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A Implementação de uma Feira de Ciências no Ensino de Física

Daniel De Andrade Moura

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
31/01/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A IMPLEMENTAÇÃO DE UMA FEIRA DE CIÊNCIAS NO ENSINO DE FÍSICA

## DANIEL DE ANDRADE MOURA

Professor de Física da rede estadual de São Paulo e da rede particular de Guaruhos Doutorando em Energia pela Universidade Federal do ABC Mestre em Energia pela Universidade Federal do ABC Graduando em Educação Musical pela UNESP Licenciado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Email: ascencao@hotmail.com

## RESUMO

Muitos alunos de ensino médio apresentam dificuldades na aprendizagem da Física, devido a diversos motivos, o que acaba por dificultar o trabalho do professor desta área do saber. Para enfrentar o problema, o educador deve procurar utilizar diversas ferramentas educacionais, levando em conta o contexto escolar em que a sua atividade docente será realizada. Há artigos que apresentam diversas sugestões, como o uso da internet, de simulações, do teatro científico para a divulgação da história da ciência, entre outros. Uma estratégia bastante usada é a realização de experimentos durante o processo de ensinoaprendizagem, com o intuito de contextualizar o conteúdo abordado em aula e facilitar o aprendizado. Há escolas que incentivam os seus alunos a montarem uma Feira de Ciências, próximo ao final do ano, com o fim de apresentar diversas experiências (montadas por grupos de educandos) a comunidade. O presente trabalho apresenta um relato de uma experiência sobre a utilização da Feira de Ciências enquanto ferramenta de motivação e aprendizagem do ensino de ciências, em especial a Física, no ensino médio. Para isto, foi realizado um estudo de caso numa escola particular, na cidade de Guarulhos em São Paulo, chamada Educandário Elite, onde os alunos dos três anos do nível médio apresentaram diversos experimentos científicos no mês de novembro em 2009, a respeito de diversos temas. Constatou-se, após a coleta de informações, que a atividade teve resultados positivos, melhorando o desempenho dos mesmos na área cientifica e motivando alguns a realizarem cursos de graduação com grande vínculo com a área das ciências naturais.

Palavras-Chave: Ensino de Física, experiências e feira de ciências.

## 1- INTRODUÇÃO

A física é uma ciência com o objetivo de explicar os fenômenos naturais e, portanto, aborda assuntos ligados ao cotidiano de todas as pessoas (MORAES, 2005). O paradoxo é que muitos alunos da educação básica tem dificuldade em associar a física escolar com a sua realidade diária.

Para enfrentar o problema, diversos autores apresentam sugestões de atividades para serem executadas no processo de ensino-aprendizagem. Moura e Teixeira (2008), por exemplo, demonstram o uso de teatro científico como

ferramenta para a motivação de alunos e divulgação da história da ciência. Fiolhais e Trindade (2010) sugerem o uso do computador como instrumento de ensinoaprendizagem de Física. Este artigo apresenta uma abordagem a respeito da utilização de experimentos no nível médio, com o intuito de contribuir com a melhoria deste aparato educacional.

- O uso de experiências cientificas, durante o processo de ensinoaprendizagem, colabora com a contextualização de diversos conteúdos abordados durante as aulas. Segundo Araujo e Abib (2003),

o uso de atividades experimentais como estratégia de ensino de Física tem sido apontado por professores e alunos como uma das maneiras mais frutíferas de se minimizar as dificuldades de se aprender e de se ensinar Física de modo significativo e consistente.

Apesar da importância das experiências científicas no ensino de ciências, dados do INEP (2010) divulgados em 2009 mostram que apenas 9 % das escolas brasileiras de educação básica possuem laboratório de ciências. A falta deste espaço acaba por limitar o uso de experimentos no ensino, sendo necessário criar outros espaços para este fim, como a própria sala de aula, e adptar algumas experiências. Porém, este fator não deve ser uma desculpa para se evitar a prática de experiências cientificas com alunos, principalmente na área da física, pois há uma infinidade de experimentos que podem ser realizados sem a necessidade de um laboratório.

Tendo isto em vista, este artigo traz uma contribuição para a melhoria do ensino de ciências por meio da apresentação de experiências. Ele apresenta um estudo sobre a execução de uma Feira de Ciências, em novembro de 2009, na escola particular Educandário Elite, localizada a cidade de Guarulhos em São Paulo. Nela, setenta e nove alunos apresentaram trabalhos, sendo 22 educandos do primeiro ano do ensino médio, 28 do segundo e 29 do terceiro.

Para obtenção de dados, foram realizadas entrevistas com todos os alunos participantes da Feira de Ciências, durante o período de preparação do evento, com as seguintes perguntas:

- 1- Você tem alguma crítica sobre o andamento do projeto 'Feira de Ciências'?
- 2- O seu grupo já tem ideia do que pretende apresentar no evento?
- 3- Qual é a sua opinião sobre as atividades propostas para lhe apoiar na realização da Feira de Ciências?

Os alunos foram entrevistados em grupos, mas cada integrante dava a sua resposta. Este breve questionário auxiliou os professores, responsáveis pelo evento, a orientarem e apoiarem os alunos na montagem dos experimentos apresentados.

Após a execução da feira, os educandos responderam a um questionário com três questões:

- 1) Dê a sua opinião sobre as atividades da Feira de Ciências realizada no Educandário Elite em 14 de novembro de 2009.
- 2) De qual área do conhecimento você mais gostou?
- 3) A Feira de Ciências trouxe alguma influência sobre a sua visão a respeito do seu futuro acadêmico?

A partir das informações obtidas, realizou-se uma avaliação sobre o evento realizado.

## 2- PREPARAÇÃO PARA A FEIRA DE CIÊNCIAS

A escola Educandário Elite, objeto deste estudo, oferece aula em todos os anos da educação básica e realiza uma Feira Cultural ao final do quarto bimestre do ano letivo. Os temas da feira realizada em 2009 obedeceu a divisão apresentada pela tabela 1:

Tabela 1 - Temas.

Os professores, responsáveis pelos menores alunos, ficaram encarregados de orientar e coordenar apresentações de danças e músicas que seriam exibidos na abertura da Feira Cultural de 2009. Os educadores das outras turmas tinham a responsabilidade de adaptar as salas de aula para uma exposição do tema correspondente ao ano letivo de cada uma. Aos professores do ensino médio coube a função de coordenar uma Feira de Ciências dentro do evento. Entre estes, estava o autor do presente artigo.

Para que a Feira de Ciência obtivesse êxito, foi realizado um trabalho sobre a mesma durante todo o ano letivo. Ele foi dividido em 3 etapas:

- 1 GLYPH<31> ) Realização de Experiências em Salas de Aulas : Durante o segundo bimestre, os alunos do ensino médio pesquisaram, montaram e apresentaram, sob a orientação dos professores de Biologia, Química, Física e Matemática, diversos experimentos na área das Ciências da Natureza. A maioria deles foram na área da Física, devido ao interesse dos educandos por experimentos nesta ciência.
- 2 GLYPH<31> ) Visita a Museus de Ciências: No terceiro bimestre, os alunos foram orientados a se dividirem em grupos e visitarem museus de ciências. Após as visitas, cada grupo entregou um relatório sobre a visita realizada.
- 3 GLYPH<31> ) Definição e apresentação prévia dos experimentos: Sob a orientação de todos os educadores responsáveis pelo ensino médio, os educandos pesquisaram, montaram e apresentaram, previamente, os experimentos que seriam exibidos na Feira de Ciências a ser realizada na Feira Cultural em 14 de novembro de 2009 na escola.

Os passos descritos acima foram fundamentais para o sucesso da Feira de Ciências, e causaram mudanças significativas no comportamento dos alunos em sala de aula. Durante as aulas de Física, no terceiro bimestre, aproximadamente 60 % dos alunos conseguiam assimilar com mais facilidade os conceitos, por conseguirem associá-los com algumas experiências realizadas.

Houve, também, uma melhora na visão interdisciplinar de alguns alunos (cerca de 30 %). Eles começaram a criar diálogos com entre áreas distintas do saber, pois perceberam esta necessidade para explicar alguns experimentos a serem apresentdos.

A realização da segunda etapa ofereceu uma dificuldade aos professores: a princípio, os alunos não queriam ir aos museus de ciência por terem um 'préconceito' distorcido destes espaços. Porém, após a efetivação da primeira visita por um dos grupos ao Catavento , os demais se sentiram motivados ao verem o 1 entusiasmo dos colegas após o passeio. As visitas dos alunos se concentraram basicamente em dois museus de ciência de São Paulo: o Catavento e a Estação Ciência . 2

Após a realização de todas as visitas a museu de ciências, havia uma porcentagem de aproximadamente 45 % dos alunos que desejavam voltar até eles para dar mais uma olhada. A maioria dos educandos (aproximadamente 70 %) percebeu o quão divertidos e interativos são estes espaços, por causa da interatividade e a forma lúdica como os diversos fenômenos da ciências naturais são abordados.

A partir do observado nos museus, os alunos se sentiram mais a vontade para planejarem e projetarem o que fariam na Feira de Ciências. Durante todo o desenvolvimento dos projetos, contaram com o apoio de todos os professores, e com a orientação dos educadores das áreas das Ciências Naturais e Matemática.

## 3- A FEIRA DE CIÊNCIAS

A Feira de Ciências ocorreu no dia 14 de Novembro de 2009, como parte integrante da Feira Cultural. Ela contava com os seguintes experimentos e exposições:

Tabela 2: Experimentos apresentados.

Após a apresentação da Feira, os alunos foram entrevistados e, a partir do expostos por eles, foram obtidos os dados apresentados nas tabelas 3, 4 e 5.

Tabela 3: Opinião.

A tabela 3 mostra um resultado bastante positivo em relação a Feira de Ciências, pois apresenta uma porcentagem de 72 % dos alunos que gostaram do evento. É preciso ressaltar, porém, que dentre estes houveram 70 % que se queixaram de falta de apoio da escola. Eles esperavam apoio financeiro da instituição, o que não ocorreu.

Tabela 4: Área de maior interesse.

O maior de número de experimentos na área da Física pode ter influenciado nos dados da tabela 4. É possível perceber que o nível de interesse em cada área esta relacionado com a quantidade de experimentos nesta área apresentados na Feira. Talvez, se tivesse um número mais equilibrado de experimentos em cada área das Ciências Naturais, fosse obtido um resultado diferente.

Antes deste evento, era comum ouvir alunos falarem da dificuldade em entender a Física. Depois, havia uma parcela de educandos interessados em aprender mais sobre esta disciplina, principalmente a parte conceitual. Ao somar os alunos interessados em estudar, na graduação, qualquer uma das áreas das Ciências Naturais, é obtida uma porcentagem de 65 % de educandos interessados.

## 4- CONCLUSÃO

A Feira de Ciências é uma oportunidade para os alunos apresentarem diversos projetos realizados durante o ano, que pode motivá-lo e auxilia-lo no

decorrer do processo de ensino-aprendizagem, principalmente na área das Ciências Naturais.

Os benefícios trazidos pelo evento se iniciaram com a sua preparação no decorrer do ano. A imagem que os educandos tinham da Física foi transformada após as atividades preparatórias, principalmente devido às visitas aos museus de ciência. Eles conseguiram perceber um outro aspecto da ciência, devido a forma lúdica e interativa dos presentes nos museus de ciência.

Na visão dos alunos, o evento foi positivo e poderia ser realizado mais vezes. Para alcançar este êxito, foram necessárias diversas reuniões, planejamento e comprometimento de todos os atores envolvidos.

## REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Mauro Sérgio Teixeira de; ABIB, Maria Lúcia Vital do Santos . Atividades Experimentais no Ensino de Física: diferentes enfoques, diferentes finalidades .Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S180611172003000200007&lang=pt>. Acessado em agosto de 2010. Publicado na revista brasileira de ensino de física vol. 25 no. 2, São Paulo, junho de 2003.

FIOLHAIS, Carlos; TRINDADE, Jorge. Física no Computador: o computador como uma ferramenta no ensino e na aprendizagem das ciências físicas . Disponível em <http://biblioteca.universia.net/html\_bura/ficha/params/id/549701.html>. Acesso em setembro de 2010.

INEP. Disponível em < www. inep .gov.br>. Acesso em setembro de 2010.

MORAES, Maria Beatriz dos Santos Almeida. Uma proposta para o ensino de eletrodinâmica no nível médio . Dissertação de mestrado apresentada a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2005.

MOURA, Daniel de A.; TEIXEIRA, Ricardo R. P. O teatro cientifico e o ensino de física - Uma experiência didática . Artigo publicado na revista Ciência e Tecnologia em junho de 2008.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.