CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DO PROFESSOR SUPERVISOR NO INTERIOR DO CAMPO ESCOLAR E DA ESCOLA: O OLHAR DE UM ESTÁGIARIO.
Danillo Deus Castilho, Luiz Gonzaga Roversi Genovese
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DO PROFESSOR SUPERVISOR NO INTERIOR DO CAMPO ESCOLAR E DA ESCOLA: O OLHAR DE UM ESTÁGIARIO. Danillo Deus Castilho , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 1 2
1 Núcleo de Pesquisa em Ensino de Física/Instituto de Física-Universidade Federal de Goiás, Goiânia, danillodeuscastilho@yahoo.com.br
2 Núcleo de Pesquisa em Ensino de Física/Instituto de Física-Universidade Federal de Goiás, Goiânia, lgenovese@if.ufg.br
## Resumo
Neste trabalho é apresentada a estrutura de um projeto de pesquisa, ainda em andamento, em torno do seguinte tema: 'O processo formativo do futuro professor de Física em situação de estágio supervisionado colaborativo na escola'. A importância de tal temática se deve, em grande medida, tanto pelo pouco envolvimento do futuro professor com o seu processo formativo no interior de uma escola que vive num mundo fechado, marcado pela urgência e incerteza de suas ações educativas, quanto pela pouca preocupação do professor supervisor de estágio supervisionado estruturado pela universidade, fundamentalmente preocupada com questões de cunho teórico, epistemológico e metodológico de difícil compreensão a comunidade escolar. Uma alternativa que vise modificar tal quadro é a aproximação entre a universidade e a escola, representada aqui na figura do licenciando e do professor supervisor de estágio, respectivamente. Para tanto esta sendo desenvolvido, em parceria, um processo no qual os agentes se envolverão na reativação do laboratório de Física da escola. As ações realizadas para atingir tal fim serão registradas na forma de notas de campo para análise posterior, de cunho qualitativo, segundo as contribuições de Pierre Bourdieu. De modo a localizar aspectos que podem contribuir com uma nova forma de pensar, reestruturar e ampliar os conceitos e métodos utilizados atualmente no estágio supervisionado em Física. Sendo assim os resultados preliminares aqui apresentados visam caracterizar a escola e o professor nos campos escolar e da escola, para posteriormente identificar quais capitais do professor supervisor foram incorporados pelo estagiário.
Palavras chaves: Estágio colaborativo; habitus ; futuro professor; formação.
## Introdução
A legislação educacional em vigor indica a importância do Estágio Supervisionado no processo formativo do futuro professor, independentemente da área de formação e atuação. Mais especificamente, tal 'valor' é sinalizado pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional de nº 9.394/96, que estabelece, no Art.82, que a regulamentação do estágio supervisionado é deixada a cargo dos sistemas de ensino para a realização do mesmo, e, posteriormente, reforçado pelo Conselho Nacional de Educação, por meio do Parecer n 27/2001, ao ressaltar que o o Estágio Obrigatório deve ser realizado a partir do início da metade do curso.
Contudo, o conteúdo do Estágio Supervisionado, no que diz a formação de professores deve seguir a Resolução CNE/CP 01, de 18 de fevereiro de 2002, constituída sob a as considerações expressas no Parecer CNE/CP 09, de 08 de maio de 2001, no Art. 2°, que ressalta que a organização curricular da instituição de ensino de formação de professores deve incorporar orientações inerentes a formação para a atividade docente, além daquelas expressas nos artigos 12° e 13° da Lei 9.934, entre as quais o preparo para: 'I - o ensino visando à aprendizagem
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do aluno; II - o acolhimento e o trato da diversidade; III - o exercício de atividades de enriquecimento cultural; IV - o aprimoramento em práticas investigativas; V - a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares; VI - o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores; VII - o desenvolvimento do hábito de colaboração e de trabalho em grupo.'
Em decorrência dessas leis o Estágio Supervisionado é entendido como uma forma de inserção do futuro professor nas atividades pré-profissionais, exercidas em situações reais de trabalho, no qual o estudante desenvolve práticas reflexivas de cunho teórico, de modo a estruturar suas disposições futuras acerca do ambiente de trabalho, assim sendo, o estágio é visto como uma prática investigativa que busca o enriquecimento cultural e cientifico do aluno e é supervisionada por docentes, professores supervisores de Estágio Supervisionado, designados pelos pesquisadores-professores das instituições superiores de formação de professores, tendo como critério o estabelecimento de uma profunda articulação entre a escola campo e a instituição formadora.
Nessa perspectiva, de um estágio supervisionado investigativo, um aspecto que merece ser aprofundado é a articulação entre a escola e a universidade, ou melhor, a relação de 'forças' objetivas e subjetivas que envolvam o professor supervisor, o professor pesquisador e futuro professor. Entretanto, tal aspecto é de difícil realização e, portanto, ocorre nos Estágios Supervisionados de forma não sistemática.
Esse aspecto foi identificado no início da realização do Estágio Supervisionado, sendo sinalizado por um dos autores deste trabalho, durante a 2 disciplina de Estágio I, no início do ano de 2010. Tal apontamento foi percebido pelo outro autor deste trabalho, que verificou a falta de envolvimento de professores 1 supervisores de estágio das redes de ensino básico com os pesquisadoresprofessores da universidade, a pouca participação do futuro professor com o que realmente é feito e com o que se pode realmente fazer na escola e a falta de iniciativa do professor supervisor com o próprio processo formativo que vise construir, estruturar, divulgar, controlar e refletir acerca de seus próprios conhecimentos e ações durante a realização do Estágio Supervisionado.
Visando dar encaminhamento a essas percepções, foi construído um projeto, de cunho colaborativo entre o futuro professor, professor supervisor de estágio e o pesquisador-professor, que visa reativação do laboratório de ciências da escola campo, por meio da construção e realização de experimentos, construídos junto com os alunos do Ensino Médio de uma escola pública do estado de Goiás, localizada na cidade de Goiânia, a partir de materiais alternativos, sucatas.
Desse projeto emergiu um problema de investigação que permitisse ao futuro professor compreender criticamente os possíveis conhecimentos, ações e pensamentos do professor supervisor de Física que possivelmente poderia vir a adquirir no decorrer do projeto.
Este trabalho visando dar encaminhamento a esse questionamento, procura, neste momento, compreender somente os conhecimentos e as aprendizagens, exteriorizadas pelo professor supervisor, bem como os capitais adquiridos durante a sua experiência escolar, para que posteriormente, possa-se confrontar tais conhecimentos com aqueles que o futuro professor demonstrou adquirir durante o projeto colaborativo.
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De modo que a parte inicial da investigação se passa em torno da seguinte questão:
## 'Quais capitais que o professor supervisor de Física possui e quais ele articula, durante o estágio supervisionado colaborativo, dentro do campo da escola?'
De tal forma que para termos condições de responder a essa questão é necessário identificar a posição que ele ocupa dentro do campo da escola e a posição da escola dentro do subcampo escolar.
Os elementos textuais presentes na questão, mais do que evidenciar os elementos-chave da investigação, sinalizam, para a fundamentação teórica adotada na pesquisa, a saber, o construto teórico de Pierre Bourdieu.
## Referencial teórico
Depois de explicitadas as devidas considerações sobre a pesquisa, estamos em condições de apresentação dos principais fundamentos teóricos do referencial bourdieuniano que circulam em torno das noções de campo e habitus . Bourdieu, um teórico que se propôs a elaborar uma maneira ilustre de apreender a realidade social entende o conhecimento praxiológico como um conjunto de relações objetivas e dialéticas entre as estruturas e as disposições estruturadas que se atualizam em um processo de interiorização da exterioridade e de exteriorização da interioridade.
De modo que processo de interiorização da exterioridade , parte da idéia da existência de um espaço social estruturado, regido por leis, que são impostas a agentes, ocupantes de determinadas posições, e suas decisões estão diretamente relacionadas às estruturas do espaço. Por exemplo, ao fazer-lhes certas solicitações, celebrações, a estrutura objetiva se interioriza no agente e se transforma em um sistema de disposições -modos de pensar e agir- duradouro, mas mutável denominado de habitus .
## Bourdieu compreende o habitus como:
Habitus, sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípio gerador das práticas e das representações que podem ser objetivamente 'reguladas' e 'regulares' sem ser o produto da obediência a regras, objetivamente adaptadas a seu fim sem supor a intenção consciente dos fins e o domínio expresso das operações necessárias para atingi-los e coletivamente orquestradas, sem ser o produto da ação organizadora de um regente (BOURDEIU, 1983, p. 60-1).
De forma que a noção de campo serve para indicar a existência de um espaço social determinado por um jogo de forças guiadas por leis próprias, ou seja, um espaço existente no qual os agentes que incorporaram e incorporarão um determinado tipo de habitus conhecido e reconhecido entre os mesmos.
Portanto as lutas e as estratégias, enfim, as relações estabelecidas pelos agentes do campo visam certa 'zona de conforto' estabelecida pela dominação de um campo especifico, porém essa posição depende do volume e da qualidade de seus poderes, ou seja, os capitais valorizados no espaço em questão (BOURDIEU, 1997, 1998), de modo que isso nos permite, ainda, indicar a posição ocupada (dominante/dominado) e as tomadas de posições (legítimas/ilegítimas) de um agente na estrutura objetiva dali resultante. Tais poderes ou capitais não se restringem
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apenas ao econômico, pois cada campo valoriza um tipo mais que outro, mostrando dessa forma que unidos os campos formam o espaço social global. Assim sendo temos a possibilidade de trabalhar com as características gerais dos mesmos sem, contudo deixar de pensar na idéia de campo relativamente autônomo.
Outro aspecto merecedor de destaque que também dever-se enfatizar é o processo de externalização da interioridade , ou seja, o habitus do agente atuando sobre a estrutura, surgindo assim processos dialéticos entre a estrutura e o habitus e o habitus e a estrutura.
Um campo como, por exemplo, o da escola é um espaço social de relações objetivas que impõe limitações as ações e pensamentos dos agentes, como também estimula, coage os professores, os agentes desse campo, a lutarem por seus interesses que, por sua vez, pode propiciar mudanças na estrutura nesse espaço social. Como em qualquer outro, existe um jogo de interesses que levam os agentes a lutarem pelos reconhecimentos dos seus pares, sendo, contudo, suas estratégias dependentes de suas posições relativas no campo, de modo que os agentes mais experientes, externalizam o internalizado , quando tomam e são tomados por práticas não condizentes com suas posições no campo, gerando uma reestruturação das hierarquias dos objetos de interesses e uma redistribuição do capital especifico. Da mesma forma os novatos, muitas vezes os dominado, por não terem e estarem incorporando o habitus do espaço em questão, buscam práticas alternativas que possibilitem um rápido acumulo de capital específico por meio da introdução de novos recursos obtidos durante as trajetórias social, cultural, econômica e escolar capazes de deforma a estrutura e as fronteiras do campo, exigindo uma readaptação dos agentes, capaz de externalizar e modificar o internalizado e internalizável.
## Metodologia
O processo no qual foram obtidos os dados preliminares desta pesquisa se deu levando-se em conta a capacidade de observação do pesquisador, o futuro professor, (HANSON, 1979) de forma que para a caracterização do campo escolar e da escola, foram utilizadas até o momento as técnicas de coletas de dados apresentadas a seguir.
A primeira técnica são as notas de campo, mas não as notas de campo num sentido coletivo da palavra, pois esse termo refere-se a todos os dados recolhidos durante o estudo, incluindo nas notas de campo, transcrições de entrevistas, documentos oficiais, imagens e outros materiais. De modo que aqui esse termo é usado no seu sentido mais estrito, ou seja, notas de campo é o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e reflexão sobre os dados de um estudo qualitativo (BOGDAN & BIKLEN, 1994). Logo notas de campo deram origem ao diário pessoal que permitiu o investigador acompanhar o desenvolvimento da pesquisa e visualizar como é que o plano de investigação foi afetado pelos dados recolhidos, tornando o investigador consciente de como influenciou e foi influenciado durante a pesquisa.
As notas de campo são descritas aqui em dois tipos de materiais (BOGDAN & BIKLEN, 1994). O primeiro é descritivo, em que a preocupação é a de captar uma imagem por palavras do local, pessoas, ações e conversas observadas. O outro é reflexivo - a parte que apreende mais o ponto de vista do observador, as suas idéias e preocupações. De forma que as notas contêm os retratos dos sujeitos, reconstruções de diálogos, descrição do espaço físico, relatos de acontecimentos
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particulares, descrição de atividades e o comportamento do observador. Foram levadas em conta também nas notas de campo reflexões sobre a análise, sobre o método e sobre o ponto de vista do observador. Cada conjunto de notas contém um titulo e um conjunto representa as notas anotadas em cada semestre com seus respectivos dias e horários.
A segunda técnica usada na pesquisa foi à utilização de questionários que aqui foram feitos baseados no contexto da pesquisa, ou seja, foi levada em conta a relevância e sensitividade temática da pesquisa sobre o respondente. Assim os questionários elaborados contêm perguntas abertas e fechadas, sendo que cada pergunta busca caracterizar aspectos específicos da pesquisa (GÜNTHER, 2003).
Considerando que a pesquisa em questão tem sua origem no interior do 'Colégio Estadual Polivalente Professor Goiany Prates', um colégio público que atende alunos da região sudoeste de Goiânia, onde os alunos que em geral são da comunidade mais carente da região, se torna de vital importância dizer que no colégio o ensino fundamental é integral (manhã e tarde) e o ensino médio é oferecido na parte da manhã e da noite, sendo que o 'noturno' diferentemente do 'matutino' tem como característica um aluno do tipo EJA, ou seja, alunos que normalmente possuem uma perspectiva mais ampla da física em sua vida, sendo o professorado do tipo que ministra suas aulas focando aspectos que sejam relevantes para o aluno em seu cotidiano, evitando assim alguns formalismos que são em grande parte exigidos em concursos e vestibulares.
É significativo dizer também que o colégio dispõe de duas quadras poliesportivas, um laboratório de informática, um laboratório de ciências, de um refeitório e de uma biblioteca, além de uma gama de salas utilizada para as aulas e para o depósito de materiais utilizados em sala. Ressaltando que, apesar da escola conter alguma acessibilidade a alunos especiais, tais como rampas de acesso, normalmente não se vêem alunos com essas necessidades nesta escola.
Assim sendo no interior desse colégio existe um laboratório de ciências que estava sendo pouco utilizado pelos professores então desde o começo desta pesquisa o estagiário, juntamente com o professor supervisor de estágio em física, estão trabalhando para a reativação do laboratório de ciências do colégio de modo a produzir experimentos, construídos com materiais alternativos na intenção da criação de experimentos de baixo custo, que serão utilizados durante as aulas de Física na escola, tentando proporcionar aos alunos uma aula interativa, com o intuito de instigar-los de forma a desenvolver, nos mesmos, uma capacidade de pensar, analisar e propor soluções a diversos problemas que envolvam a Física do cotidiano, de maneira que o estágio está sendo realizado na sua dimensão prática. Por outro lado, sua dimensão teórica ou problematizadora, procura analisar os capitais que possui o professor supervisor de modo a compreender quais capitais o estagiário de Física estará adquirindo neste processo. Tal preocupação é oriunda das discussões no interior do grupo de pesquisa de ensino em Física da UFG, que estuda os trabalhos de P. Bourdieu. Portanto, este trabalho é construído a partir dos dados obtidos até o momento e tem o objetivo de apresentar e discutir o subcampo da escola e a posição do professor supervisor no interior do campo da escola, para numa outra etapa se caracterizar os capitais docentes do mesmo e verificar o habitus incorporado pelo futuro professor de Física, esse processo de construção
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dos dados teve início nos primeiros meses do ano letivo de 2010 e ainda está em andamento.
Desse modo a pesquisa, de viés qualitativo, pois possui características essenciais, a saber: 'I- possui o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental; II- o caráter descritivo; III- o significado que as pessoas dão as coisas e à sua vida como preocupação do investigador; IVenfoque indutivo' (GODOY, 1995, p.62).
Assim a análise de dados se dará tal sorte que recorreremos à compreensão de Pierre Bourdieu (2003), de modo a entender, as noções de 'campo, capital, habitus , agentes, reflexividade, dominante e dominado'.
## Análise dos dados
Decorrida a apresentação teórica passa-se agora a análise de dados, portanto os próximos parágrafos têm o objetivo de ressaltar e caracterizar o Colégio E. P. Goiany Prates, dentro do subcampo escolar dos colégios da região sudoeste de Goiânia (Figura1).
Este é um subcampo de força relativamente autônomo, composto de uma estrutura estruturada e estruturante, pela distribuição e hierarquização das escolas e seus coletivos de professores segundo sua autonomia em relação às forcas externas, representado pelo tipo de financiamento (público ou privado) e pelas características especificas dos alunos.
Figura 1: A delimitação geográfica do subcampo escolar das escolas públicas da região sudoeste de Goiânia
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Para a melhor análise do Colégio E. P. Goiany Prates de fato deve-se observar certas características especificas do mesmo, que o coloca, segundo Bourdieu, na condição de dominante em relação a outros colégios públicos da
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região, assim sendo passemos considerar suas relações objetivas e dialéticas dentro do subcampo escolar em questão.
- O Colégio E. P. Goiany Prates possui um ensino fundamental integral o que revela diretamente uma preferência dos pais em colocar seus filhos nessa instituição, portanto além da busca por um ensino de qualidade estes pais procuram um lugar que possa alimentar e cuidar de seus filhos durante o dia. Tal visão sobre o colégio é compartilhada por alunos, professores, pais, funcionários do colégio, enfim, a comunidade em geral. E é evidenciada, de maneira muito feliz, pela fala da secretária da escola durante a entrevista que tinha como objetivo a constituição de dados para localizar a posição desse colégio no interior de subcampo escolar, que é a seguinte: '\_Nós perdemos alunos quando esses terminam o Ensino Fundamental.' Essa afirmação quando articulada e complementada pelos registros presentes notas de campo como, por exemplo, a fala '... os alunos que terminam o ensino fundamental saem do colégio para entrarem em outro colégio mais próximo de casa, porque não notam nenhuma diferença significativa entre o ensino médio desses dois colégios...' sinaliza fortemente para uma relação de domínio desse colégio no subcampo escolar, via acúmulo de capital social no Ensino Fundamental.
A localização geográfica do colégio, que é evidenciada também pelos dados fornecidos no questionário respondido pela secretaria do colégio em questão, é descrita pelo ponto de cor vinho (ver Figura 1), mostra a posição de destaque do mesmo em relação aos outros, pontos de cor preta (ver Figura1), de modo que isso reflete, também, em uma maior procura por parte dos pais e alunos, por esse colégio. Sendo parecido o perfil de alunos desses colégios, verifica-se que todos eles recebem estudantes de bairros periféricos, distantes e vizinhos, que pertencem à mesma camada social, de tal sorte que as instituições desse subcampo procuram preparar seus alunos para a inserção na 'sociedade', evitando assim os formalismos teóricos encontrados em instituições particulares, de modo que o colégio em questão não se diferencia dos outros nesse aspecto, no entanto, o colégio possui também muitos programas de integração com a comunidade, cursos de costura e projetos que envolvem o meio ambiente, de forma que juntas as características demonstram uma tendência de acúmulo do capital social.
- O corpo o docente do Colégio E. P. Goiany Prates possui e procura acumular grande quantidade de capital social, que o leva a possuir um baixo volume de capital cultural escolar (GENOVEZ, 2008), de forma que apesar do colégio em questão contar com maior espaço físico dentre as instituições desse subcampo, que daria a entender uma vocação do corpo docente para o desenvolvimento de trabalhos no laboratório de ciências, de línguas, biblioteca e sala de informática, que levassem ao acúmulo de capital cultural escolar, o uso desse espaço, visando integrar e aproximar as pessoas por meio de atividades interativas, indica a preferência a disposição dos professores pelo acúmulo de capital social.
No que se refere ao ensino médio, a maioria dos professores quando não leciona somente nesse colégio possui maior carga horária no mesmo, contudo, o seu ensino médio não se encontra em situação de destaque quando comparado aos demais colégios da região o que torna seu valor menor quando comparado ao ensino fundamental no interior do colégio. De modo que o colégio se destaca entre os outros da região por suas características específicas conhecidas e reconhecidas pelos outros colégios do campo, ou seja, pelo ensino fundamental integral.
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A par da situação do colégio no subcampo escolar, agora é hora de caracterizar a posição e as disposições do professor K, ou seja, o seu habitus dentro do campo da escola.
O professor K em questão é um professor de Física, que atua no ensino médio do colégio, sendo de manhã um dinamizador do laboratório de ciências e de noite o professor que ministra aulas de Física, não tendo, portanto, aulas em outros colégios. O professor K leciona há vários anos no colégio em questão, portanto, ele possui o habitus específico do campo já incorporado, de tal forma que este atua sobre a estrutura do campo da escola utilizando recursos, estratégias legitimadas, que proporciona ao mesmo certa autonomia. Tais recursos como organização de passeios para os alunos da escola, a construção e utilização de experimentos que demonstrem fenômenos físicos -objetivando apenas atrair a atenção dos alunos, como no caso do experimento 'A Imagem do Som'-, a participação da escola em eventos que promovam aspectos científicos e a criação de projetos que proporcionem o trabalho em conjunto com agentes internos e externos ao campo da escola, entre os quais se encontra as feiras de ciências -onde ele mobiliza toda a escola, fazendo com que se destaque dos demais professores, tornando-se desta maneira essencial para a produção desse tipo de evento na escola- isto fica evidente na nota de campo do dia 20/08/2010: '... nesse dia se via o empenho dos alunos e dos professores na organização da feira de ciências, o professor K ficava de um lado para o outro resolvendo todos os problemas que surgiam de ultima hora...'; e atualmente, o projeto de reativação do Laboratório de Ciências feito em conjunto com o futuro professor e os alunos do ensino médio, proporcionam ao mesmo um acumulo de capital social conhecido e reconhecido pelo campo. A utilização do laboratório de ciências e experimentos, como fez o professor K, é uma ação realizável e legítima no interior do campo escolar e da escola pelos professores que procuram acumular capital social, conforme lembra Genovez (2008), portanto ele não é o único a fazê-lo.
Contudo, o professor K não é um professor dominante na escola, pois possui pouco peso diante das escolhas e decisões definidas em reuniões que envolvam todo o corpo docente do colégio, de maneira que ele procura evitar divergência de opiniões, que poderiam gerar atritos, concordando sempre com certos professores, isto se torna claro na seguinte passagem: '... durante a parada pedagógica percebi que o professor K, em meio as discussões apoiava sempre os argumentos dos professores A, B e C, que aparentemente pareciam possuir maior peso nas decisões tomadas no colégio, quando eles diziam a sua opinião sobre a necessidade de intervenção dos policiais no colégio...' (nota de campo do autor, dia 27/04/2010). Logo isso nos permite caracterizá-lo como dominante entre os dominados e dominado entre os dominantes (ver Figura 2).
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Figura 2: Posição do professor K no interior do campo da escola constituída a partir das diferenças de capital cultural escolar e o capital social (Adaptado de GENOVEZ, 2008).
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## Considerações finais
Ao considerar que o professor K em questão se encontra inserido no subcampo escolar da região sudoeste de Goiânia, mais precisamente, no colégio público estadual dominante de ensino fundamental e médio, observa-se que esse demonstra ter o sentido do jogo jogado naquele espaço social, pois seu Habitus , legítimado no campo, o leva a elaborar estratégias que vise o seu reconhecimento entre os agentes do meio. Tal estratégia se verifica, por exemplo, quando o professor K se dispõe a elaborar projetos que ensinem os alunos através de práticas, construção de experimentos com sucatas, propiciando uma maior interação com os mesmos de forma a se destacar das aulas teóricas formalistas de outros professores, acumulando, portanto, um grande volume de capital social. Logo essa prática proporciona ao professor K uma posição de relativa dominação no campo que vai de encontro com a tendência de capital acumulado pelo corpo docente e pela escola em questão, ressaltando também que o professor K leciona no ensino médio e que este último possui menor valor se comparado com o ensino fundamental integral daquele colégio.
De maneira que a caracterização do professor K nos permitirá um melhor olhar sobre os capitais articulados e adquiridos por ele durante o estágio.
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De modo que os capitais postos em jogo pelo professor de K apontam para a necessidade de elaboração de um novo olhar sobre o estágio e sobre que ocorre no interior das escolas e dos sistemas de ensino, que procure não só valorizar os agentes ali imersos e seus entendimentos e ações, mas também sinalize que os mesmos têm interesses, estratégias pensamentos e percepções próprias, muitas vezes, 'desprezados' por aqueles que teorizam sobre a escola e, que por vezes, 'esquecem' o quão é específico, vivo e autônomo, em certa media, o jogo pelo conhecimento e reconhecimento jogados pelos professores do campo escolar.
## Referências Bibliográficas
BOURDIEU, P. Esboço de uma teoria da prática. In: ORTIZ, R. (Org.). Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo: Ática, 1983. p. 46-81.
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Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
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O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
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Os usos sociais da ciência . São Paulo: UNESP, 2003.
BOGDAN, R. e BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação . Porto: Porto, 1994.
GENOVEZ, L. G. R. Homo magister : conhecimento e reconhecimento de uma professora de ciências pelo campo escolar. 2008. 228 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências) Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2008.
GÜNTHER, H. Como elaborar um questionário . Brasília: UnB, 2003.
HANSON, N. R. Observação e interpretação. In: MORGENBESSER, S. Filosofia da Ciência . São Paulo: Cultrix, 1975. p. 127-138.
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