A QUALIDADE DO ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA: UMA ANÁLISE TEMÁTICA DA FALA DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA EM SITUAÇÃO DE GRUPO FOCAL
Endy Nadelli M. M. Do Val, Bárbara E. S. Carvalho, Douglas Andrade, Rodrigo Drumond Vieira, Alcina Maria Testa Braz Da Silva, Silvania De Sousa Nascimento
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 31/01/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A QUALIDADE DO ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA: UMA ANÁLISE TEMÁTICA DA FALA DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA EM SITUAÇÃO DE GRUPO FOCAL 1
## Endy Nadelli M. M. do Val , Bárbara E. S. Carvalho , Douglas Andrade , Rodrigo 1 2 3 Drumond Vieira , Alcina Maria Testa Braz da Silva , Silvania de Sousa 4 5 Nascimento 6
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UFMG/ Licenciatura em Física - UFMG/FaE - endy\_fisica@hotmail.com 2 UFMG/ Licenciatura em Ciências Biológicas - UFMG/FaE - barbarabio@ufmg.br 3 UFMG/ Licenciatura em Física - UFMG - douglas\_andrade01@hotmail.com 4 UFMG/FaE, rodrumond@gmail.com 5 UNIVERSO - UFMG/FaE, alcinamaria@terra.com.br 6 UFMG/FaE, silvania.nascimento@gmail.com
## Resumo
Neste trabalho enfocamos a qualidade do ensino de ciências na visão dos professores de ensino médio. O objetivo é investigar elementos temáticos na fala dos professores do ensino médio da região metropolitana da cidade de Belo Horizonte quando eles são questionados acerca da qualidade no ensino de ciências. A análise temática foi realizada a partir de uma situação de grupo focal com os sujeitos de pesquisa. O desenho da pesquisa envolve o uso de instrumentos de coleta de dados e a sua análise, com a identificação dos núcleos de sentido no conteúdo do discurso dos professores a partir da técnica de análise categorial temática. Concluímos que a realização da categorização temática das falas dos professores de ciências nos dá pistas para aprofundar em análises futuras sobre os temas mais freqüentes e relevantes, ou, até mesmo, dos temas silenciados. Por fim, destacamos que a nossa proposta êmica de pesquisa de investigar temas recorrentes na fala dos professores é um passo importante para começarmos a compreender os problemas educacionais sob o ponto de vista daqueles que os vivenciam.
Palavras-chave : qualidade do ensino de ciências, análise temática categorial, grupo focal.
## INTRODUÇÃO
Ao se pensar o processo educacional é necessário compreender como professores em diferentes realidades socioculturais interagem e constroem seus discursos e representações de fenômenos educacionais, a partir de seus objetivos didáticos, suas metodologias de ensino e do uso das tecnologias (BRAZ DA SILVA E NASCIMENTO, 2010). Torna-se importante, portanto, compreender o processo educacional sob a perspectiva dos professores que o vivenciam.
Este trabalho procura evidenciar essa perspectiva dos professores e é um dos produtos do projeto 'Ensino de ciências de qualidade na perspectiva dos professores de nível médio', aprovado no edital de 2008 do Programa Observatório
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da Educação da CAPES, que tem como meta avançar na compreensão da qualidade do ensino de ciências no ensino médio. Nesse sentido, o projeto leva em conta aspectos regionais e culturais de diferentes contextos educacionais, uma vez que o projeto é realizado em três cidades do Brasil: Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
- O objetivo principal do projeto é compreender como professores constroem discursos e representações sociais acerca da qualidade de ensino. Os sujeitos da pesquisa são professores de biologia, química, física e matemática que atuam em escolas da rede pública estadual, federal e privada.
Consideramos que compreender as questões educacionais sob uma perspectiva êmica de pesquisa (GEE, 1999) é fundamental para o analista adquirir consciência das questões sob o ponto de vista de quem as vivenciam na prática. Neste trabalho buscamos apresentar algumas tendências temáticas sob o ponto de vista dos sujeitos que vivenciaram como professores o processo educacional em suas salas de aula de ciências.
A explicitação temática de elementos na fala dos professores faz parte da primeira etapa do projeto e consistiu na coleta de dados discursivos segundo uma metodologia de grupo focal, realizada na cidade de Belo Horizonte. A coleta de dados foi realizada na Universidade Federal de Minas Gerais, em 2009, ocasião em que oito professores, mediados por duas coordenadoras do projeto, discutiram o tema 'Qualidade do ensino'. A discussão foi gravada em áudio e vídeo, o que constituiu os dados que serão analisados.
Compreendemos que a discussão acerca da qualidade do ensino de ciências é crucial para viabilizar e dar suporte aos processos de ensino e aprendizagem de ciências em sala de aula. Apesar da relevância de uma compreensão holística das práticas discursivas para promover reflexões dos professores sobre a própria prática, neste trabalho, no entanto, nos restringimos a investigar e analisar sobre o que os professores falam quanto questionados acerca da qualidade do ensino de ciências. Nossa perspectiva é que este é um primeiro passo para uma análise do discurso informada por pistas temáticas. Os temas foram categorizados segundo a técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2009).
## METODOLOGIA
## Análise de conteúdo
A análise de conteúdo se define como um 'conjunto de técnicas de análise das comunicações' (BARDIN, 2009, p. 33), sejam elas quantitativas ou não. Esta análise prima pelo rigor do método como forma do analista não se perder na heterogeneidade constitutiva dos dados. Além disso, oferece meios para obter, por procedimentos sistemáticos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores relativos às variáveis. As fases de análise de conteúdo, organizadas cronologicamente, são:
- ¾ A pré-análise;
- ¾ A exploração do material adotado; e
- ¾ O tratamento dos dados, a inferência e a interpretação.
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Na pré-análise realizamos a organização dos procedimentos de trabalho. Nesta fase, sistematizamos as etapas a serem seguidas, estabelecendo um plano de análises. Escolhemos, primeiramente, os documentos que serão submetidos à análise. Neste trabalho, o documento corresponde à gravação em áudio e vídeo de um grupo focal, organizado e desenvolvido pelas coordenadoras do projeto, em que oito professores que atuam na região metropolitana de Belo Horizonte discutiram sobre o ensino de ciências nas escolas.
- O grupo focal corresponde a uma abordagem qualitativa de pesquisa, tendo como propósito revelar crenças e atitudes de um grupo em relação a um determinado tema de pesquisa - neste trabalho, a qualidade do ensino de ciências e matemática, especificamente na região metropolitana de Belo Horizonte. Um moderador administrou o diálogo e estimulou o ambiente de troca, de modo que os professores se sentissem à vontade para compartilhar suas idéias e opiniões.
Na pré-análise, segundo Bardin (2009), o analista deve focar na 'formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final.'.
- A etapa da exploração do material se caracteriza pela aplicação das decisões tomadas em relação à análise. O decorrer da análise, neste caso, se deu por meio de operações efetuadas por computador, de forma mecânica. Esta se resume nas etapas de codificação, decomposição e enumeração.
- O tratamento dos dados obtidos e a interpretação são realizados através de operações estatísticas simples, que permitem estabelecer gráficos ou diagramas dos resultados. Ao se obter os resultados, podemos inferir e adiantar interpretações referentes ao objetivo proposto. Os resultados podem também servir de critérios para a seleção de eventos para análises discursivas mais detalhadas
## Análise categorial temática
A análise categorial temática consiste na 'contagem de um ou vários temas ou itens de significação, numa unidade de codificação previamente determinada' (BARDIN, 2009, p. 73), como, por exemplo, frases de um texto.
Este tipo de análise se desenvolve a partir dos seguintes procedimentos:
- ¾ A leitura flutuante, intuitiva, ou parcialmente orientada do texto;
- ¾ A definição de hipóteses provisórias sobre o objeto estudado;
- ¾ O texto analisado, a determinação das unidades de registro - que podem ser: palavras, frases, parágrafos, temas, objeto ou referente, personagem, acontecimento e documento;
- ¾ A marcação no texto do início e final de cada unidade de registro observada;
- ¾ A definição das unidades de significação ou temas;
- ¾ A análise temática das unidades de registro e;
- ¾ Finalmente a análise categorial do texto.
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Ao serem concluídas as operações da pré-análise, passamos à análise em si, aplicando as próximas etapas aos documentos selecionados. Passamos então para as operações de codificação e decomposição ou enumeração.
## Procedimentos
## Leitura Inicial - Estrutura Narrativa
Esta etapa tem como objetivo estabelecer uma descrição objetiva, sistemática e qualitativa das falas, visando identificar o que está sendo dito, permitindo realizar inferências acerca do assunto abordado pelos professores no grupo focal.
A estrutura da análise foi montada no formato de arquivo de texto, em duas colunas, uma contendo o tempo de início da fala e outra apresentando a análise do que é dito pelos participantes.
## Transcrição
Neste momento, o que foi registrado no vídeo do grupo focal é transformado em um texto, sendo esta etapa correspondente à preparação do corpus para análise.
Para este procedimento, adotou-se inicialmente uma legenda com códigos (NASCIMENTO, PLANTIN & VIEIRA, 2008) para cada componente do grupo focal, além de símbolos caracterizando interrupções. As falas foram separadas por cada interlocutor em tabelas, estando à frente seus códigos correspondentes. O texto de transcrição foi escrito de modo a se aproximar ao máximo das falas dos sujeitos.
## Codificação
Segundo Holsti (1969), a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados e agregados em unidades, que permitem a descrição das características do conteúdo.
A codificação se organiza em três processos: recorte, enumeração e classificação e agregação. No recorte realizamos a escolha das unidades de significação e as estabelecemos. Na enumeração, determinamos as regras de contagem e por fim, na enumeração e agregação escolhemos as categorias. Nos itens seguintes descreveremos os procedimentos efetuados para os resultados apresentados neste trabalho.
## Recorte
A unidade de codificação adotada foi o tema, representado por uma frase composta, o que constitui os recortes semânticos retirados da transcrição. A análise temática consiste em determinar os núcleos de sentido que compõem o texto. Como exemplo, temos a seguinte fala do professor :
Tem uma coisa que eu 'tava' pensando, é mais ou menos sobre ensino médio recentemente eu fiz obtenção de novo título porque eu comecei de novo, a fazer outro curso, e a gente, tá acontecendo também, tá checando as qualidades 'dessa' pessoas que, que não tá dando, acho que o nível do vestibular nos últimos anos [P4: caiu!] tá caindo. Então o pessoal não tá
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dando conta. Você o pessoal em coisa que, era pra saber, pelo menos dentro da nossa época lá que a gente tem o pessoal não tá conseguindo conciliar, trazendo o nível pra baixo né.
Deste trecho retiramos os seguintes temas: qualidade de ensino / dificuldade de aprendizagem. Os trechos de fala abaixo evidenciam os temas:
(...) o nível do vestibular nos últimos anos (...) tá caindo. (...) o pessoal não tá dando conta (...) não tá conseguindo conciliar, trazendo o nível pra baixo (...).
## Enumeração
Adotamos como indicador, ou regra de enumeração, a freqüência de aparição, a fim de darmos significação ao nosso objetivo analítico. Posteriormente, o indicador foi a presença/ausência do tema, para uma análise longitudinal, ou seja, de estrutura mais fina do corpus. Abaixo está a listagem dos temas determinados através da enumeração:
Tabela 1: Temas determinados no processo de enumeração.
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No gráfico abaixo apresentamos inicialmente a análise com o indicador de freqüência, ou seja, a recorrência com que cada tema surge na fala dos professores envolvidos na pesquisa.
Gráfico 1: Gráfico em barras informando o número de repetições de cada tema .
## Classificação e Agregação
A partir dos temas obtidos na etapa anterior, determinamos categorias e subcategorias. Como critérios, consideramos os dois indicadores, ou seja, a frequência que indica os temas mais recorrentes no discurso dos professores e a relação presença/ausência de um determinado tema, que indica a relevância do mesmo.
## RESULTADOS
Com base na análise das enumerações na classificação e agregação, e considerando o gráfico 1, destacamos os temas mais recorrentes: definição do ensino; cobrança/avaliação; organização escolar; responsabilidade/cobranças impostas ao professor; problemas financeiros escolares; conteúdo trabalhado em sala de aula; palavras relacionadas à qualidade de ensino.
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Os trechos seguintes, retirados da transcrição do grupo focal, exemplificam alguns dos temas apresentados na tabela 1.
## Cobrança/Avaliação:
'Não que o Estado tenha que ser assim (...) mas essa cobrança (...) muito branda das escolas públicas (...) leva (...) a esse número excessivo de pessoas sem embasamento nenhum,'
## Organização Escolar:
'A cobrança passava toda pra cima da gente (...) quando começou recuperação paralela (...), (...) conselho de classe (...), e nesse a dona da escola sentava do nosso lado (...), e (...) fazendo o conselho (...), tinha que dar alguma salvação pro aluno, então a gente fica bastante (...) incomodado.'
## Responsabilidade/cobranças impostas ao professor:
'Toda a culpa cai em cima dos professores e infelizmente eu acho que isso é um problema de todas as escolas particulares, (...) a escola é empresa (...) e ela não pode reprovar como (...) antigamente.'
## Problemas Financeiros Escolares:
'Uma vez conversando com um diretor (...), ele citou que se a escola não mantivesse um certo número xis (...) de aprovações, (...) a escola não receberia quantia do estado, (...) é uma verba que tava vinculada (...) a formação (...).'
## Conteúdo trabalhado em sala de aula:
'Algumas matérias que eu tô dando (...) no oitavo ano e no sétimo ano não vão cair na prova final. (...) Eles tão afiadíssimos, (...). Agora, eu tenho certeza que eles não vão saber sobre o conteúdo que eu dei no passado sobre genética, que vai cair na prova (...).'
Verificamos que, ao serem questionados sobre a qualidade no ensino de ciências, os professores falam primeiramente sobre avaliação e cobrança na escola. Eles atribuem a falta de qualidade na rede pública à baixa cobrança existente, o que culmina na falta de interesse por parte dos alunos. Em contrapartida, há uma constante cobrança da escola de que todo o conteúdo seja lecionado sem levar em conta se o aluno aprendeu ou não. Seguido do tema 'organização escolar', o problema com relação ao aprendizado do aluno é reforçado e está presente agora nos discursos dos professores sobre a 'não reprovação do aluno', que está vinculado diretamente ao tema, 'responsabilidade/cobranças impostas ao professor'. A carga excessiva dos conteúdos trabalhados nas disciplinas de Ciências, a cobrança das escolas com relação ao cronograma, as dificuldades do aluno e a não possibilidade de reprovação nas escolas públicas, por questões financeiras, exemplificada no trecho de discurso analisado acerca do tema 'problemas financeiros escolares', apresentam um aspecto cíclico. Em todas as falas, esses temas estão interligados, o que nos faz ressaltar a sua importância.
Um dos temas que tem sido discutido atualmente sobre a educação, é a não valorização do profissional de ensino. Dentre as várias questões que podem ser levantadas acerca dessa não valorização, o tema 'remuneração do professor', a princípio poderia ser o mais discutido pelo grupo focal. Ao contrário do esperado,
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essa questão, sob a perspectiva de sua freqüência temática, não foi tão relevante para o grupo focal estudado, apesar de estar presente nas discussões.
## CONCLUSÕES
O estudo das falas dos professores sobre a qualidade do ensino de ciências permitiu uma análise temática das suas visões nos discursos construídos, e suas facilidades ou dificuldades em abordar os temas que surgiram.
O processo social no conjunto é um processo de familiarização pelo qual os objetos e os indivíduos vêm a ser compreendidos e distinguidos na base de modelos ou encontros anteriores. A predominância do passado sobre o presente, da resposta sobre o estímulo, da imagem sobre a realidade tem como única razão fazer com que ninguém ache nada de novo sob o sol. A familiaridade constitui ao mesmo tempo um estado das relações no grupo e uma norma de julgamento de tudo que acontece. (MOSCOVICI, 1961, p.26).
Nas falas dos professores encontramos palavras consideradas 'chavões'. Embora várias idéias contidas nas falas tenham fundamentos lógicos, compreendemos que o ensino de ciências está sendo vítima de uma 'estagnação' com relação à solução dos seus problemas. A melhora na qualidade do ensino e em especial no ensino de ciências requer mudanças na valorização da educação, revisão na formação acadêmica dos professores e a definição de objetivos claros para o ensino. Entretanto, isso não implica em supor que a melhora na qualidade de ensino não é papel do próprio professor. É dever do próprio profissional também rever as suas ações e tentar melhorar sua prática diante das dificuldades, ainda que no âmbito da educação isso ainda seja uma realidade distante.
Compreendemos que fatores de grande relevância são abordados em muitas partes das falas analisadas, porém em poucos momentos foram levantadas propostas para mudança do ensino de ciências e análises inovadoras sobre o tema, de modo que o professor foi colocado muitas vezes como a vítima nesse contexto. Este tema silenciado merece ser abordado em estudos que busquem construir uma prática discursiva que os faça emergir.
Consideramos que a categorização temática das falas dos professores de ciências pode nos dar pistas para aprofundar em análises futuras sobre os temas mais freqüentes e relevantes, ou, até mesmo, dos temas silenciados.
Por fim, destacamos que a nossa proposta êmica de pesquisa de investigar temas recorrentes na fala dos professores é um passo importante para começarmos a compreender os problemas educacionais sob o ponto de vista daqueles que os vivenciam. Além disso, os formadores de professores de ciências podem, com base nos resultados apresentados, decidir como trabalhar estes temas em suas aulas, uma vez que são de interesse para os envolvidos e constitui parte do seu repertório. Portanto, consideramos que esta pesquisa tem também implicações relevantes para a prática de ensino na formação de professores.
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## Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo, Lisboa: Edições 70, 2009
BRAZ DA SILVA, A. M. T e NASCIMENTO, S. S. As representações sociais de professores acerca do tema qualidade do ensino das Ciências: Um estudo a partir da técnica de grupo focal, In Pierson, A. XII Encontro Nacional de Ensino de Física. Águas de Lindoia. SBF. 2010.
- GEE. J. P. An introduction to discourse analysis: Theory and method . New York: Routledge, 1999.
- HOLSTI, O. R, Content analysis for the social sciences and humanities . Addison Wesley, 1969.
MOSCOVICI, S. La Psychanalyse, son image et son public . Paris: Press Universitary de France, 1961.
NASCIMENTO, S. S.; PLANTIN, C.; VIEIRA, R. D. A validação de argumentos em sala de aula: um exemplo a partir da formação inicial de professores de Física. Investigações em ensino de Ciências , v. 13, n. 2, Porto Alegre, 2008. Disponível em:
http://www.if.ufrgs.br/ienci/artigos/Artigo\_ID181/v13\_n2\_a2008.pdf. Acesso em: 29 set. 2010.
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