A EVOLUÇÃO DO LABORATÓRIO DE ENSINO DE FÍSICA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: UM CONTEXTO HISTÓRICO
Élisson Andrade Batista, Luiz Gonzaga Roversi Genovese
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Ensino De Física E Experiências Em Ensino E Aprendizagem Em Ciências Naturais E Matemática Na Amazônia
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2011
Texto completo
## A EVOLUÇÃO DO LABORATÓRIO DE ENSINO DE FÍSICA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: UM CONTEXTO HISTÓRICO
## Élisson Andrade Batista , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 1 2
- 1 Instituto de Física - Universidade Federal de Goiás, elisson.fisica@gmail.com
- 2 Instituto de Física - Universidade Federal de Goiás, lgenovese@if.ufg.br
## Resumo
Esse artigo é fruto de um Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na obtenção de Grau de Licenciado em Física. Consiste em uma investigação qualitativa que tem por objetivo caracterizar historicamente a evolução do Laboratório de Ensino de Física, levando em consideração aspectos metodológicos, fatos históricos, iniciativas e práticas profissionais. Sua finalidade é identificar e analisar motivos pouco evidentes que sustentam a sua importância no Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás na ótica dos professores da instituição. Para tanto foram realizadas pesquisas bibliográficas de documentos históricos e oficiais que se referem às atividades experimentais, como programas, regulamentos e resoluções, e também realização de entrevistas semiestruturadas ao corpo docente do Instituto de Física. Caracterizamos o contexto histórico do Laboratório de Ensino e verificamos seu aspecto evolutivo, e verificamos por análise categorial se existe compatibilidade entre esse contexto histórico local com os fatos históricos referentes ao contexto nacional, que antecedeu o período caracterizado, e com as propostas contidas nos documentos oficiais.
Palavras-chave : Laboratório de Ensino; Investigação Qualitativa; Contexto Histórico.
## Introdução
O ensino da Física nas Universidades brasileiras é classificado como ruim, onde a evasão é enorme, basicamente toda a estrutura do curso é baseada por livros texto, as atividades em laboratório é tida como uma obrigação incomoda, dentre muitos outros aspectos (MOREIRA, 2000). Por ser de baixa qualidade, percebe-se que há uma preocupação em se fazer pesquisas para que possa se compreender e desenvolver o ensino da Física.
Dentre os diversos assuntos que compreendem essas pesquisas pode-se destacar uma preocupação pertinente em relação à utilização do laboratório didático (GRANDINI, 2003), de forma explicita e também de forma implícita presente nos currículos e propostas educacionais, evidenciada pelos diversos trabalhos e pesquisas desenvolvidos relacionados ao assunto.
Pode-se citar a preocupação ao se fazer uma reflexão mais crítica das questões envolvidas com o processo de ensino focando o trabalho em grupo (BAROLLI; VILLANI, 1998). Em se discutir a questão do currículo, tanto no nível médio como no superior (MOREIRA, 2000) mediante análise do caminho tortuoso a que se submeteu o ensino da Física no Brasil. Dentre uma diversidade enorme de trabalhos.
- O laboratório no ensino de Física é um ambiente importante, pois 'la experiencia práctica es la esencia del aprendizaje científico' (HODSON,1994). Tal afirmação tornou-se comum e é utilizada para se justificar o investimento em tal
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
estratégia de ensino, no entanto, pode-se supor outros motivos para toda essa aclamação, tais como dar uma certa idéia de controle sobre a natureza, traz uma certa ilusão que o ensino da Física se tornaria mais fácil, o aprender se daria de maneira eficaz com a simples e pura manipulação de objetos, dentro outros.
- O Laboratório Didático, designado nesse trabalho por Laboratório de Ensino, presentes nas Universidades, é utilizado na formação de novos profissionais em diversas áreas das ciências e aparecem atualmente nos cursos de graduação como disciplinas, porém, aqui, o Laboratório de Ensino será tratado como um local, onde ocorrem fenômenos sociais e científicos e que está em constante desenvolvimento.
Com a proposta de abordar o contexto do Laboratório de Ensino de Física no Instituto de Física, de forma histórica, pressupõe-se que é possível compreender quais motivos influenciaram no desenvolvimento das atividades experimentais, de forma a traçar um perfil dessas atividades, levando-se em consideração a concepção de professores, discussão da metodologia e objetivos do laboratório, verificação da importância do trabalho prático e o encaminhamento de novas alternativas de ensino.
## Encaminhamento da Pesquisa
No decorrer da graduação, com as disciplinas de laboratório e durante o tempo que me dediquei às atividades de monitoria, constatei que a comunidade acadêmica, de forma geral, não vê de forma adequada o que é o Laboratório de Ensino, uma vez que não se tem também uma concepção correta das Ciências Físicas, que não passam de disciplinas chatas, difíceis e sem utilidade prática, muitas vezes comparadas à Matemática. O laboratório é tido como uma disciplina de repetição, onde não são compreendidos os conceitos e o produto, os dados, são ressaltados e tidos como importantes e essa se torna sua finalidade.
Em vista a não valorização das práticas de laboratório, tanto por parte dos alunos como por parte dos professores, foram levantadas algumas hipóteses que possibilitaram um ponta pé inicial dessa pesquisa. Inicialmente, essas hipóteses não eram bem definidas e não se tinha ao certo o que e como poderia ser feito. Na busca de uma forma mais apropriada de se levantar a estrutura teórica e prática desse trabalho, buscou-se trabalhos publicados na área, no que diz respeito à prática em laboratórios, e também publicações sobre metodologia em pesquisas qualitativas. Após ter buscado base teórica, algumas hipóteses surgiram para a compreensão dos fenômenos presentes nos Laboratórios de Ensino, são elas:
- a) É possível traçar uma linha de evolução se alguns dos professores que participaram desse processo forem entrevistados, levando em consideração a época em que foram atuantes no Instituto de Física, tanto como aluno quanto como professor.
- b) Identificando os motivos que sustentam o laboratório na fala dos entrevistados é possível aperfeiçoar de forma mais consciente e adequada a metodologia de ensino, o material didático atrelado a essa metodologia e de fato cultivar novas soluções e tentativas, disseminando um ensino da Física que contemple a dinâmica social.
A partir dessas hipóteses, o problema de pesquisa tornou-se mais acessível e possibilitou que fosse traçados objetivos que nos auxiliaram no encaminhamento e execução da pesquisa, e é imprescindível ter esses objetivos em mente, são eles:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
- a) Verificar se o Laboratório de Ensino de Física passou por um processo de evolução;
- b) Caracterizar o processo na ótica dos professores da instituição;
- c) Pontuar motivos pouco evidentes que sustentam de forma implícita a importância dada ao Laboratório de Ensino de Física.
Porém, esses objetivos só foram alcançados quando algumas questões foram levantadas e encaradas como primordiais para o encaminhamento e desenvolvimento da pesquisa, portanto, com a finalidade de concretizar a pesquisa, foram elaboradas as seguintes questões:
- a) Como ressaltar o aspecto evolutivo presente no desenvolvimento do Laboratório de Ensino?
- b) Que fatos devem ser considerados para construção de uma linha de evolução?
- c) Como caracterizar esse problema na ótica dos professores?
- d) Como identificar os motivos que sustentam sua importância e permanência na estrutura da Instituição?
## Desenvolvimento da Pesquisa
Com os objetivos almejados e as questões elaboradas foi dado um passo mais significativo na pesquisa, possibilitando organizar a estrutura de desenvolvimento da pesquisa, portanto a pesquisa se desenvolve baseada na estrutura organizada no diagrama abaixo, onde estão presentes os documentos pesquisados, as ferramentas metodológicas utilizadas para construção e análise de dados.
Figura 01: Organização da pesquisa
<!-- image -->
Essa pesquisa é uma abordagem qualitativa, fundamentada em algumas perspectivas, onde foram realizadas pesquisas bibliográficas, tanto de documentos oficiais como de documentos históricos, além de entrevistas semi-estruturadas.
Tais perspectivas foram analisadas e organizadas em categorias, a fim de construir inferências, pressupondo a comparação dos dados, sobre as
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
características do texto, as causas e/ou antecedentes das mensagens e os efeitos da comunicação. Para isso, a contextualização foi considerada como um dos principais requisitos (FRANCO, 2003). Dessa forma, a pesquisa se volta ao contexto. Para tanto, a estrutura de análise teve a seguinte organização:
- a) Análise da pesquisa bibliográfica sobre o contexto histórico das atividades experimentais do ensino no Brasil.
- b) Análise de documentos oficiais, por fornecerem dados atuais e relevantes (BONI; QUARESMA, 2005).
- c) Análise das entrevistas semi-estruturadas, que se parecem com conversas informais (LÜDKE; ANDRÉ, 1986) referentes ao corpo docente e aos documentos do Instituto de Física.
- d) Inferências gerais construídas a partir da análise categorial de dados (BARDIN, 1977).
- e) Conclusões tiradas a partir das inferências feitas.
## Metodologia
Organizada a estrutura de análise, é de grande importância definir seu objeto de análise, e para tal foi escolhida para a investigação uma população específica que se restringe ao o corpo docente do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás, por se tratar de um grupo que presenciou os diversos fenômenos que contribuíram ou não para o desenvolvimento das atividades relacionadas ao Laboratório de Ensino, ora como alunos ora como professores, em diversos períodos históricos, estando aptos a relatar as características referentes a cada período possibilitando verificar o processo de evolução desse Laboratório.
Porém, a amostra se restringiu a cinco professores, devido à disponibilidade, motivos técnicos e pelo fato de poucos estarem aptos a relatar aspectos significativos ao laboratório em períodos anteriores, isso se deve a aspectos particulares como a participação no processo de construção, realmente se ocupando com atividades referentes aos Laboratórios de Ensino de Física a muito tempo atrás. Foram escolhidos para a amostra professores do Instituto que se graduaram na instituição, que participam da organização do laboratório, seja como coordenador ou professor, e que trabalham com pesquisa na área de Ensino de Física.
## Métodos de Construção de Dados
Para tal, no que diz respeito aos métodos utilizados para construção de dados foram utilizados o estudo de documentos e a prática de entrevistas. Os documentos citados foram obtidos pela prática de pesquisas bibliográficas, dentre eles estão artigos que caracterizam o contexto nacional referentes às práticas experimentais e os documentos oficiais que regulamentam os cursos de Física, além dos principais trabalhos científicos já realizados sobre o tema. Abrangendo publicações avulsas, livros, jornais, revistas, vídeos, internet etc (BONI; QUARESMA, 2005).
Contexto Histórico Nacional:
Organizar um contexto histórico referente às atividades experimentais em ensino de física, abordando o laboratório de ensino, possibilita analisar os fatores
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
educacionais e sociais que envolvem a sociedade, além de possibilitar a compreensão do 'indivíduo científico'. Com esses objetivos, este contexto histórico foi organizado de forma a evidenciar as atividades referentes à pratica experimental de física situada no contexto do trabalho de João Baptista de Almeida Júnior, que aborda a evolução do ensino de física no Brasil.
## Documentos Oficiais:
Os documentos oficiais que apoiaram a pesquisa documental são as Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, designados por DNEF e DNEB, respectivamente, sob o interesse do Conselho Nacional de Educação.
Organizar esses pontos possibilita caracterizar o diálogo existente entre as expectativas sociais do ensino e a prática atual, além de perceber de que forma as autoridades se comprometem com a educação, assim podendo compreender melhor como se foi construindo socialmente o papel do laboratório de física ao longo dos tempos.
## Entrevistas:
As entrevistas realizadas foram semi-estruturadas, que segundo Boni; Quaresma (2005) o informante tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, onde o pesquisador deve seguir um conjunto de questões previamente definidas, tornando o contexto muito semelhante ao de uma conversa informal.
- O conjunto de questões citado foi substituído por um roteiro composto por blocos, com temas e objetivos específicos, conforme considerações de Lüdke; André (1986), de forma que a entrevista se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações.
Esse tipo de entrevista não permite uma comparação imediata, porém dá base para que o pesquisador compreenda aspectos significativos para a pesquisa qualitativa, pois a entrevista é uma situação de trocas intersubjetivas, caracterizada pela disposição do pesquisador de compartilhar continuamente sua compreensão com o participante (GATTI, 1986).
## Método de Análise de Dados
- O método de análise de conteúdo utilizado para tratamento dos dados construídos foi a análise categorial, que segundo Bardin (1977) é clássica e funciona como uma 'grelha' de análise, onde os dados são organizados por operações de desmembramentos do texto em unidades, em categorias, ou seja, as entrevistas e pesquisas bibliográficas foram desmembradas em unidades segundo reagrupamentos analógicos. Dentre as diferentes possibilidades de categorização, a análise temática é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos e simples (BARDIN, 1977).
Dentre as diversas vantagens em se utilizar este método, destacam-se: no fato de que se torna insubstituível no plano de síntese, da fidelidade entre analistas, permite relativização e distanciamento, mostra as constâncias, semelhanças e regularidades (ibidem).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Dessa forma é possível produzir inferências, pressupondo a comparação dos dados, sobre as características do texto, as causas e/ou antecedentes das mensagens e os efeitos da comunicação, para isso, a contextualização deve ser considerada como um dos principais requisitos (FRANCO, 2003).
## Organização da análise:
A organização da análise pressupõe três fases que, segundo Bardin (1977), são: pré análise, exploração do material e tratamento dos resultados, especificados a seguir.
- A pré-análise é dita como a fase da organização do conteúdo, que tem por missões a escolha dos documentos, a formulação de hipóteses e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final. É claro que, para que essa organização ocorra de forma eficaz, deve-se estabelecer contato com os documentos, deve-se conhecer os textos, os documentos devem ser escolhidos pelas suas características marcantes, as hipóteses devem ser feitas com a finalidade de guiar a análise, a elaboração de indicadores deve ser feita com base em unidades de análise e o material deve ser preparado.
- A fase da exploração consiste em operações de codificação e decomposição, em função de regras previamente formuladas, que compreende três escolhas: o recorte que consiste na escolha das unidades, a enumeração que consiste na escolha das regras de contagem e a classificação que consiste na escolha das categorias.
- A fase de tratamento dos dados consiste em submeter os resultados a provas estatísticas e testes de validação, possibilitando a interpretação e desses dados e inferências que contribuam para o desenvolvimento da pesquisa.
Exposto a forma como deve ser organizada a análise de dados, passemos à organização propriamente dita. Todo o conteúdo foi organizado em três Dimensões de Análise, de forma que cada Dimensão é subdividida em categorias, feito dessa forma para facilitar a análise. As unidades de análise utilizadas foram o acontecimento e o tema (BARDIN, 1977). A seguir é apresentado a estrutura das dimensões e suas categorias.
Figura 02: Dimensões e categorias de análise
<!-- image -->
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
As Dimensões de Análise 1 e 2 foram propostas com o intuito de caracterizar o contexto histórico local e a Dimensão de Análise 3 com o intuito de caracterizar o contexto histórico nacional e as propostas contidas nos documentos oficiais.
Dessa forma é possível verificar se o processo pelo qual submeteu-se o Laboratório de Ensino é compatível com os fatos históricos que se antecederam ao período caracterizado e também às propostas contidas na lei e na base pedagógica dos cursos oferecidos pela instituição, relativos às atividades experimentais. Auxiliando na identificação e análise dos motivos que sustentam o Laboratório de Ensino na Instituição.
## Análise de Dados e Discussão
No quadro a seguir estão organizados trechos das entrevistas realizadas de acordo com as dimensões de análise 1 e 2, que serviram de base para caracterizar o contexto histórico local.
Quadro 01: Trechos de entrevistas
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
No quadro a seguir está apresentada a caracterização dos contextos históricos e os documentos oficiais, obtidos a partir da categorização feita pela organização do conteúdo em Dimensões de Análise. Em seguida é apresentado o confronto entre esses contextos e os documentos. Confrontar essas linhas caracterizadas possibilita construir inferências primordiais que evidenciam os motivos que sustentam a importância do Laboratório na instituição.
Quadro 02: Caracterização dos contextos históricos e documentos
Percebe-se no decorrer da história o aumento significativo nas preocupações referentes às atividades experimentais, evidenciadas pelas várias tentativas de implementações, seja na parte tecnológica quanto na parte pedagógica, guiados por vários motivos recorrentes da época, tais como crescente industrialização e avanço tecnológico.
Mesmo com esse grande aumento houve grande limitação devido à falta de recursos humanos e até mesmo a mal utilização dos recursos existentes. Muitas vezes nota-se a conscientização da importância das atividades experimentais, porém falta de discernimento, evidentes pela imposição de certas práticas, sem o devido apoio pedagógico e disposição de pessoal.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
A prática evidenciada no contexto geral se pontua na prática mais recente, podendo ser identificadas várias características compatíveis, tais como a iniciativa por parte de alguns profissionais, a preocupação em se renovar as metodologias utilizadas e também a falta de recursos humanos e pedagógicos para tais implementações.
Percebe-se como outrora preocupações referentes ao avanço tecnológico e ao melhoramento das condições existentes, porém também grande preocupação com a área de ensino, evidenciada pelas iniciativas em relação à discussão do tema a nível nacional.
Os documentos oficiais evidenciam a conscientização referentes às práticas experimentais e também ao caráter humano atrelado a elas. Porém há falta de discernimento quanto à possibilidade de implementação, evidenciado pela despreparação pedagógica.
## Resultados da Pesquisa
Como resultados da pesquisa temos (a) a organização e caracterização de um contexto histórico local que comparado com o contexto nacional e documentos oficiais, possibilitou um olhar mais crítico sobre a prática experimental, colaborando para concretização da pesquisa, e (b) a identificação dos motivos que sustentam o Laboratório de Ensino de Física na Universidade Federal de Goiás, tais como a exigência dos documentos oficiais, a necessidade de uma nova postura pedagógica, a preocupação em formar profissionais mais preparados, possibilitando o avanço tecnológico e industrial.
## Conclusões e Considerações Finais
Pelas caracterizações e análises feitas percebe-se que as categorias se agregam facilmente, levando à compreensão da Dimensão de Análise de forma concreta, compreendendo os aspectos gerais relacionados ao Laboratório. Uma vez que a metodologia se remete à importância dada pelo professor e esse motivado pelos programas, investimentos, documentos e antecedentes históricos atua no processo de aprendizagem, fazendo com que o Laboratório tenha sua importância no ensino da Física.
Foi verificado que o Laboratório de Ensino de Física sofreu evoluções significativas, é fato que é de fundamental importância na formação de novos profissionais. Foi caracterizado o problema na ótica dos professores da instituição, verificando quais os principais motivos sustentam sua permanência na instituição.
## Referências
ALMEIDA JÚNIOR, J. A. A evolução do ensino de Física no Brasil. Revista de Ensino de Física , v.1, n. 2, 45-58, outubro/1979.
\_\_\_\_\_\_. A evolução do ensino de Física no Brasil - 2a. parte. Revista de Ensino de Física , v.2, n. 1, 55-73, p. 45-58, fevereiro/1980.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 2009.
BAROLLI, E.; VILLANI, A. Laboratório Didático e Subjetividade. Investigações em Ensino de Ciências - V3 (3), pag. 145 - 164, 1998.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação Qualitativa em Educação : uma introdução a teoria e aos métodos. Porto: Porto, 1992. 336p. (Coleção Ciências da Educação)
BONI, V; QUARESMA, S. J.: Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais. Revista Eletrônica dos Pós-Graduandos em Sociologia Política da UFSC , vol. 2 nº. 1 (3), janeiro-julho/2005, p. 68-80.
BRASIL, Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação. Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física . Processo Nº 23001.000319/2001-10. Parecer Nº CNE/CES 1.304/2001. Aprovado em 06/11/2001.
\_\_\_\_\_\_. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica . RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, de 18 de Fevereiro de 2002.
FRANCO, M. L. P. B. Análise de Conteúdo . Brasília: Plano Editora, 2003.
GRANDINI, N. A.; GRANDINI, C. A. Os objetivos do laboratório didático na visão dos alunos do curso de Licenciatura em Física da UNESP - Bauru , 2003.
HODSON, D., 1994. Hacia un enfoque más crítico del trabajo de laboratorio. Enseñanza de las Ciencias , 12 (3): 299-313.
LÜDKE, M; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação : Abordagens Qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MOREIRA, M. A. Ensino de Física no Brasil: Retrospectivas e Perspectivas. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 22, no. 1, Março, 2000.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.