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Estágio Supervisionado em Ensino de Física: Relato da Experiência do Futuro Professor Com a Docência na Escola

Anahy Arrieche Fazio, Ana Paula Santos Pereira, Valmir Heckler

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Estágio Supervisionado em Ensino de Física: Relato da Experiência do Futuro Professor Com a Docência na Escola

## Anahy Arrieche Fazio , Ana Paula Santos Pereira , Valmir Heckler 1 2 3

- 1 Universidade Federal do Rio Grande- FURG/Graduanda do Curso de Licenciatura em Física/ anahyfazio@hotmail.com

## Resumo

O estágio supervisionado é caracterizado por uma etapa cheia de inquietudes e preocupações de levar para a escola o melhor que aprendemos, configura-se em um importante espaço para compartilhar conhecimentos com estudantes e professores, os quais estão muito distantes da realidade acadêmica. As relações mantidas entre o docente estagiário e o docente de Física da escola (professor regente) garantiram trocas de saberes significativos, pois permitiram a conexão com as diferentes fases docentes, um planejar conjunto, proporcionando aprendizagem mútua sobre a docência em Física, sobre as questões metodológicas, o contexto sócio-político da escola e o caminho para o contato permanente com a Universidade. Neste artigo relata-se a experiência da prática docente no ensino de Física, oportunizado pelo estágio supervisionado de um curso de Licenciatura na área. Baseando-se em revisão bibliográfica e na construção coletiva do estagiário docente com os orientadores, sob ótica crítica da prática das atividades e ações propostas. Deste modo, visualiza-se a aproximação do futuro professor de Física com a realidade escolar, articulado ao contexto sócio-político da escola o desenvolvimento de conteúdos acadêmicos vinculados a metodologias e ferramentas inerentes à prática profissional. Observa-se, entre os resultados do estudo que a proposta de estágio, pautada em referenciais curriculares como PCNS e Lições do Rio Grande, enfatiza o contexto escolar, a realidade dos estudantes, a interação com as tecnologias de informação e comunicação (TIC) e as questões metodológicas inerentes ao processo de ensino-aprendizagem. No desenvolvimento das ações e atividades, observaram-se o significativo envolvimento dos estudantes, a produção textual dos mesmos, os comentários de interesse e de aprofundamento nas temáticas registradas no blog da disciplina. Desta forma, os cursos de licenciatura em Física podem propiciar uma reflexão engajada na formação docente, visualizando as possibilidades de uso de recursos tecnológicos e metodologias de ensino, tornando os docentes estagiários, semeadores de propostas inovadoras e desafiadoras.

Palavras-chave : Ensino de Física, Estágio Supervisionado, Prática Docente, Docência na Escola, Projeto de Estágio.

## Introdução

Este artigo é resultado da descrição de olhares investigativos de um docente estagiário de Física de uma escola pública de ensino médio, do docente orientador de Física da escola e do professor orientador de conteúdos. Baseados na concepção de Pimenta e Lima (2004), de que o estágio deve ser percebido como um 'campo do conhecimento' e de 'desenvolvimento de saberes' docentes, não apenas como uma mera formalização instrumental, mas sim como uma potencialidade de

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fortalecimento da prática docente, enfatiza-se esta reflexão sobre a prática profissional na área do ensino de Física.

Sob a ótica da aproximação do futuro professor de Física da realidade escolar, do desafio de trabalhar os conteúdos acadêmicos articulados a metodologias e ferramentas, considerando o contexto sócio-político da escola, emerge a necessidade de relatar sobre a experiência vivenciada no estágio supervisionado em ensino de Física.

No desenvolvimento do projeto de estágio, o contato com a revisão bibliográfica oportunizou observar que o ensino de Física, no Ensino Médio, tem passado por reformulações no que diz respeito, especialmente, aos documentos orientadores (BRASIL, 2008). Esses documentos buscam questionar o modelo tradicional de ensino balizado, que se dá essencialmente pela valorização do ensino de conceitos e distanciamento da realidade social dos estudantes, bem como a redução do ensino de Física ao simples contexto 'livresco e formulístico'. Neste documento há a sinalização para que a disciplina de Física seja um meio mediador para assegurar que a competência investigativa resgate o espírito de questionar. E a escola deve ter um papel fundamental na manutenção da curiosidade dos alunos.

Na mesma perspectiva, verifica-se que a Educação do Estado do Rio Grande do Sul (RS) esta passando por esta reformulação pedagógica. Em busca de um ensino homogêneo e satisfatório, foi criado pelo governo do estado o Projeto Lições do Rio Grande (2009), que desenvolveu material didático para o Ensino Médio, trazendo exemplificações de como cada disciplina pode ser trabalhada a partir de temas geradores, priorizando a contextualização e interdisciplinaridade. Esta proposta busca possibilitar a inserção do aluno de Ensino Médio na universidade através do Exame Nacional do Ensino Médio.

Neste contexto, desenvolveu-se o referido estágio como um agente mediador entre a teoria e prática no ensino de Física, aproveitando-se o estudo sobre os PCNEM (2006), Referencial Curricular Lições do Rio Grande (2009), o contexto escolar, a realidade dos estudantes, a interação com as tecnologias de informação e comunicação e as questões metodológicas inerentes ao processo de ensinoaprendizagem.

## Caminho Metodológico

Este estudo foi realizado a partir da construção e desenvolvimento do projeto de estágio supervisionado em ensino de Física, no curso de Licenciatura da mesma área da Universidade Federal do Rio Grande - FURG, durante o ano letivo de 2010, essencialmente no que tange à prática docente no ensino de Física, quando da execução do mesmo, junto a uma turma de 2ª Série do Ensino Médio, da escola Estadual de Ensino Médio Brigadeiro José da Silva Paes, localizada na cidade do Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul.

No decorrer da execução do referido estágio, o estudante (docente estagiário), semanalmente teve encontros na Universidade, com o professor orientador de conteúdos, discutindo sobre as formas de desenvolvimento das temáticas, metodologias e ferramentas a serem exploradas, encaminhando demandas de dúvidas originadas em aula, gerando o relatório das atividades e das ações desenvolvidas durante o estágio.

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No ambiente escolar, o docente estagiário, manteve contato e orientação contínua com o docente professor, titular do componente curricular, trocando experiências, construindo coletivamente ações, refletindo sobre os aspectos teóricos e práticos, articulando a ambientação do futuro professor à rotina escolar, ao contexto sócio-político da escola e dialogando sobre as questões conceituais de Física, inerentes aos diferentes conteúdos desenvolvidos em sala de aula.

A construção coletiva dos autores que é baseada na revisão bibliográfica, na análise sobre a prática docente vivenciada no ambiente escolar, nos olhares do professor de Física da escola e do professor orientador de conteúdos, na avaliação dos resultados das ações e nas atividades desenvolvidas e na avaliação descritiva dos estudantes possibilitaram a descrição da experiência do futuro professor.

## Construindo o Estágio Supervisionado em Ensino de Física

Considera-se que os objetivos centrais do estágio, que parcialmente socializamos neste escrito, estão fundamentados no referencial curricular Lições do Rio Grande (2009), que preza pela reflexão sobre temas, escrita e oralidade do estudante na escola, e levando em consideração que o aluno que aprende Física deve ser capaz de falar sobre Física, de dominar essa linguagem e perceber tanto os fenômenos naturais e tecnológicos que os rodeiam quanto compreender o universo a partir das concepções construídas pela Física.

Visualiza-se nesta construção do estágio que a tecnologia acompanha a vida das pessoas e é um resultado da globalização mundial, adotada com satisfação principalmente pelos jovens. A mídia, em geral, nos permite entrar em um mundo de fotos, vídeos, informações instantâneas e muitos outros recursos e ferramentas que chamam a atenção do aluno e instigam seu senso perceptivo e, por esse motivo, devemos explorar estes 'recursos digitais para que estes possam ser formas alternativas' diferenciadas na prática educacional (Heckler, 2004).

- O atual estudante da educação básica, em sua maioria, vive a infância e cresce, utilizando diferentes recursos tecnológicos, como ipod , celular, controle remotos de TV, computador, Internet e são capazes de lidar com a sobrecarga e a sobreposição de informações. Do outro lado, visualiza-se uma escola onde um percentual elevado de professores apresenta aulas somente em quadro negro e giz, onde o professor é visto pelos alunos como donos da informação e senhor do conhecimento e, portanto desestimulando a criatividade e o envolvimento dos aprendizes.

Conforme é destacado por Campos, Rocha e Campos (1998), a aceleração da tecnologia no campo da informação e comunicação pressiona a escola por mudanças nas relações envolvendo ensino/aprendizagem. A informática na escola coloca os estudantes frente a um novo processo educativo, onde podem prosseguir, frear, voltar, re-estudar ou aprimorar conceitos vistos em sala de aula, aprofundar e criar suas investigações e interpretações sobre o assunto, baseados em outras informações pesquisadas ou discutidas com diferentes autores ou colegas, via a Internet (Behrens, 2000).

Neste contexto, a construção do projeto de estágio e seu posterior desenvolvimento em sala de aula permitem refletir, de forma breve, sobre a entrada e uso de ferramentas e tecnologias computacionais no meio educativo, não apenas em relação à entrada de equipamentos, mas, sobretudo, em função das possíveis

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mudanças nas metodologias do ensino de Física, através do uso auxiliar das TIC e de suas potencialidades pedagógicas.

Atualmente, a maioria das escolas dispõe de laboratórios de informática com acesso à Internet o que possibilita ao professor mais uma ferramenta de auxílio pedagógico, garantindo a (re) organização da aprendizagem.

- O professor pode utilizar o computador para auxiliar no desenvolvimento cognitivo do aluno através de recursos como simuladores, vídeos, blogs, onde o estudante pode analisar textos e imagens, simular fenômenos cotidianos, realizar pesquisas orientadas, realizar debates, projetos, selecionar e julgar materiais e softwares. Desta maneira, o professor poderá possibilitar o diálogo contínuo com o aluno chamando-o para participar da sua construção de conhecimento, exercendo o papel de facilitador, onde é o aluno que construirá o seu próprio conhecimento respeitando seu próprio ritmo.
- A utilização de tecnologias já no ensino básico também é uma forma de preparar o aluno para o futuro, visto que a informatização digital é veiculada diretamente ao mercado de trabalho, onde encontramos computadores e sistemas desde pequenos escritórios até grandes empresas.

Quanto ao desenvolvimento e uso de recursos didáticos para os diferentes materiais, apresentações, textos, esquemas e no blog da disciplina, buscou-se disponibilizar 'instrumentos e signos' (imagens, simulações, esquemas, textos informativos), buscando dar ao estudante a possibilidade de fragmentação de objetos (informação), facilitando o estabelecimento de relações, auxiliando na construção do conhecimento. As simulações, as imagens e as figuras ilustrativas disponibilizadas nos materiais podem ser consideradas como os organizadores prévios de Ausubel (Moreira, 1999), auxiliando no desenvolvimento de conceitos subsunçores, que buscam facilitar a 'aprendizagem significativa'.

Para a execução das atividades e ações previstas no projeto de estágio, levou-se em consideração o pensamento de Novak apontado por Moreira (1999), quanto à importância de avaliarmos e reavaliarmos o processo de ensino/aprendizagem frente ao uso das metodologias para o ensino das temáticas de Física, envolvendo-se o 'aprendiz, o professor, o conhecimento (material), o contexto e a avaliação'.

## Desenvolvendo as Ações do Estágio Supervisionado

No período de estágio, aqui brevemente descrito, trabalhou-se em sala de aula de uma turma de 2 série do Ensino Médio com o tema estruturador 'Calor, a Ambiente e Usos de Energia'. Seguindo o referencial curricular das Lições do Rio Grande. A partir desse tema foi possível propor a interação com outras disciplinas e contextualizar os conteúdos com a realidade do aluno.

Ressalta-se que a escola está localizada nas adjacências de uma refinaria, a Refinaria Riograndense. Como a refinaria tem por função produzir e comercializar produtos derivados do petróleo, produtos estes cuja transformação em fonte de energia pode ser explicada conceitualmente pela Física, oportunizou estudar alguns tópicos a partir da realidade dos estudantes, que vivem próximos à refinaria, possibilitando assim a contextualização dos conteúdos.

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Simultaneamente, foi possível analisar a importância das respectivas fontes de energia para o crescimento industrial da cidade. A cidade do Rio Grande passa por um período intenso de desenvolvimento, com instalação de novos parques industriais, crescimento da estrutura portuária, implicando no seu crescimento urbano, valorizando a cidade, contudo, trazendo consigo problemas de natureza ambiental. Neste contexto, o estudante tem a oportunidade de acompanhar de maneira reflexiva o crescimento de sua cidade, construindo relações entre os conceitos físicos e suas aplicabilidades, fomentando desta forma a aprendizagem significativa.

- Os avanços tecnológicos, vivenciados neste período, auxiliaram na estruturação de outras propostas, as quais foram desenvolvidas em sala de aula durante o estágio. Dentre elas, destaca-se a proposta referenciada pelo título do plano pedagógico de estágio 'A Revolução Industrial e Física: A energia Que Movimenta o Mundo'. Iniciou-se o ensino de Termodinâmica, a partir de seus aspectos históricos, desenvolvendo temáticas relacionadas com a Primeira Revolução Industrial, relacionando as inovações tecnológicas do período, destacando a utilização da energia térmica nas máquinas a vapor.
- O desenvolvimento da temática foi motivado por este ser um período histórico, que implicou no surgimento de grandes cientistas, inventores que com suas ideias contribuíram para a evolução do sistema de industrialização, que havia sido recém-implantado. Sem contar que este período traz consigo diversas inquietações acerca dos problemas sociais e ambientais e as vantagens econômicas originadas com a produção fabril. Para tal, o estudante foi convidado a refletir sobre este período, de maneira crítica, para que assim aprenda a expressar-se e posicionar-se em relação a diversos assuntos relacionados com sua comunidade, escola, município e saiba estabelecer um elo com os conceitos de Física desenvolvidos em sala de aula.

Buscando uma forma alternativa e complementar a nossa pratica educacional, pensou-se em um recurso para fomentar no estudante a leitura, a escrita e o debate interativo sobre as temáticas desenvolvidas, ao mesmo tempo que pudesse servir como ferramenta de acompanhamento do posicionamento dos estudantes, de interação e de registro. Surge então a ideia, durante o estágio, da criação de um blog, 'Silva Paes Ciência', devido a sua linguagem, da facilidade para executar postagens e por se tratar de uma ferramenta das TIC em que o estudante faz parte ativamente.

- A proposta do blog não é o de ser uma ferramenta para apresentar os conteúdos de maneira virtual e sim explorar temáticas do cotidiano dos estudantes e relacionados com os tópicos de Física, e, a partir dos mesmos, propor atividades para que se posicione, isto é, compartilhe suas opiniões sobre os assuntos desenvolvidos em aula, ou a partir da leitura das postagens do blog, de leituras complementares sugeridas ou de práticas vivenciadas, servindo como meio de socialização, de registro, um espaço para complementar dúvidas e de fomento para sugestão de novas temáticas.

Na Figura 1, observam-se a interface da postagem do blog e as atividades complementares propostas aos estudantes. A postagem aqui exposta foi referente à aula inaugural sobre Energias e a Revolução Industrial . Nesta postagem, foram expostas as idéias mais importantes desenvolvidas e trabalhadas durante a aula e após propomos ao aluno analisar os acontecimentos, dialogados durante a

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apresentação e escrever um parágrafo respondendo as indagações propostas a eles. A aula e a postagem foram compostas com fotos da cidade do Rio Grande e os reflexos da Revolução Industrial, mais especificamente com as aplicações das Locomotivas a Vapor, que foram de grande importância para o crescimento econômico através da distribuição de alimentos e ampliação das comunicações comerciais no estado do Rio Grande do Sul.

Figura 1: Primeira postagem sobre o tema Energias e a Revolução Industrial, Estação ferroviária da cidade do Rio Grande e atividades propostas acerca da postagem.

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O blog permite também, aos estudantes e aos professores da escola, a escolha de assuntos transversais, isto é, ao mesmo tempo em que se trata do estudo da Ciência Física pode-se estabelecer conexões, a partir do tema Primeira Revolução Industrial, com outros temas que se relacionam às demais componentes curriculares da escola, por exemplo, o componente de História está relacionado diretamente com a utilização da Revolução Industrial como tema gerador, a disciplina de Sociologia relaciona-se implicitamente a partir da discussão sobre benefícios e prejuízos deste período para a sociedade da época e a atual, por exemplo, pensando nas consequências da Revolução Industrial. Podemos, ainda, possibilitar a integração com a disciplina de Artes através da discussão sobre a fotografia, da pintura e do desenvolvimento do design do blog.

Frente à existência do desafio de propor a escrita para os estudantes, pois mesmo que as ferramentas disponibilizadas sejam inerentes à realidade dos mesmos esta cultura não é muito bem aproveitada pelas atividades escolares. Entendido assim, mesmo que adolescentes não se preocupem inteiramente com o andamento de sua trajetória escolar, não visualizando a possibilidade do uso das TIC para o processo de aprendizagem, leva-se em consideração que este é um

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espaço para criar esta reflexão e possibilitar novas visões e de futuro para este grupo.

Transcreve-se a seguir alguns comentários dos estudantes, que podem ser encontrados na página do blog, e que mostram a escrita e as relações estabelecidas com a temática Energia e Revoluções Industriais, com as outras áreas de estudo e do posicionando crítico em relação ao comentário do colega.

'Podemos dizer que ambas as revoluções colaboraram na comunicação entre pessoas de diferentes regiões, e fisicamente falando colaborou com o estudo de maneiras de gerar energia para grandes máquinas' L.O.B

'Vantagens da primeira revolução: caracterizou-se por novas fontes de energia para invenção de máquinas que aumentavam a produção; ficou mais fácil controlar a produção, os artesãos começaram a se ajudar, ficando mais unidos. Dentre as desvantagens as principais são as máquinas substituindo a mão de obra humana e a perda de domínio do trabalhador sobre o produto final. A 2° revolução industrial foi muito importante porque utilizou as máquinas a vapor e deu origem ao telefone, a eletricidade e o enlatamento de comidas. A Física é foi muito importante, pois ajuda nas invenções e outras coisas.' L.M.

'Eu concordo com o comentário da minha dupla. Só queria acrescentar que explicar essas tecnologias não é a única importância da Física.' Resposta ao comentário feita por G.G.

Além das propostas acima citadas, foram utilizados, para o desenvolvimento das aulas, simuladores interativos com uso do laboratório de informática da escola, aulas expositivas em multimídia e quadro verde

Figura 2 : Desenvolvimento da atividade experimental no laboratório da FURG e parte da turma em passeio ao campus da Universidade.

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Durante as aulas de Física do estágio, foi possível levar os estudantes para realizar atividades nos laboratórios de Física da Universidade (FURG). A escola em que o estágio foi realizado disponibiliza este espaço para professor e estudantes, mas a sala não é aparelhada de forma adequada, o que inviabilizaria a realização das atividades propostas. Contudo, a atividade realizada na universidade aproximou

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os estudantes deste ambiente e despertou o interesse dos mesmos em vivenciar a realidade da universidade, do laboratório de Física e do contato com o Campus, conforme visualizado na figura 2.

Dentre as propostas do estágio os estudantes, ainda, foram desafiados a realizar avaliação do trabalho docente do estagiário e da proposta desenvolvida, transcreve-se alguns dos comentários extraídos do sistema de avaliação.

'Bom, na minha opinião as aulas na sala de informática são bastante produtivas porque você tem um aprendizado diferente, ajuda muito porque tem pessoas que não gostam de assistir as aulas na sala de aula, se sentam mais a vontade no computador. E o aprendizado por ser melhor ou igual, tem pessoas que aprendem mais e algumas talvez não. E a questão do blog é muito importante porque você pode interagir com a turma toda, saber a opinião de cada um dos alunos. No blog você vê diversos tipos de comentários em uma tarefa só, esclarecendo suas dúvidas e passando a ter mais conhecimento.' L. F.

'Aulas práticas e com o envolvimento da informática facilitaram o entendimento de Física, tornando as aulas mais interessantes e com melhor entendimento da matéria e dando prazer em aprender Física'. L. O. B.

'Bom, as aulas com o uso dos computadores ficam mais interessantes, os alunos têm mais vontade de aprender. A idéia do blog é bem legal, não fica uma aula monótona, além de outras pessoas poderem ver nosso trabalho. Eu aprendo muito mais, utilizando esses recursos, pois às vezes só a aula passada no quadro fica entediante, cansativa e os alunos acabam copiando, não prestando atenção na matéria. Quanto mais diferentes forem os recursos utilizados, na minha opinião, a aprendizagem é melhor, pois os alunos ficam mais estimulados.' N.A.

'Para mim o blog além de facilitar o aprendizado, me ajudou a entender a matéria melhor, interagindo com a turma. Foi uma maneira muito mais fácil de entender a matéria de Física, com coisas do nosso dia-dia. A visita na FURG fez com que abrissem caminhos ou melhor pensamentos de que como é estar numa faculdade onde um dia eu possa estar. Os experimentos que fizemos lá foram muito legais porque foi uma coisa que jamais pensei em fazer. Aquele dia jamais vou esquecer foi um dia sensacional porque eu nunca tinha ido na FURG e quando eu cheguei lá parecia um sonho que eu estava realizando porque eu queria ter uma idéia de como era a FURG os cursos onde ficava, como era o laboratório de Física, que para falar a verdade eu achei muito interessante. Porque botamos o que tínhamos aprendido tudo em prática. Como seria bom se todas as professoras fizessem esses tipos de trabalhos, que faça os alunos aprenderem praticando e interagindo com os alunos. Adorei!' N. C.

## Considerações Finais

O momento do estágio mostrou-se uma etapa cheia de inquietudes e preocupações, em que o docente estagiário leva para a escola o conhecimento adquirido para compartilhá-lo com alunos e professores. As relações mantidas entre o docente estagiário e o docente de Física da escola (professor regente) garantiram trocas de saberes significativos, pois permitiram a conexão com as diferentes fases docentes, um planejar conjunto, proporcionando aprendizagem mútua sobre a docência em Física, sobre as questões metodológicas, o contexto sócio-político da escola e o caminho para o contato permanente com a Universidade.

O desenvolvimento das ações do estágio, da vivência com a prática docente e do contato com o ensino de Física foram importantes e recompensadores.

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Observações nos mostram que uns números significativos de estudantes, considerados reclusos e desleixados no ambiente escolar, mostraram-se debatedores e participativos e com argumentações coerentes expuseram suas opiniões.

Outro resultado positivo e satisfatório da referida proposta foi o convite ao docente estagiário por parte da equipe pedagógica da escola, para expor a experiência com as TIC e o trabalho com blog a toda equipe de professores, o que foi feito a partir da fundamentação teórica da proposta e socialização dos resultados, como, por exemplo, a interação dos estudantes, percebida pela análise dos comentários e respostas dos mesmos frente aos desafios criados. Os professores e equipe diretiva mostraram-se satisfeitos com o trabalho desenvolvido.

A socialização no grupo de professores serviu de ferramenta avaliativa da proposta, pois foi um momento de refletir sobre a prática, de receber sugestões, de troca de experiências docentes e serviu como convite para que os professores valorizassem o trabalho dos seus alunos, além de mostrar-lhes que mesmo que pareçam 'ameaçadores', trabalhos alternativos e inovadores trazem resultados consideráveis, além de reaproximar o estudante do professor e da escola.

Dentre os resultados da atividade experimental realizada no laboratório da universidade, destaca-se o aproveitamento dos alunos, pois a atividade contribuiu para que os mesmos vinculassem a exemplificação prática com o conteúdo acadêmico teórico desenvolvido em sala, de modo que obtiveram maior facilidade no entendimento e, consequentemente, na continuidade da disciplina.

Visualiza-se através dos resultados do referido estudo, a importância das universidades estarem engajadas na formação docente, oportunizando também a prática profissional, a vivência no contexto escolar, fundamentando o uso de recursos das TIC no Ensino de Física, permitindo aos estagiários um espaço de reflexão e da construção de suas aprendizagens em relação às questões teóricas e práticas do ensino de Física.

## Referências

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CAMPOS, F.C.A., ROCHA, A.R.C., CAMPOS, G.H.B., Design Instrucional e Construtivismo: em busca de modelos para o desenvolvimento de software. 1998 . Disponível em http://lsm.dei.uc.pt/ribie\_old/cong\_1998/trabalhos/250m.pdf. Acesso em 2 de março de 2010.

HECKLER, V., SARAIVA, M. F. O., OLIVEIRA FILHO, K. S. Uso de simuladores e imagens como ferramentas auxiliares no ensino/aprendizagem de ótica . Dissertação de Mestrado. IF/UFRGS. Dez. 2004.

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MOREIRA, M. A. Aprendizagem significativa . Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1999.

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PIMENTA, S.G; LIMA, M.S.L. Estágio Docência . Editora Cortez. São Paulo, 2004.

RIO GRANDE DO SUL. Lições do Rio Grande (2009). Disponível em&lt; http://www.seduc.rs.gov.br/pse/html/refer\_curric.jsp?ACAO=acao1&gt;. Acesso em: 20 de março de 2010.

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