Uso de experimentação nas aulas de física.

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É importante ressaltar que já na década de 70, iniciou-se um movimento próexperimentação liderado por pesquisadores educacionais, apontando para a importância de se inter-relacionar teoria e prática. Esse movimento deu início a um processo de resgate da prática da apresentação de demonstrações experimentais em ciências em sala de aula (GASPAR, 2005). A ausência de experimentação é uma crítica constantemente dirigida ao ensino das ciências nas escolas de níveis Fundamental e Médio, mesmo se tendo como argumento o pressuposto de que a experimentação contribui para uma melhor qualidade do ensino.

## Contextualização

Atualmente, o ensino das ciências tem seguido uma forte tendência à contextualização dos conteúdos. Isto faz com que os currículos sejam incorporados de aspectos sócio-científicos, tais como questões ambientais, políticas, econômicas, éticas, sociais e culturais relativas à ciência e a tecnologia. A proposta apresentada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais se opõe ao ensino tradicional caracterizado pela memorização de nomes, fórmulas e conhecimentos fragmentados (BRASIL, 2006). Ou seja, no ensino tradicional o aluno é obrigado a entender os conteúdos de forma isolada de seu cotidiano e de outras disciplinas. Assim, a contextualização surge com um aspecto que dará significado aos conteúdos. Portanto, perguntamos aos alunos das três séries do ensino médio se seus professores tinham o hábito de contextualizar os conteúdos da disciplina física levando em consideração a realidade local.

Gráfico 3: Contextualização dos conteúdos de física.

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Como podemos perceber no gráfico acima, 34,5% dos alunos identificam que seus professores de física sempre contextualizam os conteúdos abordados na disciplina. Os valores 21,8% e 27,6% correspondem às percentagens de alunos que identificam, respectivamente, que na maioria das vezes e algumas vezes os professores costumam contextualizar os conteúdos. 16,1% dos alunos declaram que não há contextualização, as aulas são ministradas sob uma ótica puramente técnica, desconsiderando toda uma bagagem cultural que o aluno pode vir a contribuir para a construção do conhecimento.

## Dificuldades

Quanto ao aprendizado das disciplinas das ciências da natureza, perguntamos aos alunos quais das três disciplinas - Biologia, Física e Química estes possuíam maior dificuldade. Sabemos através de relatos aleatórios, que as disciplinas das ciências da natureza são aquelas de maior rejeição por parte dos alunos, e que a física é uma das mais citadas. Com esta pergunta comprovamos esta afirmativa por meio do relato dos próprios alunos. O gráfico 4 representa que mais da metade dos alunos, 52,9%, consideram a Física como a disciplina mais difícil de se aprender. Logo, sendo a mais difícil, o aluno costuma já criar certas barreiras, com isso a dificuldade aumenta a tal ponto que muitos alunos já consideram impossível aprender os conteúdos de física.

Gráfico 4: Disciplinas de maior dificuldade.

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## Motivação

Por fim, investigamos como anda a questão sobre a motivação de alunos em professores a respeito da disciplina física. Sabemos que sem motivação, o ensino não ocorre e a aprendizagem torna-se uma conquista cada vez mais inalcançável. Quando falamos de motivação não estamos querendo delimitar capacidade intelectual, mas como diz Azevedo (2005), a motivação que é 'fabricada' no cérebro e é fundamental para nos levar em direção ao nosso objetivo. Neste nível de educação investigada, os principais objetivos, segundo os incisos do artigo 35 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), é a consolidação e aprofundamento dos conhecimentos; a preparação para o exercício do trabalho e da cidadania buscando a flexibilidade e o aperfeiçoamento; o aprimoramento do indivíduo como pessoa humana tornando-o ético e crítico e, por fim, a compreensão

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fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

Assim sendo, a motivação em ensinar e aprender os conteúdos de física não será despertada se não estiver claro o foco nesses objetivos. Ou mesmo, se este foco for substituído por objetivos menos ambiciosos como passar de uma série para outra ou a aprovação em processos seletivos de universidades.

O que observamos nos gráficos 5 e 6 é que os professores estão mais motivados em ensinar, do que os alunos em aprender. 44,8% dos professores declaram sempre estar motivados em ensinar os conteúdos de física. Apenas 6,9% declaram suas frustrações e dizem nunca sentir-se motivados. Em contrapartida, 32,2% dos alunos dizem sempre estar motivados para aprender os conteúdos da disciplina, mas 18,4% dizem nunca estarem motivados quando o assunto é física.

Gráfico 5: Motivação dos professores de física em ministrar suas aulas.Gráfico 6: Motivação dos alunos em aprender os conteúdos da disciplina física.

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Com isso, podemos considerar que este ultimo resultado referente a professores e alunos podem ser justificados nas perguntas anteriores. Se não há inovação nas

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didáticas, se não há interação entre conteúdos e a realidade, como pode haver motivação?

Por outro lado, sem motivação não haverá força de vontade para superar as barreiras encontradas na construção dos conhecimentos em física.

## Conclusões

Considera-se, atualmente, que o ensino de Física no Brasil se encontra distante da realidade dos alunos, por basear-se, na maioria das vezes, na transmissão do saber científico. Esse modelo de ensino obriga o aluno a receber informações prontas que, nem sempre, fazem parte do seu dia-a-dia, levando-o, assim, a desinteressar-se pelo conteúdo de ensino. Essa situação contribui para desestimular aprendizagem do aluno, por impossibilitar sua participação no processo educacional. Em contrapartida, o desestimulo afeta os professores, isto se estes já não estiverem desestimulados desde sua formação inicial. Para Melo (2000), uma proposta de ensino de ciências puramente acadêmica, que não leve em conta, além das necessidades e da realidade dos alunos, o seu interesse e curiosidade, não pode, sequer, ser considerada 'ensino de ciências'.

Discute-se, também, o papel da atividade experimental como recurso didático no ensino de física, afirmando a sua importância no desenvolvimento cognitivo, visando promover habilidades que somente o uso da técnica experimental pode aprofundar os níveis conceituais de fenômenos até então vistos somente por meio de fórmulas e modelos convencionados. Com relação a estas novas metodologias, as escolas e os docentes ainda não estão preparados para sucumbir estas necessidades. Baseados nesses pressupostos, concluímos que nas escolas investigadas, as metas ansiadas nos novos paradigmas da educação não estão longe de acontecer. Porém, poderão ser tornar mais distantes se não houver investimento na formação dos professores e na base estrutural das instituições de ensino, além de melhorias salariais e um olhar mais atento as questões da universalização científica. Se isso não acontecer, a disciplina física continuará sendo marginalizada pelos alunos, ou então, colocada em uma torre de marfim, na qual apenas as pessoas dotadas de capacidade intelectual superior poderão compreendê-la.

## Referências

STAUB, E. Desafios Estratégicos em Ciência, Tecnologia e Inovação. In: Parcerias Estratégicas. Ministério da Ciência e Tecnologia (Centro de Estudos Estratégicos). nº 13. Brasília, 2001.

CHASSOT, A . Alfabetização Científica: uma possibilidade para inclusão social. In: Revista Brasileira de Educação. nº 22. jan/abr. 2003.

GADOTTI, M. Educação e Compromisso. 2. ed. Campinas: Papirus, 1986.

SOUZA, S.A.S. e SANTOS, S.V.P. O Ensino da Química Numa Perspectiva Motivadora. In: 10º Encontro de Profissionais da Química da Amazônia. Belém: CRQ-6ª Região, 2007.

DANTE, M. A. Fases da implantação da ciência no Brasil . In: Quipu Revista Latinoamericana de História de las Ciências y la Tecnologia . México, SLHCT, v. 5. nº 2. may/ago. 1988. p. 265-275.

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MOREIRA, M. A. Ensino da Física no Brasil: Retrospectiva e Perspectiva. In: Revista Brasileira de Ensino de Física. Vol. 22. nº 1. mar. 2000.

GASPAR, A., MONTEIRO, I. C. C. Atividades Experimentais de Demonstração em Sala de Aula: uma análise segundo o referencial da teoria de Vigotski. Disponível em

&lt;http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol10/n2/v10\_n2\_a5.htm&gt;. Acesso em: 03 de out. de 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros curriculares nacionais para o Ensino Médio. Ciências Matemáticas e da Natureza e suas tecnologias. Brasília: Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica, 2006. 135 p. (Orientações Curriculares para o Ensino Médio)

AZEVEDO, N. Sua motivação para estudar parece uma 'mula manca'?. Disponível em &lt; http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/nanci17.pdf&gt;. Acesso em: 09 de out. de 2008.

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MELO, M. R.. Ensino de Ciências: uma participação ativa e cotidiana . 2000, Disponível em &lt; http://www.rosamelo.hpg.com.br&gt;. Acesso em: 09 de out. de 2008.

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